segunda-feira, 11 de abril de 2011

Google irá interromper serviço 'Street View' na Alemanha


O Google não irá mais fotografar as ruas de 20 cidades da Alemanha nas quais operava o serviço "Street View", após estourar uma grande polêmica por conta das imagens, que mostram o nível da rua, oferecido na internet.
A companhia seguirá mostrando em seu site as fotos tiradas até agora pelos carros que percorreram as ruas dessas cidades nos últimos meses, mas não atualizará seus arquivos.
"Nossa prioridade como negócio agora é usar os carros para colher dados como nomes de ruas e sinais de estrada, que nos permitem melhorar os mapas básicos para nossos usuários", disse um porta-voz do Google.
A empresa não declarou os motivos que levaram a deixar o seu serviço na Alemanha, nem precisou se a decisão é definitiva ou se poderia voltar a fotografar as ruas no futuro.
O "Street View" estreou na Alemanha em novembro de 2010, acompanhado de fortes críticas por atrapalhar a privacidade das pessoas. G1

Crise nuclear no Japão já é igual a de Tchernobil, diz emissora

A Agência de Segurança Nuclear do Japão decidiu aumentar a gravidade da crise nuclear no país do nível 5 para o 7, o pior na escala internacional e de mesma intensidade do desastre nuclear de Tchernobil, na Ucrânia, em 1986, informa a emissora estatal japonesa NHK.

De acordo com a NHK o governo deve conceder uma entrevista coletiva na terça-feira detalhando os motivos da decisão. De acordo com o porta-voz do governo, Yukio Edano, a Agência de Segurança Nuclear e o ministro de Energia devem fazer um anúncio sobre o nível de gravidade da crise nas próximas horas.

No entanto, fontes da agência governamental adiantaram à NHK que a decisão foi tomada após a constatação de que quantidades consideráveis de substâncias radioativas têm vazado da usina nuclear de Fukushima, e que tais materiais colocam em risco a saúde humana e o meio ambiente num raio em torno do complexo maior do que se estimava.

Mais cedo, a agência Kyodo informou que a Agência de Segurança Nuclear do governo estima que a quantidade de material radioativo que vazou dos reatores de Fukushima chegou ao máximo de 10 mil terabequerels por hora em um determinado ponto por diversas horas, o que classificaria o incidente como um grande acidente, de acordo com a escala internacional de intensidade Ines.

A escala elaborada pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada às Nações Unidas) classifica os acidentes nucleares e radiológicos de 1 a 7.

O Japão já tinha classificado o acidente nos reatores operados pela Tokyo Electric Power Co (TEPCO), cujos engenheiros ainda tentam estabilizar a usina, como nível 5, o mesmo estabelecido no acidente de 1979 em Three Mile Island, nos EUA.

Em 11 de março, um terremoto de magnitude 9,0 seguido por um tsunami danificaram os reatores do complexo nuclear Fukushima Daiichi, que desde então tem sofrido com vazamentos radioativos.

Um porta-voz da Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão disse, nesta terça-feira, que a classificação do acidente em Fukushima permanecia no nível 5, e que ele não tinha conhecimento de elevação do nível.

TCHERNOBIL

O acidente da usina nuclear de Tchernobil, norte da Ucrânia, em 1986, é considerado o pior da história. A explosão foi de nível 7, o topo da classificação da Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos.

A usina de Tchernobil, construída pela antiga União Soviética na década de 1970, explodiu durante um teste de segurança.

A explosão de um reator liberou uma grande quantidade de material radioativo no solo e na atmosfera. Ao menos 50 pessoas morreram imediatamente, e houve aproximadamente 4.000 casos de câncer provocados pela radiação.

As autoridades soviéticas tentaram "abafar" o estrago, o que aumentou a contaminação. O acidente fez com que o mundo passasse a questionar o uso da energia nuclear. Folha Online

Empresário é condenado a pagar indenização por racismo, em Chapada do Arvoredo, no Oeste

Um empresário foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por racismo e denúncia falsa de roubo, ao pedreiro Luiz Silveira, em Chapada do Arvoredo, no Oeste de Santa Catarina.

O fato aconteceu em junho de 2005 e foi julgado na última semana, pela Câmara Especial Regional de Chapecó. A denúncia do pedreiro foi julgada procedente e deu a ele o direito de receber a indenização por danos morais.

No dia do fato, Silveira teria deixado seu trabalho, em uma plantação de eucaliptos, e estacionado seu carro no posto de gasolina Chapadão, de propriedade de Lorenzetti. O acusado teria proferido palavras de baixo calão, além de chamá-lo de negro e acusa-lo de ladrão.

O pedreiro deixou o local com alguns colegas e, logo foi abordado por cinco viaturas da Polícia Militar, por ter sido acusado de furto ao posto. Os policias teriam revistado os passageiros e o carro e, como nada foi encontrado, eles foram liberados.

O dono do estabelecimento contestou as afirmações com negativas. Na apelação, afirmou que as testemunhas de defesa evidenciaram não ter havido as agressões verbais, e disse não ter responsabilidade na abordagem policial, pois apenas comunicou o furto ao posto.

Na análise do processo, o relator, desembargador Gilberto Gomes de Oliveira, observou que as versões dadas pelas testemunhas de Luis foram "robustas e induvidosas", o que o levou a manter a condenação. A correção, porém, ocorreu na fixação da indenização por danos morais, arbitrada inicialmente em R$ 15 mil. Para a redução do valor, ele considerou a situação financeira de Luis e também de Lorenzetti.

O posto de combustível fica na área rural de Chapada do Arvoredo, município com pouco mais de dois mil habitantes. Diário Catarinense

Justiça do Rio decreta quebra do sigilo eletrônico de atirador

A Justiça do Rio decretou nesta segunda-feira a quebra do sigilo eletrônico de Wellington Menezes de Oliveira, 23, que atirou contra alunos da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste), matando 12 deles na quinta-feira (7).


A partir da autorização judicial, a polícia do Rio começou a analisar os e-mails recebidos e enviados pelo atirador, além de suas conversas por meio de mensagens instantâneas e redes sociais.

As investigações mostraram que Wellington tinha contato com pelo menos seis pessoas por meio de MSN (serviço de mensagens instantâneas da Microsoft). A polícia Civil também analisa diversos papéis apreendidos em sua casa, em Sepetiba (zona oeste), para traçar o perfil psicológico do atirador e esclarecer a motivação do ataque. Folha Online

Ator de "A Rede Social" participará de novo filme do Batman

O ator Josh Pence, que fez o papel de Tyler Winklevoss em "A Rede Social", foi selecionado para ser o jovem Ra's Al Ghul em "Dark Knight Rises", o novo filme do Batman de Christopher Nolan.

A distribuição dos papeis do filme tem sido ultrassecreta, embora Christian Bale, Gary Oldman e Morgan Freeman estejam de volta ao elenco, que inclui ainda Anne Hathaway, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt e Marion Cottilard.

A trama também tem sido guardada a sete chaves. Em "Batman Begins", Ra's Al Ghul foi interpretado por Liam Neeson, o que indica que a convocação de Pence sugere um possível retorno do personagem que estava supostamente morto.

Além disso, embora o estúdio não tenha confirmado qual será o personagem de Cottilard, há rumores de que seja o de Thalia Al Ghul, a filha do mentor de Batman.

Fontes dizem que Pence aparecerá em cenas que ocorrerão 30 anos antes da história narrada no filme. REUTERS Folha Online

Conselho da OAB pede à Procuradoria que investigue Bolsonaro

O conselho da OAB enviou nesta segunda-feira para o Ministério Público Federal um ofício que pede uma investigação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Segundo a OAB --no documento encaminhado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel--, o deputado violou a Constituição por declarações de conteúdo "discriminatório e homofóbico".

A polêmica envolvendo o deputado começou no dia 28 de março. No quadro "O Povo Quer Saber", do programa CQC, da TV Bandeirantes, a cantora Preta Gil perguntou como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra.

O parlamentar, que tem um extenso histórico de polêmicas relacionado a direitos civis e humanos, respondeu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu".

Bolsonaro alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. "Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim".

Para a OAB, o deputado também praticou o crime de racismo.

Quando a polemica surgiu, o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, já havia se pronunciado no mesmo sentido.

De acordo com ele, as declarações são "incompatíveis com a dignidade do Parlamento e com a relevância do cargo de deputado federal' e revelam "um preconceito inominável contra os negros". Folha Online

Bernardo Bertolucci vai receber Palma de honra em Cannes

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci, de 70 anos, receberá uma Palma de honra, na cerimônia de abertura do 64º Festival de Cannes (11-22 maio), anunciaram os organizadores nesta segunda-feira.

A distinção passará a ser entregue anualmente a um cineasta importante, mas que não tenha recebido nenhuma Palma de Ouro.

Nos últimos anos, o presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, concedeu ocasionalmente palmas de honra, a Woody Allen (2002) e a Clint Eastwood (2009).

Mas, a partir de agora, "este ato se converterá em tradição. FRANCE PRESS Folha Online

Músicos demitidos da OSB vão se reunir amanhã no Rio

Os músicos demitidos da OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) irão se reunir amanhã 10h, no Sindicato dos Músicos do Rio, para avaliar a proposta de readmissão oferecida pela Fundação OSB em reunião na última sexta.

Assim que a proposta for discutida, eles irão se encontrar com o presidente da instituição, Eleazar de Carvalho Filho, para oferecer uma contraproposta.

O violinista Luzer Machtyngier, um dos demitidos e que presidia a comissão dos músicos da orquestra, acredita que o grupo não irá aceitar uma readmissão que tenha como exigência uma nova avaliação. Folha Online

Ozzy Osbourne deve mais de R$ 2,5 milhões em impostos

Ozzy Osbourne, que passou recentemente pelo Brasil para uma série de shows, pode perder uma mansão nos Estados Unidos por conta de uma dívida. Segundo o jornal "Daily Mail", Ozzy e sua mulher Sharon devem mais de R$ 2,5 milhões em impostos ao governo americano.

A publicação afirma que a família Osbourne não paga impostos há dois anos e está sendo cobrada.

Caso a dívida não seja resolvida nos próximos dias, o governo pode tomar como pagamento uma das propriedades de Osbourne. O músico possui sete casas no país.

No último sábado, Sharon Osbourne escreveu em seu Twitter, em tom amargo, que "não se pode confiar em ninguém além de você mesmo". "Minha culpa... lição aprendida", termina a mensagem. Folha Online

Os neonazistas são bem mais que meia dúzia, afirma delegado

Ana Cláudia Barros


A recente identificação de 25 gangues de skinheads pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), em São Paulo, e a participação de movimentos de ultra direita no ato de apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) no último sábado (9), na Avenida Paulista, colocam em debate a presença, cada vez mais evidente, de grupos neonazistas no Brasil.
Mas há motivos reais para preocupação? Para o delegado Paulo César Jardim, da Primeira Delegacia de Policia de Porto Alegre, a resposta é sim, sobretudo, diante da possibilidade de conexão com outros tipos de criminosos. Responsável pelo comando do Grupo de Combate ao Movimento Neonazista da Polícia do Rio Grande do Sul, Jardim destaca que a quantidade de seguidores dos ideiais de Adolf Hitler é "bem maior do que a meia dúzia que as pessoas pensam".
Sem revelar pormenores, o delegado, que, no ano passado, alertou o senador Paulo Paim (PT-RS) sobre possível ataque, expressa preocupação particular em relação à proximidade com a Argentina, país escolhido por oficiais nazistas como refúgio após a Segunda Guerra Mundial.
Sobre o perfil dos integrantes desses grupos, Jardim afirma que, em geral, são jovens entre 17 e 30 anos, de classes sociais diversas, movidos pelo ódio a judeus, homossexuais e negros. Ele destaca ainda que há diferenças entre os movimentos neonazistas do Sul e os de São Paulo.
- De forma nazi mais pura, encontramos no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, vemos uma mescla. Há pessoas que se dizem neonazistas, mas são negras, mestiças. Estão meio confusas na ideologia. Mas em São Paulo, as tribos são muito maiores.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - Como é o trabalho desenvolvido pelo grupo de combate ao movimento neonazista da Polícia do Rio Grande do Sul e que tipo de informações já foram levantadas?

Paulo César Jardim - É claro que não posso te dizer a forma como estamos trabalhando e o que conseguimos levantar, porque é um trabalho de inteligência. Eles são espertos do outro lado, são uma célula do mal. Dá para ver com base em tudo que estão propugnando por aí. 

Posso dizer que estamos monitorando o movimento neonazista no Rio Grande do Sul há mais de 10 anos. Temos inúmeras prisões. Mais de 35 pessoas já foram indiciadas em inquéritos policiais e denunciadas por formação de quadrilha, tentativa de homicídio. Alguns estão na condição de foragido.

Quando o senhor se refere às tentativas de homicídio, está falando de crimes de ódio contra negros e homossexuais? 

Contra negros, homossexuais e judeus. Esse pessoal entende que negros, judeus e homossexuais são sub-raça e há uma necessidade de fazer uma "oxigenação social", eliminando o que consideram subespécie.

No final do ano passado, conseguimos abortar cinco células que estavam no Rio Grande do Sul. Era um grupo, eu diria, de tamanho bastante preocupante.

O que o senhor considera como "tamanho bastante preocupante"?

Quando nós encontramos bombas nas células... Encontramos farto material de propaganda, farto material de livros de convencimento, além de munições. Quando nós chegamos a constatação de que essas bombas são iguais àquelas que explodiram em São Paulo, durante a Parada Gay, onde houve feridos e mortos.

Chegamos à conclusão de que a situação era preocupante. Nós temos depoimentos que diziam qual era o objetivo (do grupo). O objetivo era explodir Sinagogas e agredir o movimento da passeata livre, aqui, no Rio Grande do Sul. Graças a Deus, conseguimos abortar isso. 

No final do ano passado, desmontamos mais uma célula onde encontramos material de propaganda contra o senador Paulo Paim (PT-RS).

E como tem sido a atuação da polícia diante dessas informações?

Continuamos com o trabalho de monitoramento. Sabemos quem são, onde andam, o que fazem. Esperamos que não façam nada, que continuem com suas convicções, mas fiquem nessa de proselitismo só, porque a partir do momento que decidirem cometer ilícito penal, temos todas as condições de agir. Por isso, o monitoramento.

Quando se fala em neonazistas, a primeira referência são grupos europeus. Há quem diga que os grupos daqui, do Brasil, são compostos por meia dúzia, que tentam importar este modelo. 

Acho que as pessoas estão muito equivocadas.

Quantos neonazistas o senhor estima que há por aqui? 

É bem maior do que essa meia dúzia que as pessoas pensam. Só de indiciados, temos mais de 35. O movimento não é só em Porto Alegre. Ele se estende pelo Rio Grande do Sul, com diversos segmentos... Se a senhora sabe que o Rio Grande do Sul é fronteira com a Argentina, país onde os oficiais nazistas, quando no final da Segunda Guerra, se refugiaram...

Há ligação entre movimentos neonazistas brasileiros e argentinos? 

Só posso dizer que estamos preocupados com a Argentina aqui perto.

A preocupação é referente a outros países vizinhos também? 

É um movimento internacional, com mais de 60 anos, que prega o prazer pelo ódio. Em algumas cartas que encontramos em células, em conversas entre eles, havia coisas assim: "meu ódio continua o mesmo", "meu ódio aumentou", "meu ódio não vai acabar nunca", "o meu ódio é sair do presídio e dar um tiro na cara de um judeu". Eles falam isso com orgulho.

Há razões para preocupação de fato?

Enquanto estivermos mantendo esse controle que estamos mantendo, enquanto eles souberem desse controle, acho que podemos ter uma relativa tranquilidade. A preocupação maior é quando eles se aproximam com outros vínculos, tipo bandidos, marginais.

Isso tem ocorrido?

Essa é a nossa preocupação. Essa é a nossa tensão maior.

Qual o perfil dos integrantes dessas células? Existe um definido? 

Temos uma faixa de idade que varia de 17, 18 anos até 25, 30 anos. Às vezes, um pouco mais, porque muitos deles estão envelhecendo. Vários deles têm conhecimento doutrinário. Alguns têm algum nível de conhecimento, principalmente, em relação à simbologia. Daí já parte para um estudo em função das tatuagens que eles usam. Dependendo do tipo da tatuagem, sei mais ou menos qual a filosofia ou o que já fizeram, porque as tatuagens para eles funcionam como medalhas.

A que classe social esses grupos pertencem em geral? 

Temos alguns casos de pessoas bem situadas socialmente, inclusive, com apoio dos pais. Temos outros casos de pessoas bastante simples, que eu diria que são os mais grossos, truculentos. Tudo bem que todos são truculentos. Dentro da doutrina deles, não podem deixar, por exemplo, de praticar arte marcial. Isso consta nos códigos de conduta deles que eu tenho apreendido aqui. Eles têm que exercitar alguma arte marcial para quando forem enfrentar o inimigo, possam ter condições de vencê-los. 

Mas não tenho dúvidas de que são grandes covardes. Só atacam em grupo de quatro, cinco contra um. Essa é a regra. Nunca há um ataque de um para um. Dois para um é muito raro. Dois para um acontece quando vão apunhalar, esfaquear por traição. Mas num ataque direto, como normalmente funciona, são aqueles brutamontes contra um mais fraco. É a regra.

Essas articulações entre células acontecem também pela internet? Há fóruns, páginas neonazistas... 

Posso lhe dizer uma coisa? Não acredite muito no que está na internet. É um jogo de inteligência. Para um lado e para o outro.

O senhor está dizendo que eles plantam pistas falsas para dificultar a ação da polícia?

Claro. Estamos num jogo de inteligência no qual eles tentam nos enganar, nos ludibriar. Como a minha avó dizia: "O passarinho canta de um lado, mas está lá, do outro".

Recentemente, foram descobertas 25 gangues de skinheads em São Paulo. Há uma troca de informações entre as polícias?

Sim. O pessoal de São Paulo e do Rio Grande do Sul conversa muito. Eles vêm a Porto Alegre, nós vamos a São Paulo. A senhora lembra o seguinte: o Sul do Brasil é basicamente originário de colonização alemã, italiana, polonesa. Não esquece que já tivemos, no Rio Grande do Sul, o partido nazista, funcionando de forma oficial na década de 1930. Aqui, também, nasceu o movimento integralista.

Baseado nessas informações que vocês, da polícia, trocam, o que se pode dizer sobre o movimento neonazista no Brasil? A concentração maior é, de fato, no Sul do País? 

De forma nazi mais pura, encontramos no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, vemos uma mescla. Há pessoas que se dizem neonazistas, mas são negras, mestiças. Estão meio confusas na ideologia. Se bem que há tribos neonazi que realmente têm esse sentimento de ódio. Mas em São Paulo, as tribos são muito maiores. Tem os hooligans também. 

Aqui, tivemos uma tentativa do movimento neonazi de se infiltrar na torcida geral do Grêmio. Eles foram expulsos da torcida. Não tentariam na torcida do Internacional, porque historicamente é um clube de negros.

O senhor falou de uma aproximação com a Argentina, que preocupava. Agora, e com a Europa?

Na Europa, o movimento neonazi é muito forte em Portugal. Eu diria que se fosse me preocupar em relação a Europa, Portugal seria o País de maior relevância. TERRA MAGAZINE

luishipolito@outlook.com

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