sábado, 20 de agosto de 2011

ONG cria país fictício em que pobreza é total


Existe um lugar que é o oposto da Pasárgada imaginada pelo poeta Manuel Bandeira. Chama-se Precária e lá, ao contrário do local da poesia, não há quase nada.

É um país de 180 milhões de pessoas que vivem sem luz, água, comida e moradia. O segundo maior da América Latina, depois do Brasil.

Essa nação não existe no papel - mas atraiu a atenção da ONG chilena Um Teto para meu País (www.umtetoparameupais.org.br), que lançou campanha neste ano falando do Estado ao mesmo tempo imaginário e real.

Precária é a metáfora das mazelas da América Latina. Entre seus embaixadores, estão a escritora Isabel Allende e Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, que falou à Folha sobre a situação crítica de milhões na região.

Para Bachelet, pouco se fala de Precária porque é "um lugar de que não gostamos, que nos provoca culpa". Afinal, aponta, os países da região não conseguiram derrotar a desigualdade social apesar dos avanços econômicos.

"Esses países vêm enfrentando a crise econômica internacional de melhor maneira do que as grandes economias europeias", diz, "mas, enquanto persistir essa desigualdade, Precária seguirá existindo entre nós".

A ex-presidente acredita que é possível mudar a situação "tornando visível uma realidade que está aqui, na próxima esquina". Ela ressalta, também, a importância de governos, Parlamentos e municípios se comprometerem a resolver o que chama de uma "dívida pendente".

Precária concentra os dados humanitários das populações carentes do continente. Assim, no país, 45% da população teriam menos de 18 anos e viveriam em casas com piso de terra, por exemplo.

A entidade acredita que o Brasil tem o dever de servir de exemplo à região. 

"É um país que não precisa ser pobre", afirma o advogado Ricardo Montero, 28, diretor social da ONG no Brasil. "É um país injusto, e não pobre".

A meta da Um Teto para meu País é construir mil casas no Brasil até o final do ano. Em toda a América Latina, eles já mobilizaram 400 mil voluntários para erguer cerca de 80 mil moradias.

A organização, fundada em 1997, constrói cem moradias de emergência neste final de semana em São Paulo, com 1.100 voluntários.

"É um mito que o jovem brasileiro não quer ajudar os outros", diz Montero. Foram, afinal, 4.000 inscritos para a ação deste final de semana.

"Eles estão disputando para pagar inscrição e passar um fim de semana dormindo no chão, construindo casas".

FOLHA

Com hemorragia, Sócrates é internado na UTI


O ex-jogador de futebol Sócrates, 57, ídolo do Corinthians e da seleção brasileira, está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Segundo o Hospital Albert Einstein, ele sofreu uma hemorragia digestiva alta provocada por uma hipertensão portal.

Internado na sexta-feira, o estado do jogador não sofreu alteração na madrugada deste sábado.

Sócrates foi um dos principais nomes da chamada 'Democracia Corintiana', período da história do time paulista em que várias decisões eram tomadas após votação.

Um dos principais pontos da Democracia Corintiana foi a decisão de colocar um fim às concentrações. Os jogadores do time paulista treinavam e depois voltavam para suas casas. Só se reuniam no dia dos jogos para irem juntos ao estádio.

O Corinthians programou justamente para este sábado uma homenagem aos jogadores desse período. Sócrates também foi convidado, mas decidiu não participar do evento. Anteriormente, ele já havia mostrado insatisfação com o atual presidente corintiano, Andres Sanchez.

Recentemente, Sócrates chegou a ser cogitado para virar treinador da seleção de Cuba.

Em entrevista a Folha em junho, o ex-jogador disse que a possibilidade de ir para Cuba foi levada a ele por amigos, que iriam colocá-lo em contato com a diplomacia cubana. Socialista assumido, ele afirmou na ocasião que a chance de atuar na seleção cubana teria um peso bem mais ideológico do que o do próprio futebol. A paixão de Sócrates por Cuba não é de hoje. Um dos seus filhos foi batizado como Fidel em homenagem ao ex-ditador Fidel Castro, que comandou a ilha até 2006.

Ele é formado em medicina e trabalha na TV Cultura como comentarista esportivo.

FOLHA

Governo japonês pode intervir no iene após alta histórica em Wall Street


O governo japonês pode intervir no iene depois que nesta quinta-feira o dólar chegou momentaneamente ao patamar de 75 ienes em Wall Street, superando seu valor mínimo histórico registrado após a Segunda Guerra Mundial, informou a agência Kyodo.

No fechamento do pregão nova-iorquino, o dólar chegou a ser negociado a 75,95 ienes e ultrapassou o nível histórico registrado em 76,25 ienes no dia 17 de março, após o terremoto que atingiu o nordeste do país.

Apesar de o dólar ter atingido os 76 ienes em seguida, as autoridades monetárias japonesas estudam adotar medidas no mercado para controlar a alta da moeda, como já fizeram em 4 de agosto, acrescentou a Kyodo.

Na semana passada, o vice-ministro de Finanças japonês, Takehiko Nakao, culpou os especuladores pela recente alta do iene.

O governo do país se preocupa que o iene forte represente um duro golpe aos exportadores japoneses em um momento no qual lutam para se recuperar dos efeitos da tragédia de 11 de março.

As últimas altas do iene ocorreram em meio à incerteza sobre a evolução da economia global, afetada pelos problemas da dívida nos Estados Unidos e Europa.

O Japão interveio em no iene em 4 de agosto para frear sua alta, que naquele momento atingia o patamar das 77 unidades frente ao dólar, e aliviar a pressão sobre os exportadores japoneses.

FOLHA

Empresas elevam vendas, mas inflação reduz margem de lucro


As empresas brasileiras venderam muito, mas lucraram pouco no segundo trimestre deste ano, mostra estudo da consultoria Economatica, informa reportagem de Toni Sciarretta para a Folha.

O estudo revela que o aquecimento da economia beneficiou as empresas com forte expansão nas vendas, mas as companhias não conseguiram repassar o aumento dos preços de insumos e da mão de obra para seus produtos e serviços. O resultado foi a redução geral nas margens de ganho.

Na pesquisa, as companhias conseguiram vender 10,7% mais no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2010.

No entanto, o ganho no negócio principal (lucro operacional) ficou estacionado, aumentando só 1,8% na comparação com 2010.

Para Fernando Exel, presidente da Economatica e autor do estudo, esse descompasso entre vendas e lucros só pode ser explicado pela combinação de dois fatores:

1) O consumidor não aceitou preços maiores e as empresas tiveram de absorver sozinhas a alta de custos;

2) Para ganhar mercado (ou enfrentar a concorrência), as companhias tiveram de reduzir os preços.

FOLHA

Quadrilhas já atacaram 500 caixas eletrônicos em São Paulo


Pelo menos 500 caixas eletrônicos foram roubados ou furtados neste ano no Estado de São Paulo, segundo levantamento dos órgãos de inteligência da polícia, informa André Caramante,.

Análise parcial feita pela Folha revela que os principais alvos são as máquinas instaladas em agências bancárias (37%), seguidas por supermercados (22%) e postos de gasolina (10%).

Em média, cada caixa tem de R$ 70 mil a R$ 100 mil. Os ladrões intensificaram ataques às máquinas, em geral com explosivos ou maçaricos, para evitar os tiroteios em assaltos a banco.

Até junho, a Polícia Civil havia conseguido rastrear quatro quadrilhas. Em todas, foi detectada participação de policiais militares - atualmente, 35 estão sob investigação.

FOLHA

Violência entre Israel e Gaza acirra tensões com Egito


Israel atacou nesta sexta-feira militantes palestinos na faixa de Gaza, que reagiram disparando foguetes, após violentos confrontos na desértica fronteira com o Egito, o que provocou tensões entre Israel e os novos governantes no Cairo.

O Egito fez um protesto formal e exigiu que Israel investigue as mortes de três agentes seus que, segundo o Cairo, foram mortos por forças israelenses que perseguiam militantes culpados por emboscadas na quinta-feira. Ao todo, mais de 20 pessoas morreram.

Oito israelenses perderam a vida no ataque ocorrido próximo à fronteira com o Egito, e pelo menos sete militantes também foram mortos depois de serem perseguidos pelas forças israelenses ao longo da permeável fronteira com o Egito.

Israel prontamente atribuiu a responsabilidade a um grupo palestino que não é ligado ao movimento que governa a faixa de Gaza, o Hamas. O Estado judeu reagiu com dois dias de bombardeios aéreos que mataram dez militantes, além de duas crianças, de 5 e 13 anos.

Na quinta-feira, um desses bombardeios matou a liderança dessa facção palestina. Os ataques continuaram ao longo da sexta-feira. Os funerais reuniram grandes multidões, que entoavam slogans contra Israel e juravam vingança.

A emboscada de quinta-feira, em um trecho geralmente pacato da fronteira, pegou Israel de surpresa.

"Temos uma política de cobrar um preço muito alto de qualquer um que nos atacar, e tal política está sendo implementada", disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao visitar israelenses hospitalizados.

O Hamas também prometeu reagir. "Não vamos permitir que o inimigo promova uma escalada nas agressões sem ser punido", disse a ala militar do grupo islâmico.

Militantes de Gaza dispararam 22 foguetes contra cidades do sul de Israel nesta sexta-feira, segundo militares israelenses. Dois deles atingiram uma sinagoga e uma escola na localidade de Ashdod, ferindo duas pessoas, uma delas com gravidade.

Israel retaliou lançando mais de doze ataques aéreos, um dos quais matou dois homens armados no centro da Faixa de Gaza, já na noite de sexta, segundo fontes hospitalares palestinas.

Em resposta aos ataques israelenses, o braço armado do Hamas anunciou no início de sábado (horário local) que não está mais comprometido com uma trégua de mais de dois anos com Israel, que encerrou uma guerra, no início de 2009.

Mas, numa aparente tentativa de diminuir as tensões, um porta-voz do Hamas disse à Reuters que "essa não era a posição oficial" do grupo. O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, disse separadamente que estava buscando a intervenção do Egito e da ONU para "interromper a agressão contra Gaza".

INFILTRAÇÃO NO SINAI

Israel disse que os autores da emboscada de quinta-feira fugiram para fora da bloqueada faixa de Gaza e entraram no deserto do Sinai, que pertence ao Egito, para então seguirem rumo ao sul e se infiltrarem em Israel, onde atacaram perto da cidade balneária de Eilat, à beira do mar Vermelho.

As forças israelenses já estavam em alerta elevado contra um ataque, e se apressaram em atribuir a agressão aos CRP (Comitês de Resistência Populares), que negou envolvimento na emboscada de quinta-feira, mas reivindicou alguns dos foguetes disparados na sexta.

Os CRP disseram que seu comandante, Kamal al-Nairab, seu adjunto, Immad Hammad, e três outros membros foram mortos na quinta-feira em um bombardeio contra uma casa em Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito.

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir uma declaração, proposta pelos EUA, que condenava os ataques contra Israel. O Líbano, único país árabe no Conselho, impediu um acordo, pois insistiu que a declaração também condenasse os bombardeios israelenses contra Gaza, segundo diplomatas.

Líderes israelenses acusaram a junta militar que governa o Egito de perder o controle sobre a península do Sinai. Os governantes egípcios rejeitaram essa acusação, mas Israel teme que o seu outrora pacato flanco sul esteja rapidamente se tornando uma ameaça à sua segurança.

"Esperamos que o ataque terrorista de ontem (quinta-feira) na fronteira sirva como um ímpeto para que o lado egípcio exerça de forma mais efetiva a sua soberania sobre o Sinai", disse um alto funcionário do governo israelense, pedindo anonimato.

O Egito, por sua vez, manifestou indignação com a morte de um oficial do Exército e de dois agentes de segurança no seu lado da fronteira na quinta-feira, embora não esteja claro como essas mortes ocorreram. Testemunhas disseram que eles foram atacados por israelenses que haviam se disfarçado de soldados egípcios.

"O Egito apresentou um protesto formal a Israel pelos incidentes de ontem na fronteira, e exige uma investigação urgente sobre as razões e circunstâncias que cercam a morte dos três (integrantes) das forças egípcias", disse um oficial do Exército no Cairo.

FOLHA

Centenas se mobilizam na "Marcha das Vadias" em Buenos Aires


Centenas de pessoas se mobilizaram nesta sexta-feira em Buenos Aires na "Marcha das Vadias".

O lema da manifestação, inspirada em uma iniciativa canadense, contra a violência de gênero era "Não significa Não".

"Temos temas que precisamos dar visibilidade como a violência que a mulher vive em seu cotidiano, um problema que devemos resolver como sociedade, e a palavra vadia deve deixar de ser usada para justificar qualquer ofensa contra a mulher", afirmou Pamela Querejeta Leiva, uma das organizadoras.

A marcha começou no Obelisco e seguiu até o Congresso Nacional, enquanto aconteciam outras manifestações similares em Rosario (300 km ao norte de Buenos Aires) e Mar del Plata (400 km ao sul de Buenos Aires).

A "Marcha das Vadias" ou "Slut Walk" começou no Canadá, em abril, em resposta a um policial de Toronto que disse a universitárias que se não quisessem ser violentadas, elas deveriam deixar de se vestir como vadias. A marcha se disseminou para outros países, incluindo o Brasil.

FOLHA

Após ataques em Gaza, Hamas anuncia fim da trégua com Israel


O braço armado do Hamas anunciou a suspensão da trégua com o governo de Israel após ataques contra a faixa de Gaza, região controlada pelo grupo islâmico. O pacto estava em vigor desde 2009.

"Não há mais nenhuma trégua com o inimigo [Israel]", diz o comunicado divulgado em uma rádio controlada pelo Hamas.

Mas, numa aparente tentativa de diminuir as tensões, um porta-voz do Hamas disse à Reuters que "essa não era a posição oficial" do grupo. O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, disse separadamente que estava buscando a intervenção do Egito e da ONU para "interromper a agressão contra Gaza".

O anúncio - que pode provocar uma escalada da violência na região - foi feito nesta sexta-feira em uma rádio controlada pelo Hamas, depois de dois dias de bombardeios aéreos de Israel contra a faixa de Gaza, em resposta a uma ação atribuída a militantes palestinos que matou oito israelenses ontem.

Mais cedo nesta sexta-feira, pelo menos três palestinos morreram nos ataques israelenses à região, segundo fontes médicas.

Entre os mortos está um menino de cinco anos, declarou Adham Abu Selmiya, porta-voz dos serviços de emergência do movimento palestino Hamas, no poder em Gaza.

O ataque teve como objetivo uma motocicleta na qual viajavam dois homens e um menino. Os feridos são pessoas que passavam pelo local, a rua Almoghrabi, uma das mais movimentadas de Gaza.

Israel continua, desde quinta-feira, bombardeando a região palestina depois de um atentado na fronteira entre Israel e o Egito que deixou oito israelenses mortos. Apesar de nenhum grupo ter assumido o triplo ataque, Israel acusou milícias de Gaza e prometeu reação.

Em retaliação aos bombardeios, milícias palestinas lançaram ao menos vinte foguetes contra o território de Israel, segundo fontes militares israelenses.

ATAQUES A ISRAEL

Oito israelenses morreram e 25 ficaram feridos em três ataques realizados em uma estrada normalmente tranquila no deserto.

O ataque foi atribuído aos Comitês de Resistência Popular e teria sido perpetrado por terroristas que cruzaram de Sinai a Gaza pelos túneis de contrabando. Eles teriam viajado, em seguida, cerca de 200 km até uma área da fronteira entre Israel e Egito menos protegida, para então entrar no território israelense.

Fontes das forças israelenses dizem que o objetivo do ataque era sequestrar um soldado.

Ao menos sete dos agressores foram mortos pelas forças israelenses, que lançaram uma massiva operação de busca ao longo da fronteira, ao norte de Eilat, cidade turística na costa do mar Vermelho. Segundo uma autoridade egípcia, três guardas de segurança egípcios morreram na troca de tiros.

Israel acusou os militantes de Gaza de orquestrar o ataque e a força aérea israelense atingiu diversos alvos na enclave palestina nas horas seguintes, matando o comandante do grupo acusado da agressão.

FOLHA

Corpo de filho de Antônio Ermírio de Moraes é cremado em São Paulo


O corpo do empresário Carlos Ermírio de Moraes foi cremado no início da tarde desta sexta-feira no no Crematório de Vila Alpina, em São Paulo.

Filho de Antônio Ermírio de Moraes, ele morreu aos 55 anos na noite de quinta-feira (18), no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vítima de um câncer que enfrentava desde 2007. O velório foi realizado às 8h desta sexta-feira, no salão nobre da Beneficência Portuguesa de São Paulo.


Moraes era presidente do Conselho de Administração da Votorantim Participações desde 2001. 

Ele trabalhava no grupo Votorantim há mais de 30 anos, tendo atuado na Votorantim Cimentos, na CBA, na Votorantim Metais e na Votorantim Energia.

O empresário deixa a mulher e dois filhos, de 21 e 24 anos.

Em nota, a Votorantim informou que "perde um grande líder: exemplo de integridade, simplicidade, determinação e respeito, que sempre pautou sua vida pelos valores que tanto ajudou a disseminar em toda organização".

O grupo prosseguirá normalmente com as atividades diárias.

Em nota, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lamentou a morte do empresário.

"É com extremo pesar que recebemos a notícia da morte do Carlos Ermírio de Moraes, um dos mais notáveis empresários do país. Como presidente do Conselho de Administração do Grupo Votorantim, ele liderou na última década um conglomerado cuja trajetória se confunde com a história recente do Brasil. Transmito à família Ermírio de Moraes os meus pêsames e orações", disse Alckmin.

FOLHA

35 marcas de roupa são investigadas por trabalho irregular


No rastro da investigação sobre a Zara, 35 empresas do varejo de moda estão sob suspeita de utilizar mão de obra irregular.

Desse total, há 20 grandes marcas e 15 lojas do Brás e do Bom Retiro -bairros da região central de São Paulo com intenso comércio de roupas -, afirma Luís Alexandre de Faria, auditor fiscal do Ministério do Trabalho.

A base das suspeitas são os métodos semelhantes de fluxo de mercadorias.

Segundo Faria, os nomes não podem ser revelados para não prejudicar as investigações.

"Temos de realizar as operações aos poucos porque não temos condições humanas de ir a todos os locais ao mesmo tempo", disse ele.

Segundo o auditor, porém, as apreensões de mercadoria de grandes redes já efetuadas em ateliês com trabalhadores em condições desumanas não serviram de exemplo. "Esperamos pró-atividade de quem está em situação irregular, pois a fiscalização está se intensificando", afirma.

Faria cita que casos de redes conhecidas não foram suficientes para inibir a exploração de trabalhadores. Entre os mais recentes, estão apreensões de fornecedores de Collins, Pernambucanas, Marisa e 775.

OPERAÇÕES

Renato Bignami, assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho, afirma que desde julho de 2009 foram realizadas cerca de 30 operações de fiscalização no Estado de São Paulo. "Emitimos 200 autos de infração, com valores estimados em R$ 4,5 milhões", disse.

Segundo ele, os autos dão direito à defesa; a multa só é aplicada ao fim da análise. Também foram resgatados 84 imigrantes em condições degradantes de trabalho. "A maioria é da Bolívia, mas há outras nacionalidades, como peruana e paraguaia".

Bignami explica que, em julho de 2009, foi assinado um pacto estadual contra a precarização do trabalho por diversas entidades, entre elas Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Polícia Federal. "O setor do vestuário está sendo intensamente investigado desde então", afirma.

OUTRAS MARCAS

No ateliê em que foram apreendidas peças da Zara, no interior de São Paulo, a fiscalização também encontrou etiquetas da Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d'Água e Tyrol.

Segundo a diligência feita no local, metade das peças era destinadas à Zara, e o restante, às demais marcas.

Procuradas, as seis empresas negaram as acusações. Algumas delas disseram que são alvos de falsificações frequentemente.

Porém, segundo Nei Messias Vieira, procurador do Trabalho do Ministério Público de Campinas, havia indícios de que as peças eram originais.

FOLHA

Apple vale tanto quanto todos os bancos da zona do euro


A Apple vale tanto quanto todos os 32 maiores bancos da zona do euro, segundo estatísticas apuradas nesta sexta-feira pela Thomson Reuters.

A comparação é resultado de uma queda acentuada no preço das ações de instituições financeiras, incluindo Santander, BNP Paribas, Deutsche Bank e Unicredit ante o preço estável dos papeis da companhia de tecnologia norte-americana.

Mais cedo nesta sexta-feira, o índice DJ STOXX de bancos europeus caiu 4%, implicando um valor atual de seus 32 integrantes de US$ 340 bilhões.

Em contraste, o valor de mercado da Apple disparou a US$ 340 bilhões em meio ao sucesso do iPad e do iPhone.

O valor de mercado das instituições financeiras é baseado no volume de ações em circulação no mercado, que no caso de alguns bancos franceses em particular é menor do que 100%.

Desde o começo de julho, o índice europeu de bancos perdeu um terço de seu valor, atingido pelo temor de que as instituições perderão bilhões com seus ativos atrelados a bônus governamentais da zona do euro e pelo fracasso de líderes políticos e econômicos de impedir que a crise de dívida da região se espalhe.

Desde o pico em maior de 2007, os bancos da zona do euro perderam três quartos de seu valor.

FOLHA

País não vive apagão de mão de obra, dizem pesquisadores


O Brasil não vive um apagão de mão de obra generalizado, fenômeno caracterizado pela escassez de profissionais para ocupar postos de trabalho que exigem maior qualificação.

Ao menos esta foi a conclusão de três especialistas em mercado de trabalho que apresentaram seus estudos nesta sexta-feira em seminário realizado no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio.

Marcelo Neri (FGV), Paulo Meyer Nascimento (Ipea) e João Sabóia (UFRJ) concordaram com a tese de que a escassez de mão de obra é localizada só em alguns setores da economia.

Nascimento mostrou que há indícios de que o problema esteja acontecendo na área de engenharia, pois houve aumento no emprego de profissionais com mais de 50 anos e crescimento da renda dos engenheiros acima da média dos demais profissionais universitários.

Esses são sinais de que o mercado está retendo e pagando mais por trabalhadores que não consegue encontrar com facilidade no mercado. Para o pesquisador do Ipea, no entanto, é um erro generalizar esta situação para todos os setores.

Segundo ele, o país passa por um processo natural de ajuste do mercado após anos de estagnação. No nível técnico, por exemplo, ele argumenta que as matrículas em cursos profissionalizantes mais que dobraram de 2000 para 2010, um indicador de que o país está formando quadros mais qualificados para atender a demanda crescente do mercado.

RENDA

Marcelo Neri, da FGV, afirma que um indicador de que a escassez não é generalizada é que, na década passada, houve aumento na renda média dos trabalhadores analfabetos, e queda entre os que possuem nível superior.

Num quadro de escassez generalizada de trabalhadores qualificados, o esperado seria o aumento do salário médio dos trabalhadores com nível superior, pois haveria mais demanda do que oferta de mão de obra.

Neri argumentou que há, sim, escassez de mão de obra para setores básicos do mercado de trabalho.

Mas trata-se, em sua opinião, de um efeito colateral de um movimento positivo: "O filho do peão ou da empregada doméstica consegue hoje concluir o ensino médio e não quer a mesma ocupação dos pais. É a inflação da educação. As pessoas terão que pagar mais por esses serviços".

FOLHA

Espanhola Isolux transfere sede para o Brasil


A presidente Dilma Rousseff recebeu na tarde desta sexta-feira, no Palácio do Planalto, representantes do grupo espanhol Isolux Cosán, que trabalha com concessões nas áreas de rodovias, linhas de transmissão e energia solar.

Os executivos comunicaram a decisão de transferir a sede da empresa para o Brasil. Ela passará a se chamar Isolux Infrastructure.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Isolux Infrastructure, João Nogueira Batista, R$ 5 bilhões dos R$ 10 bilhões de investimentos planejados até 2014 serão concentrados no Brasil. A empresa foca seus trabalhos ainda na Índia, México, EUA e Espanha.

O grupo já trabalha em uma concessão rodoviária no país e pretende ampliar as participações na área em que atua.

FOLHA

Empresários aceitam aumento do aviso prévio para até 90 dias


Os empresários da indústria, agricultura e comércio se uniram para dizer ao STF (Supremo Tribunal Federal) que aceitam que o aumento do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço seja de até 90 dias.

Atualmente, as empresas concedem 30 dias. Mas em junho, o STF decidiu que o tribunal irá regulamentar, temporariamente, o artigo 7º da Constituição. Ele prevê o "aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo mínimo de 30 dias".

Em reunião nesta semana com o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, as confederações nacionais da indústria, transportes, comércio, agricultura e do sistema financeiro disseram que aceitam a manutenção do prazo atual e o acréscimo de três dias por ano trabalhado.

Essa proposta, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), só teria um limite de 20 anos. Com isso, uma pessoa que trabalhou durante esse período em uma empresa teria direito a 90 dias de aviso prévio.

Os empresários, no entanto, também apresentram outra proposta - que consideram a mais ideal -, que prevê a manutenção dos 30 dias e o acréscimo de apenas um dia por ano trabalhado. Sendo assim, se uma pessoa trabalhou em uma empresa por 10 anos, por exemplo, ela teria direito 40 dias de aviso prévio.

Os empresários ainda pediram que o STF não aplique o aviso prévio proporcional aos micro e pequenos empresários. Segundo o documento, essas categorias são de menor poder econômico e muitas vezes não conseguem pagar os encargos trabalhistas já previstos na legislação atual.

FOLHA

Servidor é demitido por postar piada sobre Dilma em Twitter


Um servidor da assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento foi demitido por ter publicado no Twitter oficial da pasta uma piada sobre a presidente Dilma Rousseff. A exoneração foi publicada no "Diário Oficial" da União desta sexta-feira.

Ele divulgou na quinta-feira (18) no microblog um link do site de humor "Sensacionalista" com uma sátira sobre a presidente.

O site brinca que a faxina de Dilma no "submundo de corrupção do governo" rendeu um contrato de propaganda.

"Ela fará o comercial do produto Veja Limpeza Pesada. A presidente chegou ser cotada para anunciar o Bombril, mas não aceitou. Dilma disse a amigos que seu trabalho é muito mais do que arear panelas. Trata-se de uma limpeza difícil, acumulada por muitos anos, que não poderia acabar com um produto qualquer", ironiza o "Sensacionalista".

Nesta sexta-feira, o próprio site publicou um nota sobre o episódio com o título "Real: twitter do governo publica notícia do Sensacionalista".

O ministério afirma que a brincadeira ficou apenas alguns minutos no ar antes de ser retirada.

OUTRAS DEMISSÕES

Em abril, um funcionário terceirizado da TV Brasil pediu demissão depois de ter feito um ataque ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Twitter oficial da emissora.

O funcionário da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, que presta serviço para a TV Brasil, disse que publicou a mensagem pensando estar usando sua conta pessoal.

Outro caso conhecido aconteceu em fevereiro quando o STF (Supremo Tribunal Federal) mandou dispensar uma funcionária terceirizada que questionou no Twitter quando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), iria pendurar as chuteiras.

"Ouvi por aí: 'agora que o Ronaldo se aposentou, quando será que o Sarney vai resolver pendurar as chuteiras?'", dizia o tuite publicado na página oficial do Supremo.

Após o incidente, o presidente do STF, Cezar Peluso, telefonou para Sarney para desculpar-se. Na conversa, o senador pediu que o ministro não tomasse medida contra a funcionária.

Uma nota oficial com pedido de desculpas também foi publicada na página do Supremo.

Já Sarney reagiu com bom humor. Em vídeo divulgado na página do Senado, ele afirmou que ficou "feliz" ao ser comparado com alguém que leva o apelido de "fenômeno".

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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