segunda-feira, 27 de junho de 2011

Com Battisti livre, cidade italiana rompe acordo com 'irmã' de Santa Catarina

O prefeito de San Polo di Piave, cidade italiana que suspendeu acordo de cooperação com o município de Arroio Trinta (SC), disse que a decisão foi motivada pelo mal estar causado na Itália com a libertação, no Brasil, do ex-militante de esquerda Cesare Battisti.

"[A liberação de Battisti] Foi uma coisa muito sentida aqui na Itália. Há vítimas que foram mortas por essa pessoa que eram aqui do Vêneto, de um lugar próximo à nossa cidade", afirmou à Folha o prefeito Vittorio Andretta.

A suspensão pôs fim a um acordo chamado de "gemellaggio" --que reconhece cidades como "irmãs" e autoriza ações de intercâmbio cultural e parcerias comerciais com verbas públicas.

Além de San Polo di Piave, outras duas cidades italianas já mostram que têm sua "irmandade" com cidades brasileiras ameaçada pela decisão de libertar Battisti.

São elas: Ravena, na região da Emília Romagna, que tinha acordo com a catarinense Laguna, e Latina, na região do Lazio, que tinha acordos com a gaúcha. Em ambas, o "gemellaggio" já estava em vigor desde 2009.

O prefeito de Laguna, Célio Antônio (PT), diz que pelo menos R$ 150 mil são reservados anualmente no orçamento para investimentos na "irmã" italiana.

Para o professor de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília) Eiiti Sato, as cidades brasileiras são as que mais perdem com a suspensão dos acordos. "É como se alguém dissesse que você não é uma pessoa confiável".

FOLHA