O dólar voltou a subir nesta sexta-feira em meio a especulações sobre o anúncio de novas medidas do governo para conter a valorização do real. Nem a negativa do Ministério da Fazenda a respeito da divulgação de novas ações ou a alta na Bovespa foram suficientes para fazer a moeda cair.
A taxa de câmbio brasileira subiu com firmeza desde os primeiros negócios, encerrando o dia em R$ 1,666 -- um avanço de 0,30% sobre o fechamento de ontem. Na semana, a moeda subiu 1,28%, a maior alta semanal do ano. Esse aumento fez com que o dólar zerasse as perdas no ano.
Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi trocado por R$ 1,77, em alta de 0,56%.
Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sobe 1,04%, aos 66.730 pontos. O giro financeiro é de R$ 5,79 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York tem elevação de 0,69%.
Desde a semana passada, o mercado especula que o governo poderia anunciar novas medidas para conter a apreciação do real logo após o Carnaval. Uma nova elevação da taxação sobre investimentos estrangeiros no país seria uma alternativa em estudo e a aplicação de uma quarentena também seria outra possibilidade, segundo fontes.
"O mercado zerou parte das posições vendidas da semana passada, quando forçou a posição do câmbio para baixo por causa da Selic", disse André Nunes, presidente do Grupo Fitta.
Questionado sobre as possíveis medidas do governo, Nunes afirmou que acha difícil que a equipe econômica queira lançar mão de medidas heterodoxas. "O governo não tem muita margem de manobra neste momento. O que ele tem na manga é o mais do mesmo: elevar compulsório, fazer o Fundo Soberano comprar mais moeda, aumentar de novo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para renda fixa. Mas não serão medidas de impacto para mudar a direção do câmbio", disse.
Para ele, a tendência da moeda norte-americana continua sendo de queda. "As taxas de juros subiram e continuarão subindo", o que atrai mais capital para o país. "Acho que a gente deve continuar vendo novas mínimas para a cotação ao longo do ano, e não me surpreenderia ver o dólar a menos de R$ 1,60", disse.
Mesmo com a moeda subindo, o Banco Central não deixou de intervir no mercado, e fez dois leilões de compra de dólares, com taxas de R$ 1,6622 e R$ 1,666.
JUROS FUTUROS
As taxas projetadas ficaram praticamente estáveis no no mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos bancários.
A taxa projetada no contrato para julho ficou estável em 12%; para janeiro de 2012, a taxa prevista recuou de 12,36% para 12,35%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa projetada foi mantida em 12,71%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes. Folha Online