Desde 1978, quando a ditadura usou a Copa do Mundo como bandeira de promoção institucional, um torneio de futebol não chegava a níveis de exploração política na Argentina como a Copa América.
A aliança entre futebol e política se acentuou no país porque a competição será disputada durante uma campanha eleitoral.
A Copa América é levada tão a sério que Cristina Kirchner anunciou sua candidatura à reeleição, na semana passada, no mesmo ato em que apresentou em cadeia nacional o programa "LCD para Todos", que vai facilitar à população pobre a compra de TVs de alta definição.
O governo disse que o programa foi lançado agora para que os argentinos vejam os jogos da Copa América numa TV nova.
O populismo esportivo se reflete na tabela do torneio. Seis das oito cidades-sedes são controladas por políticos kirchneristas.
Desde 2009, o governo tem como aliado o presidente da AFA (federação argentina), Julio Grondona. Até seus inimigos, como Maradona, são partidários do kirchnerismo.
Grondona foi o fiador da estatização do futebol argentino, facilitando que o governo comprasse pelo equivalente a R$ 300 milhões os direitos de exibição do Nacional, medida de forte apelo eleitoral.
E até a oposição tenta pegar carona no efeito eleitoral da Copa América.
O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, principal opositor do kirchnerismo, montou numa praça de Buenos Aires um "espaço de convivência" para a população ver os jogos.
FOLHA