quarta-feira, 6 de abril de 2011

Após naufrágio, até 250 imigrantes podem estar desaparecidos na Itália

Após o naufrágio de um barco com imigrantes ilegais africanos próximo à ilha siciliana de Lampedusa, na Itália, estimativas indicam que até 250 podem estar desaparecidos. Mais cedo, a Guarda Costeira italiana localizou 15 corpos e resgatou 48 sobreviventes.

O número de desaparecidos é controverso. A Itália estima que o barco levava 200 imigrantes, enquanto a Organização Internacional de Imigração afirma que mais de 300 pessoas estavam na embarcação.

Pietro Carosia, oficial da Guarda Costeira da Itália, disse que as operações de resgate incluem helicópteros italianos, barcos de patrulha e um avião enviado pelo governo de Malta, mas são dificultadas por ventos fortes e mar revolto.

De acordo com o oficial, o barco tinha zarpado da Líbia e trazia imigrantes de Bangladesh, Chade, Costa do Marfim, Nigéria, Somália e Sudão que haviam pedido refúgio no país governado pelo ditador Muammar Gaddafi mas foram rejeitados.

Há indícios também de que muitos a bordo sejam imigrantes ilegais partindo da Tunísia.

RESGATE

Ainda na manhã desta quarta-feira a Itália anunciou o início do resgate. 'Resgatamos do mar 48 pessoas vivas e localizamos 15 corpos dos helicópteros', declarou o capitão Vittorio Alessandro, porta-voz da Guarda Costeira.

A embarcação naufragou a cerca 70 quilômetros da pequena ilha de Lampedusa, segundo as autoridades italianas. A ilha, que fica mais próxima do norte da África que da Itália continental, sofre uma crise humanitária com a imigração em massa de tunisianos.

A onda de imigração, que trouxe cerca de 4.000 imigrantes ilegais em 2010, subiu para maios de 20 mil desde janeiro, quando o ditador da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, renunciou diante da revolta popular --a primeira da onda de revoltas que tomou o mundo árabe.

A ilha, que tem apenas 5.000 habitantes, não tem estrutura para abrigar tantos imigrantes. Sem espaço nos abrigos, milhares ficaram em barracas improvisadas ou nas ruas e relatos da imprensa indicam que apenas uma parte pequena tem recebido comida da prefeitura.

Os imigrantes, que viajavam em embarcações superlotadas, haviam pedido ajuda através de um telefone por satélite, segundo a imprensa italiana. Duas lanchas da Guarda Costeira e um helicóptero da Guarda de Finanças responderam ao pedido de socorro às 4h da hora local (23h de terça-feira em Brasília).

As condições adversas do mar dificultaram as tentativas de resgate dos imigrantes, que acabaram caindo no mar durante as operações, segundo explicaram fontes da Capitania dos Portos.

VISITA

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, chegou a viajar na segunda-feira à Tunísia para conversar com os políticos locais e tentar impedir o fluxo de migrantes do país norte-africano, mas não conseguiu convencer as autoridades tunisianas.

Muitos dos imigrantes que chegaram à Lampedusa já foram transferidos para outros centros na Itália, mas cerca de 6.000 permaneciam na ilha até semana passada.

Berlusconi criou então um plano para retirá-los em barcos e levá-los a centros de desabrigados em outras partes do país.

Ele prometeu ainda incentivos para pescadores, cortes fiscais e um novo plano econômico para garantir a vida dos moradores da ilha.

As tensões são tão altas que muitos dos habitantes da ilha protestaram no porto e no cais na última semana. Dentro do governo, também, a crise cria tensão, com o anti-imigrante partido Liga do Norte pressionando por repatriações rápidas. A oposição, entretanto, acusa o governo de não saber lidar com a crise dos imigrantes.

A Itália pediu aos colegas europeus que compartilhem a crise e levem alguns dos migrantes. Até agora, a agência de fronteiras da União Europeia enviou uma equipa para ajudar, mas a Itália está insistindo em um apoio maior das nações. Folha Online