sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Caçado até a extinção, tigre-da-tasmânia não era ameaça


O tigre-da tasmânia (Thylacinus cynocephalus), animal caçado até a extinção na Austrália graças à sua fama de devorador de ovelhas, não era uma ameaça para os fazendeiros.

O estudo dos pesquisadores da Universidade de New South Wales, em Sydney, publicado no "Journal of Zoology", diz que o animal, também conhecido como lobo-da-tasmânia ou lobo marsupial, tinha mandíbulas fracas e suas presas precisariam ter o tamanho de um esquilo.

"Nossa pesquisa mostra que a mandíbula permitia apenas que ele atacasse presas menores e mais ágeis", disse Marie Attard, que liderou a pesquisa.

"Esta é uma característica incomum em grandes predadores, considerando que eles pesavam cerca de 30 quilos e tinham uma dieta carnívora. Quanto à suposta habilidade [dos tigres-da-tasmânia] de comer ovelhas, nossas descobertas indicam que essa reputação é, no mínimo, exagerada".

Além de sugerir que a caça aos tigres-da-tasmânia, incentivada e premiada por governos locais, não era justificada, a pesquisa também concluiu que a dieta do animal contribuiu para o desaparecimento da espécie.

"Eles precisavam caçar muitos animais pequenos para sobreviver. Logo, pequenas alterações no ecossistema, como as causadas pela chegada de colonos europeus, teriam reduzido suas chances de sobrevivência", explica Attard.

Os tigres-da-tasmânia habitaram várias áreas da Austrália e da Papua-Nova Guiné, mas no fim do século 19 só podiam ser encontrados na Tasmânia.

O último, chamado Ben, morreu em 1936 no zoológico de Hobart.

TESTES COMPUTADORIZADOS

Os cientistas da Universidade de New South Wales usaram avançadas técnicas de computação para simular diversos comportamentos predatórios e analisar o crânio do tigre-da-tasmânia.

"Nós escaneamos o crânio e aí aplicamos o mesmo programa normalmente utilizado em engenharia para calcular a pressão sobre estruturas construídas pelo homem, como pontes e asas de aeronaves", diz Stephen Wroe, que também participou da pesquisa.

O teste revelou que as mandíbulas do animal eram simplesmente fracas demais para abater uma ovelha adulta.

"Se um grande carnívoro, como um tigre por exemplo, quer matar uma presa grande, ele tem que prender seu pescoço e sufocá-la. O tigre-da-tasmânia não seria capaz disso".

Os pesquisadores também explicaram que os dentes do animal não eram feitos para triturar ossos.

"Ele ganhou uma reputação muito ruim na sua época, acusado de ser um cruel e devastador assassino de ovelhas", diz Attard.

Quando a iminente extinção da espécie ficou clara, o tigre-da-tasmânia recebeu proteção oficial do governo da ilha, mas já era tarde demais.

"Isso só aconteceu dois meses antes do último espécime conhecido morrer no zoológico de Hobart".

FOLHA

Megamamíferos peludos surgiram no Tibete, sugerem fósseis


Ao longo da última Era do Gelo, uma multidão de versões felpudas dos grandes mamíferos que conhecemos - rinocerontes, cavalos, cabras e bovinos cobertos com uma grossa camada de pelo - tomaram conta do planeta. Um novo estudo indica que a revolução peluda começou no remoto Tibete.

O caso mais claro é o dos rinocerontes-lanosos, bichos que, até pouco mais de 10 mil anos atrás, viviam da China à Itália e garantiam o churrasco de boa parte dos caçadores humanos da Eurásia, além de fornecer (involuntariamente) seus chifres como matéria-prima para lanças.

Acontece que o mais antigo membro do gênero dos rinocerontes-lanosos acaba de ser desenterrado no Tibete pela equipe de Xiaoming Wang, da Academia Chinesa de Ciências e do Museu Municipal de História Natural de Los Angeles.

Batizado de Coelodonta thibetana, o bicho de 3,7 milhões de anos possui todas as características anatômicas de seus parentes mais recentes, a começar pelo focinho aparentemente adaptado para remover neve do solo, facilitando a busca de comida.

Wang e companhia apostam que os rinocerontes-lanosos desenvolveram as adaptações cruciais para o frio nas neves eternas do Tibete e, conforme a Era do Gelo avançava, conseguiram se espalhar pela Eurásia.

Outros peludões, como os bisões e os carneiros-monteses, podem ter seguido o mesmo caminho ao longo do período glacial, atingindo até a América do Norte. A pesquisa está na edição desta sexta-feira da "Science".

FOLHA

Gás em reator causou apagão em 11 Estados do país


A explosão do reator de uma das linhas de transmissão da usina de Itaipu foi causada pela presença de gás no equipamento. O problema provocou o apagão que afetou partes de 11 Estados no fim da tarde desta sexta-feira.

A linha afetada liga Foz do Iguaçu (PR) a Ivaiporã (PR). A empresa Furnas, responsável pela linha de transmissão, diz ter constatado a presença do gás às 16h20 e solicitado ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) o desligamento do circuito "em caráter de urgência".

Ainda de acordo com Furnas, não houve tempo do ONS executar a manobra e, 25 minutos depois, ocorreu a explosão do reator - o que desligou o circuito.

Segundo o ONS, o apagão acabou afetando partes de 11 Estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso e Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Quando o sistema de segurança foi acionado, houve uma interrupção da transmissão de todas as outras linhas do setor de 60 Hz da usina. Segundo Furnas, porém, o desligamento desta interligação e dos demais equipamentos da subestação de Foz do Iguaçu não teve origem no seu sistema.

O setor de 50Hz de Itaipu - que atende o Paraguai e cuja energia excedente é comprada pelo Brasil -  não foi afetado.

A Itaipu ressalta que não houve problemas na geração de energia, e sim na transmissão. "As unidades geradoras do setor de 60 Hz da Itaipu não apresentaram nenhum defeito durante a perturbação, permanecendo disponíveis para atender o sistema", disse, em nota.

De acordo com o ONS, a falha ocorreu às 16h43 e o sistema voltou a funcionar às 17h13.

A perda de carga foi de aproximadamente 5.700 MW. O ONS determinou que as distribuidoras fizessem cortes para administrar a queda nas linhas de transmissão. Segundo o operador, as distribuidoras selecionaram os locais em que faltaria luz. Com a ajuda das outras geradoras, a perda de carga real foi estimada em cerca de 3.000 MW.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) afirmou que vai averiguar se a falha foi causada por alguma irregularidade. O Ministério de Minas e Energia disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.

FOLHA

Polícia Federal prende dupla com 40 kg de cocaína no Rio


Policiais federais prenderam, na tarde de hoje, dois homens que transportavam 40 quilos de cocaína. A droga estava armazenada em duas caixas de papelão com etiquetas com guias de transporte como se tivessem vindo de São Paulo para o Rio.

Os presos, que não tiveram os nomes revelados, saíam de um galpão no bairro de Ramos, no Rio e seguiam para a favela do Jacaré. A dupla prestou depoimento na noite desta sexta-feira na Superintendência da PF, no Centro do Rio.

FOLHA

Sony lançará atualizações para que celulares captem fotos em 3D


A multinacional japonesa Sony colocará à disposição dos usuários de seus celulares Xperia atualizações de software para habilitar o serviço de fotos em três dimensões, informou nesta sexta-feira Nikolaus Scheurer, responsável global de marketing de produto da Sony Ericsson.

Em declarações à Efe, Scheurer afirmou que a intenção da companhia é estender para outros aparelhos a tecnologia incorporada no terminal Xperia arc S, que permite fazer fotos em 3D com uma só lente em vez de duas objetivas se o usuário sustenta o aparelho e faz um giro panorâmico ao seu redor.

"O 3D é uma grande estratégia de Sony", explicou Scheurer, que também confirmou o desenvolvimento de jogos em 3D para celulares.

O Xperia arc S é uma das principais apostas da Sony Ericsson para o Natal, disse Scheurer, que portava um Xperia Neo e um Xperia Play, celular que conta com botões e controles de PlayStation. O Xperia Play é um "produto estratégico" para a Sony e está sendo introduzido progressivamente no mercado.

Scheurer destacou a "expectativa" que o modelo despertou na América Latina, especialmente no Brasil, onde foi apresentado semanas atrás, e no México, onde já está disponível.

Para completar, Scheurer revelou que o modelo supera a maioria dos games disponíveis e que, "nos próximos meses", o usuário já poderá ter acesso ao jogo Fifa 2012. Ainda segundo os dados de Scheurer, 70% dos compradores dizem que o modelo "satisfez ou superou suas expectativas".

EFE/FOLHA

Tablet da Amazon será vendido a metade do preço do iPad, diz site


O tablet da Amazon vai custar US$ 250, metade do preço da versão mais simples do iPad (US$ 500, nos EUA), de acordo com MG Siegler, do site de tecnologia TechCrunch.

Segundo Siegler, que passou uma hora com o dispositivo, mas não pôde fotografá-lo, o aparelho terá tela colorida de LCD de sete polegadas e rodará Android.
A Amazon modificou o visual do Android a ponto de torná-lo irreconhecível, de acordo com o TechCrunch.

Aplicativos poderão ser instalados somente por meio da loja virtual Amazon Appstore - não será possível acessar o Android Market, do Google, segundo Siegler.

O jornalista afirma que a empresa tinha planos de comercializar também uma versão com dez polegadas, mais cara, mas optou por lançar inicialmente apenas a versão menor.

A decisão de lançar a edição de dez polegadas dependerá do eventual sucesso do primeiro tablet, segundo MG Siegler.

FOLHA

Oprah Winfrey participará de bate-papo ao vivo no Facebook

A rainha do talk show Oprah Winfrey fará seu primeiro bate-papo ao vivo na rede social Facebook na quinta-feira, 8 de setembro.


Usuários do Facebook poderão acessar a conversa em vídeo às 14h30 (horário de Brasília) e deixar perguntas para Oprah na página criada para o evento. O bate-papo terá duração de uma hora.

Oprah, de 57 anos, aderiu às mídias sociais. Ela tem quase 6,3 milhões de fãs no Facebook e mais de 7,2 milhões de seguidores no Twitter.

Ela encerrou a última temporada do seu programa "The Oprah Winfrey Show" em maio. 

Atualmente, apresenta um programa no horário nobre do canal OWN (Oprah Winfrey Network), lançado no início do ano por ela.

FOLHA

Metallica e Lou Reed divulgam capa de novo álbum


A banda Metallica e o cantor Lou Reed divulgaram nesta sexta-feira a capa de seu álbum colaborativo, "Lulu".

O álbum é baseado na peça de 1913 de Frank Wedekind sobre a vida de um dançarino.

"Lulu" tem previsão de lançamento para o dia 1º de novembro nos Estados Unidos.

Na semana passada, os membros do Metallica afirmaram em entrevista que Lou Reed os fez chorar durante as gravações.

FOLHA

Festival no Colorado reúne Clooney, Scorsese e Glenn Close


Um documentário de Martin Scorsese sobre o falecido beatle George Harrison, a presença de George Clooney em "Os Descendentes", e um filme em que Glenn Close interpreta uma mulher que se faz passar por um mordomo - todos eles estão na programação do Festival de Cinema de Tellurid, uma estação de esqui no Colorado, que começa na sexta-feira.

O evento, que se estende pelo fim de semana prolongado dos EUA, é visto como um dos principais acontecimentos cinematográficos do país, sempre mostrando um eclético conjunto de filmes estrangeiros e norte-americanos. A programação definitiva para esta edição foi divulgada na quinta-feira, mas é comum que haja inclusões de última hora - e que esses filmes acabem disputando o Oscar.

Outros destaques deste ano incluem "A Dangerous Method", de David Cronenberg, com Michael Fassbender, Viggo Mortensen e Keira Knightley, mostrando o turbulento relacionamento do psicanalista Carl Gustav Jung, seu mentor Sigmund Freud e a paciente Sabina Spielrein.

"Os Descendentes", dirigido por Alexander Payne, tem George Clooney no papel de um pai de família indiferente que é forçado a re-examinar sua vida. Já o drama irlandês "Albert Nobbs" tem Glenn Close como roteirista e também interpretando o mordomo tímido que esconde o fato de ser mulher.

Outras obras de ficção incluem "Shame", dirigido pelo britânico Steve McQueen, também com Fassbender no elenco, e "We Need to Talk About Kevin", com Tilda Swinton.

O documentário de Scorsese sobre Harrison, "Living in the Material World", teve a colaboração da viúva do músico, Olivia, e promete canções e imagens inéditas.

Outros documentários selecionados incluem "Gazing Into the Abyss: A Tale of Death, A Tale of Life", de Werner Herzog, e "Pina", de Wim Wenders.

Alguns destaques da programação vêm de fora dos EUA. A polonesa Agnieszka Holland mostra "In Darkness", sobre um homem que trabalha na rede de esgotos e ajuda judeus a fugirem de um gueto na Polônia ocupada, e "O Cavalo de Turim", do húngaro Bela Tarr.

Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne levam ao Colorado seu "O Garoto de Bicicleta", que obteve menção honrosa neste ano no Festival de Cannes. Já "L'Artiste", do francês Michel Hazanavicius, rendeu o prêmio de melhor ator a Jean Dujardin em Cannes.

FOLHA

Grupo confirma que fumou cinzas de rapper Tupac


Membros do Outlawz, o coletivo de hip hop fundado por Tupac Shakur, confirmaram em entrevista a Vlad TV que fumaram as cinzas do rapper.

Young Noble e EDI Mean disseram ter fumado as cinzas após o funeral do rapper, que aconteceu numa praia.

Tupac foi morto em um tiroteio em Las Vegas em 1996 e teria pedido que os colegas fumassem suas cinzas na música "Black Jesus".

FOLHA

Stevie Wonder é a maior atração do Curaçao North Sea Jazz Festival


O cantor e compositor Stevie Wonder é a atração mais disputada do Curaçao North Sea Jazz Festival, cuja segunda edição será realizada hoje e amanhã, nessa ilha do Caribe. Vendidos a US$ 185, os ingressos para a noite de sábado, que será encerrada com o show do norte-americano, se esgotaram no início da semana. Na manhã de hoje só restavam poucos ingressos para a noite de estreia.

Espécie de franquia do holandês North Sea Jazz Festival (um dos maiores eventos musicais do mundo, conhecido por seus vários palcos com shows simultâneos), o festival de Curaçao repete nesta edição a bem sucedida receita musical do ano passado. O elenco combina nomes de prestígio nos universos do jazz e da música latina (Branford Marsalis, Danilo Pérez, Roberto Fonseca, Poncho Sanchez, Chucho Valdés e Ruben Blades) com figurões do pop e da black music (Sting, Sharon Jones, Earth, Wind & Fire, Chic e Dione Warwick).

A exemplo da edição passada, os organizadores do festival também promoveram shows durante esta semana para esquentar o evento. Essa programação preliminar foi iniciada na última segunda-feira (29/8) com o som dançante do grupo cubano Los Van Van, que, por coincidência, apresentou-se há poucos dias em São Paulo.

As noites seguintes foram dominadas por cantoras de diferentes países. Na terça (30/8), a holandesa Trijntje Oosterhuis atraiu centenas de compatriotas ao show que fez ao ar livre, no Avila Hotel. Com um repertório bem pop, que destaca antigos sucessos de Burt Bacharach e Michael Jackson, ela demonstra capacidade técnica, mas ainda é um tanto deficiente no item personalidade.

A lourinha belga Selah Sue saiu-se bem melhor. No show que lotou a casa noturna Mambo Beach, na quarta-feira (31/8), ela confirmou sua condição de revelação pop, com canções que misturam reggae, soul, hip hop e até pitadas de rock. Não à toa, Selah cita Bob Marley, Erykah Badu e Lauryn Hill entre suas influências. A plateia bem jovem reconheceu na hora "Raggamuffin", hit que a tornou conhecida graças ao clipe veiculado na internet pelo site MySpace.

Única atração brasileira no elenco do festival, a pianista e cantora paulista Eliane Elias fez um show irretocável, ontem, na concha acústica do Brakkeput Mei Mei, confirmando o prestígio que desfruta na área do jazz desde a década de 1990. Com um repertório centrado em clássicos da bossa nova, ela mostrou seu virtuosismo ao piano, em números como "Chega de Saudade" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e "Bananeira" (João Donato e Caetano Veloso).

Porém, além de não permitir que a imprensa a fotografasse, Eliane ainda correu o risco de soar antipática frente à plateia, ao interromper o show duas vezes para advertir alguns fãs que estavam usando suas câmeras fotográficas. Daí em diante, a plateia reagiu de maneira mais morna.

FOLHA

Globo não autoriza Russo a participar de homenagem


Um dos assistentes de palco mais conhecidos do Brasil, Russo, 80, não foi liberado pela Globo para participar do 18º Prêmio Multishow, no qual seria homenageado.

Segundo a assessoria do canal pago, a emissora alegou incompatibilidade de agenda para a presença dele na cerimônia, marcada para acontecer no Rio, na noite de 6 de setembro. O Multishow, canal da Globosat, e a Globo fazem parte do mesmo grupo de comunicação, as Organizações Globo.

Atualmente, Russo - que está há 45 anos na Globo e cujo nome é Antônio Pedro de Souza Silva - trabalha na montagem do cenário do "Big Brother Brasil 12", que deve estrear em janeiro.

Ele ficou conhecido pela participação no extinto "Cassino do Chacrinha". Também fez parte da equipe do "Domingão do Faustão" e do "Caldeirão do Huck", onde esteve até o início deste ano.

"Fico com saudade do palco agora que só fico no estúdio", contou Russo em entrevista por telefone à Folha na tarde de quinta-feira.

A homenagem foi programada pelo Multishow porque a edição deste ano do prêmio, apresentada pelo comediante Bruno Mazzeo, será temática sobre produções de auditório. A eterna jurada Elke Maravilha também será homenageada.

Ao saber da presença dela, ele brincou: "A Elke vai estar lá? Que maravilha!". "É a primeira vez que vão me homenagear, antes falavam que era homenagem, mas foi só bate-papo", contou.

Apesar da idade, ele diz não ter intenção de se aposentar. "Vou ficar na Globo até me mandarem embora, se eu parar eu morro".

O diretor do Multishow, Guilherme Zattar, contou que ainda pretende tentar conseguir a liberação da Globo para Russo participar da homenagem.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Globo confirma que não autorizou a ida de Russo à homenagem. A emissora disse que Russo já estava escalado para um compromisso.

FOLHA

Nelson Leirner comemora 50 anos de carreira com retrospectiva em São Paulo

Em 1967, Nelson Leirner mandou um porco empalhado para um salão de arte em Brasília, e o bicho foi aceito pelos críticos como uma obra.

Mais de 40 anos depois, o homem que se consagrou como iconoclasta da arte brasileira, com fama de apontar as bizarrices do meio em obras ácidas e irônicas, abre uma retrospectiva em São Paulo sem o malfadado animal.

Enquanto o porco viaja para Bruxelas, onde será destaque no festival Europalia, deixa na Galeria de Arte do Sesi sua ausência sintomática, ressaltando os trabalhos que o próprio Leirner considera mais palatáveis ao mercado.

"Minha obra continua crítica, mas a crítica não funciona mais", diz Leirner à Folha. "Ela foi engolida, a sociedade aprendeu a consumir o artista. Não tem como criticar sendo consumido. Todos nós viramos marca registrada".

No caso, ele sabe que será sempre tachado de "irreverente, irônico e bem humorado". "Mas ninguém pensa que posso estar deprimido, que também tomo remédios todos os dias para dormir".

Apesar da derrota do Corinthians no dia anterior à entrevista, Leirner não parecia triste. Ele está consciente e não esconde essa lucidez.

"Tudo ficou pasteurizado, e eu tento alertar para isso no meu trabalho, como se dissesse: olhe, sinta", diz ele. "Só que nem eu mesmo sinto nada. Arte hoje é fabricada, tem que ter galeria, mercado e produzir, gerenciar, ser um pequeno industrial".

Em 1966, Leirner fundou com Wesley Duke Lee e Geraldo de Barros uma galeria alternativa, a Rex, que tentava expor a insensatez programada do mercado de arte. Teve prejuízo retumbante e acabou com um "happening" em que as obras foram doadas a quem passasse pelo espaço.

Agora, o artista conta que divide o que faz entre arte e hobby. Grande obra da mostra que abre na semana que vem, "Hobby" é um conjunto de 3.000 pequenos objetos fabricados por ele em momentos de tédio ou distração, noites vazias em quartos de hotel ou longos voos de avião.

É mais uma estocada no seio da arte, meio que ele mesmo aprendeu a moldar a seu favor nos últimos 50 anos.

No próximo dia 12, o Instituto Tomie Ohtake destaca essa experiência mostrando obras de Leirner ao lado de trabalhos de seus ex-alunos, como Leda Catunda, Iran do Espírito Santo e Dora Longo Bahia, todos hoje mais do que consagrados no mundinho.

NELSON LEIRNER

QUANDO abre 5/9, às 19h, no Sesi, e 12/9, às 20h, no Tomie Ohtake

ONDE Galeria de Arte do Sesi-SP (av. Paulista, 1.313, tel. 0/xx/11/ 3146-7405) e Instituto Tomie Ohtake (av. Brig. Faria Lima, 201, tel. 0/xx/11/2245-1900

QUANTO grátis

FOLHA

Avião da Força Aérea do Chile desaparece com equipe de TV a bordo


Um avião da Força Aérea do Chile (FACH) com 21 pessoas a bordo desapareceu nesta sexta-feira quando seguia para o arquipélago Juan Fernández, no sul do Pacífico, a 670 km do continente, informaram as autoridades.

"Um avião desta instituição que se dirigia à ilha de Juan Fernández perdeu contato pelo rádio quando se aproximava da ilha e está desaparecido", revelou a FACH, acrescentando que já iniciou "as ações de busca".

Entre os passageiros do aparelho está Felipe Camiroaga, conhecida figura da TV chilena, informou a FACH.

O ministro da Defesa, Andrés Allamand, explicou que o avião, um Casa 212, tentou pousar na ilha em duas ocasiões "sem sucesso, e depois perdeu contato, sendo considerado desaparecido".

"Devo esclarecer que o cenário que enfrentamos é particularmente adverso", disse Allamand, acrescentando que foi deflagrada uma vasta operação de busca, por ar e mar.

O avião partiu de Santiago com três tripulantes e 18 passageiros a bordo, incluindo uma equipe do canal estatal TVN, sob o comando de Felipe Camiroaga.

A equipe de TV realizaria uma reportagem sobre a reconstrução da vila do arquipélago destruída pelo tsunami provocado pelo terremoto de 27 de fevereiro de 2010.

O prefeito da ilha, Leopoldo González, disse ao TVN que foram encontrados "destroços no mar".

FRANCE PRESS/FOLHA

Nos EUA, governo processa 17 bancos por crise financeira de 2008


Dezessete bancos e instituições financeiras americanas estão envolvidos em um processo apresentado nesta sexta-feira pela Agência Federal de Financiamento Imobiliário (FHFA, na sigla em inglês), que acusa a estes organismos de fraudes e manipulações que culminaram na crise de crédito do setor hipotecário americano (conhecida como a crise dos "subprimes"), iniciada em 2008, disse a própria FHFA nesta sexta-feira em comunicado.

O "New York Times" já havia noticiado o processo em sua página na internet e este foi confirmado pela FHFA na noite desta sexta-feira. Os processos devem custar mais de US$ 30 bilhões em indenizações que serão cobradas de grandes bancos, entre eles o JPMorgan Chase e o Deutsche Bank.

Segundo a CNN, os bancos que enfrentarão processo são: Ally Financial; Bank of America; Barclays Bank; Citigroup; Countrywide Financial; Credit Suisse Holdings; Deutsche Bank; First Horizon National; General Electric; Goldman Sachs; HSBC North America; JPMorgan Chase; Merrill Lynch/First Franklin Financial; Morgan Stanley; Nomura Holding America; Royal Bank of Scotland e Société Générale.

Após o anúncio feito pelo "New York Times", os títulos dos principais estabelecimentos financeiros americanos passaram a apresentar quedas na Bolsa de Nova York.

As ações questionam o papel desempenhado pelos bancos na renegociação de créditos hipotecários de alto risco - baseados em investimentos de devedores artificialmente incrementados e inclusive falsificados - sob a forma de título da dívida vendidos nos mercados.

Esses créditos, chamados "subprime", geraram a crise financeira que teve início em 2007 e teve seu auge em 2008-2009, quando o sistema como um todo entrou em colapso após o "default" (calote) de milhares de devedores e a queda dos títulos, o que resultou na quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, no dia 15 de setembro de 2008.

A crise dos "subprimes" gerou perdas de US$ 30 bilhões ao Fannie Mae e ao Freddie Mac, dois organismos semi-estatais de refinanciamento hipotecário, que foram salvos da falência pelas autoridades federais americanas em setembro de 2008 através do dinheiro dos contribuintes.

Esses dois bancos, sozinhos, são responsáveis por 90% de todo o crédito imobiliário acordado nos Estados Unidos.

A FHFA vai exigir o reembolso dos US$ 30 bilhões que o Fannie Mae e o Freddie Mac perderam em títulos de créditos hipotecários, explicou o "New York Times".

FOLHA

John Deere demite 104 no Rio Grande so sul, mas diz que mantém investimentos


A John Deere anunciou hoje a demissão de 104 funcionários da fábrica de colheitadeiras em Horizontina, no noroeste do Rio Grande do Sul. O contingente equivale a cerca de 5% do quadro da unidade, que a partir de agora ficará com 2.000 empregados, informou a empresa por intermédio de sua assessoria. A medida não atinge a planta de Montenegro, onde a multinacional produz tratores.

Conforme a John Deere, as demissões devem-se à "reestruturação" em curso com o objetivo de "aumentar a eficiência operacional da unidade e manter a competitividade do seu negócio". Mesmo assim, a empresa afirma que mantém a "política de investimentos" no Estado, devido à importância da região na produção agrícola brasileira.

Em abril, quando demitiu outros 230 empregados em Horizontina, a multinacional informou que a decisão havia sido tomada para "ajustar a força de trabalho aos ciclos de produção", além de alegar dificuldades impostas pela Argentina para liberação das licenças de importação de equipamentos agrícolas. Na época, segundo o sindicato dos metalúrgicos da cidade, a planta empregava 1.900 pessoas.

De janeiro a julho deste ano a John Deere aumentou em 27,2% as vendas de tratores no mercado interno em comparação com igual período de 2010, para 5,9 mil unidades, e em 35,3% as entregas de colheitadeiras, para mil máquinas. Nesta semana o diretor de marketing da empresa para a América Latina, João Pontes, disse que a meta até o fim do ano é "melhorar um pouco" a participação atual da companhia no mercado interno, que é de 19% no segmento de tratores e de quase 40% no de colheitadeiras.

Antes de 2011, a empresa já havia promovido duas grandes rodadas de demissões no Estado entre outubro de 2008 e janeiro de 2009. Naquele período, 702 funcionários haviam sido afastados e o quadro foi reduzido para 1,6 mil pessoas.

VALOR ONLINE/FOLHA

Shopping Iguatemi tem 4º aluguel mais caro das Américas

O Shopping Iguatemi São Paulo subiu mais um degrau no ranking de endereços comerciais mais caros das Américas.

Levantamento da Cushman & Wakefield aponta que o aluguel comercial do shopping foi o quarto mais caro das Américas, no período de 12 meses encerrados em junho, ante a quinta colocação da sondagem anterior.

As três primeiras colocações são de localidades em Nova York, lideradas pela 5ª Avenida, que se manteve no topo do ranking da região.

Conforme a Cushman & Wakefield, a demanda por espaços comerciais de alto padrão para locação no Brasil tem se fortalecido, com base nas perspectivas para vendas do varejo, na queda do desemprego e no aumento da renda disponível. Os aluguéis comerciais de alto padrão tiveram elevação de 15,1% no país, nos 12 meses encerrados em junho ante a média móvel anterior.

A consultoria cita que São Paulo e Rio de Janeiro dominam o mercado em relação à qualidade das lojas de rua e dos shopping centers e, consequentemente, têm as locações mais caras.

As marcas de luxo continuam concentradas nas duas cidades, mas já se considera a expansão para outros mercados. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro se destaca no crescimento dos valores de aluguéis comerciais.

Na classificação global, a 5ª Avenida, em Nova York, segue na liderança das locações mais caras, seguida pela Causeway Bay e pela Central, ambas em Hong Kong.

VALOR ONLINE/FOLHA

Ministro defende tributar cigarro e bebida para financiar saúde


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta sexta-feira (2) que cigarros, bebidas alcoólicas e veículos tenham maior tributação para financiar a saúde pública no Brasil.

Segundo ele, os três itens deveriam contribuir porque "impactam na saúde do Brasil" e deveriam ser tributados de forma a custear os serviços de atendimento aos pacientes.

"Eu defendo que fontes possíveis [de recursos para a saúde] sejam a tributação de cigarro, pelo impacto que o cigarro tem na saúde do país, tributação do álcool, pelo impacto que o álcool tem na saúde do país, tributação de motocicletas, carros, porque os acidentes de trânsito vitimam as pessoas e impactam na saúde do país. Eu defendo isso", disse Padilha.

O ministro negou que Dilma tenha falado em criar um novo imposto para a saúde. "Eu ouvi a presidenta fazendo uma crítica a quem criou a CPMF e não destinou os recursos da CPMF para a saúde como deveria destinar. 

Isso que eu ouvi ela falar", afirmou ele a jornalistas.

Na segunda-feira (29), a presidente Dilma Rousseff afirmou que é preciso criar uma "fonte de receita" para financiar a saúde antes da aprovação da emenda 29, que regulamenta os gastos no setor. Após reunião de seu conselho político, ela fez um apelo aos aliados para não aprovarem propostas que aumentem os gastos do governo.

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), Dilma e vários de seus ministros "aceitariam" a criação de um novo imposto para financiar a saúde.

O deputado falou sobre o assunto no programa "Poder e Política - Entrevista"
, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.

Em reunião com líderes de partidos da base na quarta-feira (31), o ministro Alexandre Padilha (Saúde) já havia alertado que, caso a emenda 29 seja regulamentada como está, o país irá perder R$ 6 bilhões que hoje são gastos na saúde. A emenda trata da destinação de recursos para a o setor.

A informação se refere a um erro no texto aprovado no Congresso em 2008 e serve às intenções do Planalto de tentar atrasar a votação na Câmara da regulamentação da emenda para que se possa incluir uma nova fonte de recursos para a pasta ou mesmo enviar um novo texto para jogar para o próximo ano a conclusão das discussões.

CIGARROS

Em medida anunciada junto da nova política industrial do governo, os cigarros podem ficar até 20% mais caros a partir de dezembro por causa nas novas alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) estipuladas pelo governo federal. O reajuste deve chegar a 12%, em 2013; a 13%, em 2014; e a 10%, em 2015. A Receita Federal prevê que a arrecadação passará dos atuais R$ 3,7 bilhões anuais para R$ 7,7 bilhões a partir de 2015.

O governo definiu também preços mínimos para a venda do maço de cigarro. De 1º de dezembro de 2011 a 31 de dezembro de 2012, a embalagem não poderá ser vendida por menos de R$ 3. O valor sobe para R$ 3,50 em 2013; R$ 4, em 2014; e R$ 4,50, em 2015.

FOLHA

Reajuste do Judiciário terá impacto de R$ 7,7 bilhões


Com fortes críticas à pressão pelo reajuste salarial do Judiciário e do Ministério Público, a presidente Dilma Rousseff encaminhou nesta sexta-feira (2) ao Congresso uma mensagem incluindo no Orçamento de 2012 a previsão de aumento. A proposta terá um impacto de R$7,7 bilhões.

No texto, a presidente reclama do tamanho do reajuste e diz que encaminhou a proposta "cumprindo dever constitucional". Para a presidente, o aumento pode prejudicar a execução de programas.

"A inclusão de propostas grandes de reestruturação para o funcionalismo federal prejudicaria a efetiva implementação de políticas públicas essenciais como as da saúde, educação e redução da miséria", diz a mensagem.

A ausência do reajuste do Judiciário no Orçamento provocou um mal-estar com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e levou o governo a rever a proposta. Diante do risco de crise institucional, ministros de Dilma foram enviados na noite de quinta-feira (1º) para uma reunião de emergência com o presidente do STF, Cezar Peluso, para discutir a política de reajuste.

Ao justificar a inclusão do aumento, a presidente disse que a proposta não foi encaminhada inicialmente no Orçamento de 2012 por conta das incertezas do cenário financeiro internacional.

"Há possibilidade de agravamento na situação econômica internacional em 2012, com risco de recessão em economias avançadas e forte volatilidade nos preços dos ativos financeiros. Um aumento excessivo na despesa primária do Governo central traria insegurança e incerteza sobre a evolução da economia brasileira em um contexto internacional já adverso".

Dilma ainda sustenta que "o Poder Executivo já adota uma política de moderação no crescimento de suas despesas de pessoal, de modo a privilegiar a execução de investimentos e de programas sociais em seu orçamento".

Para a equipe econômica, a demanda do Judiciário é impraticável por três razões: onera os cofres públicos, provoca efeito cascata em outras categorias e aumenta a pressão de servidores não contemplados.

FOLHA

Bovespa cede 2,7% com fortes perdas nos EUA e Europa


Em um dia turbulento para os mercados internacionais, os investidores reagiram com nervosismo aos números frustrantes da economia americana.

No velho continente, as principais Bolsas tiveram perdas entre 2,3% (Londres) e 3,3% (Frankfurt).

Do outro lado do Atlântico, a influente Bolsa de Nova York caiu 2,20%, uma retração de magnitude pouco frequente para essa praça financeira.

E no front doméstico, a "euforia" com os juros mais baixos perdeu força rapidamente: a Bolsa brasileira retrocedeu 2,73%, praticamente apagando os ganhos acumulados na sessão de ontem. O giro financeiro, no entanto, foi um pouco menor, na casa dos R$ 7,17 bilhões.

De sexta a sexta, porém, o Ibovespa registrou ganhos de 5,9%, o mais alto para um período semanal desde o final de julho do ano passado.

Já o dólar comercial foi negociado por R$ 1,636, tendo forte alta (1,17%) pelo segundo dia e acumulando um avanço de 1,9% na semana.

"Na semana que vem devemos ter mais alguns dias que podem trazer nervosismo para o mercado. Depois do feriado de segunda, temos a divulgação do índice ISM [sondagem do nível de atividade] do setor manufatureiro, entre outros indicadores importantes dos EUA. E no Brasil, nós vamos ter a ata do Copom [comitê do Banco Central que decide a política de juros do país] e que surpreendeu 100% dos economistas", comenta Luiz Gustavo Pereira, da equipe de análise da Um Investimentos.

Prevista para quinta-feira, a ata vai explicitar os motivos que levam os integrantes do Comitê a reduzirem a taxa básica de juros de 12,50% para 12%, quando muitos esperavam a estabilidade da Selic.

A queda do Ibovespa foi agravada pelas fortes perdas vistas nos papéis da Petrobras, que desabaram 3,18% no caso das preferenciais e 3,02% no caso das ordinárias. Juntos, esses dois papéis movimentaram cerca de R$ 700 milhões do giro total de hoje.

"A [ação da] Petrobras chegou a cair 5% ao longo do dia, e foram alguns lotes grandes de compras, parece que por bancos estrangeiros, que ajudaram um pouco", comenta Pereira.

Outros papéis que também recuaram de maneira acentuada vieram do setor siderúrgico, como CSN e Usiminas, com desvalorizações na casa dos 4%. No setor imobiliário, que ajudou a Bolsa a subir no pregão de ontem as perdas também foram vistosas: as ações da MRV e da Even caíram mais de 5%, enquanto os ativos da Tecnica e da Rossi retrocederam mais de 6%.

EMPREGO FRACO NOS EUA

Superando as projeções mais pessimistas, o país mais rico do planeta não registrou geração de empregos (considerando o saldo entre demissões e contratações do período) no mês passado, conforme as estatísticas divulgadas pelo governo dos EUA. A taxa de desemprego, medida por uma metodologia distinta, manteve-se em 9,1%, batendo as expectativas do período.

Desde o início de agosto, pelo menos, a volatilidade nos pregões está mais alta.

O debate em torno da elevação do teto da dívida americana já abalou os nervos de muitos investidores, algo agravado pelo rebaixamento da dívida dos EUA pela agência Standard&Poor's, o que garantiu semanas agitadas pelo restante do mês.

Embora haja consenso de que a economia dos EUA e da Europa devem desacelerar nos próximos meses, ainda é matéria de discussão se o gigante americano pode afundar novamente numa recessão.

Na quarta-feira, o Banco Central brasileiro brandiu o espectro de um agravamento da crise internacional para justificar o corte drástico dos juros de 12,50% para 12%, algo não visto desde o segundo semestre de 2009.

FOLHA

Médico compara testes médicos dos EUA na Guatemala aos do nazismo


Detalhes dos experimentos de médicos americanos com pacientes da Guatemala nos anos 1940 fizeram um dos membros da comissão que acompanha as investigações comparar a pesquisa às técnicas empregadas por cientistas da Alemanha nazista.

Uma comissão de inquérito instaurada pelo governo americano revelou nessa segunda-feira que 1.300 guatemaltecos foram infectados por sífilis, gonorreia e outras DSTs em um experimento que visava provar a eficácia da penicilina. Pelo menos 83 pessoas morreram sem assistência.

O presidente do Colégio dos Médicos da Guatemala, Carlos Mejía, diz que o número de infectados pode ter chegado a 2.500, segundo indícios de documentos históricos.

Mejia diz que os documentos mostram a injeção de doses concentradas das bactérias causadora da sífilis nos olhos, no sistema nervoso central e nos genitais dos pacientes.

Segundo ele, essas são aberrações próprias do regime nazista da Alemanha (1933-1945).

"Isso ocorreu em um contexto em que eles mesmos (EUA) estavam julgando os médicos alemães que haviam feito experimentos com tifo e malária em prisioneiros de guerra", diz.

"Os alemães usaram os poloneses, os russos e os judeus. Os americanos fizeram praticamente o mesmo na Guatemala"

Mejía faz parte da comissão guatemalteca, composta ainda por ministros do governo do presidente Álvaro Colom e representantes da Justiça.

Segundo Mejía, "há evidências suficientes para dizer que houve colaboração entre autoridades americanas e guatemaltecas" durante os experimentos.

Pelo menos nove médicos locais estiveram envolvidos nas pesquisas. Apenas um deles, como mais de 90 anos, continua vivo, mas está desaparecido.

DESCULPAS

O vice-presidente guatemalteco, Rafael Espada, disse à BBC que o atual governo deve fazer um pedido de desculpas oficial ao povo do país.

O escândalo dos experimentos científicos só veio à tona em 2010, com a publicação de um estudo da historiadora Susan M. Reverby, causando comoção no país centro-americano.

O presidente americano, Barack Obama, pediu desculpas ao colega guatemalteco, classificando as pesquisas de "injustiça histórica, claramente contrária á ética e aos valores (americanos)".

Os experimentos com prostitutas, prisioneiros, órfãos e doentes mentais tinham como objetivo descobrir se havia um comportamento comum nas infecções de DSTs, a fim de prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis nos soldados americanos estacionados em várias partes do mundo.

Segundo as autoridades dos dois países, a pesquisa foi feita sem consentimento dos pacientes.

"EXPERIMENTOS DO DEMÔNIO"

Um das possíveis vítimas é Marta Orellana, 74 anos, que diz ter participado de constantes "experimentos do demônio" quando tinha apenas nove anos de idade. Ela vivia em um orfanato na Cidade da Guatemala e cita médicos locais e "estrangeiros".

O filho de Orellana, Luis Vázquez, disse que só se deu conta da gravidade dos relatos da mãe quando o escândalo estourou, no ano passado.

"Apenas quando escutamos o pedido de desculpas de Obama relacionamos o caso à minha mãe. Tudo fazia sentido: as injeções na genitália, os exames médicos contínuos, a doença", diz.

EFEITO CONTINUADO

Sessenta anos após a pesquisa, muitos guatemaltecos ainda padecem dos experimentos. O Hospital Roosevelt, da capital, examinou recentemente cinco idosos com evidências de que foram vítimas da pesquisa.

"Começamos também a documentar casos em que filhos de afetados foram infectados. Embora não apresentem sintomas de sífilis, a doença continua ativa (em seu organismo)", diz Mejía.

O governo da Guatemala diz que há outros casos de possível contaminação ainda não confirmados.

Duas ações coletivas de vítimas dos experimentos contra o governo dos Estados Unidos já foram impetradas na Justiça do país. Os autores, filhos de possíveis vítimas já mortas, pedem indenização.

FOLHA

Gangue usa 'gás do sono' para roubar mansões em resort italiano


Uma gangue de ladrões usou o chamado gás do sono para roubar mansões em Porto Cervo, Itália, sem que fossem interrompidos pelos proprietários. Segundo a polícia local, eles teriam levado cerca de 325 mil euros (R$ 720 mil) em dinheiro e joias durante duas ações.

A cidade é um tradicional reduto de bilionários na costa da Sardenha, ilha turística a oeste da península italiana.

A polícia suspeita que por causa do gás, os proprietários das duas mansões não teriam notado a chegada dos ladrões, que aconteceu durante a noite.

Segundo jornais europeus, houve relatos de roubos similares na França e na Espanha em julho e no início do mês de agosto.

INVASÕES

De acordo com o jornal italiano Corriere della Sera, os ladrões entraram na mansão alugada por um magnata da indústria farmacêutica de Milão na noite da última quarta-feira.

Eles roubaram um total de 300 mil euros (R$ 685 mil) da casa, onde estavam o empresário, sua mãe, sua esposa e sua filha, além de uma empregada doméstica.

Para invadir a mansão, os homens chegaram a retirar as dobradiças das janelas. A família, no entanto, diz não ter ouvido nada.

Na mesma noite, eles foram à Villa Tizzi, uma mansão vizinha habitada por dois turistas, e levaram um relógio e cerca de 15 mil euros (R$ 34 mil) em dinheiro.

Os turistas também disseram não ter ouvido a movimentação, mas afirmaram ter acordado sentido-se fracos e com tonturas, o que levantou suspeitas sobre a utilização de gás do sono durante os roubos.

BBC BRASIL/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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