domingo, 17 de julho de 2011

Quatro guerrilheiros das Farc morrem em bombardeio

Quatro membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) morreram num bombardeio feito a dois acampamentos da guerrilha colombiana, localizados a 30 quilômetros da fronteira com a Venezuela, informou neste domingo (17) o ministro de defesa, Rodrigo Rivera, que destacou a colaboração do país vizinho.

No bombardeio também ficaram feridos mais dois jovens guerrilheiros.

"Temos conseguido desmantelar esses dois redutos onde eram produzidos explosivos, armas não convencionais para promover o terror em toda a zona oriental do país", disse Rivera aos jornalistas na cidade de Arauca, capital do departamento (província) fronteiriço de mesmo nome.

Rivera acrescentou que a localização dos dois acampamentos das Farc é "a demonstração de que o estamos fechando o cerco, e que a política de normalização e fortalecimento [das relações] entre os dois países está dando resultado".

"É uma demonstração de que toda a nossa Força Pública está exercendo controle na fronteira com a Venezuela, fechando o cerco contra essas estruturas que pretendem usar a fronteira como uma espécie de refúgio", afirmou.

De acordo com o informe do ministro, nos dois acampamentos descobertos, escondidos na selva, foram encontradas uma tonelada de explosivos, 300 granadas de morteiro e minas terrestres.

As Farc são a principal guerrilha do país, com 47 anos de luta armada contra o Estado e atualmente contam com cerca de 8.000 combatentes segundo o Ministério de Defesa, apesar da estimativa de uma ONG contabilizar 10 mil.

FOLHA

Homem é preso com fuzil e 50 kg de cocaína em Cotia

Um homem que mantinha cerca de 50 kg de cocaína e um fuzil em sua casa foi preso neste sábado (16) em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, o suspeito foi preso após uma denúncia anônima.

O suspeito foi abordado quando chegava em casa, por volta das 6h da manhã, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública). Apesar de não carregar nada de ilícito consigo, os policiais insistiram em revistar sua casa.

Dentro da casa eles encontraram dois pacotes que ao todo pesavam mais de 50 kg. Segundo a polícia, a perícia confirmou que eles estavam preenchidos com cocaína. O fuzil foi encontrado dentro de seu guarda-roupas. O suspeito foi preso em flagrante.

O caso foi registrado na DP de Cotia como porte de drogas e arma de fogo de uso restrito.

FOLHA

Morre a atriz britânica Googie Withers

A atriz britânica Googie Withers, que atuou em "A Dama Oculta" (The Lady Vanishes, 1938), dirigido por Alfred Hitchcock, morreu na sexta-feira na cidade australiana de Sydney aos 94 anos, indicou neste domingo seu amigo e produtor teatral John Frost.

Nascida em Karachi, Georgette Lizette Withers adotou o apelido dado por sua babá, Googie (pomba em hindi) e estreou no cinema aos 12 anos.

Googie Withers e seu marido, o ator australiano John McCallum, morto no ano passado, foram viver na Austrália nos anos 1950. Nesse país, ela continuou atuando em televisão, teatro e cinema.

Entre os mais de sessenta filmes de sua carreira, ao longo de seis décadas, está também "Foragidos da noite" (Night and the City, 1950), de Jules Dassin. Sua última atuação foi em "Shine - Brilhante" (1996).

FOLHA

Novo "Harry Potter" tem o maior fim de semana de estreia da história

O filme "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" bateu recorde de melhor estreia da história do cinema neste fim de semana após arrecadar US$ 475,6 milhões nas bilheterias do mundo todo.

Somente na América do Norte, o filme já arrecadou cerca de US$ 168,8 milhões.

A maior bilheteria até então era do filme "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", que havia arrecadado US$ 394 milhões.

FOLHA

Idosa de 68 anos é presa suspeita de roubar passageiros em ônibus

Rio - Uma simpática idosa, falante e sempre precisando de amparo por causa dos problemas de hipertensão e diabetes. Alzira Viana, de 68 anos, de São João de Meriti, na Baixada, parecia uma dessas amáveis velhinhas, acima de qualquer suspeita, até ser presa sábado, pela quinta vez, por policiais do 21º BPM (Meriti). Ela é suspeita de comandar uma gangue especializada em furtar passageiros em ônibus na região. 

Alzira foi reconhecida por uma vítima, de quem havia acabado de furtar R$ 1,6 mil, no interior de um ônibus da Viação Beira Mar, que trafegava pelo bairro Venda Velha. Ao chegar à 54ª DP (Belford Roxo), onde o caso foi registrado, para a surpresa dos policiais, foi constatado que a acusada já tinha outras quatro passagens pela polícia, sendo duas, inclusive, por assalto a mão armada.



PROCURADOS POR VÍTIMA


“Ficamos perplexos, pois no início chegamos a achar até que a senhorinha é quem era a vítima”, comentou o soldado Luiz Moura. Segundo ele, o batalhão já havia recebido denúncias de uma idosa que furtava usuários após simular problemas de saúde.Por volta de 15h de sábado, o soldado e o cabo André Rocha foram abordados por Ivan Eduardo Flor, 51 anos, na Rua João Sendas. Ele contou que tinha ajudado a socorrer uma idosa, que alegou ter se sentido mal dentro do ônibus da linha 141 (Meriti-Duque de Caxias), e que ao descer do ônibus, percebeu que tinha sido furtado.Os PMs perseguiram o veículo e prenderam Alzira assim que ela desceu próximo a uma padaria. Ela ainda alegou que havia achado o dinheiro na rua, mas a quantia e a embalagem eram exatamente as descritas por Ivan.Comparsas investigados


Além de duas anotações por assalto a mão armada, Alzira já havia sido presa duas vezes por furto. Depois de autuada em flagrante, ela pagou fiança de R$ 600 e vai resonder pelo crime em liberdade.A Polícia Civil agora apura denúncias de que a acusada contava com a ajuda de comparsas para escolher suas vítimas, inclusive em ‘saidinhas’ de banco.

O DIA ONLINE

Brasil perde gols e pênaltis e cai nas quartas da Copa América

Mesmo fazendo a sua melhor partida sob o comando de Mano Menezes, dominando o jogo o tempo todo, criando, mas falhando muito na hora de finalizar, o Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa América pelo Paraguai, nos pênaltis, depois de desperdiçar todas as suas quatro cobranças - duas delas, de André Santos e Elano, perdidas de forma pífia.


Mano, em seu primeiro mata-mata dirigindo a seleção brasileira, sucumbiu, e falhou no que era a meta proposta pela CBF, de pelo menos chegar até a semifinal da Copa América. Agora, o time vai viver de amistosos por dois anos, até a Copa das Confederações, a última competição oficial antes da Copa do Mundo de 2014.

O Paraguai, que se limitou a jogar na defesa à espera de um erro brasileiro, agora espera o vencedor de Chile x Venezuela, que se enfrentam ainda nesta noite.

A Copa América foi marcada até aqui pelo equilíbrio, que vem sendo tamanho a ponto de todas as partidas das quartas de final precisarem de mais do que os 90 minutos para serem decididas.

O Brasil tomou conta do jogo no primeiro tempo, a não ser pelos primeiros minutos, quando os paraguaios ensaiaram uma pressão na saída de bola. Depois disso, só deu seleção brasileira.

Jogando bastante pelas laterais, o time foi empurrando o Paraguai para o seu campo de defesa. E isso foi traduzido pela quantidade de arremates a gol. Enquanto o Brasil chutou cinco vezes na meta defendida por Villar, o Paraguai acertou um mísero chute no gol brasileiro.

Mas, apesar da superioridade na primeira etapa, o time apresentava um defeito recorrente: faltava alguém para cadenciar a partida e dar aquele passe que resulta em gol. O responsável pela função de articular a equipe, Paulo Henrique Ganso, sempre tinha em seu encalço um volante paraguaio.

Quando se viu livre, produziu uma das três ótimas oportunidades que a equipe teve para abrir o placar. A zaga do Paraguai saiu jogando mal. Ganso enfiou para Robinho, que, sem confiança, rolou para Neymar, mas o camisa 11 chutou mal, para fora.

Depois disso, o Brasil teve mais duas ótimas chances para marcar seu tento. Na primeira, André Santos cruzou e Lúcio, livre, de carrinho, quase marcou, mas o goleiro Justo Villar defendeu. Sete minutos mais tarde, André Santos invadiu a área, mas chutou mal. Pato esperava livre no meio para só empurrar a bola.

Na volta do intervalo, o Brasil deu impressão de que o bom futebol da primeira etapa seguiria. E viu até uma bola chutada por Neymar ser salva quase em cima da linha pela zaga paraguaia. Mas o time começou a ceder espaços para o Paraguai.

Mesmo assim, foi o Brasil quem teve pelo menos mais três chances para anotar. Só que Justo Villar salvou o Paraguai, em dois chutes de Pato - um à queima roupa -, e Barreto evitou o gol em cabeçada de Fred, que entrou no lugar de Neymar, em cima da linha, já no fim do tempo normal. Era mais uma prorrogação na Copa América.

No tempo extra, o Paraguai começou melhor. Mas não houve oportunidade clara de gol. Digno de nota, somente a confusão no gramado que resultou nas expulsões de Lucas Leiva e Alcaraz. Além da substituição de Ganso por Lucas. Depois de sacar Neymar, Mano tirou Ganso, apagado.

E ainda deu tempo de o Brasil sofrer um grande susto, quando Haedo Valdez, aos 13min do segundo tempo da prorrogação, acertou lindo chute de primeira sem chance para Júlio César, que só olhou a bola sair à sua direita.

Era a segunda decisão por pênaltis seguidas na Copa América. A dificuldade em fazer gol também permaneceu nas penalidades. Elano, Barreto e Thiago Silva perderam as primeiras cobranças. Somente na quarta tentativa, Estigarribia marcou para o time guaraní. Na sequência, André Santos, bisonhamente, perdeu mais um para o Brasil. Riveros marcou e coube a Fred a última esperança, que desperdiçou.

O time de Mano foi eliminado sem marcar um gol nas penalidades.

FOLHA

Dois exemplos de fracasso na escola


POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE
Duas cidades - Ijuí (RS) e Dourados (MS) - foram palco de recentes presepadas que até o diabo duvida e nem Deus perdoa. Seus moradores não mereciam a vergonha pela qual passaram. Por sorte, conheço ambas, habitadas por gente fina, cordial e hospitaleira. De um lado, Ijuí que tem 80 mil habitantes, um museu antropológico decente, uma boa universidade - UNIJUI, e um diário – o Jornal da Manhã. De outro, Dourados com 200 mil habitantes, uma universidade federal – a UFGD, e um jornal - O Progresso.
O Jornal da Manhã exibe legítimo orgulho por seu filho ilustre, o futebolista brasileiro Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga. Já O Progresso tem motivos de sobra para enaltecer a cantora Vera Capilé, que nasceu em Dourados numa família de seresteiros, com quem aprendeu a tocar piano, acordeom, viola de cocho, bruaca, pandeiro, adufo, ganzá e o que mais se apresentar.
Os dois jornais, no entanto, por ignorância ou interesse, se envergonham de fatos históricos dos quais deviam se orgulhar. O Jornal da Manhã não quer assumir, por exemplo, em suas páginas coloridas, que a região foi, durante séculos, compartilhada por Guarani, Kaingang e Charrúa, senhores do território banhado por um rio, cujo nome dado pelos índios -  Ijuhy -  significa, em língua guarani, rio de águas claras.
Quando se refere ao município como “terra das culturas diversificadas”, o Jornal da Manhã menciona apenas os colonizadores europeus, deixando de fora os africanos trazidos como escravos pelos espanhóis e portugueses. Registra, com justificada alegria, a chegada posterior de alemães, italianos, poloneses, austríacos, holandeses, suecos, russos, franceses, lituanos, ucranianos e árabes, mas omite, surpreeendemente, os índios que deram o nome à cidade, ou os trata apenas como “coisa de um passado remoto”.

A charge do Getúlio


Acontece que os índios de Ijuí, embora expulsos de grande parte de seu território, não são peças do passado, estão cada dia mais vivos. A prova é o Coral Infantil Guarani Mbya da aldeia Koenju de São Miguel das Missões, que no final de maio cantou suas músicas no aniversário de 50 anos do Museu de Antropologia, quando houve também o lançamento do filme Bicicletas de Nhanderu, dirigido por dois índios – Patrícia e Ariel, do grupo Vídeo nas Aldeias. Da mesma forma, os velhos sábios Kaingang apresentaram seus mitos através do Grupo de Canto Kanhgág Kanhró, da Comunidade de Serrinha.

Não é essa, porém, a imagem dos índios - produtores de cultura e de saberes – que foi projetada pelo Jornal da Manhã, o diário de maior circulação no noroeste do Rio Grande do Sul, em cuja página editorial pontifica Getúlio, autor de uma charge publicada na terça-feira, dia 19/04/2011. Uma vergonha cometida no Dia do Índio, comemorado em plena Semana da Páscoa.
Nesse dia, a charge “O Coelhinho na Rodoviária” mostra um ônibus chegando na Estação de Ijuí. Na porta dianteira aberta, um coelho com um enorme ovo de páscoa, olha o cenário: índios bêbados caídos na sarjeta, índias maltrapilhas vendendo artesanato, com suas crianças deitadas num chão imundo, no meio do lixo. Getúlio, então, diz através da boca do coelho, que tapa o nariz: “Esse mau cheiro não é de chocolate!”.  Morri de vergonha quando vi o desenho, que me foi mostrado por uma universitária Kaingang, indignada, em recente visita a São Leopoldo.
Nessa época do ano, famílias indígenas costumam vir à cidade “não somente para trocas econômicas, mas para trocas interculturais” como escreveu Dulci Matti, no boletim Kema do Museu Antropológico. É verdade que elas costumam pernoitar na rodoviária ou acampam em terrenos baldios da cidade, em barracas de lona preta, sem qualquer infraestrutura. Por isso mesmo, Dulci Matti defende que as diversas instituições de Ijuí devem se articular para “garantir atenção e benefício aos índios, que também são filhos desta terra”.
Não é o que pensa o chargista, cuja mensagem reforça o preconceito contra os índios, tratados como “preguiçosos e fedorentos”. Getúlio é um exemplo vivo do fracasso da escola, uma fábrica de ignorantes, que não lhe ensinou quem são os índios. Ele certamente não deve ter visto as exposições do Museu Antropológico Diretor Pestana, com um acervo de quase 30.000 peças, inclusive de 134 sitios arqueológicos da região do Vale dos Sinos, nem participou das palestras, informando sobre a contribuição das culturas indígenas para a riqueza cultural e a formação histórica de Ijui.
Créu no réu


Outro exemplo do fracasso da escola é o advogado criminalista Isaac Duarte Barros, que escreve no jornal O Progresso, de Dourados, onde vomitou suas fantasias holywoodianas da década de 1940. Ele publicou um artigo em dezembro de 2008, intitulado “Índios e o retrocesso”, assegurando que os índios “se assenhoram das terras como  verdadeiros vândalos, cobrando nelas os pedágios e matando passantes assim como faziam os ladrões assaltantes, emboscados nas estradas do passado”. 


Defendeu que os povos indigenas estão condenados a desaparecer, uma vez que “a civilização indígena não deu certo” e por isso “foi conquistada pela inteligência dos brancos”.


O coordenador regional do CIMI, Egon Heck, considerou o artigo do advogado como “afirmação de racismo explícito, de intencionalidade etnocida e genocida”, considerando que é na região de Dourados onde vive a maior população indígena do Estado e onde morrem mais índios por assassinato ou suicídio. Os povos Terena, Kaiowá e Guarani foram escorraçados de grande parte de suas terras, batizadas com nomes indigenas: Maracaju, Ponta Porã, Nioaque, Guaçu, Macaúba, Panambi, Itaum, Itaporã.
No período colonial, bandeirantes portugueses e colonos espanhóis andaram escravizando os índios. Depois da Guerra do Paraguai, em 1870, começou a nova onda migratória. Chegaram os paulistas e os gaúchos, fugindo da revolução federalista. Vieram sírios, libaneses, japoneses, paraguaios e toda essa mistura é o que caracteriza o povo de Dourados.
O que foi que Isaac aprendeu, desaprendeu ou não aprendeu no Curso de Direito que fez? No caso dele, o procurador da República Marco Antonio de Almeida, depois de receber denúncia dos índios, entrou com ação, processando-o. Ele foi condenado nessa semana pela Justiça Federal de Dourados a dois anos de reclusão pelo crime de preconceito contra os índios, numa decisão inédita em Mato Grosso do Sul.  A sentença foi trocada por serviço prestado a alguma entidade.
É pouco. A sociedade brasileira, institucionalmente, devia fazer com Isaac aquilo que a Norma está fazendo com o Léo na novela “Insensato Coração”: fazê-lo pedir perdão aos índios pelo crime cometido. E isto porque o advogado do advogado, André Borges Neto, escolhido pela OAB-MS para defender Isaac, recorreu ao Tribunal Regional Federal, argumentando que “não houve crime, o que houve foi o exercício prático de liberdade de expressão”. A OAB local teve o desplante de publicar nota considerando a sentença “injusta e arbitrária”.
Ou seja, se defende o direito que tem o criminalista Isaac para chamar os índios de “bugrada”, de “malandros e vadios”. O Procurador da República Marco Antonio declarou que Isaac de Barros teve oportunidade de se retratar, mas não o fez. Por isso, além dessa ação criminal, corre uma ação cível em que o Ministério Público pede indenização equivalente a um salário mínimo por cada indígena habitante no Estado de Mato Grosso do Sul.
De repente, pode ser altamente educativo para o país se Isaac continuar recorrendo até o STF, só para acompanharmos sua condenação final, com o voto do ministro Ayres Brito, que seguramente dará um creu no réu. Será educativo para as escolas brasileiras acompanharem esse processo, considerando a Lei 11.645 de 2008, que torna obrigatória a temática indígena em sala de aula. Quem sabe, assim, a gente consegue evitar a vergonha e o vexame causados pelos Getúlios e Isaaques da vida.
O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).
BLOG DA AMAZÔNIA/POR ALTINO MACHADO
TERRA MAGAZINE

A boa notícia da China

A China, maior parceira comercial do Brasil e principal mercado para as matérias-primas brasileiras, continua em rápida expansão econômica - uma boa notícia para o resto do mundo, especialmente quando se agravam os problemas na Europa e nos Estados Unidos. O banco central chinês aumentou os juros cinco vezes, desde o ano passado, para conter o crescimento e derrubar a inflação. Mas essa política parece ter afetado pouco a atividade até agora. Quem temia um pouso forçado pode ficar tranquilo pelo menos por algum tempo. O ajuste da segunda maior economia do mundo, se ocorrer, será bem gradual, segundo as indicações disponíveis por enquanto.
No segundo trimestre, o PIB da China foi 9,5% maior que o de um ano antes. No primeiro trimestre, o valor produzido havia ficado 9,7% acima do registrado entre janeiro e março de 2010. Mas talvez seja cedo para se falar de uma desaceleração. Entre o primeiro e o segundo trimestres houve um crescimento de 2,2%. Projetado para um ano, esse número corresponde a uma expansão de 9,1%. Nos três meses imediatamente anteriores o crescimento havia sido equivalente a um ritmo anual de 8,7%. A economia está mesmo perdendo impulso?
Em junho, a produção industrial foi 15,1% maior que a de um ano antes. Em maio, havia sido 13,3% superior à do mesmo mês de 2010. No mês passado, as vendas no varejo ficaram 17,7% acima das de junho do ano anterior. Também o consumo, portanto, continua aumentando rapidamente. É fácil entender a inflação de 6,4% nos últimos 12 meses. Segundo os otimistas, esse deve ter sido o pico. Se estiverem errados, o governo talvez logo tenha de usar um freio mais forte. Conter a inflação é hoje o objetivo prioritário das autoridades.
A economia chinesa aquecida é o principal fator de sustentação dos preços no mercado mundial de produtos agrícolas e de outras matérias-primas. Isso é um fator de segurança para o Brasil. O déficit brasileiro na conta corrente do balanço de pagamentos pode chegar a US$ 60 bilhões neste ano e a US$ 70 bilhões no próximo, segundo projeção do mercado financeiro.
A conta corrente é formada por três componentes - a balança comercial de mercadorias, a balança de serviços (onde se incluem viagens, fretes, seguros, juros, royalties e assistência técnica) e a conta de transferências unilaterais (onde se destaca o dinheiro remetido pelos trabalhadores no exterior).
O resultado geral da conta corrente seria muito pior sem o superávit comercial garantido principalmente pelas exportações de produtos básicos e semimanufaturados. Esse desempenho vem sendo garantido pelos bons preços das commodities, sustentados pela China e por outros emergentes ainda prósperos.
No ano passado, o Brasil exportou à China mercadorias no valor de US$ 30,8 bilhões. Essa receita foi 46% maior que a de um ano antes e correspondeu a 15,2% do total faturado pelos exportadores brasileiros. Os Estados Unidos foram o segundo país mais importante para as exportações brasileiras e absorveram produtos no valor de US$ 19,5 bilhões. As vendas para o mercado americano aumentaram 9,6% num ano, apesar do baixo nível de atividade nos EUA. Mas o saldo comercial dependeu principalmente das compras chinesas.
A China continua liderando as compras de produtos brasileiros. No primeiro semestre, as vendas para o mercado chinês proporcionaram receita de US$ 20 bilhões, 47,6% maior, pela média diária, que a dos primeiros seis meses de 2010. Também as vendas para os EUA aumentaram. A variação chegou a 29,4% e o valor alcançou US$ 11,7 bilhões. Mas as perspectivas imediatas da economia americana, assim como as da europeia, são muito incertas. No caso dos Estados Unidos, o principal fator de inquietação, neste momento, é a negociação política do ajuste orçamentário. Se a oposição impuser sua vontade, o resultado poderá ser uma nova fase de estagnação, com efeitos danosos para toda a economia mundial. Daí a importância de um ajuste suave na China. O mundo não pode dispensar a prosperidade chinesa. 
ESTADÃO

O risco dos bancos europeus

Qualquer abalo mais sério nas economias europeias mais endividadas porá em grave risco pelo menos 24 bancos - 8 reprovados no teste de estresse divulgado na sexta-feira e 16 aprovados por margem muito estreita. O risco de uma nova quebradeira bancária é um dos terrores dos governos da Europa, já forçados, a partir de 2008, a assumir o controle de várias instituições quando estourou a bolha da especulação imobiliária. O pesadelo voltou quando países da chamada periferia do euro - Grécia, Irlanda e Portugal - chegaram perto de um calote da dívida pública. Os temores aumentaram na semana passada, quando uma crise no governo italiano chamou a atenção para o grave desequilíbrio fiscal do país, sobrecarregado por uma dívida pública próxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB). As preocupações em relação à Itália, terceira maior economia da zona do euro, atenuaram-se nos últimos dias. Mas o cenário geral continuou sombrio, por causa da insegurança europeia e também do impasse em torno da dívida federal americana, praticamente encostada no teto de US$ 14,3 trilhões.
Os governos deverão pressionar os 24 bancos europeus - tanto os reprovados quanto os aprovados com pouquíssima folga - para reforçar sua base de capital e ganhar resistência para enfrentar qualquer novo choque. Considerado suave por alguns críticos, o teste mostrou uma situação pouco melhor que a prevista nos dias anteriores, quando as apostas giravam em torno de 20 reprovações. Mas o cenário divulgado pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla corrente em inglês) está longe de ser tranquilizador. Afinal, foram encontrados problemas em mais de um quarto das 91 instituições analisadas.
Na situação atual, a transmissão de risco financeiro pode ocorrer em mais de uma direção - dos Tesouros para os bancos, dos bancos para os Tesouros e também entre os bancos, porque estes dependem uns dos outros no dia a dia. Mais do que nunca, a vigilância das condições de resistência das várias instituições tem importância vital para o sistema bancário e para o conjunto da economia.
Cinco bancos da Espanha, dois da Grécia e um da Áustria foram reprovados e terão de levantar, em conjunto, cerca de 2,5 bilhões para chegar à normalidade, segundo a EBA. Mas os outros 16 também precisarão reforçar seu capital para operar com um grau razoável de segurança. Esse grupo inclui sete espanhóis, dois alemães, dois gregos, dois portugueses, um cipriota, um italiano e um esloveno.
Da parte dos endividados, a melhor notícia veio da Itália, com aprovação, pelo Parlamento, de um plano de ajuste fiscal de 40 bilhões. O objetivo é deixar o orçamento em ordem até 2014. A dívida italiana é alta há muito tempo, mas seus prazos têm sido tradicionalmente confortáveis. O déficit fiscal supera 4% do PIB e está acima do limite do bloco, mas outros Tesouros europeus estão em condições piores. Houve um evidente exagero nas especulações dos últimos dias, mas, no quadro atual, nenhum país é imune a pressões desse tipo. Não há zona segura.
Na Europa, o maior desafio, neste momento, é acalmar os mercados em relação à Grécia e dar às autoridades gregas alguma folga para respirar e pôr em prática as medidas corretivas aprovadas há poucos dias pelo Parlamento. O primeiro pacote de ajuda, aprovado em 2010, está-se esgotando. Um segundo será necessário, mas há desacordo sobre detalhes importantes.
Os governos alemão e francês propõem uma operação de socorro com participação de bancos. Isso envolveria, na linguagem do mercado, um calote seletivo. Dirigentes do FMI e do Banco Central Europeu rejeitam esse caminho e defendem uma ajuda ao Tesouro grego para recomprar uma parte da dívida. Como os títulos estão muito desvalorizados, seria possível, em tese, recomprar papéis com um bom desconto. Enquanto esse debate prossegue, do outro lado do Atlântico o Executivo americano discute com a oposição as condições para uma elevação do teto da dívida. Sem uma rápida solução, um calote poderá ocorrer em agosto. É uma hipótese que assusta, e a maior parte dos observadores aposta numa solução de última hora. 
ESTADÃO

Hackers querem ensinar governo a abrir seus dados na internet

Na semana em que o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, anunciou que a Polícia Federal está prestes a divulgar suas conclusões sobre a invasão aos sites de governo ocorrida há duas semanas, um grupo de hackers organizados lançou um manual que contraria a lógica de segurança e ensina os governos a abrirem seus dados na internet.
A comunidade Transparência Hacker, em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil e o W3C (consórcio de empresas que trabalham na padronização de dados na internet) estimula instâncias governamentais, por meio do Manual dos dados abertos: governo, a disponibilizar suas informações na rede.
A ideia do documento, destacada logo na introdução, "é explicar como aproveitar o potencial de informações oficiais para permitir a existência de novos serviços de informação, melhorando a vida dos cidadãos e fazendo com que governo e sociedade trabalhem juntos e melhor".
As sugestões dos hackers são similares a itens previstos pela Lei de Acesso à Informação, travada há anos no Congresso, mas não diz respeito a dados sigilosos, e sim a uma espécie de "lado B" da lei, que trata da divulgação e padronização de dados que deveriam ser públicos, mas não são.
"Obviamente sou contra o sigilo eterno de documentos. Isso fala muito sobre que tipo de democracia nós somos. Mas essa lei não fala só do passado, mas também do presente e do futuro. A gente não pode criar barreiras a um projeto de lei por causa dos documentos secretos. É um atraso democrático sem tamanho ele não ter passado", afirma a ciberativista Daniela Silva, membro da Transparência Hacker.
Segundo os hackers, os governos podem criar valores a partir da liberação de dados, porque isso estimularia transparência, controle democrático, participação popular, melhores produtos e serviços privados e mais eficiência de serviços públicos.
Ações. Um dos objetivos do manual é mostrar aos governos que a sociedade pode desenvolver ferramentas de internet úteis para o cotidiano das pessoas.
Recentemente, Maurício Maia, um dos membros da comunidade hacker criou o projeto Alagamentos SP, com índices sobre os alagamentos na cidade. Para isso, teve de hackear o site do Centro de Gerenciamento de Emergências da capital, porque o site não disponibiliza as informações de forma adequada. Não permite visualizar, por exemplo, qual a via campeã de alagamentos. No aplicativo desenvolvido, esse cruzamento é possível.
O próximo projeto de Maia é elaborar um sistema que permita que as informações sobre os alagamentos sejam retransmitidas em tempo real por uma conta de Twitter ou por SMS.
Ricardo Poppi, outro hacker, desenvolveu um site chamado Xerifes do DF, que cruzou informações do Tribunal Superior Eleitoral para mostrar a votação de cada deputado em cada uma das zonas eleitorais do Distrito Federal. A visualização mostra os "currais eleitorais" de cada parlamentar.
Nos dois casos, os desenvolvedores passaram dias hackeando sites públicos para conseguir as informações, que já são públicas, mas poderiam estar disponíveis de outras formas. O manual também ensina - como prega o projeto de Lei de Acesso à Informação - que os dados devem ser entregues em estado bruto e em textos e planilhas. Os hackers querem combater alguns formatos considerados inadequados para a divulgação de informações públicas.
"A extensão PDF, por exemplo, é uma praga", afirma Daniela. "Em um programa tipo Word ou Excel você pode manipular as informações, copiar, colar, exportar o gráfico, você hierarquiza. O PDF é quando você pega uma planilha e tira um foto. Nada daquilo mais é dado. Aquilo vira imagem. É muito bom de ver e muito ruim de usar".
PARA LEMBRAR
No mês passado, o grupo Lulz Security Brazil invadiu os sites da Presidência da República, da Receita Federal e do Portal Brasil e outros órgãos públicos. Chegaram a publicar supostos dados pessoais da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O motivo seria um protesto contra a corrupção. 
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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