domingo, 5 de junho de 2011

Ataque mata cinco e interrompe tranquilidade de eleições no Peru

O ataque terrorista ocorrido no sábado contra uma patrulha do Exército em Cuzco, ao sudeste do Peru, que matou cinco militares até o momento, interrompeu a tranquilidade deste domingo, durante o segundo turno que escolherá o próximo presidente da nação entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori.

O líder peruano, Alan García, lamentou neste domingo a morte dos militares, qualificando-os de "mártires da democracia", pois morreram "quando estavam fazendo a segurança de uma zona perigosa durante as eleições".

De acordo com os relatórios do Comando Conjunto das Forças Armadas, o ataque aconteceu no sábado na localidade de Choquetira, distrito de Vilcabamba, província da Convenção, quando uma patrulha militar se dirigia a custodiar o processo eleitoral nessa zona.

Por causa do conflito morreram, até o momento, cinco militares e pelo menos quatro estariam feridos, pois os trabalhos de resgate ainda não terminaram.

O chefe de Estado pediu neste domingo aos cidadãos, após votar em Lima, que apoiassem o governante que será eleito para fazer com que o próximo governo tenha êxito.

"Acho que essa é a melhor maneira de seguir consolidando o Peru como força sul-americana", afirmou.

No total, 4.573 colégios eleitorais estarão abertos até as 16h (18h do horário de Brasília), e a partir de então serão divulgadas algumas pesquisas de boca de urna, mas os primeiros resultados oficiais demorarão cerca de duas horas para serem anunciadas.

O voto é obrigatório para todo peruano maior de 18 anos e menor de 70 anos, sob pena de multas que vão de 18 aos 72 sóis (entre US$ 6 e US$ 26), segundo o nível econômico do infrator.

Segundo os primeiros relatórios do Ministério Público, na região Puno, que esteve paralisada por várias semanas por um protesto que ameaçava a eleição nessa zona, tudo transcorre com "total tranquilidade", após terem redobrado a segurança.

Da mesma maneira, o presidente do Jurado Nacional de Eleições (JNE), Hugo Sivina, coincidiu que "não há incidências que possam determinar que haja preocupação" pelo processo eleitoral em Puno, região fronteiriça com a Bolívia.

O responsável de fiscalização do JNE, Rómulo Daneri, informou que, até o momento, se cometeram 108 infrações moderadas e 14 graves, entre as quais figuram propaganda dentro dos locais de votação e presença de representantes partidários entregando material de campanha de seus candidatos.

Estas infrações foram denunciadas e estão sendo investigadas nas regiões de Arequipa, Huánuco, La Liberdad, Lima, Puno, San Martín e Tacna.

O governo dispôs a mobilização de 77 mil policiais e 45 mil membros das Forças Armadas para fazer a segurança nos centros de votação e escritórios dos órgãos eleitorais.

Por sua parte, os candidatos presidenciais reuniram a imprensa em suas residências para o tradicional café da manhã televisionado, antes de votarem, no qual aproveitam para chamar todos seus seguidores às urnas.

Em declarações à América Television, a congressista Keiko Fujimori, do partido Força 2011, disse que espera que "uma vez concluído o processo eleitoral, comecemos a tender pontes; devemos buscar quais são nossas coincidências e deixar de lado nossas diferenças".

A candidata acrescentou que seria um "bom sinal para o país" que os dois partidos que acompanham os candidatos "possam sentar-se em uma mesa e ver de que modos podemos trabalhar juntos".

Do outro lado, Ollanta Humala, de Gana Peru, declarou que se ganhar as eleições buscará consensos entre todos os grupos políticos em defesa da democracia, contra a impunidade e a corrupção e que o crescimento econômico chegue para todos.

"Vejamos este dia como uma festa eleitoral e não como um confronto", afirmou o candidato, que nos últimos dias aparece na frente da rival nas pesquisas de intenções de voto.

FOLHA