As agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch rebaixaram nesta terça-feira as notas de diversos bancos da Espanha, no que foi considerado pelo jornal "El País" como um rebaixamento "em massa" do sistema bancário espanhol. Entre os afetados estão o Santander e o BBVA.
A S&P rebaixou as notas de dez bancos ao considerar que este setor seguirá enfrentando desafios de financiamento e rentabilidade. Já a Fitch reduziu as notas de avaliação de seis instituições financeiras espanholas.
A S&P revisou ainda sua nota global sobra a resistência do sistema bancário espanhol a crises, passando de nível 3 a 4, em uma escala de 1 a 10. O novo nível situa o sistema financeiro da Espanha ao de países como o México, Coreia do Sul, República Tcheca, Eslováquia e Israel.
AJUSTE DE COERÊNCIA
Entre os dez bancos que tiveram notas rebaixadas pela S&P estão: Santander, BBVA, Sabadell, Bankinter, BBK, Ibercaja, BBK e Kutxa.
A S&P rebaixou a nota de longo prazo do Santander de "AA" para "AA-" com perspectiva negativa, ao mesmo tempo em que manteve sua nota de curto prazo em "A-1+", o que implicou em ações idênticas para suas filiais Banesto, Santander Consumer Finance e Santander UK PLC.
Já a Fitch rebaixou as notas do Santander e Banesto de AA a AA-; do BBVA de AA- para A+, da Caixabank de A+ a A, e as do Banco Popular e Sabadell, de A- a BBB+.
A agência justificou a medida como um ajuste de coerência, após ter rebaixado na semana passada a nota da dívida da Espanha, ao afirmar que não faz sentido que os bancos tenham uma nota de avaliação melhor do que a do Estado em que estão domiciliados.
Na sexta-feira (7), a Fitch rebaixou a nota da dívida da Espanha em dois níveis, passando a classificá-la como AA-, frente à antiga nota AA+ que o país possuía.
"Enquanto os bancos puramente nacionais enfrentam desafios mais importantes, os internacionais, Santander e BBVA, se beneficiam de sua diversificação geográfica, o que lhes dá capacidade para compensar os resultados na Espanha. Sem dúvida, ambos têm uma presença significativa na Espanha. O BBVA conta mais da metade de seus ativos na Espanha e o Santander em torno de 30%", acrescentou a Fitch.
CENÁRIO INCERTO
A agência Standard & Poor's considera que "a correção dos desequilíbrios na Espanha seguirá afetando negativamente aos perfis financeiros dos bancos espanhois nos próximos 15-18 meses".
"Os bancos espanhois têm demonstrado em geral resistência à crise, mas ao longo do tempo seus perfis financeiros foram sendo debilitados", diz a agência, que considera que "os bancos têm acumulado um grande nível de ativos problemáticos e esgotado a maior parte das provisões que haviam feito anteriormente".
"Como consequência, seus ganhos e sua capacidade para absorver perdas foi deteriorado", disse a S&P.
ENTENDA
O "rating" é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um "default", isto é, de suspensão de pagamentos.
Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.
O "rating" é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o "rating" desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.
As agências, portanto, classificam debêntures, "medium-term notes", títulos de dívida conversível, mas não ações.
GRAU DE INVESTIMENTO
A nota de países é preparada a partir da iniciativa do emissor ou da empresa de "rating". As empresas de classificação de risco alegam que, mesmo sob encomenda, o "rating" é uma avaliação independente, porque também há preocupação com a credibilidade da própria agência.
O chamado "rating" global de um país, por exemplo, é sempre a avaliação que uma determinada agência tem sobre o risco dessa nação não pagar os títulos, de longo prazo, que lançou no mercado internacional.
Esses países também são encaixados em categorias. Se a agência considera um país como "bom pagador", ele é classificado na categoria "grau de investimento". Se é visto apenas como um pagador de risco razoável, fica na categoria "grau especulativo", que também inclui nações que declararam moratória de suas dívidas.
As agências monitoram constantemente os países ou empresas. Dessa forma, quando lançam um "rating", também avisam quais as chances dessa nota ser revisada no curto prazo.
Se o panorama é positivo significa que a nota tem maiores chances de ser melhorada. Se é negativo, as maiores chances são de que haja um "downgrade" (seja revisada para baixo, uma nota pior). Se é estável, há poucas chances de que seja mudada nos dois anos seguintes.
LETRAS E SINAIS
As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch Ratings.
As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody's) ou AAA (Standard & Poor's) que, conceitualmente, significam "capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros".
Na ponta oposta, um título classificado como "C", para a S&P ou a Moody's, tem altíssimo risco de não ser pago.
"A taxa média de 'default' [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67", afirma a Moody's.
FOLHA