domingo, 10 de julho de 2011

Em Londres, magnata reúne-se com diretora pivô de crise em tabloide

Pouco após chegar a Londres, o magnata australiano Rupert Murdoch, 80, dono do conglomerado de mídia News Corporation, ao qual pertencia o tabloide "News of the World", reuniu-se com Rebekah Brooks, numa demonstração de apoio à executiva considerada pivô do escândalo de escutas ilegais que forçou o fechamento do jornal neste domingo.

Com a 8.674ª edição do tabloide nas mãos, Murdoch foi visto sorridente no banco da frente de um carro ao chegar à capital britânica.

Tido como o principal responsável pela decisão de encerrar as operações do jornal após seus 168 anos de atividade, Murdoch deve tentar de todas as formas impedir que o escândalo afete as negociações em torno da BSkyB (British Sky Broadcasting), a empresa de TV por assinatura que seu grupo pretende comprar, num negócio de US$ 19 bilhões.

O governo britânico já declarou que as negociações devem ser atrasadas devido à crise.

Pouco após sua chegada, ele se reuniu com Brooks em seu apartamento londrino. Ao término da conversa, os dois saíram sorrindo para os fotógrafos.

Executiva de confiança do australiano, Rebekah Brooks chefia a News International, empresa que gerencia todos os jornais britânicos pertencentes à News Corporation, entre eles o tabloide "The Sun", o "Times" e o "Sunday Times".


O "News of the World" circulou sua última edição após ser acusado de ter ordenado grampos ilegais em telefones de membros da realeza, celebridades e parentes de vítimas de terrorismo e de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão.

No Reino Unido, crescem as pressões para que Brooks - que era diretora do tabloide na época em que os grampos teriam sido realizados - abandone seu cargo. Com o fechamento do tabloide, mais de 200 perderam seus empregos.

CORRIDA ÀS BANCAS

Em meio a expectativas de que o tabloide bata recordes de vendas neste domingo, milhares de londrinos correram às bancas para garantir uma cópia da edição histórica do "News of the World".


"É uma pena ver desaparecer um jornal tão antigo e que, obviamente, sempre foi um sucesso. Mas o que estavam fazendo não é certo e estou de acordo que o tenham fechado", declarou Kenny, um barbeiro de 24 anos, que exibia seu exemplar recém-comprado numa estação de King's Cross, no centro da capital.

"Eles foram longe demais. Deve haver uma maneira melhor de conseguir notícias do que espionando as pessoas", criticou Shareen Geral, maquiadora de 26 anos, que considerou, apesar de tudo, muito triste perder "essa parte da cultura britânica".

QUEBRA DOS PADRÕES

Em sua última edição, o "News of the World" admitiu ter "quebrado os padrões" que tentava manter e mencionou os grampos telefônicos.

"Nós mantínhamos padrões elevados, nós exigíamos padrões elevados, mas, agora estamos sabendo, dolorasamente, que durante um período de alguns anos até 2006, alguns dos que trabalhavam para nós, ou em nosso nome, abandonaram de forma vergonhosa estes padrões.

De forma simples, perdemos nossa direção. Telefones foram grampeados, e por isso, este jornal pede desculpas", afirma o último editorial da publicação.


O editor do jornal, Colin Myler, disse a um grande número de repórteres concentrados diante da redação do "News of the World" que ele lamentava profundamente o encerramento do periódico.

"Isto não é onde nós queríamos estar e não é onde nós merecemos estar, mas como tributo final a 7,5 milhões de leitores, isto é para vocês e para a equipe, obrigado".

O escândalo levantou questões sobre as relações entre políticos e membros da imprensa, incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que havia contratado um ex-editor do jornal, Andy Coulson, como seu assessor e conselheiro.

FOLHA