O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, lançou na manhã desta quarta-feira na favela Nova Brasília, zona norte, um número de disque denúncia para que moradores dos Complexos do Alemão e da Penha informem sobre a existência de cemitérios clandestinos, onde tenham sido enterradas vítimas de narcotraficantes.
'Nós entendemos que precisamos localizar os restos mortais dessas pessoas. No sentido de minimizar a dor das famílias que sofreram com isso. Em segundo lugar porque tem alguns inquéritos em aberto com acusações de homicídios, mas não tem os corpos para que se possa concluí-los', disse Beltrame.
O Exército, que ocupa os dois complexos com 1.700 militares, informou ter localizado ontem no Alemão a ossada de uma pessoa ainda não identificada.
Segundo o general Cesar Leme Justo, comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, foi a primeira ossada encontrada desde a ocupação do conjunto de favelas no fim de novembro do ano passado.
Os dois complexos eram dominados por traficantes do Comando Vermelho e as polícias Militar e Civil não chegavam aos moradores.
'Nessa área, o Estado não tinha uma presença efetiva. Era muito utilizada para o que se conhece aqui como micro-ondas, onde as pessoas eram assassinadas, [depois tinham os corpos queimados] e os restos mortais ficavam nessa área', disse ainda Beltrame.
Na favela Nova Brasília, logo após a visita do secretário, começaram a ser distribuídos panfletos em que disque denúncia oferece recompensa de R$ 2.000 a que der informação sobre a localização do corpo de Júlio Baptista Almeida da Silva Barroso, que era agente de combate a endemias (mata-mosquitos) da Prefeitura do Rio e foi morto em 2009 por traficantes, após ser confundido com estuprador.
A família foi impedida pelos chefes do tráfico de procurar o corpo. O número do disque denúncia é 0/xx/21/2253-1177. Folha Online