SÃO PAULO - O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Érika Passarelli Vicentini Teixeira, 29 anos, acusada de planejar a morte do pai para receber seguros no valor de R$ 1,2 milhão. Segundo a denúncia, a estudante de direito atraiu o pai para uma emboscada na BR-356, na altura do município de Itabirito, onde ele foi espancado e morto com três tiros por Santos das Graças Alves Ferraz, pai do namorado dela. O namorado de Érika, Paulo Ricardo de Oliveira Ferraz, manteve guarda na rodovia para garantir que o pai não fosse flagrado, garantindo a execução.
O pai de Érika, Mário José Teixeira Filho, foi morto em 5 de agosto do ano passado. Segundo a denúncia do MP, ele era estelionatário e foragido de uma penitenciária, onde cumpria pena em regime semiaberto.
Teixeira Filho havia contratado os seguros no nome da filha. O plano dele era forjar a própria morte para que sua filha recebesse o dinheiro do seguro. Porém, ele desistiu do plano. A desistência teria causado revolta na filha. Érika teria até mesmo ameaçado entregá-lo às autoridades públicas, já que ele era foragido.
A estudante então teria decidido planejar a morte do pai, com a ajuda do sogro e do namorado. A estudante atraiu o pai para o local onde ele foi rendido e morto com três tiros.
Segundo as investigações, telefonemas entre o sogro e o namorado de Érika indicam que eles estiveram no local do crime na hora do assassinato.
Segundo o Ministério Público Estadual, o crime foi por motivo torpe, porque a mandante, filha da vítima, era interessada direta e porque houve dissimulação por parte dela ao atrair o pai ao local do crime.
Érika morava em um condomínio de luxo em Belo Horiconte. Depois da morte do pai, ela foi até o escritório para dar entrada nos papéis do seguro. O funcionário da seguradora desconfiou e avisou a polícia.
O namorado de Érika foi preso e o pai dele se entregou na última sexta-feira. Ambos estão presos, mas a estudante segue foragida.
No último feriado, Érika foi flagrada em uma praia no Espírito Santo. Em reportagem apresentada domingo no Fantástico, ela aparece de cabelos compridos na Praia Grande, no município de Fundão, em imagem gravada por um celular.
Segundo a polícia, Érika é suspeita ainda de participar de uma quadrilha de tráfico de crianças. Durante a investigação, a polícia descobriu uma série de outros crimes envolvendo toda a família.
O pai e a mãe de Érika, Mara Lúcia Passarelli, aplicaram golpes por pelo menos 15 anos: estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.
- A forma que a filha agia tem extrema semelhança com o que os pais praticavam os crimes - acredita o delegado. O GLOBO