Os investidores encerraram semana ainda desanimados com a economia mundial, usando alguns números frescos da economia chinesa como "gatilho" para uma onda de vendas que partiu dos mercados europeus e se estendeu pelas Bolsas americanas e a brasileira Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
A Bolsa, que vinha de duas semanas de valorização, desabou 2,55% nesta jornada semanal, enquanto o dólar subiu 1,3% no mesmo período.
No dia, o índice Ibovespa caiu 1,22% no fechamento e recuou para um de seus menores níveis de preços (62.697 pontos) do ano. Mais uma vez, o giro de negócios (R$ 4,95 bilhões) foi fraco, abaixo da média do mês passado (aproximadamente R$ 6 bilhões/dia).
Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuou 1,42%. Na Europa, as perdas foram de 1,25% em Paris, 1,54% em Londres e 1,89% em Frankfurt.
"O mercado está com grandes dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação mundial. A economia dos EUA fraquejou bastante, na Europa o imbróglio dos países periféricos continua, e a China mostra uma desaceleração do crescimento, ainda que moderada. Quer dizer, tudo isso coloca um grande ponto de interrogação para o segundo semestre", comenta Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos.
O dólar comercial foi negociado por R$ 1,597, em alta de 0,50%, após oscilar entre R$ 1,601 e R$ 1,585 neste expediente.
O IBGE apontou que as vendas do setor varejista tiveram o primeiro recuo (0,2%), em abril, após 11 meses consecutivos de crescimento. Em relação a abril de 2010, as vendas do comércio tiveram crescimento de 10%.
O mercado reagiu mal à novidades do front asiático: o governo chinês divulgou que as importações cresceram 28,4% (base anual) enquanto as exportações, 19,4%, no mês de maio, também em termos anualizados. Chamou a atenção dos analistas a forte desaceleração vista nas vendas externas, que no mês anterior haviam apresentado um incremento de quase 30%.
Mas outros analistas preferiram ressaltar a crise europeia: e apontam que o titular do BCE, Jean-Claude Trichet, ao reafirmar-se contra uma possível reestruturação da dívida grega, já está indo contra a opinião de uma parcela do mercado que acredita ser esse "evento de crédito" algo inevitável.
Internamente, o IBGE revelou dois indicadores que apontam para uma economia menos aquecida: as vendas do setor varejista caíram 0,2% em abril, quebrando uma sequência de 11 meses consecutivos de alta; e a ligeira queda de 0,1% do nível de emprego industrial, no mesmo mês.
FOLHA














