quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cartas de amor que Elizabeth Taylor escreveu aos 17 anos serão leiloadas

Cerca de 60 cartas de amor que a diva do cinema Elizabeth Taylor (1932-2011) escreveu em 1949 a um jovem milionário de Miami Beach (Flórida), por quem estava profundamente apaixonada, serão leiloadas na próxima semana na internet.

Trata-se das cartas de amor que a atriz escreveu com apenas 17 anos ao jovem de 28 anos William Pawley, filho do milionário William Pawley Sr., em cuja luxuosa residência de Miami Beach ela e sua mãe se hospedaram durante as férias daquele ano.

Nas cartas escritas após seu retorno, a atriz expressa seu amor a Pawley Jr., que hoje tem 90 anos e reside no bairro de Pembroke Pines, e compartilha com ele seus sonhos e ilusões de adolescente.

"Recebi sua carta nesta manhã para devolver o anel e bracelete em Nova York", escreveu Taylor em setembro de 1949 em uma de suas cartas, quando a relação parecia chegar ao fim.

As 66 cartas de Taylor e outras 20 de sua mãe serão leiloadas entre os dias 12 e 19 de maio pela RR Auction, que obteve a coleção de Pawley há dois anos e espera que estas alcancem um preço de venda entre US$ 30 mil.

A atriz morreu em março aos 79 anos em Los Angeles, vítima de insuficiência cardíaca. EFE/FOLHA

Protagonista de "Meu Primeiro Amor" vai voltar a atuar

A atriz Anna Chlumsky, 30, protagonista do filme "Meu Primeiro Amor" (1991), no qual ela interpretava Vada Sultenfuss, vai voltar a atuar após passar anos afastada das telas.

Neste sábado (7), estreia um filme feito para a televisão estrelado por ela, "Three Kids", no Hallmark Channel. Nele, ela interpreta uma garota de 20 e poucos anos que é forçada a crescer quando tem que cuidar dos filhos de sua irmã.

Chlumsky também foi escalada para a nova comédia da HBO, "Veep", uma sátira política do diretor escocês Armando Iannucci, do filme "In the Loop". Na série, a atriz vai contracenar com Julia Louis-Dreyfus ("The New Adventures of Old Christine"). FOLHA

Atriz de "A Família Buscapé" processa Mattel por usar sua imagem

A atriz Donna Douglas, que interpretou Elly May Clampett na série "A Família Buscapé", está processando a fabricante de brinquedos Mattel por usar sua imagem na embalagem de uma boneca da personagem, sem sua autorização.

Douglas diz que nunca deu permissão ao fabricante para usar sua imagem, ou usar seu nome para promover o brinquedo, uma boneca Barbie.

De 1962 a 1971, Douglas apareceu em todos os 274 episódios da série, que ficou mundialmente famosa.

A Mattel ainda não comentou o caso. FOLHA

Ator de "Starsky and Hutch" consegue ordem de restrição contra fã

O ator Paul Michael Glaser, 68, que interpretou Starsky em "Starsky and Hutch" nos anos 1970, conseguiu nesta quinta-feira uma ordem de restrição contra uma fã que o perseguia. As informações são do site TMZ.

Glaser fez o pedido na Justiça na semana passada, alegando que uma mulher que administrava seu site oficial era "irracional" e ele "temia por sua segurança".

Após ouvir diversas testemunhas, um juiz concedeu a ordem de restrição em Los Angeles. 

Uma das testemunhas disse que a mulher morava dentro de seu carro, próximo à casa do ator. FOLHA

Ativista iraniana pede a Brasil oposição a Ahmadinejad

BRASÍLIA (Reuters) - Uma ativista iraniana foi recebida nesta quinta-feira pelo governo brasileiro e pediu combate ao regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusado por entidades e o Ocidente de violação dos direitos humanos, especialmente contra as mulheres.
"O regime de Ahmadinejad é ditatorial e fascista... O governo brasileiro deveria defender o futuro do Irã, não este tipo de regime", disse Mina Ahadi a jornalistas.
A ativista criticou a posição de aproximação adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao Irã e elogiou sua sucessora, Dilma Rousseff, por uma posição mais firme em relação aos direitos humanos.
"Dilma disse que apedrejamento é barbarie, isto é um avanço, porque nós não tínhamos ouvido nada do presidente Lula", afirmou Mina após reunir-se com o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, no Palácio do Planalto.
Um caso notório sobre as violações de direitos humanos no Irã envolve a iraniana Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos e condenada inicialmente ao apedrejamento por um suposto adultério com dois homens.
A defesa dos direitos humanos tem sido uma das bandeiras do governo Dilma. O Brasil foi, inclusive, um dos países que votou, em março, a favor de uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Irã em relação aos direitos humanos no país.
Na conversa, Mina --atualmente exilada na Alemanha-- afirmou ter pedido que o governo brasileiro rompa suas relações diplomáticas com o regime iraniano e interrompa o funcionamento da embaixada do país no Brasil, chamada por ela de "centro de terror", mas disse não ter obtido nenhuma resposta concreta. REUTERS BRASIL

Nova versão sobre morte de Bin Laden volta a contradizer Casa Branca

Uma nova informação divulgada pela imprensa americana nesta sexta-feira voltou a contradizer relatos anteriores da Casa Branca sobre a operação que levou à morte do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, no último domingo (1º).

Segundo jornais americanos, fontes do governo afirmaram que, ao contrário do informado anteriormente, apenas uma pessoa - o mensageiro de Bin Laden - teria atirado contra as forças especiais americanas que invadiram o esconderijo do líder da Al Qaeda no Paquistão e o mataram.

O mensageiro estaria em um andar diferente da mansão onde Bin Laden vivia escondido - na cidade de Abbottabad - e teria sido morto pelas forças americanas no início da operação.

Essas novas informações representam mais mudanças no relato sobre como transcorreram os cerca de 40 minutos da operação.

Desde a noite de domingo, quando o presidente Barack Obama anunciou a morte do líder da Al Qaeda em cadeia nacional, membros da Casa Branca já mudaram repetidas vezes sua versão sobre a operação.

TROCA DE TIROS

Na segunda-feira, o principal assessor do governo para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, John Brennan, disse que Bin Laden foi morto com um tiro na cabeça ao resistir à captura.

"Se nós tivéssemos a oportunidade de pegar Bin Laden vivo, se ele não apresentasse qualquer ameaça, os indivíduos envolvidos (na operação) estavam aptos e preparados para fazer isso", afirmou.

Brennan disse que o líder da Al-Qaeda resistiu e houve troca de tiros com as forças americanas que invadiram seu esconderijo. Afirmou ainda que Bin Laden tentou usar uma de suas esposas como escudo, e a mulher acabou morta na ação.

No dia seguinte, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, mudou o relato, e disse que Bin Laden não estava armado.

De acordo com Carney, porém, mesmo desarmado Bin Laden resistiu à captura, e várias outras pessoas presentes no local estavam armadas, com "intensa" troca de tiros.

O porta-voz afirmou ainda que uma das esposas de Bin Laden confrontou as forças americanas e foi alvejada na perna, mas não morreu, contrariando a versão de Brennan.

LEGALIDADE

As versões contraditórias vêm aumentando os questionamentos sobre a legalidade da operação que levou à morte de Bin Laden, acusado de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York e Washington.

Além desses ataques, Bin Laden era acusado de ser o mentor de diversos outros atentados contra alvos americanos e ocidentais e ocupava o primeiro lugar na lista dos mais procurados pelos Estados Unidos.

Na quarta-feira, ao ser questionado sobre detalhes da operação em audiência no Congresso, o secretário de Justiça, Eric Holder, defendeu sua legalidade e disse que foi um ato legítimo de autodefesa.

"Ele era o líder da Al Qaeda, uma organização que conduziu os ataques de 11 de Setembro. Ele admitiu seu envolvimento. A operação contra Bin Laden foi justificada como um ato de autodefesa nacional", disse Holder, em audiência na Comissão de Justiça do Senado.

Nesta quinta-feira, porém, a alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, pediu ao governo americano "a divulgação completa dos fatos precisos" sobre a morte do líder da Al 
Qaeda para estabelecer a legalidade da operação.


"As Nações Unidas condenam o terrorismo, mas também têm regras básicas sobre como deter atividades terroristas. Isso deve ser feito respeitando as leis internacionais", disse a comissária.

A ONG Anistia Internacional também já havia se manifestado a respeito da operação, ao dizer que Bin Laden deveria ter sido capturado vivo, já que estava desarmado. BBC BRASIL

"El Comercio", jornal histórico do Equador, diz temer censura do governo

Os jornalistas do "El Comercio", veículo importante da imprensa equatoriana, param de escrever, para ouvir um discurso de sua diretora, Guadalupe Mantilla, em defesa da liberdade de expressão que, alguns acreditam, está sendo ameaçada pelo referendo a ser realizado neste sábado no país.

Na redação deste jornal, fundado por seu avô, há 105 anos, Mantilla exibiu uma camiseta branca com os dizeres: "liberdade" e "mais respeito", usada em um ato, no dia 3 de maio, que reuniu muitos profissionais de vários jornais, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Ela destacou a necessidade de independência da imprensa para que o Equador não se torne "um país obscuro".

Seu chamado tem uma motivação: o referendo promovido pelo presidente Rafael Correa. Ele propõe uma lei que cria um orgão para regular o conteúdo dos meios de comunicação e definir sanções aos jornalistas e meios.

O projeto também proíbe que jornais e bancos invistam em outros setores.
Mantilla, junto de outros grupos de jornais e comerciais, teme qua a lei proposta pelo governo restrinja a liberdade de imprensa. Alguns grupos a consideram um "sistema de censura previa".

"A lei pode parecer muito boa, mas é vaga e dá margens a interpretações, e é aí que podemos sofrer ataques, eles podem interpretar do seu modo", diz Mantilla à AFP.

O projeto original, depois modificado, determinava uma importante participação do poder Executivo sobre um Conselho de regulação, multas pesadas e controles para a compra de matérias-primas, de acordo com Mantilla.

REFERENDO

O presidente do Equador, Rafael Correa, tentará legitimar-se em um referendo sobre emendas à Justiça neste sábado (7), numa busca de contornar o fantasma da instabilidade política que ronda o país desde a rebelião policial que gerou a crise de 30 de setembro de 2010.

Correa, que já venceu cinco eleiçoes seguidas, desde que assumiu o poder em 2007, propôs o referendo dois meses depois do levante policial por reajustes salariais, que deixou dez pessoas mortas. Segundo o presidente, a revolta teria sido instigada por opositores para tentar derrubá-lo e até assassiná-lo.

A oposição nega essas denúncias e tem promovido o "Não" no referendo através de várias frentes, alegando que o presidente socialista busca controlar o poder judiciário e restringir direitos e liberdades ao impor limites aos bancos de investimento e aos meios de comunicação, assim como restrições à imprensa.

A gestão de Correa tem a aprovação de cerca de 65% dos equatorianos, diante de cerca de 32% de reprovação, segundo uma pesquisa da empresa Santiago Pérez, divulgada no último dia 16 de abril. FRANCE PRESS/FOLHA

Igreja é condenada a pagar indenização por morte de vaca em Santa Catarina

A Igreja do Céu do Cruzeiro Iluminado, do movimento Santo Daime, foi condenada pela Justiça a indenizar Ivandro Rodrigues Souza, 43, pela morte de uma vaca em Braço do Norte (SC).

O caso, segundo consta na decisão da comarca local, confirmada ontem pela 3ª Câmara de Direito Civil de Santa Catarina, ocorreu em 1º de julho de 2005. Ainda cabe recurso.

Segundo Souza, os cultos da igreja eram muito barulhentos, o que causava grande perturbação a ele, que é agricultor familiar, e à sua família.

O agricultor disse que, na ocasião, fiéis atiraram fogos de artifício em direção à sua casa e que um de seus animais, uma vaca --que estava prenhe-- assustou-se e quebrou uma porteira do curral. O animal, cujo leite era destinado a consumo familiar e venda, abortou dois dias depois devido ao susto, morrendo mesmo depois de receber tratamento.

Laudos veterinários indicam que não havia causa infecciosa para o aborto, que foi "proveniente do susto que a vaca levou", conforme consta na decisão da comarca de Braço do Norte.

Em valores de hoje, a indenização é de aproximadamente R$ 6.800.

Procurada, Gianna Schmidt Siqueira, advogada da igreja, não quis comentar o assunto. FOLHA

Cidadania venceu e ninguém saiu perdendo, diz presidente da ABGLT sobre união homoafetiva

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, afirmou hoje (5) que, caso se confirme o reconhecimento de união entre casais do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão será uma vitória da cidadania. “Ninguém saiu perdendo”, disse.
Até o momento, nove ministros se manifestaram favoráveis à legalidade da união homoafetiva estável. Falta apenas o voto do ministro Cezar Peluso.
Em entrevista à Agência Brasil, Toni admitiu que não esperava um placar final de unanimidade ou mesmo próximo disso. “O Supremo está julgando que não pode haver discriminação do amor e do afeto e isso é muito importante. Não esperávamos uma vitória tão grande”, destacou.
Para o presidente da ABGLT, a decisão vai garantir não apenas o princípio da igualdade e da dignidade humana para pessoas homossexuais, mas também segurança jurídica para casais em uniões homoafetivas estáveis.
“Infelizmente, a gente teve que recorrer ao STF para ter esse direito garantido. Esperamos que o Congresso Nacional escute o Supremo e aprove leis que beneficiem a nossa comunidade”, disse Toni. “Decisão de juiz a gente não discute, a gente acata e respeita”, completou.
Edição: Lana Cristina | AGÊNCIA BRASIL

A trincheira de Jean Wyllys


Por Leandro Fortes


Jean Wyllys de Matos Santos é um sujeito tranquilo, bem humorado, que defende idéias sem alterar a voz, as mais complexas, as mais simples, baiano, enfim. Ri, como todos os baianos, da pecha da preguiça, como assim nomeiam os sulistas um sentimento que lhes é desconhecido: a ausência de angústia. Homossexual assumido, Jean cerra fileiras no pequeno e combativo PSOL, a única trincheira radical efetivamente ativa na política brasileira. E é justamente no Congresso Nacional que o deputado Jean Wyllys, eleito pelos cidadãos fluminenses, tem se movimentado numa briga dura de direitos civis, a luta contra a homofobia.


Cerca de 200 homossexuais são assassinados no Brasil, anualmente, exclusivamente por serem gays. Entre eles, muitos adolescentes.


Mas o Brasil tem pavor de discutir esse assunto, inclusive no Congresso, onde o discurso machista une sindicalistas a ruralistas, em maior ou menor grau, mas, sobretudo, tem como aliado as bancadas religiosas, unidas em uma cruzada evangélica. Os neopentecostais, como se sabe, acreditam na cura da homossexualidade, uma espécie de praga do demônio capaz de ser extirpada como a um tumor maligno. O mais incrível, no entanto, não é o medievalismo dessa posição, mas o fato de ela conseguir interditar no Parlamento não só a discussão sobre a criminalização da homofobia, mas também o direito ao aborto e a legalização das drogas. Em nome de uma religiosidade tacanha, condenam à morte milhares de brasileiros pobres e, de quebra, mobilizam em torno de si e de suas lideranças o que há de mais lamentável no esgoto da política nacional.


Jean Wyllys se nega a ser refém dessa gente e, por isso mesmo, é odiado por ela. Contra ele, costumam lembrar-lhe a participação no Big Brother Brasil, o inefável programa de massa da TV Globo, onde a debilidade humana, sobretudo a de caráter intelectual, é vendida como entretenimento. Jean venceu uma das edições do BBB, onde foi aceito por ser um homossexual discreto, credenciado, portanto, para plantar a polêmica, mas não de forma a torná-la um escândalo. Dono de um discurso político bem articulado, militante da causa gay e intelectualmente superior a seus pares, não só venceu o programa como ganhou visibilidade nacional. De repórter da Tribuna da Bahia, em Salvador, virou redator do programa Mais Você, de Ana Maria Braga, mas logo percebeu que isso não era, exatamente, uma elevação de status profissional.


Na Câmara dos Deputados, Jean Wyllys, 36 anos, baiano de Alagoinhas, tornou-se a cara da luta contra a homofobia no Brasil, justamente num momento em que se discute até a criminalização do bullyng. Como se, nas escolas brasileiras, não fossem os jovens homossexuais o alvo principal das piores e mais violentas “brincadeiras” perpetradas por aprendizes de brucutus alegremente estimulados pelo senso comum. Esses mesmos brucutus que, hoje, ligam para o gabinete do deputado do PSOL para ameaçá-lo de morte.


Abaixo, a íntegra de uma carta escrita por Jean ao Jornal do Brasil, por quem foi acusado, por um colunista do JB Wiki (seja lá o que isso signifique), de “censurar cristãos”. O texto é uma pequena aula de civilidade e História. Vale à pena lê-lo:


Em primeiro lugar, quero lembrar que nós vivemos em um Estado Democrático de Direito e laico. Para quem não sabe o que isso quer dizer, “Estado laico”, esclareço: O Estado, além de separado da Igreja (de qualquer igreja), não tem paixão religiosa, não se pauta nem deve se pautar por dogmas religiosos nem por interpretações fundamentalistas de textos religiosos (quaisquer textos religiosos). Num Estado Laico e Democrático de Direito, a lei maior é a Constituição Federal (e não a Bíblia, ou o Corão, ou a Torá).


Logo, eu, como representante eleito deste Estado Laico e Democrático de Direito, não me pauto pelo que diz A Carta de Paulo aos Romanos, mas sim pela Carta Magna, ou seja, pelo que está na Constituição Federal.  E esta deixa claro, já no Artigo 1º, que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana e em seu artigo 3º coloca como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios da prevalência dos Direitos Humanos e repúdio ao terrorismo e ao racismo.


Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.


Seus discursos de ódio têm servido de pano de fundo para brutais assassinatos de homossexuais, numa proporção assustadora de 200 por ano, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. Incitar o ódio contra os homossexuais faz, do incitador, um cúmplice dos brutais assassinatos de gays e lésbicas, como o que ocorreu recentemente em Goiânia, em que a adolescente Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, que, segundo a mídia, foi brutalmente assassinada por parentes de sua namorada pelo fato de ser lésbica. Ou como o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que o adolescente Alexandre Ivo, que foi enforcado, torturado e morto aos 14 anos por ser afeminado.


O PLC 122, apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs.


Assim como o  trecho da Carta de Paulo aos Romanos que diz que o “homossexualismo é uma aberração” [sic] são os trechos da Bíblia em apologia à escravidão e à venda de pessoas (Levítico 25:44-46 – “E, quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas…”), e apedrejamento de mulheres adúlteras (Levítico 20:27 – “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles…”) e violência em geral (Deuteronômio 20:13:14 – “E o SENHOR, teu Deus, a dará na tua mão; e todo varão que houver nela passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR, teu Deus…”).


A leitura da Bíblia deve ensejar uma religiosidade sadia e tolerante, livre de fundamentalismos. Ou seja, se não pratica a escravidão e o assassinato de adúlteras como recomenda a Bíblia, então não tem por que perseguir e ofender os homossexuais só por que há nela um trecho que os fundamentalistas interpretam como aval para sua homofobia odiosa.


Não declarei guerra aos cristãos. Declarei meu amor à vida dos injustiçados e oprimidos e ao outro. Se essa postura é interpretada como declaração de guerra aos cristãos, eu já não sei mais o que é o cristianismo. O cristianismo no qual fui formado – e do qual minha mãe, irmãos e muitos amigos fazem parte – valoriza a vida humana, prega o respeito aos diferentes e se dedica à proteção dos fracos e oprimidos. “Eu vim para que TODOS tenham vida; que TODOS tenham vida plenamente”, disse Jesus de Nazaré.


Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais: é o caso do ataque, por quatro integrantes de uma igreja evangélica, a um centro de Umbanda no Catete, no Rio de Janeiro; ou o de Bernadete Souza Ferreira dos Santos, Ialorixá e líder comunitária, que foi alvo de tortura, em Ilhéus, ao ser arrastada pelo cabelo e colocada em cima de um formigueiro por policiais evangélicos que pretendiam “exorcizá-la” do “demônio”.


O que se tem a dizer? Ou será que a liberdade de crença é um direito só dos cristãos?


Talvez não se saiba, mas quem garantiu, na Constituição Federal, o direito à liberdade de crença foi um ateu Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, Jorge Amado. Entretanto, fundamentalistas cristãos querem fazer uso dessa liberdade para perseguir religiões minoritárias e ateus.


Repito: eu não declarei guerra aos cristãos. Coloco-me contra o fanatismo e o fundamentalismo religioso – fanatismo que está presente inclusive na carta deixada pelo assassino das 13 crianças em Realengo, no Rio de Janeiro.


Reitero que não vou deixar que inimigos do Estado Democrático de Direito tente destruir minha imagem com injúrias como as que fazem parte da matéria enviada para o Jornal do Brasil. Trata-se de uma ação orquestrada para me impedir de contribuir para uma sociedade justa e solidária. Reitero que  injúria e difamação são crimes previstos no Código Penal. Eu declaro amor à vida, ao bem de todos sem preconceito de cor, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de preconceito. Essa é a minha missão.


Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL Rio de Janeiro) | BRASÍLIA EU VI | CONVERSA AFIADA

Centro universitário expulsa alunas envolvidas em briga em São Paulo

O Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), decidiu nesta quinta-feira expulsar as duas alunas de enfermagem envolvidas em agressão ocorrida no último dia 1º de abril.


Pela decisão da instituição de ensino, tanto a suposta agressora quanto a vítima não poderão mais estudar na Barão de Mauá.

Segundo a assessoria de imprensa do centro universitário, a decisão atingiu as duas alunas porque houve quebra do regimento interno, que prevê desligamento por "casos disciplinares graves".

O caso de agressão ocorreu no início do mês passado. À polícia e em entrevistas anteriores à Folha, a universitária Ana Cláudia Karen Lauer, 20, disse que foi agredida depois de ter denunciado à coordenação do curso que sofria bullying.

Nesta quinta-feira, o centro universitário não informou oficialmente os nomes das envolvidas. Diferentemente de Ana Cláudia, a suposta agressora não falou publicamente sobre o assunto. A Folha não conseguiu localizá-la hoje.

A família de Ana Cláudia também não quis falar sobre a decisão e preferiu que a advogada que a representa se pronunciasse.

A defensora Ana Letícia Rodrigues da Cunha e Martins disse que a expulsão de sua cliente é injusta. "Há possibilidade de recurso administrativo e a gente vai exercer esse direito", disse.

A assessoria da Barão de Mauá informou hoje que não poderia usar o termo "expulsão" sobre a decisão tomada pela reitoria. Afirmou que, como a instituição dá para as alunas a possibilidade de transferência, o caso é de "desligamento".

No entanto, para a advogada de Ana Cláudia, trata-se, sim, de expulsão. "Na prática, é uma expulsão compulsória", disse.

Segundo a advogada, a estudante vítima das agressões segue em tratamento psicológico e psiquiátrico por causa do fato. O caso também está sendo apurado pela Polícia Civil. FOLHA

Petróleo nos EUA despenca e fecha abaixo de US$ 100

O preço do petróleo nos Estados Unidos fechou em queda de quase 9% nesta quinta-feira.

Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI (designação de "light sweet crude", negociado nos EUA) fechou abaixo de US$ 100 o barril, com pesadas vendas nos mercados de commodities impulsionadas pela redução do ritmo da economia e por sinais de políticas monetárias mais apertadas.

Investidores também aproveitaram para liquidar posições temendo que as altas registradas no último mês no petróleo tenham sido exageradas.

"Preocupações com o impacto dos altos preços na economia e na demanda por commodities alimentam isso. O mercado foca agora definitivamente na mudança de preocupações geopolíticas para o lado da demanda", afirmou David Greely, chefe de pesquisa em energia do Goldman Sachs, em Nova York.

O contrato junho encerrou com queda de US$ 9,44, a US$ 99,80, no menor fechamento desde 16 de março, quando o preço atingiu US$ 97,98 o barril.
O primeiro vencimento do petróleo caiu por quatro dias seguidos, acumulando perdas de US$ 14,13 dólares, ou 12,40%.

No IntercontinentalExchange de Londres, o barril do Brent do Mar do Norte fechou a US$ 110,80, caindo US$ 10,39, ou 8,57%.

Nos últimos quatro dias, o Brent perdeu US$ 15,09, ou 12%. REUTERS/FOLHA

Vale tem lucro recorde de R$ 11,29 bi no primeiro trimestre

O resultado da Vale bateu novo recorde no primeiro trimestre do ano. A mineradora lucrou R$ 11,291 bilhões, crescimento de 292,2% ante os R$ 2,879 bilhões registrados em igual período do ano anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a alta foi de 12,9%.

O aumento reflete preços maiores de seu principal produto, o minério de ferro, e a venda de ativos de alumínio à norueguesa Norsk Hydro, por US$ 5,9 bilhões.

O último recorde havia sido registrado no terceiro trimestre do ano passado (R$ 10,554 bilhões). Em 2010, impulsionada pela alta do minério de ferro e a nova política de reajuste trimestral, a empresa registrou seu melhor resultado anual, com alta de 192% no lucro líquido, para R$ 30,1 bilhões.

De acordo com comunicado da empresa, a receita operacional foi recorde para o primeiro trimestre. Os R$ 23,573 bilhões representaram alta de 80,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, no entanto, a cifra representa um recuo de 12,6%.

A mineradora atribui a redução a "condições climáticas extremamente adversas e desatares naturais", que resultaram num volume menor de vendas. O impacto foi compensado pela alta de preços nos minérios, que garantiu R$ 1,055 bilhão adicionais.

A China -- que continua ser o maior mercado -- reduziu sua importância nas vendas da Vale. A participação do país asiático caiu de 34,6% no quarto trimestre para 29,5%. Enquanto isso, a fatia das vendas para a América subiu de 23,% para 28% e as da Europa de 17,5% para 19,2%.

O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) no primeiro trimestre foi de R$ 15,517 bilhões, contra R$ 5,385 bilhões há um ano.

TROCA DE COMANDO

O resultado da Vale divulgado nesta quinta-feira marca o último sob o comando de Roger Agnelli na presidência da companhia. Ele será substituído, ainda neste mês, pelo ex-diretor da mineradora, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira.

O anúncio da substituição foi feito no começo de abril e colocou fim a um momento de turbulência e atritos com o governo. O mercado já especulava que Agnelli poderia perder o cargo há meses.

No comando da Vale desde 2001, Agnelli começou a receber críticas por priorizar investimentos fora do Brasil e a produção de minério de ferro. A visão do governo é que a empresa deveria priorizar investimentos em siderurgia e a criação de vagas no Brasil.

Episódios como a demissão de 1.300 funcionários na época da crise -- que contrariou o pedido do então presidente Lula para que empresários não demitissem -- e uma encomenda de navios fora do país acentuaram as críticas.

"A missão do governo é diferente da de uma empresa. Completamente diferente", afirmou nesta o executivo em evento nesta quinta-feira.

As afirmações seguiram o pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, há dois dias no Senado. Apesar de negar interferência na política na troca do comando, ele admitiu que o governo estava descontente com a empresa e que Agnelli ignorou esse descontentamento.

Murilo Ferreira trabalhou na Vale de 1977 a 2008, onde ocupava a presidência da Vale Inco, subsidiária canadense de níquel que ajudou a comprar. REUTERS/FOLHA

STF reconhece por unanimidade a união gay

O STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu nesta quinta-feira, em decisão unânime, a equiparação da união homossexual à heterossexual. O presidente do Supremo, Cezar Peluzo, deu o décimo e último voto a favor da união gay por volta das 20h30, após cerca de cinco horas de sessão.


A decisão tem efeito vinculante, ou seja, alcança toda a sociedade. Os ministros foram autorizados a decidir processos pendentes individualmente.

Apesar de não falar em igualdade, mas em equiparação --fazendo ressalvas, como os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes-- Peluso afirmou que a Constituição não exclui outras modalidades de entidade familiar, mas reconhece que há lacuna normativa a ser preenchida.

Para Peluzo, assim como para Mendes, o Legislativo deve regulamentar a equiparação com a união estável heterossexual. Lewandowski havia falado anteriormente que existem alguns direitos que são exclusivos a uma relação formada por pessoas de sexo oposto, mas não especificou.

Na prática, a decisão viabiliza para os homossexuais direitos como pensão, herança e adoção.

Dez ministros votaram --apenas o ministro Dias Toffoli não participou da sessão, pois se declarou impedido de se posicionar, já que atuou no processo quando era da AGU (Advocacia-Geral da União).

A decisão do STF não é equivalente a uma lei sobre o assunto. O artigo 1.723 do Código Civil estabelece a união estável heterossexual como entidade familiar. O que o Supremo fez foi estender este reconhecimento a casais gays.

Agora, se um clube vetar o nome de um companheiro homossexual como dependente, por exemplo, o casal pode entrar na Justiça e provavelmente ganhará a causa, pois os juízes tomarão sua decisão com base no que disse o STF sobre o assunto, reconhecendo a união estável.

VOTOS

O ministro Carlos Ayres Britto --que é o relator do caso-- reconheceu a relação entre pessoas do mesmo sexo como "entidade familiar" e foi o primeiro voto favorável, dado na quarta-feira (4).

A sessão foi retomada nesta quinta com o voto do ministro Luiz Fux, que acompanhou o relator.

"Por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas pela Constituição: a intolerância e o preconceito', afirmou. 'Quase a Constituição como um todo conspira para a equalização da união homoafetiva à união estável", disse.

O ministro ainda citou dados recentes do Censo, de que existem mais de 60 mil casais de pessoas do mesmo sexo vivendo juntos, para dizer que "a união homoafetiva é um dado da vida, é uma realidade social".

A ministra Carmen Lúcia foi a terceira a votar. Para ela, a Constituição abomina qualquer tipo de preconceito. "A discriminação é repudiada no sistema constitucional vigente", afirmou a ministra, ao dizer que o casal gay também forma uma 'entidade familiar", com direitos e deveres reconhecidos pela legislação brasileira.

Em seguida, o ministro Ricardo Lewandowski fez ressalvas em seu voto favorável. Ele votou pelo reconhecimento da união homoafetiva como uma "entidade familiar", mas criou limitações, ao dizer que alguns direitos se aplicam apenas a relações heterossexuais.

No entanto, ele não detalhou em seu voto quais seriam esses direitos exclusivos de casais de pessoas do sexo oposto.

Joaquim Barbosa, o quinto ministro a votar, foi totalmente a favor. "Dignidade humana é a noção de que todos, sem exceção, têm direito a uma igual consideração", afirmou em seu voto.

De acordo com ele, a Constituição "estabelece, de forma cristalina, o objetivo de promover a justiça social e a igualdade de tratamento entre os cidadãos".

O ministro Gilmar Mendes, sétimo a votar, também fez ressalvas.

Mendes afirmou que existe "uma série de questões e divergências" e que seu voto não entraria no mérito dos "desdobramentos" deste reconhecimento.

O ministro afirmou que seu voto se limita a reconhecer a existência legal da união homoafetiva por aplicação analógica do texto constitucional. "Pretender regular isso é exacerbar demais nossa vocação de legisladores positivos, com sério risco de descarrilarmos, produzindo lacunas".

Em discurso breve, a ministra Ellen Gracie também votou integralmente a favor da equiparação.

Ela afirmou que a evolução do direito que cabe aos homossexuais teve início há muito tempo, "já no código napoleônico, que descriminalizou a prática homossexual, até então considerada um delito".

"Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes", afirmou.

O oitavo voto a favor foi do ministro Marco Aurélio. "As garantias de liberdade religiosa e do Estado laico impedem que concepções morais religiosas guiem o tratamento estatal dispensado a direitos fundamentais, tais como o direito à dignidade da pessoa humana, o direito à autodeterminação, à privacidade e o direito à liberdade de orientação sexual", afirmou.

"Se o reconhecimento da entidade familiar depende apenas da opção livre e responsável de constituição de vida comum para promover a dignidade dos partícipes, regida pelo afeto existente entre eles, então não parece haver dúvida de que a Constituição Federal de 1988 permite seja a união homoafetiva admitida como tal", disse o ministro durante o voto.

O ministro Celso de Mello deu o nono voto favorável. "Toda pessoa tem o direito de constituir família, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero. Não pode um estado democrático de direito conviver com o estabelecimento entre pessoas e cidadãos com base em sua sexualidade. É inconstitucional excluir essas pessoas", afirmou.

Mello também lembrou que não se pode confundir questões jurídicas com questões de caráter moral ou religioso porque o Brasil é um país laico.

"A República é laica e, portanto, embora respeite todas as religiões, não se pode confundir questões jurídicas com questões de caráter moral ou religioso", disse.

O último voto foi do presidente do STF. Para Peluso, o julgamento é um "marco histórico, um ponto de partida para novas conquistas".

Eram necessários seis votos favoráveis para o reconhecimento da união estável para casais homossexuais.

HISTÓRICO

Esta é a primeira vez que o STF avalia se a união entre pessoas do mesmo sexo pode ser enquadrada no regime jurídico de união estável e analisa se a união homoafetiva pode ser considerada como entidade familiar.

Duas ações estão em pauta. A primeira, ajuizada em fevereiro de 2008, é do governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Ele pede que o Código Civil e que o Estatuto dos Servidores Civis do Estado não façam qualquer discriminação entre casais heterossexuais e homossexuais no que diz respeito ao reconhecimento legal da união estável. A ação afirma que posicionamentos discriminatórios se chocam com princípios constitucionais como o direito à igualdade e à liberdade e o princípio da dignidade da pessoa humana.

A ação também alega que a situação atual, com sentenças conflitantes no Estado e em todo o país, contraria o princípio constitucional da segurança jurídica. O governador afirma ter interesse na ação porque no Estado existe grande número de servidores que são parte em uniões homoafetivas estáveis.

"Diante disso, colocam-se para o governador e para a administração pública questões relevantes relativas às normas sobre licenças por motivo de doença de pessoa da família ou para acompanhamento de cônjuge, bem como sobre previdência e assistência social", diz a ação. O governador também afirma que, como há numerosos casais homossexuais no Rio, se vê na obrigação de pleitear o direito de parcela dos cidadãos do Estado.

A outra ação em análise, da Procuradoria-Geral da República, foi ajuizada em julho de 2009. O pedido é semelhante: que o STF declare obrigatório o reconhecimento, no Brasil, da união de pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Também pede que os mesmos direitos dos casais heterossexuais sejam estendidos aos casais homossexuais.

O processo, de 322 páginas, tramitava sob responsabilidade da ministra Ellen Gracie até março deste ano, quando foi redistribuído para Ayres Britto por tratar de tema semelhante ao que já estava sendo analisado pelo ministro. FOLHA

Obama visita Marco Zero quatro dias após morte de Bin Laden

Quatro dias após a morte do terrorista Osama bin Laden, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontrou com bombeiros e policiais de Nova York e visitou o Marco Zero, onde ficavam as Torres Gêmeas destruídas nos atentados de 11 de Setembro.


Quase dez anos após o pior ataque da história americana, Obama fez sua primeira visita como presidente ao local para dizer a todos que os EUA não se esqueceram das vítimas.

Ele visitou o posto de bombeiros Engine 54, em Midtown Manhattan, que perdeu 15 membros nos ataques. em seguida, foi ao Marco Zero em Lower Manhattan para colocar uma coroa de flores e se encontrar com familiares das vítimas.


Obama cumprimentou os bombeiros e disse: "Eu apenas queria vir aqui e dizer obrigado. Este é um local simbólico de extraordinário sacrifício que foi feito naquele dia terrível quase dez anos trás".

O presidente, que teve um salto de 11 pontos em sua popularidade desde a morte de Bin Laden, disse que a morte do líder da Al Qaeda "enviou uma mensagem ao redor do mundo, mas também aqui em casam de que quando dizemos que nunca esqueceremos, nós realmente não esquecemos".

Obama cumprimentou ainda policiais e familiares das vítimas que estavam no Marco Zero, onde quase 3.000 pessoas morreram quando aviões sequestrados pela Al Qaeda destruíram as Torres Gêmeas, atingiram o Pentágono e um campo na Pensilvânia.

Depois de falar aos bombeiros, em imagens registradas pela Casa Branca e divulgadas posteriormente, Obama preferiu não conceder discursos públicos.


VOTOS

A Casa Branca assegurou que não se trata de um ato para cantar vitória e sim uma forma de homenagem às vítimas dos ataques que desencadearam a controvertida guerra global dos Estados Unidos contra o terrorismo.

O porta-voz da Casa Branca, Jim Carney, disse que a morte de Bin Laden foi "um momento de catarse significativo para o povo americano" e que Obama quer prestar homenagem 'ao espírito de unidade que todos sentimos depois daquele terrível ataque'.

A popularidade de Obama aumentou 11 pontos após a operação americana na qual Bin Laden foi abatido, segundo uma pesquisa da rede CBS e do jornal "The New York Times" publicada nesta quarta-feira.



A pesquisa foi realizada com 532 pessoas e registrou que 57% dos americanos aprovam o trabalho de Obama, contra 46% do início de abril.

Obama registrou assim seus melhores resultados em matéria de luta contra o terrorismo: 72% dos entrevistados disseram concordar com sua atuação neste tema, enquanto 61% aprovaram sua gestão da situação no Afeganistão, uma alta de 17 pontos em relação a janeiro.

Mas a Casa Branca parece decidida a evitar uma imagem de triunfalismo excessivo ou ceder à tentação de explorar os fatos com fins eleitorais.

Obama convidou inclusive seu predecessor George W. Bush, muito criticado por sua "guerra ao terror", parar participar na cerimônia no Marco Zero. Apesar de Bush não ter aceito o convite, a Casa Branca conseguiu deixar clara sua mensagem.

"É um momento de unidade para os americanos e um momento para recordar da unidade que existiu neste país depois dos ataques de 11 de setembro", concluiu Carney. FOLHA

Dalai lama diz que morte de Bin Laden foi ato justificado

O dalai lama, ex-líder político do Tibete, disse nesta quarta-feira durante uma conferência na Universidade do Sul da Califórnia (USC) que a morte de Osama bin Laden no Paquistão foi uma ação justificada, informa o jornal "Los Angeles Times".

"Como ser humano, Bin Laden pode ter merecido compaixão e inclusive o perdão por seus atos", explicou o líder espiritual tibetano em resposta a uma pergunta sobre a morte de Osama.

"Perdoar não significa esquecer o que aconteceu. Caso se trate de algo sério e for necessário tomar medidas, deve-se então tomar estas medidas", afirmou.

O dalai lama, de 75 anos, iniciou nesta quarta uma visita de quatro dias ao sul da Califórnia.

A viagem precisou ser adiada depois que o líder espiritual ficou doente durante passagem pelo Japão, o que o obrigou a cancelar aparições em Long Beach e na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

O ex-líder tibetano, que chegou a colocar um boné da equipe de beisebol da USC durante a conferência, falou para cerca de 3.000 estudantes em sua primeira visita aos EUA desde que anunciou, em março, sua intenção de ceder o poder político do Tibete a um líder "livremente eleito".

Durante a conferência, chamada "Éticas seculares, valores humanos e sociedade", o dalai lama falou sobre assuntos como a consciência dos animais, a força da sociedade multicultural indiana e a natureza da felicidade, segundo o jornal.

O 14º dalai lama, Tenzin Gyatso, que vive exilado na Índia desde 1959, receberá hoje um prêmio da Anistia Internacional em Long Beach e discursará na Universidade de Irvine. EFE/FOLHA

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