RIO - Policiais da Delegacia de Homicídios (DH/Capital) prenderam o acusado de vender o revólver calibre 38, com numeração raspada, usado por Wellington Menezes de Oliveira na chacina que terminou com 12 crianças mortas e 12 feridos numa escola em Realengo , na Zona Oeste do Rio. Segundo a polícia, Manuel Freitas Louvise, de 57 anos, teria sido colega de trabalho de Wellington num abatedouro. Manuel foi preso em cumprimento a mandado de prisão preventiva, pelo crime de comércio ilegal de arma de fogo, expedido pela Justiça. Na delegacia, Manuel confessou ter vendido a arma, carregadores e munição, mais de uma vez, a Wellington.
O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, de 38 anos, e o vigia Izaías de Souza, de 48 anos, que teriam intermediado a venda do revólver calibre 32, já haviam sido presos e indiciados por comércio ilegal de arma de fogo, no sábado. Segundo a polícia, eles disseram em depoimento que a arma foi vendida por R$ 260 e cada um teria ficado com R$ 30. A polícia procura agora um homem conhecido como Robson que teria ficado com os R$ 200.
- Se eu soubesse que era para fazer isso, jamais teria feito o que eu fiz. Agora, infelizmente vou ter que pagar - disse Izaías ao site G1. - Eu acho que tenho parte da culpa, mas culpa diretamente pelo assassinato eu não tenho - disse ele, que quando viu a notícia do ataque chorou e pensou na filha e na enteada que estudam em uma escola em Sepetiba.
O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, também arrependido, desabafou:
- Fizemos sem maldade.
A PM chegou aos suspeitos a partir do relato de um informante, que teria presenciado uma conversa entre o chaveiro, vizinho de Wellington em Sepetiba, e o vigia. O informante desconfiou e acionou o 21º BPM (São João de Meriti), que enviou um policial à paisana a Sepetiba, onde o atirador morava. Policiais identificaram os dois suspeitos, que a princípio negaram ter participado da venda do revólver. Em seguida, porém, eles trocaram acusações e, mais tarde, acabaram confessando o crime na DH.
Segundo o G1, o chaveiro revelou à PM que Wellington era conhecido na região onde morava em Sepetiba pelo apelido de "Sheik", devido à barba longa que cultivou até dias antes do crime.
De acordo com o sargento Paulo Augusto, responsável pela equipe que prendeu os dois homens, o chaveiro contou que conheceu Wellington após realizar um serviço na casa do rapaz. Segundo a declaração do chaveiro, o homem que promoveu o ataque à escola em Realengo alegou que queria uma arma para sua proteção. O GLOBO