sábado, 13 de agosto de 2011

Amigos de Vitor Gurman fazem campanha de trânsito na Av. Paulista


Os amigos de Vitor Gurman, jovem atropelado no final de julho na Vila Madalena, ocuparam as esquinas de cruzamento entre a Avenida Paulista e Rua Augusta para distribuir panfletos da campanha "Não espere perder um amigo para mudar sua atitude no trânsito" neste sábado. 

Eles organizaram o movimento Viva Vitão (www.facebook.com/vivavitao).

Quatro faixas são estendidas quando o sinal fecha, e amigos de Vitor Gurman distribuem folhetos, camisetas e adesivos do movimento.

Segundo um dos organizadores, Fabio Cromatzky, 24, mais de 200 pessoas participam da ação, que é coordenada por 15 amigos de Vitor. Outros jovens estão na Escola São Paulo. Eles vão pintar um muro da escola com o logo do movimento.

Ainda de acordo com Cromatzky, a campanha é uma das ações que os organizadores do Viva Vitão pretendem realizar. "A gente resolveu agir, estamos pedindo a atitude de cidadão no trânsito. E isso vale para celular, bebida, tudo o que é relacionado à falta de atenção no trânsito", disse.

Cromatzky contou que o movimento terá um estande em uma feira da Vila Madalena no próximo fim de semana e que está realizando um documentário, com depoimentos de amigos do Vitor e políticos.

O CASO

O administrador Vitor Gurman, 24, foi morto no final de julho quando voltava para sua casa, na Vila Madalena. Ele foi atropelado pela nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, 28, que dirigia uma Land Rover e saía de um bar com o namorado. A nutricionista se negou a fazer o bafômetro.

FOLHA

São Paulo vacina 1,4 milhão de crianças contra paralisia


Balanço parcial da campanha de vacinação contra a paralisia infantil aponta que, até 15h deste sábado, 1,4 milhão das crianças alvo da campanha foram imunizadas no Estado de São Paulo - 319.988 só na capital paulista.

De acordo com o boletim da Secretaria de Estado da Saúde, a meta é vacinar contra a paralisia infantil 2,83 milhões de crianças menores de cinco anos em todo o Estado.

Ainda segundo a secretaria, o número é melhor do que o registrado no balanço parcial da segunda fase da campanha de 2010. No ano passado, 277,6 mil crianças foram imunizadas nas três primeiras de funcionamento dos postos de saúde.

A primeira etapa da campanha, realizada em junho deste ano, imunizou 2,85 milhões de crianças.

As crianças que não foram vacinadas neste sábado devem ser encaminhadas ao Instituto Pasteur (av. Paulista, 393) no domingo. A sala de vacinação do local estará aberta das 8h às 20h para imunização contra a paralisia.

FOLHA

Comércio na internet chega ao Facebook


Atentas ao crescimento do Facebook no Brasil, as empresas já começam a olhar para o comércio na rede social como uma forma de elevar suas vendas na internet.

O "social commerce" deve gerar US$ 5 bilhões (R$ 8,15 bilhões) em todo o mundo neste ano, segundo estudo da Booz & Company.

Desses, US$ 1 bilhão virá dos EUA, em que 20% das vendas das grandes marcas na web ocorrem no Facebook.

De olho nessa fatia, os sócios Tatiana Albuquerque e Flávio Berman lançaram a E-Like, empresa de soluções voltada para esse mercado.

Em julho, a desenvolvedora colocou na rede seu primeiro produto, o Meu Shopping, uma butique no Facebook que reúne lojas como Enoteca Fasano, as marcas de roupas Richard's e Cantão e a de lingeries Hope.

Ao todo, são oito já em funcionamento, número que deve crescer nos próximos dias com a Sack's, loja de cosméticos on-line do grupo francês de luxo LVMH.

"CURTIR"

Para comprar, é preciso "curtir" a página da marca no Facebook. Toda a transação é feita dentro da rede social.

"Com menos de um mês de loja no ar, tivemos mais de 10 mil usuários cadastrados e ativos", afirma Tatiana.

No Brasil, a rede social tem 22 milhões de usuários. "É o quadrilátero mais caro da internet, como a Rua Oscar Freire, em São Paulo", diz.

O diferencial de uma loja no Facebook é aproveitar a interação entre os usuários para divulgar os produtos.

Adquirir um vale-compra para um amigo que faz aniversário naquele dia e ganhar descontos em compras com amigos na rede social estão entre as facilidades oferecidas pelo Meu Shopping.

"Uma loja no Facebook é como estar no shopping com os amigos. Você pode comprar, sugerir um produto. Uma série de interatividades que eu não tenho na loja on-line", diz Vanda Dias, gerente de e-commerce da Hope.

"Estamos muito confiantes com essa plataforma. A tendência é que isso represente uma boa fatia das nossas vendas na internet", diz Alexandre Icaza, da Glamour, site de vestuário previsto para estrear no Meu Shopping ontem.

LIKESTORE

Para ajudar pequenos comerciantes a também ter seu espaço no comércio social, a LikeStore criou uma ferramenta em que permite que qualquer pessoa crie sua loja no Facebook.

Desde maio, já reúne 1.060 lojas, tanto de microempreendedores como de grandes marcas. Todos pagam 2% das vendas à empresa, mais 5,9% ao criador da ferramenta de pagamentos.

Gabriel Borges, um dos fundadores, espera que, em um ano, as vendas na LikeStore gerem R$ 18 milhões.

FOLHA

Prisões não bastam para resolver distúrbios, diz "superpolicial" dos EUA


As comunidades não resolverão o problema das gangues apenas com detenções, opina o novo assessor anticrime do governo britânico, o americano Bill Bratton, ex-chefe de polícia nos EUA (onde é conhecido como "supercop", ou superpolicial).

Bratton, que liderou corpos policiais nas cidades de Los Angeles, Nova York e Boston, se encontrará com o premiê britânico, David Cameron, no mês que vem, para discutir a violência nas cidades britânicas.

A onda de choques, destruições e saques que se espalhou pelo Reino Unido na semana passada terminou com um saldo de 2.200 pessoas presas e com um reforço do policiamento nas ruas.

Cortes judiciais estão trabalhando neste final de semana, para agilizar o julgamento dos indiciados.


Para Bratton - que trabalhou na restauração da ordem em Los Angeles após uma onda de distúrbios, em 1992 - disse à rede americana ABC que "prisões são certamente (uma medida) apropriada para os mais violentos, para os incorrigíveis, mas uma parte do problema pode ser enfrentada de outras maneiras. E não é só uma questão policial, é uma questão social".

Admitindo que as mudanças que considera necessárias talvez não ocorram facilmente, ele acrescentou: "Parte do que o governo (britânico) fará é analisar o que funcionou e o que não funcionou durante a semana passada".

Bratton disse também que vai sugerir que se combinem táticas duras de combate ao crime com o ato de estender a mão às comunidades, para prevenir novos distúrbios.

DIFERENÇAS CULTURAIS

O governo britânico disse que o aconselhamento de Bratton será por um curto período de tempo. Ao mesmo tempo, reações iniciais de policiais indicam que a contratação enfrentará resistência.

O presidente de uma entidade de classe da polícia londrina, John Tully, disse acreditar que o trabalho do americano não será útil.

"Ainda que ele tenha um currículo estelar nos EUA, tem um estilo diferente de policiar. A cultura das gangues é diferente", opinou.

Um ex-comandante da Scotland Yard também se disse cético.

"Os americanos não curaram os problemas sociais de Nova York. O que fizeram foi prender as pessoas. É assim que funciona a política de tolerância zero", disse John O'Connor.

BBC BRASIL/FOLHA

Alemã tem doença causada pelo muro de Berlim, 50 anos após construção


Uma moradora de Berlim foi diagnosticada com Mauerkrankheit, ou "doença do muro", resultado de viver por muito tempo perto do muro erguido há 50 anos, em agosto de 1961, e que dividiu a cidade alemã durante quase três décadas.

O muro de Berlim dividiu uma cidade, famílias e deixou em algumas pessoas uma sensação de confinamento cujos resquícios ainda persistem em 2011.

Gitta Heinrich, que morava nas proximidades do muro, atualmente não tem muros em volta de sua casa em Berlim. As cercas são de árvores e arbustos e, dentro de sua casa, as portas ficam abertas entre as salas. Heinrich evita até hoje espaços fechados com multidões.


A alemã vive no vilarejo de Klein-Glienicke, nos limites da capital alemã. O vilarejo, em 13 de agosto de 1961, se transformou em um lugar estranho quando o arame farpado foi desenrolado, isolando a casa de Heinrich de outras que ficavam apenas na outra rua.

Quando o muro ficou pronto, Klein-Glienicke se transformou na ilha da Alemanha Oriental na Berlim Ocidental. A divisa entre a zona soviética e a zona americana fazia um ziguezague naquela parte de Berlim, perto de Potsdam.

Devido à excentricidade da rota, o muro bloqueou um lado da rua de entrada do vilarejo, deu a volta em Klein-Glienicke e foi parar no outro lado da rua de entrada. Do lado de fora, ficava a Alemanha Ocidental; dentro, era a Alemanha Oriental.

"O vilarejo todo era como uma prisão. Não importava onde você ia, você tinha de ver o muro", diz Gitta.

APERTO

Gitta estava de folga com o namorado na região do Báltico quando as barreiras começaram a subir em volta de sua casa: primeiro, o arame farpado, e depois, o muro e as torres de vigilância.

Ela e o namorado ouviram a notícia e tentaram voltar para casa de trem, mas os serviços para cruzar Berlim estava suspensos. Eles tiveram de dar a volta na cidade para voltar ao vilarejo. Ele não conseguiu permissão de entrada dos guardas, pois não estava registrado como alguém que vivia em Klein-Glienicke.

Gitta viveu no local junto com o muro, e quando ele foi derrubado, em 1989, ela foi ao médico pois se sentia ansiosa e inquieta. O médico então a diagnosticou com a "doença do muro".

"Era uma doença com um profundo impacto na mente. Era um sentimento real de aperto", diz.

A doença foi diagnosticada pelo psiquiatra Dietfried Mueller-Hegemann, de um hospital psiquiátrico de Berlim Oriental, que detectou indiferença e falta de propósito em seus pacientes.

Mueller-Hegeman registrou pelo menos cem casos no hospital onde trabalhava, até que ele mesmo conseguiu fugir para a Alemanha Ocidental, em 1971.

Os sintomas descritos incluem depressão, mania de perseguição e várias tentativas de suicídio, causadas por uma "situação de vida muito deprimente depois de 13 de agosto de 1961", dia em que a fronteira entre Berlim Ocidental e Oriental foi fechada.

FUNERAL

Depois que o muro foi erguido, a situação do vilarejo de Klein-Glienicke tornou-se surreal, com momentos comoventes.

Em setembro de 1962, houve um funeral no vilarejo, mas alguns integrantes da família da pessoa morta haviam se mudado para a parte ocidental em 1958, e seriam presos se voltassem.

O padre então decidiu fazer a cerimônia em frente ao arame farpado, e aumentou o tom de voz para que as duas filhas pudessem ouvir a cerimônia fúnebre da mãe.

"Pelo arame farpado podíamos ver a procissão do funeral com o caixão, o pastor e os familiares de Berlim Oriental, todos vestidos de preto", conta Ruth Hermann, neta da mulher que morreu.

"Não podíamos atravessar (para Berlim Oriental), tínhamos acabado de fugir para o ocidente. Meu pai, minha mãe e a irmã mais velha dela usavam roupas pretas, de luto, e foram protegidos pela polícia do lado ocidental".

A cena foi registrada por um fotógrafo do jornal Berliner Morgenpost.

LESTE-OESTE

Os moradores de Berlim Ocidental podiam se mover para outros locais se quisessem. Havia três estradas que atravessavam a Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental, e voos também.

No entanto, para os berlinenses do lado oriental, o muro era um bloqueio. E a "doença do muro" era uma doença de Berlim Oriental.

Apesar de toda esta situação, fotos de Klein-Glienicke tiradas na época mostravam uma normalidade surreal, como um jardim com uma criança sorridente e o muro de Berlim ao fundo.

Ou então uma típica casa do vilarejo com uma torre de vigilância, também ao fundo.

BBC BRASIL/FOLHA

Ex-seminarista gay e transexual se casam em Cuba


Um ex-seminarista gay e uma transexual se casaram em Havana (Cuba) neste sábado (13), em uma união inédita na ilha.

Ignacio Estrada e Wendy Iriepa formalizaram o seu casamento por volta das 17h (18h em Brasília), em uma cerimônia que teve como madrinha Yoani Sánchez, famosa blogueira de oposição ao regime cubano.

"Estamos muito felizes com o que ocorreu hoje", disse Sánchez em seu perfil no serviço de microblogging Twitter, logo depois do casamento. "(Foi) um passo grande em uma Cuba pequena".

Em Cuba, os casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo são proibidos, mas as autoridades permitiram a união, já que Wendy conseguiu ser reconhecida oficialmente como mulher em sua nova carteira de identidade. Ela passou por uma operação de troca de sexo em 2007.

A relação entre Wendy e Ignacio superou entraves burocráticos e também visões de mundo. 

Ele é um católico conservador e chegou a estudar em um seminário para se tornar padre. Ela trabalhava em um centro de educação sexual, que ajuda gays e lésbicas em Cuba.

Além disso, o casamento também teve dificuldades políticas. Devido à sua relação com Ignacio, que faz oposição ao governo, Wendy perdeu seu emprego no centro onde trabalhava - que é dirigido pela filha do presidente cubano, Raúl Castro.

ANIVERSÁRIO DE FIDEL

Neste sábado, também é celebrado o aniversário de 85 anos do ex-presidente cubano Fidel Castro.

"Agora foi que me dei conta que hoje é também o aniversário de Fidel Castro", disse Yoani Sánchez em seu perfil no Twitter.

"É que eu já estou vivendo a era pós-Castro", afirmou a madrinha do casamento.

Segundo a madrinha, o casal, depois de assinar o termo de casamento, passou pelo Paseo del Prado e pelo Malecón, dois dos principais cartões-postais da capital cubana.

No entanto, Sánchez afirmou que o acesso à Praça da Revolução foi bloqueada aos noivos.

BBC BRASIL/FOLHA

Mais de 426 mil são vacinados contra paralisia infantil em São Paulo


Balanço parcial da campanha de vacinação contra a paralisia infantil aponta que, até 11h deste sábado, 426,4 mil das crianças alvo da campanha foram imunizadas no Estado de São Paulo - 59.261 só na capital paulista.

De acordo com o boletim da Secretaria de Estado da Saúde, a meta é vacinar contra a paralisia infantil 2,83 milhões de crianças menores de cinco anos em todo o Estado.

Ainda segundo a secretaria, o número é melhor do que o registrado no balanço parcial da segunda fase da campanha de 2010. No ano passado, 277,6 mil crianças foram imunizadas nas três primeiras de funcionamento dos postos de saúde.

A primeira etapa da campanha, realizada em junho deste ano, imunizou 2,85 milhões de crianças.

A vacinação continua até 17h deste sábado.

FOLHA

PM apreende outra gangue de adolescentes em São Paulo


Um grupo formada por adolescentes suspeitos de realizar arrastões na Avenida Almirante Delamare, em Heliópolis (zona sul de São Paulo), foi detida nesta sexta-feira (12) pela polícia, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública).

O grupo era formado por seis adolescentes e por um jovem de 18 anos, Edílson Campos de Mota, que foi preso. A idade dos outros não foi revelada.

Segundo vítimas ouvidas pela polícia, os jovens aproveitavam os semáforos fechados para cercar os veículos e roubar os pertences.

A polícia abordou o grupo por volta das 20h45 da sexta-feira e encontrou com eles três armas de brinquedo, cartões bancários e documentos das vítimas, celulares, além de R$ 170 e notas de dólares.

Os menores foram encaminhados para a Fundação Casa e o rapaz de 18 anos permanece preso, segundo a SSP. O caso foi registrado no 26º DP (Sacomã).

FOLHA

Ellen Rocche faz cena erótica e cai a última 'invicta' de "O Astro"


Caiu a última "virgem" do núcleo central da novela "O Astro". Assim como quase todas atrizes na trama das 23h, da Globo, Ellen Rocche (Valéria) também teve sua cena de sexo, anteontem. A sexy auxiliar de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) sucumbiu ao ataque do ganancioso Samir (Marco Ricca), que, aliás, também já pegou a Guilhermina Guinle.
Já apareceram em trajes sumários Ellen, Alinne Moraes, Guinle, Carolina Ferraz, Fernanda Rodrigues, Vera Zimmerman e Regina Duarte. Esta última, inclusive, teve cena com direito a um cigarrinho pós-sexo.
"O Astro", remake da obra de Janete Clair, adaptado por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, é provavelmente a obra com maior quantidade de cenas eróticas desta década, na Globo.
Aparentemente, trata-se de uma estratégia da Globo para enfrentar outras seminuas --as semicelebridades de "A Fazenda", da Record. "O Astro" tem ganho desde a estreia do reality, exceto nesta sexta, quando dados não consolidados apontaram que ele perdeu de forma inédita por 17 a 15. Os dados fechados só devem ser divulgados na segunda pelo Ibope.
FOLHA

Estrangeiros seguem o dinheiro em direção ao Brasil


Refletindo sobre as tempestades financeiras que fustigam a Europa e os Estados Unidos, Seth Zalkin, banqueiro americano vestido casualmente, tomava um cafezinho e parecia satisfeito com sua decisão de mudar-se para cá, em março, com sua mulher e o filho deles.

"Se o resto do mundo está afundando, este é um bom lugar para estar", disse Zalkin, 39 anos.

Para quem guarda uma recordação, mesmo que fraca, da crise da dívida vivida pelo próprio Brasil nos anos 1980, a ordem global foi colocada de ponta-cabeça. A economia dos EUA pode estar se arrastando de joelhos, mas no ano passado a do Brasil cresceu no ritmo mais acelerado de mais de duas décadas anteriores, e o desemprego está em baixa histórica, parte da transformação do Brasil de caso inflacionário perdido em um dos maiores credores de Washington.

Com salários que rivalizam com os de Wall Street, tantos banqueiros, gerentes de fundos hedge, executivos petrolíferos, advogados e engenheiros estrangeiros vêm se mudando para cá que os preços de imóveis comerciais de alto padrão este ano superaram os de Nova York, fazendo do Rio a cidade mais cara das Américas em termos de aluguel desses espaços, segundo a empresa imobiliária Cushman & Wakefield.

Uma mentalidade de corrida ao ouro domina o ambiente, com o número de autorizações de trabalho para estrangeiros subindo 144% nos últimos cinco anos, sendo que o contingente de profissionais altamente instruídos que vêm se radicando no Brasil é liderado por americanos.

Não é de hoje que empresários sentem-se atraídos pelo Brasil, e o mesmo acontece com vigaristas interessados em enriquecer rápido, sonhadores com grandeza amazônica e até mesmo foras-da-lei como Ronald Biggs, o britânico que fugiu para o Rio depois de seu grande assalto a um trem postal inglês em 1963.

Hoje, porém, as escolas que recebem alunos americanos e de outras famílias de língua inglesa têm longas listas de espera, apartamentos podem custar US$ 10 mil por mês nas áreas mais cobiçadas do Rio, e muitos dos recém-chegados são diplomados pelas melhores universidades dos EUA ou possuem experiência de trabalho nos pilares da economia global.

Chegando aqui, eles se deparam com um país que enfrenta um desafio muito diferente daquele que é encarado pelos EUA e a Europa: o receio de que a economia esteja ficando superaquecida.

Uma coisa que constitui um choque especial para os recém-chegados é a força do real. Isso pode beneficiar brasileiros que vêm comprando apartamentos em lugares como South Beach, em Miami, onde os imóveis custam cerca de um terço dos preços de imóveis equivalentes nos bairros de alto padrão do Rio. Mas prejudica os manufatureiros e exportadores brasileiros.

Assim, em uma tentativa de impedir uma valorização ainda maior do real, o Brasil hoje é um dos maiores compradores de títulos do Tesouro americano, elevando seus interesses em jogo na economia americana enfraquecida. É uma quebra nítida com o passado, quando Washington ajudou a montar pacotes de resgate para o Brasil durante suas crises financeiras.

"O Brasil está se saindo muito bem, mas, francamente, semana sim, semana não eu me pergunto 'quando isto vai acabar?'", disse Mark Bures, 42, executivo americano que se mudou para o Rio em 1999, em tempo de assistir a uma desvalorização abrupta do real e outras oscilações acentuadas na prosperidade brasileira.

Alguns poucos americanos que vivem no Brasil há mais tempo chegam a se recordar do último "milagre" econômico do país, no início dos anos 1970, quando o "Wall Street Journal" citou um banqueiro otimista no início de um artigo de primeira página, prevendo que "em dez anos o Brasil será uma das cinco maiores potências do mundo". Em lugar disso, o país acabou onerado com uma dívida externa assustadora.

O boom recente das commodities e o crescimento do consumo interno, resultado da expansão da classe média, ajudaram a converter o Brasil em potência em ascensão que se recuperou facilmente da crise financeira global de 2008. No ano passado a economia cresceu 7,5%, e a expectativa é que este ano registre crescimento de 4% - menor, mas ainda invejável nos Estados Unidos.

Apesar disso, o Brasil apresenta muitos desafios que podem desencorajar estrangeiros que chegam ao país. A legislação trabalhista dá preferência à contratação de profissionais brasileiros em lugar de estrangeiros, e o demorado processo de obtenção de um visto de trabalho pode surpreender quem não está acostumado à colossal burocracia brasileira.

Alguns economistas consideram o real a moeda mais sobrevalorizada do mundo, com relação ao dólar, e a inflação vem subindo (conforme evidenciam Big Macs por US$6,16 e martínis por US$35). As taxas de juros teimam em continuar altas, e analistas discutem a possibilidade de estar se formando uma bolha de crédito, na medida em que os consumidores continuam mergulhados em uma orgia de compras de tudo, desde casas até carros, que já vem acontecendo há anos.

O Brasil não está imune à turbulência nos mercados globais, e o real se enfraqueceu um pouco este mês. O mercado imobiliário carioca tem estado agitado com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas sua infraestrutura é insuficiente. Embora tenha diminuído em algumas regiões, a criminalidade violenta ainda assola grande parte do país e também o Rio, que este mês enfrentou um incidente traumático de sequestro de um ônibus.

Mesmo assim, os estrangeiros vêm chegando, e as autorizações de trabalho para eles aumentaram mais de 30% em número apenas em 2010, segundo o Ministério do Trabalho.

"Eu só falava um português muito básico, mas pude perceber que este lugar estava vivendo um boom", contou Michelle Noyes, 29, nova-iorquina que organizou uma conferência de fundos hedge em São Paulo. Pouco depois disso, ela deu o salto: mudou-se para o Brasil para trabalhar em uma firma de gerenciamento de ativos.

"Me mudei da periferia do setor para o centro", disse Noyes, citando cinco outros americanos, dois de Nova York e três de Chicago, que estão se mudando para o Brasil este mês para tentar sua sorte.

Os americanos formam o maior grupo de estrangeiros que está se mudando para o Brasil, seguidos por contingentes de britânicos e outros europeus. Alguns vêm para contratos de trabalho temporários. Outros estão fundando empreendimentos pequenos ou grandes.

O americano David Neeleman, fundador da JetBlue Airways, recentemente criou a companhia aérea brasileira de baixo custo Azul. Corrado Varoli, italiano que comandava desde Nova York as operações latino-americanas do Goldman Sachs, agora comanda seu próprio banco de investimentos em São Paulo. Novas ponto.coms brasileiras como a Baby.com.br, empresa on-line de venda de fraldas no varejo fundada este ano por dois primos americanos recém-saídos de escolas de administração de empresas como a Wharton e a de Harvard, às vezes conferem ao Brasil um clima de bolha não muito diferente daquele que reinava nos EUA em 1999.

Outros estrangeiros vêm assumindo empregos em empresas brasileiras que estão crescendo com um boom resultante em parte do comércio do Brasil com a China.

"Nossos salários aqui no Brasil são pelo menos 50% mais altos que os salários pagos nos EUA por cargos estratégicos", disse Jacques Sarfatti, gerente para o Brasil da Russell Reynolds, firma que recruta executivos de empresas.

Estrangeiros competem com brasileiros que retornam ao país, vindos do exterior. "É muito evidente que o mercado de trabalho está tão ruim em outros lugares", disse Dara Chapman, 45, californiana que é sócia de um fundo hedge carioca, o Polo Capital. Ela disse que vem recebendo inúmeros currículos de interessados em mudar-se dos EUA para o Brasil.

As enormes descobertas brasileiras de petróleo na camada do pré-sal também vêm atraindo investidores e estrangeiros, entre os quais milhares de filipinos que trabalham em navios e plataformas petrolíferas marítimas. Para suas outras indústrias, o Brasil precisa de estimados 60 mil novos engenheiros, alguns dos quais precisam vir do exterior, em vista das insuficiências do sistema de ensino brasileiro.

"Eu me mudei para cá de Pequim um ano atrás e acho o potencial para o desenvolvimento profissional incrível", disse a chinesa Cynthia Yuanxiu Zhang, 27, gerente de uma empresa de tecnologia. "Já estou planejando estender minha estadia aqui para bem mais adiante nesta década".
Tradução de CLARA ALLAIN
THE NEW YORK TIMES/FOLHA

Grupo Onofre inicia venda on-line de eletrônicos


De olho no crescimento do comércio on-line, que deve girar cerca de R$ 20 bilhões em 2011, e na possibilidade de se diferenciar em serviços, o grupo Onofre iniciará a venda virtual de eletrônicos com entrega em até quatro horas, informa reportagem de Camila Fusco para a Folha.

Batizado de Onofre Eletro, o portal deve começar em meados de setembro com 300 itens à venda para a Grande São Paulo. Até lá, a rede venderá os produtos por telefone, a partir da próxima segunda-feira.

A intenção é aumentar as regiões em 2011. O investimento será de R$ 10 milhões.

Hélio Polito, ex-braço direito de Michel Klein, presidente das Casas Bahia, comandará as operações.

"Percebemos problemas de vários sites de e-commerce com logística. Então vimos que seria interessante ampliar a venda dos produtos e usar nossa rede de entrega de medicamentos", diz Marcos Arede, diretor comercial da Drogaria Onofre.

Além do prazo de entrega, outro apelo será a concessão de um cupom com 10% do valor da compra para ser usado na rede de farmácias.

FOLHA

Venda de imóveis no país despenca no 1º semestre


Algumas das maiores construtoras do país venderam menos imóveis novos no primeiro semestre deste ano que no mesmo período de 2010, informa reportagem de Carolina Matos para a Folha.

É o que mostram os balanços das empresas divulgados nesta semana.

A Rossi foi a que teve o maior percentual de redução (26%), seguida por Gafisa (22,1%), Cyrela (10,6%) e MRV (0,6%). A Tecnisa não informou os dados referentes a número de unidades.

Ontem, as ações da Rossi, Gafisa e Cyrela lideraram as baixas do Ibovespa, o principal índice da Bolsa do país.

Por causa da valorização imobiliária dos últimos 12 meses - que fez o preço do m² novo em bairros como Perdizes, zona oeste de São Paulo, saltar 65% -, essa queda de unidades comercializadas não representou, para as companhias, redução do valor das vendas contratadas.

Mas é sinal de que a explosão imobiliária perdeu ritmo.

Reportagem da Folha mostrou, em julho, a diminuição da velocidade de venda de lançamentos residenciais em estandes montados em diversos bairros.

Agora, o número menor de negociações aparece nos resultados financeiros das construtoras.

FOLHA

PM fecha cassino dentro de mansão no Jardim América em São Paulo


Um cassino clandestino que funcionava dentro de uma mansão no Jardim América, na zona oeste de São Paulo, foi fechado na tarde deste sábado (13), segundo a Polícia Militar.

A mansão de dois andares fica no nº 200 da Rua Bolívia, segundo a polícia. O cassino abrigava 56 máquinas caça-níquel, todas elas apreendidas.

No momento em que a polícia entrou na casa, por volta das 16h30, havia quatro funcionários no estabelecimento, mas apenas um cliente jogando. 

Todos eles foram detidos e encaminhados ao 78 DP (Jardins).

FOLHA

Corpos de operários soterrados em Santos são encontrados


Os corpos de dois operários soterrados numa pedreira em Santos (litoral de São Paulo) no dia 12 de abril foram encontrados no final da manhã deste sábado por equipes do Corpo de Bombeiros.

Segundo a corporação, um dos corpos já foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) local.

Nenhum dos dois foi identificado até o momento, mas os bombeiros afirmam que os corpos são do operador de retroescavadeira Jucelino Mendonça, 45, e do caminhoneiro Walter Santana Holtz, 49. Os dois foram soterrados há quatro meses depois que rochas deslizaram de uma altura de 125 metros sobre o caminhão e a retroescavadeira onde eles estavam.

A operação de resgate contou com três escavadeiras, dez caminhões e quatro perfuratrizes pneumáticas. No início da semana, o Corpo de Bombeiros já havia afirmado que estava perto de resgatar os corpos, quando encontrou vestígios do caminhão e da retroescavadeira.

FOLHA

Criminosos assaltam promotor de Justiça na frente de casa, no Pará


Um promotor de Justiça foi assaltado na tarde deste sábado quando chegava de carro à sua casa no bairro de Nazaré, na região central de Belém (PA).

De acordo com a Polícia Civil, o promotor havia descido do carro, sozinho, quando foi abordado por dois homens. O assalto, que ocorreu por volta das 13h, durou menos de um minuto.

Os bandidos conseguiram levar um cordão de ouro e outros pertences do promotor, que caiu no chão durante a briga.

A dupla fugiu em seguida. O promotor ainda buscou uma arma particular, que estava dentro do carro, e trocou tiros com os assaltantes, que entraram em um Gol preto estacionado próximo ao local.

A vítima acionou a Polícia Militar, que realiza rondas na região em busca dos criminosos. 

Ninguém foi preso até a noite deste sábado.

O promotor prestou depoimento à Polícia Civil, que informou que já investiga o caso. A polícia ainda não sabe dizer se os criminosos aguardavam o promotor ou se o abordaram por acaso.

FOLHA

Militares são presos com cocaína, maconha e ecstasy em São Paulo


Oito militares foram detidos após serem flagrados portando maconha, cocaína e uma pílula de ecstasy durante uma festa na cidade de Santa Isabel, na Grande São Paulo, na madrugada deste sábado, segundo a polícia.

Cinco deles permanecem presos em Santa Isabel e serão depois transferidos para o quartel do Comando Militar do Sudeste. Os outros três suspeitos assinaram termo circunstanciado e foram soltos.

A polícia não informou o nome dos suspeitos, nem sua patente militar. O Comando Militar do Sudeste irá abrir um processo administrativo para investigar os suspeitos, segundo o "SPTV", da TV Globo.

A polícia disse que os militares participavam de uma festa "estilo rave", realizada em um sítio da cidade. Outros participantes da festa também prestaram depoimento no DP de Santa Isabel, mas ninguém foi preso. A polícia não divulgou a quantidade de drogas apreendidas.

FOLHA

Exército faz blitz para tentar reaver camionete e arma furtadas no Distrito Federal


Soldados do Exército fazem blitze em vários pontos de Ceilândia e Taguatinga, no Distrito Federal, desde o início da manhã de hoje para tentar localizar uma camionete militar furtada na última quarta-feira na região de Taguatinga (DF).

Na camionete modelo D-20, pertencente à 3ª Brigada da Cristalina (GO), havia uma pistola 9 milímetros, também levada pelos ladrões.

O setor de inteligência do Exército recebeu a informação de que a camionete foi vista circulando na região de Taguatinga, o que levou às blitze de hoje.

Armados com fuzis e pistolas e transitando em jipes e caminhões de transporte de tropas, soldados do Exército param carros e pedem a documentação de motoristas na rodovia BR-070, que liga Brasília a Águas Lindas de Goiás, no Pistão Sul de Taguatinga e na Avenida Estrutural.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) disse à Folha que também viu soldados armados patrulhando a pé um setor habitacional de Ceilândia (DF).

Segundo a assessoria de comunicação social do Exército, a operação foi realizada "em cooperação com as autoridades de segurança pública do Distrito Federal". A assessoria informou não saber, no início da tarde, o número de militares envolvidos na operação, pois os dados estariam em poder da brigada em Cristalina.

A 3ª Brigada de Infantaria Motorizada é administrada pelo Comando Militar do Planalto, em Brasília.

Também não foram informados detalhes do furto e sob responsabilidade de qual militar estava a camionete e a arma.

FOLHA

Ah, esses moços!


Dom Odilo P. Scherer - O Estado de S.Paulo
Nos dias 16 a 21 de agosto será realizada em Madrid mais uma Jornada Mundial da Juventude. Promovida pelo Pontifício Conselho para os Leigos e pelas Conferências Episcopais e dioceses dos países escolhidos para sediar a Jornada, ela ocorre a cada dois ou três anos. Em 2008 foi em Sidney, na Austrália.
Madrid será tomada por uma grande multidão de jovens oriundos de todo o mundo; ali também chegará o papa Bento XVI, no dia 18 de agosto. Mais de 16 mil jovens do Brasil já estão de malas prontas para viajar para a Espanha; levam no coração a esperança de que o papa anuncie, no final do encontro, o nosso país como sede da próxima Jornada. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou esse desejo ao papa.
Foi João Paulo II que teve a iniciativa das Jornadas Mundiais da Juventude, com o objetivo de estabelecer uma nova interação da Igreja Católica com a juventude; isso se tem mostrado eficaz, pois, além dos jovens participantes desses encontros, muitos outros são envolvidos por iniciativas promovidas nos seus respectivos países, antes, durante e depois das Jornadas. A mensagem passada em cada Jornada acaba alcançando um número incalculável de jovens.
Nos próximos dias, Madrid será a "capital mundial da juventude"! Vindos de cerca de 170 países, das mais variadas culturas, raças e línguas, os jovens confraternizarão, partilharão experiências e alegrias, contando suas histórias e expressando a riqueza cultural e religiosa de seus povos. No programa terão celebrações religiosas e reflexões sobre o significado da fé cristã para o convívio social e para a edificação de seu futuro; mas também haverá muita manifestação cultural e oferta de oportunidades para descortinar horizontes novos na vida e para perceber o mundo a partir do horizonte que outros jovens têm.
Será uma verdadeira experiência de globalização a partir de valores compartilhados, em que as diferenças não dividem nem distanciam, mas somam e ajudam a compreender que, no fundo, as buscas mais imperiosas, os desejos mais ardentes e os valores mais genuínos de cada um são os mesmos de outros jovens também, em todo o mundo. Em Madrid será facilmente perceptível que a humanidade é, de fato, uma única grande família, com laços comuns, na qual todos são chamados a se irmanar, respeitar e conviver em paz, ajudando-se reciprocamente na edificação de um mundo bom para todos.
A ocasião é oportuna para uma reflexão sobre o que é oferecido hoje às novas gerações, em vista do seu futuro; afinal, é nelas que os adultos precisam investir, pensando no amanhã da sociedade e da humanidade. Impressiona-me, por vezes, encontrar jovens sem projeto para a vida, que rejeitam a ideia de se casar, constituir família, ter filhos... Impressiona-me ainda mais ver tantos jovens entregues ao consumo de drogas que matam, ou envolvidos em organizações à margem da lei e da sociedade, bem conscientes de que sua vida está sempre por um fio! E quantas vidas em flor são queimadas, como "arquivos" incômodos ou inúteis, depois de terem sido usadas inescrupulosamente?! A "mortalidade juvenil" é impressionante!
Alguém observou que os recentes tumultos em Londres mostrariam a "frustração niilista de jovens urbanos" (O Estado de S. Paulo, 10/8). Vemos jovens sem perspectivas de futuro, movendo-se na vida em terrenos movediços, sem convicções nem bases para edificar a existência, para os quais o horizonte se fecha por inteiro sobre o instante fugaz de um gozo passageiro! Lembramo-nos ainda de Amy Winehouse?
É culpa dos jovens? Seria muito cômodo apenas criticar os jovens. É preciso indagar sobre aquilo que lhes é oferecido na educação e na cultura que consomem todos os dias. Em quais fontes bebem para matar sua sede? As bases para os jovens edificarem sua vida não são postas por eles, mas pela geração adulta e pelo ambiente em que vivem. Como os jovens são preparados para assumirem seu lugar na sociedade, no mundo do trabalho e das responsabilidades sociais? Dados do Centro de Atendimento ao Trabalhador (Ceat) mostram que, de cada quatro empregos disponíveis, apenas um é efetivamente ocupado: os candidatos que se apresentam não estão preparados para assumir o posto em oferta! E é jovem a maioria dos candidatos! Sem dúvida, é preocupante. Boa parte deles pode estar perdendo o bonde da História.
Olhemos ainda para um outro aspecto da realidade, que interessa aos jovens. Certezas duradouras estão fora de moda! Vivemos tempos de superficialidade, de coisas descartáveis, de modismos passageiros e novidades "vantajosas", que suplantam a toda hora as convicções. As coisas valem na medida em que são consumíveis, de acordo com o apetite que podem despertar e satisfazer. O consumismo tomou conta também da cultura e dos comportamentos e se aplica ao próprio ser humano; e tende a invadir o campo das certezas morais e da religião. O subjetivismo e o relativismo produziram uma profunda crise de valores e de referenciais para os jovens. A norma é o politicamente correto, mesmo que esteja desprovido de verdade e de valores! "Ah, esses moços, pobres moços!".
Os jovens, por natureza, estão projetados para o futuro e têm o direito de sonhar com um mundo melhor, com perspectivas consistentes. Alimentar a sua esperança é tarefa da geração dos adultos, de toda a sociedade. As Jornadas da Juventude querem ser uma contribuição para isso, apontando para os jovens as bases sólidas do Evangelho de Cristo, para que possam edificar sobre elas seu futuro e se enraizar profundamente nos princípios do cristianismo: o respeito profundo pela dignidade de cada pessoa, a colaboração e a partilha, a fraternidade, a justiça e a paz. A Jornada de Madrid será uma amostra disso.
CARDEAL-ARCEBISPO DE SÃO PAULO
ESTADÃO

O futuro afeta o presente na fixação dos salários


A atual conjuntura mundial convenceu o governo brasileiro de que, malgrado o aumento das suas receitas, se deve dar prioridade ao corte das despesas, especialmente da máquina administrativa, para colocar o País em posição em que possa enfrentar o quadro com maior tranquilidade.
A preocupação adquire maior dimensão ao verificar-se que uma das condições para encarar a tempestade internacional será, talvez, a redução da taxa básica de juros - isso quando as pressões inflacionárias, que pareciam menores, dão sinais de uma nova onda de aumento.
Se for necessário recuar na aplicação de uma política monetária, que tem a vantagem de afetar todos os setores da economia, é absolutamente indispensável reduzir o impacto dos gastos públicos sobre o poder aquisitivo dos consumidores, o que exige dar prioridade à contenção dos gastos com pessoal da administração. Gastos que no primeiro semestre acusaram aumento de 11,3% em relação ao primeiro semestre de 2010, quando haviam crescido apenas 8,4%.
Mas, ao mesmo tempo que o governo está tomando consciência dessa necessidade, ele enfrenta pleitos de aumentos salariais descabidos do Poder Judiciário, assim como dos bombeiros e da Polícia.
Aliás, é o mesmo período de safra dos dissídios das grandes categorias dos sindicatos, que, aproveitando-se de uma situação de pleno emprego, estão pleiteando reajustes muito acima dos ganhos de produtividade.
No quadro de uma economia próspera, pode-se bem explicar essa evolução da luta por uma melhoria dos salários. No entanto, ela não seria tão firme diante da incerteza sobre a conjuntura internacional, se não fosse o efeito previsto para 2012 da legislação relativa ao salário mínimo.
Estamos diante de uma situação muito estranha, em que uma decisão relativa ao futuro (2012) exerce já uma profunda influência sobre o presente. Foi estabelecido que no próximo ano o reajuste do salário mínimo seja calculado com base no crescimento do PIB em 2010 (7,5%), acrescido da taxa de inflação de 2011. Isto é, que na melhor das hipóteses o reajuste será de 13,5%, atingindo não apenas o salário mínimo, como também os gastos da Previdência vinculados a ele. A previsão desse reajuste é hoje a base para as reivindicações dos sindicatos, que, em face do bom resultado das empresas, pedem um reajuste em razão da inflação e também uma participação nos lucros. O que não se entende é a prefixação do mínimo com um ano de antecedência, num clima de tanta incerteza. 
ESTADÃO

A base desensarilha as armas


Depois que o então presidente Lula, escaldado pela sucessão de inquéritos parlamentares sobre o mensalão, trouxe para o regaço do poder o PMDB e outros menos votados, pagando-lhes parceladamente as gratificações devidas, o Congresso amansou o bastante para não impedi-lo de fazer "o melhor governo da história brasileira", como não se cansaria de apregoar com o costumeiro desdém pelos fatos.
A sucessora Dilma Rousseff herdou a agigantada base lulista, mas não aprendeu com o seu mentor a jogar o jogo dos parceiros. Desafeita, por temperamento e formação, aos tapinhas nas costas, abraços apertados, risos afrouxados, conversas sobre futebol e piadas impublicáveis com que Lula, o encantador de serpentes, lubrificava cuidadosamente o seu rentável relacionamento com os políticos, e decerto por encarar de maneira diferente da do antecessor os misteres da função presidencial, Dilma só conseguiu agastar os aliados.
Delegou formalmente a interlocução política a um opaco deputado, Luiz Sérgio, sem traquejo para o ofício e sem meios efetivos de aplacar os apetites da base, enquanto o titular da Casa Civil, Antonio Palocci, com quem o pessoal realmente queria se entender, nem aos seus telefonemas respondia. Caído Palocci em desgraça, e removido para a Pesca o obscuro Luiz Sérgio, a presidente deu a entender à tigrada que daí para a frente tudo seria diferente, com a servidão de cuidar de suas demandas atribuída à senadora petista Ideli Salvatti.
Só que, além de Ideli se revelar "fraquinha", na impiedosa avaliação do então ministro da Defesa, Nelson Jobim, duas situações novas ajudaram a turvar a atmosfera entre o Planalto e o Congresso. A primeira, naturalmente, foi a varrição no Ministério dos Transportes, que Lula havia transformado em quintal do PR. As denúncias que se seguiram, na Agricultura e no Turismo apropriados pelo PMDB, agravaram o azedume dos políticos a ponto de eles passarem a alardear o seu desgosto com a presidente.
A segunda situação foi a crescente convicção do governo de que a crise internacional exige uma política de controle de gastos tida como incompatível, também, com a liberação sem peias dos recursos para as emendas parlamentares. Poucos exemplos podem retratar tão fielmente o divórcio entre as preocupações dominantes dos dois lados da Praça dos Três Poderes como, numa ponta, um alerta de Dilma e, na outra, uma queixa literalmente paroquial de um deputado.
Reunida com o enxundioso Conselho Político do governo, a presidente considerou "gravíssimo" o quadro externo. O que levou o líder do PTB na Câmara, o goiano Jovair Arantes, a comentar que "Paris e Londres estão a mais de 7 mil quilômetros da minha cidade", que precisa de obras. Não é que ao tempo de Lula o dinheiro para as emendas jorrasse com a presteza desejada pelos seus autores. Mas o peso de sua popularidade, a sua aptidão para passar a mão na cabeça dos políticos e a certeza deles de que seriam recompensados os mantinham na linha.
Não sendo Dilma um Lula, não contando com interlocutores capazes de suprir as suas carências no departamento do diálogo e tendo os políticos farejado sangue, começaram as represálias e as chantagens. Na quinta-feira, não foi a oposição, mas um bloco informal de 200 deputados da base que impediu a votação de um projeto de decreto legislativo de rotina, como quem avisa que isso é apenas uma amostra da disposição de enquadrar a presidente. No clima "gelado e com cerração" que o titular da Câmara, Marco Maia, identificou na Casa, estalaram advertências de uma eventual adesão de setores governistas à CPI da Corrupção que a oposição quer criar.
No desensarilhar das armas, ouviram-se ameaças como a de obstruir a prorrogação até 2015 do dispositivo que permite ao governo manejar como queira 20% do Orçamento e que expira no fim do ano; e a de aprovar duas emendas constitucionais que são anátema para o Planalto - a que cria um piso salarial para as polícias e os bombeiros no País e a que fixa um porcentual mínimo de gastos com a saúde. Embora prometa dar um tratamento espartano ao Orçamento de 2012, o governo já indicou aos aliados que vai afrouxar os cordões da bolsa. Que remédio? 
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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