domingo, 25 de setembro de 2011

Em feira evangélica, negócios vão de capa para Bíblia a consórcio de igreja


"Não é pecado, não", diz José Luiz Batres, gerente-geral da Nova Vida, grife que vende capas customizadas para a Bíblia. Seu alvo é o público feminino: por R$ 34,99, a consumidora pode adquirir um modelo de couro sintético com estampa de zebrinha e suporte para celular.

Batres é um dos empreendedores de olho no próspero nicho religioso. "Também percebemos o que a modernidade 'chama-se mundo secular, né?' pode trazer ao mundo evangélico".

Na 10ª Expo Cristã, é lucro o que a modernidade traz. Montada no Pavilhão do Anhembi, a feira de negócios voltada a evangélicos reúne mais de 500 expositores.

A expectativa da organização é movimentar R$ 1 bilhão em novos negócios (direta e indiretamente) até amanhã, último dia do evento, que estima público de 163 mil.

O leque de produtos é amplo. Em meia hora de caminhada, a repórter da Folha recebeu panfletos sobre cadeiras para bufê, poltronas "confortex", consórcio para igrejas (créditos de até R$ 300 mil), pacotes turísticos (de Aruba a Israel), stand-up comedy cristão, o parque de diversão Beto Carrero, filmes, gravadoras, "santo cálice" descartável e as mais diferentes versões da Bíblia.

Para Eduardo Berzin Filho, presidente da Expo Cristã, o mercado começa a acordar para o poder de compra dos evangélicos.

Ele destaca pesquisa da organização Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes) que calcula o surgimento de 10 mil novos pontos de pregação por ano.

"Com que dinheiro essas igrejas vão ser construídas? Oferta!", afirma. Ele complementa, em seguida, que o lucro deve "ser revertido para obras de Deus".

Música e mercado editorial são "os que mais dão dinheiro", avalia Berzin Filho.

Para o pastor Jabes de Alencar, da Assembleia de Deus, "só uma pessoa ignorante" acha que "fé e lucro não podem caminhar do mesmo lado". "A pessoa está dizendo que quem tem fé é alienígena. Mas são pessoas que comem, vão ao banheiro, ao restaurante, vestem, consomem".

FOLHA

Venda de livros porta a porta deslancha


Antes considerada moribunda, a venda de livros porta a porta ganhou um novo sopro de vida recentemente.

De 2007 a 2010, a participação do segmento no mercado editorial do país aumentou de 9% para 21,66%. Atualmente, somente as livrarias e as distribuidoras estão na frente do porta a porta como canal de venda.

Nessa retomada, o livro ganhou parcerias. Com a sua compra, as editoras oferecem brindes como DVDs, CDs, cursos a distância, livros digitais, entre outros produtos.

"O Brasil tem mais de 5.000 municípios e menos de 2.000 livrarias. A venda porta a porta tem uma enorme capilaridade e supre essa lacuna", afirma Diego Drumond e Lima, presidente da ABDL (Associação Brasileira de Difusão de Livros) e diretor-geral da Editora Escala.


PÚBLICO VARIADO

De acordo com dados da ABDL, o faturamento do setor alcançou R$ 1,2 bilhão em 2010. Em 2008, foram R$ 681 milhões. A média de preço das coleções é de R$ 122,74.

A Editora Escala começou no porta a porta há sete anos. "Atualmente, vendemos 350 mil livros por mês nesse segmento", diz Lima. Para agradar a um público variado, os títulos incluem livros pedagógicos, religiosos, infantis e best-sellers.

Não por acaso, a Hermes, tradicional empresa de vendas diretas do Rio de Janeiro, começou a fazer testes com a venda de livros há quatro anos. "Vimos que esse nicho podia ser mais bem explorado" afirma Silvio Zveibil, diretor de vendas da Hermes.

"Mas foi realmente em 2010 que o negócio deslanchou, com vendas de 10,5 milhões de unidades".

Segundo Zveibil, a venda de livros gerou receita de R$ 140 milhões no ano passado.

A Avon, especializada em cosméticos, descobriu esse segmento há 18 anos. 

Com seu exército de 1,1 milhão de revendedoras, é a líder de mercado.

Segundo Adriana Picazio, gerente da Avon no Brasil, a negociação de grandes volumes da empresa com as editoras reduz significativamente o preço das unidades.

Conforme a Folha apurou, a Avon fatura aproximadamente R$ 400 milhões com a venda de livros.

ENCICLOPÉDIAS

Os negócios com enciclopédias, que deram origem ao segmento, também não vão mal. A líder de mercado, Barsa, controlada pela Editora Planeta, espera vender 70 mil coleções de enciclopédias em 2011, 7% mais que em 2010. As coleções custam de R$ 2.400 a R$ 2.900.

Segundo Sandra Cabral, diretora da Barsa, equipes especializadas em nichos profissionais têm ganhado destaque. "Temos vendedores que atendem somente delegados de polícia ou médicos".

FOLHA

Governo paulista repassou milhões para cidade errada


Ao longo dos últimos 18 anos, toda a fatia municipal do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) gerada pela usina hidroelétrica Três Irmãos, inaugurada em 1993 em um ponto do Tietê localizado na divisa entre Pereira Barreto (623 km de SP) e Andradina (627 km de SP), beneficiou apenas Pereira Barreto, informa a reportagem de Eduardo Gerarque publicada na edição deste domingo da Folha.

O município foi o escolhido pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo), na época da inauguração, a sede fiscal da Três Irmãos. Os dois municípios são separados apenas por uma ponte. E, por lei, somente a cidade sede da usina pode receber o dinheiro do imposto.

O problema é que, segundo o prefeito de Andradina, Jamil Ono (PT), os cerca de R$ 500 milhões do ICMS arrecadados em todo este período deveriam ter ido para o município que ele representa.

A acusação ganhou força após recentes pareceres técnicos do próprio Governo de São Paulo, que mostram que o dinheiro pode ter sido mesmo repassado para o município errado.

Laudo do Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo também dá razão ao prefeito de Andradina: os dados concluem que a operação e geração de energia da usina ocorrem na cidade.

Questionada sobre a escolha de Pereira Barreto como sede, a Cesp não retornou à reportagem até a conclusão desta edição.

A discórdia gerada pelo ICMS da usina Três Irmãos vai ser decidida na esfera jurídica. A afirmação é do secretário Andrea Calabi, titular da pasta da Fazenda do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

FOLHA

Rei da pegadinha, Ivo Holanda segura ibope do SBT


Ele começou a carreira de artista como demônio. Depois foi o traidor Judas e Gestas - o ladrão que não se arrependeu dos pecados, crucificado ao lado de Jesus - em representações da Paixão de Cristo na periferia de São Paulo, nos anos 1970.

Hoje, Ivo Holanda, 76, é um dos responsáveis por manter o "Programa Silvio Santos" (SBT) na vice-liderança de audiência com as pegadinhas da "Câmera Escondida", no ar desde os anos 1990.

Nos últimos 16 domingos, no horário em que ele esteve no ar, o canal se manteve em primeiro lugar na audiência em cinco e foi vice em outros oito. Qualquer semelhança com o sucesso dos anos 90 não é mera coincidência.


O roteiro das novas pegadinhas é o mesmo: desavisados caem em histórias de mortos-vivos, gente que vai procurar emprego e toma susto ou é xingada na rua.

A disposição de Holanda, porém, não é brincadeira. Ele grava novos quadros quase todas as semanas. "Saio de casa sem nem ter ideia do que vou fazer", diz à Folha. É a produção, a mesma por quem ele chama quando a pegadinha sai do controle ("Socorro, produção!"), que faz o roteiro e escolhe o cenário.

Ele conta que a arte do improviso começou cedo na vida. Seu primeiro trabalho foi como engraxate em Herculândia (498 km de São Paulo), onde vivia com os pais e três irmãos.

CALOURO E OFFICE-BOY

Foi ainda tapeceiro e cantava no coral, quando recebeu o convite para integrar um grupo de teatro amador, já na capital, para onde se mudou em 1952.

"Eu canto desde os seis anos", diz Holanda. "Participei de vários programas de calouros na vida, sempre cantando 'O Ébrio' [canção eternizada na voz de Vicente Celestino (1894-1968)]".

Em 1953, em uma das encenações da Paixão, conheceu um funcionário do Banco Cruzeiro do Sul. Ficaram amigos e ele pediu um emprego. "Queria estabilidade. Antes quem era funcionário virava patrimônio do banco".

Foi contratado como contínuo, ou seja, office-boy. Nos 30 anos em que lá trabalhou - até se aposentar pela primeira vez -, viu o Cruzeiro do Sul ser comprado pelo Banco da Bahia, depois pelo Bradesco.

Várias vezes tentaram mandá-lo embora. "Briguei muito com o Gushiken", diz sobre Luiz Gushiken, que foi do Sindicato dos Bancários antes de ser ministro da Secretaria de Comunicação Social no governo Lula.

Agora Holanda é aposentado duas vezes, uma pelo banco e outra pelo SBT. "Meu sucesso começou aos 56", diz ele, que adotou o Mandaqui (zona norte de SP) há 43 anos.

"Sou a nova Dercy Gonçalves do SBT", conta sobre o contrato vitalício assinado nos moldes do que teve a atriz, morta aos 101, em 2008.

FOLHA

Treze pessoas morrem em naufrágio na Indonésia


Pelo menos 13 pessoas morreram e outras nove desapareceram no naufrágio de um barco com 40 tripulantes e passageiros perto da ilha de Java, no oeste da Indonésia, informa neste domingo a imprensa local.

As autoridades acreditam que a embarcação afundou no sábado por causa da forte maré na ilha de Madura e por enquanto só há 18 sobreviventes.

"Encontramos 18 sobreviventes. Pensamos que o total de passageiros e tripulantes chegava a 40 pessoas", disse o chefe da equipe de resgate.

Na quarta-feira passada, pelo menos dez pessoas morreram afogadas e outras 14 desapareceram após o naufrágio de uma lancha que transportava uma orquestra de música em frente à ilha indonésia de Bali.

Os naufrágios são comuns neste arquipélago formado por cerca de 17 mil ilhas. A maior parte se deve à precariedade das embarcações, o descumprimento das normas de segurança e a sobrecarga.

EFE/FOLHA

Jovem já foi removida do Facebook 3 vezes sem ser notificada


"Se desativarmos sua conta, você não deverá criar outra sem nossa permissão", diz o Facebook em sua declaração de direitos e responsabilidades. A modelo fotográfica Mariana Sampaio, 15 anos, já sabe disso.

Há dois meses, ela estava usando o Facebook - sua rede social preferida -, e, de repente, a tela de login apareceu. Ao tentar entrar de novo, Mariana soube que sua conta tinha sido desativada. "Apareceu que eu não tinha autorização para usar, que a conta não era autenticada".

O motivo da exclusão não foi revelado pelo Facebook, que diz não comentar casos específicos de usuários, e Mariana não recebeu notificação sobre a remoção de seu perfil. Para usar o Facebook, criou outra conta, que também foi desativada. Isso aconteceu mais duas vezes.

Quando fez a quarta conta, o Facebook devolveu a ela a terceira. "Fiquei com duas. Eles me mandaram um e-mail dizendo que eu tinha que desativar uma, porque ter duas contas é contra as regras do Facebook. Foi o único e-mail que eles me mandaram".

Ela perdeu todos os dados de suas duas primeiras contas. Pediu-os de volta, enviando um e-mail e uma cópia de seu RG, mas não conseguiu recuperá-los.

Para fazer o pedido, precisou ler alguns pontos dos termos. "Não leio os termos de uso dos sites, mas já decorei umas partes dos termos do Facebook". Ela diz que "foi pulando" e levou de 10 a 15 minutos para ler o necessário.

Mariana é popular na internet. No Twitter, tem mais de 200 mil seguidores. No Facebook, sua página oficial já foi curtida mais de 3.000 vezes. Em redes sociais, há vários fakes dela. Ela levanta a hipótese de que seu perfil tenha sido considerado falso e excluído.

No fim de agosto, a atriz Giovanna Lancellotti passou por algo parecido, conforme disse no Twitter: teve seu perfil removido do Facebook sem receber nenhuma notificação.

FOLHA

    Estudo que desafia Einstein sofre críticas


    No clássico de humor "O Guia do Mochileiro das Galáxias", o escritor Douglas Adams afirma: "Nada no Universo ultrapassa a velocidade da luz. A única exceção são as más notícias, que obedecem a leis próprias".

    A piada resume o clima de mal-estar com o qual a comunidade de físicos recebeu o anúncio de que partículas chamadas neutrinos teriam viajado mais rápido que a luz.

    Ontem, físicos que conduziram a observação finalmente fizeram um anúncio oficial e tiveram de enfrentar o ceticismo dos demais cientistas.

    No experimento Opera, um feixe de neutrinos (partículas eletricamente neutras e quase sem massa) foi produzido no centro de pesquisas nucleares Cern, em Genebra (Suíça), e enviado até um detector no Laboratório Nacional Gran Sasso, na Itália, a 730 km. Chegou lá 60 bilionésimos de segundo mais adiantado do que a luz.

    E a notícia correu também mais rápido do que a ciência. O anúncio já havia se espalhado na imprensa anteontem, quando os autores do trabalho abriram o acesso na internet a um estudo ainda sem revisão independente.

    NO TWITTER

    Só ontem o Cern organizou entrevista coletiva com os físicos, com perguntas via Twitter e transmissão em vídeo. Dario Autiero, líder do estudo, mostrou seus resultados com algum esforço para contemplar uma audiência que incluía de jornalistas leigos a físicos veteranos.

    Quando sua apresentação chegou ao vigésimo gráfico detalhando a metodologia do experimento, a plateia local começou a ficar inquieta.

    Alguns físicos já reclamavam que seria preciso ser especialista em sincronização de relógios atômicos por GPS para tentar compreender como as medidas eram obtidas no experimento. Jornalistas questionavam se um aparato de laboratório tão complexo e tão cheio de peças não seria vulnerável a falhas.

    Autiero tentou mostrar que seu grupo de pesquisa levou em conta margens de erro para todo tipo possível e imaginável de interferência. Os resultados, afirma ele, permanecem sólidos após seis meses de rechecagem.

    "O sr. levou em conta a rotação da Terra?", perguntou um físico que se levantou na platéia. "Sim", respondeu.

    Até a interferência causada por carros no túnel de uma rodovia no caminho dos neutrinos foi considerada.

    "Conseguimos que uma das faixas da estrada fosse bloqueada por algum tempo, mas só teríamos obtido mais precisão nas medições com um bloqueio completo", disse Autiero. A polícia rodoviária italiana negou o pedido, mais preocupada com congestionamentos de carros do que com o excesso de velocidade de neutrinos.

    No geral, os físicos presentes respeitaram a maneira como o pesquisador rebateu as críticas mais técnicas.

    ELOGIO DE NOBEL

    Por fim, Samuel Ting, Prêmio Nobel em Física de 1976, estava presente e parabenizou Autiero. "O experimento foi feito muito cuidadosamente, com os erros sistemáticos bem checados", disse.

    Elogios à parte, poucos físicos teóricos ficaram satisfeitos. Muitos acham difícil crer que a relatividade especial, teoria de Einstein que foi desafiada continuamente por mais de cem anos e sobreviveu a todos os testes até agora, esteja errada num de seus aspectos mais fundamentais.

    É mais fácil acreditar em algum problema em Gran Sasso do que reescrever toda a física do século 20.

    Num evento em que jornalistas pareciam ter medo de entrar na discussão, coube a um representante do Instituto de Física do Reino Unido fazer a pergunta mais constrangedora: "Vocês têm medo de passar ridículo caso se descubra que tudo isso se deve a um erro sistemático?".

    Autiero respondeu, indiretamente, à pergunta. "Apesar de nossas medidas terem baixa incerteza sistemática e alta precisão estatística, e de nós termos alta confiança em nossos resultados, estamos ansiosos para poder compará-los com outros experimentos", ponderou ele.

    Especulações teóricas sobre como explicar a anomalia dos neutrinos já surgiram ontem, apesar do ceticismo. A mais popular sugere que as partículas teriam atravessado uma dimensão oculta do espaço, pegando um "atalho" para chegar mais cedo.

    Nenhuma teoria anterior, porém, havia previsto esse tipo de fenômeno.

    FOLHA

    Morre Cleto Falcão, um dos líderes do governo Collor


    O ex-deputado federal e líder do governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo, Cleto Falcão, morreu na madrugada deste sábado (24) em Maceió, aos 58 anos. O corpo dele foi velado em Maceió e depois seguiu para Recife, onde nasceu, para ser cremado.

    Falcão morreu no hospital Santa Casa de Misericórdia de Maceió vítima de um câncer, segundo familiares.

    Um dos coordenadores da campanha presidencial de 1989, Falcão foi integrante da tropa de choque do governo Collor (1990-92), mas se afastou do ex-presidente após ter votado a favor do impeachment dele, em 1992.

    Em 94, ele afirmou em entrevista que negociou o apoio da cúpula do jogo do bicho para a eleição de Collor à Presidência em 89. Em troca, segundo ele, Collor se comprometeria a não intervir na estrutura do jogo do bicho.

    William Cleto Falcão de Alencar começou a carreira política em 1976, quando se tornou presidente da ala jovem do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição ao regime militar (1964-1985). Três anos depois se tornou assessor político do senador Teotônio Vilela, pai do atual governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB).

    Eleito deputado estadual em 1987, Falcão se tornou líder do então governador de Alagoas Fernando Collor (1987-89) na Assembleia Legislativa alagoana. No cargo, participou ativamente da campanha que levou Collor à Presidência, ao derrotar o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

    Em 1990, foi eleito deputado federal pelo PRN (Partido da Reconstrução Nacional), mesmo partido de Collor. Tornou-se líder do PRN, mas foi destituído logo em seguida após afirmar, em entrevista, que mantinha um padrão de vida incompatível com seu salário graças ao apoio financeiro de empresários amigos.

    Tentou se eleger nas três eleições seguintes, mas sem sucesso. Em 2002, candidatou-se à Assembleia Legislativa de Alagoas, mas recebeu apenas dois votos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Sem conseguir voltar à política, passou a trabalhar como corretor de imóveis.

    FOLHA

    Governo refaz conta e 'amplia' aeroportos


    Sem qualquer alteração no plano de investimentos para a Copa, os aeroportos ganharam uma capacidade adicional de 100 milhões de passageiros/ano. A ampliação ocorreu porque a Infraero, estatal que administra os aeroportos, alterou a metodologia usada para calcular a capacidade da infraestrutura.

    Pelas contas originais, a capacidade dos 13 aeroportos estratégicos para a Copa (12 cidades-sede mais Campinas) subiria para quase 150 milhões de passageiros/ano com os investimentos de R$ 6,4 bilhões previstos até 2014.

    Aplicada a nova metodologia, que leva em conta avanços tecnológicos e a mudança no perfil dos usuários, as mesmas obras agora elevarão a capacidade para 256,8 milhões de passageiros/ano.

    Isso dá uma folga de 41% no sistema, considerando uma estimativa de demanda de 152,6 milhões de passageiros em 2014.

    Com essa margem, os aeroportos poderiam aguentar de cinco a dez anos além da Copa sem grandes investimentos, dizem especialistas.

    A IATA, associação internacional de empresas aéreas, recomenda folga de capacidade de ao menos 20%.

    O especialista em transporte aéreo e professor da Coppe/UFRJ, Elton


    Fernandes, ironizou a mudança de metodologia: "Com uma canetada, todos os problemas do setor acabaram", disse.



    Em fevereiro, Fernandes divulgou um estudo que mostra que dos 13 aeroportos, nove chegariam em 2014 com a capacidade esgotada.

    Financiado pelo Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas), o estudo foi baseado em dados de capacidade da divulgados pela Infraero.

    Em 2010, 104 milhões de passageiros passaram pelos 13 aeroportos, que tinham capacidade para receber 95 milhões de passageiros/ano pelos cálculos antigos.

    Pela nova metodologia da Infraero, o aperto vivido hoje por quem viaja de avião desaparece: a capacidade sobe para 140,6 milhões - 35% acima da demanda.

    Os novos cálculos de capacidade começaram a surgir em apresentações sobre os preparativos para a Copa divulgadas pela Infraero em seminários e na internet ao longo deste ano.

    O superintendente de Planejamento da estatal, Walter Américo, diz que o método passou a ser adotado oficialmente no início de 2010, depois de três anos de estudos.

    "Hoje você faz check-in pelo celular e isso reduz a necessidade de tantos balcões", exemplificou.

    Os voos na madrugada, segundo ele, também influenciaram os cálculos. "Os aeroportos ficam abertos 24 horas, mas não considerávamos a madrugada no cálculo da capacidade. Mas agora há muitos voos".

    FOLHA

    "A Vida da Gente" terá protagonistas na abertura


    Fato não muito comum em novelas da Globo, a abertura de "A Vida da Gente" contará com seu trio de protagonistas.
    Ao começar, a próxima novela das 18h mostrará Fernanda Vasconcellos, Marjorie Estiano e Rafael Cardoso em vídeos e fotos que ajudam a contar a história de seus personagens.
    Ana, Manuela e Rodrigo, respectivamente, aparecerão em diferentes fases da infância e da adolescência.
    Estarão lá, por exemplo, festas de aniversário, o primeiro troféu de Ana como tenista e a cerimônia de casamento de Eva (Ana Beatriz Nogueira) e Jonas (Paulo Betti).
    A música-tema será "Oração ao Tempo", de Caetano Veloso, mas na voz de Maria Gadú.
    A novela estreia na próxima segunda-feira (26).
    FOLHA

    Arrecadação é recorde, mas o ritmo começa a cair


    A arrecadação federal de R$ 74,6 bilhões, em agosto - novo recorde para o mês -, foi influenciada pelos ganhos de capital das pessoas físicas, a alta da renda e do emprego dos assalariados e o aumento das importações. Esses fatores, somados às receitas atípicas do Refis da crise e de depósitos judiciais, compensaram os efeitos da perda de fôlego da indústria sobre a arrecadação. O ritmo de crescimento das rendas tributárias caiu, mas consultorias privadas ainda preveem crescimento real da receita de 10% neste ano - o que está longe de ser preocupante para o governo.
    Em relação a julho, a arrecadação diminuiu muito (17,6%), mas isso já era esperado, porque é nos primeiros meses de cada trimestre que se concentram os pagamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Além disso, uma receita extraordinária de R$ 5,8 bilhões, em julho, distorceu a base de comparação.
    Deflacionada pelo IPCA, a receita federal aumentou 13,26%, entre os primeiros oito meses de 2010 e de 2011; e 8,11%, entre os meses de julho de 2010 e de 2011. O Imposto de Importação, por exemplo, teve aumento real de 15,83%, arrecadando R$ 2,4 bilhões. Mas as importações já não deverão ser mais estimuladas pelo dólar desvalorizado, o que certamente produzirá reflexos na receita do último trimestre.
    Também aumentou a receita do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nas operações de crédito e no câmbio, além do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos de capital (+26,8%), influenciado pelos juros altos. Conforme o ritmo da queda de juros fixados pelo Copom, essa fonte de receita terá um crescimento mais lento.
    Os dados do Fisco mostram que as empresas já sentem os efeitos da desaceleração: entre agosto de 2011 e agosto de 2010, caíram, entre outras, as receitas de IRPJ e CSLL de entidades financeiras, extração de minerais metálicos, metalurgia, equipamentos de informática e eletrônicos e até obras de infraestrutura.
    Neste ano, o governo beneficiou-se muito com a consolidação ou a antecipação de débitos parcelados - o que parece improvável em 2012.
    O crescimento da receita nos próximos meses e, sobretudo, no ano que vem, dependerá da capacidade da economia brasileira de reagir à crise global. A mudança cambial poderá afetar o ritmo da atividade mais do que supõe o governo, afetando as empresas devedoras em dólar e pressionando a inflação. Se o poder aquisitivo dos trabalhadores for atingido, a manutenção de altos níveis de arrecadação tende a se tornar mais difícil.
    ESTADÃO

    O sabor da estação


    A pouco mais de um ano das eleições municipais de 2012, a construção da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, a prefeito de São Paulo já deixou de ser uma questão de economia interna do seu partido, o PT, onde a senadora Marta Suplicy vê encolherem as suas chances de se opor ao rolo compressor acionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa de seu protegido.
    Numa prematura ofensiva de propaganda política, o governo federal passou a inserir na programação de rádio e TV spots de louvação ao que seriam os êxitos da pasta de Haddad em satisfazer demandas populares na área educacional e anunciar mais do mesmo para o futuro próximo. É uma operação malandra: os supostos feitos e os presumíveis projetos, apresentados com uma profusão de números destinados, obviamente, a emprestar-lhes credibilidade, não têm localização definida no território nacional, mas é como se o seu endereço fosse o Município de São Paulo.
    A jogada é articulada para preparar o eleitorado paulistano para fazer uma inexorável conta de dois mais dois no devido tempo: quando começar efetivamente a campanha na mídia eletrônica, o eleitor terá elementos de recall para associar a figura do candidato petista (com toda a probabilidade Fernando Haddad) ao que lhe foi mostrado como prova do dinamismo e das políticas voltadas para os mais pobres de um dos principais Ministérios - que, por feliz coincidência, estava sob o comando do aspirante ao governo da capital paulista.
    O resultado da conta armada pelos marqueteiros só poderia ser a conclusão de que alguém com as qualidades e o desempenho evidenciados num setor estratégico da administração federal, de mais a mais jovem e telegênico, tem tudo para repetir na gestão do Município os êxitos que obteve na pasta da Educação. Se o homem implantou mais de 400 creches e se comprometeu com a implantação do dobro disso - a publicidade não diz onde, mas por que não seria por estas nossas bandas? -, eis o melhor prefeito que o voto do povo pode dar a São Paulo.
    Ainda não há de ter saído da memória dos brasileiros, ou daqueles mais atentos à manipulação da opinião pública pelos donos do poder, o que o então presidente Lula fez, ao arrepio da ética política, quando não da legislação eleitoral, para tornar conhecida da grande massa a ministra que escolhera candidata à sua sucessão - e que, além de totalmente desconhecida pelo povão, tinha contra si uma personalidade não propriamente cativante.
    Detalhes à parte, é o que a presidente Dilma Rousseff, em dobradinha com o seu patrono, deu de fazer com Haddad, levando-o para cima e para baixo em eventos concebidos para isso mesmo e destinados ao noticiário das grandes redes de TV. Como diriam os publicitários americanos, ele se tornou o sabor da estação.
    A mal disfarçada campanha eleitoral plantada na mídia eletrônica complementa o arranjo, cujo objetivo imediato é resgatar o ministro da rabeira em que foi exibido na primeira grande pesquisa sobre a intenção de voto dos paulistanos no ano que vem. Segundo o Datafolha, ele reúne a preferência de não mais de 2% dos entrevistados, enquanto Marta Suplicy se situa na faixa histórica de 30%. A boa notícia para Haddad são os 40% que se disseram inclinados a votar em qualquer candidato apoiado por Lula. O que, aliás, parece legitimar a pretensão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser o Grande Eleitor na disputa paulistana. Provavelmente com razão, ele acha que só um nome novo poderá devolver ao Partido dos Trabalhadores a Prefeitura da capital (e também a de Campinas, entre outras cidades que considera prioritárias no Estado).
    Dentro do partido, o ministro acaba de fincar um bastião importante. Sob óbvia inspiração lulista, a corrente majoritária "Construindo um novo Brasil" (CNB) declarou segunda-feira apoio à pré-candidatura Haddad. Ele próprio pertence à ala "Mensagem ao Partido". A decisão foi tomada numa reunião de que participaram cerca de 60 líderes petistas. Marta, que integra a facção, não foi convidada. Com isso, minguaram as chances de realização de prévias para a escolha do candidato - como ambicionava Marta.
    E o bumbo do governo em torno de Haddad, o ministro das creches, ressoará cada vez mais.
    ESTADÃO

    Polícia de Nova York detém 80 pessoas nos protestos de Wall Street


    A polícia de Nova York deteve neste sábado 80 pessoas relacionadas com o movimento de protesto por causa da crise econômica, chamado Occupy Wall Street, quando se manifestavam no centro da cidade, informaram fontes policiais.

    "Houve cerca de 80 detenções, principalmente de indivíduos que bloqueavam o trânsito e as áreas de pedestres, assim como por terem resistido a ser detidos e obstrução à administração governamental, incluindo em um caso de ataque a um agente da Polícia", assinalou a polícia nova-iorquina em comunicado.

    O movimento de protesto está há pouco mais de uma semana realizando um acampamento no sul de Manhattan contra o sistema financeiro americano, a corrupção e a avareza das companhias do país.

    As detenções deste sábado aconteceram em uma praça central do sul da cidade, Union Square, onde também a polícia da cidade tinha desdobrado vários agentes.

    Segundo os organizadores do protesto, citados por "The New York Times", os detidos são 85 pessoas e deles cinco disseram que tinham sido borrifados com spray de pimenta.

    As manifestações foram coordenadas por um grupo de ativistas nova-iorquinos denominado General Assembly, informa esse jornal.

    A maioria dos indignados nova-iorquinos que protesta contra a crise econômica global permanece acampada em dois parques privados do sul da cidade, onde podiam ficar se tivessem a autorização de seus proprietários.

    Após os incidentes, vários manifestantes voltaram para suas zonas de camping, segundo o jornal nova-iorquino.

    Esta semana foram detidas outras 16 pessoas por terem pintado grafitis ou usarem máscaras como a que aparece no filme "V de Vingança" (2006), pois segundo detalhou então à Efe uma porta-voz oficial uma lei do estado de Nova York que data de 1845 proíbe que duas ou mais pessoas usem máscaras em uma mesma concentração.

    EFE/FOLHA

    Plano de estímulo criou poucas vagas nos EUA


    Quase metade dos trabalhadores contratados por empresas que receberam recursos do governo americano para gerar vagas depois da crise de 2008 já estavam empregados em outras companhias.

    Essa é a conclusão de um estudo concluído por pesquisadores do Mercatus Center, ligado à universidade americana George Mason.

    Foram entrevistados 1.300 gerentes e demais funcionários de empresas, organizações não governamentais e governos locais que tinham recebido recursos do pacote fiscal de US$ 787 bilhões, adotado em 2009.

    O objetivo do plano do governo americano era conter o desemprego depois do estouro da crise. Mas, segundo a pesquisa, o resultado do pacote deixou a desejar.

    A fatia de trabalhadores contratados que estavam desempregados foi de 42,1%, menor do que os 47,3% que vieram de outros empregos.

    Segundo Garett Jones, um dos autores do estudo, esse cenário é mais compatível com o que ocorre em períodos de normalidade econômica do que com momentos de recessão.

    "Em tempos econômicos normais, cerca de metade das contratações são de pessoas que vieram de outro trabalho. Em uma recessão, esse número encolhe porque as empresas contratam mais desempregados", disse Jones.

    Segundo ele, empresas e organizações beneficiadas pelo pacote americano tiveram dificuldade em contratar porque o estímulo foi voltado para trabalhadores mais qualificados.

    Entre os contratados por meio do programa, 40% disseram estar ganhando mais do que em seu último emprego. Outros 40% afirmaram que sua remuneração se manteve igual e apenas 20% passaram a ganhar menos.

    DIRECIONAMENTO

    De acordo com o estudo, as vagas criadas com recursos do pacote de estímulo normalmente exigiam o pagamento de salários equivalentes aos valores negociados por sindicatos.

    "O governo poderia ter direcionado o estímulo principalmente para setores do mercado de trabalho nos quais fosse mais fácil contratar", afirmou Jones.

    Segundo os autores do estudo, os resultados não permitem concluir que o pacote do governo fracassou ou foi bem-sucedido, mas mostram que expectativas de economistas chamados keynesianos eram muito otimistas.

    Os economistas dessa linha (seguidores do inglês John Maynard Keynes) defendem a ideia de que despesas públicas, em períodos de recessão, têm um forte efeito multiplicador. Ou seja, cada dólar gasto pelo governo resulta em um dólar ou mais gastos pelo setor privado.

    Jones diz que estudos recentes mostram que o efeito multiplicador é menor do que o estimado por keynesianos. E acrescenta que sua pesquisa ajuda a comprovar isso.

    Jones é mais otimista em relação ao novo plano de geração de emprego anunciado recentemente pelo governo Obama. Ele ressalta que, de acordo com o que foi anunciado, os gastos do governo serão destinados para obras de infraestrutura que tendem a demandar mão de obra pouco qualificada:

    "Não devemos esperar milagres de gastos de curto prazo do governo. Mas, em alguns aspectos, esse plano de gastos representa um avanço em relação ao anterior".

    FOLHA

    Pelo menos 18 pessoas morrem em queda de avião no Nepal


    Pelo menos 18 pessoas morreram neste domingo em um acidente aéreo perto da capital do Nepal, Katmandu, quando um aparelho B-190 da companhia Buddha Airlines caiu em uma montanha, informaram fontes oficiais.

    O avião, com 16 passageiros e três tripulantes a bordo, estava realizando a manobra de aproximação de Katmandu no momento da colisão, explicou o chefe de operações do aeroporto, Purusottam Shaky.

    Segundo a polícia as causas exatas do acidente, que aconteceu por volta das 7h30 (hora local, 22h30 de Brasília), ainda não são conhecidas.

    O porta-voz da polícia local, Binod Singh, disse que dez dos mortos eram de nacionalidade indiana, enquanto três passageiros e os tripulantes eram nepaleses; ainda se desconhece a nacionalidade dos outros passageiros mortos.

    Singh detalhou que as equipes de resgate encontraram 18 corpos e um sobrevivente no local do acidente.

    A agência indiana Ians eleva o número de mortos para 19, já que, segundo esta fonte, o sobrevivente morreu por causa dos ferimentos sofridos após ser internado em um hospital.

    De acordo com a Ians, o voo da pequena companhia local ia mostrar aos turistas algumas das montanhas do norte do Nepal e o acidente, no distrito de Lalitpur, pode estar relacionado com o mau tempo e a pouca visibilidade.

    EFE/FOLHA

    luishipolito@outlook.com

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