domingo, 23 de outubro de 2011

Inundações na Tailândia já afetam vários distritos de Bangcoc


Pelo menos sete distritos de Bangcoc estavam neste domingo parcialmente submersos por causa das piores inundações na Tailândia em cinco décadas, apesar dos esforços das autoridades para reforçar as barreiras e diques.

Uma das primeiras áreas afetadas foi a de Don Muang, no norte da capital, onde a água alagou várias estradas, pelas quais circulavam tanto veículos como pequenas embarcações.

A água não afetou o segundo maior aeroporto de Bangcoc, que fica nesta mesma área e se mantém operacional.

Enquanto isso, as autoridades reforçam ou reparam as barreiras levantadas em vários canais, pelos quais se evacua ao mar a água que flui desde as províncias do norte.

O rio Chao Phraya, que cruza Bangcoc, aumentou em dois metros seu nível, segundo disse o governador da metrópole, Sukhumbhand Paribatra, que no sábado ordenou a evacuação imediata de 27 comunidades situadas ao longo do curso fluvial.

EFE/FOLHA

Acidente com ponte na Índia mata 32 e fere 132 pessoas


Pelo menos 32 pessoas morreram e 132 ficaram feridas na noite deste sábado após uma ponte tombar na Índia, segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades, enquanto continuam os trabalhos de resgate.

O acidente aconteceu a 30 km da cidade de Darjeeling, ao cair uma ponte da época colonial britânica no qual duas centenas de pessoas escutavam um comício.

Parte da estrutura, de madeira, caiu por um trecho de mais de cem metros, até ir parar no rio Little Rangeet.

"Havia muitas pessoas na ponte e muitas caíram ao rio", explicou Roshan Giri, secretário-geral do Gorkha Janmukti Morcha, o partido político que tinha convocado o comício.

As autoridades locais informaram que os feridos foram levados para hospitais da região.

Os trabalhos de resgate, no qual participam unidades do Exército indiano, foram retomados esta manhã, após uma pausa de algumas horas por causa da escuridão da noite.

FOLHA

Cristina Kirchner tenta neste domingo reeleição histórica na Argentina


Impulsionada pela forte recuperação da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, 58, deverá ser reeleita neste domingo no primeiro turno com a chance de se tornar um dos presidentes mais bem votados da história do país, ao lado de nomes como Juan Perón.

Única representante do projeto político iniciado por seu marido, Néstor Kirchner (1950-2010), em 2003, e explorando o luto e o legado do ex-presidente, Cristina encontrou um caminho tranquilo para a reeleição com uma oposição fragmentada.

Segundo os prognósticos, a presidente pode superar o segundo colocado em até 40 pontos, algo inédito na história das eleições argentinas.

Pesquisa mais recente da consultora Management & Fit dá a Cristina 54,3% dos votos. Os indecisos estão em segundo, com 14,3%. Logo atrás vêm o socialista Hermes Binner, com 11%, Rodríguez Saá (peronista dissidente) e Ricardo Alfonsín (UCR), ambos empatados com 5,5%.


Quem mais caiu foi o também peronista dissidente Eduardo Duhalde, com 4%. A conservadora Elisa Carrió, que chegara em segundo na primeira eleição de Cristina, mal consegue 1% dos votos.

Para Mariel Fornoni, diretora da Management & Fit, o fato de a oposição ter ido tão mal nas primárias, em agosto, fez muita gente se decepcionar com os candidatos e retirar os seus votos -daí o grande número de indecisos.

Eleita em 2007 após mandatos no Congresso, Cristina seguiu na Casa Rosada a cartilha do marido, responsável por reerguer o país após a crise de 2001. Com forte intervenção do Estado, os governos Kirchner fizeram a economia crescer à média de 9% ao ano e reduziram a pobreza com programas sociais.

Ela também apoiou bandeiras progressistas, como o casamento gay e uma política de direitos humanos que incentiva o julgamento de militares que cometeram crimes na última ditadura (1976-83).

"Eles conseguiram algo semelhante ao que Lula fez no Brasil, de recuperar a autoestima, principalmente dos mais pobres", disse à Folha o analista Ricardo Rouvier.

A repentina viuvez de Cristina contribuiu para sua popularidade. Antes da morte de Néstor (por infarto, em 27 de outubro de 2010), sua avaliação estava em declínio.

Além do luto que já dura quase um ano, Cristina passou a se referir a Néstor em discursos, quando costuma chorar, usando apenas "Ele".

A morte do marido amenizou o tom de confrontação que lhe era característico, embora seu governo continue promovendo ações contra a imprensa independente e empresas não alinhadas.

A presidente também distanciou-se do sindicalismo para fomentar o crescimento do La Cámpora, grupo jovem criado por seu filho Máximo cujos integrantes ocupam diversos cargos no governo.

FOLHA

Brasil terá serviço de jornalismo colaborativo do Yahoo!


O Brasil será o primeiro país fora dos EUA a ter sua própria versão da Yahoo! Contributor Network, ferramenta do Yahoo! voltada para a produção de conteúdo jornalístico por usuários amadores, na linha do que se chama de "crowdsourcing".

A YCN, que no Brasil vai se chamar Yahoo! Rede de Contribuidores, é o atual estágio da antiga Associated Content, serviço fundado pelo norte-americano Luke Beatty, atual vice-presidente de comunidades do Yahoo!, em 2005. Não é um portal jornalístico - só distribui a veículos os conteúdos produzidos.


Desde que o Yahoo! comprou o Associated Content, em 2010, Beatty continuou no comando da rede. A maior mudança, segundo ele, foi no foco de distribuição. "Antes, tínhamos vários parceiros para os quais distribuir. Agora, nossos parceiros são todas as diferentes seções do Yahoo!".

Beatty fala que a expansão da YCN tem a ver com o fato de que o Yahoo! tenta evoluir como empresa de mídia, para se tornar menos dependente de serviços como o e-mail. Diz ainda que teve "várias conversas" sobre para que país expandiria a YCN antes.

A popularidade do Yahoo! Respostas (serviço colaborativo de tira-dúvidas) no Brasil, afirma ele, foi um dos motivos da escolha do país. "Significa que os usuários aqui estão engajados em contribuir. Este [a YCN] é o próximo nível de contribuição, acho".

Aproveitar o recente crescimento do Yahoo! no Brasil - a comScore aponta audiência 35% maior de julho de 2010 a julho de 2011 - foi mais uma razão, diz ele. Outro motivo é que "a comunidade blogueira aqui é muito forte".

CHECAGEM TRIPLA

Os conteúdos enviados por usuários brasileiros serão editados pela equipe do Yahoo!. Nos EUA, o colaborador precisa ter conteúdos aprovados três vezes pelos editores antes de poder publicar de forma autônoma.

Nas próximas semanas, usuários convidados pelo Yahoo! já vão poder publicar notícias. No começo do ano que vem, a YCN brasileira será aberta a todos os usuários.

O foco, no início, serão seções de entretenimento. "O objetivo não é ter conteúdo de superqualidade num primeiro momento. A ideia é selecionar pessoas que tenham capacidade de escrever bem, sejam profissionais, semiprofissionais ou amadoras", diz André Izay, diretor-geral do Yahoo! Brasil. A edição do material será feita pela própria atual equipe do Yahoo!, segundo Izay.

SERVIÇO COMPLEMENTAR

Beatty afirma que há três tipos de colaboradores da YCN: amadores, jornalistas e especialistas de certas áreas.

Uma rede de colaboradores, segundo ele, não substitui a mídia tradicional - só complementa. 

"Se há notícias sobre saúde, temos profissionais especialistas falando sobre elas", exemplifica.

O pagamento pelos artigos não é garantido, e Beatty ressalta que o foco não deve ser financeiro. "Há pessoas que fizeram muito dinheiro, mas não fazemos nenhuma promessa de que isso é uma forma de sobreviver".

FOLHA

Os Kirchners, uma vez mais


SERGIO FAUSTO, diretor executivo do IFHC, é membro do Gacint-USP
Cristina F. de Kirchner deve eleger-se hoje, em primeiro turno, para um segundo mandato. Prevê-se que conquistará folgada maioria nas duas Casas do Congresso, não muito longe do quórum qualificado necessário para reformar a Constituição. A oposição fragmentou-se em várias candidaturas e o segundo colocado não deverá alcançar sequer os 20% dos votos válidos.
O recente falecimento de seu marido (o ex-presidente Nestor Kirchner, que governou o país de 2003 a 2007) rendeu simpatias à viúva, mas o que está levando Cristina ao seu segundo mandato é, de um lado, o crescimento econômico e o aumento do consumo e da renda e, de outro, o manejo de um poderoso aparato de cooptação estatal.
Os últimos oito anos, período em que o produto interno bruto (PIB) argentino cresceu quase 9% ao ano, com exceção de 2009, contrastam com o terrível período de 1999 a 2002, quando o PIB decresceu à média de 5% ao ano e a pobreza e o desemprego dispararam. Sob os Kirchners a economia recuperou-se - com doses crescentes de gasto público e expansão monetária, que impulsionaram uma inflação que hoje roda na faixa dos 20% ao ano - e o poder político, que se havia liquefeito na crise de 2001, com a renúncia de Fernando de la Rúa e os episódios que se seguiram, rearticulou-se. Quando Cristina houver cumprido o seu segundo mandato, nenhum outro grupo político terá permanecido por tempo tão prolongado na Casa Rosada desde a chamada República Liberal (1880-1930).
A crise internacional, que se aprofunda, obrigará o novo governo a se ajustar, de um modo ou de outro, a um quadro de maiores restrições ao crescimento. Há desequilíbrios importantes na economia, que se expressam pela saída constante de capitais e por uma inflação real bem acima dos números maquiados pela metodologia oficial. Mas, no longo prazo, o maior risco é a deterioração das instituições democráticas na Argentina, que já não se assentam, como na maioria da América Latina, em bases históricas lá muito sólidas. Sinal desse risco é que já se especula no mundo político e jurídico argentino sobre a possibilidade de uma reforma constitucional que autorize a reeleição indefinida do presidente da República.
Depois de um início em que buscou alianças fora do seu partido, Nestor Kirchner adotou o estilo peronista puro e duro, que faz do adversário um inimigo e da confrontação permanente e deliberada, um método (É de Juan Domingo Perón a frase "a los enemigos, ni justicia"). Governador de uma província inexpressiva do extremo sul do país, eleito com pouco mais de 20% dos votos, pela desistência de seu concorrente, Nestor soube escolher bem seus inimigos e demarcar seu campo político. Logo ao início, enfrentou os credores internacionais renegociando a impagável dívida externa argentina e reabriu os processos judiciais contra militares envolvidos em crimes de tortura durante o regime militar. Com Roberto Lavagna no comando da economia, criaram-se as condições que permitiram à economia argentina beneficiar-se dos bons ventos que passavam a soprar para os países produtores de commodities. Obtidas essas condições econômicas e aquelas credenciais políticas, Nestor livrou-se de Lavagna em 2005, abandonou o "transversalismo partidário" dos dois primeiros anos de seu mandato e passou a concentrar energias na construção de um aparato de poder que atravessa as fronteiras entre o Estado, o setor privado, os movimentos sociais e o mundo político, em especial o Partido Justicialista (PJ).
Político astuto, em lugar de se recandidatar, em 2007 lançou sua esposa e então senadora e foi se ocupar da consolidação e expansão do aparato. Assumiu a presidência do PJ para marginalizar Eduardo Duhalde, seu antecessor na presidência e ex-padrinho político, e controlar a única organização partidária de fato existente na Argentina. Ao mesmo tempo, tomou as rédeas do poder real nos bastidores da política, deixando a Cristina as funções formais de representação.
Com Nestor e, depois, Cristina, o aparato kirchnerista expandiu-se com a utilização de recursos públicos e instrumentos estatais de aliciamento e intimidação. A reestatização de empresas serviu de veículo para a emergência de empresários "amigos do rei" (e "da rainha"). A intervenção discricionária na economia, para controlar preços, tarifas, reprimir importações, etc., tornou-se ferramenta de chantagem. Parte dos recursos dos programas de transferência de renda foi entregue a organizações sociais próximas do governo. O "novo desenvolvimentismo argentino" tem muito de errático e improvisado no econômico, mas segue um método político certeiro para a acumulação de poder discricionário em mãos do aparato kirchnerista. Sua expressão mais caricata é o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, que já levou luvas de boxe a uma reunião com empresários e na reta final da campanha se envolveu em enfrentamento físico entre militantes a favor e contra Cristina.
Entre as várias dúvidas que o cercam, uma certeza existe em relação ao segundo mandato da presidente. Seus próprios aliados dizem que a mãe de todas as batalhas será, agora, o enfrentamento decisivo com os meios de comunicação, em especial o Grupo Clarín. Em seu primeiro mandato, a presidente conseguiu aprovar uma lei que reserva um terço dos meios de comunicação ao Estado, um terço ao setor privado e outro terço à sociedade civil. A mesma lei veda a um único grupo privado a propriedade de vários meios de comunicação numa mesma área. Tudo parece muito democrático, não fosse o fato de que o governo politizou inteiramente a televisão pública, coopta organizações da sociedade civil com recursos públicos e trata arbitrariamente os meios privados que não se curvam ao aparato ("a los enemigos, ni justicia").
É perturbador o que se vê na Argentina. Tanto mais porque, com maior ou menor intensidade, coisas semelhantes são vistas em outros países da região.
ESTADÃO

Tubarão-das-galápagos é extinto no Brasil


A existência de uma área de preservação ambiental não impediu que o tubarão-das-galápagos (Carcharhinus galapagensis) fosse extinto no arquipélago de São Pedro e São Paulo - paraíso da vida marinha a 627 km de Fernando de Noronha (PE).

Várias expedições - inclusive a histórica viagem de Charles Darwin no HSM Beagle, em 1832 - dão conta de uma presença anormalmente alta desses bichos.

Entretanto, ao participar de missões científicas recentes, o biólogo da Unicamp Osmar Luiz Jr. não encontrou sequer um exemplar.

Intrigado com a discrepância, o pesquisador decidiu investigar. Junto com Alasdair Edwards, da Universidade de Newcastle (Reino Unido), ele analisou dezenas de registros históricos e material recente sobre a espécie e sua presença no conjunto de ilhotas.

O resultado, publicado na revista "Biological Conservation", é claro: o declínio das populações coincide com o início da pesca comercial no entorno do arquipélago, no início da década de 1950.

O último registro do encontro de tubarões-das-galápagos nadando na área foi em 1993. Cruzando os diversos dados e fazendo previsões estatísticas, Luiz Jr. estimou em 1998, ou até antes, a extinção local da espécie.

Os tubarões acabam capturados acidentalmente pelos barcos que pescam atum e outros peixes na região. Não há plano de manejo específico para a pesca no entorno.

O sumiço do tubarão, um predador do topo da cadeia alimentar, pode ter consequências graves para todo o seu ecossistema. Predadores intermediários poderiam crescer descontroladamente, em um fenômeno conhecido como cascata trófica.

"Diretamente, os tubarões controlam a população de suas presas e, indiretamente, a população dos organismos que elas consomem", disse Luiz Jr à Folha.

Segundo o cientista, é possível que, eliminada a pressão da pesca, possa haver uma recolonização da espécie no arquipélago.

CRÍTICAS



O coordenador do Proarquipélago (única estação científica em São Pedro e São Paulo), Fábio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, discorda do resultado do trabalho.

Hazin diz ter encontrado três exemplares da espécie capturados acidentalmente em um barco da região. O trabalho que descreve o encontro ainda não foi publicado. O pesquisador
concorda, no entanto, que o ecossistema foi abalado. "Houve uma redução dramática [do número de tubarões]. Isso é inegável".

Após a publicação do trabalho de Luiz Jr, circularam em fóruns na internet críticas aos resultados de Hazin, que é filho do fundador da empresa Norte Pesca, que atua no Nordeste. "Está havendo perseguição. Eu nunca tive nada a ver com a empresa", disse.

FOLHA

Piloto italiano morre após ser atropelado na MotoGP


O piloto italiano Marco Simoncelli, 24, da Honda, morreu neste domingo depois de um acidente ocorrido na MotoGP da Malásia, no circuito de Sepang, ao ser atropelado na segunda volta da corrida pelo americano Colin Edwards.

Campeão do mundo em 2008 nas 250 cc, Simoncelli caiu na saída de uma curva e foi atropelado por Edwards, da Yamaha - o americano sofreu uma fratura de ombro e está sedado na clínica do circuito.

A corrida estava no início e os pilotos estavam muito próximos quando ocorreu o acidente. O choque foi tão violento que o capacete do italiano se soltou. Simoncelli foi levado imediatamente ao centro médico do circuito, mas não resistiu aos ferimentos, segundo o site oficial da MotoGP.


A equipe médica do circuito de Sepang informou que tentou reanimar o piloto durante 45min, sem sucesso.

"Simoncelli teve parada cardiorrespiratória por causa do forte impacto que recebeu na cabeça, pescoço e peito. Por isso foi rapidamente entubado e recebeu manobras de recuperação durante mais de 45min, mas as tentativas foram em vão e às 16h56 [6h56, de Brasília] o piloto foi declarado morto", detalhou o médico Michele Macchiagodena.


Conhecido por sua audácia nas corridas e cabelos longos, Simoncelli realizou uma temporada muito boa com sua Honda. O italiano havia conseguido duas poles, na Catalunha e na Holanda, tendo obtido seu melhor resultado na semana passada, na Austrália, com um segundo lugar.

Por causa do acidente, a etapa da Malásia não foi concluída.

FOLHA

UE estima usar 108 bilhões de euros para recapitalizar bancos


Os países da União Europeia estimam um montante de 108 bilhões de euros (cerca de US$ 150 bilhões) para recapitalizar os bancos da região, uma das etapas fundamentais para enfrentar a atual crise das dívidas soberanas no Velho Continente.

Os ministros das Finanças da zona do euro estão reunidos neste final de semana em Bruxelas (Bélgica) para chegar a um acordo sobre temas fundamentais como uma nova ajuda a Grécia, além de mecanismos para salvaguardar as instituições financeiras da região, e novas medidas para ajudar outros países em dificuldades, a exemplo da Itália e Espanha.

Uma fonte diplomática disse à France Presse que os ministros estimavam um custo entre "107 bilhões e 108 bilhões" a ser injetado nos bancos.

O tema deve ser discutido na reunião de cúpula neste domingo, adiantou o ministro sueco Anders Borg.

"Temos a base para um acordo sobre os bancos", afirmou ele a jornalistas após uma reunião dos ministros. Ele adiantou que essa medida não deve ser entendida pelos contribuintes como "um presente para os bancos". "Qualquer recapitalização tem de ser seguida de propriedade e controle", afirmou.

Em paralelo, os ministros também discutem a exigência de que as instituições financeiras elevem a base mínima de capital mantido em reserva para dificuldades financeiras.

AVANÇOS

Ainda em Bruxelas, a chanceler alemã Angela Merkel apontou que os ministros reunidos estão fazendo avanços nas negociações, mas negou qualquer "decisão definitiva antes de quarta-feira", quando será realizada uma reunião de cúpula da UE.

"Serão negociações difíceis. Por isso é que França e Alemanha devem ser ativos nesta preparação", disse a líder alemã.

Outras fontes diplomáticas, ouvidas sob condição de anonimato, mostraram mais pessimismo sobre o grau de concordância entre os representantes financeiros dos membros da zona do euro.

"A Espanha insiste em um acordo global, não só sobre a recapitalização dos bancos, mas também sobre o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF)", explicou um participante das reuniões, à France Presse.

"As negociações são constantemente interrompidas, pois quando um país manifesta sua oposição ao patamar de 9%, o Banco Central Europeu e o ABE se reúnem con ele em particular para defender seus argumentos", disse uma fonte diplomática europeia.

FOLHA

Veículo por habitante vai crescer 62% no Brasil, planeja setor


A indústria automotiva brasileira pretende aumentar em 62,3% a taxa de motorização até 2020. A intenção é passar dos atuais 154 para 250 veículos por 1.000 habitantes, de acordo com estimativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Para isso, o setor planeja investimentos de US$ 21 bilhões até 2015 em ampliações e em novas fábricas. A produção anual, que neste ano foi projetada em 3,74 milhões de unidades, deve saltar para 6,3 milhões em dez anos.

Considerando o mesmo percentual e a renovação da frota, as montadoras poderão produzir ao menos 37 milhões de novos veículos no período. Ao final do período, o país poderá registrar uma frota de 69 milhões de veículos.

O aumento da produção considera o crescimento da economia previsto para 2011, estimado em 4% pelo setor, e outros fatores como a oferta de crédito e o aumento de renda da população.

Segundo a Anfavea, 60% das vendas de veículos são feitas por meio de operações de crédito.

Além disso, o crescimento está relacionado aos pacotes lançados pelo governo para incentivar a produção e evitar a demissão de trabalhadores. A última medida aumentou o IPI para carros importados a partir da segunda quinzena de dezembro.

De acordo com dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a taxa de motorização no Brasil cresceu 30% entre 1998 e 2008 baseada na popularização e no aumento do crédito.

No México, o crescimento verificado foi de 75% no mesmo período. Já a vizinha Argentina tem taxa de motorização maior que a do Brasil.

Para o presidente mundial da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, não há dúvidas de que o Brasil tem potencial para superar a taxa de motorização de países da Europa, como Portugal, atualmente com 495 veículos por 1.000 habitantes.

"O Brasil tem condições de atingir a relação de 500 veículos por 1.000 habitantes. O brasileiro gosta de carro, e o país ainda tem muito a crescer no setor", disse.

Para especialistas consultados pela Folha, a meta é ambiciosa.

"Parece mais um desejo do que algo que seja possível", diz Arthur Barrionuevo, professor e economista da FGV (Fundação Getulio Vargas).

"Não creio que, nem mesmo num prazo razoável de dois ou três anos, o nível de crédito possa se expandir a ponto de viabilizar um aumento substancial da demanda de veículos no Brasil", diz Júlio Manuel Pires, professor de economia da USP.

Com mais veículos nas ruas, a lógica é que o tráfego se torne cada vez mais complicado, principalmente nas grandes cidades. Porém, para a Anfavea, a culpa não pode ser atribuída somente à indústria automotiva.

Segundo a associação, a questão deve ser analisada e associada a outros fatores, como a qualidade do transporte coletivo, sua eficiência, o adensamento populacional e a condição da infraestrutura viária (ruas e avenidas).

CARGA PESADA

No começo do mês, Ghosn esteve no Brasil para anunciar R$ 3,1 bilhões na construção da primeira fábrica da Nissan no país e a ampliação da unidade da Renault em São José dos Pinhais (PR).

Em entrevista à Folha, o executivo criticou o preço do aço brasileiro, a falta de infraestrutura e a alta carga tributária. "A tributação é muito grande no Brasil. De 40% a 48% do que se paga num carro é tributo", disse.

"A gente compra aço coreano feito com minério brasileiro porque custa bem menos do que o aço brasileiro. Esse é um problema que temos de resolver porque nosso interesse é baixar o preço do carro no Brasil".

FOLHA

Jovem assediada no metrô ataca quadro do 'Zorra Total'


A jovem que acusa um advogado de 46 anos de tê-la atacado sexualmente em um trem no metrô de São Paulo, no último dia 14, diz que acha um desrespeito o quadro do humorístico "Zorra Total", da TV Globo, que faz piada com o empurra-empurra no metrô.

A informação é da reportagem de Laura Capriglione e Olívia Florência publicada na edição deste domingo da Folha. 

"Só quem já sentiu na pele a humilhação de ter um sujeito se esfregando contra o seu corpo sabe a tristeza que é. Tem gente que acha engraçado, mas eu, se eu pudesse, tirava [o quadro] do ar", disse, em depoimento à Folha.

No texto, a jovem conta que o assédio do advogado começou assim que ela entrou no vagão lotado e ele se encostou em seu corpo. Ao olhar para trás e ver o pênis do advogado para fora da calça, a jovem desmaiou.

Ela diz que continua usando o metrô, mas com medo - olha para trás o tempo todo e se algum homem fica atrás, sai de onde está.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem da Folha, a Central Globo de Comunicação não quis responder às críticas feitas ao quadro "Metrô", do programa "Zorra Total", e informou que "não vai alterar em nada" o seu conteúdo.

O advogado acusado de ataque sexual, Walter Dias Cordeiro Junior, 46, não quis falar com a reportagem, que o procurou no apartamento em que vive, no bairro da Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo.

Pelo interfone da portaria do condomínio, ele disse à Folha que tinha sido "aconselhado por seus advogados a não se pronunciar à imprensa". Pediu, entretanto: "Escreva apenas que eu afirmo minha inocência".

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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