terça-feira, 19 de julho de 2011

José Sarney anuncia que deixará a política em 2014

O presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), disse ontem que não concorrerá novamente a cargos eletivos depois de concluir o atual mandato, que vai até 2014.

A declaração de Sarney, que completou 81 anos em 2011, foi feita durante o evento de lançamento do livro "Sarney, a Biografia" - da jornalista Regina Echeverria -, realizado num shopping de São Luís (MA).

A filha do ex-presidente e atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, 58, disse à Folha que o pai já vinha manifestando a intenção de concluir a carreira política em razão da idade.

"Não foi uma declaração intempestiva, apenas perguntaram e ele respondeu. Ele quer se dedicar mais à literatura. Já está muito dividido, mas é um político nato, faz parte da história do país", disse Roseana.

FAMÍLIA

Segundo a governadora, Sarney quer "encerrar enquanto está bem de saúde" e quer mais "paz para conviver com a família" depois de ter "prestado um serviço à nação", relatou.

Roseana também afirmou ontem que não concorrerá mais a mandatos tanto para o Executivo como para o Legislativo. Ela já havia afirmado em outros momentos que deixaria a política após concluir o atual mandato.

Ela reclamou da falta de reconhecimento em relação à sua carreira política: "Vou fazer o melhor governo da minha vida e vou ficar também de assistente. Cansei de não me reconhecerem. Sempre sou filha de alguém, ou então é a tal oligarquia [do Sarney no Maranhão]".

FOLHA

Após protesto, CNN retira termo 'pequeno' para o Corinthians

A revolta da torcida corintiana deu resultado e a rede americana CNN apagou de uma reportagem publicada nesta segunda-feira, em seu site oficial, a palavra "pequeno" para se referir ao clube do Parque São Jorge.

Os alvinegros chegaram a lotar a caixa de comentários da página, além de emplacar a hasthtag #corinthiansbiggerthancnn (Corinthians maior que a CNN) entre os assuntos mais comentados do Twitter mundial.

No artigo, o jornalista Fareed Zakaria questionava se haveria perigo de a economia brasileira superaquecer. Em dado momento, citou o interesse do Corinthians em contratar o atacante argentino Carlitos Tevez, do Manchester City, da Inglaterra.

O texto exaltava as qualidades do atleta, que é classificado como um dos artilheiros mais letais do mundo e que possui um alto salário. Em seguida, referiu-se com espanto ao interesse corintiano.

"Você se surpreenderia em saber quem está tentando contratar Tevez. Não são xeques ou oligarcas, mas um pequeno clube de São Paulo - Corinthians. Eles estão oferecendo U$ 55 milhões para comprar um astro do futebol. E isso é apenas a taxa para a transferência", dizia. Nesta terça, porém, o termo "pequeno" foi retirado do ar.

Depois, o artigo afirmava que, independentemente do desfecho da negociação entre Corinthians e Manchester City, a proposta é um sinal de força do crescimento do Brasil.

No final, lembrou que no Brasil serão realizadas a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíadas em 2016.

"Então, fiquem de olho no Brasil. Estará no centro das atenções do mundo em três anos quando a Copa do Mundo masculina de futebol chegará à casa espiritual do esporte no Brasil. 

Depois, mais uma vez, quando um real carnaval está sendo planejado para a Olimpíada de 2016 no Rio, vamos só esperar que a festa [da economia] continue forte nesse momento", encerrou o locutor.

CONTRA-GOLPE

Agora, por outro lado, os rivais estão aproveitando o "deslize" da CNN e já emplacaram as hasthtags #Small Club Corinthians Paulista e #tolimabiggerthancorinthians entre os assuntos mais comentados, neste momento, no Twitter brasileiro.

FOLHA

Planejamento para Olimpíada será complexo, diz Mano

Após o primeiro revés em competição oficial com a seleção, o técnico Mano Menezes começa agora a pensar na Olimpíada de Londres, no próximo ano.

A medalha de ouro olímpica é o único título que o Brasil ainda não conquistou no futebol. 

Argentina e Uruguai, os maiores rivais brasileiros na América do Sul, têm duas cada um.

A tendência é que Mano aumente, nos próximos amistosos, a presença de jogadores com "idade olímpica" nas convocações.

Nos Jogos, o futebol é disputado por seleções sub-23, com a presença de até três atletas acima dessa idade.

Na Copa América, Mano levou cinco jogadores com "idade olímpica": Neymar, Ganso, Pato, Lucas e Sandro (cortado por lesão).

No próximo amistoso da seleção, contra a Alemanha, em agosto, esse número deve ser um pouco maior.

O primeiro teste do "time olímpico" deverá ocorrer em setembro. O Brasil terá dois confrontos com a Argentina, um em cada país, sem a presença de atletas que jogam na Europa.

"O planejamento para a Olimpíada vai ser bem complexo", disse Mano ontem, ainda na Argentina. "Sabemos que os Jogos não fazem parte do calendário da Fifa, e deve haver consentimento dos clubes da Europa".

FOLHA

Servidora de tribunal ganha direito de trabalhar da Espanha

Uma servidora do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região conseguiu o direito de trabalhar à distância na Espanha por dois anos.

Cristiane Meireles Ortiz, 32, é analista judiciária na sede do TRF, em Porto Alegre e, a partir desta semana, irá trabalhar em Madri. O marido, delegado da Polícia Federal, foi destacado para missão na Europa.

Pela internet, ela receberá ordens da juíza para quem trabalha, Maria Lúcia Luz Leiria.

A iniciativa foi da própria juíza, que diz que não poderia ficar sem uma servidora e que há meios para que ela trabalhe à distância. O pedido foi aceito pelo conselho que administra o tribunal. O órgão considera que há "uma mudança de referenciais no ambiente profissional" e que deveria acompanhar "os novos tempos".

A analista judiciária é responsável por ajudar a juíza a fazer relatórios e pesquisas para fundamentar suas decisões.

Despesas como internet serão pagas pela própria funcionária.

Normas internas não permitiriam contratar um substituto por dois anos ou realocar outro servidor, diz o tribunal.

A servidora tinha direito a tirar licença não remunerada. Um analista judiciário do TRF ganha a partir de R$ 6.550 ao mês. A Folha não conseguiu localizar a servidora na segunda-feira (18).

FOLHA

Serviços e comércio foram os setores que mais demitiram, diz IBGE

Em junho, dois setores diretamente ligados ao consumo demitiram mais do que contrataram trabalhadores: comércio e outros serviços (turismo, hotéis, restaurantes, transportes e outros).

No comércio, a queda foi de 1,7% - ou menos 173 mil trabalhadores ocupados em relação a maio. Já em outros serviços, houve retração de 1,2% (-46 mil pessoas).

Para Cimar Azeredo Pereira, gerente do IBGE, esses ramos respondem rapidamente ao consumo e a retração pode ter sido "um primeiro sinal de que a queda do emprego pode estar relacionada" às medidas do governo para segurar a economia (juros mais altos e mecanismos de restrição do crédito).

É preciso, porém, aguardar outros resultados da pesquisa de emprego para confirmar tal tendência.

De maio para junho, a indústria (com destaque para São Paulo) sustentou o emprego, com alta de 0,8%, o que corresponde a um acréscimo de 79 mil vagas. Esse aumento, diz, é "esperado" nessa época do ano quando alguns setores contratam já para se preparar para a expansão da produção ao final do ano.

"Se esse crescimento não ocorresse agora, aí, sim, seria preocupante", afirmou Pereira.

RENDIMENTO

Outro fator vinculado ao consumo, o rendimento cresceu em junho na comparação com maio (0,5%) e 4% ante junho de 2010 na esteira da maior formalização do mercado de trabalho, segundo Pereira.

É que mais pessoas, diz, foram contratas com carteira assinada e com salários mais altos. Na comparação com junho de 2010, o emprego formal cresceu 6,2% - ou 634 mil pessoas.

FOLHA

Kroton conclui compra do Ceama por R$ 28,4 milhões

A Kroton, dona do sistema de ensino Pitágoras, concluiu hoje a compra do Ceama (Centro de Ensino Atenas Maranhense), anunciada em maio.

A companhia é dona da Fama (Faculdade Atenas Maranhense), localizada em São Luís e com filial no município de Imperatriz, no Maranhão. O negócio foi fechado por R$ 28,4 milhões e incluiu também o imóvel de propriedade da Ceama, com uma área total de 24,5 mil metros quadrados e uma área construída de 14 mil metros quadrados.

O montante foi deduzido do endividamento líquido da instituição, apurado em R$ 18,6 milhões.

Quando foi anunciada a compra, o valor do negócio era de R$ 31,6 milhões, mas foi reduzido após uma revisão da dívida líquida da Ceama, inicialmente estimada em R$ 15,4 milhões.

A Kroton manteve ainda a opção de compra de um terreno contíguo ao do Ceama, com área de 5,5 mil metros quadrados, pelo prazo de 24 meses.

FOLHA

Segunda em livrarias nos EUA, Borders será liquidada

A Borders, segunda maior rede de livrarias dos EUA, admitiu ontem que vai entrar em processo de liquidação.

A empresa adiou o leilão de falências marcado para hoje diante da falta de ofertas que poderiam salvar o negócio. As 399 lojas restantes - um terço do total de quando foi feito o pedido de falência - empregam quase 11 mil pessoas.

O pedido oficial da liquidação deve ser feito nesta quinta-feira. O processo poderia começar na sexta-feira, com previsão para o encerramento total das atividades já em setembro.

A liquidação vai ser coordenada pelas empresas Hilco Merchant Resources e Gordon Brothers Group, especializadas em vender ativos de companhias com dificuldades e reduzir as perdas de seus credores.

A Borders atribui a liquidação à dificuldade de competir com o mercado de livros digitais, acentuada pelo momento de prostração da economia americana.

A recuperação da empresa ficou mais distante depois do desentendimento com o fundo de investimento de Jahm Najafi, na semana passada.

Credores rejeitaram a proposta de Najafi, de US$ 215 milhões, temendo que o fundo comprasse a rede de livrarias para depois liquidá-la.

FOLHA

Igreja do século 18, fechada há 4 anos, corre risco de ruir em Minas Gerais

A igreja de Nossa Senhora da Conceição na cidade de Conceição do Mato Dentro (a 170 km de Belo Horizonte) está fechada há quatro anos e corre risco de ruir.

A dificuldade para a restauração e preservação desse patrimônio histórico do começo do século 18, tombado desde 1948 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), decorre do caos político na cidade. Conflitos e más gestões fizeram com que a cidade tivesse nesse período sete prefeitos, sendo seis em apenas um ano e meio.

Desde fevereiro, com a realização de eleição extemporânea, a situação se normalizou. Com isso, a prefeitura e o Legislativo conseguiram fazer ajustes em uma lei municipal, para que os recursos sejam liberados pela União.

Graziela Armelao, secretária de Cultura e Patrimônio da cidade, disse que Iphan e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) sempre tiveram "boa vontade" em resolver a questão, mas, por motivos legais, ficaram impedidos.

Agora, a Fundação Casa de Cultura já pode receber os recursos do BNDES.

A situação do imóvel é precária. Há dois meses, foi preciso remover uma torre. "Havia o risco de ela cair sobre alguém. Agora é preciso correr para que toda a igreja seja escorada, antes de começar o período das chuvas", disse a secretária.

Ela espera que até setembro cerca de R$ 6 milhões sejam liberados pelo BNDES para que as escoras sejam feitas e o restauro comece.

A construção da igreja começou em 1703, quando a imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou à cidade, e demorou mais de cem anos.

A capela-mor foi finalizada em 1722 e a sacristia, em 1746. O corpo da igreja e as torres, em 1802. E o relógio foi posto em 1818.

O Iphan, por meio de sua assessoria, informou que a igreja é uma prioridade do órgão em Minas e lamentou que a situação política local tenha impedido que o restauro já estivesse concluído.

FOLHA

Pai e filho são agredidos após serem confundidos com casal gay

Um homem de 42 anos e seu filho, 18, foram agredidos na madrugada da última sexta-feira em uma exposição na cidade de São João da Boa Vista (216 km de São Paulo). A agressão aconteceu após as vítimas, que estavam abraçadas, serem questionadas se eram gays.

Segundo a Polícia Civil, pai e filho foram abordados por por cerca de sete homens, que foram embora após as vítimas dizerem que não eram gays. O grupo, no entanto, retornou e iniciou a agressão contra os dois.

Durante o tumulto, um dos criminosos mordeu e decepou parte da orelha do pai. As duas vítimas foram encaminhadas para um hospital da região, onde receberam atendimento, e liberados em seguida. Os criminosos fugiram.

Um inquérito policial foi aberto para apurar o crime, mas nenhum suspeito tinha sido identificado até a manhã desta terça-feira. Uma equipe da polícia foi até a cidade de Vargem Grande do Sul (234 km de SP), onde moram as vítimas, para que elas sejam ouvidas novamente.

FOLHA

Denúncias derrubam mais três assessores do Ministério dos Transportes

Da Agência Brasil
Brasília – O Diário Oficial da União publica hoje (19) a exoneração de mais três assessores do Ministério dos Transportes: José Osmar Monte Rocha, Estevam Pedrosa e Darcy Michiles. Os três eram ligados ao ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento e ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), réu na ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal para apurar denúncias de irregularidades em um esquema de pagamento de propina que ficou conhecido como mensalão.
José Osmar Monte Rocha está envolvido no caso de um atestado que ajudou na contratação de uma empresa de fachada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), segundo reportagem publicada hoje (19) pelo jornal O Estado de São Paulo. Ele era assessor para assuntos administrativos do ministério.
Darcy Michiles é filiado ao PR e era secretário de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes e Estevam Pedrosa era um dos principais assessores do ex-ministro Alfredo Nascimento.
O contador Augusto César Carvalho Barbosa de Souza, que seria sabatinado no próximo dia 7 pela Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, teve sua indicação cancelada, em função das denúncias.
Edição: Nádia Franco
AGÊNCIA BRASIL

Ditadura do Executivo

Como durante boa parte do governo Lula, quando o tema da corrupção dominava o noticiário em surtos recorrentes, nos primeiros seis meses do governo Dilma Rousseff o assunto continuou na ordem do dia sob diferentes roupagens - do fabuloso enriquecimento do deputado Antonio Palocci, antes de se tornar o braço direito da presidente, aos escândalos que não cessam de jorrar no Ministério dos Transportes. Cada uma a seu modo, uma vez armada a tempestade, as denúncias traziam para as páginas políticas as dificuldades de Dilma para administrar a sua obesa base parlamentar da qual dependia ora para impedir a apuração exaustiva dos fatos (no episódio Palocci), ora para que não criasse caso com a varrição nos Transportes.
As demandas por verbas e cargos das 14 bancadas aliadas na Câmara, que o ex-ministro da Casa Civil foi acusado de represar, ao manter fechada a porta de seu gabinete aos respectivos líderes, saltaram como a tampa de um bueiro carioca quando ele caiu em desgraça, obrigando a presidente a exilar para a Pesca o então ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e a entregar a coordenação política do governo à senadora Ideli Salvatti. Tudo isso é verdade: corrupção e apaziguamento da maioria legislativa são problemas conexos em mais de um sentido. Mas não toda a verdade: o fato central nas relações entre o Planalto e o Congresso não é a dependência, mas a ditadura do primeiro sobre o segundo.
É da natureza do sistema político brasileiro que o Executivo disponha de instrumentos institucionais, além da clássica barganha, para que a sua agenda prevaleça na atividade legislativa. Para isso, o chefe do governo de coalizão conta, por exemplo, com o colégio de líderes de bancadas, no qual tem assento por meio do líder do governo em cada Casa, para amoldar aos seus interesses as pautas de votações. E tem a abusada prerrogativa de encharcar o Parlamento de pedidos de urgência e de medidas provisórias (MPs), cuja tramitação obedece a regras que, na prática, freiam iniciativas que o Planalto deseja manter no freezer.
Inovando na matéria, os homens do presidente Lula literalmente compraram a subordinação dos legisladores a seu talante: foi o mensalão. Mas nem assim seu governo conseguiu domar de forma tão completa a Câmara dos Deputados como o da presidente Dilma. Pela primeira vez na sua história, no regime democrático, os seus 513 integrantes não tiveram no período legislativo que terminou na última quinta-feira um único dia de votação livre de imposições do Executivo. Valendo-se com inusitada desenvoltura do amplo repertório de expedientes ao seu alcance, como a edição de MPs e o envio de projetos com o carimbo de urgência, o governo manteve sempre trancada a pauta de deliberações da Casa. Os deputados só votaram as matérias que Dilma queria - e não votaram nada que ela não quisesse.
Um exemplo dos procedimentos que tolhem a instituição legislativa foi o bloqueio do projeto de lei complementar que estabelece o patamar de gastos da União, Estados e municípios com saúde pública, regulamentando emenda à Constituição nesse sentido. O Planalto argumentou que, aprovada a proposta, os novos dispêndios do Executivo Federal no setor não teriam cobertura orçamentária. Mas não prevaleceu o poder de persuasão do governo junto à sua maioria na Câmara, cujos líderes insistiram em levar a matéria a votos. Ao que o governo retrucou com o estratagema de praxe: manteve a pauta bloqueada pelo projeto do Pronatec, sobre o ensino técnico, cujo caráter urgente lhe assegura precedência.
Na direção oposta, para aprovar a toque de caixa a anistia aos bombeiros que haviam se amotinado no Rio de Janeiro, como queria Dilma, o presidente da Casa, Marco Maia, do PT gaúcho, apelou para o que os políticos chamam "interpretação criativa" do regimento interno a fim de que a tramitação do projeto acabasse onde todos começam - na Comissão de Constituição e Justiça - sem precisar passar, depois, pelo plenário. "Nós nos frustramos", diz o líder do PSOL, Chico Alencar, "e a população fica frustrada conosco".
ESTADÃO

Novas medidas do Banco Central para reduzir prazo do crédito

O Banco Central (BC) modificou a Circular n.º 3.549 de 25 de novembro de 2007, relativa ao uso de cartões de crédito nas operações de crédito consignado. As modificações estão dentro do objetivo das autoridades de desestimular operações de compras com prazos longos.
A concessão de crédito consignado aumentou muito nos últimos meses, uma vez que oferece às instituições financeiras garantias importantes que permitem reduzir as taxas de juros por elas cobradas do tomador. Estima-se que o estoque total de operações desse tipo supere os R$ 100 bilhões.
O que menos se sabe é que uma parte dessas operações é realizada com o uso do cartão de crédito, especialmente no caso de aposentados e funcionários públicos (que apresentam a garantia suplementar do governo), num número reduzido de instituições financeiras, que procuram dar vantagem suplementar aos mutuários numa operação praticamente sem risco, com dupla garantia, a do governo e a do emissor do cartão.
Essa dupla garantia, para esse tipo de operações, não existe no caso dos assalariados do setor privado. Isso explica por que o estoque dessas operações com cartão de crédito não ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
Apesar disso, o Banco Central considerou que tinha de adotar medidas que restringissem o uso do cartão de crédito em operações consignadas, no quadro da sua estratégia macroprudencial. Até agora, o BC exigia que as operações desse tipo tivessem um pagamento mínimo de 15%. Agora, está extinguindo essa exigência, mas substituindo-a por outra, no caso de operações de mais de 36 meses: um maior capital para cobrir esse risco, com fator de ponderação de risco de 150% (que antes era de 100%), o que eleva de 11% para 16% o requerimento de capital, em obediência ao índice de Basileia.
Com essa exigência, os bancos terão de aumentar o custo da operação, espera-se, elevando os juros cobrados, reduzindo, assim, o número de pessoas interessadas em contratar esse crédito por mais do que 36 meses.
É possível que a operação ainda interesse a alguns tomadores. É que a prestação do crédito consignado não deve ultrapassar 10% do salário líquido. Assim, o uso do cartão, no mês, acima deste valor obriga o banco a emitir uma fatura que o cliente pode pagar no vencimento sem juros, o que favorece a operação, apesar de tudo.
A reação do mercado futuro de juros, num primeiro momento, foi positiva, em vista de que haverá redução do crédito às famílias. Isso, no entanto, não deverá pesar na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. 
ESTADÃO

Incerteza nos EUA

O presidente Barack Obama e os líderes democratas continuam trabalhando duramente para evitar o risco de um calote governamental no dia 2 de agosto e, ao mesmo tempo, livrar a economia americana de um ajuste traumático e de um novo mergulho na recessão. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, tentou nesta segunda-feira transmitir algum otimismo ao mercado. Segundo ele, negociadores dos dois partidos tiraram da mesa a opção do calote. Ele se referia, provavelmente, a um plano esboçado pelos líderes dos dois partidos no Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell. Eles propõem um plano para elevar o teto da dívida e um plano para cortar US$ 1,5 trilhão dos gastos federais em 10 anos. Mas o secretário pode ter sido excessivamente otimista. Na Câmara, republicanos preparavam-se para pôr em votação um plano muito mais duro. Eles propunham elevar o teto da dívida, mas esse aumento, de US$ 2,4 trilhões, seria compensado com uma redução equivalente da despesa federal e uma nova regra de equilíbrio orçamentário. A proposta de Reid e McConnell, segundo avaliação corrente em Washington, dificilmente passaria pela Câmara de Representantes, controlada pelos oposicionistas.
A dívida federal americana está batendo no teto de US$ 14,3 trilhões e será preciso chegar muito rapidamente a um acordo para evitar o calote. Qualquer projeto para ampliação do limite só será convertido em lei depois de passar pelas duas Casas do Congresso e o tempo é muito curto. Mas o presidente Barack Obama ainda se mostrava disposto, ontem, a rejeitar a proposta defendida na Câmara pelo grupo republicano. A solução, disse ele em pronunciamento no fim de semana, só será adequada se os sacrifícios forem partilhados por todos.
Será inevitável, segundo ele, mexer em programas socialmente importantes, como o de Assistência Médica, assim como será necessário gastar menos com a defesa. Mas será indispensável, também, completar o ajuste com a cobrança de mais impostos das grandes companhias e dos contribuintes mais endinheirados. Os administradores de fundos de hedge, exemplificou Obama, não deveriam pagar menos impostos que suas secretárias. Nem se deveria continuar concedendo benefícios especiais a empresas de petróleo capazes de lucrar dezenas de bilhões de dólares. A escolha dos dois exemplos foi certamente bem calculada, por causa da baixíssima popularidade das companhias de petróleo e dos executivos financeiros.
Republicanos, no entanto, foram responsáveis pela maior parte das vantagens fiscais concedidas aos milionários e às grandes companhias, desde a gestão do presidente Ronald Reagan. Hoje na oposição, muitos deles continuam defendendo esses privilégios, como se a sua eliminação prejudicasse a economia e fosse danosa a todos os contribuintes. Obama, no entanto, tem evitado acusações, preferindo defender o fim dos privilégios com um discurso conciliador. O compromisso é possível, disse ele, recordando acordos alcançados nos governos de Ronald Reagan e de Bill Clinton.
Não está em jogo, no entanto, apenas uma distribuição equitativa de sacrifícios. O plano defendido na Câmara pelos republicanos terá efeito recessivo, se for convertido em lei. Um ajuste fiscal como esse poderá resultar, segundo alguns analistas, numa crise pior que a de 2008-2009. O mundo todo será afetado, se a economia americana entrar nesse atoleiro.
Na semana passada, o governo chinês cobrou uma atitude responsável dos americanos - algo quase inimaginável em outros tempos. Mas os chineses, neste momento, são provavelmente os menos interessados em aumentar as dificuldades do governo dos Estados Unidos. Em maio, a China, maior credora da dívida americana, acrescentou US$ 7,3 bilhões a seu estoque de títulos do Tesouro norte-americano, elevando o total para US$ 1,16 trilhão. O Japão, segundo maior credor, também comprou mais papéis e aumentou para US$ 912,4 bilhões o valor de sua carteira. Contribuir para o agravamento da crise americana seria muito mais imprudente que arriscar mais alguns bilhões naqueles papéis. 
ESTADÃO

Bank of America tem prejuízo de US$ 8,8 bilhões no 2º trimestre

O Bank of America informou nesta terça-feira que sofreu um prejuízo líquido de US$ 8,8 bilhões no segundo trimestre, depois de acertar um acordo com investidores de bônus hipotecários.

O maior banco norte-americano em ativos fez um acordo de US$ 8,5 bilhões com investidores no período, o que influenciou no prejuízo por ação de US$ 0,90 no segundo trimestre.

Um ano antes, o resultado havia sido positivo em US$ 3,1 bilhões, ou US$ 0,27 por ação. Se excluídos itens extraordinários, o lucro do banco foi de US$ 3,7 bilhões, ou US$ 0,33 por ação, no período.

Já a receita da instituição despencou 54%, para US$ 13,5 bilhões, decorrente de uma provisão de US$ 14 bilhões como parte do acordo com investidores. Excluindo este item, a receita teria totalizado US$ 26,5 bilhões.

FOLHA

Mulher do dono da "Rede TV!" faz ensaio sensual para a "VIP"

A apresentadora Daniela Albuquerque, 29, fez um ensaio sensual para a edição de agosto da revista "VIP".

Albuquerque é mulher do dono da emissora "Rede TV!", Amilcare Dallevo.

Ela também apresenta o programa sobre cirurgias plásticas, "Dr. Hollywood", da emissora.

A revista chega às bancas no próximo dia 22.

FOLHA

Ficha ainda não caiu, diz Moacyr Franco sobre prêmio em Paulínia

O cantor Moacyr Franco, 74, diz que vai levar um ano "para a ficha cair" e ele entender o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Paulínia, por sua participação no longa "O Palhaço".

A informação é da coluna de Mônica Bérgamo publicada nesta terça-feira na Folha.

"É a primeira vez que faço cinema. O Selton [Mello, diretor] me chamou para uma pontinha de três minutos. Não cogitava ganhar prêmio nenhum", diz. "Tô empolgadíssimo, me abre novo horizonte nessa altura da vida!".

FOLHA

Universal desiste de produzir "A Torre Negra" devido a alto custo

Após meses de especulações sobre a viabilidade do projeto, a Universal Pictures desistiu de produzir "A Torre Negra", ambiciosa adaptação da saga literária de Stephen King que seria protagonizada por Javier Bardem, informou a edição digital da revista "Variety" nesta segunda-feira.

Segundo a publicação, "A Torre Negra" teria um custo muito elevado para os planos do estúdio, que já tem outras duas superproduções em andamento: "47 Ronin" e "Batalha Naval".

A companhia tentará vender o projeto a alguma das outras gigantes do setor, com a Warner Bros. como possível destino do projeto devido às boas relações com os produtores da Universal.

"Sabemos que esta é uma tarefa incrivelmente ambiciosa, mas continuamos entusiasmados. 

Exploraremos todas as vias de financiamento para ver se podemos finalmente fazer o projeto", disse o produtor Michael Rosenberg.

Nos últimos meses, os executivos da Universal estudaram a forma de reduzir os custos de "A Torre Negra" e avaliaram se realmente fazia sentido "seguir adiante" com o projeto.

A ideia inicial consistia em fazer a versão audiovisual dos sete livros de Stephen King em três longas e duas minisséries de televisão.

No caso de a Universal Pictures não iniciar alguma filmagem antes de julho de 2012, os direitos de exploração voltarão para o escritor.

"A Torre Negra" é a particular visão de Stephen King sobre o faroeste, onde mistura a fantasia de um universo mágico com o terror "marca da casa".

Devido a sua magnitude, o projeto chegou a ser comparado com "O Senhor dos Anéis", e teria Javier Bardem como Roland Deschain, um pistoleiro que passou toda sua vida buscando a Torre Negra e que será a última esperança da humanidade para salvar a civilização.

Junto aos longas-metragens e às séries de televisão, fora anunciado um videogame, e já existe uma história em quadrinhos da saga.

EFE/FOLHA

Arrecadação bate recorde em junho e cresce 13% no semestre

A arrecadação de tributos federais aumentou 12,68% no primeiro semestre, alcançando R$ 471,3 bilhões no período. Segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta terça-feira (19).

O total arrecadado subiu 23% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, somando R$ 82,7 bilhões, recorde para o período. Já comparação com o mesmo mês do ano passado, esta é a maior variação real - já descontada a inflação - registrada em 2011.

Segundo a Receita, o resultado se deve ao pagamento, em junho, de R$ 6,7 bilhões de parcelas referentes aos parcelamentos do chamado Refis da Crise, que possibilitou a empresas e pessoas físicas parcelar dívidas contraídas até 2008.

Por conta disso, o Imposto de Renda pago em junho foi 26,9% maior do que no mesmo mês de 2010, somando R$ 21,1 bilhões. Destaque também para o crescimento de 23,7% na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e de 21,7% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

FOLHA

Com medida do Banco Central, banco pequeno pode ser "estrangulado"

Como se não bastassem a confiança abalada após as fraudes do PanAmericano, a dificuldade para captar recursos e as medidas do governo para frear a concessão de empréstimos, bancos pequenos e médios terão de se adaptar a uma realidade ainda mais dura daqui para frente.

Uma nova regra do CMN (Conselho Monetário Nacional) - que entrará em vigor em janeiro de 2012 - afetará um dos principais instrumentos para essas instituições conseguirem dinheiro para suas operações: a venda dos créditos concedidos.

Além disso, a partir do ano que vem o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), grande salvador desses bancos após a crise de crédito de 2008, reduzirá sua atuação como avalista de depósitos especiais nessas instituições.

A preocupação com o futuro está fazendo com que, por um lado, os bancos saiam à caça de parceiros para continuar operando. Do outro, cresce a pressão para o governo amenizar as regras.

Segundo a Folha apurou, o Banco Central analisa se será necessário implementar de forma gradual a nova regra, que foi aprovada em 2008 pelo CMN e vinha sendo postergada. A norma muda a forma como os bancos registram na contabilidade as operações de venda das carteiras.

Se em vigor a partir de janeiro, bancos não poderão mais usar, de uma vez, a receita obtida com a venda dos créditos para engordar lucro e patrimônio e, com isso, emprestar mais. O impacto será diluído ao longo do vencimento de contratos vendidos.

"Realmente é [uma pancada]", admite Antonio Carlos Bueno, diretor-executivo do FGC. No entanto, ele argumenta que é uma adaptação às regras internacionais.

SEM SURPRESAS

Para a equipe econômica, a mudança não é surpresa. Está prevista desde 2008 e, em junho de 2010, as instituições foram avisadas de que entraria em vigor em 2012.

Oficialmente, o governo não fala em novo adiamento, mas a proposta foi posta em discussão após o estresse pelo caso PanAmericano.

O risco de mais problemas no setor fez com que o FGC não acabasse com uma linha de compra de carteiras criada no auge do impacto da crise e usada hoje por 22 bancos.

Outro instrumento importante oferecido pelo FGC, porém, começará a desaparecer em 2012. É o que garante, em caso de quebra, as aplicações dos clientes em títulos especiais até R$ 20 milhões. Com ele, os bancos conseguiram captar recursos na crise.

"A regra é reduzir 20% ao ano [estoque de operações], nos próximos cinco anos, até zerar", afirma Bueno.


FOLHA

Exposição em São Paulo reúne fotos raras da família real

Quando a República foi proclamada, em 15 de novembro de 1889, a família imperial partiu para o exílio na França e Áustria, levando na bagagem más e boas recordações do Brasil. Entre as últimas, estavam fotos de família que só agora são exibidas ao público, numa iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS), responsável pela guarda e conservação desse acervo de quase 800 imagens registradas por célebres fotógrafos, entre eles Marc Ferrez, conhecido por suas idílicas paisagens do Rio, e Revert Henry Klumb, que foi professor de fotografia das princesas Isabel e Leopoldina.
Dessas, 165 fotografias foram selecionadas pelo coordenador de fotografia do IMS, Sergio Burgi, e o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, de 56 anos, herdeiro e detentor dessa coleção, além de empresário bem conhecido em Paraty, não só por apoiar iniciativas culturais da cidade como por ter cancelado todos os seus compromissos para prestar ajuda às famílias atingidas pela tragédia das chuvas de janeiro na região serrana do Rio, onde morreram mais de mil pessoas.
Dom Joãozinho, como é conhecido em Paraty, cedeu em comodato ao IMS o belo acervo guardado em sua casa, que tem imagens históricas como a da missa campal em ação de graças pela abolição da escravatura no Brasil, realizada em 17 de maio de 1888 no campo de São Cristóvão, Rio. Nela, é possível ver Isabel em meio a uma multidão de beneficiados pela Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, assinada pela princesa quatro dias antes. A imagem impressiona pela nitidez dos rostos de escravos alforriados que, em primeiro plano, compartilham com senhores de cartola o mesmo território, tendo ao fundo a Redentora. São da princesa Isabel, aliás, as imagens mais marcantes da exposição, que traz registros de descontração incomuns para uma família real, como o da imperatriz Teresa Cristina, sua mãe, fotografada por Revert Henry Klumb no Rio, em 1861, tendo ao fundo duas garotas sapecas escondidas atrás de uma coluna, justamente as princesas Isabel e Leopoldina.
O príncipe de Paraty cita ainda uma foto engraçada da imperatriz Teresa Cristina, de costas, em 1866, feita pelo fotógrafo Joaquim Carneiro. "É uma foto com frente e verso, coladas uma a outra, ousadia que nem o surrealista Dalí teria imaginado".
Visionário, o imperador Pedro II introduziu a fotografia no Brasil e fez fotos experimentais com o daguerreótipo, que comprou em 1840, antes mesmo desses aparelhos serem vendidos no Brasil. E incentivou todos os que se dedicaram, como ele, à fotografia.
"Julgamos que essa primeira exposição deveria destacar os retratos porque eles permitem uma leitura mais direta da família imperial, vista por fotógrafos que eram íntimos dela, como Marc Ferrez e Henry Klumb", diz o curador Sergio Burgi. Agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, Ferrez é um dos destaques da mostra, captando momentos de privacidade nos palácios ou fora deles. Otto Hess é outro nome a ser lembrado, ele que fez talvez a última foto da família imperial antes de partir para o exílio, em 1889.
Retratos do Império e do Exílio - IMS (Rua Piauí, 844). Tel. (011) 3825-2560. 13 h/19 h (sáb. e dom., 13 h/18 h; fecha 2ª). Grátis. Abertura hoje, às 19h30, para convidados.


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