O clima ficou tenso quando policiais militares tentaram fechar as três portas de vidro da instituição.Os pescadores e quilombolas, que antes não tinham tentado acessar o prédio do governo, reagiram ao fechamento das portas e tentaram evitar que um dos acessos fosse trancado.
“Quem quebrou a porta foram os seguranças. Nós não somos marginais”, disse, mostrando dois pequenos cortes no braço e os olhos vermelhos do spray de pimenta. Joaquim Vale, que também estava próximo à porta, também criticou o tratamento. "Me receberam com spray de pimenta. Não viemos aqui pedir nada ao governador e fomos recebidos assim".
Governo - O Capitão Carlos Maltez, diretor da Casa Militar, disse que vai apurar como a confusão começou. "Essa é uma área de segurança, já que é o local onde o governador trabalha, além disso há uma agência bancária dentro. Foi usado spray de pimenta para conter os manifestantes, que forçaram a entrada". Ele não soube explicar porque foi tomada a medida de trancar as portas, já que os manifestantes se mantiveram do lado de fora da unidade, mesmo quando apenas um PM fazia a segurança do local.
Após o tumulto, a coordenadora de Articulação Social da Secretaria de Relações Institucionais, Célia Ramos, foi acionada para conversar com o grupo. “Se houve maltrato contra os manifestantes, pedimos desculpas, porque esta não é a postura desse governo”, disse Célia, que chamou os pescadores para discutir com ela a pauta de reivindicações. Ela também reforçou que vai apurar se houve abuso de poder por parte dos policiais.
Passeata - A caminhada da categoria começou por volta de 9h, saindo do Incra, seguindo pelo Centro Administrativo da Bahia (CAB) até a Avenida Paralela, onde os manifestantes ocuparam duas faixas da via. Com o protesto, o trânsito ficou lento, mas fluiu. A caminhada foi acompanhada desde o início por policiais militares e não houve confusão.
De acordo com os manifestantes, a passeata tinha o objetivo de chamar a atenção do governo para a pauta de reivindicação da categoria. Eles cobram a preservação do meio ambiente. "Queremos a responsabilidade com os recursos naturais, que parem de poluir os rios com os dejetos das empresas. Também somos contra a construção de duas barragens e de uma usina nuclear no Rio São Francisco. Isso vai matar o rio. Os pescadores estão perdendo território, seu local de trabalho", critica.
"Também temos reivindicações que não foram atendidas em 2008, como moradia, regularização fundiária e infraestrutura para o trabalho dos pescadores", disse Alice, acrescentando que o grupo manterá a ocupação por tempo indeterminado.
De acordo com a pescadora, na tarde desta terça, a categoria tem reunião agendada com representantes do governo do Estado, da Fundação Cultural Palmares e do Incra.
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