quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Juízes gays dizem que homofobia ainda marca judiciário britânico


Homens e mulheres não casados - incluindo advogados gays e lésbicas-- foram impedidos de ingressar no Judiciário britânico até 1991. Não surpreende muito que a homofobia  - ou, pelo menos, uma forte percepção dela - ainda resista em certo grau. De acordo com pesquisa recente do grupo legal lésbico, gay, bissexual e transgênero Interlaw, 70% dos advogados LGBT acreditam que existe preconceito no processo de seleção para cargos no Judiciário.

O comitê de nomeações judiciais (JAC), organismo fundado em 2006 para reforçar a responsabilidade judicial, quer remediar essa situação. No mês passado, começou a monitorar a orientação sexual de candidatos a juízes (o grupo já monitora o gênero, etnia, idade, histórico profissional e deficiências físicas dos candidatos). O JAC também está aumentando seu engajamento com a comunidade de advogados gays, por meio de palestras e debates em eventos legais LGBT e a publicação de estudos de caso de juízes gays.

O mais recente desses debates aconteceu na reunião mensal de setembro da Interlaw, apresentada pela firma de direito corporativo Field Fisher Waterhouse. Lamentavelmente, o JAC não conseguiu convencer nenhum dos juízes abertamente gays - entre os quais estão o juiz de apelações sir Terence Etherton, o juiz da alta corte e da corte criminal internacional sir Adrian Fulford e o juiz da corte itinerante Jeremy Richardson - a participarem.

Ao invés disso, Tan Ikram, um juiz distrital heterossexual, compartilhou sua experiência de como é ocupar um cargo de juiz quando se é membro de um grupo minoritário. A conversa franca dele foi útil no sentido de desmistificar o processo de nomeação de juízes, mas a tentativa de equacionar os obstáculos enfrentados por candidatos a juízes de origem asiática com candidatos gays não foi inteiramente bem-sucedida.

Não que os cerca de 30 presentes ao debate tenham parecido muito preocupados com isso. Pode haver desconfianças generalizadas quanto ao processo de seleção de juízes e pode haver consternação com a reação inconclusiva do JAC, mas o clima dominante entre advogados LGBT neste momento é de otimismo. Daniel Winterfeldt, sócio da firma CMS Cameron McKenna e fundador da Interlaw, em 2008, explicou:

"Uma nova geração de advogados juniores que são abertos quanto a sua sexualidade e não prevêem que isso seja um problema promoveu uma mudança fundamental nas atitudes e vai continuar a mudá-las na medida em que ascender em sua categoria".

O otimismo se reflete na recente melhora dramática de performance das firmas de direito nos rankings de Cem Melhores Empregadores compilados pela organização de defesa dos direitos dos gays Stonewall. Os rankings são formulados com base em um índice de igualdade no local de trabalho, formulado a partir das respostas dadas a 25 perguntas. Em 2007, nenhuma firma de direito fez parte do ranking; este ano, seis estão nele.

Mesmo assim, as firmas de direito ainda estão longe de representarem lugares utópicos para gays. Em algumas delas ainda existe uma forte corrente subjacente de homofobia não verbalizada - problema ilustrado por alguns comentários on-line feitos em resposta a um artigo do ano passado que aconselhava jovens advogados gays sobre como saírem do armário no trabalho. Um dos comentários dizia: "Sinto muito, mas todos os gays que conheço... curtem pornografia gay, abuso de substâncias e encontros sexuais noturnos. Eu exerceria escrutínio maior quando decidisse contratar um homem gay, como faria no caso de alguém com problemas conhecidos de dependência química".

Assim, não surpreende que o advogado recém-formado Adam Fellows, que é abertamente gay, tenha sido aconselhado por um advogado a não mencionar publicamente o fato de ter namorado quando procurou uma vaga de trainee.

Outra preocupação é como as firmas de direito corporativo internacional cada vez mais aplicam políticas antidiscriminatórias em seus escritórios em países nos quais a homofobia é comum. Advogados gays respeitados na City com quem conversei relutaram em ser citados sobre essa questão espinhosa. "As grandes firmas não gostam muito de focar a pergunta de 'o que acontece em Dubai?'", disse Andrea Woelke, advogada especializada em direito de família e líder do outro grande grupo de advogados LGBT, Associação de Advogados Gays e Lésbicas (Lagla).

E há a questão do domínio muitas vezes criticado dos grupos legais LGBT por certo tipo de homem gay autoconfiante. Apenas 30% dos membros do Lagla são mulheres. Os homens foram a maioria dos presentes ao evento Interlaw-JAC de setembro, com apenas um punhado de mulheres -surpreendentemente, heterossexuais. A situação foi semelhante num evento beneficente recente promovido pela Interlaw em um clube em Soho, Londres, com a presença de vários convidados celebridades do mundo da música, ao qual eu também estive presente.



Um advogado gay que encontrei ali me sugeriu que isso seria porque "as lésbicas são um pouco sem graça". Esse tipo de atitude levou a sugestões de que os grupos LBGT tenham perdido algo de seu espírito original de apoio mútuo.

"Não é incomum que os fóruns LGBT sejam dominados por homens gays", disse Kevin Poulter, que recentemente ajudou a fundar a Rede de Contratação de Advogados Gays. "Sempre existe o perigo de que um evento de networking profissional vire uma agência de namoros".

Ao todo, porém, em vista dos enormes avanços feitos nos últimos anos, parece injusto prestar atenção demais a essas constatações negativas. E vale lembrar que os grupos LGBT tendem a prestar grande atenção às críticas. A Interlaw, por exemplo, criou uma iniciativa de mulheres que promove reuniões trimestrais, organizou uma série de eventos para advogados transgêneros e está "buscando disponibilizar recursos" para advogados LGBT empregados por firmas britânicas sediadas em países com leis homofóbicas.

Só pode ser questão de tempo até que o processo de nomeação de juízes se harmonize com essa tendência.
Alex Aldridge é jornalista freelancer que escreve sobre direito e educação.
THE GUARDIAN/FOLHA

Europeus querem aumentar investimentos na América Latina


O vice-presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, anunciou nesta quinta-feira na 5ª Conferência Itália-América Latina e Caribe que vai propor a seus colegas em Bruxelas uma "estratégia para a internacionalização das pequenas e médias empresas europeias" nos mercados latinos.

Tajani defendeu que é preciso "desenvolver uma estratégia de reforço da colaboração no setor das pequenas e médias empresas" entre a América Latina e a Europa, uma vez que, atualmente, apenas 13% dessas empresas atuam fora dos limites da União Europeia (UE), recordou.

Ele atestou que fará uma proposta concreta para a Comissão Europeia até o fim de outubro com a meta de dobrar a exportação das pequenas e médias empresas para países de fora do bloco regional "nos próximos cinco anos".

EUROPA DEVE BUSCAR OPORTUNIDADES

No evento multilateral, que ocorre em Roma na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Massimo D'Alema  -que já foi primeiro-ministro da Itália e hoje preside a Fundação de Estudos Progressistas Europeus (Feps) - afirmou que a Europa, "pioneira da crise e incapaz de encontrar soluções", deve ter a "coragem" de se abrir às "economias emergentes".

"Hoje, ao contrário do passado, é a América Latina que deve se preocupar com uma Europa em dificuldades", observou o político italiano. A Itália, disse, em virtude das "ligações históricas" com a América Latina, deve pedir à Europa "mais coragem" para se abrir ao exterior.

Ele reiterou a necessidade de que uma recuperação da economia italiana passa por "uma parceria econômica e política forte" com esse "continente em forte crescimento" e terreno de novas oportunidades, em referência à região latina.

Para D'Alema, a Europa "deve ter uma nova agenda com uma estratégia para o crescimento, e não apenas de contenção da dívida".

Por sua vez, Vincenzo Scotti, subsecretário do Ministério italiano das Relações Exteriores, encerrou as atividades da conferência defendendo que a Europa construa "novas formas de agregação" com a América Latina.

Ele indicou ainda que, em meio à crise internacional e da crise das dívidas na Europa, os europeus devem agir junto aos países emergentes em "duas grandes diretrizes".

A primeira seria um pacote de medidas "que dão confiança aos mercados", e a segunda, ações "em longo prazo" no G20 (grupo dos vinte países mais desenvolvidos e emergentes) que implicariam em reformas do sistema financeiro, comercial e monetário, além de uma crescente atenção às energias limpas.

ANSA/FOLHA

Santistas compram só 3.561 ingressos para clássico


Enquanto os corintianos demonstram empolgação com a possível estreia de Adriano no jogo de domingo, contra o Atlético-GO, para o qual já foram vendidos 28.500 ingressos, os santistas expressam a falta de interesse no Brasileiro na baixa busca por entradas para o clássico contra o Palmeiras, na Vila Belmiro.

Até o momento, segundo o clube, apenas 3.561 ingressos foram vendidos para o duelo de domingo. A carga total é de 16.068 lugares, sendo que 5.100 são reservados a donos de cadeiras cativas e camarotes.

A derrota para o Grêmio, na noite de quarta-feira, acabou com o sonho de título do Santos no Nacional. São 15 pontos de distância para o líder Vasco, algo praticamente inalcançável a 12 jogos do fim do campeonato.

São três reveses seguidos, contra Figueirense, Fluminense e Grêmio, que esfriaram a reação do time no torneio. Além disso, ante o Palmeiras, a equipe terá quatro desfalques: Elano (lesionado), Edu Dracena, Arouca (ambos suspensos), e Neymar (na seleção).

Os ingressos para o clássico continuam à venda nesta sexta e sábado, nas bilheterias da Vila Belmiro, das 10h às 17h. No domingo, as entradas restantes serão vendidas no estádio santista das 10h às 12 e, a partir das 13h, no estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista.

Os bilhetes custam R$ 30 (arquibancada, meia a R$ 15), R$ 50 (cadeiras de fundo e setor VIP, meia a R$ 25), R$ 80 (cadeiras laterais, meia a R$ 40). As entradas para a torcida do Palmeiras foram vendidas para a diretoria do clube alviverde. Os cerca de 600 ingressos já estão esgotados.

FOLHA

Além de propofol, havia outros remédios no sangue de Jackson


Além do anestésico propofol, o cantor Michael Jackson tinha outros remédios em seu sangue, logo após sua morte.

Lidocaína e lorazepam, um sedativo que Murray afirma ter dado a Jackson para tentar fazê-lo dormir antes de administrar o propofol, também foram encontrados em quantidades significativas no sangue do cantor.

O propofol foi encontrado no sangue, no fígado e na urina de Jackson.


Os resultados foram apresentados pelo toxicologista Dan Anderson em depoimento nesta quinta (6), no julgamento do médico Conrad Murray, acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar) de Jackson.

Não havia traços de opiáceos ou do analgésico Demerol, segundo Anderson.

DIGITAIS

Os frascos de propofol, as seringas e as agulhas encontradas no quarto de Michael Jackson logo após sua morte, em 25 de junho de 2009, não tinham impressões digitais do cantor, informou o jornal "Los Angeles Times".

Os resultados foram apresentados nesta quinta-feira (6) no julgamento do médico Conrad Murray, acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar) de Jackson.

Os advogados de defesa do médico têm insistido na história de que o cantor tomou sozinho uma dose fatal do forte anestésico.

No entanto, há apenas uma impressão digital parcial de Jackson na cena, em um bolsa intravenosa que também continha propofol.

Outra garrafa de propofol e duas bolsas intravenosas continham impressões digitais que não puderam ser reconhecidas - não pertenciam a Murray, Jackson, guarda-costas ou investigadores.

Nove garrafas de propofol também continham impressões, mas não em condições de uso pelos investigadores.

FOLHA

Poeta sueco Tomas Tranströmer é o vencedor do Nobel de literatura


O poeta sueco Tomas Tranströmer, 80, é o vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2011.

Seu nome foi anunciado nesta quinta-feira pela Academia Sueca.

A Academia premiou Tranströmer "porque, através de suas imagens translúcidas, ele nos dá um acesso novo à realidade".

"A maior parte da obra poética de Tranströmer está caracterizada pela economia, de concreção e de metáforas expressivas", diz a academia. Em suas últimas obras, Tranströmer "tende a um formato ainda mais reduzido e a um grau ainda maior de concentração", completa.

Seu primeiro livro de poemas, "Seventeen Poems", foi publicado em 1954 e foi elogiado como uma das melhores estreias da década. Seu trabalho tornou-se conhecido no resto do mundo a partir da década de 60, quando foi traduzido para o inglês. Hoje, seus poemas já foram traduzidos para mais de 60 línguas.


Entre seus principais trabalhos estão "Windows and Stones", de 1966, e "Baltics", de 1974.

Em 1990, ele sofreu um derrame que afetou sua fala, mas não interferiu em seu trabalho.

Por muitas décadas, seus contemporâneos de linha mais política reclamaram daquilo que lhes parecia uma poesia alienada das grandes questões.

Em seu país, Tranströmer é conhecido também por outro ofício, o de psicólogo de adolescentes e jovens infratores e dependentes químicos.

Com o reconhecimento da Academia, ele irá receber um prêmio de US$ 1,5 milhão.

Nas primeiras horas desta quinta-feira, Tranströmer passou Adonis e Bob Dylan, que alternavam a liderança na casa de apostas britânica Ladbrokes.

Há quase quatro décadas a Academia Sueca não concede o Nobel de Literatura a alguém nascido em seu país. Os últimos suecos laureados foram Eyvind Johnson e Harry Martinson, que dividiram o prêmio em 1974. Em 2010, o escritor peruano Mario Vargas Llosa foi o agraciado com o prêmio.

FRANCE PRESS/FOLHA

Captação da poupança volta a crescer e atinge R$ 4,2 bilhões


Os depósitos na caderneta de poupança superaram os saques em R$ 4,18 bilhões em setembro, segundo o Banco Central. O valor é quase o dobro do verificado no mês anterior.

Esse é o terceiro mês seguido em que essa aplicação registra saldo positivo.

Esses meses foram marcados pela piora na crise econômica, que afastou muitos investidores da Bolsa de Valores e provocou aumento na procura por investimentos remunerados por taxas de juros, como poupança e fundos de renda fixa.

No ano, a poupança captou R$ 9,5 bilhões, menos da metade do verificado no mesmo período do ano passado (R$ 25,7 bilhões).

FOLHA

Retrocesso nos aeroportos


Enganou-se quem pensou que o leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, no fim de agosto, realizado sem a participação da Infraero no negócio, estabeleceria um padrão para concessões à iniciativa privada dos terminais aéreos no País. A minuta do edital de concessão dos Aeroportos de Cumbica, em São Paulo, de Viracopos, em Campinas, e de Brasília - disponível para consulta pública por 30 dias - reintroduz a Infraero como sócia, determinando que a empresa detenha nada menos que 49% das ações das concessionárias. A estatal terá ainda poder de veto sobre "decisões estratégicas" das companhias privadas que deveriam, em princípio, administrar os terminais. Essas exigências representam um verdadeiro retrocesso, reproduzindo, em essência, o esquema que levou os aeroportos do País ao caos em que se encontram.
O que ocorreu com o Aeroporto de Natal foi uma privatização efetiva, com acirrada disputa, graças à qual o ágio pago pelo consórcio vencedor foi 229% superior ao valor mínimo, elevando o preço final a R$ 270 milhões. Nos três grandes aeroportos que devem ir a leilão em dezembro, segundo promete a Secretaria de Aviação Civil (SAC), quaisquer que sejam os consórcios vencedores, eles terão de dividir, na prática, a administração dos terminais com a Infraero.
Estabelece também o edital, com o argumento de estimular a concorrência, que nenhuma concessionária privada poderá administrar mais de um aeroporto. A Infraero, porém, participará de todos. Há ainda um objetivo corporativista nessa decisão que fica nítido com a cláusula que permite que a Infraero venda a seus funcionários sua participação nas futuras concessionárias, se e quando estas tiverem condições de abrir o seu capital.
O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, de quem se esperava uma nova orientação do transporte aéreo no País, além de permitir que um modelo que não deu certo tenha continuidade, embora disfarçado de parceria igualitária com o setor privado, complicou ainda mais a privatização ao colocar no edital que parcela da receita bruta anual das concessionárias - não da receita líquida, note-se - proveniente do aluguel de lojas, exploração de estacionamento e outros serviços irá para o Fundo Nacional de Aviação, subordinado à SAC, que deverá aplicar esses recursos na expansão de aeroportos regionais.
Esse ônus não pesou na privatização do Aeroporto de Natal e, dependendo do porcentual a ser fixado, pode inviabilizar as futuras concessões. A SAC acabou transferindo para sua esfera uma das atribuições da Infraero, que também teria de modernizar aeroportos regionais com os recursos obtidos pelos terminais comprovadamente lucrativos, que não passam de sete no País. Atribuição que a estatal não cumpriu.
Em termos financeiros, a equação também é complexa. Ao que se informa, o BNDES vai proporcionar financiamentos para Cumbica, Viracopos e Brasília nas mesmas condições do Aeroporto de Natal. Mas vale notar que a modalidade de financiamento para aquele terminal foi a de project finance, que requer elevado retorno, que pode ser comprometido pela cobrança pretendida pela SAC.
Como se não bastasse, o governo praticamente excluiu do processo as empresas aéreas, cuja fatia nas concessões não poderá passar de 1%. Além disso, elas estariam sujeitas ao pagamento de uma "tarifa de conexão", que supostamente beneficiaria o Aeroporto de Brasília. Segundo Bittencourt, essa taxa será calculada por passageiro, mas não será paga por ele e, sim, pelas empresas. Dá para acreditar que os usuários sejam poupados desse custo?
Tudo isso pode afugentar os investidores, uma vez que terão de assumir o compromisso de pesados aportes. O edital prevê a instituição de uma espécie de "gatilho", um mecanismo semelhante ao que existe na concessão de rodovias, que sinalizaria o momento em que a concessionária deve investir antes que a capacidade do terminal esteja para esgotar-se. Mas será preciso, primeiro, passar pelos obstáculos do edital.
ESTADÃO

A universidade latino-americana


As universidades brasileiras - principalmente as públicas e as confessionais - estão entre as melhores instituições de ensino superior da América Latina. A primeira edição do ranking latino-americano foi elaborada por uma empresa britânica de consultoria educacional, a Quacquarelli Symonds (QS), e divulgado pelo site Top Universities.
Realizado com base numa metodologia semelhante à que tem sido utilizada nas avaliações das melhores universidades do mundo, o estudo comparou o desempenho de 200 instituições da região e incluiu 8 universidades brasileiras entre as 20 melhores. A campeã foi a USP, que se destaca em todos os indicadores, tais como proporção de professores com doutorado, produtividade de pesquisa do corpo docente, número de matrículas, reputação acadêmica, reputação entre empregadores, número de publicações por professor, citações em estudos científicos e impacto das pesquisas na internet e investimento em tecnologia.
Além da USP em 1º lugar, estão na lista das 20 melhores a Unicamp, em 3º lugar; a Universidade Federal de Minas Gerais, em 10º lugar; a Universidade de Brasília, em 11º; a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 14º; a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 15º; a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho, em 16º; e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 19º.
Por causa dos investimentos que o Chile tem feito nas últimas décadas em educação, não causou surpresa o desempenho das instituições chilenas - 3 delas estão entre as 20 melhores do ranking da QS e uma - a Pontifícia Universidad Católica - ficou em segundo lugar, com uma diferença muito pequena da primeira. A USP obteve 100 pontos e a instituição chilena, 99,6. Entre as demais instituições que integram a lista das 20 melhores, destacam-se a Universidad Nacional Autónoma de México, uma das mais antigas da América Latina, a Universidad Nacional de Colombia e cinco universidades argentinas, das quais a mais importante é a Universidade de Buenos Aires, que ficou em 8º lugar.
Na lista das cem melhores universidades, 31 são brasileiras. No critério de número de trabalhos publicados por professor, as universidades brasileiras ocupam 15 das primeiras 20 colocações. As líderes são a USP, a Unicamp e a Unifesp, as três situadas no Estado de São Paulo, cujo governo mantém - com recursos do ICMs - uma das principais agências de fomento do país, a Fapesp. Esse é um dos fatores que levaram a Unicamp a ser a universidade que tem registrado maior número de patentes de inovação tecnológica, perdendo apenas para a Petrobrás. "A fórmula do sucesso é o equilíbrio entre ensino e pesquisa. Temos o mesmo número de alunos de graduação e de pós-graduação, num total de 30 mil", diz o coordenador-geral da instituição, Edgar De Decca.
Para o editor do site Top Universities, Danny Birne, o excelente desempenho das universidades brasileiras no ranking das 200 instituições latino-americanas de ensino superior se deve à prioridade que foi dada à pesquisa acadêmica e científica nos últimos anos, por meio do aumento do número de bolsas de estudo e financiamento de projetos, por parte das agências públicas de fomento e das que são mantidas pela iniciativa privada. Ele também destaca o alto número de docentes com doutorado e o aumento do número de matrículas nas universidades brasileiras, que pulou de 2 milhões para 6 milhões, na última década. Para o editor do Top Universities e para o coordenador de pesquisas da QS, Ben Sowter, os investimentos feitos pelas universidades públicas e confessionais brasileiras ainda estão em fase de maturação e, quando começarem a produzir dividendos, serão "o motor que ajudará o País a alcançar seu potencial de crescimento econômico".
Comparadas com as principais universidades europeias e americanas, as universidades latino-americanas ainda se encontram muito atrás - a USP, a mais bem classificada, ocupa o 169º lugar, na pesquisa da QS. As universidades brasileiras estão melhorando, mas ainda têm de percorrer um longo caminho para ascenderem ao topo do ranking mundial.
ESTADÃO

O novo susto na Europa


Com a ameaça de nova quebradeira no setor bancário, o sinal de alarme afinal parece ter soado com suficiente estridência para assustar os governos europeus e fazê-los mexer-se com maior rapidez. O alerta foi acionado pela virtual falência do banco Dexia, de controle franco-belga, já socorrido com 6,4 bilhões em 2008, ainda sobrecarregado com cerca de 20 bilhões em papéis gregos e italianos e abalado recentemente por 4 bilhões de prejuízo no segundo trimestre deste ano. A notícia do quase colapso do banco Dexia coincidiu com o novo rebaixamento da dívida italiana, mas seu impacto político, tudo indica, foi maior. O socorro ao setor financeiro foi o grande assunto das discussões entre ministros da zona do euro, ontem, e as principais bolsas europeias encerraram o pregão em forte alta depois das declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o reforço de capital dos bancos.
"A Alemanha está pronta para se mover para a recapitalização", disse Merkel nessa quarta-feira. "Precisamos formular critérios e estar preparados para implementar rapidamente uma decisão". Um dia antes, o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, havia mencionado "um senso de urgência" entre os ministros de Finanças do bloco, agora muito mais empenhados em cuidar do fortalecimento do setor bancário.
As perdas dos bancos europeus podem chegar a 300 bilhões, segundo estimativa publicada há poucas semanas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse cálculo chega a parecer moderado, quando se examinam as condições de resgate do Dexia. Uma das possibilidades indicadas por autoridades francesas e belgas é a criação de um "banco ruim", garantido pelos governos dos dois países, com ativos de 120 bilhões, segundo algumas fontes, e de até 200 bilhões, segundo outras.
Também nessa quarta-feira o Fundo Monetário Internacional divulgou seu relatório especial sobre a Europa, mais detalhado que o material distribuído em setembro. A economia europeia deve crescer 2,3% neste ano e 1,8% no próximo, mas só se os governos agirem com firmeza para conter a crise. Sem isso, o desempenho econômico será pior, advertiu o diretor do Departamento Europeu do FMI, Antonio Borges. Além disso, as estimativas indicam uma piora geral das condições: depois de um primeiro trimestre melhor que o esperado, as taxas de crescimento dos vários países passaram a convergir para um nível mais baixo.
O Fundo reiterou sua lista de recomendações - de modo geral aceita pelos governos: ajuste rápido nos países com piores condições fiscais e políticas mais expansionistas, a curto prazo, naqueles com alguma folga para gastar e conceder incentivos. Além disso, o FMI reafirmou a urgência de capitalização dos bancos e de aprovação do novo modelo da Linha Europeia de Estabilidade Financeira (EFSF). Esse fundo, concordam os governos, participará do socorro aos governos em apuros e também do reforço do setor financeiro. Mas falta a aprovação da reforma por alguns Parlamentos.
A primeira opção dos bancos deverá ser a busca de recursos no mercado, segundo as autoridades, mas os governos deverão estar prontos para fornecer-lhes capital, se a participação dos investidores privados for insuficiente. O fundo de estabilização, com recursos iniciais previstos de 440 bilhões, poderá ser envolvido nessa tarefa.
Enquanto a situação dos bancos assusta os governos e cria uma sensação de urgência, continua a discussão sobre novas ações de ajuda à Grécia. A situação do país é pior que a projetada há alguns meses, com recessão mais grave e maior dificuldade para cortar o déficit público. Segundo Antonio Borges, os números do plano de socorro à Grécia estão obsoletos e será preciso atualizá-los. Além disso, será preciso dar mais ênfase ao crescimento, em vez de concentrar a atenção no ajuste das contas públicas. Essa proposta é uma importante novidade. Sem algum crescimento será inútil apertar o cinto, porque não haverá a receita mínima indispensável ao equilíbrio das contas, têm dito alguns analistas. O FMI parece ter comprado essa ideia.
ESTADÃO

Jobs revolucionou seis indústrias, escreve biógrafo

O blog da Companhia das Letras publicou na tarde desta quinta (6) um texto de Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs, sobre o fundador da Apple. O livro "Steve Jobs, a Biografia" será lançado mundialmente no próximo dia 24, inclusive no Brasil, publicado pela Companhia, com tradução de Pedro Maia Soares. A obra já está em pré-venda também no Brasil, por R$ 49,90. Abaixo, a íntegra do artigo de Isaacson, que sairá na edição especial da revista americana "Time".


POR WALTER ISAACSON

A saga de Steve Jobs é o mito de criação da revolução digital em grande escala: o início de um negócio na garagem de seus pais e sua transformação na empresa mais valiosa do mundo. Embora não tenha inventado muitas coisas de cabo a rabo, Jobs era um mestre em combinar ideias, arte e tecnologia de uma maneira que por várias vezes inventou o futuro. Ele projetou o Mac depois de apreciar o poder das interfaces gráficas de uma forma que a Xerox não foi capaz de fazer, e criou o iPod depois de compreender a alegria de ter mil músicas em seu bolso de uma forma que a Sony, que tinha todos os ativos e a herança, jamais conseguiu fazer. Alguns líderes promovem inovações porque têm uma boa visão de conjunto. Outros o fazem dominando os detalhes. Jobs fez ambas as coisas, incansavelmente.

Em consequência, revolucionou seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Pode-se até adicionar uma sétima: lojas de varejo, que Jobs não chegou a revolucionar, mas repensou. Ao longo do caminho, ele não só produziu produtos transformadores, mas também, em sua segunda tentativa, uma empresa duradoura, dotada de seu DNA, que está cheia de designers criativos e engenheiros ousados que podem levar adiante sua visão.

Jobs tornou-se assim o maior executivo de nossa época, aquele que com maior certeza será lembrado daqui a um século. A história vai colocá-lo no panteão, bem ao lado de Edison e Ford. Mais do que ninguém de seu tempo, ele fez produtos que eram completamente inovadores, combinando o poder da poesia com processadores. Com uma ferocidade que poderia tornar o trabalho com ele tão perturbador quanto inspirador, também construiu o que se tornou, ao menos por um período do mês passado, a empresa mais valiosa do mundo. E foi capaz de infundir nela a sensibilidade para o design, o perfeccionismo e a imaginação que fizeram da Apple, com toda probabilidade, mesmo em décadas futuras, a empresa que melhor prospera na intersecção entre arte e tecnologia.

No início do verão de 2004, recebi um telefonema de Jobs. Ele havia sido intermitentemente amigável comigo ao longo dos anos, com rajadas ocasionais de intensidade, em especial quando lançava um novo produto que queria na capa da Time ou em programa da CNN, lugares em que eu trabalhava. Mas agora que eu não estava mais em nenhum desses lugares, não tinha notícias frequentes dele. Conversamos um pouco sobre o Instituto Aspen, para o qual eu havia recentemente entrado, e o convidei para falar no nosso campus de verão no Colorado. Ele disse que ficaria feliz de ir, mas não para estar no palco. Na verdade, queria dar uma caminhada comigo para que pudéssemos conversar.

Isso me pareceu um pouco estranho. Eu ainda não sabia que dar uma longa caminhada era a sua forma preferida de ter uma conversa séria. No fim das contas, ele queria que eu escrevesse sua biografia. Eu havia publicado recentemente uma de Benjamin Franklin e estava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicial foi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessor natural naquela sequência. Supondo que ele estava no meio de uma carreira oscilante, que ainda tinha muitos altos e baixos pela frente, eu hesitei. Não agora, eu disse. Talvez em uma década ou duas, quando você se aposentar.

Mas depois me dei conta de que ele havia me chamado logo antes de ser operado de câncer pela primeira vez. Enquanto eu o observava lutar contra a doença, com uma intensidade incrível, combinada com um espantoso romantismo emocional, passei a achá-lo profundamente atraente, e percebi quão profundamente sua personalidade estava entranhada nos produtos que ele criava. Suas paixões, o perfeccionismo, os demônios, os desejos, o talento artístico, o talento diabólico e a obsessão pelo controle estavam integralmente ligados a sua abordagem do negócio, e decidi então tentar escrever sua história como estudo de caso de criatividade.

A teoria do campo unificado que une a personalidade de Jobs e os produtos começa com sua característica mais saliente, a intensidade. Ela era evidente já nos tempos de escola secundária. Naquela época, ele já começara com as experiências que faria ao longo de toda a sua vida com dietas compulsivas - em geral, somente de frutas e legumes - de tal modo que era tão magro e firme quanto um whippet. Ele aprendeu a olhar fixo para as pessoas e aperfeiçoou longos silêncios pontuados por rajadas em staccato de fala rápida.

Essa intensidade estimulou uma visão binária do mundo. Os colegas se referiam à dicotomia herói/cabeça de bagre; você era um ou o outro, às vezes no mesmo dia. O mesmo valia para produtos, ideias, até para a comida: As coisas ou eram "a melhor coisa do mundo" ou uma droga. Era capaz de provar dois abacates, indistinguíveis para os mortais comuns, e declarar que um deles era o melhor já colhido e o outro, intragável.

Julgava-se um artista, o que incutiu nele a paixão por design. No início da década de 1980, quando estava construindo o primeiro Macintosh, não parava de exigir que o projeto fosse mais "amigável", um conceito estranho aos engenheiros de hardware da época. Sua solução foi fazer o Mac evocar um rosto humano, e chegou a manter a faixa acima da tela fina para que não fosse uma cara de Neanderthal.

Jobs compreendia intuitivamente os sinais que um projeto adequado emite. Quando ele e seu companheiro de projeto Jony Ive construíram o primeiro iMac, em 1998, Ive decidiu que o aparelho deveria ter uma alça situada na parte superior. Era uma coisa mais brincalhona e semiótica do que funcional. Tratava-se de um computador de mesa. Não muitas pessoas iriam carregá-lo para cima e para baixo. Mas a alça emitia um sinal de que você não precisava ter medo da máquina, que podia tocá-la e ela lhe obedeceria. Os engenheiros objetaram que aquilo aumentaria o custo, mas Jobs ordenou que fizessem daquele jeito.

Sua busca pela perfeição levou à compulsão de que a Apple tivesse um controle de ponta a ponta de todos os seus produtos. A maioria dos hackers e aficionados gostava de personalizar, modificar e conectar coisas diferentes em seus computadores. Para Jobs, tratava-se de uma ameaça para uma experiência de usuário inconsútil de ponta a ponta. Seu parceiro inicial Steve Wozniak, um hacker nato, discordava. Ele queria incluir oito slots no Apple II para que os usuários pudessem inserir as placas de circuito menores e os periféricos que quisessem. Jobs concordou com relutância. Mas, alguns anos mais tarde, quando construiu o Macintosh, ele o fez à sua maneira. Não havia slots extras ou portas, e chegou mesmo a usar parafusos especiais para que os aficionados não pudessem abri-lo e modificá-lo.

Seu instinto de controle significava que ele tinha urticária, ou algo pior, ao contemplar o excelente software da Apple rodando em hardwares ruins de outras empresas, e também era alérgico à ideia de aplicativos ou conteúdos não aprovados poluindo a perfeição de um dispositivo da Apple. Essa capacidade de integrar hardware, software e conteúdo em um sistema unificado lhe possibilitava impor a simplicidade. O astrônomo Johannes Kepler, declarou que "a natureza ama a simplicidade e a unidade". O mesmo acontecia com Steve Jobs.

Isso o levou a decretar que o sistema operacional do Macintosh não estaria disponível para o hardware de qualquer outra empresa. A Microsoft seguiu a estratégia oposta, permitindo que seu sistema operacional Windows fosse promiscuamente licenciado. Isso não produziu os computadores mais elegantes, mas levou a Microsoft a dominar o mundo dos sistemas operacionais. Depois que a fatia de mercado da Apple caiu para menos de 5%, a estratégia da Microsoft foi declarada vencedora no reino do computador pessoal.

A longo prazo, no entanto, o modelo de Jobs mostrou ter algumas vantagens. Sua insistência na integração de ponta a ponta deu à Apple, no início do século XXI, uma vantagem no desenvolvimento de uma estratégia de hub digital, o que permitiu que seu computador de mesa se ligasse perfeitamente a uma variedade de dispositivos portáteis e gerenciasse seu conteúdo digital. O iPod, por exemplo, fazia parte de um sistema fechado e totalmente integrado. Para usá-lo, era preciso utilizar o software iTunes da Apple e baixar conteúdos da iTunes Store. Em consequência, o iPod, tal como o iPhone e o iPad que vieram depois, eram um deleite elegante, em contraste com os canhestros produtos rivais que não ofereciam uma experiência perfeita de ponta a ponta.

Para Jobs, a crença em uma abordagem integrada era uma questão de retidão. "Não fazemos essas coisas porque somos malucos por controle", explicou. "Nós as fazemos porque queremos fazer grandes produtos, porque nos preocupamos com o usuário e porque gostamos de assumir a responsabilidade por toda a experiência, ao invés de fabricar a porcaria que outros fazem". Ele também acreditava que estava prestando um serviço às pessoas. "Elas estão ocupadas fazendo o que sabem fazer melhor e querem que façamos o que fazemos melhor. Suas vidas estão ocupadíssimas; elas têm mais coisas a fazer do que pensar em como integrar seus computadores e dispositivos".

Em um mundo cheio de dispositivos inúteis, software pesados, mensagens de erro inescrutáveis e interfaces irritantes, a insistência de Jobs em uma abordagem integrada levou à criação de produtos surpreendentes, caracterizados por uma experiência de usuário deliciosa. Usar um produto da Apple podia ser tão sublime quanto caminhar em um dos jardins zen de Quioto que Jobs amava, e nenhuma dessas experiências foi criada pela adoração no altar da abertura ou deixando mil flores florescerem. Às vezes é bom estar nas mãos de um maníaco por controle.

Há algumas semanas, visitei Jobs pela última vez em sua casa de Palo Alto. Ele se mudara para um quarto no andar de baixo, porque estava fraco demais para subir e descer escadas, e estava encolhido com um pouco de dor, mas sua mente ainda estava afiada e seu humor vibrante. Conversamos sobre sua infância, e ele me deu algumas fotos de seu pai e da família para usar em minha biografia. Como escritor, estou acostumado a manter distanciamento, mas fui atingido por uma onda de tristeza quando tentei dizer adeus. A fim de disfarçar minha emoção, fiz a pergunta que ainda me deixava perplexo. Por que ele se mostrara tão disposto, durante quase cinquenta entrevistas e conversas ao longo de dois anos, a se abrir tanto para um livro, quando costumava ser geralmente tão discreto? "Eu queria que meus filhos me conhecessem", disse ele. "Eu nem sempre estava presente, e queria que eles soubessem o porquê disso e entendessem o que fiz".

FOLHA

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