Após reeleger Joseph Blatter, a Fifa aprovou a mudança da forma de escolha das sedes da Copa do Mundo. Agora, o Comitê Executivo fará uma lista reduzida dos candidatos, mas a partir daí será o congresso geral com 208 delegados quem decidirá onde será o Mundial. Antes, apenas o Comitê Executivo, com 24 integrantes, decidia o lugar do evento.
Outras duas medidas foram aprovadas pelo Congresso da Fifa. O Comitê de Ética passará a ter duas divisões, uma delas atuando como promotor e outra como juiz. Antes, Blatter ainda anunciara que os membros seriam decididos pelo congresso. Não ficou claro que isso foi incluído na proposta final aprovada pelo congresso.
A terceira proposta aprovada é a criação de um Comitê de Soluções para casos extremos, como os atuais problemas de corrupção enfrentados pela entidade.
Essas medidas foram aprovadas por 176 votos e o seu objetivo é, teroricamente, enfrentar a crise que domina a entidade no momento.
A primeira Copa que terá o novo colégio eleitoral será em 2026. Em 2014, o Mundial será no Brasil. Em 2018, na Rússia e, em 2022, no Qatar.
CRISE
Federações filiadas, o COI (Comitê Olímpico Internacional), patrocinadores, deputados europeus e o governo suíço fizeram coro por mudanças na organização.
Isso após dez dos membros do Comitê-Executivo da Fifa estarem envolvidos em denúncias de compra e venda de votos, recebimento de propina ou de nada fazerem para lidar com as denúncias.
O escândalo culminou nas acusações de negociação de votos para a atual eleição.
O início da pressão começou com a Inglaterra. Sua federação pediu o adiamento da eleição de hoje, o que não ocorreu.
Blatter foi candidato único porque o qatariano Mohamed bin Hammam foi afastado acusado de comprar votos. A apelação do árabe só será analisada após o pleito.
A reivindicação inglesa também tem pouca chance de se concretizar. É necessário o apoio de 156 delegados de um total de 208, mas só Escócia e Irlanda do Norte apoiaram oficialmente a iniciativa dos ingleses. Até asiáticos, que ameaçaram boicotar a eleição, vão participar.
A federação inglesa justifica sua medida com base nas "acusações contra o Comitê-Executivo" e "na falta de transparência" na eleição.
HOMEM FORTE
Homem forte da Copa-14, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, foi tragado esta semana para dentro do escândalo de corrupção na entidade.
O caso reforçou ainda mais suspeita sob a escolha do Qatar para o Mundial-2022.
Explica-se: Valcke escreveu um e-mail ao membro do Comitê-Executivo da entidade Jack Warner em que diz que o país árabe "comprou" a realização do evento.
O documento foi revelado pelo próprio Warner, após ele ter sido suspenso do comitê, acusado de corrupção.
Atualmente, o cartola se tornou opositor do presidente Joseph Blatter, chefe e aliado do secretário-geral.
REELEIÇÃO
Nesta quarta-feira, como esperado, Joseph Blatter foi reeleito para um novo mandato que vai durar até 2015. Assim, ele ficará 17 anos à frente da entidade.
Ele tornou-se candidato único quando o qatariano Mohamed bin Hammam afastou-se da eleição após ser acusado, em inquérito da entidade, de ter comprado votos para o pleito de delegados de países caribenhos. Depois, o árabe tentou reverter sua saída da corrida eleitoral, mas não foi possível.
Sem a presença de Bin Hammam e Jack Warner, ambos membros do Comitê Executivo suspensos, Blatter foi eleito por grande maioria em votação secreta com 186 votos. Houve um total de 203 votos - o restante foi nulo ou branco.
Antes mesmo da eleição, tinha anunciado que fará reformas na entidade para combater os escândalos de corrupção. A principal delas é a conceder o poder de escolher as Copas do Mundo para todo o congresso composto por 208 federações nacionais. Atualmente, apenas o Comitê Executivo pode escolher esse item. O processo de decisão de dar os Mundiais de 2018 e 2022 para Rússia e Qatar, respectivamente, também foi cercado de denúncias de compra de votos.
FOLHA


