quarta-feira, 27 de julho de 2011

China reforça tecnologia da internet

Em um endurecimento adicional dos controles sobre a internet, a polícia chinesa deu ordens a cafés, hotéis e outros estabelecimentos na região central de Pequim para que instalem tecnologia de vigilância de usuários de Wi-Fi, sob pena de serem multados ou, possivelmente, fechados.

A China possui o maior e mais sofisticado sistema de censura e monitoramento da Web que existe no mundo, sistema que ela endureceu ainda mais após os levantes no Oriente Médio. As medidas empregadas incluem o bloqueio de grandes redes privadas virtuais que permitem a internautas fugir de controles na internet.

O novo software, que custa cerca de 20 mil yuans (1.900 libras), permite que autoridades chequem as identidades dos usuários e monitorem suas atividades. As empresas que não o instalarem podem ser multadas no mesmo valor e ter suas licenças revogadas.

Controles rígidos já estão em vigor nos internet cafés, usados por pessoas mais pobres para acessar a internet.

Não está claro com que intensidade as medidas serão implementadas, e parece que apenas o distrito de Dongcheng, até agora, informou os proprietários de estabelecimentos sobre as novas normas. Um membro da unidade de segurança da internet do distrito disse que a iniciativa se aplica à cidade inteira, mas a delegacia central de polícia de Pequim não tinha respondido a perguntas enviadas por fax no momento em que este artigo foi escrito.

O policial de Dongcheng acrescentou: "Este regulamento foi feito para reforçar a segurança da internet e ajudar os organismos de segurança pública a resolver casos criminosos. Os detalhes sobre sua implementação são confidenciais".

De acordo com o "New York Times", um aviso divulgado pelo escritório distrital disse que a medida vai alvejar infratores que buscam "fazer chantagem, tráfico de bens, jogos de azar, propagar informações prejudiciais e espalhar vírus de computador".

"Isto é sem dúvida uma invasão da privacidade dos usuários de Wi-Fi", disse Jason Chen, 22 anos, morador de Pequim.

"Já sentimos a restrição nos campi universitários, que sempre foram monitorados. Desta vez, porém, o controle chega aos cafés, e o senso de violação das pessoas é mais agudo. Se os cafés cancelarem o Wi-Fi eu vou me importar muito. Acho que muitos jovens vão reagir mal".

Alguns estabelecimentos em Dongcheng se queixaram de já estar perdendo fregueses depois de cortarem o Wi-Fi.

"É inacreditável. Os frequentadores tampouco estão gostando", disse Leona Zhang, gerente do bar Contempio.

"Alguns proprietários acham que isso foi feito para que os organismos de segurança pública possam ganhar dinheiro conosco. A cobrança é a mesma independentemente do tamanho do estabelecimento, mesmo para lugares pequenos, que só tenham duas ou três mesas".

Empresas de outras partes de Pequim disseram não ter ouvido falar da medida.

"Se a regulamentação for implementada aqui, será uma luta para que seja aceita. O custo é alto demais", disse um funcionário do bar New Seven Day, em Haidian.

"Além disso, há a privacidade de nossos fregueses que precisa ser protegida".

THE GUARDIAN/FOLHA