RECIFE - - Depois dos sem terra, dos sem teto e dos sem água, surgiu um novo movimento em Recife: os sem enterro. Revoltados com o fechamento do Instituto de Medicina Legal (IML) em Recife, familiares de pessoas que morreram em acidentes ou por assassinato realizam uma passeata rumo ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. Os manifestantes carregam um caixão vazio. Eles estão revoltados com a retenção dos corpos, desde que o Conselho Regional de Medicina interditou a sala de necropsias, alegando que os médicos não têm condições de trabalhar.
O CRM diz que há infiltrações, vazamentos, sangue escorrendo pelo chão e faltam macas para carregar os corpos, muitos dos quais estavam amontoados e eram arrastados pelo chão. Antes da decisão do CRM, os médicos legistas tinham deflagrado uma "operação padrão".
Os corpos foram transferidos para o Serviço de Verificação de Óbitos, mas a liberação está sendo lenta. Segundo uma das manifestantes, Mônica Santos, o objetivo do movimento hoje, "é ter um corpo para enterrar". Ela disse que há corpos aguardando liberação há mais de dez dias.
- É muito sofrimento, não temos mais lágrimas para chorar - disse Mônica, que espera pela liberação há mais de cinco dias.
- Estão mentindo para a gente de forma muito "engomadinha", dizendo que os corpos serão liberados. Se os médicos não querem trabalhar, que chamem outros. O que não pode é a gente continuar sendo humilhado na porta do IML.
Dos 42 corpos à espera de liberação, apenas 20 foram entregues às famílias nesta segunda.
O governo do estado, através da Secretaria de Defesa Social, prometeu liberar R$ 2 milhões para reforma da sede do IML. O Globo