sexta-feira, 17 de junho de 2011

Delegada morta em DP pediu proteção ao Estado, diz irmã

A delegada Denise Quioca, 28, morta dentro do 1º DP de Guarulhos (Grande São Paulo), em dezembro de 2010, pediu proteção ao Estado, e não foi atendida, de acordo com a família. Denise foi assassinada pelo ex-namorado, o ex-policial civil Fábio Agostino Macedo.

"Ela pediu proteção e o Estado não fez nada. Isso está anexo ao processo. Era uma morte anunciada", diz a irmã de Denise, Andresa Quioca, 35. A família pretende processar o Estado.

Antes de morrer, a delegada registrou pelo menos dois boletins de ocorrência contra Macedo, um deles de agressão.

Em boletim de violência doméstica registrado na Corregedoria da Polícia Civil em setembro de 2010, a delegada relata que Macedo a impedia de terminar o relacionamento e a teria agredido dentro de um hotel, no centro de Guarulhos.

"Ela foi trabalhar e ele a abordou no farol, entrou no carro e levou ela para um hotel. Bateu nela e começou a ser cortar e dizer que ia na corregedoria dizer que ela o agrediu. Dali, ela foi direto fazer o B.O", diz Andresa.

Denise Quioca teve um relacionamento de oito anos com Macedo - no final, manteve o namoro por medo, diz a irmã. "Ele começou a ameaçar, dizia que ia matar a família inteira", afirma. 

Andresa desconfiava que Macedo agredia a irmã, mas a delegada nunca contou nada. "Eu percebia ela meio roxinha, abatida".

O relacionamento terminou em 2009. Quando morreu, Denise já estava de casamento marcado com outra pessoa, um tenente da Polícia Militar. O casal havia comprado apartamento e estava com o buffet acertado para a cerimônia, que aconteceria em novembro deste ano.

A família queria que Macedo fosse a júri popular, decisão que saiu após audiência nesta sexta-feira, no Fórum de Guarulhos.

"O júri popular foi a melhor saída, espero que ele não tenha nenhum privilégio da lei. Tem hora que a gente pensa, por que vamos lá depor? Que diferença faz ele pegar, um, cinco, dez, vinte anos? Ela não vai voltar. Mas a gente tem que fazer e ir até o final por ela", diz a irmã.

FOLHA