sábado, 1 de outubro de 2011

Gretchen explica "pegadinha" que a transformou em garçonete


Gretchen, 52, falou com exclusividade ao F5 sobre a "pegadinha" que a fez voltar aos holofotes no Brasil.
A notícia de que ela havia virado garçonete nos Estados Unidos chamou a atenção do público.
"A gente estava fazendo uma pegadinha para o pessoal de Orlando e o pessoal acabou tirando a foto, colocando na internet e dizendo que eu estava trabalhando", explicou.
"Me encheram tanto o saco por causa dessa história que eu falei: 'Tô, e aí, o que que tem?", contou. O meu sangue é quente, né? A hora que eu me irrito eu faço qualquer coisa".
"Eu nunca imaginei que as pessoas iam ficar tão chocadas assim", disse. "Quer dizer que eu tenho que rebolar o resto da vida? Eu estou com 52 anos. Chega! Não preciso ficar rebolando, tem outras coisas para eu fazer. E se fosse garçonete, qual o problema?"
A cantora e dançarina afirmou que está nos Estados Unidos fazendo uma turnê.
"Não sei se volto, depende do meu empresário", afirmou.
FOLHA

Bolsa fixa posto de pior investimento; dólar é melhor aplicação de setembro


O investidor teve um mês bastante difícil em setembro. Enquanto as aplicações mais conservadoras sofreram, a renda variável teve um desempenho frustrante. Nas pontas opostas, de melhor e pior aplicação, aparecem o dólar e a Bolsa.

O valor da moeda americana disparou 18,1% em setembro, sua maior variação mensal em quase 36 meses, o que colocou aplicações atreladas ao câmbio no topo do ranking de investimentos do período, ganhando com folga dos "segundos colocados".

Em seu sexto mês consecutivo de desvalorização, a Bolsa de Valores confirmou mais uma vez o seu posto como pior investimento do ano.

O termômetro dos negócios para o mercado de ações brasileiro, o índice Ibovespa, amargou uma queda de 7,38%, o pior tombo mensal desde outubro de 2008 -- mês seguinte à quebra do banco americano Lehman Brothers, episódio que detonou a fase mais turbulenta da crise de 2008.

Desanimados com as perdas passadas, investidores fugiram do mercado acionário e correram para os habituais "portos seguros" em cenários de incerteza: além do dólar, o ouro.

A commodity, cuja cotação já subiu mais de 10% neste ano, ainda assim teve um valorização interessante neste mês, de 3%, considerando os preços praticados na BM&F.

Já produtos de renda fixa, como os CDBs, cumpriram sua função de bater a inflação do período. A taxa média de retorno foi de 0,94%, ante um alta dos preços estimada em 0,65%, pela referência do IGP-M (índice usado para o reajuste dos aluguéis).

A poupança, no entanto, voltou a apanhar da inflação, entregando um retorno de 0,60% em setembro.
Compare sua aplicações em Setembro
InvestimentosRentabilidade mensal (em %)Rentabilidade anual (em %)
Dólar18,1412,97
Ouro3,0719,39
CDB0,948,74
Poupança0,65,6
Bolsa de Valores-7,38-24,5
IGP-M0,657,46
RENTABILIDADE ANUAL

Com uma perda acumulada de 24,50% de janeiro a setembro, a Bolsa de Valores aponta para um desempenho anual ainda pior do que o visto em 2010.

Já as demais produtos financeiros permitiram retornos suficientes, pelo menos, para bater a inflação dos 9 meses.

O dólar e ouro, mais uma vez, destacam-se frente aos demais "benchmarks". Enquanto a taxa de câmbio avançou 13% considerando o período de janeiro a setembro, a cotação da commodity metálica valorizou 19,4%.

No segmento de renda fixa, o CDB teve um ganho acumulado de 8,74%, enquanto a caderneta de poupança rentabilizou em 5,60% o capital aplicado neste mês, perdendo para a variação de 7,46% calculada para o IGP-M nestes nove meses.

FOLHA

EUA alertam sobre ataques em resposta à morte de radical da Al Qaeda


As mortes na sexta-feira do clérigo islâmico radical Anwar al Awlaqi, ligado à rede terrorista Al Qaeda, no Iêmen, e do especialista em computação Samir Khan podem gerar ataques em retaliação contra os Estados Unidos, de acordo com o FBI (polícia federal americana) e o Departamento Nacional de Segurança.

As duas agências, segundo a emissora americana de TV CNN neste sábado, divulgaram na noite de ontem um boletim conjunto dizendo que os apoiadores da Al Qaeda podem tentar colocar Al Awlaqi como um mártir em uma suposta guerra dos EUA contra o Islã.

O comunicado afirma que as mortes "podem prover motivação para ataques" por parte de "extremistas violentos", tipos que os dois mortos tentavam recrutar e inspirar, segundo as agências.


O aviso veio menos de um dia depois dos EUA e do Iêmen anunciarem a morte de Al Awlaki - americano cuja fluência na língua inglesa e habilidades tecnológicas o tornaram um grande recrutador terrorista - durante uma operação em território iemenita. Na ocasião, também morreram Khan, um americano e duas outras pessoas que estavam no mesmo veículo que Al Awlaki.

Khan era especialista da Al Qaeda em programação de computadores e produzia a revista on-line em inglês Inspire, que tinha como intuito recrutar novos membros para a rede terrorista.

MORTE

A morte do imã radical foi anunciada na sexta-feira pelo Ministério da Defesa do Iêmen. "O dirigente terrorista da Al Qaeda Anwar al Awlaqi morreu ao lado de membros desta organização", anunciou o porta-voz do ministério.

O governo não divulgou as circunstâncias da morte de Al Awlaqi, mas fontes tribais afirmaram às agências de notícias que ele morreu em um bombardeio aéreo dos EUA executado na manhã desta sexta-feira contra dois veículos que circulavam entre Maarib (ao este de Sanaa) e Juf, Província desértica na fronteira com a Arábia Saudita.

Al Awlaqi havia escapado de um bombardeio americano no Iêmen no início de maio, poucos dias depois de um comando especial dos Estados Unidos ter matado no Paquistão o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

PREGAÇÃO NA INTERNET

Considerado uma "ameaça tão grande quanto Osama bin Laden", o clérigo radical Anwar al Awlaqi era ligado à rede terrorista Al Qaeda e procurado pelos Estados Unidos por participação e incitação a atentados terroristas. 

Sua morte foi anunciada nesta sexta-feira pelo ministério da Defesa do Iêmen.

Al Awlaqi era conhecido por seus discursos na internet, em que dizia que, para matar americanos, não era preciso "consultar ninguém". Há centenas de vídeos dele na web, nos quais dá sermões em árabe e inglês.

Considerado ultrarradical pelos EUA, Al Awlaqi fazia pregações convocando militantes e simpatizantes a participar de uma guerra santa contra o país. Em algumas das gravações, ele prega sobre os benefícios de se morrer em nome da religião.

TERRORISMO

Al Awlaqi era acusado de envolvimento no ataque que deixou 13 mortos e 42 feridos no dia 5 de novembro de 2009 em Fort Hood (Texas), porque se correspondia pela internet com o suposto autor do ataque, o psiquiatra militar de origem palestina Nidal Hassan.

Em um vídeo postado na internet em maio de 2010, o imã convocava os soldados americanos de religião muçulmana "a seguir o exemplo de Nidal Hassan, que matou soldados que partiam em direção ao Afeganistão e ao Iraque".

Também foi relacionado ao atentado frustrado que o nigeriano Umar Faruk Abdulmutallab tentou praticar em um avião americano que voava de Amsterdã a Detroit no Natal de 2009.

FOLHA

Mudança no Facebook vai 'prender' usuários, dizem especialistas


O Facebook começou nesta sexta-feira a revelar mudanças significativas em seu site, uma decisão que, segundo observadores, não apenas vai alterar profundamente a interação de seus 800 milhões de usuários, mas também fará com que eles continuem retornando a essa rede social nas próximas décadas.

As mudanças chegam ao "coração" da experiência do usuário do Facebook, disse seu criador, Mark Zuckerberg, na conferência anual de programadores do site, em San Francisco, Califórnia.

A nova Timeline --uma linha do tempo que permite ao usuário apresentar um resumo de sua vida--, revelada na semana passada por Zuckerberg, também deverá surpreender os usuários, que reagiram nos últimos anos a mudanças ou ajustes menores no site.


Rick Marini, presidente da BranchOut, rede social profissional para o Facebook, que assegura ter milhões de usuários, elogiou na conferência a forma como o site conseguiu construir um modelo duradouro.

"Se a Timeline se tornar uma parte importante das suas vidas, seu diário, o Facebook talvez tenha prendido os usuários pelos próximos 20 anos", disse Marini na última quarta-feira. "Se é no Facebook que tudo acontece --todas as suas fotos, os seus vídeos, tudo o que você já fez--, você nunca vai abandoná-lo".

Segundo Zuckerberg, o principal objetivo de sua equipe "é criar um lugar em que o usuário se sinta em casa", o que levou o analista da Forrester, Sean Corcoran, a sugerir que o Facebook "está se posicionando não apenas como o seu gráfico social on-line, mas também como a sua vida on-line".

Pete Cashmore, fundador do influente blog tecnológico Mashable, antecipou nesta semana a resposta que se esperava dos usuários, em um artigo para o site CNN.com com o título "Você terá um ataque quando vir o novo Facebook".

A princípio, explicou Cashmore, os milhões de usuários que acessam o site diariamente ficarão irritados. Mas quando virem sua vida descrita em uma única e organizada página, perceberão que o Facebook "criou algo tão notável que você nem reconheceu à primeira vista: uma rede social significativa", apostou.

Os observadores veem um claro desafio ao Google, onipresente gigante das buscas na internet, uma vez que Zuckerberg explicou que o site que lançou de dentro de seu dormitório na Universidade Harvard em 2004 busca ser o centro de convergência da internet.

A Timeline que os usuários verão a partir de hoje, e que será ampliada nas próximas semanas, mostra que o gigante das redes sociais salvou tudo o que o usuário já publicou no site. Ao resumir a vida da pessoa por meio de fotos, vídeos, comentários e conteúdos específicos, o Facebook registra tudo desde o princípio: a linha do tempo de cada usuário começa com o seu nascimento.

A nova função pode ser configurada pelo usuário, para alterar seu nível de segurança ou hierarquizar as informações publicadas. Até agora, em seu perfil, os usuários se apresentavam brevemente, e eram publicadas as suas atividades mais recentes no site.

"A Timeline é a história da sua vida", anunciou Zuckerberg na semana passada, durante a conferência em San Francisco.

FOLHA

Mais de 1 bilhão de pessoas já acessam internet do celular, diz Google


Cerca de 1 bilhão de pessoas já acessam a internet desde seus telefones celulares, ou seja, 20% das cinco bilhões que têm um aparelho em todo o mundo, segundo um estudo do Google.

O relatório da companhia americana também destaca que o momento em que os usuários mais utilizam a conexão à internet é quando estão em casa (93% dos participantes da pesquisa) ou se deslocando (76% das respostas).

Os consumidores usam seus smartphones sobretudo para fazer buscas na rede (91% dos casos), para utilizar aplicativos (84%) e checar seus e-mails (81%).

Dos usuários, 43% afirmaram que acessam todos os dias as redes sociais através de seus celulares e 20% asseguraram que diariamente veem vídeos nestes dispositivos.

EFE/FOLHA

Nissan anuncia neste sábado investimentos no Brasil


O presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, deve se encontrar neste sábado com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), para anunciar investimentos do grupo no país.

O primeiro é a ampliação da fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR), e o segundo, a construção de uma unidade da Nissan em Resende (RJ). Os valores não foram divulgados pela empresa, assim como o destino no Rio.

Segundo a agência Reuters, a nova fábrica da Nissan no Rio deve receber investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão para produção de 220 mil carros por ano --desde populares até elétricos.

O encontro com a presidente Dilma será acompanhado dos governadores do Paraná, Beto Richa (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Após a reunião, os políticos devem falar à imprensa sobre os investimentos nos Estados.

Atualmente, a Nissan divide um complexo fabril no Paraná com sua parceira francesa Renault. A marca produz no país a picape Frontier e os modelos da família do monovolume Livina.

De janeiro a agosto, a Nissan acumulou vendas de 36.819 automóveis e comerciais leves no Brasil, ante 19.906 no mesmo período de 2010.

Com isso, a empresa subiu uma colocação no ranking de montadoras, para 12º lugar, passando de 0,96 para 1,65 por cento do market share brasileiro, segundo a Fenabrave (federação dos distribuidores de veículos).

FOLHA

Carrefour fecha 14 lojas e investe R$ 200 milhões para mudar rede


Primeiro foi o rombo contábil de €$ 500 milhões que derrubou toda a diretoria.

Depois, veio a tentativa frustrada de fusão com o Pão de Açúcar, que rendeu até busca policial de documentos na matriz na França.


Há duas semanas, o Carrefour voltou ao noticiário com duas lojas fechadas em São Paulo como punição por vender produto vencido.

Desde agosto, 14 lojas consideradas "deficitárias" foram fechadas no país. Só em São Paulo, mais de mil funcionários foram dispensados, segundo o sindicato.

Para quem pergunta se o Carrefour "jogou a toalha" até a próxima oferta de compra (Walmart e o chileno Cencosud são eternos compradores), a resposta de praxe é que "não pretendem sair do Brasil", mas "estão abertos a negociações" que criem valor.

A Folha percorreu cinco lojas na Grande São Paulo --Vila Guilherme (zona norte) e Aricanduva (zona leste), que foram fechadas pelo Procon; a do Villa Lobos (zona oeste), fechada em maio por irregularidade na prefeitura; e as lojas da Anchieta (São Caetano) e de Jacu Pêssego (zona leste)-- para conversar com funcionários, clientes e observar o estado das lojas e a conservação dos alimentos.

Os funcionários pareciam bem treinados, mas desconfiados com os rumores de venda. Todas as lojas estavam limpas e bem cuidadas, mas algumas estavam vazias (era terça à tarde). A maioria dos clientes desconhecia os rumores de venda, mas ficaram sabendo do fechamento por vender produto vencido.

Diferentemente do Procon-SP, a reportagem conferiu centenas de produtos perecíveis (carnes, peixes, frios, ovos e laticínios), mas não viu nenhum produto vencido.

"É sinal de que nossa ação teve resultado. Conseguimos fechar duas lojas neste ano, mas os problemas eram de 2005 e depois houve reincidência. De lá para cá, melhorou bastante", disse Renan Ferraciolli, diretor de Fiscalização do Procon-SP.

"A gente fez uma série de coisas para melhorar", disse Luiz Fazio, novo presidente da varejista, que reforçou as equipes internas e externas (há fiscais do Carrefour à paisana que vão às lojas conferir os trabalhos) responsáveis pela conservação e higiene.

Sob o comando de Fazio, ex-diretor-geral da C&A e com passagens por Makro, Walmart e Pão de Açúcar, a varejista passa por sua maior reformulação em 36 anos.

O executivo brasileiro substituiu o francês Jean-Marc Pueyo e trocou 70% da equipe comercial. Centralizou as compras e peitou fornecedores como Danone, que ofereciam preços melhores a Pão de Açúcar e Walmart.

Pela primeira vez abriu ao segundo escalão os números até então secretos de desempenho das lojas (algumas delas fechadas). Até se reuniu com sindicalistas para explicar "o que acontece".

ATACADÃO

"Foi a primeira vez que um presidente do Carrefour se sentou com o presidente do sindicato; ele parecia confiante de que vai reverter a situação. Disse que vai abrir 20 lojas por ano do Atacadão", disse Ricardo Patah, presidente dos Comerciários.

No Brasil, a principal aposta do Carrefour é no Atacadão, que cresceu 27% no ano passado. Cinco hipermercados --Aparecida de Goiânia (GO), Campinas Dunlop (SP), Sertório (RS), Novo Hamburgo (RS) e Franca (SP)-- fecharam e vão ressurgir como Atacadão, modelo de "atacarejo" que será exportado para o mundo.

"O segredo do Atacadão é aliar preço e conveniência para quem compra volume", disse Armando Almeida, diretor-corporativo.

Apesar dos rumores de venda, o Brasil é a segunda maior operação do grupo no mundo e responde por 14% das vendas globais. Está entre as poucas filiais em expansão - cresceu 13%.



"Vamos investir R$ 200 milhões neste ano para `repaginar` a rede", disse Almeida.

Por "repaginação", entenda-se modernização das lojas (várias são trintonas), abertura de unidades, conversão de hipermercados em Atacadão e a novidade: introdução de "lounges" inspirados na rede Planet francesa.

ESPAÇOS TEMÁTICOS

Mais que os brasileiros, os franceses estão cansados dos hipermercados gigantes, com quilômetros de corredores, e agora gostam de espaços temáticos de conveniência para compra e degustação de vinhos, queijos, orgânicos, produto de beleza (com até cabeleireiro), espaço baby (com área para amamentar), etc.

"O varejo muda e a novidade é parte do jogo. Estamos preparando o supermercado daqui a 20 anos".

FOLHA

Dez anos de advocacia e solidariedade


O primeiro projeto para compra de alforrias pelos escravos, de 1830, foi de Antônio Pereira Rebouças, mulato que, sem condições de cursar Direito em Coimbra, recebeu, como autodidata, autorização para advogar. Esse rábula se autodenominava o Fiador dos Brasileiros e advogou em Ações de Liberdade, ou seja, em processos nos quais se requeria a liberdade de escravos, por via de expediente criado pelos advogados como forma de buscar a concessão de liberdade para cativos utilizando-se dos meandros da lei.
Outro rábula que dedicou sua vida à defesa graciosa dos escravos foi Luiz Gama, que instituiu o fundo denominado Caixa Emancipadora Luiz Gama, para pagamento de alforria e defesa dos escravos, subvencionada pela contribuição de ex-cativos e de homens livres e pela arrecadação obtida na promoção de espetáculos musicais.
Discutiam-se, nessas Ações de Liberdade, as fronteiras legais entre escravidão e liberdade, por vezes sob o ângulo do direito de propriedade, desbravando caminhos em meio ao conjunto de leis escravagistas para romper o cativeiro.
De 1806 a 1888, 300 advogados atuaram em segunda instância nas Ações de Liberdade, promovendo perante os tribunais requisições de concessão de liberdade, e por volta de 600 advogados pleitearam em primeira instância ações coletivas ou individuais de liberdade.
Valiam-se os advogados, especialmente, da lei de 1831, editada por força do Tratado de Aberdeen, com a Inglaterra (1826), pela qual todo africano que entrasse no Brasil a partir de sua vigência seria considerado livre. Foi essa a lei que gerou a conhecida expressão "para inglês ver", pois jamais teve eficácia alguma. Basta lembrar que depois dela, de 1831 até 1850, cerca de 1 milhão de negros entraram no País. Mesmo após concedida a liberdade, em face de provas da chegada do escravo ao Brasil depois de 1831, havia obstáculos a romper na execução da sentença.
Exemplo de Ação de Liberdade está no pedido ajuizado por Joaquim José Affonso Alves, de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Em defesa da liberdade de um cativo, argumentou esse advogado que o escravo acompanhara seu senhor ao Uruguai para buscar gado, entrando então em território livre, do qual retornou depois da data de 7 de novembro de 1831, razão por que devia ser considerado livre.
Por vezes, como lembra Lenine Nequete, recorriam os advogados ao Direito Romano para justificar o pedido de liberdade, em razão de tratamento indigno do senhor, que em Roma era inadmissível. Uma família do Rio de Janeiro, cujo chefe era funcionário público, tinha duas escravas jovens, a quem se autorizava sair de casa depois das 7 horas da noite, o que em geral era proibido, para se prostituírem, de vez que ficaria com o dono o produto do comércio carnal de suas cativas.
O uso imoral do corpo das escravas constituía, segundo o Direito Romano, um tratamento indigno, preceito ao qual se recorreu para justificar a propositura da Ação de Liberdade, que o Judiciário brasileiro, no entanto, raramente acolhia. Considerou a maioria das decisões de nossa Justiça que, tal como coisas, as escravas podiam ser usadas como convinha ao seu dono. De outra parte, o fruto da atividade devia mesmo ser do dono, como do dono da árvore são as laranjas que nela nascem.
Creio que, agora, há outra tarefa a ser realizada pelos advogados no cumprimento de sua responsabilidade social, como múnus, por via da advocacia pro bono, de forma a dar assistência jurídica a entidades do terceiro setor, sem fins lucrativos e de recursos escassos, que prestam assistência aos necessitados, desde pessoas portadoras de deficiência a comunidades indígenas, conforme ditames da Resolução Pro Bono da OAB-SP.
Tal se faz por meio do Instituto Pro Bono, que agora comemora dez anos de fundação, contando com mais de 550 advogados voluntários cadastrados, 33 escritórios de advocacia e 5 departamentos jurídicos corporativos. O trabalho pro bono desses advogados já assegurou assessoria jurídica gratuita com inúmeras demandas em favor de mais de 500 entidades de utilidade pública do terceiro setor.
O Instituto Pro Bono realiza também mutirões em comunidades pobres, quando advogados e estudantes voluntários visitam bairros carentes da cidade de São Paulo, levando orientação jurídica aos cidadãos para promover e compartilhar conhecimentos da área jurídica, contribuindo para a democratização da informação ao conscientizar as pessoas sobre seus direitos e deveres. No mesmo sentido, faz-se a entrega de Cartilhas Pro Bono para facilitar a compreensão de questões relacionadas ao Direito.
Realiza-se, também, trabalho junto à Casa da Mulher da Escola Paulista de Medicina, que presta assistência a mulheres vítimas de violência. Dessa maneira se auxilia a mulher vítima de estupro ou de violência no lar, em especial acompanhando inquéritos policiais contra os violadores que acusam as vítimas de serem prostitutas, ferindo-as novamente por meio de palavras.
A tarefa se faz em cooperação com psicólogas e assistentes sociais, sendo um desafio, doravante, poder vir a atender um número maior de vítimas, pois há cerca de 200 casos de ataques sexuais a mulheres na cidade de São Paulo. Assim, os advogados podem promover a proteção de vítimas da violência doméstica e sexual, para efetiva inclusão dos inferiorizados pelo preconceito ou pelas condições reais da vida.
Se na escravatura lutaram os advogados pela liberdade dos escravos, se nas ditaduras pugnaram em favor dos presos políticos, deve-se também, hoje, batalhar pela efetividade do valor da solidariedade, a partir da assunção de responsabilidade social, que cumpre a todos. Mas muito especialmente aos advogados, para ajudar quem ajuda o próximo e conscientizar as pessoas acerca de seus direitos.
ESTADÃO

A austeridade do governo federal é apenas um mito


O Relatório de Inflação deu grande destaque à normalização das finanças do governo federal, apontada como um fator que permitiu às autoridades monetárias reduzir a taxa básica de juros. Os Resultados do Tesouro Nacional, divulgados anteontem, e as contas do setor púbico, publicadas ontem, recomendam que os diretores do Banco Central contenham seu entusiasmo.
Os resultados do governo não podem ser avaliados apenas pelo superávit primário obtido para pagar uma parte dos juros. Maior atenção merecem o déficit nominal e o volume das despesas efetivas, que refletem uma menor ou maior liquidez do sistema financeiro. O governo está dando destaque ao fato de que, com um superávit primário de R$ 96,5 bilhões, 72,4% da meta para 2011 já está cumprida - e com isso quase se pode ter a certeza de que, neste ano, a meta será ultrapassada.
É preciso, porém, qualificar esse resultado. Em agosto, o superávit primário foi o pior registrado desde 2003 - para o mês -, enquanto os gastos com juros, de R$ 160,2 bilhões, foram os maiores da série histórica. Além disso, o superávit do governo central caiu de R$ 10,9 bilhões, em julho, para R$ 2 bilhões, em agosto, enquanto o superávit dos governos regionais (Estados e municípios) aumentou de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,6 bilhões.
O déficit nominal do setor público, de R$ 17,1 bilhões, cresceu 241,5% em um mês, e o governo central é o grande responsável por ele (déficit de R$ 17,2 bilhões), pois os governos regionais foram superavitários.
Se em oito meses o superávit primário equivale a 3,65% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,06% no mesmo período de 2010, isso não ocorreu em razão de uma política de austeridade, mas graças ao aumento da arrecadação do governo central, cujas receitas líquidas cresceram 18,8%, no período, enquanto as despesas aumentaram 10,6%.
As despesas que menos aumentaram foram as de capitais, como notou um diretor do Banco Central, por causa da incapacidade do governo de administrar proficuamente os investimentos na infraestrutura. O governo concentra suas despesas em custeio e no pagamento do funcionalismo, o que causa uma liquidez excessiva.
O superávit primário cobre em oito meses apenas 53% dos juros do governo central, que, a despeito de seu endividamento custar cada vez mais caro, não consegue imprimir maior velocidade aos investimentos em infraestrutura que poderiam aumentar a capacidade de concorrência da indústria brasileira.
ESTADÃO

Professor universitário mata aluna a tiros no Distrito Federal


Um professor universitário do curso de direito do Uniceub, em Brasília, matou uma aluna de 24 anos a tiros, nesta sexta-feira, 30. Segundo a Polícia Militar, ele estava inconformado com o fim do relacionamento.
O suspeito esperou a vítima sair da faculdade. Armado, ele a obrigou a entrar no carro e atirou contra ela. Depois de rodar por horas com o corpo dentro do veículo da vítima, o professor seguiu até uma delegacia e se entregou à polícia.
Depois de prestar depoimento, o homem foi levado para a carceragem da Polícia Civil.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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