quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dono de restaurante que explodiu deve responder por homicídio


O dono do restaurante Filé Carioca, que explodiu na manhã desta quinta-feira, deve ser indiciado sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção), segundo o delegado-adjunto da 5ª DP (centro do Rio), Antonio Bonfim. O acidente causou três mortes e deixou 17 feridos. Emocionalmente abalado, o proprietário foi internado e ainda não foi ouvido pela polícia.

De acordo com a polícia, a explosão foi causada por um acúmulo de gás. O delegado afirma que vazou gás durante todo o feriado e que, segundo o depoimento do jornaleiro, um homem comprou um maço de cigarro, seguiu em direção ao restaurante "e, na mesma hora, o local explodiu".

Segundo Bomfim, ainda é cedo para definir culpados. Já foram ouvidas 12 pessoas, entre funcionários e vizinhos.

O dono do restaurante deve prestar depoimento assim que deixar o hospital.

O advogado do proprietário do Filé Carioca, Bruno Castro, disse que ainda não conversou com seu cliente, que está sedado. "Não estou forçando uma barra, no sentido de conversar agora com ele, porque está abalado pela tragédia".

Para Gustavo Caldas, chefe de gabinete da Superintendência de Seguros Privados (Susep), vinculada ao Ministério da Fazenda, o proprietário deve arcar com indenizações por dano moral e prejuízos.


VÍTIMAS

O acidente aconteceu por volta das 7h20, na praça Tiradentes, no centro do Rio. Funcionários teriam sentido cheiro de gás, pela manhã, e ficaram do lado externo do restaurante.

O jornaleiro Jorge Luiz Rosa Leal, 44, que trabalha na banca em frente Filé Carioca, diz que escapou por segundos. Ele disse que chegou à banca às 5h e conversou com Antônio Severino Tavares, chefe de cozinha, que morreu na explosão. "Ele me cumprimentou e levou verduras frescas para dentro da loja, depois me pediu o telefone do dono do restaurante", diz.

Além de Tavares, também morreu Josimar dos Santos Barros, que trabalhava como sushiman. A outra vítima é Mateus Maia Macedo, 19, que passava pelo local no momento da explosão.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 4 das 17 pessoas atendidas permanecem internadas. Três dos feridos estão em estado grave.

O prédio do restaurante vai continuar interditado, assim como o imóvel vizinho. O Hotel Formule 1, que teve vidros estilhaçados com a explosão, foi liberado.

RELATOS

A atendente Michele Medeiros dos Santos, 29, disse que chegou a entrar no Filé Carioca minutos antes de o restaurante explodir. "Foi Deus mesmo que me salvou", disse.

Segundo ela, o chefe de cozinha Antônio Severino Tavares, que morreu no acidente e estava no local desde as 6h, alertou sobre o risco de explosão por conta de um vazamento de gás e pediu que ela e os outros funcionários se afastassem dali.

"Foi o tempo de eu entrar, sentir o cheiro do gás e sair para entregar uma mochila de roupas num prédio vizinho. Cheguei a falar para o Antônio sair da loja, mas ele disse que estava tentando resolver o problema. Logo que virei na rua lateral a do restaurante ouvi uma explosão ensurdecedora", disse.

O catador de latinhas Daniel Ferreira Luz de Oliveira, 34, viu o momento da explosão. "Eu estava do outro lado da calçada catando latinha quando ouvi um estrondo enorme. Vi o pessoal voando já tudo morto pro outro lado da calçada. Com o calor, já estavam até sem roupa. O impacto foi tão grande que chegou a derrubar um poste. Nunca vi uma cena daquela. Ficou gravada na minha cabeça", disse.

FOLHA