quinta-feira, 8 de setembro de 2011

U2 vai deixar de fazer shows por um tempo, diz Bono


Após bater recorde de arrecadação com a turnê "360º", que se tornou a mais lucrativa da história, o vocalista do U2, Bono, disse em entrevista ao jornal inglês "Metro" que a banda não vai voltar a fazer shows por um tempo.

"Com essa turnê, nós realmente aproveitamos cada noite, e no fim ficamos muito tristes", disse Bono, que acrescentou que os membros da banda precisam descansar antes de cair na estrada novamente.

"Crescer e amadurecer não é algo que deve acontecer com uma banda de rock. Mas aconteceu com a gente e agora somos homens", disse.

FOLHA

Gloria Maria tenta dividir a cena com Roberto Carlos em Jerusalém


A apresentação de Roberto Carlos no anfiteatro Sultan's Pool, que aconteceu na noite desta quarta-feira em Jerusalém, não contou com nenhuma participação especial, como costuma acontecer nos shows do Rei que ganham versão televisiva na Rede Globo e depois viram DVD.

Mas, coube à jornalista Gloria Maria, da Globo, dividir as atenções com o cantor.

Escolhida para ser a mestre de cerimônias do show, que será exibido no sábado, na Globo, em um especial dirigido por Jayme Monjardim, a apresentadora subiu ao palco usando um vestido longo esvoaçante na cor azul claro, logo após a exibição de um vídeo em que o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, saudava Roberto Carlos e os brasileiros.

Ela falou algumas palavras sobre a Terra Santa, o lugar "onde Jesus nasceu", e começou a chorar antes de anunciar a atração da noite e de o show começar.

Depois, quando o Rei decidiu cantar em inglês "Unforgettable", ele a chamou de volta ao palco. Os dois então dançaram juntos de rosto colado. "É um privilégio poder dançar com a Glorinha. Afinal, nunca fiz isso".

No final, ao entoar "Jesus Cristo" e jogar suas tradicionais rosas para a plateia, uma pessoa da produção falou algo no ouvido do Rei. Segundos depois ele se virou e convidou, novamente, Gloria Maria a entrar no palco para que ele pudesse lhe entregar uma flor.

FOLHA

Gianecchini recebe visita de médium em hospital em São Paulo


O ator Reynaldo Gianecchini recebeu a visita do médium João Berbel no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está se tratando contra um câncer no sistema linfático.

A informação foi confirmada à Folha por Marcos de Almeida, vice-presidente do Instituto de Medicina do Além, de Franca, onde trabalha Berbel.

Gianecchini havia ido ao instituto, no começo do ano, para acompanhar uma cirurgia espiritual de seu pai. Agora, foi visitado em São Paulo.


"O João Berbel já estava em São Paulo para um trabalho", disse Almeida. "A família do Reynaldo soube e pediu que ele fizesse uma visita. Mas não foi feita cirurgia espiritual, pois ele estava dentro de um hospital convencional", disse.

Almeida não confirmou quando ocorreu o encontro.

O hospital afirma que não está autorizado a dar informações sobre o tratamento do ator.

O ator confirmou no mês passado o diagnóstico de um linfoma não Hodgkin - um tumor que atinge os gânglios linfáticos.

Gianecchini fez uma cirurgia de hérnia inguinal há cerca de um mês. Após o procedimento, teve uma reação infecciosa na perna e uma outra reação, alérgica.

Como os gânglios não diminuíam, os médicos começaram uma investigação profunda sobre o que estaria acontecendo, descobrindo então o linfoma. Exames diagnosticaram o linfoma de células T.

FOLHA

Ingressos para 1º show de Justin Bieber em São Paulo estão esgotados


Os ingressos para a primeira apresentação do cantor Justin Bieber no estádio do Morumbi (zona oeste de São Paulo), em 8 de outubro, estão esgotados. Foram postos à venda 57 mil bilhetes.

O astro teen faz um segundo show na capital paulista em 9 de outubro.

Os ingressos para o show extra já estão à venda pelo site da Livepass. Os preços dos ingressos serão os mesmos da primeira apresentação. Eles vão de R$ 140 (arquibancada laranja) a R$ 460 (pista premium).

Justin Bieber também se apresenta no Rio de Janeiro em 5 e 6 de outubro (no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão), e encerra sua visita ao país com um show no estádio Beira Rio, em Porto Alegre, no dia 10.

FOLHA

Inventor do e-book morre aos 64 nos EUA


O fundador do Projeto Gutenberg e inventor do livro eletrônico, Michael S. Hart, morreu na última terça (6) aos 64 em sua casa, em Urbana, no Estado de Illinois, nos EUA.

Criado em 1971, o Projeto Gutenberg foi o primeiro grande projeto de digitalização de livros do mundo. Hart contava que a ideia de criar uma grande base de dados literária havia nascido no dia 4 de julho daquele ano, quando, inspirado por um exemplar grátis da Declaração de Independência dos EUA, decidiu digitá-lo e transmiti-lo a outros usuários da rede da Universidade de Illinois. Desde então, por 40 anos manteve vivo seu projeto de digitalização de obras em domínio público.

O site, que tem mais de 36 mil títulos em 60 idiomas, divulgou nota, mas não detalha a causa da morte.

"Por toda a vida um intelectual, Hart se inspirou em seus pais, ambos professores da Universidade de Illinois, para perseguir a verdade e questionar a autoridade. Uma de suas frases favoritas, atribuída a George Bernard Shaw, é característica de sua relação com a vida: 'Pessoas razoáveis adaptam-se ao mundo. As não razoáveis tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso, portanto, depende das pessoas que não são razoáveis'", diz o comunicado.

O site continua: "A invenção do e-book não foi apenas uma inovação tecnológica ou precursora do ambiente de informação moderno. Uma compreensão mais correta é a de que os livros eletrônicos são uma eficiente maneira de distribuir a literatura de graça. O acesso aos e-books pode, assim, aumentar a alfabetização. E a alfabetização, e as ideias contidas na literatura, criam oportunidades".

Em julho deste ano, Hart escreveu que "os ebooks são a primeira coisa que todos nós podemos ter se quisermos algo mais que o ar".

FOLHA

Google favorece Motorola e Android não é 100% aberto, diz documento


O Android, sistema para dispositivos móveis do Google, tem o código aberto e está disponível gratuitamente para os fabricantes de celulares e tablets.

Mas um documento interno da empresa, que faz parte de um processo movido pela Oracle sobre o uso da linguagem Java no Android, sugere que alguns parceiros ganhavam acesso prioritário ao sistema, como a Motorola e a Verizon (operadora de telefonia norte-americana).

"Dê acesso precoce para os parceiros que constroem e distribuem dispositivos de acordo com as nossas especificações (Motorola e Verizon)", diz trecho do documento.

Há também indicações de que sistema não é tão livre assim. "Não desenvolva abertamente. 

Disponibilize o código apenas a após a inovação estiver completa", diz outra parte. Florian Muller, dona do blog Foss Patents (onde foi publicado o documento), disse que as suspeitas estão confirmadas. Há trechos fechados na árvore de código do Android e algumas companhias são melhores tratadas do que outras quando o assunto é o sistema para dispositivos móveis.

"Você pode imaginar uma companhia como Samsung, HTC, LG ou Sony continuar confiando no Google?", diz Muller.

As revelações têm o potencial de causar desconfiança nos parceiros do Google, ainda mais agora que o gigante adquiriu a divisão de celulares da Motorola, apesar da companhia afirmar logo após a compra que a transação não iria modificar em nada a relação de 'igualdade' entre as empresas parceiras.

FOLHA

Na UTI, Sócrates terá TV para ver Corinthians x Flamengo


O ex-jogador Sócrates permanece internado na UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo, em estado grave, mas estável. A prioridade dos médicos agora é evitar que o paciente de 57 anos tenha novos sangramentos.

Ele chegou ao hospital na madrugada da última segunda-feira com uma hemorragia intensa no esôfago, causada por uma cirrose no fígado. O órgão está bastante comprometido pelo alto consumo de bebida alcólica ao longo da vida.


Nesta quinta-feira, a mulher do capitão brasileiro na Copa de 1982, Kátia Bagnarelli, disse que os sinais vitais do marido estão estáveis. Sua pressão arterial e o índice de hemoglobina no sangue estão dentro da normalidade.

Mas Sócrates continua inconsciente. Ainda assim, ele terá uma TV para acompanhar a partida desta noite entre Corinthians e Flamengo. Kátia acredita que isso lhe dará força na recuperação.

O clube paulista e a torcida corintiana farão homenagens ao seu ídolo no estádio do Pacaembu. Os jogadores devem entrar com mensagens a Sócrates no uniforme, e os torcedores empunharão faixas em apoio ao ex-jogador.

Sócrates foi internado pela primeira vez no dia 19 de agosto. Ele recebeu alta no dia 27, mas na última segunda foi internado novamente.

Formado em medicina, atualmente Sócrates trabalha como comentarista na TV Cultura e é colunista do "Agora São Paulo", do Grupo Folha, e da "Carta Capital". Como jogador, ele foi um dos principais nomes da chamada 'Democracia Corintiana' no início dos anos 1980 no clube paulista. Jogou ainda pelo Flamengo e pelo Santos, além do Botafogo-SP.

FOLHA

Rio-2016 fecha quinta cota de patrocínio para a Olimpíada


O comitê organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 anunciou nesta quinta-feira o fechamento da sua quinta cota de patrocínio doméstico com a empresa de consultoria Ernst & Young Terco. O valor do contrato não foi relevado, mas o pagamento será feito parte em dinheiro e parte na prestação de serviços.

Segundo Leonardo Gryner, diretor-geral da Rio-2016, todos os contratos de patrocínio preveem também o fornecimento de serviços. "Alguns desembolsam uma fatia maior em dinheiro. Outros, em serviços".

Jorge Menegassi, presidente da Ernst & Young Terco na América Latina, disse que a empresa vai prestar serviços de consultoria nas áreas de apoio à gestão, planejamento, organização e administração financeira.

Um executivo da companhia que trabalhou na preparação dos Jogos de Londres já está no Brasil para trabalhar no projeto Rio-2016 e outros também dão consultoria do exterior. A ideia, diz Jorge, é aproveitar a experiência da empresa, também parceira do evento que acontecerá no próximo ano no Reino Unido.

Para a Ernst & Young, diz, um dos principais estímulos para definir o patrocínio foi a "possibilidade de estar em contato com os atletas". Isso porque, diz, um dos foco de atuação da companhia é promover o empreendedorismo.

Como eles têm uma carreira relativamente curta, diz, a empresas ajuda os atletas a planejar a transição e constituir seus próprios negócios após o fim de suas atividades esportivas.

A Ernst & Young comprou uma cota de patrocínio "nível 2" - a primeira nessa categoria. Os maiores contratos até agora são com Bradesco, Bradesco Seguros, Claro e Embratel. Os valores também não foram revelados.

FOLHA

LG corta 30% de equipe internacional de telefonia celular


A LG Electronics cortou cerca de 30% da força de trabalho de sua divisão de telefonia celular no exterior, como parte de reformas para recuperar o negócio deficitário, informou a imprensa sul-coreana nesta terça-feira.

As demissões envolvem os setores de marketing e de compra de insumos para celulares e o fechamento de algumas lojas que não estavam gerando lucro, de acordo com o periódico "Korea Economic Daily", que não citou fontes.

O jornal ainda acrescentou que a companhia também planeja medidas similares para o negócio doméstico de celulares.

Um porta-voz da LG disse que a reportagem é especulação e disse que a companhia não comenta rumores.

A companhia coreana registrou cinco trimestres consecutivos de perdas nas vendas de telefone celulares, em meio a uma competição ferrenha que forçou a empresa a rever seus negócios no setor.

REUTERS/FOLHA

Estoque de veículos atinge maior nível desde o auge da crise


Os estoques de veículos atingiram 398,8 mil unidades em agosto, o equivalente a 37 dias de vendas, considerando o ritmo atual, o maior período desde novembro de 2008 (56 dias), no auge da crise econômica mundial.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea (associação das montadoras) apontam que houve aumento nas concessionárias e na indústria.

O elevado número de carros no pátio levou várias montadoras a conceder folgas coletivas. Na fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, por exemplo, os funcionários param de trabalhar na próxima segunda-feira (12) e só retornam no dia 10 de outubro.

Para o presidente da entidade, Cledorvino Belini, "estamos vivendo um ajuste no crescimento". "Mas [a situação] está muito longe do que houve na crise de 2008", completou.

PRODUÇÃO RECORDE

Apesar disso, a produção de veículos montados bateu recorde em agosto (325,3 mil unidades), considerando todos os meses da série histórica.

Belini explica a incongruência dizendo que a programação foi feita com antecedência, em maio ou junho. "Se não fizermos e tivermos mercado, [a montadora] pode perder ´market share´[participação de mercado]", justifica.

O crescimento nas vendas vem sendo sustentando pelo emplacamento de importados, que cresceu 28,6% em agosto no confronto com igual período no ano passado, ante queda de 0,7% nos licenciamentos de veículos novos produzidos no país.

INCENTIVO FISCAL

Sobre as negociações com o governo federal para que a indústria automotiva tenha incentivos fiscais, Belini disse que há uma "convergência" entre os associados da Anfavea, que reúne as montadoras com fábrica no Brasil, mirando na inovação, na tecnologia e na nacionalização de peças.

"Existe uma negociação para saber qual a melhor maneira para acelerar a competitividade", disse.

FOLHA

Compra chinesa de soja da América do Sul deve crescer


As importações de soja realizadas pela China devem ficar em torno de 5 milhões de toneladas por mês durante o quarto trimestre deste ano e gaverá um aumento nas compras da América do Sul, disse Guo Feng, vice-gerente geral da Chinatex Grains and Oils Import and Export Co, nesta quinta-feira.

Guo disse mais cedo que a China deve importar 58 milhões de toneladas de soja no ano fiscal 2011/12.

REUTERS/FOLHA

EUA mantêm 7.500 agentes infiltrados em solo paquistanês


No elegante setor F-8/3 de Islamabad, a capital do Paquistão, há uma casa branca grande, com três pisos e muros altos. Seus vizinhos desconhecem os donos, mas reparam que o movimento nela só começa diariamente no fim da tarde, estendendo-se pela madrugada.

Trata-se, segundo a Folha apurou, de uma casa-forte da CIA, o serviço secreto americano. 

Em dois dias de agosto, apenas paquistaneses entraram e saíram dela, sempre andando para serem apanhados por carros numa avenida próxima.

É parte de uma estrutura cada vez mais importante para a estratégia americana para o país - que, após dez anos do 11 de Setembro, segue conflagrado e prioritário para o Ocidente por conta de sua proximidade com a China, a rivalidade com a Índia e pela presença de extremistas islâmicos em seu território.

São cerca de 7.500 homens vivendo no Paquistão de forma dissimulada, empregando até 17.500 paquistaneses. Os números são estimativas do ISI, o serviço secreto paquistanês, prestadas ao Congresso do país depois do incidente que azedou de vez a relação entre ele e seu equivalente americano: a operação que matou Osama bin Laden, em maio.

De lá para cá, a prisão de um alto membro da Al Qaeda no Paquistão gerou defesas mútuas sobre a necessidade de cooperação, mas as relações seguem difíceis.

"O problema é que o cara vem como funcionário da embaixada, ou de uma empresa, e vai mudando de condição. Vira membro de ONG e, quando você vai ver, ele sumiu no país", afirma Maria Sultan, diretora do Instituto de Estabilidade Estratégica do Sul da Ásia.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

O caso de Raymond Davis, um agente da CIA trabalhando como subcontratado que matou dois paquistaneses (presumivelmente agentes do ISI), é emblemático dessa zona cinzenta criada.

A ONG de Sultan é de origem britânica, mas tem fortes laços com o setor militar paquistanês. Ela elaborou um estudo no qual dados oficiais americanos e paquistaneses são contrapostos sobre a ajuda ocidental ao país asiático.

Diz o Paquistão que só recebeu, de fato, US$ 4,2 bilhões em ajuda americana desde 2002, contra US$ 20 bi veiculados no Ocidente. Desse valor, US$ 2,4 bi teriam de fato ido para os militares.

"Onde está o resto do dinheiro? Desde que a lei Kerry-Lugar passou, está indo diretamente para agentes paquistaneses fora do controle do Estado, criando um guarda-chuva de apoiadores para a eventualidade de uma instabilidade maior, como um golpe, que afete os reais interesses aqui", sustenta Sultan.

Por "reais interesses" está não só o combate a grupos extremistas, mas também a proteção das cerca de cem ogivas nucleares do Paquistão e de sua matéria-prima.

A lei citada, de 2009, prevê ajuda anual de US$ 1,5 bilhão ao Paquistão, mas permite que os EUA estipulem várias condições de governança e aplicação do dinheiro, que é visto nos meios políticos de Islamabad como violação de soberania. A Embaixada dos EUA em Islamabad não comentou os dados.

Enquanto isso, os dois países duelam retoricamente, o que não impede que 80% dos suprimentos da guerra no Afeganistão passem por solo paquistanês, o verdadeiro ativo estratégico do país.

"Não por acaso, desde a morte de Osama aumentaram brutalmente os ataques a caminhões-tanque vindo para cá", diz o analista político afegão Hamid Kher.

FOLHA

Acidente muda local dos eventos do 11 de setembro em Washington


Um acidente com um guindaste na Catedral Nacional de Washington fez com que os eventos dos dez anos do 11 de setembro fossem transferidos para o Kennedy Center e outras localidades, segundo comunicado divulgado pela catedral.

"A segurança dos visitantes e dos funcionários da catedral está no topo das nossas prioridades",disse o reitor da catedral, Samuel T. Lloyd 3º.

Por volta das 10h55 (horário local) de ontem, um guindaste tombou nos prédios adjacentes da catedral. O veículo se encontrava no local para reparar os danos causados pelo terremoto que atingiu Washington no dia 23 de agosto. A queda do guindaste teria causado alguns pequenos danos em algumas partes da catedral.


O motorista do veículo ficou levemente ferido, mas já foi liberado do hospital no mesmo dia.

Funcionários da catedral não informaram uma estimativa imediata dos custos dos danos.

"Estamos agradecidos que não houve ferimentos graves, mas estamos desapontados que nós não poderemos sediar nossa comemoração do 'chamado à compaixão' na catedral, mas estamos determinados em servir nossa missão como lar espiritual da nação para lembrar os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001", disse o reitor da catedral.

FRANCE PRESS/FOLHA

México identifica 28 narcotraficantes ligados a ataque a cassino


A Procuradoria Geral do México identificou 28 membros do cartel Los Zetas como suspeitos de envolvimento no ataque ao Cassino Royale, na cidade de Monterrey, que deixou 52 mortos.

O subprocurador José Cuitláhuac Salinas contou que a Procuradoria Geral oferece cerca de US$ 1,2 milhão como recompensa pela localização de cada um dos supostos criminosos.

De acordo com Salinas, um dos proprietários do cassino, Raúl Rocha Cantú, foi localizado nos Estados Unidos. Em colaboração, as autoridades mexicanas e norte-americanas ouviram Cantú como testemunha do crime. Esta foi a primeira vez que o dono do estabelecimento se pronunciou.

O cassino Royale foi atacado por um grupo de homens no último dia 25 de agosto. Eles incendiaram o local e lançaram granadas, provocando a morte de 52 pessoas.

ANSA/FOLHA

Impostômetro chega a R$ 1 trilhão 35 dias antes que em 2010


SÃO PAULO - Na próxima terça-feira, 13, por volta das 11 horas, o painel do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) vai mostrar o número 1 seguido de 12 zeros. A marca de R$ 1 trilhão de tributos pagos pelos brasileiros neste ano será atingida 35 dias antes se comparada com 2010, quando a quantia foi alcançada no dia 18 de outubro.
No mesmo dia que o Impostômetro chegar a R$ 1 trilhão, a ACSP irá elaborar um documento oficial em nome dos empresários paulistas pela aprovação do Projeto de Lei 1472/2007, que ordena a discriminação do valor dos tributos pagos nas notas fiscais. O texto já foi aprovado pelo Senado e agora aguarda votação na Câmara dos Deputados. Como uma amostra dessa medida, será realizado no Pátio do Colégio, no centro da capital paulista, o "Feirão do Imposto", onde o público poderá conferir o quanto de tributo está embutido no preço de produtos do dia a dia, como arroz, feijão e xampu.
A ACSP também vai aproveitar a terça-feira para lançar o Movimento Hora de Agir, contra a atual carga tributária do País. No hotsite da campanha, o contribuinte poderá dar sua opinião ou relatar, em vídeo, suas experiências com os impostos. Além disso, as associações comerciais de todo o Estado irão apresentar o novo Portal do Impostômetro.
ESTADÃO

Soldados britânicos bateram até a morte em iraquiano, diz inquérito


Soldados britânicos bateram até a morte em um civil iraquiano em um ato de "violência brutal e não justificada", que deixou uma "mancha muito grande" nas Forças Armadas do Reino Unido, concluiu um inquérito nesta quinta-feira.

O ex-juiz William Gage, que liderou a investigação de três anos, disse que oficiais de alto escalão deveriam ter feito mais para evitar a morte, em 2003, de Baha Mousa, funcionário de um hotel, e as agressões de soldados britânicos contra outros nove detentos no Iraque.

Mousa, de 26 anos, foi diversas vezes chutado e espancado durante um período de 36 horas, enquanto era mantido em um bloco de detenção em uma base militar britânica na cidade de Basra, sul do Iraque.

Encapuzado e algemado, ele sofreu 93 ferimentos visíveis, incluindo um nariz quebrado, costelas quebradas e contusões ao longo do corpo, apontou o inquérito.

Um soldado britânico, o cabo Donald Payne, vangloriou-se em frente aos colegas por ter conduzido um "coro" ao bater em Mousa e nos demais prisioneiros a ponto de eles chorarem em sequência, de acordo com a investigação. Outro soldado disse que, na manhã seguinte à prisão, os detentos pareciam ter sofrido um acidente de carro.


"Os eventos. foram de fato uma mancha muito grande na reputação do Exército", disse Gage em comunicado. "Eles constituíram um episódio pavoroso de violência séria, gratuita, sobre civis que resultou na morte de um homem e em ferimentos em outros".

O Reino Unido foi o principal aliado dos Estados Unidos na invasão que derrubou Saddam Hussein. O abuso de prisioneiros iraquianos por soldados americanos, particularmente prisão Abu Ghraib, em Bagdá, provocou protestos ao redor do mundo.

O inquérito não encontrou evidências de uma cultura de violência entre as forças britânicas em Basra, mas criticou o então chefe do Primeiro Batalhão do Regimento Lancashire da Rainha, o tenente-coronel Jorge Mendonça.

REUTERS/FOLHA

"Cada dia procuro ser menos egoísta", diz brasileiro sobrevivente do 11/9

Dez anos após ter escapado ileso dos atentados ao World Trade Center, em Nova York, onde trabalhava em 11 de setembro de 2001, o gaúcho Larry Pinto de Faria Júnior diz não guardar traumas, mas afirma que o episódio o transformou em uma pessoa diferente.


"Ver a morte assim de perto muda a maneira de encarar a vida", disse Júnior à BBC Brasil.

"Eu mudei minha filosofia de vida, mudei minhas atitudes. Passei a ser uma pessoa completamente tranquila e consciente das minhas responsabilidades. A cada dia procuro ser uma pessoa menos egoísta".

Aos 53 anos, Júnior trocou Nova York por Miami, mas ainda trabalha na mesma empresa do mercado financeiro, a Icap - na época chamada Garban Intercapital, que funcionava no 25º andar da Torre Norte, a primeira a ser atingida nos atentados que mataram quase 3 mil pessoas.

Apesar de estar adaptado e feliz na Flórida, ele diz que, se fosse necessário, voltaria para Nova York.

"Se eu tivesse que trabalhar lá de novo, na mesma torre, eu trabalharia sem problema nenhum".

MEDO

Naquela manhã, no momento em que o avião atingiu o prédio, às 8h46, Júnior já estava no escritório havia mais de duas horas.

"Eu estava ao telefone. Foi uma pancada muito forte", lembra. "Olhei para o meu chefe, que estava sentado ao meu lado, e disse: 'Vamos embora que esse edifício vai cair'".

Sem saber o que tinha acontecido - muitos pensavam que era uma bomba -, os funcionários começaram a descer os 25 andares.

"Todo mundo desceu tranquilamente. Lá pelo 16º andar, começamos a cruzar com os bombeiros, que estavam subindo, carregando equipamentos, e pediram que deixássemos o lado esquerdo da escada livre. E todo mundo obedeceu, ordeiramente", conta.

No meio do caminho, Júnior recebeu um telefonema de um amigo que lhe disse que um "aviãozinho" havia batido no prédio.

"Fiquei mais tranquilo. Falei para o pessoal que estava comigo: 'Não é atentado. Parece que foi um avião que bateu aí em cima'".

Após deixar o prédio, tentou alcançar as barcas para atravessar o rio Hudson e chegar ao outro lado, onde morava, em Jersey City. Foi impedido por uma policial, já que o serviço estava suspenso. Foi então que a Torre Sul ruiu.

"Foi só neste momento que senti medo", diz. "Caiu do meu lado. Aí começou aquela poeira, todo mundo começou a correr. Eu bati o recorde dos cem metros, corri como um louco".

SOBREVIVENTES

A Garban Intercapital ocupava quatro andares do World Trade Center e tinha cerca de 1,8 mil funcionários. Segundo Júnior, apenas um morreu, porque estava em uma reunião em outra empresa, no 106º andar.

Os três brasileiros que trabalhavam com Júnior sobreviveram, mas ele perdeu vários amigos e ex-colegas nos atentados.

Ele próprio poderia ter sido uma das vítimas. Quando chegou aos Estados Unidos, em 1999, trabalhava para uma empresa concorrente, a Euro Brokers, que funcionava no 84º andar da Torre Sul - a segunda a ser atingida e a primeira a cair.

"Quando o primeiro avião bateu na minha torre, eles também começaram a descer, mas a brigada de incêndio pediu que voltassem, porque o problema era no outro prédio. Pediram que esperassem evacuar a minha torre, para só então deixarem o prédio deles", relata.

"Voltaram e, logo em seguida, houve a tragédia. Uma parte da asa pegou no 85º andar. Muita gente morreu, não só pelas chamas, mas pelo impacto", diz Júnior, que havia deixado a Euro Brokers em janeiro de 2000.



IMPACTO

No dia dos atentados, Júnior só conseguiu voltar para casa às 18h30. No meio do caminho, parou na residência do chefe, também brasileiro, e telefonou para a mulher, Valéria, que estava no Brasil para comemorar o aniversário, em 10 de setembro.

Quando chegou em casa, recebeu a visita de um vizinho, cuja mulher trabalhava na Cantor Fitzgerald, empresa que perdeu 658 funcionários nos ataques.

"Ele ficou muito nervoso e foi para a minha casa. Estava buscando informações sobre a mulher (que morreu).


Aquilo me deixou muito abalado. Eu estava feliz por estar vivo, e aquilo contrastava com a situação dele", diz Júnior.

Poucos dias após os atentados, Júnior viu um psicólogo falar na TV sobre o impacto da tragédia.

"Naquele momento, eu ainda não sabia, mas vivi exatamente a sequência de sentimentos que ele descreveu", diz.

Ele conta que, passado o momento de euforia, por ter sobrevivido, veio uma profunda tristeza, por ter perdido amigos, seguida de raiva dos culpados pelos atentados e de depressão.

MUDANÇAS

Menos de uma semana após os atentados Júnior desembarcou em São Paulo, onde permaneceu por um ano e dois meses trabalhando em um escritório provisório da empresa.

Depois, quando a companhia já havia aberto um novo escritório, em Jersey City, ele voltou aos Estados Unidos. "Eu queria voltar, não queria ficar no Brasil", diz.

Em dezembro de 2007 foi transferido para Miami, com a abertura de uma filial da empresa.

Júnior conta que comprou todos os livros publicados sobre o 11 de Setembro e buscou estudar a fundo as razões que levaram ao atentado. Mas hoje, dez anos depois, diz não ter ficado traumatizado com o episódio.

"Acho que não me deprimi tanto porque não vi ninguém morrer. Ao contrário de alguns colegas, que viram pessoas caindo do prédio ao lado deles, pessoas queimadas, gente soterrada, eu não vi nada disso", diz.

Ele afirma, porém, que o 11 de Setembro selou um processo de mudanças em sua vida iniciado ainda antes de chegar aos Estados Unidos.

"Foi uma sequencia de coisas. Eu tinha recém-casado com a minha mulher. Ela vinha de um casamento anterior longo, eu também. Estávamos em uma situação financeira difícil no Brasil e mudamos para cá. Reconstruímos nossa vida", diz.

"Não foi apenas o atentado. Mas com o atentado eu passei a ver a vida de uma maneira completamente diferente".

CERIMÔNIA

A morte do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, em maio deste ano em uma operação de forças americanas no Paquistão foi recebida com alívio pelo brasileiro.

"Eu não vou dizer que fiquei feliz", afirma. "Mas eu acho que eles precisavam fazer isso em nome de todas as pessoas que sofreram no atentado".

Dos brasileiros que trabalhavam na Garban Intercapital no dia dos atentados, somente Júnior e o chefe continuam na empresa, mas o 11 de Setembro não faz parte das conversas.

"Ele não gosta de tocar no assunto. Nunca mais falamos sobre o atentado", diz.

Júnior não se importa de falar sobre o assunto, mas não pretende se envolver nas cerimônias para marcar os 10 anos dos atentados, no próximo domingo.

"No dia 11 de setembro, vou pegar minha mulher, o filho dela, que está nos visitando com a namorada, e vamos para Palm Beach, na beira da praia. Não quero nem ver cerimônia".

BBC BRASIL/FOLHA

Ouro e platina vieram do espaço, dizem cientistas


Cientistas britânicos dizem que metais preciosos, incluindo ouro e platina, vieram do espaço bilhões de anos atrás.

Os pesquisadores da Universidade de Bristol chegaram à conclusão após analisar amostras de algumas das pedras mais antigas do mundo, na Groenlândia.

Segundo eles, os isótopos encontrados nessas formações - átomos que identificam a origem e idade dos materiais - são claramente diferentes daqueles que se originaram na Terra.

Isso confirmaria a teoria de que os metais preciosos que usamos hoje chegaram ao planeta em uma violenta chuva de meteoros quando a Terra tinha apenas 200 milhões de anos.

"Nosso trabalho mostra que a maior parte dos metais preciosos nos quais se baseiam nossas economias e muitos processos industriais foram adicionados a nosso planeta por coincidência, quando a Terra foi atingida por cerca de 20 bilhões de toneladas de material espacial", diz Mathias Willbold, que liderou a pesquisa da Universidade de Bristol.

ESTOQUE ORIGINAL

Durante a formação da Terra, o planeta era uma massa de minerais derretidos, que era constantemente atingida por grandes corpos cósmicos.

O centro da Terra foi criado a partir de metais em estado líquido que afundaram.

De acordo com os cientistas, a quantidade de ouro e outros metais preciosos presente no coração do planeta seria suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de quatro metros de profundidade.

A concentração de todo o ouro e outros metais no centro do planeta deveria ter deixado as camadas externas da Terra praticamente livres da presença desses materiais, por isso a origem do ouro que exploramos na superfície e no manto terrestre (a camada imediatamente abaixo da crosta terrestre) já havia sido motivo de especulações no mundo científico.

TECNOLOGIA

O estudo publicado na revista científica Nature foi o primeiro, segundo os pesquisadores, a conseguir realizar as medidas isotópicas com a qualidade necessária para descobrir que os metais preciosos vieram do espaço.

Os cientistas dizem que estudos futuros podem tentar descobrir mais sobre os processos que fizeram com que os meteoros que atingiram a Terra se misturassem ao manto terrestre.

Em seguida, processos geológicos formaram os continentes e concentraram os metais preciosos nos depósitos de minerais que são explorados hoje.

BBC BRASIL/FOLHA

Missão da Nasa se prepara para estudar gravidade da Lua


A Nasa deve lançar nesta quinta-feira uma nova missão à Lua, a Grail, com a missão de medir o campo gravitacional do satélite natural.

A agência espacial estabeleceu um período de 42 dias para o lançamento da missão, embora seus diretores esperem que possa sair desde Cabo Canaveral (Flórida) na primeira oportunidade, prevista para as 9h37 desta quinta-feira (horário de Brasília).

A missão é composta por duas sondas que proporcionarão imagens em raios X da crosta e do núcleo da Lua, com as quais a Nasa espera conhecer mais sobre a estrutura sob a superfície e sua composição.

Entre outras utilidades, as medidas que serão tomadas pela Grail ajudarão a entender melhor a relação entre a Terra e seu satélite natural, segundo explicou recentemente o diretor da Divisão de Ciências Planetárias do quartel-general da Nasa em Washington, Jim Green.

A missão também ajudará a agência espacial americana a ter mais conhecimento sobre o satélite e aprimorar suas estimativas no caso de voltar a enviar homens à Lua novamente.

EFE/FOLHA

John Galliano é condenado por proferir insultos antissemitas


O estilista britânico John Galliano, 50, foi considerado culpado de ter proferido insultos antissemitas e condenado a uma multa de 6.000 euros (US$ 8.400), mas com sursis, em uma audiência celebrada nesta quinta-feira no Palácio de Justiça de Paris.

Galliano, demitido pelo grupo Christian Dior, não compareceu à audiência no Tribunal Correcional de Paris.

John Galliano, que foi objeto de duas ações por insultos antissemitas e racistas proferidos em duas ocasiões contra fregueses de um bar do bairro parisiense Le Marais, poderia ter sido condenado a uma de pena de até seis meses de prisão e a pagar uma multa de 22.500 euros (US$ 31 mil).

FRANCE PRESS/FOLHA

Saiba como é a alimentação dos soldados no Exército


Ser recrutado era sinônimo de inferno gastronômico, de comida ruim ou insossa de bandejão, feita por cozinheiros suados, de camiseta e cigarro no canto da boca -como o personagem Cuca, dos quadrinhos do Recruta Zero.

Hoje, come-se muito bem nos quartéis. E todos, do recruta raso ao general, comem a mesma coisa. E comida boa.

No passado não tão distante não era assim. Oficiais comiam melhor do que soldados -mesmo oficiais recebiam comida ruim.

"Nos anos 70, era comum enviar os soldados incompetentes para a cozinha. O resultado era uma comida intragável, os bifes eram pura sola", diz um dos generais do Comando Militar do Sudeste.

Hoje, os cozinheiros são profissionais, muitos trabalhavam na área na vida civil ou fizeram cursos de culinária em escolas como o Senac.

Claro, ainda existem diferenças no modo como praças e oficiais comem, especialmente quanto ao ritual de servir a comida. O Exército é uma instituição hierárquica.

Os recrutas vivem em bloco, uma maneira que os exércitos historicamente desenvolveram para produzir o "espírito de corpo" na tropa.

Comer em grupo estabelece a coesão entre os soldados, essencial para quem vai arriscar a vida em combate.

Nos "cassinos" (refeitórios), o ritual é preciso. No quartel do Ibirapuera, em São Paulo, a menor panela tem 50 litros. Arroz e feijão, presentes todo dia no cardápio, são cozidos em escala industrial.

O cardápio vai depender do que foi adquirido pelo depósito de suprimento da região, que centraliza as compras e conta com laboratório para analisar a qualidade da comida. "É possível ficar um mês sem comer peixe. Ou passar um mês comendo almôndegas", diz um oficial. Por sinal, conhecidas como "granadas" na gíria militar.

E um item comum, por ser barato, é o frango. Em um caso típico recente, havia frango em quatro dos sete dias da semana - coxa e sobrecoxa assadas, isca de frango na chapa, sobrecoxa assada de novo e panqueca de frango.

"O frango entrou para o Exército em 1977 e nunca mais saiu", brinca o mesmo general, que proíbe a esposa de preparar a ave em casa.

AVANÇAR

Às 11h30 começam a comer os soldados de serviço. Eles mesmos se servem no bufê. Ao meio-dia o corneteiro toca o "toque de avançar o rancho".

Garotões de 18 e 19 anos submetidos a exercícios físicos extenuantes, criam verdadeiras montanhas de comida no prato. Ficam todos de pé em frente ao prato esperando que a mesa seja completada. Só então recebem ordem para sentar e comer.

Em nenhuma refeição é servido álcool - ao contrário do que acontece em exércitos como o francês ou português, que não dispensam o vinho.

Como dizia um general: "A comida do quartel depende do comandante. Se ele não se preocupa com o assunto, é ruim. Se se preocupa, é boa".

FOLHA

Roberto Carlos volta a cantar "se o bem e o mal existem" em Jerusalém

A caminho do anfiteatro Sultan's Pool, no Vale do Hinnon, em Jerusalém, um grupo de fãs brasileiros de Roberto Carlos debatia no ônibus com qual música o Rei iria abrir a apresentação para 5.000 pessoas, que aconteceu hoje. "Nossa Senhora", "O Portão", "Ave Maria"? Quem venceu o desafio foi o veterinário Gustavo Costa, 34, de Jaboticabal, acompanhado da mulher, dos pais e do irmão. "Vai ser 'Emoções'! Já fui a mais de 30 shows dele", sentenciou.


"Roberto, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!", grita a turma do fundão do anfiteatro. Às 20h40, ao som dos primeiros acordes de "Emoções", o Rei entra no palco que reproduz a Cidade Velha de Jerusalém. Abre os braços e emenda o famoso verso "Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo...". Na sequência, afirma que gostaria de "dizer muitas coisas neste momento, mas vou dizer cantando, que é o que eu sei fazer". E ataca com "Além do Horizonte" e "Como Vai Você" - esta última, começa em espanhol.

Roberto começa a apresentação falante. Diz que gosta de cantar o amor. "O amor é algo sublime. Amor de irmão, de pai, de amigo, de fé, de alma. Toda forma de amor vale. O amor é fonte inesgotável". E começa "Como É Grande o Meu Amor por Você". Canta, ao violão, "Detalhes" em português, inglês, italiano e espanhol. Erra as duas primeiras entradas da música e se desculpa. Segue com "Outros Casos" e pede a participação do público no refrão final.


Na primeira fila da apresentação estão jornalistas, publicitários e empresários. A única celebridade global é Regina Casé, acompanhada do marido, Estêvão Ciavatta. Os filhos do Rei, Dudu, Luciana e Rafael, ficam na segunda fila, na direção do microfone, a pedido do pai. Assim como ficava Maria Rita, sua mulher, que morreu em 1999.

Roberto Carlos faz uma pausa para água. Também dá um gole em uma outra bebida que parece uísque. Uma fã grita: "Isso, Robeeeerto! Bebe muita água pra cantar bastante ainda!". Ele inicia "Eu Sei que Vou Te Amar" com direito à recitação do "Soneto da Fidelidade", de Vinicius de Moraes ("De tudo ao meu amor serei atento/Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto").

"Roberto, eu vou sempre te amar!", "Te amo!", "Viva o Rei!", gritam algumas brasileiras na plateia formada por cadeiras em estilo de arquibancada, de acrílico, na cor azul, colocadas sobre uma cobertura de grama sintética.

Depois de "Pensamentos", música que, diz, "fiz há muito tempo com o Erasmo", o Rei discursa: "A força da fé nos ajuda a prosseguir". E entoa, em italiano, "Ave Maria". É aplaudidíssimo, mas, duas palavras depois, pede desculpas por um problema técnico e recomeça. É a hora em que mulheres e homens do público sacam seus lenços para enxugar as lágrimas.

SE O BEM E O MAL EXISTEM

A homenagem a sua mãe, Lady Laura, que morreu no ano passado, não fica de fora. Ao final da canção com o nome dela, manda um beijo em direção ao céu. Canta depois "Olha" e "Proposta" e leva a mão ao rosto para enxugar as lágrimas. Anuncia que cantará outra música em inglês. "Poucas vezes me atrevo a cantar em inglês, porque acho que meu inglês é cais do porto. Mas essa música não tem como". E entoa os versos de "Unforgetable".

O Rei fala: "Aqui, muçulmanos, judeus e cristãos se unem em busca de uma força maior. 

Cada cor tem sua importância, mas quando ficam juntas é muito mais alegre". O cenário então fica todo iluminado e ele pode cantar "Eu Quero Apenas", com o verso "Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar". A plateia vibra e o cantor prossegue com "O Portão". A música o leva às lágrimas e ele as enxuga discretamente ao final.

Canta novamente em italiano, agora, "Caruso", de Lucio Dalla. "Sempre quis cantar essa canção, mas nunca tive atrevimento, porque é uma canção para quem tem voz aguda, que canta alto, como Pavarotti, Lucio Dalla e o Zezé Di Camargo. Mas me atrevi a cantar do meu jeito". E emenda "Aquarela do Brasil", para homenagear o país no Dia da Independência.

É chegada então a hora do número especial da noite com "Jerusalém de Ouro", cantada metade em hebraico com um coral israelense ao fundo. É aplaudido de pé. "Sei que foi um atrevimento muito grande".

Pra encerrar o quesito ousadia, Roberto Carlos decide deixar de lado a superstição que o acompanhava havia anos e não lhe permitia pronunciar a palavra mal em "É Preciso Saber Viver". Ele, que dizia "se o bem e o bem existem, você pode escolher", canta o verso original "se o bem e o mal existem".

Duas horas depois, encerra o show com a tradicional "Jesus Cristo" e a distribuição de dúzias e dúzias de rosas vermelhas e brancas. "Obrigado por essa noite. Obrigado, Jerusalém! Amém!".

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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