quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dois terços dos franceses não querem Sarkozy reeleito

Dois terços dos franceses não querem que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, seja reeleito em 2012, segundo uma pesquisa do instituto Ipsos divulgada nesta quarta-feira pela revista "Le Point".

Dos 956 maiores de 18 anos ouvidos nos dias 15 e 16 de julho, 66% declararam ser contra a reeleição de Sarkozy, e 29% foram a favor. Dentre os entrevistados, 60% afirmaram acreditar que o presidente centro-direitista não obterá um novo mandato na eleição de abril de 2012.

O resultado é um golpe para Sarkozy, que tinha recuperado um pouco da sua popularidade depois das acusações de estuprar uma camareira de hotel que caíram sobre seu rival socialista Dominique Strauss-Kahn, em maio.

Antes disso, o então diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional) era considerado o favorito para suceder Sarkozy.

Na semana passada, uma pesquisa do instituto CSA indicou empate técnico de Sarkozy com François Hollande, hoje apontado como favorito para receber a indicação do Partido Socialista à candidatura presidencial.

Outra pesquisa do Ipsos, na segunda-feira, mostrou um salto de 5 pontos percentuais na popularidade de Sarkozy em junho, maior avanço em vários meses.

FOLHA

Curta pornográfico de Marilyn Monroe será leiloado na Argentina

Um curta-metragem pornográfico da famosa atriz americana Marilyn Monroe será leiloado em agosto na Feira Internacional de Colecionadores Cinematográficos de Buenos Aires, informou nesta quarta-feira o promotor da venda, o espanhol Mikel Barsa.

O filme, uma das cópias conhecidas, será leiloado no dia 7 de agosto a um preço mínimo de US$ 500 mil, explicou Barsa à imprensa.

O filme tem cenas ousadas entre a jovem atriz que se matou em 1962 e um ator desconhecido.

O curta, filmado em preto e branco de seis minutos de duração, data de 1946, quando Marilyn ainda não era famosa e era chamada pelo verdadeiro nome, Norma Jean Baker.

A Feira Internacional de Colecionadores Cinematográficos de Buenos Aires, que ocorre entre 6 e 7 de agosto no Centro Cultural Borges, é a primeira deste tipo na América do Sul.

Na feira, além do curta de Monroe, estarão outras raridades, entre elas negativos originais, bandas sonoras, posters e autógrafos de celebridades.

Quanto ao filme, ele estava em mãos de um colecionador espanhol cujos herdeiros, ao encontrar o filme, entraram em contato com Barsa, que já havia comercializado a única cópia conhecida anteriormente.

Barsa disse que já recebeu ofertas de dois colecionadores, da Noruega e Japão e confessou que "conhecendo os fãs de Marilyn", espera que durante o leilão, cujos lances também poderão ser dados pela internet, a oferta passe de um milhão de dólares.

Quando o filme de Marilyn foi divulgado, em 1997, houve uma polêmica já que foi questionado se era realmente ela, que teria menos de 21 anos quando foi rodado.

Segundo Barsa, é mesmo Marilyn Monroe que aparece no filme. Ele apresentou uma carta de 1996 do diretor do American Film Institute que afirma que se não era ela "era sua irmã gêmea".

Em 2008, um filme mudo de 16mm, filmado em preto e branco e de cerca de 15 minutos de duração, que mostra a atriz americana praticando sexo oral, foi vendida a um empresário por US$ 1,5 milhão.

FOLHA

Motivo da morte de casal no Pará foi conflito de terra, diz polícia

A Polícia Civil do Pará disse nesta quarta-feira (20) que o assassinato do casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi motivado pela disputa de terras no assentamento onde os dois moravam.

O inquérito policial apontou como mandante das mortes o agricultor José Rodrigues Moreira, 42. Em 2010, ele comprou duas áreas com total de 790 mil metros quadrados no assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (sudeste do Pará), o que é ilegal.

Segundo a polícia, José Claudio dizia que as terras eram públicas e incentivava que famílias de agricultores se instalassem nas terras de Rodrigues.

Em dezembro do ano passado, o extrativista afirmou à CPT (Comissão Pastoral da Terra) que Rodrigues incendiou as casas de dois agricultores, sob a alegação de que ele era dono das terras.

O delegado José Humberto de Melo, da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, diz que a corregedoria da Polícia Civil apura se policiais participaram da ação na época, como afirmou José Claudio no documento.

EMBOSCADA

Na manhã do dia 24 de maio, o casal de extrativistas foi atingido por tiros quando passava de moto por uma ponte na estrada de terra que dá acesso ao assentamento. Segundo a polícia, dois homens aguardavam no meio da mata.

De acordo com o inquérito, o irmão de Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha, 29, é suspeito de ter atirado no casal com uma espingarda. O alvo era José Claudio, mas um dos tiros atingiu a mulher dele, segundo o delegado.

O outro suspeito de participação no crime, Alberto Lopes do Nascimento, 29, já foi condenado pela Justiça por roubo.

A polícia ainda apura se José Rodrigues Moreira usa seu nome de batismo, já que o sobrenome dele e o do irmão são diferentes.

Com a conclusão do inquérito, a polícia pediu a prisão dos três suspeitos. A Justiça ainda não se manifestou. Segundo a polícia, a prisão dos suspeitos foi pedida outras duas vezes anteriormente, mas não foi concedida pela Justiça.

Todos estão foragidos, segundo a polícia. Eles serão indiciados sob suspeita de duplo homicídio triplamente qualificado e podem ser condenados a até 60 anos de reclusão.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) afirmou que ainda investiga se há irregularidades em propriedades do assentamento.

Quatro dias após a morte do casal, foi encontrado no mesmo assentamento o corpo de Eremilton Pereira dos Santos, 25. Segundo a polícia, a morte dele não está ligada à do casal, porque ele foi morto por ligação com tráfico de drogas.

FOLHA

Lula visita Dona Canô na Bahia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita Dona Canô, de 103 anos de idade, mãe dos cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia, em Santo Amaro da Purificação, a 72 km de Salvador, no Recôncavo Baiano. Dona Canô, que é eleitora declarada de Lula, recebeu alta na última quinta-feira, 14, depois de passar uma semana internada em um hospital de Salvador, tratando uma traqueobronquite.
Em visita ao Hospital da Criança, de Feira de Santana (BA), 110 quilômetros a oeste de Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou falar com a imprensa sobre a crise no Ministério dos Transportes, mas fez uma breve análise sobre o caso quando provocado sobre os cada vez mais frequentes afastamentos de funcionários do governo.
“(As demissões) podem chegar a 100, a mil, a 10 milhões”, disse o ex-presidente. “Só existe uma forma de a pessoa não ser investigada e não ser punida: não cometer erros. Se cometerem erros, serão punidas. Tenho certeza que a presidente Dilma (Rousseff) pensa como eu”.
Lula também falou que a visita à Bahia já integra um plano de viagens pelo País. “Depois, vou a Pernambuco, ao Ceará, a Sergipe… Vou conversar com o povo, porque ainda tem muita coisa a ser feita”, afirma. “Já me adaptei à nova vida, sinceramente desencarnei (da presidência) e vou começar a andar pelo Brasil. Sou um ajudante da presidente Dilma. Tenho plena convicção da competência dela”.
A passagem pelo Hospital da Criança foi feita porque o ex-presidente não compareceu à inauguração da unidade, em 26 de agosto do ano passado, apesar de ter prometido. “Eu tinha de ter vindo visitar este hospital, mas o tempo não estava bom para pousar aqui e eu não pude vir. Desta vez, pude conhecer”.
Antes da ida a Feira de Santana, Lula esteve em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, onde encontrou a matriarca da família Velloso, dona Canô. Depois de conhecer a unidade médica, o ex-presidente partiu para Salvador, onde se reúne com lideranças políticas da base de apoio ao governador Jaques Wagner (PT).
Em novembro de 2009, Dona Canô se disse chateada e constrangida com declarações de seu filho sobre Lula. Em entrevista ao ‘Estado’, Caetano disse considerar Lula ‘analfabeto e cafona’ e que por isso apoiaria Marina Silva na eleição de 2010. Após Dona Canô declarar que gostaria de se desculpar com o então presidente, o próprio Lula ligou para ela para dizer que não se preocupasse.
ESTADÃO

Um recado europeu ao Brasil

O Brasil deve perder em 2014 as preferências tarifárias concedidas pela União Europeia, avisa o negociador comercial do bloco, Karel de Gucht. Depois de ter apostado quase todas as suas fichas nas negociações globais de comércio, a Rodada Doha, a diplomacia comercial brasileira enfrenta hoje as consequências de uma série de opções erradas. Nove anos e meio depois do lançamento, a rodada está atolada num impasse e ninguém sabe se algum dia será concluída. O projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi enterrado pelo terceiro-mundismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu companheiro Néstor Kirchner. O Mercosul só concluiu tratados comerciais com economias em desenvolvimento e as conversações com a União Europeia, retomadas há pouco tempo, continuam lentas e pouco promissoras. Se nenhum resultado for obtido nos próximos dois anos e meio, o Brasil poderá ficar no pior dos mundos, sem as preferências europeias, em desvantagem no mercado americano e forçado a competir em condição de inferioridade com a China e outras potências comerciais dinâmicas.
A advertência do comissário europeu para o Comércio é um instrumento de pressão para estimular o Brasil e seus parceiros do Mercosul a se esforçarem mais pelo acordo com a União Europeia. Para isso, os sul-americanos terão de ser mais generosos nas concessões, especialmente na área industrial. Isso dependerá principalmente de brasileiros e argentinos. Estes, durante anos, foram os menos dispostos a abrir seu mercado a exportadores industriais europeus. Não mudaram muito e mantêm-se aferrados a medidas protecionistas até contra seu principal parceiro comercial, o Brasil. Mas os brasileiros também se mostram hoje pouco dispostos a oferecer concessões comerciais, por causa do câmbio valorizado e de outras desvantagens.
Nos países mais industrializados, o ambiente, agora, também não é favorável à negociação de acordos de livre comércio. O desemprego continua elevado. Nos dois lados do Atlântico Norte a ideia de maior abertura a produtores estrangeiros é altamente impopular. No caso dos Estados Unidos, há um fator agravante. Durante a campanha eleitoral, o presidente Barack Obama cortejou alguns dos sindicatos mais protecionistas do país. Até agora, evitou decepcioná-los, embora tenha pressionado o Congresso para aprovar alguns acordos assinados pelo Executivo nos últimos anos.
Na Europa, os agricultores continuam rejeitando a liberalização dos mercados. A curto prazo, a proximidade das eleições na França, previstas para maio de 2012, também dificultam as negociações.
Mas o aviso do comissário europeu é mais que um instrumento de pressão. O governo brasileiro deve, naturalmente, continuar negociando e estimulando os parceiros do Mercosul a se empenhar no jogo com os europeus. Mas tem de ser realista e levar em conta, seriamente, a hipótese de um novo impasse.
Confirmada essa hipótese, o acesso ao mercado europeu será mais difícil do que hoje, porque as vantagens do Sistema Geral de Preferências desaparecerão em 2014 e nenhum acordo comercial terá sido assinado. As preferências, no entanto, continuarão sendo concedidas a países pobres, isto é, com renda per capita baixa (a do Brasil é média). Alguns desses países pobres são fortes competidores em algumas áreas industriais, por causa de salários muito reduzidos. Terão, portanto, mais vantagens contra o Brasil.
Essa perspectiva é mais um bom motivo - entre tantos outros - para se adotar no Brasil, seriamente, a tão prometida e, até hoje, não concretizada política de competitividade. Desde o começo do ano, ministros da área econômica têm falado sobre medidas para reduzir os custos do investimento, da produção e da exportação. Mas a cada pronunciamento as inovações esboçadas se tornam mais modestas, porque o hábito da gastança dificulta a redução de tributos.
Além disso, a ineficiência do governo dificulta os investimentos na infraestrutura, outra importante desvantagem dos brasileiros. Seria bom se a advertência do comissário europeu pelo menos provocasse algum susto em Brasília. 
ESTADÃO

Governo não age para evitar desindustrialização, diz Ivo Rosset

A indústria têxtil brasileira vive sua maior crise e se nada for feito pelo governo no sentido de reavivá-la, 2,5 milhões de empregos correm o risco de evaporar em questão de poucos anos.

O alerta é de Ivo Rosset, proprietário do Grupo Rosset, que detém 65% do mercado de produção de tecidos no país, e também as marcas Valisère e Cia Marítima.

O elo fraco da cadeia que alimenta esta indústria, de acordo com, ele está no setor das confecções (corte e costura dos tecidos para a produção de roupas), que têm sofrido com a concorrência das mercadorias chinesas, mais baratas e nem por isso com qualidade inferior.

"Nada foi feito nos últimos vinte anos. O país está caminhando para a desindustrialização e o governo não está agindo", adverte.

Rosset é um dos empresários com melhor trânsito em Brasília. Encontrou-se com Lula e com Dilma diversas vezes, e conversa frequentemente com o ministro Mantega. Foi um dos primeiros empresários a apoiar o PT e filiou-se ao partido em 2009.

Há um mês, esteve na capital federal como representante do setor têxtil, quando apresentou uma proposta de aliviar a carga tributária das confecções adotando o regime do Simples como imposto único, independentemente do faturamento.


Folha - Como vai a indústria têxtil no país?


Ivo Rosset - De um lado, temos a produção de tecidos, que também sofre com a concorrência chinesa. Como o segmento de tecido plano (produção de tecidos para camisas sociais, por exemplo). Várias fecharam em Americana, que é um grande centro de produção. Existia também um mercado enorme para produtos como a viscose com fio elastano. Mas os chineses entraram a um preço que não dava para competir. Todos que produziam pararam. E as grandes malharias no Sul estão com problema, elas eram muito mais fortes do que hoje.

E as confecções?


A confecção é o polo que está mais focado na competição com a China. Se não resistir, vai atingir o setor como um todo, pois são as confecções que compram os tecidos que produzimos. Comparando a situação de uma costureira brasileira com a chinesa, a distorção é enorme. Aqui, um funcionário custa para o empregador 2,4 vezes a mais que o salário dele. Por isso propomos o regime do Simples - dessa forma as confecções pagariam 12% sobre tudo.

Por que só as confecções?


Conversando com a presidente, dei um exemplo. Uma empresa de confecção com 2.000 pessoas talvez fature o equivalente a 5% de uma indústria automobilística que também tem 2.000 pessoas. E a confecção não vai suportar a concorrência chinesa. É uma cadeia que emprega muita gente e está destinada a desaparecer caso não se faça algo com muita urgência. Estamos falando de 2,5 milhões de empregos diretos e um universo de 8 milhões.

Em que estágio estamos?


Crítico. Toda rede varejista importava de 5% a 10%, agora é de 35% a 40%.

Há gente quebrando?


O pessoal vai fechando. Muitos estão saindo do Brasil e indo para a China. Outro dia conversei com um fabricante de um outro setor, da Mundial, do Rio Grande do Sul. A ação dele disparou na Bolsa porque sua rentabilidade aumentou. Ele fechou tudo que tinha de produção no país e foi fabricar na China. Estamos matando emprego nosso e dando emprego pra chinês.


A Marcopolo [fabricante de ônibus] foi embora, está produzindo em outro lugar e mandando os ônibus para cá. Vai chegar um momento em que ou transfiro as atividades da Rosset para fora ou sei lá o que vai acontecer.

O que mais pode ser feito?


Nós estamos dentro de um modelo que não muda há 20, 30 anos e que só teve aumento de carga tributária. Na China, eles têm quase 80 milhões de pessoas empregadas nesse segmento. Não sou favorável ao método deles. Dão albergue e comida às pessoas, mas não pagam previdência. E o salário não passa de US$ 100, enquanto aqui é de US$ 1.000, fora a carga tributária. Nosso funcionário é mais eficiente que o chinês. Só que o sistema não ajuda.

O sr. está se referindo à moeda forte e à taxa de juros?


Estamos assistindo ao filminho sem fazer nada. Pior que isso, há Estados como Santa Catarina que incentivam a importação baixando o ICMS. Essa é a maior afronta ao Brasil que já vi.

O país está caminhando para a desindustrialização?


Total. A questão é: queremos ou não ser um país industrializado? Se sim, as medidas precisam ser imediatas. Se não, vamos nos tornar um país de serviços. Só que vamos pagar um preço muito alto lá na frente. Veja o que aconteceu com os Estados Unidos, com o desastre da indústria automobilística, por exemplo. O país agora chora os empregos perdidos e não consegue reempregar.

Existe abandono do setor pelo governo?


Não diria abandono, mas diria que o governo está sem saber direito o que fazer. Eles ouvem, mas não vejo ação. Não sei qual a dificuldade que existe, se é burocracia.

E o BNDES?


Não adianta dar cortisona, é preciso repensar o modelo. Aplicar o Simples a todas as confecções, sem limite de faturamento, é uma mudança radical. Daí, sim, o BNDES pode entrar. E não são grandes investimentos, é coisinha pouca, bem menos do que a fusão do Abilio [Diniz, do Pão de Açúcar].

FOLHA

Ex-ídolo da seleção alemã é achado desorientado na Itália

O ex-atacante do Bayern de Munique e da seleção alemã Gerd Müller, 65, desapareceu durante 15 horas e foi encontrado nesta terça-feira em estado de confusão mental em uma rua na cidade de Trento, no norte da Itália.

Campeão da Copa do Mundo de 1974, Müller estava concentrado na cidade italiana com a equipe juvenil do Bayern, onde trabalha desde 1992, para iniciar a pré-temporada da equipe. Na última segunda-feira, o ex-jogador tomou um táxi às 5h e pediu para ir para a estação de trem de Trento. Disse que voltaria para Munique, onde vive. Depois, não foi mais visto.

Seu desaparecimento foi denunciado por outros membros da comissão técnica dos juvenis do Bayern. A polícia italiana encontrou Müller 15 horas depois, caminhando pelo centro de Trento, em estado de desorientação.

O ex-jogador é uma lenda viva do futebol alemão. Além de ter marcado o gol que deu a Alemanha o título do Mundial de 1974, na vitória por 2 a 1 sobre a Holanda na final, Müller foi campeão europeu pela Alemanha em 1972 e é o segundo maior artilheiro na história das Copas, com 14 gols, só sendo superado por Ronaldo (15 gols). Após deixar o futebol, em 1982, o ex-jogador se submeteu a um longo processo de reabilitação por alcoolismo.

FOLHA

Combate à homofobia faz governo manter classificação de novela da Globo

O Ministério da Justiça decidiu manter a classificação indicativa da novela "Insensato Coração", da Rede Globo, após a obra passar a veicular com mais frequência "conteúdos de natureza e de relevância social", "em especial pela valorização e respeito aos direitos homossexuais". A novela continuará a ser "não recomendada para menores de 12 anos".

A pasta elogiou o fato de a novela mostrar "cenas e diálogos em que se expõe a realidade social de perseguição, discriminação, preconceito e violência contra o segmento LGBT".

Em março passado, a Secretaria Nacional de Justiça (que trata da classificação indicativa) já havia alertado a emissora de que o conteúdo da novela não estava adequado para a classificação indicativa de 12 anos.

Em sua decisão, o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, também levou em conta que a emissora, além do combate à homofobia, fez um esforço para "abordar de forma atenuada os temas relacionados a violência e erotização que compõem a obra, como assassinato e nudez".

A decisão foi publicada nesta quarta-feira no "Diário Oficial da União".

FOLHA

Banco Central eleva taxa básica de juros pela 5ª vez, para 12,50%

Em meio a dúvidas sobre o comportamento da economia e dos preços, o Banco Central anunciou nesta quarta-feira (20) o quinto aumento consecutivo da taxa básica de juros (Selic).

O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa que serve de referência para o custo do dinheiro a empresas e consumidores de 12,25% para 12,50% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado.

"Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% a.a., sem viés", informou o BC.

A expectativa de economistas consultados pelo BC é que haja pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa, na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 30 e 31 de agosto.

Parte dos analistas não descarta outro aumento na reunião seguinte, marcada para outubro, caso haja piora nos dados sobre inflação no Brasil e melhora no cenário internacional.

O aumento dos juros é parte do trabalho iniciado no final de 2010 para esfriar a economia e controlar a inflação, que está hoje no maior nível em seis anos. No início do governo Dilma, os juros estavam em 10,75% ao ano. Hoje, está no maior nível desde março de 2009.

Antes de aumentar a taxa básica, o BC já havia anunciado restrições a financiamentos e retirado recursos da economia. O governo também cortou gastos do Orçamento e dobrou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre empréstimos para pessoas físicas.

Dados recentes mostram que a inflação caiu nos últimos três meses, mas menos que o esperado pelo mercado. O IPCA, índice oficial que serve de referência para o BC, acumulada alta de 6,71% em 12 meses, acima do teto da meta, que é de 4,5% com dois pontos de tolerância.

Outros dados econômicos, como crédito, produção industrial e vendas do comércio, mostram desaceleração. Há dúvidas, no entanto, se o ritmo atual de crescimento será suficiente para segurar os preços, que devem voltar a subir com mais força a partir de setembro.

Como o BC desistiu de trazer a inflação para os 4,5% neste ano, para não causar uma recessão, o objetivo agora é alcançar o centro da meta em 2012. As previsões do mercado e da própria instituição ainda estão em volta de 5%.

Outras economias emergentes, como China e Rússia, também elevaram os juros neste ano e adotaram outras medidas para segurar a inflação. As taxas nesses países, no entanto, são mais baixas que no Brasil, líder mundial no ranking dos juros reais.

Apesar do aumento da Selic, a taxa real de juros recuou de 6,86% na reunião do Copom de junho para 6,77% ao ano na reunião atual. Esse número considera a taxa básica descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Como as projeções de inflação subiram mais que os juros, a taxa real ficou menor.

FOLHA

Máquina de Vendas compra rede nordestina Eletro Shopping

Na disputa pela segunda posição do varejo brasileiro de eletroeletrônicos, Máquina de Vendas e Magazine Luiza estão ganhando força ao adquirir, uma a uma, redes regionais de menor porte.

Nesta quarta-feira, a varejista formada por Ricardo Eletro, Insinuante e City Lar, anunciou a aquisição da rede Eletro Shopping, que atua na região Nordeste do país. O valor da operação não foi informado.

Com a aquisição da Eletro Shopping, que dará origem à Máquina de Vendas Nordeste, a varejista passará a contar com 900 lojas, em todo território nacional, e deve aumentar o faturamento deste ano para R$ 7,2 bilhões, ante previsão anterior de R$ 6,3 bilhões.

O negócio também muda o cenário formado há cerca de um mês, quando o Magazine Luiza acertou a compra das lojas do Baú da Felicidade, do Grupo Silvio Santos, consolidando a posição de segundo maior grupo varejista de eletrônicos e eletrodomésticos do país. A liderança do setor é ocupada pelo Grupo Pão de Açúcar.

Ao adquirir a Eletro Shopping, a Máquina de Vendas abre maior vantagem em número de lojas em relação à empresa comandada por Luiza Helena Trajano que, com o Baú, soma 732 unidades.

Em termos de faturamento, com base em números de 2010, a Máquina de Vendas teria receita bruta de R$ 6,5 bilhões somando as vendas da Eletro Shopping, de R$ 800 milhões, contra R$ 6,1 bilhões do Magazine Luiza com as lojas do Baú.

A Máquina de Vendas tem como meta alcançar 1.000 lojas e faturamento de R$ 10 bilhões até 2014.

"As operações da Insinuante e Eletro Shopping serão complementares, uma vez que são poucas as cidades do Nordeste com lojas das duas bandeiras. Não haverá concentração", afirma o presidente do conselho de administração da Máquina de Vendas, Luiz Carlos Batista.

De acordo com a companhia, a bandeira Ricardo Eletro será mantida na região Sudeste, em Goiás e no Distrito Federal, enquanto a City Lar seguirá como marca do grupo na região Norte e nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Fundada em 1994 por Richard Saunders, em Recife, a Eletro Shopping atua nos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Ricardo Eletro e Insinuante formaram em março do ano passado a Máquina de Vendas, que três meses depois passou a incluir também a City Lar.

FOLHA

Carlos Lessa: É "estúpido" o Brasil ser o 3º maior comprador da dívida dos EUA


Marcela Rocha
Ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa comenta o delicado momento das economias norte-americana e europeia. Em entrevista a Terra Magazine, ele não poupa o Banco Central (BC) brasileiro e o caracteriza de "estúpido" por ter se tornado o terceiro maior comprador de títulos da dívida dos Estados Unidos, atrás apenas da China (1º) e do Japão (2º).
- Não dá para retroceder, a única coisa que dá para fazer é acender velas para Santo Antônio - diz, pessimista.
O presidente dos EUA, Barack Obama, negocia com o Congresso o aumento do teto da dívida do país para evitar desconfiança dos investidores a respeito de um eventual calote. Não houve acordo com os parlamentares até terça-feira (19), quando um grupo de senadores democratas e republicanos apresentaram ao chefe do Estado projeto que  prevê alta de US$ 1 trilhão na arrecadação e corte de US$ 3,7 trilhões nos próximos dez anos.
Carlos Lessa ministra aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, em tom professoral, explica porque o Brasil faz "um dos piores negócios do planeta" ao ser o terceiro maior credor dos EUA. "O Brasil contrai essa dívida que só rende 2% e, ao mesmo tempo, paga 12,25%. Estamos fazendo isso em escala colossal e aumentamos a nossa dívida por causa disso. É de uma estupidez monumental".
Nesta quarta-feira (20), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulga a taxa Selic (juro básico da economia brasileira). Cumpridas as expectativas do mercado, o juro deve passar de 12,25% para 12,5%. Até o final do ano, espera-se mais uma alta de 0,25%.
O professor comenta também a política econômica brasileira e critica o sistema de metas de inflação: "Modelo idiota". "Esse conceito é furado, tecnicamente não se sustenta. Eles fixam um teto para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a partir disso eles sobem juros para evitar que a economia cresça. O BC trabalha para o Brasil ficar estagnado".
Confira a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Como o senhor vê o fato de os EUA terem que restabelecer o teto da dívida? Por que e como chegaram a esse ponto? 


Quais as consequências disso e o que é preciso ser repensado pela economia norte-americana?



Carlos Lessa - Toda e qualquer economia dita capitalista tem um pedaço da receita que não é a base produtiva, mas títulos e relações de débito/crédito entre os parceiros da sociedade. Isso é fundamental para que a economia funcione normalmente. Agora, as razões pelas quais você gera débito e crédito são variadas. Uma delas é o próprio setor público, o Estado. A dívida pública tem diversas origens: quando a dívida é utilizada para melhorar a infraestrutura de um país, ou quando é utilizada para aperfeiçoar um padrão de vida social. Essas são formas virtuosas pelas quais se cria uma dívida. Mas uma dívida também se cria com guerra. O conflito gera despesas absolutamente colossais.

No caso dos Estados Unidos, mais especificamente...



O principal elemento que tem puxado para cima a dívida norte-americana tem sido a geopolítica daquele país. Não apenas há o gasto de ser o xerife do mundo, como, além disso, gastam brutalidades com a guerra do Afeganistão e do Iraque. A dívida de um país acontece porque um país tem gastos produtivos e improdutivos. Um improdutivo por excelência é o juro. O serviço é um gasto que não é produtivo, mas é contratual.

O que precisa ser, então, repensado? 



A dívida norte-americana vem crescendo vertiginosamente nos últimos anos por causa das guerras do Iraque, Afeganistão e por causa da luta dita 'antiterrorista'. A dívida também cresceu muito por causa do socorro que os EUA tiveram que dar ao sistema bancário, abatido com a crise de 2008.

O Brasil tem títulos da dívida. O que o senhor acha dessa prática financeira? 



Ah, sim. Isso mostra a estupidez da política brasileira. Porque o Brasil é o terceiro maior comprador de títulos do tesouro americano, antes dele, só a China e o Japão. Isso é um absurdo.

Por quê? 



Nós atraímos uma quantidade enorme de capitais de curto prazo especulativos para dentro do Brasil. Esses dólares que entram a mais no Brasil vão parar nas reservas do Banco Central. O BC emite dívida pública brasileira e paga 12,25% de juros e aplica em títulos do tesouro norte-americano que, na melhor das hipóteses, são 2% ao ano. O Brasil contrai essa dívida que só rende 2% e, ao mesmo tempo, paga 12,25%. Um dos piores negócios do planeta. Estamos fazendo isso em escala colossal e aumentamos a nossa dívida por causa disso. Isso é de uma estupidez monumental.

O senhor chama de "estupidez" e uma das causas que o senhor aponta é a taxa de juros. O Copom divulga hoje a nova taxa Selic. A expectativa do mercado é de um leve aumento. 



Pois é, são suicidas. Com isso virá mais dólar para o Brasil. O ideal é que o Brasil só absorvesse os dólares necessários para o financiamento do balanço de pagamentos. Só.

Sobre o processo de decisão da Selic... 



Totalmente misterioso. O Conselho Monetário administra nossas vidas, o emprego que você tem, a compra da sua casa, se você vai pagar ou não sua conta nas Casas Bahia... E o povo não sabe como eles definem nem juros nem câmbio. Eles decidem através das 'metas de inflação', que fixam uma taxa limite superior à inflação e, ao mesmo tempo, partem da hipótese de que o país só pode crescer até uma certa taxa, porque se crescer acima dela, aparece a inflação. Então, toda vez que a economia brasileira começar a crescer, o BC eleva a taxa de juros.

Sim, mas há aí uma consulta ao mercado antes de ser definida a taxa Selic, por exemplo. É o processo a que me refiro. 



Isso eles fazem. Eles chamam o mercado de amiguinhos no mercado de capitais, mas muitas vezes surpreendem os amiguinhos.

O que o senhor acha disso? 



É um modelo que precisa ser rediscutido, claro. Mas estou rouco de dizer isso. Falo isso há muitos e muitos anos. Eu e mais alguns colegas. Lula utilizou isso, Dilma continua... Eu acredito que é um modelo idiota. Esse modelo não é ideal, esse conceito é furado, tecnicamente não se sustenta. Então, eles fixam um teto para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a partir disso, eles sobem juros para evitar que a economia cresça. O BC trabalha para o Brasil ficar estagnado.

O senhor acredita que "o BC trabalha para o Brasil ficar estagnado"? 



Eu e a torcida do Flamengo achamos isso.

A Islândia quebrou. A Grécia também. Portugal vai mal, Espanha também... Demais países europeus ainda sofrem com a recessão. O senhor acredita que a moeda única deve ser revista? 



Vou te dar a resposta mais honesta: Eu realmente não sei. Pode ser que eu esteja errado, mas o Euro, sendo a moeda única europeia, não tem um lastro no continente. O Euro está lastreado em dólar. Se é assim, não controla o endividamento dos países. Portanto, o controle do Banco Central Europeu é muito pequeno. O Euro é uma moeda meio pendurada no ar. Agora, eu não sei se eles vão resolver isso fortalecendo o Euro ou retrocedendo para as moedas nacionais. O que é inquestionável é que, como está, não poderão atravessar a crise que vivem.

Como o senhor definiria esse cenário? 



Como um cenário muito preocupante porque muitos países europeus assumiam a presença do Euro, dos bancos europeus e até de filiais de bancos norte-americanos como um cenário extremamente favorável ao endividamento. Os bancos operaram sem nenhum critério, simplesmente foram emprestando. À medida em que os bancos emprestam, criam uma articulação monetária maior e, em cima disso, os bancos emprestam mais. Isso é conhecido como uma manada financeira. Tudo vai em direção à expansão e quando dá uma parada, tudo vai para trás. É a manada em pânico. O pânico começou e quebrou a Islândia, que já estava quebrada antes, ficou apenas explícito. Quebrou a Grécia, e agora, balança a Itália e a Espanha. Por extensão da Grécia, os outros países terão muita dificuldade, porque significará que os outros países não segurarão a dívida soberana da Grécia.

Os Estados Unidos adotam a posição de ajudar a Grécia... 



Essa é uma posição que, teoricamente, os EUA adotam há muito tempo. Eles não conseguem, no entanto, encontrar um acordo sobre como farão isso. A Alemanha e a Holanda acham que não dá para ajudar sem a cooperação da área privada. Isto significa que os bancos europeus teriam prejuízo com a operação na Grécia. E isso é justamente o que os bancos não querem, claro.

Quais as semelhanças entre a situação europeia e norte-americana? 



A crise financeira parece um castelo de cartas. Cada carta que cai aumenta a pressão para outras caírem também. Evidente que os EUA estão balançando. Obviamente que a Europa balança mais. A Europa balançando, balança ainda mais os EUA. E os bobões do Brasil viraram o terceiro credor mundial do tesouro norte-americano. Isso é uma vergonha. É inacreditável que o nosso BC tenha feito isso.

É possível retroceder? 



Não. A única coisa que dá para fazer é acender velas para Santo Antônio. Com essa visão de mundo, resta pedir ajuda ao santo mesmo. Tem que baixar controle de câmbio, tem que aplicar imposto de importação... Tem uma porção de coisas para fazer e que eles não vão fazer.

O Estado perdeu a capacidade de gerir a economia?




Pelo contrário, eles ainda acham que estão gerindo otimamente bem. Na minha opinião, vai por um caminho muito ruim.
TERRA MAGAZINE

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