sexta-feira, 22 de abril de 2011

Festa do aniversário de Brasília registra duas mortes

Roberta Lopes
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Sete ocorrências foram registradas ontem (21), até as 21h, na festa do aniversário de 51 anos de Brasília. Segundo informações da Polícia Militar (PM) do Distrito Federal, um homem foi esfaqueado na Esplanada dos Ministérios e morreu. Dois jovens foram baleados e um deles morreu.
Cerca de 300 mil pessoas, segundo cálculo da PM, passaram pela Esplanada, onde assistiram a shows de artistas da cidade, como a banda de rock Plebe Rude, a cantora Célia Porto e o bandolinista Hamilton de Holanda, além do cantor e compositor Martinho da Vila.
A programação incluiu também várias atrações esportivas. Numa arena montada na Esplanada foram disputadas partidas de futebol e de vôlei.
Para dois dias de festa, estavam previstos gastos de  R$ 9 milhões, dos quais R$ 7 milhões sairão dos cofres públicos e R$ 2 milhões da iniciativa privada.
Edição: Fernando Fraga | AGÊNCIA BRASIL

Juiz é baleado por PM após briga de trânsito em Minas Gerais

BELO HORIZONTE - Uma briga de trânsito deixou um juiz baleado, na madrugada desta sexta-feira, na cidade de Juiz de Fora, na Região da Zona da Mata, em Minas Gerais. O disparo foi feito por um policial militar (PM) e acertou o pé do magistrado.

De acordo com o major Paulo Henrique da Silva, a confusão aconteceu na Avenida Presidente Costa e Silva, no bairro São Pedro, onde o carro do juiz teria fechado o veículo do PM, que bateu em uma árvore. Por causa da batida, os dois discutiram e o policial disparou um tiro para baixo na intenção de intimidar o juiz. Ainda segundo Silva, no momento da confusão, eles não sabiam a profissão um do outro.

Os envolvidos foram socorridos em um hospital particular. O PM teve ferimentos leves no rosto por causa da batida. Conforme o major Silva, ele já teve alta. O juiz continua internado.

O major Paulo Henrique da Silva garantiu que um processo administrativo será aberto para apurar a conduta do PM. G1 MG/TV PANORAMA/O GLOBO

Escolta policial para Charlie Sheen causa polêmica em Washington

A polícia de Washington investiga por que o ator Charlie Sheen recebeu escolta policial desde o Aeroporto Internacional Dulles até a capital americana, informou nesta sexta-feira a imprensa local.

Segundo a rede de televisão "MSNBC", a porta-voz do departamento de polícia Gwendolyn Crump confirmou que a unidade de assuntos internos está investigando o incidente ocorrido na quinta-feira.

O ator foi escoltado por uma viatura que estava com sirene e luzes de emergência ligadas até um teatro no qual estrelaria seu novo espetáculo "Violent Torpedo of Truth: Defeat Is Not an Option".

Sheen estava quase uma hora atrasado para a apresentação, e enquanto era levado ao local do show em alta velocidade, relatou a experiência no Twitter. O ator, inclusive, postou uma foto de um velocímetro cujo ponteiro apontava para a marca de 130km/h.

"Os cidadãos do Distrito de Columbia (onde a cidade de Washington está localizada) não querem ver suas forças policiais escoltando cidadãos particulares", protestou o vereador Phil Mendelson, presidente do comitê que supervisiona a Polícia de Washington DC.

Mendelson afirmou que se reuniu com a chefe de polícia local, Cathy Lanier, na quinta-feira, e que ela não autorizou a operação. Já o jornal "Washington Post" se questiona em sua edição de hoje quão famoso alguém deve ser para receber escolta. EFE/FOLHA

A diferença entre Dilma e Lula

É papel do jornalismo identificar diferenças entre os governos Dilma e Lula. Mas essa é uma tarefa com armadilhas que tendem a embaçar o diagnóstico.

No balanço dos cem dias, ao gosto do analista, falou-se em inflexão, mudança e guinada na política externa. Bastou o Brasil votar contra o Irã no Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).

No entanto, a viagem à China e a moderação do Itamaraty ao comentar a lenta transição cubana se encarregaram de mostrar que o discurso pelos direitos humanos será usado com seletividade. Fácil votar contra o Irã na ONU.

O país não tem a força econômica da China no cenário global nem as afinidades que Cuba possui com o PT. Até Lula disse que estava certo o voto na ONU. O ex-ministro Celso Amorim foi um dos poucos a falar que a coisa era mais complicada.

A mudança na política externa, portanto, é bem menor do que apregoa o próprio governo.

Noutra área parece haver mais novidade: a política monetária é diferente. O Banco Central do governo Lula atuava de modo mais conservador e afinado com o mercado financeiro.

A política econômica como um todo é muito parecida, mas há um detalhe monetário que afeta mais a vida dos brasileiros do que a política externa.

Resumindo: o BC de Dilma resolveu peitar o mercado e aplicar uma política de juros gradualista para não sacrificar em excesso o crescimento da economia em 2011.

A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que terminou na última quarta-feira, dia 20/04, é evidência disso. O BC optou por elevar a Selic, a taxa básica de juros, de 11,75% para 12% ao ano. Por considerar que há uma grave ameaça inflacionária, a maior parte do mercado queria aumento de 0,5 ponto percentual.

O mercado financeiro está apostando contra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. O mercado prevê que a inflação será maior do que diz o governo e que o dólar cairá mais do que diz o governo. Colocando suas fichas nisso, acha que ganhará mais dinheiro.

Para a economia, é salutar que o mercado acredite nas autoridades públicas e tome suas decisões em sintonia com as políticas oficiais. Quando o mercado vai no sentido oposto, o governo só tem uma opção: vencer a guerra. Se perder, a sociedade perde mais.

Tomara que Mantega e Tombini estejam certos. É ousada uma política monetária que não segue a cartilha do mercado financeiro, sempre disposto a elevar os juros reais que já são os mais altos do planeta. Nesse sentido, merece crédito a intenção de combinar o combate à inflação com a maior preservação possível do crescimento da economia. Soa interessante a ideia de uma meta de crescimento camuflada, digamos assim.

Mas, se a aposta do governo estiver errada, a inflação vai crescer mais do que deveria. O país arcará com um custo maior no futuro para combatê-la. E Dilma sofrerá os efeitos políticos de suas decisões.
Kennedy Alencar
Kennedy Alencar escreve na Folha.com às sextas. Apresenta o programa de entrevistas "É Notícia", da RedeTV!, à 0h30 de domingo para segunda. Faz comentários no "RedeTVNews", telejornal que começa às 21h10. Na rádio CBN, é titular da coluna "A Política Como Ela É", que vai ao ar às 8h55 de terças e quintas no "Jornal da CBN". FOLHA

Governador da Bahia 'vende barba' por R$ 500 mil para Gillette

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), vai fazer uma doação de R$ 500 mil, como pessoa física, para um projeto beneficente de educação do Instituto Ayrton Senna, comandado pela empresária Viviane Senna.

Para isso, Vagner vai raspar a barba usando o barbeador da Gillette. O dinheiro virá da Procter & Gamble, dona da marca.

Vagner afirmou que mantém o visual barbado há 34 anos.

"Vou vender minha barba para a Gillette, mas esse dinheiro tem que ser investido aqui na Bahia", disse.

Para financiar o projeto, o empresário João Doria Jr lançou uma campanha durante o seu fórum de empresários em Comandatuba, pedindo doações anuais de R$ 60 mil --12 prestações de R$ 5 mil mensais-- para empresas e empresários participantes.

Em menos de quatro horas, Viviane Senna já arrecadou no evento mais R$ 2,2 milhões, valor levantado no evento no ano passado.

CHICLETE COM BANANA

Jaques Wagner não é o primeiro a participar desse tipo de promoção.

Em março, às vésperas do carnaval, Bell Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana, foi pago pela Gillette para tirar a barba, que cultivava havia 30 anos e era uma de suas marcas registradas. FOLHA

Microsoft elevará salário de 90 mil em "guerra por talentos"

Os 90 mil funcionários da Microsoft vão receber um aumento de salários, em um novo movimento da empresa em meio à guerra por talentos entre as companhias de tecnologia.

De acordo com o "Financial Times", o aumento, anunciado na quinta-feira em um email interno do executivo-chefe Steve Ballmer, é direcionado particularmente aos engenheiros de software em início de carreira e funcionários intermediários com habilidades em falta no mercado.

No ano passado, o Google aumento o salário de seus funcionários em 10%. De acordo com o "FT", a Microsoft também seguiu o Google ao transformar mais uma parte da remuneração de seus trabalhadores em dinheiro, ao invés de ações. FOLHA

Rio Tinto paga US$ 700 mi para manter bloco na Guiné

A gigante da mineração Rio Tinto informou na sexta-feira que pagará ao governo da Guiné US$ 700 milhões em um acordo para resolver todas as disputas pendentes relacionadas aos blocos 3 e 4 do projeto Simandou de minério de ferro.

A empresa disse em um comunicado enviado por email à Reuters que assinou um acordo para garantir à Rio Tinto os direitos de mineração dos blocos sul de Simandou, abrindo o caminho para um investimento de cerca de US$ 10 bilhões, com a primeira remessa de minério de ferro prevista para até meados de 2015.

A companhia anglo-australiana Rio Tinto já deteve toda a concessão do Simandou, mas foi cortada da metade do norte do projeto, que agora é tocado pela brasileira Vale e parceiros. No ano passado, o governo da Guiné afirmou que a Rio Tinto também poderia perder os blocos do sul, onde a empresa da Austrália quer fazer uma parceria com a chinesa Chalco.

"O acordo de hoje nos dá a certeza de que precisamos para que possamos investir e avançar rapidamente, a fim de explorar esse grande recurso", disse Sam Walsh, o diretor-executivo da Rio Tinto para minério de ferro, no comunicado.

A Guiné cortou a Rio Tinto dos blocos 1 e 2 durante o governo do ex-presidente Lansana Conte, que morreu em dezembro de 2008 e foi substituído em um golpe violento por uma junta militar.

A Rio Tinto tentou durante muito tempo obter os blocos de volta, mas a BSG, uma empresa controlada pelo bilionário israelense e comerciante de diamantes Beny Steinmetz, os adquiriu e assinou um acordo em abril do ano passado com a gigante brasileira Vale SA para explorá-los.

A Vale informou na quarta-feira que "as obras de implantação da primeira fase do projeto Simandou, que envolve o desenvolvimento da mina de Zogota e pesquisa para estudos de viabilidade dos blocos I e II, continuam normalmente".

A mineradora suspendeu no entanto, a pedido do governo da Guiné, o projeto de melhoria que iria fazer em uma ferrovia para escoar o minério de ferro. REUTERS/FOLHA

Irmãs são encontradas mortas após 23 dias desaparecidas em Alagoas

Duas irmãs --de 12 e de 14 anos-- foram encontradas mortas ontem próximo a um canavial no interior do município de Coruripe (102 km de Maceió). Elas estavam desaparecidas havia 23 dias. O enterro ocorreu nesta sexta-feira.

As meninas Cícera Beatriz dos Santos e Samara Oliveira dos Santos saíram de casa no dia 29 de março, mas não chegaram à escola. Desde então, elas não haviam sido mais vistas.

Segundo a Polícia Civil em Coruripe, os dois corpos apresentavam perfurações de tiros na cabeça e já estavam em avançado estado de decomposição. O laudo oficial sobre a causa das mortes das irmãs será apresentado pelo IML (Instituto Médico Legal).

A polícia abriu inquérito para apurar o desaparecimento e, agora, as mortes das meninas, mas não adianta as linhas de investigação. Por enquanto, não há suspeitos do crime.

A família disse à polícia que o pai das meninas chegou a vê-las entrando em um carro desconhecido quando estavam a caminho da escola. O pai disse ter imaginado que se tratava de um professor ou de familiares de colegas das meninas que deu carona a elas.

Ele estavam em uma moto, a cerca de 200 metros de distância, e não seguiu as meninas.

OUTRO CASO

As irmãs Josely Laurentina, 16, e Juliana Vânia de Oliveira, 15, foram assassinadas no fim de março em Cunha (231 km de São Paulo). Elas ficaram cinco dias desaparecidas e foram encontradas em um matagal.

No último dia 19, foi feita a reconstituição do crime. O suspeito, Ananias dos Santos, 27, participou dos trabalhos, acompanhado de seu advogado. 

Segundo o delegado Marcelo Vieira Cavalcante, responsável pelo caso, o preso deu detalhes de como chegou até as vítimas. A reconstituição terminou na casa onde a família dele morava. FOLHA

Dupla é presa ao tentar aplicar golpe contra mulher de 91 anos

Dois homens acusados de aplicar o golpe do falso sequestro contra uma mulher de 91 anos foram presos na madrugada desta sexta-feira por policiais militares do Leblon (zona sul do Rio).

O suposto sequestro seria da filha da idosa, e o valor cobrado pelos bandidos foi de R$ 71 mil.

Julio de Paula dos Santos, 20, e Francisco Luiz do Nascimento, 40, foram presos momentos depois de um deles pegar o pacote com o dinheiro, deixado no local combinado --em frente à quadra da escola de samba Estácio de Sá, no Estácio (zona norte).

Avisada pela idosa, a Polícia Militar passou a negociar com os criminosos pelo telefone --um policial se passou por irmão da 'sequestrada'. Policiais também estiveram na casa da filha da idosa e constataram, por meio de vizinhos, que ela havia viajado para a região serrana do Rio.

A ocorrência foi registrada na 14ª DP (Leblon). FOLHA

Sobe para 177 número de corpos encontrados no norte do México

O número de corpos achados em valas comuns no norte do México, supostamente ligados a crimes do narcotráfico, subiu para 177, num dos piores episódios desde que o governo iniciou uma campanha antidrogas. Na semana passada, o número estava em 145.

No Estado de Tamaulipas, os primeiros corpos foram encontrados no dia 1º de abril, e em Durango, no dia 4.

A promotoria do Estado de Tamaulipas, onde opera o sanguinário cartel dos Zetas, fundado por desertores do Exército, disse em comunicado que 122 corpos poderiam estar relacionados aos casos de passageiros de ônibus sequestrados no município de San Fernando.

Estes sequestros ocorreram no final de março, sete meses depois da descoberta, no mesmo local, de 72 cadáveres de imigrantes da América Central que se dirigiam aos EUA e que provocou protestos de El Salvador, Honduras e Guatemala.

Os outros 55 corpos achados desta vez não estariam relacionados com os passageiros dos ônibus, disse a promotoria em comunicado.

HISTÓRICO

O México atravessa uma onda crescente de violência há mais de quatro anos com a operação de soldados e policiais contra os cartéis de drogas, que lutam entre si pelas lucrativas rotas do narcotráfico até os EUA. Mais de 37 mil pessoas morreram neste período.

De acordo com a Promotoria de Durango, os primeiros corpos foram achados em 4 de abril em uma oficina mecânica da capital do Estado do mesmo nome, onde foi descoberta uma fossa clandestina na qual estavam quatro ossadas.

Após 11 dias, em outro ponto da cidade foram achados dez corpos, três sem cabeça, além de quatro crânios, que não correspondiam às pessoas decapitadas.

Na quarta-feira passada, foram encontrados 26 corpos em um prédio e, na quinta-feira, mais 11 foram achados no mesmo local, no bairro Las Fuentes, segundo a Promotoria de Durango, que continuará na segunda-feira as escavações na busca de mais restos mortais.

Durango foi assinalado como um dos refúgios do chefe Joaquín "EL Chapo" Guzmán, líder do cartel de Sinaloa. REUTERS/FOLHA

Ditador do Iêmen diz que é legítimo; ataques matam 13 soldados

Homens armados, membros de tribos, e integrantes da rede terrorista Al Qaeda mataram nesta sexta-feira 13 soldados iemenitas em duas ações separadas no leste do país, anunciou o serviço de segurança.

Também hoje, em Sanaa, o ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, insistiu em sua "legitimidade constitucional", embora tenha prometido considerar positivamente uma proposta das monarquias do golfo, que prevê sua saída do poder, para pôr fim à crise política originada por protestos populares.

O plano do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, da sigla em inglês) pede "a formação de um governo de unidade nacional controlado 50% pelo partido governante, 40% pela oposição e 10% por outros partidos".

"O presidente transferiria seus poderes a seu vice, e posteriormente os protestos terminariam", com a deserção de líderes militares e soldados, de acordo com um porta-voz do GCC, que preferiu não se identificar.

Segundo a fonte, ele submeteria sua renúncia ao parlamento em 30 dias, com eleições presidenciais sendo realizada em dois meses.

Saleh vem enfrentando, desde janeiro, amplos protestos exigindo sua saída, nos quais mais de 130 pessoas foram mortas em confrontos com forças de segurança e manifestantes rivais.

Chanceleres dos países vizinhos ao Iêmen, nações ricas em petróleo, mantiveram conversas na terça-feira (20) com enviados do regime de Saleh, como parte de esforços para se chegar a um acordo no qual o veterano presidente, no poder desde 1978, renunciaria.

O encontro ocorreu dois dias depois de conversas, em Riad, entre chanceleres e representantes da oposição parlamentar iemenita, que defendem que Saleh deve deixar o cargo o mais rápido possível.

Caso aceite, Saleh terá de abrir mão do poder para seu vice em 30 dias e se aposentar, com uma eleição presidencial sendo realizada em dois meses. FRANCE PRESS/FOLHA

Japão amplia zona de exclusão e anuncia orçamento emergencial de US$ 50 bi

O governo japonês anunciou um orçamento emergencial de cerca de US$ 50 bilhões para a primeira fase de recuperação das áreas destruídas no nordeste do país pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março.

O governo também anunciou a ampliação da zona de exclusão em torno da usina de Fukushima, que passará a incluir algumas vilas que estão fora do raio de 20 km ao redor da usina.

A verba anunciada nesta sexta-feira, prevista para ser usada já no começo de maio, ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento. A votação deve ocorrer ainda no final deste mês.

"Este é o primeiro passo para o novo começo do Japão", disse o ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, à imprensa.

Este dinheiro será usado para construção de casas temporárias, limpeza dos escombros, restauração da infraestrutura, reconstrução de estradas e portos e empréstimos relacionados ao desastre.

O Japão enfrenta sua pior crise pós-guerra e, segundo cálculos do governo, a tragédia deve custar aos cofres públicos pouco mais de US$ 300 bilhões. Por isto, uma série de orçamentos extras deve ser anunciada em breve pelo governo japonês.

Somente este primeiro valor divulgado nesta sexta, por exemplo, já supera o montante gasto na reconstrução da cidade de Kobe, destruída por um terremoto em 1995.

PAGAMENTO DA CONTA

A grande preocupação da população local é como o governo vai pagar a conta. As autoridades garantiram que não há previsão de emissão de novos bônus ou empréstimo de dinheiro para financiar o orçamento emergencial.

O ministro Noda reforçou que o governo vai manter a política de disciplina fiscal. O país tem hoje uma dívida pública que ultrapassa o dobro do Produto Interno Bruto (PIB), a maior de um país industrializado.

A maior parte do novo orçamento, segundo explicou o ministro, virá de cortes em recursos alocados para ajuda ao desenvolvimento exterior, as contribuições públicas ao programa básico de previdência e o projeto de ajuda financeira às famílias com crianças.

ZONA PROIBIDA

O governo japonês anunciou hoje também a inclusão de algumas vilas que estão fora do raio de 20 quilômetros da usina nuclear de Fukushima na zona de entrada proibida.

A zona de exclusão foi ampliada por causa da preocupação com o alto nível acumulado de exposição à radiação.

Todos os moradores de Iitate, Katsurao, Namie e parte de Kawamata e Minamisoma, todas localizadas na província de Fukushima, precisam sair de suas casas até o final de maio.

Segundo o secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, pouco mais de 10.500 pessoas serão afetadas pela decisão de ampliação da área proibida.

A medida tem força de lei e começou a valer a meia-noite de quinta-feira (hora local). Ela foi tomada porque as autoridades querem ter um controle maior da entrada de pessoas na região e também evitar saques. Assim, quem não cumprir a medida poderá responder a processo.

Dinheiro do orçamento extra será usado na limpeza de escombros e recuperação de infraestruturas. BBC BRASIL

Após achar corpos de mãe e filhos, França procura pai de família morta

A polícia francesa procura nesta sexta-feira, no sul do país, um homem que dizia ser agente secreto e está desaparecido desde o começo de abril. Ema uma casa e Nantes (oeste) foram encontrados os corpos baleados de sua mulher e dos quatro filhos do cala.

Para a polícia, Xavier Dupont de Ligonnès, de 50 anos de idade, descendente da nobreza francesa, poderia esclarecer o epísódio. Seus quatro filhos de 13 a 21 anos e a mulher, de 49 anos, tiveram os corpos enterrados em uma fossa, no jardim da casa.

Nesta sexta-feira, um dos carros da família, um Citroen C5, foi encontrado no estacionamento de um hotel em Roquebrune-sur-Agens, no departamento de Var (sudeste da França), no outro extremo do país, onde a família viveu antes de se instalar em Nantes.

As investigações se orientaram para essa região depois de ter sido registrado um saque de 30 euros em um caixa automático do local, no dia 14 de abril, disse uma fonte policial.

Segundo o procurador de Nantes, Xavier Ronsin, na noite de 12 de abril o homem em questão jantou sozinho e dormiu em um albergue em Pontet, departamento de Vaucluse (sudeste).

"No dia 15 de abril, Xavier Dupont de Ligonnès "deixou sozinho o quarto e largou o veículo nas proximidades, sem tocar nele desde então", disse o procurador.

Segundo Xavier Ronsin, os investigadores descobriram que a passagem de Ligonnès pela região coincide com "a data do desaparecimento de uma mulher" do departamento de Var, Colette Deromme.

VIZINHO

Um vizinho da família, Fabrice, disse à France Presse que, há 15 dias, viu Xavier de Ligonnès colocando "enormes sacolas no carro", um "C5". Disse também ter visto a mulher, Agnès, mãe dos quatro filhos, pela última vez no domingo, 4 de abril.

Ele afirmou que, dias depois, os dois cães da raça labrador da casa "latiram durante toda a noite, e depois, houve um silêncio absoluto".

Longe de pensar em um ataque de loucura, os policiais parecem inclinar-se para uma cena preparada minuciosamente: o contrato de aluguel da casa foi rescindido. Os amigos e a direção da escola dos filhos foram advertidos por carta que a família se mudaria para o exterior.

Os policiais também elaboram um estudo de personalidade do pai para tentar determinar alguns elementos que ainda estão confusos.

Segundo o procurador, Xavier Dupont de Ligonnès estava frequentemente ausente de casa por motivos profissionais.

De cabelos castanhos, cortados bem rente, rosto redondo e óculos de metal, o homem procurado teria sido gerente de uma pequena empresa perto de Pornic, nas imediações de Nantes, segundo a polícia judiciária.

Outras informações dizem que ele trabalhava com turismo ou hotelaria. BBC BRASIL

Novela "Rebelde" pode ficar até três anos no ar

Apesar de estar no ar há pouco mais de um mês, "Rebelde", a novela adolescente da Record, tem grandes chances de ainda ficar no ar por dois a três anos.

A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta sexta-feira (22). FOLHA

Zé do Caixão faz sua reestreia entrevistando Geisy Arruda

"O Estranho Mundo de Zé do Caixão" volta ao ar nesta sexta com a intenção de ser cada vez mais trash.

O programa de José Mojica Marins, que tem o mesmo título de um filme seu de 1968, está em sua quarta temporada no Canal Brasil.

Zé do Caixão recebe convidados de vários tipos. Cantores como Fagner e Ângela Rô Rô, o ator Lima Duarte, o guitarrista Edgard Scandurra, o jornalista Arthur Dapieve e até um hipnotista, Olimar Tesser.

O episódio de estreia da temporada 2011 do programa do ícone brasileiro dos filmes de terror traz a celebridade Geisy Arruda, que se tornou famosa em 2009 ao ser hostilizada na faculdade por usar um minivestido.

Entre os assuntos da conversa desta noite estão os fetiches sexuais da loira. Geisy confessa que prefere sair com taxistas porque gosta "dessa coisa de ligar e já vir, essa coisa rápida".

Dirigido pelo crítico da Folha André Barcinski, "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" estreia também um novo cenário.


O Estranho Mundo do Zé do Caixão

Estreia da quarta temporada do programa

QUANDO hoje, à 0h, no Canal Brasil

CLASSIFICAÇÃO não informada | FOLHA

Serigrafia de Mao feita por Andy Warhol é vendida por US$ 938,5 mil

A serigrafia "Mao" (1972) de Andy Warhol, um dos mais importantes símbolos americanos da arte pop, foi vendida nesta quinta-feira em Nova York por US$ 938,5 mil em um evento organizado pela casa de leilões Phillips de Pury & Company.

Warhol (1928-1987) se inspirou no líder comunista chinês Mao Tsé-tung para fazer esta obra composta por dez imagens, que estava cotada entre U$S 600 mil e US$ 800 mil. O próprio artista chegou a comprá-la nos anos 70 e desde então pertenceu à sua coleção privada por quatro décadas.

A arte do pai da Pop Art também esteve representada no leilão de hoje por outros trabalhos como "'Disaster Series"' (1978), que estava avaliado em US$ 300 mil. Porém, essa obra, baseada em uma fotografia publicada na imprensa que mostrava um trágico acidente de automóvel, ficou sem comprador.

Já a sua criação "Reigning Queens: Queen Elizabeth II of the United Kingdom" foi vendida por US$ 62,5 mil e "Ads: The New Spirit (Donald Duck)" ficou em US$ 27,5 mil. EFE/FOLHA

Robert Pattinson confessa ter medo de palhaços

O astro Robert Pattinson está lançando esta semana seu novo trabalho, "Água Para Elefantes", no qual ele interpreta um funcionário de um circo. Mas a grande tenda circense não traz boas lembranças ao ator.

Em entrevista ao "USA Today", Pattinson revelou que tem medo de palhaços desde o dia em que, ainda criança, viu um palhaço morrer no meio de uma apresentação.

"Na primeira vez que eu fui ao circo, um palhaço morreu. Seu carro explodiu. 

Todo mundo saiu correndo, foi assustador", contou Pattinson.

"Água para Elefantes" estreia no Brasil no próximo dia 29. FOLHA

Brincando com a inflação?

A inflação avança no bolso dos brasileiros, cada vez mais ameaçadora, enquanto o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda agem de forma ambígua, sem deixar claro se há em Brasília uma preocupação efetiva com a alta de preços e uma firme disposição de contê-la. Administrar expectativas é parte importante da política econômica e, de modo especial, da política monetária. As autoridades têm falhado na execução dessa tarefa. Ao elevar de 11,75% para 12% ao ano a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o ritmo de aumento. O acréscimo havia sido de 0,5 ponto porcentual em cada um dos dois ajustes anteriores. O aperto continua, segundo nota do Comitê, e continuará "por um período suficientemente prolongado" para levar a inflação ao centro da meta em 2012. Mas por que aumentar os juros mais devagar, quando as pressões inflacionárias se mantêm fortes, sem sinais de arrefecimento?
Talvez o Copom responda a essa pergunta na quinta-feira, quando sair a ata de sua última reunião. Por enquanto, permanece a dúvida quanto ao rumo da política anti-inflacionária. As autoridades podem estar ainda à espera dos efeitos do ajuste iniciado em 2010. Já houve aumento de 3,25 pontos na taxa básica de juros. Além disso, foram tomadas medidas para contenção do crédito. Mas os prazos do crediário permanecem longos - um dado essencial para o consumidor. Quanto tempo mais será preciso esperar? O crédito continua em rápida expansão, informa o BC. O Índice de Confiança do Consumidor permanece praticamente estável em abril, na Região Metropolitana de São Paulo, segundo a Federação do Comércio. Numa escala de zero a 200 pontos, o indicador ficou em 158,4, apenas 0,1% abaixo do nível do mês anterior e 4,1% acima do registrado em abril do ano passado.
Com pequenas oscilações de ânimo, o brasileiro continua confiante e disposto a gastar. O otimismo é um fator precioso, especialmente se as pessoas acreditam em segurança econômica duradoura. Mas a confiança desaparece, inevitavelmente, quando a inflação se acelera e começa a corroer rapidamente o poder de compra das famílias.
Quando a insegurança se espalha, a luta pela preservação da renda se generaliza e o combate à inflação se torna mais árduo e politicamente muito mais difícil. As autoridades brasileiras têm idade suficiente para ter vivido essa experiência. Não deveriam negligenciar a lição.
Medidas para desaquecer a economia ainda não produziram efeito sensível. Há sinais de alguma desaceleração setorial, mas a demanda permanece muito forte. O Ministério do Trabalho registrou menor criação de empregos com carteira assinada em março, mas a tendência ainda é claramente positiva. Quanto ao IBGE, apontou desemprego estável em março - 6,5%, a menor taxa desde o início da série, em 2002 - e elevação mensal de 0,5% no rendimento real. Em 12 meses, o rendimento real médio habitual cresceu 3,8%. A massa de rendimentos expandiu-se 0,8% no mês e 6,7% em 12 meses.
Nessas condições de emprego, renda e crédito, seria muito estranho se a inflação resultasse apenas do encarecimento das matérias-primas, como petróleo e alimentos, no mercado internacional. Esse fator é importante e não há sinal de arrefecimento nos preços globais, mas a alta geral dos preços é explicável apenas quando se leva em conta a demanda interna. Esse ponto foi confirmado mais uma vez com a divulgação do IPCA-15 (calculado entre o meio de um mês e o meio de outro), na quarta-feira. As principais causas de elevação do índice - de 0,60% em março para 0,77% em abril - foram os aumentos de custos de transportes e de alimentos, mas as variações de preços foram observadas em 62,76% dos itens pesquisados. Esse índice havia ficado em 58,59% no mês anterior.
Há, portanto, uma tendência generalizada de aumento de preços. Além disso, a inflação avança claramente para romper o teto da meta, de 6,5%. Em 12 meses chegou a 6,44%. Projetada para 12 meses à frente, a taxa de 0,77% corresponde a 9,64%. A inflação só chegará ao centro da meta em 2012 se houver uma forte desaceleração. Será isso possível, se o BC agir com leveza e o gasto do governo continuar a crescer como está crescendo até agora?  ESTADÃO

Matador de crianças de Realengo é enterrado no Caju

Rio - Foi enterrado nesta sexta-feira o corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos no cemitério do Caju, às 9h. Ele matou doze crianças e feriu outras 12 depois de invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no dia 7 de Abril. O corpo do ex-aluno  estava no IML desde o dia em que cometeu o suicídio após matar as crianças. Nenhum familiar acompanhou o sepultamento, que foi feito em uma cova rasa sem lápide.

Segundo a polícia, o corpo foi reconhecido, mas constava como não reclamado pelos parentes. O enterro só foi possível devido à determinação da justiça já que o prazo para os familiares comparecerem ao Instituto Médico Legal terminava justamente nesta sexta-feira. A Santa Casa de Misericórdia realizou o sepultamento. O ofício enviado ao Caju é assinado por Sérgio Simonsen, diretor do IML.

Vítima passa por nova cirurgia

Na quinta-feira, a menina Taiane Tavares, de 13 anos - uma das quatro crianças que continuam internadas após o ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira - passou por nova cirurgia, de acordo com um boletim médico divulgado pela Secretaria estadual de Saúde. Ela está internada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, onde foi submetida a uma operação para revisão de cavidade abdominal e recolocação de um dreno.

Segundo informações da secretaria, a menina continua em observação, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) pediátrico do hospital, com quadro regular, mas "que inspira cuidados". As outras três vítimas do atirador Wellington de Oliveira Menezes que continuam internadas são o menino Luan Victor Pereira, de 13 anos, no Adão Pereira Nunes; Edson Cleiton Alves Aguiar, de 14 anos, que está no CTI do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, com quadro de saúde estável; e Carlos Matheus Vilhena de Souza, de 13 anos, também no Albert Schweitzer.

Carlos Matheus já havia recebido alta, mas retornou à unidade na noite da última segunda-feira, após sentir fortes dores na mão esquerda. Segundo a secretaria de Saúde, ele está em observação, num leito de enfermaria, e não sente mais dores. No ataque, Carlos foi atingido por dois tiros no braço esquerdo e um terceiro, de raspão, no peito. O GLOBO

Chega de Páscoa Sofrida

Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo

Estimados leitores, essa coluna inicia aqui o movimento internacional e global pelo fim da Páscoa. O que não significa o final do feriado, de maneira alguma. Todo mundo vai poder continuar ficando preso em engarrafamento livremente, não se preocupem.
Mas, o que eu acho que seria uma excelente ideia é apenas remover do nosso calendário emocional uma data baseada no pior do catolicismo: a ideia de compartilhar do sofrimento de algo ou alguém que estava lá de propósito e para isso mesmo.
Páscoa, estimados leitores, está centrada na tal paixão de Cristo. Mas paixão aqui no sentido latino, de passio, ou sofrimento. Na paixão de Cristo, o coitado é sovado sem dó por romanos e por quem mais estiver assistindo, e a gente é convidado a compartilhar da pancadaria na condição de quem a sofre. No grande final, o sujeito que veio até aqui para salvar todo mundo dos seus pecados é solenemente crucificado. Essa não é a minha ideia de divertimento, estimados leitores.
Apenas como comparação linguística, compaixão é compartilhar do sofrimento do outro. Na forma germânica, compaixão é Mitgefühl, ou algo assim, significando co-sentir, ou compartilhar dos sentimentos do outro. Eu gostaria muito, muito mais se a gente passasse a comemorar um feriado onde se praticasse o Mitgefühl, e a gente se dedicasse a sentir o outro, e, eventualmente, compreendê-lo, do que passar dias pensando no coitadinho do outro e o quanto ele se sacrificou por nós, sem que a gente pedisse.
Culpa, dor, sofrimento. Essa é a parte do catolicismo que mais me incomoda, o culto ao que existe de pior na vida, a celebração da morte, o que invariavelmente leva a sentimentos de vingança. Meu pobre pai sofre até hoje pelo que ele e os meninos da sua vizinhança faziam no sábado de malhar Judas, instigados pelo padre, quem mais.
Saibam que os romanos crucificavam todo mundo e por qualquer motivo. O cara espirrou torto, pimba, crucifiquem. Madeira e mão de obra custavam pouco, a civilização romana, com toda sua sofisticação, era muito cruel na essência. Não havia nada de especial em crucificar alguém, apenas o horror da coisa, que os contemporâneos viam e temiam. A cruz somente foi adotada pelo cristianismo uns quatro séculos depois de pararem com a prática da crucificação, quando a memória do seu horror já estava distante o suficiente para a cruz poder ser tratada como símbolo, um símbolo muito, muito eficaz. Para que celebrarmos hoje em dia o que existe de pior em uma religião tão preocupada com o sofrimento nesse mundo? Vamos para o outro lado, vamos curtir o feriado imersos em pensamentos mais felizes.
O coelhinho da Páscoa é o meu candidato a se tornar o símbolo da Nova Páscoa. Chocolate é muito melhor enquanto proposta de vida. Estimulante, prazeroso pra caramba, mais saudável do que dizem. E o coelhinho, por diversos motivos, é símbolo do que existe de divertido na vida, não é?
Não que coelhos ovíparos sejam exatamente algo muito racional. Mas, se pensarmos em crenças esquisitas, o mito cristão é tão esquisito quanto, e muito menos feliz. Feriado do Coelhinho, já. Começou a campanha e unam-se a ela, caros leitores.
O mundo era o que era, e é certo lembrar dele como foi, para compreendermos melhor o que nos tornamos. Mas celebrar os seus piores aspectos, eternizando-os em nossa mente coletiva não me parece uma boa maneira de caminhar pela vida, como sociedade.
Guerras, lutas, morte, dureza, fome, constituíram a experiência central da humanidade por milênios, mas lutamos muito e superamos parte desse karma. Existem guerras, existe infelizmente ainda a fome. Mas a maioria dos humanos não está experimentando nada disso e provavelmente nunca irá ter a tristeza de passar por tanta desgraça. Temos vacinas, produzimos comida, criamos sistemas de governo centrados na ideia de que o bem comum deve ser buscado por todos e para todos. Queremos aprender a parar de aquecer o planeta, devastar sua natureza e eliminar a pobreza mais dura. Assim que conseguirmos isso e ainda por cima fizermos desaparecer o axé, estaremos bem. Isso, sim, merece ser celebrado, e creio que o Coelhinho, com sua mensagem de fertilidade e alegria será um ótimo representante do novo feriado.
Enquanto vocês pensam no assunto, vou aqui praticar a felicidade fazendo o meu inigualável chocolate quente, receita do Café Hermés, de Paris, com o maravilhoso chocolate Rey, em pó e em barra, vindo da Venezuela especialmente para essa ocasião.
Quem quiser se juntar a mim nos festejos da Nova Páscoa, é só pedir e eu mando a receita do chocolate quente perfeito. Uma feliz Nova Páscoa a todos, é o que lhes deseja esse seu servo, eu.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto. TERRA MAGAZINE


Após libertação de presos, dissidentes cubanos tentam unir oposição

Por oito anos, as chamadas Damas de Branco --grupo de mulheres de presos políticos em Cuba-- se reuniram no dia 18 de cada mês para cobrar a libertação de seus maridos. No encontro da última segunda, o chá de sempre teve um significado especial.

"Foi nosso primeiro chá no qual todos os prisioneiros da Primavera Negra estavam livres. Retiramos o quadro que exibia o caso de todos eles", explica Laura Pollán, 63.

Pollán se refere ao grupo de 75 dissidentes detidos e condenados pelo regime cubano na primavera de 2003, numa onda de repressão aos opositores dos Castro. Em março passado, o governo cubano liberou os dois últimos detidos, parte de um acordo fechado com a Igreja Católica de Cuba e mediado pela Espanha. Doze deles, incluindo o marido de Pollán, Héctor Maseda, 68, se recusaram a ir para o exílio em Madri.

"Eles pensavam que, liberando todo mundo, nós iríamos desaparecer. Mas ainda há presos políticos, e os problemas de direitos humanos seguem", diz Pollán.

Ao lado dela, Maseda, que é escritor e ex-diplomata do regime cubano -servia no Brasil no golpe de 1964- diz que jamais pensou em ir para o exílio. Um de seus projetos é tentar mais uma vez unir forças nas filas anti-Castro. Ele pretende aproveitar a debilidade confessada pelo próprio regime.

"Foi [o ditador] Raúl [Castro] quem disse que é corrigir ou afundar". Mas ele admite que o caminho para um fórum oposicionista não é fácil. Entre os que se consideram liberais, como ele, há diversos partidos e ao menos duas coalizões.

"Essas reformas do governo são feitas só para ganhar tempo no poder. Eles não estão dispostos a mudar as coisas", diz Maseda sobre os últimos anúncios do governo. "Os velhos seguem no comando, e os jovens ficam à frente da economia. Aí, quando não der certo, eles já têm a quem culpar', afirma, comentando a manutenção da velha guarda na cúpula do Partido Comunista ratificada nesta semana.

Após 7 anos e 11 meses de prisão, a maior parte em regime de segurança máxima -que ele relatou na série de livros "Enterrados Vivos"-, Maseda ainda se esforça para se readaptar à liberdade. Pollán conta que registra com surpresa os novos hábitos do marido, há pouco mais de dois meses de novo em casa. Maseda era cheio de apetite, e agora come pouco. Quer ter talheres e copos separados dos demais da casa. Tranca seus objetos à chave.

"Estou conhecendo meu marido de novo. Eu não sou mais a mesma, nem ele", afirma Pollán. "Foram oito anos de sofrimento dos 20 em que nós estamos juntos. Mas tenho orgulho de ter me casado com ele. Nunca imaginei que iria abraçar uma luta política, alargar meus horizontes". FOLHA

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