quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MEC cancela provas do Enem de 639 alunos de escola no Ceará


O MEC (Ministério da Educação) decidiu cancelar a prova dos 639 estudantes do colégio Christus, de Fortaleza (CE). O ministério reconheceu nesta quarta-feira que um simulado feito pelo colégio, duas semanas antes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), continha oito questões idênticas às do exame - aplicado no fim de semana passado para 5,4 milhões de alunos em todo o país.

As questões do simulado foram divulgadas ontem em um perfil do Facebook. 

O MEC admite que cinco questões eram idênticas às do exame e três tinham pequenas modificações.

A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso. Uma das hipóteses trabalhadas é que as questões vazaram pelo pré-teste do Enem.

A cada ano, o Inep (instituto do MEC responsável pelo exame) aplica provas para alunos de diferentes escolas do país para testar o nível de dificuldade dos itens. Essas questões, após serem testadas, podem fazer parte do banco de itens, de onde saem as questões do Enem.

O colégio Christus foi um dos selecionados para o pré-teste do Enem 2011.

Em nota, a escola informou que as mesmas questões foram usadas em pré-testes realizados pelo ministério. Para o colégio, as questões podem ter entrado em um banco de perguntas da própria instituição por sugestão de alunos que fizeram pré-testes, "sem o conhecimento da escola no que diz respeito à origem desses dados".

PROBLEMAS

Em 2009, o vazamento da prova provocou a reaplicação do exame para todos os candidatos do Enem. No ano passado, falhas de impressão e montagem das provas obrigaram centenas de estudantes a refazerem o exame.

Na edição deste ano, os alunos já haviam reclamado da mudança de locais de prova. O MEC chegou a modificar dez lugares de aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e cerca de 4.500 estudantes foram remanejados.

FOLHA

LG tem prejuízo de US$ 367 milhões, acima das expectativas


A LG Electronics, terceira maior fabricante de telefonia móvel no mundo, registrou prejuízo trimestral maior do que o estimado por conta das vendas de celulares abaixo das expectativas e retração nas vendas de telas planas.

A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 367 milhões no terceiro trimestre fiscal, ante um lucro líquido de US$ 7 milhões verificados no mesmo intervalo de 2010. O resultado ficou bem abaixo das expectativas de mercado, que eram de um prejuízo de US$ 49,5 milhões.

As operações de celulares tiveram perda pelo sexto trimestre consecutivo, com prejuízo de US$ 124 milhões. De acordo com a companhia, a falta de smartphones que pudessem competir com Apple e Samsung contribuiu para a perda.

No período, a LG Electronics apresentou queda de 4% na receita de vendas, que totalizou US$ 11,39 bilhões. O prejuízo operacional foi de US$ 28,26 milhões, ante perda de US$ 163,39 milhões no ano passado.

VALOR/FOLHA

Receita da estatal petroleira chinesa sobe 23,7% no trimestre


Na esteira dos aumentos nos preços de petróleo e gás, a companhia petroleira chinesa CNOOC informou nesta quarta-feira que sua receita cresceu 23,7% no terceiro trimestre, em relação a igual período do ano passado.

No total, as vendas de óleo e gás da estatal - em números não auditados - somaram aproximadamente 46,26 bilhões de yuans (US$ 7,27 bilhões). Os investimentos no trimestre avançaram 28,8% na comparação anual, somando cerca de 10,55 bilhões de yuans (US$ 1,65 bilhão).

A companhia diz que o preço médio do barril do petróleo negociado ficou em US$ 112,04, alta de 50,3% na comparação anual. O preço médio do gás subiu 20% no período.

Devido ao declínio natural na produtividade de alguns campos e perdas relacionadas à suspensão de parte da produção na Baía de Bohai, a produção da empresa recuou 9,1%, para 80,9 milhões de barris de óleo equivalente.

VALOR/FOLHA

Senado aprova redução de contribuição ao INSS para doméstico


A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou nesta quarta-feira projeto que reduz a contribuição previdenciária do empregado e do empregador doméstico.

Pela proposta, o trabalhador doméstico e o patrão poderão pagar 5% sobre o salário para Previdência Social. Atualmente, essas alíquotas são de 8% e 12%, respectivamente.

Como a proposta recebeu decisão terminativa na comissão, ou seja, não precisa passar pelo plenário, o texto segue para votação na Câmara. Se os deputados fizerem mudanças no conteúdo da proposta, a matéria volta para nova análise dos senadores.

Segundo a autora do projeto, senador Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a medida pode estimular a formalização do emprego doméstico.

Segundo dados do IPEA ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), dos 6,7 milhões de trabalhadores atuando no setor em 2009, apenas 26,3% (1,7 milhão) contavam com registro em carteira e cobertura previdenciária, como auxílio-doença, licença-maternidade e aposentadoria.

Relator do projeto, o senador Paulo Paim (PT-RS) avaliou que a proposta está em sintonia com a Constituição Federal ao estabelecer um regime previdenciário especial para trabalhadores de renda mais baixa. Ele disse ainda que a regularização do trabalho doméstico avançou pouco entre 1999 e 2009.

"Trata-se de medida meritória, pois, se essas trabalhadoras não estiverem filiadas ao regime geral da previdência social, ficarão, com certeza, expostas aos riscos sociais do trabalho e não poderão enfrentar com qualidade de vida, nem o declínio de sua capacidade laboral, nem seu envelhecimento".

CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL

Alíquotas, em %Mínimo, em R$Máximo, em R$
Empregado8 a 1143,60406,09
Empregador1265,40443,01
Total20 a 23109,00849,10

FOLHA

Orlando Silva diz que deixa ministério para 'salvar sua honra'


O ministro Orlando Silva (Esporte) anunciou seu afastamento do governo logo após um encontro com a presidente Dilma Rousseff, no início da noite desta quarta-feira (26).

Segundo ele, a saída foi uma medida para "salvar sua honra". "Eu decidi sair do governo para que possa defender a minha honra, o trabalho no Ministério do Esporte, o governo que eu acredito e defender o meu partido", disse durante entrevista coletiva na saída do encontro.

O PC do B não anunciou um novo nome e disse que a escolha cabe à presidente. O Planalto informou que a exoneração de Orlando será publicada amanhã no "Diário Oficial da União", e que o secretário-executivo, Waldemar Manoel Silva de Souza, ocupará interinamente o cargo.


Acompanhado do presidente do PC do B, Renato Rabelo, Orlando concedeu uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Chegou ao local sorrindo e brincando com os jornalistas, avisando que teria de "seria breve" porque hoje é o aniversário da sua mãe. Se ofereceu, inclusive, para arrumar os gravadores e microfones dos repórteres.

Ele afirmou que repetiu para a presidente as conquistas da sua gestão na pasta e que, em um segundo momento da reunião, disse que deixava a pasta porque ele e seu partido não podiam "ser instrumento" para ataques ao governo.


"Nosso partido não pode ser instrumento de nenhum tipo de ataque ao governo. A melhor solução seria eu me afastar do governo. Essa foi uma decisão consciente que eu tomei, e a presidente me apoiou", disse Orlando, que admitiu que a situação na pasta gerou uma "crise política".

O ministro chamou o policial João Dias Ferreira e o motorista Célio Pereira de criminosos, e afirmou que eles "fugiram do Congresso Nacional porque não tinham provas". Os dois haviam sido convidados para prestarem depoimento em uma comissão da Câmara, hoje.

"Hoje completam 12 dias em que eu sofri um ataque baixo, uma agressão vil, baseada em mentiras. E há 12 dias nenhuma prova surgiu ou surgirá".

Orlando Silva também negou que um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo ONGs ligadas ao PC do B tenha se enraizado na pasta. Disse que os convênios suspeitos foram e estão sendo investigados.

"Nosso compromisso ético é o do nosso trabalho", disse.

Orlando deixou o local mais cedo, enquanto Rabelo respondia perguntas da imprensa. O presidente do PC do B defendeu novamente o ministro demissionário e disse que cabe à presidente escolher o substituto.

Rabelo não quis responder se houve discussão de um novo nome ou se o partido indicou substitutos. Apenas afirmou que o PC do B "não é um partido conjuntural, que está no governo simplesmente porque caiu de paraquedas".

INTERINO

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) afirmou que, ao menos por enquanto, o ministério deve ser comandado por um interino. Waldemar Manoel Silva de Souza é quem fica interinamente no cargo.

Carvalho não revelou quem são os possíveis substitutos de Orlando, mas disse que o ministério deve continuar sob o comando do PC do B.

Ainda de acordo com Carvalho, nas reuniões que o governo teve com o presidente do PC do B ontem à noite e com o próprio ministro Orlando Silva, hoje, pela manhã, não se chegou a um acordo sobre o nome do substituto. Como não houve uma definição sobre o nome, a presidente poderá nomear o secretário executivo como interino para poder decidir com calma. "Pode haver situação de interinidade. É o mais provável", disse o ministro.

Pouco depois do início do evento de posse de Ana Arraes como ministra do TCU (Tribunal de Contas da União) nesta quarta-feira, as deputadas do PC do B Perpétua Almeida (AC) e Luciana Santos (PE) deixaram o evento rumo a um encontro com a cúpula do partido. Luciana está entre os nomes cotados para assumir a pasta - era a escolha de Dilma em dezembro para o ministério.

Também são cotados para o cargo o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) e o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B-MA).


ENTENDA O CASO

Orlando é suspeito de participação num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes. A acusação foi feita à revista "Veja" pelo policial militar João Dias Ferreira.

Após pedido feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na semana passada, o STF (Supremo Tribunal Federal) abriu um inquérito para investigar o caso.

Na avaliação do Planalto, a decisão do STF agravou a situação do ministro. " O PC do B disse que respeita a decisão da presidente. Sabe que a decisão é da presidente, e o ministro Orlando Silva foi de uma maturidade política muito grande".

Ferreira e seu motorista disseram em entrevista à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério. A denúncia foi confirmada em entrevista à Folha.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU (Tribunal de Contas da União) investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que Ferreira firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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