sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ex-correligionários de Kassab dão apelidos jocosos a novo partido


O novo partido de Gilberto Kassab, o PSD, vem recebendo apelidos jocosos de integrantes da sua antiga sigla, o DEM.

A informação é da coluna Mônica Bergamopublicada na Folha desta sexta-feira.

Um deles: Partido Só da Dilma, pela proximidade com o governo federal. Outro: Pode Ser Defunto, por causa das denúncias de que eleitores que já faleceram constam das listas de apoio à nova agremiação.

FOLHA

Projeto na Câmara pede reajuste de até 60% para servidor


Apesar do apelo do governo federal por contenção de gastos, a Câmara dos Deputados e o TCU (Tribunal de Contas da União), assim como o Judiciário, querem reajuste para seus funcionários.

Um projeto de lei apresentado pela direção da Câmara no final do mês passado prevê impacto de R$ 207 milhões ao ano, com aumento para mais de 14 mil servidores. O reajuste nos salários básicos pode chegar a 60%.

O texto prevê ainda a fixação de uma gratificação de 115% com relação a alguns salários básicos. Com isso, um cargo de topo da carreira poderá receber vencimentos de cerca de R$ 20 mil.

A alegação é de que os salários da Casa são inferiores aos pagos pelos demais órgãos de Brasília. "No último concurso, a Casa chamou 72 pessoas, mas 32 delas desistiram. Não tinham interesse na vaga por causa dos baixos salários. O impacto financeiro para esta distorção já está previsto no Orçamento", afirmou Júlio Delgado (PSB-MG), quarto-secretário da Câmara.

O texto apresentado, contudo, também concede reajuste para os chamados CNEs (Cargos de Natureza Especial), aqueles escolhidos por indicações políticas, elevando o maior de R$ 12 mil para R$ 15 mil e o menor de R$ 2,6 mil para R$ 2,9 mil.

O último reajuste da categoria ocorreu em 2010.

Para entrar em vigor, a proposta precisa passar pela aprovação do plenário da Câmara e também pelo Senado.

O mesmo trâmite do projeto que dispõe sobre o quadro de pessoal e o plano de carreiras do Tribunal de Contas da União, apresentado em julho. A proposta de reajuste médio é de 30% e não há previsão do impacto financeiro.

JUDICIÁRIO

A discussão sobre o aumento do Judiciário quase provocou uma crise institucional com o Executivo.

Ao enviar ao Congresso, na semana passada, as previsões de receitas e gastos para 2012, o governo federal havia deixado de fora as propostas de reajustes da Justiça, que causam impacto de R$ 7,7 bilhões nos cofres públicos.

Pressionado, o Planalto foi obrigado a recuar e a rever sua proposta orçamentária. Dilma enviou mensagem ao Congresso reincluindo os reajustes pedidos pelo Judiciário, mas criticou os reajustes.

A presidente afirmou que é importante que o país "mantenha sua trajetória de equilíbrio fiscal" para lidar com uma eventual crise global. "O Poder Executivo já adota uma política de moderação no crescimento de suas despesas de pessoal".

A proposta do Judiciário prevê até 56% de reajuste para servidores do Judiciário e 14,7% para os ministros do STF, o que elevaria o teto do funcionalismo a R$ 30,6 mil.

FOLHA

Radiação no mar de Fukushima é o triplo da estimada pela Tepco


TÓQUIO - O material radioativo despejado no mar pela crise nuclear de Fukushima é mais de três vezes a quantidade estimada pela operadora da usina, Tokyo Electric Power Co. (Tepco), disseram pesquisadores japoneses.
A maior empresa de energia do Japão estimou que cerca de 4,720 trilhões de bequeréis de césio-137 e iodo-131 foram liberados no oceano Pacífico entre 21 de março e 30 de abril, mas pesquisadores da Agência de Energia Atômica do Japão estimaram uma quantidade de 15,000 trilhões de bequeréis, ou terabequeréis.
Regulamentações do governo proíbem o comércio de alimentos contendo mais de 500 bequeréis de material radioativo por quilo.
Takuya Kobayashi, pesquisador na agência, disse nesta sexta-feira que a diferença nos dados provavelmente ocorreu porque sua equipe mediu o material radioativo transportado pelo ar que caiu no oceano, além do material na água contaminada que vazou da usina.
Ele acredita que a Tepco excluiu a radiação emitida originalmente pelo material transportado pelo ar. O relatório não inclui dados para o césio-134 porque o grupo de pesquisa inicialmente não tinha os recursos para medir o isótopo. Isso significa que a quantidade estimada de material radioativo deve aumentar após novos cálculos.
O terremoto e tsunami de 11 de março desativaram os sistemas de resfriamento dos reatores na usina de Fukushima Daiichi, 240 quilômetros ao norte de Tóquio, provocando o derretimento das barras de combustível e o vazamento de radiação.
Quantidades enormes de água contaminada foram acumuladas durante os esforços para resfriar os reatores, e grande parte vazou para o mar. Índices de radiação já foram detectadas em peixes, algas e outros frutos do mar.
A Tepco se aproximou nesta semana de seu objetivo de trazer os reatores ao estado de desligamento a frio até janeiro, e a temperatura na segunda das três unidades danificadas já foi reduzida para abaixo do ponto de ebulição. 
ESTADÃO

Multinacionais já controlam publicidade no Brasil


Em meio a uma corrida pela aquisição de agências brasileiras, acelerada no último ano, dois dos maiores grupos de publicidade do mundo, o britânico WPP e o francês Publicis, comandam hoje o setor no Brasil - em primeiro e segundo lugar na compra de mídia, respectivamente, segundo projeção da revista "Meio & Mensagem", informa reportagem de Nelson de Sá para a Folha.

O publicitário Nizan Guanaes, da agência África, não vê problema. "Sou totalmente a favor de um mercado aberto, global". Mas outros publicitários não reagem da mesma maneira.

Francisco José Moura Cunha Martins, da Artplan, diz que "o grande problema é que as contas hoje já vêm, todas elas, disputadas lá fora, o que cerceou demais o mercado para as nacionais". Seria "quase um dumping".

Sem acesso às contas das multinacionais, restam "os clientes nacionais, a maior parte em varejo, e brigar na esfera governamental". E mesmo com o governo há dificuldades, pois o grupo estrangeiro "entra com quatro, cinco propostas", de suas diversas agências, "enquanto a nacional tem uma só".

Sergio Amado, presidente da Ogilvy no Brasil, do grupo WPP, reage: "Discordo radicalmente. As multinacionais no Brasil estão fechando contratos locais".

FOLHA

Irã ultrapassa Rússia e vira maior importador de carne in natura do Brasil

O Irã foi, no mês de agosto, o principal importador da carne in natura bovina brasileira, diante da redução das importações realizadas pela Rússia – país que, até o mês passado, era o maior comprador desse produto do Brasil.

A mudança no ranking é reflexo de um embargo russo à carne proveniente de 85 frigoríficos em três Estados brasileiros (Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso), imposto em junho.


Assim, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), as importações de carne bovina in natura da Rússia, que tiveram seu pico de 2011 em março (com US$ 145,1 milhões importados), caíram para US$ 52,1 milhões em agosto.
No mesmo mês, as importações do Irã ficaram em US$ 61,7 milhões, fazendo do país o maior importador de carne in natura brasileira de agosto. Foi a primeira vez que os iranianos ocuparam esse posto.
‘Situação pontual’
Porém, se levados em conta os números de exportação total de carne – incluindo, por exemplo, carnes processadas, e não apenas in natura – a Rússia ainda é o maior comprador, segundo a Abiec.
"É uma situação pontual. Se (o comércio) com a Rússia se normalizar, esse é um mercado naturalmente maior", disse à BBC Brasil Fernando Sampaio, diretor-executivo da Abiec.
Segundo reportagem do jornal Financial Times, o embargo russo é visto por grupos industriais brasileiros como uma "forma de chantagem" para que o Brasil apoie a entrada de Moscou na OMC (Organização Mundial de Comércio).
Analistas do setor dizem também que a Rússia usa a medida para controlar seus níveis de estoque e sua balança comercial. Oficialmente, o país alegou questões sanitárias para evitar a carne brasileira.
Sampaio diz que uma delegação do Ministério da Agricultura prepara uma ida à Rússia e que, nesta semana, alguns dos 85 frigoríficos vetados pelos russos já foram reabilitados para o comércio bilateral.
Irã
Apesar de terem sido batidos pelo Irã em termos de valor de carne in natura comprada do Brasil em agosto, os russos seguem liderando no que concerne o volume.
Segundo dados da consultoria Informa Economics Fnp, no acumulado de 2011, os russos compraram 173 milhões de toneladas, ou 32% do total das exportações de carne do Brasil. O Irã, no mesmo período, comprou 96 milhões de toneladas.
Segundo a analista Nádia Alcântara, da Informa Economics Fnp, apesar de comprar menos carne em termos de volume, os iranianos consomem cortes mais nobres, com maior valor agregado.
"O Irã compra cortes congelados sem osso. O mix de produtos do Irã tem valor agregado maior que a Rússia. Isso torna o Irã um cliente melhor para o Brasil", diz.
Para Alcântara, o Irã é um mercado promissor, que ganha mais importância como parceiro do agronegócio brasileiro.
A opinião é compartilhada com Sampaio, para quem "o Irã é um mercado estável".
"Conversei com iranianos que falam que o consumo interno de carne aumentou, mas a produção interna é muito pequena. Eles acharam no Brasil um parceiro confiável", diz.
*Colaborou Maurício Moraes
BBC BRASIL

Brasileiros definham à espera de novo julgamento nos EUA


Os detentos Reynaldo Eid, 52, e Alaor do Carmo Oliveira, 56, são brasileiros e estão em cadeias nos EUA. Em agosto de 2010, o julgamento em que os dois foram considerados culpados pelo crime de sequestro foi anulado. Um novo julgamento foi marcado, mas acabou adiado sucessivas vezes.

Eid, diabético e cardíaco, desenvolveu depois da prisão (em 2005) úlceras -aftas- de origem nervosa por toda a boca. O quadro se agravou e foi erroneamente diagnosticado como câncer bucal. Já Oliveira está anoréxico, segundo sua mulher.

De acordo com o texto, Eid era dono de uma empresa de transportes em Boston, tinha o "green card" e morava no país havia 20 anos. Ele contratou, então, Oliveira (que estava ilegal) para um trabalho.

Eles fizeram o transporte de uma brasileira e seu filho de 5 anos, que tinham acabado de entrar clandestinamente nos EUA. Ao invés de levá-los ao marido dela, eles os levaram até um hotel e pediram R$ 14 mil ao seu marido, que não quis pagar. Ele disse que já tinha pago o valor para um conhecido cuidar do ingresso ilegal dos dois.

O crime de sequestro com finalidade de resgate é passível de prisão perpétua pelas leis americanas. Só agora, mais de seis anos após a prisão, e depois do reconhecimento das falhas de processo, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência tenta entender o que se passa.

FOLHA

Chico Alencar: Há clima de medo; Exército precisa dialogar no Alemão


Claudio Leal
Os confrontos do Exército com moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, acrescidos de embates com cerca de 40 traficantes que tentavam voltar ao território, revelam um "modelo inconsistente" de ocupação militar, avalia o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ). Presente desde novembro de 2010 nos morros cariocas, o Exército enfrenta críticas da comunidade. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito para investigar a atuação dos militares.
Há uma semana, quatro depósitos de botijões de gás, controlados pela família de Marcinho VP, do Comando Vermelho, foram fechados pelo Exército. Vincula-se a tentativa do narcotráfico de retomar espaços perdidos a avarias nas suas finanças. O Exército estendeu sua presença na região até junho de 2012.
- Após aquele alívio inicial do poder despótico do tráfico, que de toda forma tem uma inserção na comunidade muito grande, a chamada "libertação" não se efetivou. Ficou um clima de medo, de opressão, de abafamento, sem uma relação permanente, democrática, para avaliar como está sendo aquela ocupação. Não houve um canal democrático de diálogo - analisa Chico Alencar, em entrevista aTerra Magazine.
Para o deputado do PSOL, o combate ao controle armado do tráfico é "positivo", mas o melhor modelo é o da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
- Só que o "P" aí tem que ser o pacificador pleno, mesmo. O que significa "P" de Políticas públicas, de Promoção humana, de Protagonismo popular. Significa ter um serviço de policiamento com o qual a população dialogue, diariamente.

Terra Magazine - O modelo de ocupação do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, precisa ser revisto, após os confrontos com o tráfico? 



Chico Alencar - Sem dúvida, porque ele se revelou muito inconsistente. Tem um enfoque de ocupação militar, que, se necessária durante um período, não pode se perenizar, senão vira um "estado de sítio". Ali, é bom lembrar, não é nem uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). É a força militar, o Exército, coordenando tudo. E é evidente que ele não tem a menor vocação, o preparo, o treinamento pra fazer uma interação social com uma comunidade como aquela. Senão, ela continua privada de direitos e serviços essenciais e se agrega uma repressão contínua: não pode falar alto, não pode fazer festa... Tudo fica "manu militari". É um "estado de sítio" que, mais cedo ou mais tarde, gera problemas. E, claro, facilita a possibilidade de reinserção do controle armado pelo tráfico.

A presença do Exército não exige uma mudança cultural da comunidade?



Na verdade, faltou, desde o início, a busca de um novo padrão. Até porque os meninos do Exército não são treinados para isso. Aliás, não são treinados para policiamento e para uma interação social comunitária. É só uma presença de braço armado do Estado, mas sem a menor formação. Eu tinha notícias de desmandos contínuos, de autoritarismo. Há um sentimento na comunidade de que o Exército lá não está agindo bem. Após aquele alívio inicial do poder despótico do tráfico, que de toda forma tem uma inserção na comunidade muito grande - senão, não seria tão forte assim -, a chamada "libertação" não se efetivou. Ficou um clima de medo, de opressão, de abafamento, sem uma relação permanente, democrática, para avaliar como está sendo aquela ocupação. Não houve um canal democrático de diálogo, até pra apontar esses problemas. Me lembro que, um mês depois da ocupação, fui pela Comissão de Direitos Humanos (da Câmara) lá no Exército, no centro do Rio, e conversei com o coordenador da ocupação. Já alertávamos para esses problemas, como se daria a relação. Agora, chegou a esse ponto.

A partir desse conflito, qual seria o melhor modelo para reinserir o Estado nessas áreas?



A ideia é sempre o policiamento comunitário, as UPPs. Só que o "P" aí tem que ser o pacificador pleno, mesmo. O que significa "P" de Políticas públicas, de Promoção humana, de Protagonismo popular. Significa ter um serviço de policiamento com o qual a população dialogue, diariamente.

A ocupação dos espaços do tráfico foi positiva?



O fato de você tirar, de certas áreas, o controle armado do tráfico, é positivo. Porque é um poder despótico, muito violento, muito cruel. E o policial, se comete desmandos, e infelizmente comete, nos dá alguma chance de reclamar e de se indentificar o agressor que agiu em nome do Estado. O bandido, não. Ele, por definição, não tem identificação e não dá para se queixar, a não ser quanto ao delito cometido. Mas ele não pode ser cobrado porque é uma autoridade que se desviou. Nesse sentido, é melhor o policiamento, ainda que cometendo esses desmandos que a gente precisa controlar. E entender cada vez mais a polícia como serviço público, sob controle da população. O tráfico vai existir sempre, enquanto houver consumidores e buscas. Aí tem uma série de aspectos psicossociais, tem que discutir a legalização das drogas com o controle social, com o controle da saúde dos viciados. O desarmamento é fundamental e imediato. Onde se tirou o poder armado, foi bom. Não nego, foi positivo. Agora, só isso não basta. A tendência é voltar. Até porque as armas continuam circulando.

No Complexo do Alemão, até outro dia, o comércio de botijões de gás ainda era controlado pelo tráfico. Está de pé, ainda, um sistema econômico vinculado ao tráfico.



Claro, o perigo é uma ocupação que fica exclusivamente militar, muito hierarquizada, muito fechada. Daqui a pouco eles passam a controlar isso também. E vira milícia. O que é uma desgraça total.
TERRA MAGAZINE

Anotações sobre um domingo e a memória de dois setembros


Dez anos depois de 2001, o dia onze de setembro cai num domingo. Naquele ano, caiu numa terça-feira. Trinta e oito anos depois de 1973, o dia onze de setembro cai num domingo. Naquele ano, caiu numa terça-feira. Trágica coincidência. Trago comigo nítidas, na memória, as imagens dessas duas terças-feiras de setembro. O artigo é de Eric Nepomuceno



1. Dez anos depois de 2001, o dia onze de setembro cai num domingo. Naquele ano, caiu numa terça-feira. 

De lá para cá o mundo nunca mais foi o mesmo, e com as ações desatadas por um fundamentalista iracundo chamado George W. Bush, tendo como justificativa as ações de outro fundamentalista de igual calibre chamado Osama Bin Laden, tudo mudou – para pior. Os Estados Unidos, o país mais bélico da história da humanidade, o país que necessita permanentemente viver em pânico, sentir-se ameaçado, e que quando não há ameaça logo inventa alguma, pois esse país se deu uma vez mais o luxo de invadir e avassalar ao seu bel prazer outros países, outros povos, destroçar outras culturas. Esparramar a paranóia do terror mundo afora, encarar alegremente a tortura, a sevícia e a humilhação como instrumentos lícitos para obter confissões. 

2. Trinta e oito anos depois de 1973, o dia onze de setembro cai num domingo. Naquele ano, caiu numa terça-feira. Trágica coincidência. 

De lá para cá a América Latina, que já padecia uma longa e persistente era de violência, mudou, e mudou em dois tempos. Num primeiro tempo, ao que já havia de mau em seu mapa somou-se a tragédia do Chile. E boa parte do pouco que havia sobrado de bom perdeu-se em labirintos tenebrosos, sonhos e esperanças viraram nuvens perdidas, caravanas de nômades buscaram algum oásis onde pernoitar pelas longas noites do exílio, e pairou um silêncio cúmplice ou culpado de quem não quis ver o que se passava nas masmorras da tortura e do esmagamento de parte da sua melhor juventude. Num outro tempo, em anos mais recentes, a América Latina soube se reconciliar com a democracia, a aceitar sua diversidade, a resgatar tempos perdidos ou roubados.

Amargas costumam ser as ironias da história, ao menos neste pedaço do mundo. Para que em 1973 os militares chilenos lançassem fogo e metralha sobre seu país, para que com um golpe cruel interrompessem a trajetória de um homem bom e digno chamado Salvador Allende, que preferiu acabar com a própria vida a ser humilhado por quem o traiu, foram essenciais o apoio e a intervenção dos Estados Unidos. Os mesmos Estados Unidos que, vinte e oito anos mais tarde, quando o Chile havia reencontrado a democracia, sofreram no coração de seu símbolo maior, a Nova York que se pretendia a Capital do Mundo, o mesmo horror que espalham mundo afora há décadas. 

3. Trago comigo nítidas, na memória, as imagens dessas duas terças-feiras de setembro. Trago a imagem de aflição de Nova York em 2001, da mesma forma que trago a certeza de que jamais acabará de cicatrizar em mim a dor pelo que aconteceu em Santiago do Chile em 1973. 

Do dia 11 de setembro de 2001, lembro perfeitamente de onde estava, de como vi na televisão o segundo avião explodindo contra uma das Torres Gêmeas, e pensei que era uma reprise do que alguém me disse ter visto minutos antes, e levei um átimo de tempo que parecia um tempo imenso para entender que era um segundo avião, e lembro das imagens de pessoas correndo desamparadas por ruas que conheci e conheço. Lembro a imagem do desespero, um homem saltando de ponta-cabeça, indo de uma altura absurda rumo ao chão. Lembro disso e de muito mais.

Da mesma forma que lembro perfeitamente meu assombro e meu desconcerto na terça-feira 11 de setembro de 1973, num tempo em que não havia telefone celular nem internet nem nada que permitisse uma comunicação rápida. Eu tinha 25 anos, amigos chilenos, e estava em Córdoba, no interior da Argentina. Havia chegado de Buenos Aires, onde morava, um dia antes. Vi na porta de um sindicato uma fila formada por jovens, e essa fila aumentava veloz, e perguntei a alguém o que estava acontecendo e ouvi que todos ali queriam se apresentar como voluntários para ir ao Chile defender o presidente Salvador Allende e lutar em defesa da democracia. Assim eu soube do golpe.

Allende já estava morto, e a democracia chilena, assassinada. Mas ninguém ali sabia disso. Eu não sabia, ninguém sabia. 

Eu não sabia, ninguém sabia que naquele instante parte de nossas melhores esperanças jaziam calcinadas em Santiago do Chile, a cidade das grandes alamedas. Nem que parte de nossos anos jovens começavam a morrer naquela terça-feira de frio em Córdoba, interior da Argentina, enquanto do outro lado da cordilheira um céu opaco e um sol negro se instalavam sobre o país que Allende quis mais justo, mais generoso, mais digno.

4. O domingo, 11 de setembro de 2011, me encontra empapado das imagens dessas duas terças-feiras de horror. Uma, a de 2001, com o povo norte-americano como vítima. Outra, a terça-feira 11 de setembro de 1973, com os Estados Unidos como algozes. Sim, são trágicas as ironias da história. 

O Chile soube reencontrar sua democracia – ainda frágil, ainda imperfeita, ainda com um longo caminho pela frente.

E o país que tanto colaborou para a tragédia dos chilenos, terá sabido entender a sua? Terá entendido o que fez ao mundo depois de padecer sua própria terça-feira de horror?

Essa a pergunta que atordoa minha dolorida memória desses dois setembros. 
CARTA MAIOR

Chuvas já afetam mais de 550 mil pessoas em Santa Catarina; uma morreu


As chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina desde a última quarta-feira (7) já afetaram mais de 550 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Defesa Civil Estadual na manhã de hoje. Também foi registrada a morte de um homem de 66 anos na cidade de Guabiruba.


Dentre os afetados, estão 20.945 pessoas desalojadas, ou seja, estão em casas de amigos e parentes, e outras 1.623 desabrigadas (dependem de abrigos públicos).

Ao todo, foram tingidos 60 municípios, sendo que 14 deles decretaram situação de emergência. São eles: Angelina, Bocaina do Sul, Brusque, Caçador, Correia Pinto, Ituporanga, José Boiteux, Leoberto leal, Navegantes, Pouso Redondo, Rio das Antas, Rio dos Cedros, Tijucas e Witmarsum.

O nível do rio Itajaí-Açu, em Blumenau (157 km de Florianópolis), chegou a 12,48 metros, segundo medição realizada pela Defesa Civil do município às 7h desta sexta-feira. A previsão para as 12h é de que o nível suba para 12,8 metros.

A cidade de Blumenau é a mais afetada pelas chuvas, com cerca de 280 mil pessoas afetadas. Dessas, mais de 15 mil tiveram que deixar suas casas. As aulas foram suspensas na cidade até segunda-feira. O sistema de transporte público está prejudicado.

O tempo segue instável com céu encoberto e chuva de intensidade moderada a forte no Estado devido à presença de áreas de instabilidade associadas a um sistema de baixa pressão.


Várias estradas estão com bloqueios devido à queda de barreiras ou alagamentos. Entre elas estão a BR-470 (nos km 114 e 115), a BR-282 (em vários pontos), BR-280 (km 91 e 93), BR-116 (no km 304,8 e no Km 108,3).

Em novembro de 2008, as fortes chuvas causaram deslizamentos e enchentes em Santa Catarina. O desastre provocou mortes em 16 cidades. Ao menos 62 municípios decretaram situação de emergência. No total, 135 pessoas morreram.

FOLHA

Inflação do aluguel dobra em setembro


RIO - A primeira prévia do IGP-M voltou a subir em setembro. O índice avançou 0,43%, quase o dobro da taxa apurada em igual prévia em agosto (0,22%), segundo informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções (entre 0,38% e 0,64%), e abaixo da mediana das expectativas (0,47%).
No caso dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de setembro, o IPA-M teve alta 0,49% na primeira prévia este mês, após subir 0,28% na primeira prévia de agosto. Por sua vez, o IPC-M apresentou taxa positiva de 0,42% na prévia anunciada hoje, após avançar 0,07% na primeira prévia do mês passado. Já o INCC avançou 0,10% na primeira prévia deste mês, após avançar 0,16% na primeira prévia de agosto.
O IGP-M é muito usado para reajuste no preço do aluguel. Até a primeira prévia de setembro, o índice acumula aumentos de 3,93% no ano, e de 7,23% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de setembro foi do dia 21 a 31 de agosto.
A inflação agropecuária voltou a avançar no atacado. Os preços dos produtos agrícolas atacadistas subiram 0,86% na primeira prévia do IGP-M de setembro, após alta de 0,80% em igual prévia em agosto. No setor industrial, os preços também avançaram, com alta de 0,36% na prévia de setembro, após elevação de 0,10% na primeira prévia de agosto.
Atacado
A inflação atacadista medida pelo IPA-M acumula altas de 3,35% no ano e de 7,29% em 12 meses. Os preços dos produtos agropecuários no atacado acumulam alta de 2,61% no ano, e registram aumento de 14,56% em 12 meses. Já os preços dos produtos industriais no atacado mostraram altas de 3,61% no ano e de 4,92% em 12 meses.
Entre os produtos pesquisados no atacado, as altas de preço mais expressivas foram apuradas em soja em grão (4,09%); minério de ferro (2,97%); e café em grão (7,59%). Já as mais expressivas quedas de preço no atacado foram registradas em milho em grão (-2,07%); bovinos (-1,12%); e sucos concentrados de laranja (-11,11%).
Varejo
A inflação varejista medida pelo IPC-M acumula altas de 4,51% no ano e de 6,92% em 12 meses. A aceleração na taxa do IPC-M, da primeira prévia do IGP-M de agosto para igual prévia em setembro (de 0,07% para 0,42%) foi influenciada por aceleração de preços em cinco das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador varejista. Mais uma vez o destaque ficou com Alimentação, cuja variação de preços passou de -0,25% para 0,60% da primeira prévia de agosto para igual prévia em setembro. Nesta classe de despesa, houve acelerações de preços, deflação mais fraca ou até mesmo término de queda de preços em frutas (de 1,24% para 5,53%), hortaliças e legumes (de -4,54% para -2,84%) e carnes bovinas (de -0,12% para 1,36%) respectivamente.
Os outros grupos que mostraram acréscimos em sua taxa de variação de preços são Vestuário (de 0,25% para 1,92%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,39% para 0,54%), Educação, Leitura e Recreação (de -0,02% para 0,16%) e Transportes (de 0,12% para 0,20%).
Em contrapartida, houve desaceleração e queda de preços em Habitação (de 0,25% para 0,21%) e em Despesas Diversas (de 0,08% para -0,01%), no período.
Construção
A inflação na construção civil apurada pelo INCC-M acumula elevações de 6,41% no ano e de 7,60% em 12 meses até primeira prévia do IGP-M de setembro. A desaceleração na taxa do INCC-M, da primeira prévia de agosto para igual prévia em setembro (de 0,16% para 0,10%) foi influenciada por taxas de inflação mais fracas nos preços de mão de obra (de 0,06% para 0,01%) e de materiais, equipamentos e serviços (de 0,26% para 0,18%), no período.
Entre os produtos pesquisados, as altas de preço mais expressivas na construção foram registradas em cimento portland comum (0,78%); projetos (0,50%); e tinta a base de PVA (2,05%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,81%); condutores elétricos (-0,73%); e massa de concreto (-0,17%).
ESTADÃO

Ataque terrorista de 11 de Setembro mudou a indústria cultural


"O que aconteceu lá foi a maior obra de arte já feita!"

Proferida em Hamburgo, numa entrevista no dia 16 de setembro de 2001, a frase do alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007) foi explosiva.

Para muitos, o maior compositor erudito do século 20 passou da conta ao comentar o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, que completa dez anos.

Mas Stockhausen não deixou de sinalizar o efeito que o 11 de Setembro provocaria na indústria cultural.

Não significa pouco o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, ter escolhido o humorístico de TV "Saturday Night Life" para falar à população após o atentado.

A série "West Wing", sobre bastidores da Casa Branca, produziu às pressas um episódio sobre o ataque para abrir uma nova temporada naquele mesmo mês.

Um herói de TV é o grande "filho" do 11 de Setembro, o mais icônico personagem do sentimento revanchista de boa parte dos americanos.

Jack Bauer, agente de "24 Horas", deu corpo ao vale tudo para impedir terroristas de atacar seu país.

Matar e torturar são ferramentas do dia a dia de Bauer contra os estrangeiros malvados. Para conseguir uma informação, cometeu atrocidades por várias temporadas.

Interrogou pessoas atirando no joelho delas ou aplicando choques com o fio que arrancou de um abajur.

Bauer passou tanto dos limites que os generais americanos proibiram seus soldados no Oriente de assistir aos episódios de "24 Horas".

No cinema, o documentário "Fahrenheit 9/11" trouxe a visão de Michael Moore sobre a política intervencionista de George W. Bush. Mais uma vez, foi acusado de manipular seus entrevistados.

Oliver Stone dirigiu um drama de bombeiros presos no WTC, "As Torres Gêmeas", e Paul Greengrass foi mais contundente com o modesto "Voo 93", relato ficcional de como os passageiros derrubaram o avião sequestrado que atacaria o Pentágono.

Hollywood não produziu tanto sobre o 11 de Setembro porque a transmissão ao vivo foi impactante demais.

"Você pode criar uma reconstituição incrível de uma batalha da Segunda Guerra que ninguém viu, mas como competir com a emoção provocada pelas imagens reais do atentado?", disse Steven Spielberg, que produziu documentários sobre o ataque.

Quem melhor captou o espírito do 11 de Setembro foi a diretora Kathryn Bigelow. Seu "Guerra ao Terror", filme de baixo orçamento sobre soldados americanos desarmando bombas no Iraque, fez o público americano refletir sobre sua atuação no mundo e tirou o Oscar quase certo da ficção escapista "Avatar".

Os livros de análise podem lotar estantes enormes, numa lista de autores que inclui Gore Vidal e Noam Chomsky.

Na ficção, sobrou espaço para consagrados e novatos. Don DeLillo publicou sua melhor obra em anos, "Homem em Queda" (2003), que começa com um sujeito procurando mulher e filho nas cinzas do World Trade Center.

Mas foi a revelação Colum McCann que escreveu uma alegoria comovente sobre o ataque. Em "Deixe o Grande Mundo Girar", usa a figura do equilibrista que cruzou as torres sobre um cabo, em 1974.

Nos quadrinhos, os politizados Art Spiegelman e Joe Sacco lançaram gibis que eram esperados por seus fãs. Agora, dez anos depois, até Frank Miller dá sua versão.

Passada a efeméride, talvez títulos sobre o 11 de Setembro percam apelo no mercado, mas seus efeitos perduram no entretenimento.


Confira outras obras pós-ataque:



"West Wing" - A série de TV sobre bastidores da Casa Branca criou um episódio especial sobre o ataque terrorista
Distribuidora: Warner
Com: Martin Sheen, Rob Lowe

Quanto: R$ 970 (série completa em caixa importada com 45 DVDs)

"Homem em Queda" - Livro de Don DeLillo começa com um homem procurando mulher e filho nas cinzas do WTC
Editora: Companhia das Letras
Autor: Don DeLillo

Quanto: R$ 46

"11 de Setembro" - Vários cineastas, como Sean Penn e Claude Lelouch, dirigem episódios curtos sobre o atentado
Distribuidora: Europa Filmes

Direção: Youssef Chahine, Amos Gitai, Shoei Imamura, Alejandro González Iñárritu, Claude Lelouch, Ken Loach, Samira Makhmalbaf, Mira Nair, Sean Penn, Idrissa Quedraogo e Danis Tanovic Quanto: R$ 30 (DVD)

"Fahrenheit 11 de Setembro" - O polêmico Michael Moore foca os efeitos do 11 de Setembro em documentário blockbuster
Distribuidora: Europa Filmes
Direção: Michael Moore

Quanto: R$ 28 (DVD)

"Rescue Me" - Depois de projetos semelhantes fracassarem por décadas, uma série de TV sobre bombeiros vira hit
Distribuidora: Sony
Com: Denis Leary, James McCaffrey
Quanto: R$ 270 cada uma das três temporadas (caixa importada de DVDs)

[imagem no JazBox como filus1109RescueMe]

"À Sombra das Torres Ausentes" - Art Spielgman, o premiado e politizado criador da HQ "Maus", dá sua versão sobre o ataque
Editora: Companhia das Letras
Autor: Art Spiegelman

Quanto: R$ 85

"Compreender o 11 de Setembro" - Livro do português Vasco Rato analisa desdobramentos da década seguinte ao atentado
Editora: Babel
Autor: Vasco Rato

Quanto: R$ 25

"Love Hate Love" - Documentário produzido por Sean Penn sacode o festival de cinema Tribeca com imagens fortes

Será lançado em DVD no Brasil em dezembro

"Deixe o Grande Mundo Girar" - Escritor Colum McCann emociona falando sobre um equilibrista que cruzou as torres em 1974
Editora: Record
Autor: Colum McCann

Quanto: R$ 43

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...