domingo, 10 de abril de 2011

Tortura ainda sobrevive em presídios e delegacias do Brasil, mesmo após fim da ditadura

RIO - Quase 26 anos depois do fim da ditadura militar no Brasil, a tortura insiste em sobreviver nos presídios e delegacias do país. Só este ano, a Pastoral Carcerária da CNBB já recebeu 25 denúncias de violências praticadas contra presos comuns. No ano passado, foram 70. Para um país com 500 mil presos, os números podem parecer inexpressivos. Mas a quantidade de notificações é só uma amostra da realidade das cadeias brasileiras, onde abusos resistem favorecidos pelo silêncio e pela impunidade.

O caso de X., de 42 anos, torturado em 24 de março deste ano por cinco policiais civis, na 10ª DP, em Botafogo, Zona Sul do Rio, foi uma exceção. A vítima teve o pênis apertado com um alicate para confessar um crime que não cometeu. Na maioria das vezes, os agressores não são identificados e punidos, como revela Aldo Zaidan, coordenador-geral de Combate à Tortura da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência.

- Uma forma de reparação da tortura do passado é o combate à tortura do presente. Todo dia ainda tem tortura no Brasil. Ela é um costume, um ato histórico bárbaro - admite Zaidan. - Estamos estruturando a rede para notificar este crime. Não existem estatísticas nem condenações.
Não existem números oficiais de registros de torturas no Ministério da Justiça, na Secretaria Nacional de Direitos Humanos ou nas ouvidorias do sistema penitenciário dos governos estaduais. A falta de controle, de fiscalização e de acompanhamento como forma de prevenção reforçam a omissão das autoridades.
Na última semana, O GLOBO ouviu vários relatos de vítimas de tortura e casos ocorridos em seis estados: Rio, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina. Foram ações executadas com crueldade, principalmente, pelas mãos de agentes penitenciários ou de policiais civis e militares, com o objetivo de conseguir as confissões dos crimes.
Para denunciar tortura e más condições, 700 dos 1.258 presos da Penitenciária de Segurança Máxima de São Pedro de Alcântara, município da Grande Florianópolis, assinaram uma carta, entregue à Coordenadoria da Execução Penal e da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça.
Entre 1997 e 2009, 211 casos de tortura
No relatório divulgado em agosto de 2010, a Pastoral Carcerária denunciou 211 casos de tortura, entre 1997 e 2009. O documento incluía 20 estados brasileiros, entre eles São Paulo (71 registros), Maranhão (30), Goiás (25) e Rio Grande do Norte (12).
- Os casos são infinitamente maiores. Hoje não é possível dimensionar a violência policial no Brasil. A tradição autoritária da ditadura e do período colonial, a impunidade, a falta de fiscalização e o corporativismo são os principais fatores. É mais fácil condenar uma babá por tortura do que um policial - ressalta o diretor jurídico da Pastoral, José de Jesus Filho.
O juiz Luciano Losekann, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), vai além:
- É muito difícil descobrir a tortura porque isso acontece em instituições fechadas. A palavra do presidiário não tem valor. O depoimento do agente público é supervalorizado.
Em 2005, o governo Lula criou o Plano de Ações Integradas para a Prevenção e Controle da Tortura no Brasil. Apenas 12 estados aderiram à medida, que previa a criação de Comitês Estaduais de Prevenção e Combate à Tortura - formados por entidades, sociedade civil e poder público. A intenção era discutir políticas públicas e fazer vistorias em prisões, delegacias e hospitais. O controle, no entanto, é zero.
Um ano depois, o Brasil assinou o Protocolo Facultativo à Convenção contra Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O governo federal se comprometeu a criar o Mecanismo Nacional de Combate à Tortura - equipe de peritos responsável pelas fiscalizações. Até hoje o projeto de lei não chegou ao Congresso.
- O texto ficou pronto em 2009 e está sendo discutido. A expectativa é que a votação na Câmara seja em maio e, depois, vá para o Senado - diz Zaidan.
Pelo protocolo da ONU, os governos estaduais deveriam criar mecanismos para atuar em conjunto com a União, exclusivamente para prevenção e combate à tortura. Só dois estados cumpriram o acordo. Em Alagoas, o órgão não saiu do papel e está subordinado ao governo estadual. No Rio, a lei que cria o mecanismo já foi sancionada pelo Executivo. Na próxima terça-feira, a Assembleia votará a criação dos seis cargos que vão compor a equipe técnica, vinculada ao Legislativo.
As visitas a presídios, delegacias, manicômios e abrigos do Rio começarão até o fim deste mês a um custo mensal de R$ 33.300, verba do Orçamento da Assembleia. Em cada vistoria, técnicos vão elaborar relatórios e os enviarão ao Comitê Estadual para Prevenção e Combate à Tortura e ao Ministério Público, podendo ou não denunciar os torturadores à Justiça. A pena da lei 9.455, de 7 de abril de 1997, é de até 10,6 anos de prisão.
- A fiscalização é barata. O caro é conviver com a tortura em tempos de democracia. Será um trabalho preventivo. Quebra a certeza de impunidade. Queremos que a experiência do Rio se espalhe pelo país - afirma o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), um dos autores do projeto. O Globo

Nas ruas de Realengo o povo vai transformando o medo e a perplexidade em força para reagir

RIO - Existem dias que, melhor seria, não amanhecessem. Na véspera, o povo de Realengo fora forçado a inebriar-se de sangue e agora se via no dever de despertar e encarar a ressaca que lhe fora imposta por forças além da compreensão usual. São 6h e, por alguns instantes, da janela do carro que se aproxima de Realengo - percorrendo o viaduto que cruza a linha férrea - o bairro parece definitivamente ermo, como se não fosse, mesmo, amanhecer, ou se os seus habitantes tivessem desistido de acordar.

A "Padaria do Ben" está com os portões cerrados, e a própria luz da manhã reluta em iluminar e colorir esta quase cidadela ornada de casas pacatas, lindos gradeados e quintais habitualmente cheios de vida. Não se vê vulto, não se ouve voz: as palavras vêm só dos cartazes num muro, trazendo lúgubres imagens, tal qual "Pagode Fura-olho".
Então, de uma esquina, surge, em passos furtivos, uma jovem a caminho da escola. É preciso coragem. De outra esquina, agora em dupla, um menino e uma menina uniformizados caminham trocando ideias. Realengo existe. Resiste. E, enfim, amanhece.
'É preciso cortar a cabeça do mal'
Outros povos mostram a cara. Adultos também, e idosos, que já seguem para buscar o jornal ou o pãozinho quente que, apesar dos pesares, sai do forno. O carro estaciona numa esquina da Rua Piraquara, no quadrilátero que leva à Bernardino de Matos, onde fica o palco do horror. Hora de saltar e seguir toda a gente, para onde quer que ela vá. Uma moto passa veloz, só o tempo de ouvir a mulher na garupa mencionar "a escola".
A ruela que dá acesso à mesma está fechada ao trânsito (exceto táxis e veículos de imprensa) por cones vigiados por um guarda municipal. Melhor deixar para depois a visita à cena do crime, pois, a essa hora, só se avista, ali, uma floresta metálica de geradores e caminhões com ilhas de edição. Os moradores do bairro não estão ali, mas numa minúscula padaria dois quarteirões adiante com uma banca em frente. Os jornais já acabaram. E uma fila já considerável leva ao balcão da padaria, onde a atendente comenta o acontecido em fragmentos.
Que o assassino vinha comprar pão numa outra padaria não muito longe dali. Que uma vítima pediu à mãe que dissesse ao pai que o ama muito. Que essas palavras ficaram na cabeça dela. "Quanto de pão?", pergunta um colega que vem ajudá-la no atendimento. Um terceiro funcionário chega à padaria tentando mostrar boa disposição. Até ensaia um sorriso. "Bom dia", lança no ar, para ver se alguém topa o desafio. Todos respondem. O dia realmente começou.
Um senhor no fim da fila está aborrecido com o clamor. "Tanto sensacionalismo para quê?", indaga à mulher da frente, que não responde, obstinada com o andar da fila. Um suco. Um pedaço de pão. Vamos em frente. Um velhinho com um dispositivo vocal instalado na garganta entra num pequeno quintal. O comércio começa a abrir.
"O que me angustia é... não sei", a moça tenta expressar-se diante de uma prateleira de laranjas-limas na quitanda que fica ao lado do aviário, cujo guincho do portão se abrindo acorda suas galinhas aprisionadas em pequenas gaiolas, que gritam, animando, angustiosamente, o quadrilátero da morte. Em frente à escola Tasso da Silveira já se faz um movimento. Os policiais confundem-se, enrolam-se, com as fitas amarelas, ao tentar delimitar o espaço de atuação da imprensa. Em vão, pois, quem quer, entra ali: população, curiosos, crianças."Pode passar, moço?", pergunta uma senhorinha mais cuidadosa. "Pode, claro". As fitas se multiplicam, mas a verdade é que não há mais cena do crime: a multidão está mais interessada em imaginar, submergir, reviver, reconstituir, aquilo que sequer testemunhou, mas cujos elementos já estão na internet e na TV.
Um repórter televisivo prepara-se para entrevistar uma senhora com ar resignado. "Mãe de aluno" ele diz para a câmera, no tom impessoal de uma claquete. Nos terraços dos casebres as equipes montam cenários para entrevistas. Não faltam testemunhas, e a impressão, pelos falares da rua, é que não há morador de Realengo que não conheça uma das vítimas, ou, ao menos, parentes ou amigos das mesmas. "O moço quis me filmar, mas eu não deixei", diz uma menina ao amigo, orgulhosa do interesse que despertou e também de sua recusa. "Mas tinha câmera mesmo?". "Tinha". Eles caminham na direção da creche que fica nos fundos da escola, e que está deserta.
No parquinho da creche, junto a balanços, gangorras e um trepa-trepa, dois garis varrem furiosamente as belas flores caídas que cobrem o chão de terra. Aliás, por todos os lados as pessoas varrem, e é difícil não pensar que isso seja algum rito inconsciente para afastar a pesada poeira que resta suspensa, mesmo à luz do sol que começa a aquecer as ruas de Realengo.
Quem não varre conversa em grupos, destacando-se sempre quem tem um trunfo informativo. "Eu vi ele correndo por aqui". "Eu conheci a Laryssa". "Tem um que levou um tiro que dava para ver o osso da cabeça". Ou um discurso inflamado. Como o fuzileiro naval reformado (Realengo é um bairro pródigo em militares) que recorre, enigmático, à Revolução Francesa para expressar seu ponto de vista.
- Cortaram a cabeça de Robespierre. Cortaram a cabeça de Napoleão. Agora tem que cortar a cabeça do mal. Chega de oba-oba! Feche-se a escola, remanejem-se os alunos e chega de render tanto o barulho. Cada um sabe de suas fraquezas. O mal está em nós, na sociedade. Chega disso. Já deu. Dinâmica de grupo coisa nenhuma. Acabem logo com isso e vamos tocar a vida!
Louvores por um tempo melhor
Muitos tratam mesmo de tocar a vida. Um velhinho percebe a fuga de dois patos que, segundo informações, moram no aviário, mas vivem soltos. Com um toco à guisa de cajado, obriga as aves a voltarem à casa. Pirulito e Paquita são seus nomes. "Eles se pegam". O dono do aviário fica feliz em ter o casal de volta. O velho pegunta se ele vai cozinhá-los um dia. Ele jura que não. "Se cozinhar vou encomendar que a alma deles pegue no seu pé à noite". Eles riem. É possível rir? É possível, como lá adiante, jogar cartas, cobrir a mesa de rua com um pano de feltro? Possível acariciar os cães vadios, aparentemente alheios?
Aparentemente, sim. Nos fundos de uma casa, que se vê através de uma fenda no muro, uma grande roda se forma, fazendo louvores a Deus numa canção entoada coletivamente. Ao fim, uma senhora pede que todos façam o que puderem para ajudar, e, mesmo que não possam, que se juntem aos seus, que cuidem de todos os afazeres, que se amem uns aos outros, e que tenham um bom fim de semana, no qual alguma paz tempere a dor. O Globo

Médicos recusam salário de R$ 20 mil no Norte de Minas

Norte de minas. A distância dos grandes centros urbanos e a dificuldade de acesso têm espantado os médicos do Norte de Minas. Prefeituras da região estão enfrentando muitos obstáculos na tentativa de preencher as vagas, o que põe em risco a saúde da população. Nem mesmo salários que chegam a R$ 20 mil têm sido o suficiente para atrair profissionais.

A remuneração corresponde a jornadas de 40 horas semanais no Programa de Saúde da Família (PSF) e aos plantões, cujos rendimentos variam de acordo com a cidade. Na capital, o PSF paga R$ 7.192,00 para iniciantes - o valor pago pelos plantões depende da especialidade.

A resistência demonstrada até mesmo por recém-formados leva as cidades a promoverem verdadeiros "leilões" - algumas chegam a oferecer benefícios como moradia e alimentação. 

Ainda assim, a pequena quantidade e a alta rotatividade de profissionais seguem sem solução.

Em Montalvânia, a comunidade foi atendida por pelo menos dez médicos diferentes nos últimos seis anos. A alguns quilômetros dali, em Manga, há vagas em aberto há mais de seis meses. 

O resultado é a sobrecarga no sistema. O médico assume demandas de cidades vizinhas, e o paciente, que deveria ser assistido na atenção básica, lota as unidades de pronto-atendimento. Em Jaíba, por exemplo, sete das 12 equipes do PSF estão desfalcadas.

"Com menos médicos, as filas são maiores e a assistência fica prejudicada. Oferecemos moradia, fazemos anúncios, mas não adianta", lamenta a secretária de Saúde da cidade, Anny Queiroz. Sem sucesso na rede pública, o comerciante Eurico de Souza, 56, buscou uma clínica particular. "A dificuldade é geral. Estou aqui há uma hora, e isso porque estou pagando para ser atendido".

Em Itacarambi, a última médica chegou há apenas 15 dias. Paciente diabética, a doméstica Senhorinha Bezerra, 54, precisou ir ao hospital, pois não há profissionais no posto de saúde da comunidade rural em que ela mora. "Precisam me buscar lá", ressalta.

A sobrecarga se repete em Montalvânia. "Temos três médicos e precisamos de mais três. A ocupação no hospital dobrou, e pelo menos 20% dos leitos estão preenchidos", diz o secretário de Saúde, José Afonso Filogônio.

Acesso. Algumas cidades da região estão praticamente isoladas. Para chegar a Manga e a cidades mais ao norte, é preciso pegar uma balsa ou enfrentar longas estradas de terra em péssimas condições. Até Montalvânia, um trecho de 64 km chega a ser percorrido em quatro horas, pois a rodovia passa por obras. O Tempo Online

Apresentador de TV é assassinado em Vitória de Santo Antão

O radialista e apresentador da Tv Vitória, Luciano Leitão Pedrosa, de 46 anos, foi brutalmente assassinado, enquanto estava em um restaurante, no bairro Bela Vista, em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco. O crime aconteceu por volta das 21h de ontem (9), enquanto o comunicador jantava no Restaurante Porto Luna, localizado na Rua Maria Bezerra de Sena.
De acordo com testemunhas, o apresentador teria sido seguido por um homem a pé que, ao surpreendê-lo no estabelecimento, disparou quatro tiros em sua cabeça, mas três falharam e o único que foi realmente deflagrado, tirou a vida do comunicador na hora. O criminoso fugiu em seguida, em uma moto, ainda não localizada.
Luciano Pedrosa apresentava o programa "Ação e Cidadania", na emissora local TV Vitória, há sete anos. "Luciano era um grande amigo, um cara calmo, mas tinha impulsos, por ser profissional de jornalismo. Era amigo, família e tinha planos para o futuro, mas não tinha medo de denunciar ninguém e acabou pagando o preço por falar a verdade", afirmou o diretor da Rádio Metropolitana FM onde Luciano trabalhava, Jota Santos.
A delegada Maria Bethânia, da seccional da cidade investiga os motivos do crime. De acordo com ela, na hora da investida, os criminosos anunciaram tratar-se de um assalto, mas isso não descarta a possibilidade do crime ter configurado uma execução. O assassinato pode ter ligação com a profissão de Luciano, uma vez que, no programa de tv, ele também abordava questões policiais, bem como tinha um programa policial em uma rádio local.
Uma terceira linha de investigação dá conta que o crime poderia ter conotações políticas, já que ele fazia parte da oposição ao governo municipal e recebia constantes ameaças de morte. A perícia no restaurante teve início ainda ontem, mas deve ser concluída neste domingo.
O corpo de Luciano Leitão já se encontra no Instituto de Medicina Legal, no Recife, mas ainda não há previsão para a liberação. Ele deverá ser enterrado ainda hoje no Cemitério de São Sebastião, em Vitória de Santo Antão.
Com informações do repórter Glynner Brandão | Diário de Pernambuco

Escolas de tiro aceitam até menores de idade

Maioria dos cursos consultados no País não pede comprovante de antecedentes criminais

Ter aulas de tiro no Brasil é tão simples quanto fazer um curso de inglês ou informática. Basta levar RG e CPF no bolso, reservar no mínimo duas horas do dia e fazer a inscrição. Essa foi a informação em sete de dez escolas consultadas pela reportagem: não há necessidade de comprovar antecedentes criminais ou passar por testes psicológicos. Em algumas delas, até menores de idade são aceitos, se acompanhados pelo responsável.

No ataque que chocou o País na quinta-feira, o desempregado Wellington Menezes de Oliveira disparou mais de 60 tiros, recarregou nove vezes seu revólver 38 e atingiu 24 adolescentes - 12 morreram. Não há provas de que ele tenha feito treinamento com armas, mas sabia o que fazia.

A reportagem fez contato com escolas com sede em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. As facilidades variam segundo a escola. Em uma academia de Santa Catarina, por exemplo, é possível aprender a manusear uma pistola ou um revólver com R$ 45 - valor suficiente para alugar um box de disparo e garantir um instrutor para noções básicas. Lá você paga por tiro - cada um custa R$ 2. Nada de apresentar ficha criminal ou comprovante de endereço. "O candidato tem só de assinar um termo confirmando que não tem antecedentes", explica o atendente. Menores também são aceitos.

Em nenhuma instituição é necessário ter porte de arma. Na maioria das escolas, os cursos básicos duram de quatro a oito horas, divididas em até três dias, e custam em torno de R$ 500. Ao contrário da escola catarinense, as aulas costumam ter número fixo de disparos - de 80 a 100, em revólveres e pistolas. Uma escola de São Paulo oferece, além dos disparos com esses dois modelos, dez tiros de carabina e dois com uma arma calibre 12. Apenas três escolas consultadas informaram exigir certidão de antecedentes criminais e também entrevistas com o candidato. Correio do Povo

Detran fecha 57 autoescolas em Santa Catarina

Por ordem do Tribunal de Justiça de SC e da Procuradoria Geral do Estado, 57 autoescolas foram descredenciadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Segundo o gabinete do diretor-geral do órgão, Vanderlei Rosso, as escolas terão até o dia 30 de julho para formar as turmas já matriculadas.

O assessor jurídico do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de SC (Sindemosc), Noel Tavares de Jesus, explica que a medida serve para uniformizar a formação de motoristas no Estado.

— Hoje temos duas situações: os centros antigos e os que funcionam por meio de liminares. A ideia é padronizar o serviço — diz Noel.

Com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que entrou em vigor em 1998, a formação de motoristas passou a ser concessão pública. Em SC, a Lei nº 13.721/2006 estabelece que os centros de formação de condutores (CFC) devem passar por uma licitação promovida pelo Detran.

— Isto gerou revolta dessas autoescolas, que na ocasião estavam em processo de credenciamento. E resultou em ações na Justiça que garantiram, por liminares, o funcionamento. Agora a ação foi cassada — disse Noel.

O assessor jurídico do Detran/SC, Marco Antônio Santos, garantiu que os alunos já matriculados nesses CFCs não serão prejudicados.

— As autoescolas têm até o dia 30 de julho para concluir a programação de aulas e atuais turmas — disse.

SC tem cerca de 440 CFCs e todas terão que se adequar à lei.

— Em 30 dias, está previsto o lançamento de um edital, do qual as autoescolas que foram fechadas poderão participar — destacou o assessor. Diário Catarinense

O detetive da memória

No final da década de 1970, as irmãs adolescentes Rute e Rita tomaram uma decisão corajosa: deixar o irmão mais velho, Rui Fernando Cruz Sampaio, então com 20 anos, hipnotizá-las. Estudante de Psicologia, Sam­paio tinha acabado de ler um livro sobre hipnose e ficou impressionado. Como o método não era bem aceito na época – praticamente não existia literatura nem cursos sobre o assunto –, o jeito foi convidar as irmãs para poder aprender na prática. Autodidata, ele começou a atender familiares e amigos na casa da família, na Lapa, na Grande Curitiba. Mal sabiam as cobaias que estavam colaborando para uma iniciativa que, no futuro, se tornaria inédita na América Latina.


Por gostar de investigação e assuntos científicos, o jovem também ingressou na carreira de perito criminal no Instituto de Criminalística do Paraná, em Curitiba. Gostava da profissão, mas tinha algo que o intrigava: a dificuldade de testemunhas e, principalmente, de vítimas em descrever o criminoso. “A tendência da nossa mente é esquecer o que é desagradável”, conta. Desfazer esse trauma poderia ser uma das chaves para conseguir mais pistas e Sampaio começou a se questionar se a hipnose não poderia ajudá-lo.
Criada no século 19, a hipnose é um instrumento médico psicológico que busca desfazer a amnésia. Ao contrário do que muita gente pensa, é um estado intermediário entre estar acordado e em sono profundo. Durante o transe, a pessoa continua consciente e pode, sim, mentir. Ela é convidada a regressar à lembrança de fatos passados e, quanto mais profundo o estímulo, mais os detalhes vêm à tona.
Munido dessas informações, Sampaio procurou a chefia do Instituto de Criminalística na época e apresentou a proposta. Acrescentou o fato de ter concluído o curso de Psicologia e iniciado o de Medicina. Os superiores olharam com certa desconfiança, mas permitiram a realização de consultas experimentais em 1983.
Sampaio foi desenvolvendo a técnica na prática e montou uma espécie de código de ética na hipnose forense. Uma das regras é que somente testemunhas e vítimas com amnésia total ou parcial seriam submetidas ao método, desde que consentissem. Os suspeitos, réus e indiciados ficariam de fora porque, pela legislação, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Também os casos mais graves seriam medicados antes das sessões.
Primeiro caso
Definidas as regras, chegava a hora de atender o primeiro caso. Atropelamento, uma vítima, uma testemunha que não se lembrava de detalhes e poucas provas. “Era um caso sem solução”, diz o perito. O frentista que tinha visto o acidente aceitou ser submetido à hipnose, 40 dias depois de o fato ter acontecido. Durante a sessão, ele lembrou que o atropelamento foi provocado por uma Kombi e que um caminhão de mudanças com o logotipo de uma empresa havia tentado impedir a fuga do veículo.
Os investigadores chegaram ao motorista do caminhão, que no fundo da gaveta tinha guardado o número da placa da Kombi, usado em uma aposta no jogo do bicho. A Kombi foi encontrada e a perícia mostrou que havia ali resquícios de sangue. Diante das evidências, o dono do veículo confessou o crime.
Nas várias sessões de hipnose surgiam detalhes que auxiliavam na produção de retratos falados, na descoberta de mais testemunhas e na busca por provas. A desconfiança inicial com o trabalho do perito foi sendo diluída a partir do momento que o método começou a dar resultados. Em 1999, estava instalado o Laboratório de Hipnose Forense do Paraná, iniciativa pioneira na América Latina, segundo Sampaio.
700 sessões
Na sala com poltronas e vidro espelhado, ele calcula ter feito mais de 700 sessões e diz que em praticamente todas elas conseguiu alguma pista que ajudasse na investigação. A chave estava no uso do poder da fala, em tom baixo e monótono, que fazia a pessoa entrar em transe e rever a cena do crime – entonação que pode fazer com que até a repórter se perca na entrevista.
Só que a iniciativa considerada de sucesso chegou ao fim em 2008. Sampaio se aposentou e não havia ninguém qualificado para assumir a função, além de o Instituto de Criminalística começar a registrar necessidades consideradas mais urgentes. Enquanto isso, outros estados (como São Paulo) buscam implementar a iniciativa em moldes semelhantes ao do pioneiro Paraná, onde o Laboratório de Hipnose Forense parece ter regredido de vez. Gazeta do Povo

Casal é queimado vivo na Região Metropolitana de Curitiba


Um casal foi encaminhado a um hospital de Curitiba na noite de sábado (9) após um grupo atear fogo contra eles em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
De acordo com as informações dos bombeiros que atenderam a solicitação os dois foram rendidos em frente a uma casa que seria utilizada como ponto de venda de drogas. Os suspeitos derramaram um galão de gasolina no casal e atearam fogo. Apesar de não ser possível provar se as vítimas conheciam o grupo, os bombeiros afirmaram que o tipo da abordagem é característico do tráfico de drogas.
Os dois tiveram quase 100% do corpo queimado. Segundo informações do hospital, na manhã deste domingo (10) o estado de saúde de ambos permanecia gravíssimo e os médicos aguardavam a evolução do quadro para proceder com o tratamento plástico. G1

Mantega no país da fantasia

É assustadora a tranquilidade exibida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, diante do evidente surto inflacionário e das condições nada invejáveis das contas públicas brasileiras. Ele tem fracassado seguidamente nas tentativas de enfrentar alguns dos mais prementes problemas, como o ingresso maciço de dólares. O anúncio de cada nova barreira é seguido de mais uma enxurrada de moeda americana e de mais uma rodada de valorização do real. Nada parece, no entanto, abalar seu otimismo e sua aparente confiança no sucesso de todas as suas políticas. Nessa sexta-feira, ele voltou a prometer, num discurso em São Paulo, medidas para conter o crescente desajuste cambial, como se as suas palavras desestimulassem os especuladores. Não parece haver percebido um fato muito simples: a reação normal dos jogadores a cada nova ameaça é antecipar seu lance e agir mais prontamente que o governo.
Mas o mundo fantástico do ministro tem muitas outras maravilhas. Segundo ele, "o governo não titubeará em adotar medidas para ter a inflação sob controle". As autoridades, acrescentou, pretendem evitar o contágio de outros setores pelo aumento dos preços das commodities. Ele pode não ter notado, mas, no Brasil das pessoas comuns, o contágio há muito deixou de ser um risco hipotético.
Enquanto o ministro discursava em São Paulo, a Fundação Getúlio Vargas divulgava no Rio de Janeiro o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), pesquisado em sete capitais. O aumento foi de 0,89% nos 30 dias terminados em 7 de abril. No fechamento de março havia sido de 0,71%. Um mês antes havia ficado em 0,59%. O contágio tem sido claramente confirmado pelo chamado índice de difusão. No período encerrado na primeira semana de março, 63,34% dos itens haviam ficado mais caros. No fim do mês, esse índice havia chegado a 68,04%. Segundo a apuração recém-concluída, o surto inflacionário contaminou 68,33% dos bens e serviços incluídos na pesquisa.
A inflação brasileira, segundo insiste o ministro, é essencialmente um reflexo da valorização internacional dos produtos básicos. Mas ele decidiu, talvez por segurança, elevar de 1,5% para 3% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente no crédito ao consumidor. Desde o ano passado muitos especialistas vinham apontando a rápida expansão do crédito como um fator inflacionário.
A reação do governo foi demorada e muito provavelmente será inócua no combate à inflação. A maior parte dos consumidores dificilmente notará o aumento do imposto e continuará tomando financiamentos, se as prestações couberem no seu orçamento. Muito mais eficaz seria uma redução do número das prestações, mas o ministro ou não percebeu esse dado ou não se dispôs a tomar uma providência realmente séria. O aumento do imposto servirá mesmo para engordar a arrecadação do governo. Só com o aumento da carga tributária o governo conseguirá alcançar a meta fiscal deste ano - outra promessa do ministro.
Ele mencionou, naturalmente, a disposição do Executivo de cortar parte dos gastos programados para o ano, como se houvesse, de fato, a intenção de executar uma política austera. Também isso é fantasia. Já se fala, em Brasília, da disposição do governo de preservar certo volume de desembolsos para atender a pressões de prefeitos preocupados com as eleições de 2012. Isso é apenas parte das pressões.
Em seu surto de fantasia, o ministro comparou a expansão dos investimentos no Brasil e na China. De fato, o aumento de 21,9% apurado em 2010 deve ter sido bem maior que o verificado na China. Mas esse aumento ocorreu sobre a base deprimida de 2009. Além disso, há uma diferença monumental entre as duas economias na relação entre investimento e PIB. Neste ano, se der tudo certo, o País investirá o equivalente a 19,1% da produção bruta, segundo a própria Fazenda. A China deve ter investido 55% do PIB no ano passado. Em 2011, a proporção talvez diminua para 54,5%. O Brasil precisará poupar muito mais para chegar à metade disso. Esse resultado dependerá principalmente da adoção de políticas mais sérias pelo governo. Fantasia sem ação não gera recursos.  Estadão

Salvador está entre as cidades com o maior número de solteiros

A solteirice parece ter feito morada nos lares soteropolitanos. Isso é o que indica uma pesquisa do Target Group Index, feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope)/Mídia nas regiões metropolitanas e no interior do Sul e do Sudeste do País, o que correspondeu a 17,1 milhões de pessoas. A capital da Bahia está entre as cidades com maior número de solteiros do Brasil, o que corresponde a 38% da população adulta.
De acordo com a pesquisa, quase um terço dos 56 milhões de adultos do Brasil são solteiros, que estão em proporção maior em praças como Salvador, Belo Horizonte e Recife e aparecem com menor representatividade em lugares como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Na capital da Bahia, a média de idade desse segmento é de apenas 28 anos, com alto índice de não trabalhadores. A defasagem na renda desses solteiros é de 15% frente aos outros moradores.
Carreira - Entretanto, de uma maneira geral, a pesquisa constatou que os solteiros da atualidade estão mais ambiciosos. De acordo com dados do estudo, 73% almejam atingir o topo mais alto de suas carreiras.
Esse é o caso, por exemplo, do agente de justiça Anderson Santiago, 28, que não está muito preocupado com namoro agora. Na opinião dele, ser solteiro  ajuda a ter mais tempo para conquistar seus objetivos. Entre os seus planos estão terminar a faculdade de direito e ser promovido, futuramente.
“O casamento não é agora meu primeiro objetivo. Eu não estou preocupado em encontrar outro amor”, afirma.  Após cinco namoradas e um noivado, que terminou há três anos, ele decidiu que precisava se dedicar a si mesmo. Cinema, livros e barzinho com os amigos figuram no cotidiano do jovem, que alterna a seriedade natural do âmbito jurídico com um humor brincalhão. “Busco me espelhar nas pessoas que admiro e corro atrás do que quero. Precisamos buscar e não esperar que tudo caia do céu”, ensina Anderson.
Liberdade - Tudo indica que – tal qual a música massivamente cantada em ritmo de axé – cada vez mais pessoas têm optado em ficar solteiras em Salvador. A estudante de direito Ana Terra da Fonseca, 21, nunca conheceu o “outro lado”. Exceto por cinco “pequenos relacionamentos sem compromisso sério”, como ela mesma define, Ana nunca namorou. “Eles não tinham muito a ver comigo. Depois que conheci mais, percebi que não era o homem certo”, afirma.
Apesar de crer que um dia irá namorar sério com a “pessoa certa”, a estudante não anseia nem um pouco por este momento. Após “vivenciar” namoros pela experiência alheia, ela acredita que o namoro restringe a liberdade, preço alto demais para quem pretende dedicar a vida a enviar somente criminosos para a prisão.
No cotidiano da estudante, além de teóricos como Foucault e Bonavides, figuram as baladas noturnas, a cerveja de final de semana com os amigos e longas horas expostas ao sol na praia. Internet, sobretudo para pesquisar e estudar. Rotina esta que ela considera “quase impossível” de sustentar ao lado de um namorado. “Eu quero primeiro construir uma carreira. Depois, um relacionamento sem traição e mentiras”, idealiza a jovem.
O interesse dos solteiros soteropolitanos pelas novas tecnologias foi, inclusive, um outro item detectado na pesquisa: 47% consideram a internet como sua principal fonte de entretenimento e 56% afirmam confiar no meio para se manter informados. A Tarde Online

Eva Longoria chora na TV e diz que separação foi "humilhante"

Eva Longoria, 36, caiu no choro durante entrevista a Piers Morgan na TV.

Ela disse ter se sentido "um pouco humilhada" com a separação do jogador de basquete Tony Parker.

"Principalmente pelo fato de tudo ter se tornado muito público", explicou. "Já era algo ruim o suficiente passar por aquilo sozinha".

Os dois oficializaram o divórcio em janeiro, após diversas alegações de que ele estava sendo infiel.

"Na minha família, o casamento sempre foi uma coisa sagrada", contou. 

"Nosso mantra era: divórcio não é uma opção".

Apesar do divórcio, Longoria diz que não se arrepende de ter sido casada.

"As pessoas querem que eu o odeie, que eu o destrua", disse. "Mas eu desejo o melhor para ele".

A atriz é conhecida pelo papel de Gabrielle em "Desperate Housewives". Folha Online

Neymar mostra simplicidade em dia de ator em série da HBO

"Já sabem que roupa ele vai usar?" A pergunta do assistente de direção tinha ar de preocupação no set armado numa casa do Morumbi.

Todos esperavam Neymar, principal astro do futebol em território nacional, na manhã de quinta, apenas um dia depois da partida contra o Colo Colo, na qual o santista foi expulso após fazer um golaço e receber o segundo amarelo por usar uma máscara na comemoração.


O atacante era aguardado para uma pequena participação numa série da HBO que retrata o universo do futebol.

Como ele, outros jogadores do presente e do passado e profissionais da área fizeram pontas na produção da Pródigo, prevista para estrear no segundo semestre.

Um membro da equipe mostrava apreensão após a partida da noite anterior, quando o astro deixou o campo desnorteado. "Estava torcendo tanto para dar tudo certo ontem", afirmava.

Já passava das 10h30 quando começou uma correria. Neymar chegara. Óculos escuros, boné dos Yankees e roupa estilosa, a estrela do dia parecia acabrunhada, talvez pela noite anterior, talvez pelo horário (enfrentou trânsito do litoral à capital).

Até técnicos santistas da equipe de filmagem esperavam o mau humor e a marra do craque, evidente em várias entrevistas pós-jogo.

No entanto, foi só se sentar na cadeira para maquiagem e o jovem atacante mudou --o humor, não o topete.

A roupa estava lá. Um jaleco azul. Seu papel? O de um trabalhador comum, chamado para arrumar um filtro.

Já habituado a comerciais, era a primeira vez que Neymar interpretava outro papel que não o dele mesmo. Tinha que vestir outra máscara. E não demonstrou dificuldade.

Na cena, um ator chegava esbaforido e invadia a cozinha à procura de alguém.

"O senhor ainda vai querer o seu copo d'água?", perguntou a mulher. 

"Água hoje não vai rolar, não. Só na autorizada", respondia o técnico Neymar, que era surpreendido em seguida: "Mas sem fazer firula, viu, rapaz!".

A resposta da atriz foi seguida pelo grito "Valeu, muito bom" e uma mistura de palmas e risos. A cena foi escrita na hora pelo diretor, tirando gargalhada até do atacante, já entrosado com todos no set. "Daqui a pouco, eu conserto de verdade", disse após nova tomada.

A cena, com duração de poucos segundos, precisou de quase uma hora para deixar a equipe satisfeita. Neste período, Neymar transparecia seus 19 anos em constantes caretas para a câmera _sem deixar de mascar o chiclete com o qual chegou.

Em nada Neymar parecia o jogador arrogante e mascarado em campo. 

Que não demonstra saber seu limite e que desafia quase que por capricho treinadores, juízes e rivais, o que lhe rendeu apelidos como Neymonstro.

Foi só o diretor liberar a equipe, e todos correram em direção ao ídolo para fotos e autógrafos, atendidos prontamente pelo craque. "É minha segunda profissão", dizia ele, sem lembrar a figura desequilibrada do dia anterior, sem máscara. Folha Online

Morte de presidente polonês em acidente aéreo completa 1 ano

Uma delegação oficial de familiares e soldados poloneses lembrou neste sábado (9) na cidade russa de Smolensk às 96 vítimas da catástrofe aérea na qual morreu o presidente polonês, Lech Kaczysnki, e que completa um ano neste domingo.

A mulher do atual presidente polonês, Anna Komorowska, liderou a comitiva que viajou de avião até Moscou e optou por deslocar-se de ônibus a Smolensk, que fica a menos de 400 quilômetros da capital russa.

"Esta é uma espécie de peregrinação cujo fim é homenagear as vítimas", informaram fontes diplomáticas polonesas à agência russa Interfax.

Os atos começaram com uma missa oficiada por sacerdotes poloneses, após a qual foram lidos os nomes em voz alta de cada uma das vítimas do acidente do Tu-154, que comoveu os poloneses e todo o mundo.

Logo em seguida, Komorowska, o governador de Smolensk e representantes do Kremlin depositaram flores na pedra comemorativa que foi colocada no local do acidente há quase um ano.

A delegação se deslocou depois ao memorial construído em Katyn em memória aos mais de 22.000 militares poloneses assassinados entre 1940 e 1941 pelos serviços secretos soviéticos, tragédia até há pouco negada por Moscou.

Precisamente, Lech Kaczynski (1949-2010), sua esposa Maria, membros da cúpula militar polonesa e familiares viajavam para Katyn para homenagear os militares assassinados por ordem do dirigente soviético, Josef Stalin, quando sofreram o acidente.

Kaczynski foi durante seus mais de quatro anos de mandato um defensor da recuperação da memória histórica de seu país, em particular em relação aos crimes cometidos pelo regime comunista na Polônia, o que lhe valeu a inimizade de Moscou.

Segundo informou o Kremlin, os presidentes russo, Dmitri Medvedev, e polonês, Bronislaw Komorowski, também viajarão amanhã a Smolensk e a Katyn para lembrar as duas tragédias, que abalaram as relações bilaterais.


Rússia chamou nesta semana à Polônia a não politizar a investigação sobre a catástrofe, que ainda opõe os dois países, já que Moscou responsabilizou até agora pelo acidente exclusivamente à parte polonesa.

"Infelizmente, certas forças na Polônia tentam transformar a investigação das causas da tragédia em um fator da luta política", disse Vladimir Titov, vice-ministro de Exteriores russo.

Titov criticou a reação de Varsóvia diante do relatório emitido em janeiro pelo CAI (Comitê de Aviação Interestatal), e foi tachado de "brincadeira" pelo irmão gêmeo de Kaczynski, Jaroslaw.

A presidente do CAI, Tatiana Anódina, afirmou que "a causa direta do acidente foi a não adoção pelos tripulantes de uma decisão oportuna de dirigir-se a outro aeroporto diante das condições meteorológicas adversas".

Anódina ressaltou que a tripulação do avião do presidente polonês "não recebeu autorização para aterrissar".

O relatório, que a Rússia considera definitivo, aponta que o chefe da Força Aérea polonesa, Andrzej Blasik, a bordo da aeronave, "exerceu pressão psicológica na tomada da decisão de descer e de aterrissar a todo custo" e que tinha um nível de 0,6 de álcool no sangue durante o voo.

Enquanto isso, o ministro do Interior, Jerzy Miller, que preside a comissão polonesa que investiga a catástrofe, mantém que os controladores russos, em vez de permitir que o avião polonês descesse a uma altitude de 100 metros, deviam ter avisado ao piloto que a aterrissagem era impossível.

"O comandante de um voo internacional é quem toma de forma independente a decisão sobre decolagem e aterrissagem. Os controladores não tinham direito de proibir a aterrissagem", replicou Ígor Levitin, ministro de Transporte da Rússia.

Por sua vez, o irmão de Kaczynski reiterou nesta semana em declarações à televisão que não descarta que seu irmão gêmeo e presidente do país tenha sido assassinado premeditadamente pela parte russa em 10 de abril de 2010 em Smolensk.

Se isso não bastasse, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, acusou Moscou de não revelar toda a verdade sobre o acidente aéreo.

"Os russos tentam encobrir, mas não porque exista algum terrível segredo, mas porque, em geral, não gostam de reconhecer seus erros e fragilidades", garantiu em declarações a uma emissora de rádio.

A Rússia entregou nesta semana à Polônia outros 14 volumes com o material sobre a catástrofe, incluindo declarações de testemunhas, imagens do local do acidente e informações sobre o aeroporto de Smolensk, mas não as autópsias, outra das demandas de Varsóvia.

O acidente do avião presidencial polonês ocorreu quando a aeronave tentava aterrissar no aeroporto em meio a um denso nevoeiro. EFE Folha Online

Real atinge patamar recorde de valorização em relação ao dólar

O real nunca esteve tão valorizado em relação ao dólar. Cálculos da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) com base na taxa real de câmbio mostram que o poder de compra da moeda brasileira praticamente dobrou em relação ao verificado em julho de 1994, início do Plano Real.


Segundo a Funcex, é como se o dólar estivesse 50% mais barato do que naquela época. Ou seja, o brasileiro pode comprar o dobro do que compraria com os mesmos reais. Se for considerado o mês de dezembro de 1998, véspera da liberação do câmbio, o dólar estaria cerca de 40% mais barato.

A taxa real efetiva do dólar é apenas uma das formas usadas para se calcular a relação entre duas moedas. Nesse caso, são consideradas as taxas de câmbio e inflação em 13 países e o peso de cada um nas relações comerciais com o Brasil.

O levantamento mostra que o real está em um patamar recorde de valorização em relação ao dólar no período analisado, que começa em 1985.


Entre os motivos para essa valorização da moeda brasileira está a forte entrada de dólares no país no primeiro trimestre deste ano. Foram US$ 35,6 bilhões, maior valor da série iniciada em 1982 pelo Banco Central. É também mais que o dobro do recorde anterior, verificado no mesmo período de 2006 (US$ 17,7 bilhões). A entrada de dinheiro cresceu no início da semana, um dia antes de o governo anunciar novas medidas cambiais.

Outra forma de medir o nível da taxa de câmbio é utilizar a paridade de poder de compra (PPC), que considera uma cesta de produtos em cada um dos países.



É o caso do índice Big Mac, divulgado pela revista "The Economist", que mede o preço do sanduíche nos EUA e Brasil em dólar e mostra um real sobrevalorizado.



O economista Flávio Samara, da consultoria LCA, utiliza também o PPC calculado pelo FMI. Nesse caso, a paridade estava perto do valor negociado no mercado no final de 2010 (R$ 1,66). Para dezembro de 2011, a projeção mostra uma taxa de R$ 1,71.

"Dependendo da metodologia, podemos ter uma leitura diferente. Acreditamos que o real está sobrevalorizado. O valor justo hoje seria mais próximo de R$ 1,70 ou R$ 1,75", diz Samara.

Ele calcula ainda que, se fossem consideradas variáveis como fluxo cambial, preço de commodities e risco país, o dólar poderia cair para patamar de R$ 1,50, o que só não acontece por conta das intervenções e medidas cambiais do governo. Folha Online

luishipolito@outlook.com

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