sábado, 18 de junho de 2011

Mais de 800 pessoas participam de marcha para reivindicar igualdade de gênero

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Mais de 800 pessoas participaram hoje (18) de um protesto pelos direitos das mulheres. Chamado de Marcha das Vadias, o movimento reivindica que as mulheres possam se vestir e agir como quiserem, sem serem reprimidas por sua sexualidade.
De acordo com a antropóloga Julia Zambini, uma das organizadoras da marcha, o movimento é feito por feministas que buscam a igualdade de gênero. “Ser chamada de vadia é uma condição machista. Os homens dizem que a gente é vadia quando dizemos 'sim' para eles e também quando dizemos 'não'”, afirmou. “A gente é vadia porque a gente é livre”, destacou.
Com megafones, as manifestantes gritavam palavras de ordem chamando a atenção das pessoas nas ruas com frases como “Quem manda no meu corpo sou eu” e “Cuidado, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista”.
Muitas delas usaram o próprio corpo como cartaz ao escrever frases como “Respeito é sexy” e “Sou livre”.
A jornalista Sal Ferreira foi à marcha com um vestido vermelho curto e disse que participava do protesto para mostrar que as mulheres têm o direito de serem livres. “Reivindicar a liberdade nunca é demais e a liberdade de se vestir como se quer é fundamental em qualquer sociedade e cultura. Sou o que eu quiser. Eu sou livre”.
O movimento mundial pelos direitos das mulheres surgiu no Canadá em abril deste ano e ficou conhecido como Slut Walk. O protesto foi organizado depois de um policial canadense ter dito que os diversos casos de violência sexual na Universidade de Toronto ocorriam porque as mulheres se vestiam como “vagabundas” - slut, em inglês. Desde então, protestos têm ocorrido em todas as partes do mundo, sempre com a presença de mulheres vestidas de forma provocante, com roupas curtas, biquinis ou calcinhas e sutiãs.
No Brasil, a marcha também chama atenção para o número de estupros ocorridos no país. Por ano, segundo a organização do evento, cerca de 15 mil mulheres são estupradas. Em Brasília, somente nos primeiros cinco meses do ano, foram 283 casos registrados: média de dois por dia.
A Marcha das Vadias já ocorreu em São Paulo e em Recife. Em Brasília, o grupo caminhou do shopping Conjunto Nacional, zona central da cidade, até a Torre de TV, onde se juntou a outro protesto: a Marcha da Liberdade.
Edição: Lílian Beraldo
AGÊNCIA BRASIL

Custo Brasil não deixa PIB dobrar

SÃO PAULO - O Brasil poderia mais que dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, dos atuais US$ 10 mil para US$ 21,6 mil, e atingir níveis de países como Coreia do Sul e Portugal, se reduzisse as ineficiências que tiram a competitividade do País, aponta estudo da LCA Consultores.
"Falta de infraestrutura e complexidade do sistema tributário, que exige 2.600 horas por ano das empresas só para pagar impostos, dividem o primeiro lugar no pódio dos principais obstáculos para ampliar a competitividade", diz o economista responsável pelo estudo, Bráulio Borges.
Para chegar a essa conclusão, Borges identificou, com base em análises estatísticas, quais são os fatores cruciais para o deslanche da competitividade e constatou seis pontos fracos que pesam no PIB per capita.
Além da conhecida falta de infraestrutura, estão nesse rol o tempo gasto pelas empresas para pagar impostos, a carga tributária sobre o lucro das companhias, o tempo para fazer valer o cumprimento dos contratos, o custo para exportar e o tempo para lidar com licenças em geral.
O economista explica que, para calcular o PIB per capita "perdido" pelo Brasil, levou em conta informações disponíveis do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e do Fórum Econômico Mundial para um grupo de 131 países. 
Concluiu que, se o Brasil tivesse indicadores para esses seis quesitos equivalentes à media desse grupo de países, conseguiria agregar US$ 11,6 mil ao PIB per capita anual.
Tempo. As 2.600 horas por ano que as empresas brasileiras gastam para cumprir o rito da burocracia no pagamento de impostos faz do País o campeão mundial nesse quesito, ante uma média 284 horas para esse grupo de 131 países. Essa ineficiência reduz em US$ 8,1 mil o PIB per capita do Brasil em relação à média dos 131 países, destaca Borges.
Apesar de não ter essa ineficiência traduzida em números, as empresas sentem na prática o impacto da burocracia. A fabricante de autopeças Bosch, por exemplo, tem dois departamentos só para isso, conta a gerente de tributos da empresa, Sheila Pieroni. No departamento tributário, 11 funcionários acompanham diariamente com lupa as mudanças na legislação nos 27 Estados brasileiros para adequar o sistema de recolhimento de impostos da companhia às mudanças.
"Sendo bem otimista, saem dez novas legislações por dia nas quais são alteradas as formas de tributação do produto", conta a advogada. Ela diz que o trabalho aumentou depois da implantação da substituição tributária, sistema que atribui aos fabricantes a responsabilidade pelo pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido pelo seu cliente. "Antes acompanhávamos a legislação de três Estados, onde estavam localizadas as fábricas".
Além do departamento tributário, a empresa tem um departamento fiscal. É uma equipe de quase 50 pessoas encarregadas de apurar os tributos. Sheila conta que uma mesma informação - por exemplo, o valor recolhido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - é remetida à Receita Federal de quatro formas diferentes: eletronicamente, por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped); em papel, que é a nota fiscal; na Declaração de Tributos Federais, que é mensal e na declaração de Imposto de Renda, anual.
O excesso de burocracia pesa também no Grupo Orsa, um dos gigantes do setor de embalagens de papelão. Sergio Amoroso, presidente do grupo, diz que tem pelo menos 30 pessoas nas áreas contábil, de controladoria e jurídica só para cuidar da burocracia. "Poderia ter meia dúzia de pessoas se fosse outro país. É gente que é paga para cumprir o custo burocrático do Estado ineficiente", afirma.
O empresário cita como exemplo de ineficiência o fato de a sua empresa ter de manter um hospital, o serviço de bombeiros, de abastecimento de água e de coleta de lixo em Monte Dourado, distrito de Almeirim, no norte do Pará, na divisa com o Amapá, onde a companhia tem uma fábrica de celulose.
Licenças. Outro ponto que impacta negativamente a competitividade do País é o tempo para lidar com licenças em geral. De acordo com o estudo, são 411 dias no Brasil, ante 210 dias, que é a média dos 131 países.
"Há licenças no Brasil que são absurdas", diz Amoroso. Para ilustrar a afirmação, ele conta o caso do linhão que vai levar energia elétrica da usina de Tucuruí, no Pará, até Macapá, no Amapá. Segundo o empresário, a empresa que ganhou a licitação conseguiu a licença do Ibama para fazer a limpeza da área. Agora é preciso outra licença para transportar a madeira. "Olha o absurdo: falta uma licença de algo que já está autorizado".
Profissionais que lidam diretamente com a questão das licenças ambientais admitem que um "cipoal" de exigências e a falta de definição de áreas de competências entre os organismos públicos atrasam as liberações. Mas eles ponderam que grande parte dos estudos ambientais não tem a atualidade necessária para atender aos projetos, na maioria das vezes complexos.
ESTADÃO

EUA admitem apenas "ampla faixa de contatos" no Afeganistão

O governo americano não negou nem confirmou diretamente neste sábado a declaração do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, de que os Estados Unidos já estão negociando diretamente com o grupo islâmico radical Taleban no país.

Uma porta-voz do Departamento de Estado americano Megan Mattson admitiu apenas uma "ampla faixa de contatos" para apoiar os esforços de reconciliação no país.

"Apoiamos numerosas vezes o processo afegão de reconciliação. Atualmente, mantemos vários contatos em todo o Afeganistão, de vários níveis, para sustentar este esforço", disse, sem mais detalhes.

Outro porta-voz Mark Toner reiterou que os EUA "consistentemente apoiaram um processo de paz liderado pelo Afeganistão".

"Nos últimos dois anos, nós explicamos nossas condições para o Taleban: eles precisam renunciar à violência; eles precisam abandonar sua aliança com a Al Qaeda; e eles precisam seguir a Constituição do Afeganistão", disse Toner.

"Este é o preço para alcançar uma resolução política e encerrar as ações militares que têm como alvo sua liderança", disse.

NEGOCIAÇÃO

Mais cedo, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, foi o primeiro dirigente de alto nível a confirmar oficialmente as conversações diretas entre Washington e os rebeldes afegãos, depois de um confronto de quase dez anos.

"As conversações se desenvolvem bem", declarou Karzai durante conferência em Cabul.

Os talebans foram afastados do poder no final de 2001 por uma coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos, mas uma sangrenta rebelião ganhou terreno nos últimos anos.

As negociações de paz, segundo Karzai, estariam sendo realizadas por oficiais militares estrangeiros, principalmente americanos, mas ele não entrou em detalhes sobre a natureza dos diálogos.

O governo de Barack Obama já falou algumas vezes de negociar com a ala mais moderada do Taleban, em busca de uma solução para a guerra que se arrasta há dez anos - e cada vez mais parece não ter uma solução militar. As negociações, contudo, nunca foram confirmadas.

A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, instou os talibãs, no começo do ano, a se afastarem da Al Qaeda, renunciando à violência e aceitando a Constituição, para que possam se reconciliar com a sociedade.

No início deste mês, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse que diálogos políticos poderiam ser realizados com os talibãs até o fim do ano.

A revista americana "The New Yorker" já divulgara em fevereiro passado a existência dessas negociações. No final de maio, a revista alemã "Spiegel" chegou a afirmar que o diálogo direto começou no outono de 2010, e citou três sessões de negociações - a última rodada teria acontecido na Alemanha.

Especialistas alertam, contudo, que o diálogo é ainda "balbuciante" e cheio de obstáculos e não deve ser visto com muito otimismo.

Dirigentes ocidentais em Cabul insistem em afirmar que as tentativas de negociar com os talibãs estão em estágio inicial, embora haja um esforço para abrir um canal de comunicação com os líderes dos insurgentes.

Karzai estabeleceu ano passado um Alto Comissariado para a Paz, do qual participam personalidades afegãs, numa tentativa de estabelecer negociações com os talibãs, em troca da deposição de armas e da aceitação da Constituição.

FOLHA

Polícia apreende 660 kg de maconha no interior de São Paulo

Cerca de 660 kg de maconha escondidos em um caminhão foram apreendidos na cidade de Panorama (672 km de SP), na última sexta-feira (17).

Segundo a polícia, o carregamento foi encontrado depois de uma ligação de um advogado, que pedia os documentos necessários para liberar um caminhão Mercedes-Benz 912, que estava apreendido desde o dia 17 de maio.

Durante vistoria no caminhão, os policiais perceberam o rompimento do toldo que revestia a carroceria do veículo. Na estrutura, foi encontrado um fundo falso onde vários tijolos de maconha estavam embalados em papel laminado.

Ao todo, foram encontrados 650 tijolos de maconha no caminhão. A polícia ainda não tem informações sobre o dono da carga e do caminhão.

FOLHA

Morre Marcio Araujo, irmão de Mauricio de Sousa

O irmão do cartunista Mauricio de Sousa, Marcio Araujo de Sousa, 65, morreu na madrugada deste sábado em São Paulo.

O roteirista e músico morreu em decorrência de um câncer e seu velório acontecerá neste sábado na Funeral Home, Rua São Carlos do Pinhal, 376, até as 15h30.

Ele trabalhava com o irmão e foi responsável por desenhar alguns dos personagens da Turma da Mônica, como Bugu e Louco.

Araújo também ajudou Maurício de Souza com os roteiros dos Gibis e inspirou o personagem Rolo.

O roteirista também era o o responsável pelo estúdio de som da Mauricio de Sousa Produções e compunha músicas para os personagens da Turma da Mônica.

Araújo nasceu em São Paulo e tinha quatro filhos.

FOLHA

Bombeiro é suspeito de estuprar cliente em boate na Daslu

Um bombeiro civil foi preso suspeito de ter estuprado uma estudante dentro da boate Kiss and Fly, localizada no complexo da loja de luxo Daslu, na zona sul de São Paulo. O caso ocorreu na madrugada deste sábado.

Segundo depoimento da estudante à polícia, ela estava com a irmã na boate. Embriagada, foi levada para um ambulatório para ser atendida, enquanto a irmã foi pagar a conta.

No local, a estudante, de 20 anos, foi atendida por um bombeiro, de 32 anos. Ela disse que chegou a vomitar e foi levada ao banheiro para se lavar. No local, foi violentada pelo bombeiro.

Ela disse ter contado do estupro para a irmã, que acionou a Polícia Militar por volta das 5h.

Levado ao 15º DP (Itaim Bibi), o bombeiro disse que a estudante insistiu e consentiu em ter relações sexuais.

Ela passou por exames que comprovaram que ela estava embriagada e que detectaram sêmen em seu corpo.

O delegado responsável pelo caso indiciou o bombeiro sob suspeita de estupro de vulnerável, quando a vítima não é capaz de se defender.

OUTRO LADO

Procurada, a Kiss and Fly disse que "vai apurar com rigor o ocorrido e assumirá todas as responsabilidades por eventuais constatações e irregularidades na conduta do profissional, que em princípio se trata de um bom profissional com todos os predicados. E a empresa cooperará com todos os trabalhos policiais, sendo totalmente solidária à vitima e aos seus familiares".

A boate, cuja matriz fica em Nova York, foi inaugurada em maio do ano passado. Seus ingressos, com consumação, custam R$ 90 (mulher) e R$ 250 (homem).

FOLHA

FAB suspende buscas após acidente com helicóptero na Bahia

A Força Aérea Brasileira suspendeu por volta das 17h20 deste sábado as buscas por três ocupantes de um helicóptero que caiu na noite de sexta-feira (17) próximo à praia de Itapororoca, no distrito de Caraíva (a 776 km de Salvador), na Bahia. Quatro pessoas morreram.

De acordo com a Aeronáutica, as buscas serão retomadas com o nascer do sol deste domingo, por volta das 5h50.

A Polícia Civil baiana confirmou a morte de Fernanda Kfuri, 35, das crianças Luca Kfuri de Magalhães Lins, 3, Gabriel Kfuri Gouveia, 2, e da babá das crianças, Norma Batista de Assunção, 49.

Fernanda ainda foi resgatada com vida na praia e foi levada ao Hospital Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, em estado gravíssimo. Ela morreu na madrugada deste sábado.

As três pessoas desaparecidas são: Mariana Noleto, namorada do filho do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ); o empresário Marcelo Almeida, que pilotava o helicóptero; e Jordana Kfuri, irmã de Fernanda e mãe de Luca. Ela é mulher do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, a quem pertencia a aeronave.

De acordo coma a Aeronáutica, o helicóptero - modelo Esquilo, prefixo PR-OMO - levantou voo do aeroporto de Porto Seguro por volta das 18h40, rumo a um resort no distrito de Trancoso.

O voo até o Jacumã Ocean Resort deveria levar 10 minutos, mas o helicóptero não chegou ao destino. A última visualização por radar da aeronave ocorreu às 18h57, quando ela estava distante 23 km do aeroporto, em direção ao mar.

Segundo a Capitania dos Portos, havia chuva e neblina no momento do momento voo.

Corpos e destroços foram encontrados próximos à praia de Ponta da Itapororoca. As buscas começaram por volta das 19h de sexta, quando a Capitania dos Portos foi alertada do desaparecimento da aeronave. Mergulhadores vasculhavam, na manhã de hoje, uma área a 500 metros da praia.

As buscas aéreas coordenadas pelo Salvaero (Serviço de Salvamento Aéreo) de Recife estão concentradas na área da última visualização do helicóptero. Um helicóptero Super Puma voou percorreu hoje, por mais de três horas, uma área de 350 km2.

Além da Aeronáutica, 20 homens do Corpo de Bombeiros e 10 policiais militares baianos trabalham nas buscas. Uma aeronave do Grupamento Aéreo da Polícia Militar também auxilia nos trabalhos.

A Polícia Técnica foi mobilizado para perícia. Dez profissionais, entre peritos médicos, criminais, técnicos e odontolegais, além de auxiliares de necropsia, estão de plantão.

O filho do governador do Rio, Marco Antônio Cabral, não estava no helicóptero. Ele decidiu tomar o voo seguinte porque a aeronave estava lotada.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ligou para Cabral na noite de sexta-feira. "Neste momento de dor, toda minha solidariedade àqueles que perderam seus familiares e ao governador Sérgio Cabral. Tudo que podemos fazer para minimizar seu sofrimento está sendo feito", disse Wagner.

FOLHA




A ineficácia da prisão no Brasil

Ali Mazloum - O Estado de S.Paulo
Começam a pulular acerbas críticas à nova sistemática de prisão cautelar (em flagrante e preventiva). A partir do dia 4 de julho, data da entrada em vigor da Lei nº 12.403/2011, o processo criminal poderá mudar a cara do Judiciário. Avaliações preliminares indicam que cerca de 100 mil presos serão imediatamente postos em liberdade.
Para alguns, a lei tornará inviável a decretação da prisão preventiva, permitindo que autores de delitos graves permaneçam soltos durante o processo. Além disso - o que já não é pouco -, praguejam contra as inovadoras medidas cautelares, que despontam como alternativas ao cárcere antes da condenação definitiva. O Estado - argumentam esses críticos - não terá condições de fiscalizá-las. Enfim, proclama-se a coroação da impunidade no Brasil!
Os dotes da nova lei, porém, não podem ficar obnubilados pelo pessimismo incauto. As mudanças são boas e vêm de encontro ao degradante e crescente "populismo judicial", que fez da fama ou fortuna do acusado requisito de prisão cautelar. É alvissareira a lei. Obrigará o juiz a estudar autos de flagrante e decidir, desde logo, pelo relaxamento da prisão, quando ilegal; pela conversão do flagrante em prisão preventiva, na hipótese de ineficácia da medida cautelar; ou, pela concessão da liberdade provisória, com ou sem fiança.
O conteúdo misto das normas estabelecidas pela lei acarretará a aplicação imediata dos dispositivos de natureza processual, sem prejuízo dos atos anteriores, ao mesmo tempo que retroagirá quanto aos normativos penais benéficos. Portanto, com a vigência das novas regras, juízes e tribunais deverão imediatamente chamar à conclusão todos os feitos envolvendo prisão provisória para a indeclinável confrontação com o nascituro modelo.
Perceba-se a sutileza da mudança: os presos que deixarão imediatamente o cárcere, ao contrário do que pregam os antagonistas da lei, são justamente os que nele não deveriam estar. Rompe-se com o modelo perverso pelo qual novatos aprendem com veteranos do crime.
Por outro lado, a nova sistemática confere ao Estado maior controle sobre o agente. Se entre a liberdade e a prisão nada mais havia, doravante o juiz terá à sua disposição nada menos que nove medidas cautelares de alto impacto pessoal e social. Perceba-se: as medidas cautelares funcionarão como uma espécie de "período de prova preventivo" durante o processo. O descumprimento de obrigações impostas renderá ensejo ao decreto prisional.
A sociedade poderá ficar mais tranquila sabendo que um possível culpado, solto, estará sendo monitorado durante o processo, ao mesmo tempo que um presumido inocente não será levado à prisão injustificadamente. Esse é o paradigma constitucional. Desde 1988, nossa Carta Política impõe ao Estado que ninguém seja levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade (inciso LXVI do artigo 5.º). A prisão é a ultima ratio.
Enfatize-se, por conseguinte, que a lei não acaba com a prisão preventiva, como apregoam os mais afoitos. Será ela de três tipos: inicial, derivada e substitutiva. Inicial quando decretada durante a investigação ou o processo, derivada se resultar da conversão do flagrante e substitutiva em lugar de medidas cautelares descumpridas pelo agente.
Os pressupostos, como antecedente indispensável à aplicação da medida extrema, passam a ser de três ordens cumulativas: prova da existência do crime, indícios sérios de autoria (artigo 312, in fine) e ineficácia - inadequação ou insuficiência - das medidas cautelares (artigo 282, parágrafos 4.º e 6.º, c.c. artigo 312, parágrafo único). Os requisitos da prisão preventiva, como exigência de validade do ato, continuam os mesmos (artigo 312, primeira parte) e são alternativos: garantir a ordem pública ou econômica, assegurar a aplicação da lei penal, ou necessidade da instrução criminal.
Presentes as citadas hipóteses, alguma das seguintes condições haverá de estar presente, alternativamente: prática de crime doloso punido com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos; ou prática de crime doloso punido com pena privativa de liberdade, tendo o agente condenação definitiva anterior por crime doloso; ou para garantir a execução de medida protetiva aplicada em crimes envolvendo violência doméstica e/ou familiar; ou, por último, em face de dúvida séria e fundada sobre a identidade civil do autor do crime, que se recusa a solvê-la.
Em situações excepcionais, a prisão preventiva poderá ser substituída pela prisão domiciliar. E questões humanitárias, que vão muito além do clamor da turba e seus desejos de vingança, justificam esse abrandamento. Será a hipótese do agente maior de 80 anos ou extremamente debilitado por motivo de doença grave. Também a gestante a partir do sétimo mês de gravidez, ou sendo esta de alto risco, poderá ser beneficiada com a medida. Caberá ao juiz deferir a prisão domiciliar diante de prova idônea dos requisitos legais.
A liberdade, com ou sem fiança, repita-se, é a regra. O instituto da fiança ganha status de medida cautelar e prestigia sobremaneira a vítima, que nela poderá buscar a reparação dos danos sofridos. O valor da fiança é expressivo e alcançará, em algumas situações, a considerável cifra de R$ 106 milhões. A prudência, as circunstâncias do fato e as condições do agente nortearão a sua fixação.
A Lei n.º 12.403/2011 constitui, sem dúvida alguma, avanço e importante instrumento de justiça. Caberá ao Poder Judiciário traçar estratégias e aplicá-la com vontade e criatividade, para dela extrair o máximo de efetividade. A nova lei, enfim, poderá mudar a cara e a imagem da Justiça Criminal, que ainda deve à sociedade presença mais marcante com o fito de desestimular a crescente criminalidade e acabar com o sentimento de impunidade que grassa no País.
JUIZ FEDERAL EM SÃO PAULO
É PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL
ESTADÃO 

Filho do governador escapa de queda de helicóptero

Porto Seguro (BA) - Mariana Noleto, namorada de Marco Antônio Cabral, filho do governador Sérgio Cabral Filho, morreu, na noite desta sexta-feira, na queda de um helicóptero na região de Porto Seguro, na Bahia. Marco Antônio viajaria em seguida. Seu pai teria embarcado em um voo anterior. A aeronave que caiu deixou Porto Seguro em direção ao condomínio de luxo Jacumã Ocean Resort, em Trancoso, e desapareceu às 18h40.
No helicóptero havia sete pessoas. Só Fernanda, 35 anos, sobreviveu mas está em estado grave no Hospital Luis Eduardo Magalhães, em Porto Seguro. Até o final da noite de sexta-feira, dois corpos haviam sido resgatados.
As outras vítimas são Jordana Kfuri Cavendish, seu filho Lucas, e outra criança. A babá de Lucas e o piloto, o empresário Marcelo Almeida, sócio do resort, também morreram. A sobrevivente é irmã de Jordana. Mariana teria sido resgatada com vida, mas não resistiu. 

VOO SEGUINTE

Fernando Cavendish, marido de Jordana, e Marco Antônio não embarcaram pois não havia lugar: seriam várias viagens para levar todos os convidados. Eles iriam na seguinte, quando o helicóptero retornasse. A aeronave levava o grupo de amigos para passar o fim de semana no condomínio, que tem praia particular.
As condições do tempo eram ruins. Chovia muito e havia muita neblina. Há dois anos, na mesma rota, um bimotor caiu em Trancoso e matou 14 pessoas, entre elas o empresário Roger Wright e três gerações de sua família.
O DIA ONLINE

Helicóptero com namorada de filho de Cabral cai e mata 4 na Bahia

Em entrevista ao "GloboNews", o tenente-coronel Braga Neto confirmou a morte de quatro dos sete passageiros que estavam no helicóptero que caiu na noite desta sexta-feira próximo à praia de Itapororoca, no distrito de Caraíva (a 776 km de Salavador).

Segundo Braga, o Corpo de Bombeiros e agentes da Marinha continuam a busca pelas três pessoas desaparecidas, entre elas, Mariana, namorada de Marco Antônio, um dos filhos do governador do Rio, Sérgio Cabral.

O acidente aconteceu por volta das 20h de sexta-feira, quando o helicóptero que transportava sete pessoas caiu a 300 metros da praia. De acordo com os bombeiros, foram encontrados os corpos de uma senhora e duas crianças próximo ao local do acidente.

Uma mulher de 37 anos foi encontrada ainda com vida e encaminhada para o hospital Luís Eduardo Magalhães, mas morreu nesta manhã segundo Braga.

"Acredito que não haverá dificuldades para localizar os passageiros que continuam desaparecidos a menos que os corpos tenham sido deslocados por conta da força do mar", disse Braga. O local do acidente foi próximo à praia e já há uma equipe de mergulhadores no local.

Segundo a assessoria do governo fluminense, o governador Sérgio Cabral viajou ontem à noite para a cidade baiana assim que recebeu a informação sobre o acidente.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...