A eterna espera por um redentor, um líder personalista e messiânico, é algo que a América Latina precisa superar no século 21, afirmou nesta quinta (7) Enrique Krauze, historiador e ensaísta mexicano, convidado desta 9ª Flip.
"Sempre existiu e continua a existir essa mitologia revolucionária. Não está só em Cuba ou na Venezuela. É uma ideia constante em toda a América Latina", argumentou Krauze, que trata do tema em "Os Redentores - Ideias e Poder na América Latina", que lança no evento em Paraty.
Sobre o México, Krauze relembrou um episódio envolvendo o escritor peruano Mario Vargas Llosa e o ensaísta e poeta mexicano Octavio Paz. Certa vez, Llosa definiu o governo do PRI (Partido Revolucionário Institucional, que permaneceu no poder de 1929 até o começo dos anos 1990), como "ditadura perfeita", pois cooptava todos os setores, da direita à esquerda.
Paz, que estava presente, se opôs ao argumento de Llosa dizendo que se tratava do governo de um "partido hegemônico". Em resposta aos dois, Krauze contou que disse assim: "Não importa se é ditadura perfeita ou hegemonia de um partido. O que importa é que precisa acabar".
Krauze lamentou o cancelamento da vinda do escritor italiano Antonio Tabucchi, que quis protestar contra a não extradição de Cesare Battisti. Krauze disse que, sem a disposição de Tabucchi de debater na Flip, perdeu-se a oportunidade de "gerar mais inteligência sobre o caso".
Na conversa com os jornalistas, Krauze teve ao seu lado a ficcionista argentina Pola Oloixarac, autora de "As Teorias Selvagens". Ambos são publicados pela editora Saraiva.
FOLHA