Normalmente ele é comedido e evita fazer críticas mais duras aos jogadores de futebol. Mas, quando o assunto é a Copa do Mundo de 2014, o ex-jogador e comentarista da TV Globo Caio Ribeiro, 35, não poupa palavras. "Eu gostaria que São Paulo se transformasse, como aconteceu com Barcelona [na Olimpíada de 1992]. O evento deveria melhorar aeroportos e segurança, mas acho que isso não vai acontecer", diz.
Morador da região do Morumbi - vive no condomínio em cima do shopping Cidade Jardim - , ele não deixa a área onde passou a infância. "Morei em Porto Alegre, em Santos, no Rio e na Itália. Mas sempre soube que depois que eu parasse de jogar voltaria para a capital".
Há quem diga que você é equilibrado demais em seus comentários. Como encara essa opinião?
Procuro entender o lado do jogador. Sei como é lidar com pressão. E não faço um personagem. Sou mesmo equilibrado nas minhas atitudes. A crítica faz parte do trabalho de comentarista, mas tem de ser construtiva.
Você acha que faltam espaços em São Paulo para praticar esportes?
Acho que pode melhorar, mas gosto muito dos parques de São Paulo. Costumo correr no Ibirapuera, no Villa-Lobos e no do Povo. Claro que aqui não é como o Rio, onde você sai de casa e tem a praia toda para se exercitar. O paulistano tem de ter mais força de vontade.
Você se vê como um símbolo da capital por ter sido um ídolo do SPFC?
Isso tem a ver com a fase que eu passei no clube. Mas, no resto do país, as pessoas se lembram de mim por conta do Flamengo, onde, talvez, eu tenha vivido o grande momento da minha carreira.
Em qual cidade e em qual estádio gostaria de ver a abertura da Copa?
Em São Paulo. Mas o estádio é relativo. Existe uma briga entre a CBF e o clube São Paulo. Em função disso, o estádio foi para o Corinthians. Acho que há dez anos eles já deveriam ter um estádio deles. Uma torcida como a do Corinthians merece. Só gostaria que isso fosse feito de forma mais transparente. Quanto dinheiro é investido? Para onde ele vai? Até que ponto vale gastar esse dinheiro para construir uma arena e deixar de lado outras coisas de que a cidade precisa? A questão é delicada.
Como você acha que será o Mundial no país?
Como evento esportivo, será um sucesso. Mas a questão da transparência me preocupa. Tudo que envolve política me deixa com o pé atrás. É o nosso dinheiro que está sendo gasto. Queria que o povo cobrasse os políticos com a mesma energia com que cobra os jogadores.
FOLHA