Principal suspeito de deixar vazar documentos secretos dos EUA para o site WikiLeaks, o soldado Bradley Manning, falou pela primeira vez desde sua prisão sobre as acusações contra ele no caso. As declarações, feitas em uma carta de 11 páginas divulgada por seu advogado, também descrevem seu confinamento em uma solitária na prisão militar, segundo o jornal britânico The Guardian.
Segundo a carta, as regras da solitária mantêm Manning isolado 23 horas por dia e exigem que ele tire toda sua roupa antes todas as noites. O soldado também descreve como foi posto em vigília contra suicídio durante o mês de janeiro.
A Anistia Internacional pediu que os cidadãos se queixem ao governo de Barack Obama devido às condições de confinamento suspeitas a que o soldado tem sido submetido. O grupo de direitos humanos londrino disse que enviará ao presidente norte-americano e ao secretário de defesa Robert Gates as mensagens que receber em seu site.
O pai do soldado, Brian Manning, também se manifestou dizendo estar chocado com as condições de confinamento a que seu filho está sendo submetido.
O caso. Bradley Manning foi acusado pelo Exército de cometer 22 crimes, entre os quais o de "ajudar o inimigo". A punição prevista é a pena de morte. A Promotoria do caso, porém, comprometeu-se a aplicar, como punição máxima, a prisão perpétua.
Manning, de 23 anos, foi preso no Kuwait em julho e está detido na brigada do Corpo de Marines de Quantico, Virgínia. "As novas acusações, mais precisas, refletem o amplo leque de crimes supostamente cometidos por Manning", afirmou o porta-voz do Exército, capitão John Haberland.
Apesar da desconfiança do Exército de haver mais pessoas envolvidas no vazamento para o WikiLeaks, Manning é o único preso e acusado. Ele servia no Kuwait quando foi delatado por um amigo, a quem contara ter enviado ao WikiLeaks 260 mil telegramas secretos do Departamento de Estado e um vídeo com o registro de um ataque aéreo americano no Afeganistão, em 2009.
Manning teria ainda passado ao WikiLeaks as imagens de outro ataque de soldados dos EUA, de 2007. A divulgação dos telegramas diplomáticos constrangeu o governo americano e, segundo autoridades, criou riscos para as relações dos EUA com países aliados, as operações militares em curso e a segurança das pessoas mencionadas. Estadão