domingo, 30 de outubro de 2011

Greve na Qantas deixa 70 mil passageiros parados

Mais de 70 mil passageiros da companhia aérea australiana Qantas ficaram parados neste domingo em aeroportos da Austrália, Europa e Estados Unidos, após a decisão da empresa de deixar todos os aviões em terra em consequência de uma greve dos funcionários.

Todos os voos da companhia foram cancelados a partir de sábado às 6h no horário local (4h de Brasília), informou a Qantas em um comunicado.

A direção tomou a decisão de paralisar a atividade, já muito afetada pela greve de várias semanas dos funcionários. O sindicato dos pilotos exige melhores salários e condições de trabalho.

A primeira-ministra Julia Gillard convocou uma instância de arbitragem para tentar obter uma solução para o conflito.

A Qantas calcula que a greve das últimas semanas provocou prejuízos 68 milhões de dólares australianos (pouco mais de US$ 70 milhões).

A principal rival da Qantas, a Virgin Australia, anunciou neste domingo que aumentou sua capacidade em 40 mil passageiros durante as próximas duas semanas para ajudar os passageiros bloqueados.

FRANCE PRESS/FOLHA

Câncer ocorre quando Lula é mais dominante, diz 'New York Times'

O diagnóstico do câncer do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva repercutiu na imprensa internacional neste domingo.

O jornal americano "The New York Times" publicou uma reportagem na qual afirma que o diagnóstico do câncer acontece em um momento em que o ex-presidente é visto como dominante na política brasileira.

"A revelação da sua condição acontece em um momento em que ele ainda é admirado aqui como o líder político contemporâneo mais dominante do Brasil", escreve o jornalista do "New York Times" Simon Romero, do Rio de Janeiro.

"Desde que deixou a presidência, Silva, um ex-líder sindical, manteve ampla influência na política brasileira. Ele viajou muito dentro do Brasil e no exterior, fazendo discursos por cachês altos, e na semana passada ele apareceu ao lado [da presidente Dilma] Rousseff na inauguração de uma ponte na cidade amazônica de Manaus".

O "New York Times" diz que a notícia sobre Lula mostra um "contraste grande" em relação à forma como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, revelou seu câncer, em junho.

Enquanto o brasileiro optou por revelar rapidamente a doença, Chávez "surpreendeu os venezuelanos" ao anunciar que já havia sido submetido a uma cirurgia, segundo o "New York Times". O jornal também lembra que o venezuelano nunca revelou o tipo de câncer que teve.

Lula foi diagnosticado com câncer na laringe. A informação foi divulgada no sábado pelo Hospital Sírio-Libanês, onde o ex-presidente fez exames após se queixar de dores na garganta. Ele começará quimioterapia na segunda-feira.

'INCERTEZA'

Uma reportagem do jornal argentino "La Nacion" afirma que o câncer do ex-presidente desperta incerteza entre os brasileiros sobre o futuro político de Lula.

"A inesperada notícia sobre a doença surpreendeu a todos os brasileiros e despertou uma grande incerteza sobre um eventual regresso de Lula à Presidência do Brasil, onde ele mantinha uma enorme influência política no atual governo", escreve o jornal argentino.

O "La Nacion" diz que o "carismático e popular" ex-presidente brasileiro terá pela frente uma "nova e inesperada batalha".

Já o jornal argentino "El Clarin" destacou que a notícia sobre a doença de Lula "surpreendeu os veículos brasileiros de imprensa", já que o ex-presidente havia anunciado que tinha começado a deixar de fumar cigarrilhas.

O "El Clarin" também destacou a repercussão da doença no Twitter, com várias mensagens de solidariedade acompanhadas das hashtags #vivalula e #forçalula.

O jornal espanhol "El País" disse que a notícia sobre Lula "correu como pólvora em todo o país".

Já o americano "The Wall Street Journal" destaca a importância "literal" da voz de Lula na política brasileira.

"Muito do sucesso de Lula se deve à sua voz. Como um país grande e recentemente industrializado sofrendo com uma ditadura militar, os sindicatos brasileiros estavam maduros para um rompimento nos anos 70", escrevem os jornalistas Matthew Cowley e Tom Murphy.

"No sentido literal, Lula, um ex-sindicalista, deu aos trabalhadores uma voz".

BBC BRASIL/FOLHA

A baderna a serviço do crime

A Cidade Universitária voltou a ser palco de confrontos entre estudantes e a Polícia Militar (PM). Os incidentes ocorreram na noite de quinta-feira e começaram depois que os policiais militares detiveram três alunos que fumavam maconha no estacionamento do prédio de História e de Geografia. Quando os levavam para o 91.º DP, a fim de registrar a ocorrência, os policiais militares foram atacados por cerca de 200 estudantes.
Além de terem apedrejado seis viaturas policiais e ferido três soldados, os estudantes invadiram o prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde praticaram atos de vandalismo, e anunciaram que só sairão do local após a revogação do convênio que permite à PM garantir a segurança na Cidade Universitária. O convênio foi assinado após o primeiro caso de latrocínio no local, ocorrido em maio deste ano. A vítima foi um estudante de economia, assassinado ao reagir a uma tentativa de roubo. Entre janeiro e abril, os roubos na Cidade Universitária aumentaram 13 vezes e os atos de violência - tais como estupros e sequestros relâmpago - cresceram 300%.
Até então, a Cidade Universitária - situada ao lado de uma favela - dispunha apenas de uma Guarda Universitária, que não pode portar armas e que conta com 130 agentes de segurança patrimonial, divididos em dois turnos, para proteger dezenas de prédios e fiscalizar seus estacionamentos, além das 100 mil pessoas que circulam diariamente pelo câmpus. Mas, apesar da crescente violência, minorias radicais constituídas por servidores, alunos e professores resistiam e continuam resistindo à presença da PM no câmpus. Militantes de micropartidos de esquerda, eles associam a PM à "repressão", alegam que a presença de policiais militares fere a autonomia universitária e classificam o câmpus como "território livre".
Alegando que a Cidade Universitária estava se convertendo em terra de ninguém, o Comitê Gestor da USP - apoiado pela maioria da comunidade acadêmica - superou as resistências políticas, elaborou um plano emergencial de segurança para a Cidade Universitária, definiu um modelo de policiamento aprovado por entidades de professores, alunos e funcionários e, em junho, fechou um acordo com a PM para colocá-lo em execução. É esse convênio que os invasores do prédio administrativo da FFLCH querem revogar.
Para confirmar que se trata de movimento ideológico, eles apresentaram uma lista de reivindicações absurdas, impossíveis de serem atendidas, do ponto de vista jurídico. Além de aproveitar o incidente para fazer novas críticas ao reitor João Grandino Rodas e acusar a PM de agir como "o braço armado dos exploradores", pedindo sua imediata retirada do câmpus, os invasores querem autonomia absoluta nos "espaços estudantis". Reivindicam, ainda, a extinção de todos os processos administrativos e criminais contra estudantes, professores e funcionários. São centenas de sindicâncias e de ações judiciais instauradas pela reitoria para apurar desvios de conduta e punir quem depredou o patrimônio da USP e ameaçou a integridade física de colegas em assembleias, greves e piquetes. Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE-Livre) classificou a invasão da FFLCH e a oposição à presença da PM no câmpus como uma luta pelos "direitos civis".
Na realidade, o que está em jogo no câmpus da USP não são as liberdades públicas nem os direitos fundamentais de estudantes, professores e funcionários. Quando invocam o princípio da autonomia universitária e pedem que a PM seja expulsa do câmpus, os baderneiros fazem o jogo dos assaltantes, assassinos, estupradores e traficantes de drogas. É evidente que, desde o início do convênio firmado com a reitoria, a presença de policiais militares na Cidade Universitária vem prejudicando os negócios dos fornecedores de drogas, reduzindo seus lucros. Além de se colocarem - consciente ou inconscientemente - a serviço do crime organizado, os invasores cometem outro erro. Eles confundem "território livre", expressão usada na academia para designar a livre troca de ideias, com uma república independente - como se a USP existisse à margem do Estado e da sociedade que a sustentam.
O que ocorreu no embate com a PM e com a invasão da FFLCH não são atos de rebeldia intelectual - são apenas demonstrações de irresponsabilidade e de alienação ideológica.
ESTADÃO

República destroçada

Marco Antonio Villa - O Estado de S.Paulo
Em 1899 um velho militante, desiludido com os rumos do regime, escreveu que a República não tinha sido proclamada naquele mesmo ano, mas somente anunciada. Dez anos depois continuava aguardando a materialização do seu sonho. Era um otimista. Mais de cem anos depois, o que temos é uma República em frangalhos, destroçada.
Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça. Um conhecido político, símbolo da corrupção, do roubo de dinheiro público, do desvio de milhões e milhões de reais, chegou a comemorar recentemente, com muita pompa, o seu aniversário cercado pelas mais altas autoridades da República.
Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.
São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.
O Brasil de hoje é uma sociedade invertebrada. Amorfa, passiva, sem capacidade de reação, por mínima que seja. Não há mais distinção. O panorama político foi ficando cinzento, dificultando identificar as diferenças. Partidos, ações administrativas, programas partidários são meras fantasias, sem significados e facilmente substituíveis. O prazo de validade de uma aliança política, de um projeto de governo, é sempre muito curto. O aliado de hoje é facilmente transformado no adversário de amanhã, tudo porque o que os unia era meramente o espólio do poder.
Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos. São os modernos bobos da corte. Devem sempre alegrar e divertir os poderosos, ser servis, educados e gentis. E não é de bom tom dizer que o rei está nu. Sobrevivem sempre elogiando e encontrando qualidades onde só há o vazio.
Mas a realidade acaba se impondo. Nenhum dos três Poderes consegue funcionar com um mínimo de eficiência. E republicanismo. Todos estão marcados pelo filhotismo, pela corrupção e incompetência. E nas três esferas: municipal, estadual e federal. O País conseguiu desmoralizar até novidades como as formas alternativas de trabalho social, as organizações não governamentais (ONGs). E mais: os Tribunais de Contas, que deveriam vigiar a aplicação do dinheiro público, são instrumentos de corrupção. E não faltam exemplos nos Estados, até mesmo nos mais importantes. A lista dos desmazelos é enorme e faltariam linhas e mais linhas para descrevê-los.
A política nacional tem a seriedade das chanchadas da Atlântida. Com a diferença de que ninguém tem o talento de um Oscarito ou de um Grande Otelo. Os nossos políticos, em sua maioria, são canastrões, representam mal, muito mal, o papel de estadistas. Seriam, no máximo, meros figurantes em Nem Sansão nem Dalila. Grande parte deles não tem ideias próprias. Porém se acham em alta conta.
Um deles anunciou, com muita antecedência, que faria um importante pronunciamento no Senado. Seria o seu primeiro discurso. Pelo apresentado, é bom que seja o último. Deu a entender que era uma espécie de Winston Churchill das montanhas. Não era, nunca foi. Estava mais para ator de comédia pastelão. Agora prometeu ficar em silêncio. Fez bem, é mais prudente. Como diziam os antigos, quem não tem nada a dizer deve ficar calado.
Resta rir. Quem acompanha pela televisão as sessões do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e as entrevistas dos membros do Poder Executivo sabe o que estou dizendo. O quadro é desolador. Alguns mal sabem falar. É difícil - muito difícil mesmo, sem exagero - entender do que estão tratando. Em certos momentos parecem fazer parte de alguma sociedade secreta, pois nós - pobres cidadãos - temos dificuldade de compreender algumas decisões. Mas não se esquecem do ritualismo. Se não há seriedade no trato dos assuntos públicos, eles tentam manter as aparências, mesmo que nada republicanas. O STF tem funcionários somente para colocar as capas nos ministros (são chamados de "capinhas") e outros para puxar a cadeira, nas sessões públicas, quando alguma excelência tem de se sentar para trabalhar.
Vivemos numa República bufa. A constatação não é feita com satisfação, muito pelo contrário. Basta ler o Estadão todo santo dia. As notícias são desesperadoras. A falta de compostura virou grife. Com o perdão da expressão, mas parece que quanto mais canalha, melhor. Os corruptos já não ficam envergonhados. Buscam até justificativa histórica para privilégios. O leitor deve se lembrar do símbolo maior da oligarquia nacional - e que exerce o domínio absoluto do seu Estado, uma verdadeira capitania familiar - proclamando aos quatro ventos seu "direito" de se deslocar em veículos aéreos mesmo em atividade privada.
Certa vez, Gregório de Matos Guerra iniciou um poema com o conhecido "Triste Bahia". Bem, como ninguém lê mais o Boca do Inferno, posso escrever (como se fosse meu): triste Brasil. Pouco depois, o grande poeta baiano continuou: "Pobre te vejo a ti". É a melhor síntese do nosso país.  
HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS(UFSCAR)
ESTADÃO

Copa - dinheiro, soberania e catarse

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo
O maior espetáculo da Terra, a Copa do Mundo de 2014 é uma miragem no horizonte de 957 dias que faltam para sua abertura, mas as escaramuças que está causando ameaçam deixar mortos e feridos bem antes que os exércitos de 32 países entrem nas arenas de 12 estádios, uns em fase inicial de construção, outros em reforma. A tensão que o evento provoca com tanta antecedência se deve não só ao fato de que a disputa terá a maior audiência acumulativa de todos os tempos - 26 bilhões de espectadores em 214 nações, com transmissão em 376 canais -, mas por ser o futebol a paixão brasileira por excelência. Como tal, é motor das emoções, arrastando multidões às praças esportivas, abrindo clamor e indignação, gerando contrariedades, promovendo, enfim, a explosão coletiva. O objeto dos conflitos, por enquanto, não é a bola, cujos peso e formato certamente ganharão um capítulo novelesco mais adiante, mas as normas que as autoridades organizaram para determinar como será realizada a Copa no Brasil. Como o dono da flauta dá o tom, a Federação Internacional de Futebol (Fifa), entidade de direito privado, proprietária exclusiva do certame, impõe regras, fazendo do Projeto de Lei 2.330, chamado de Lei Geral da Copa, a expressão de sua vontade.
O imbróglio se forma quando o tom que a Fifa quer dar à flauta soa estranho nos arranjos orquestrados pela banda social. A polifonia se estabelece. E para coroar a liturgia cívica que embala corações no anelo coletivo, emergem polêmicas intermináveis, sob a égide do conceito que abriga o arsenal da guerra: soberania. Traduzindo: aprovada a Lei Geral da Copa nos termos encaminhados pelo Executivo ao Congresso, a soberania nacional estaria conspurcada. O futebol, como é sabido, canalizador da avalanche catártica do País, ingressa profundamente no hemisfério emotivo, deixando estreita margem para uma análise mais racional. Sob essa hipótese, é complexa a tarefa de distinguir os polos (certo/errado, ético/aético, justo/injusto) que balizam a organização da Copa do Mundo em nosso país. É razoável começar o exercício pelo campo que abre a polêmica, a soberania. Se soberania, segundo Rousseau, é o exercício da vontade geral, "que não pode ser alienada ou dividida e jamais concentrada nas mãos de um homem ou de um grupo", é evidente que a Fifa não tem razão para impor sua visão particular sobre o anseio coletivo. A soberania de uma nação exprime o poder de uma autoridade superior, não devendo este ser limitado por nenhum outro poder. Essa é a lição do Direito. É evidente que os organizadores da Copa sabem disso, até porque se defrontam, a cada quatro anos, com argumentos contrários a suas pretensões.
A Fifa, como empresa privada, objetiva auferir lucro, cooptando governos dos países-sede do evento, que se dobram às exigências por saberem que o futebol é um dos ímãs mais poderosos de que a política dispõe para atrair as massas. A catarse produzida pelos espetáculos acabará compensando os governantes com expressivos resultados eleitorais. É evidente que o negócio privado quer apitar todo o jogo: escolher parceiros, definir projetos, contratar consultores e fornecedores, estabelecer sistemas de promoção e vendas para comercializar marcas, símbolos, produtos e serviços. Até aí, tudo bem. É compreensível que os países, quando se candidatam a sediar uma Copa, procurem oferecer aos donos do empreendimento uma carta de compromissos e vantagens que lhes garantam elementos de diferenciação em relação aos demais competidores. Foi assim que o Brasil ganhou a condição de sediar o próximo Mundial, a ser realizado 64 anos após a memorável Copa de 50. Quando as intenções entram, porém, no plano das ações, o caldo entorna. E é nessa encruzilhada que se encontram os parceiros do campeonato. A Lei da Copa, como se apresenta, está eivada de aberrações jurídicas, de afrontas aos direitos dos consumidores. Pior, joga no lixo disposições integradas aos costumes sociais.
A questão da extinção de meia-entrada para idosos e estudantes já estaria equacionada com a decisão do governo de fazer valer a atual regra. Mas situações absurdas persistem, a começar pela extravagante ideia de que títulos como Copa do Mundo, Mundial de Futebol, Brasil 2014 só poderão ser usados sob licença da Fifa. Torcedor que decida enfeitar o boné com essas expressões poderá ser condenado à prisão ou multa. Se uma pessoa pintar o muro de sua casa com o mascote da Copa, será ameaçada de entrar em cana. Ou se comprar algo - ingresso, produto ou serviço - pela internet, por exemplo, não poderá ser ressarcido caso desista da aquisição. Comprou, pagou, levou, mesmo com o pacote deteriorado. Não há como deixar de observar que o bom senso passou longe da confecção do índex de vedações. Ao moldar a lei à sua vontade, a Fifa invade a seara da cultura popular, apropriando-se de sua linguagem, reescrevendo tradições e fazendo vista grossa ao Estatuto do Torcedor, ou seja, à Lei 10.671.
Não se discute o domínio sobre direitos de comercialização de produtos e serviços pela cadeia de vendas e difusão de imagens pela mídia. Inaceitável é a suspensão da legislação brasileira para atender a objetivos mercadológicos da organizadora, incluindo a revogação da proibição de bebida alcoólica em estádios e a venda exclusiva da marca patrocinadora do evento. O que poderá acontecer caso o Congresso decida conformar as regras ao gosto social? A realização da Copa em outro país seria inexequível, ante o apertado calendário de que se dispõe, pelo conflito que a decisão proporcionaria. Resta aplicar critérios plausíveis, justos e regrados pelo máximo de consenso entre as partes. Por último, deixar que a galera das gerais se manifeste livremente sobre a disputa, usando inclusive a verve ferina para reclamar que falta quase tudo para fazermos uma boa Copa, sobretudo uma boa seleção de futebol.


JORNALISTA, É PROFESSOR, TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO DE COMUNICAÇÃO
ESTADÃO

Sobe para 17 nº de mortos em Cabul; 13 são soldados dos EUA

Ao menos 13 soldados americanos foram mortos em um atentando suicida em Cabul, capital afegã, quando um homem-bomba atacou um veículo de um comboio da Otan, a aliança militar do Ocidente, segundo oficiais.

Autoridades dos Estados Unidos citadas pela emissora de TV americana CNN ressaltaram que mais detalhes continuam surgindo. Acredita-se que um veículo muito danificado transportava as tropas estrangeiras que estavam no comboio.

"Podemos confirmar que 13 membros da ISAF foram mortos", disse um porta-voz da ISAF.

Excluindo quedas de helicópteros, este foi o acidente mais mortífero para tropas estrangeiras desde que a guerra começou em 2001.

Quatro afegãos também foram reportados mortos, mas ainda não está claro quantas pessoas foram feridas, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior afegão, Sediq Sediqqi.

O ataque ao comboio da Isaf (Força Internacional de Segurança), liderada pela Otan, ocorreu na praça de Darulaman, no oeste da cidade, perto do museu nacional, por volta das 11h15 da manhã do horário local (4h45 em Brasília), afirmou o chefe da polícia de Cabul, Hashmat Stanikzai.

O grupo Taleban assumiu a autoria do ataque em um comunicado divulgado pouco depois, dizendo que lotou um veículo de quatro rodas com 700 kg de explosivos. A região do ataque se encontra sob controle das forças de segurança.

O antigo palácio real, agora em ruínas, também está localizado nesta região, com vários departamentos do governo. "Vários membros da Isaf foram registrados como vítimas", disse um porta-voz da força liderada pela Otan.

Os insurgentes talebans costumam recorrer a ataques suicidas como parte de suas tentativas para conseguir a saída imediata das tropas internacionais desdobradas no país e a queda do governo afegão, liderado pelo presidente, Hamid Karzai.

Cabul foi palco de mais de uma dezena de ataques nos últimos anos. A violência no Afeganistão tem piorado desde o início da guerra, há dez anos, de acordo com as Nações Unidas, apesar da presença de mais de 130 mil tropas estrangeiras.

A Isaf disse que recentemente houve uma queda nos ataques, mas esta informação exclui os atentados que mataram apenas civis e ataques às forças de segurança afegã que operam sem tropas internacionais.

FOLHA

Qantas suspende todos os voos indefinidamente por greve

A companhia aérea australiana Qantas anunciou neste sábado que suspendeu indefinidamente todos os seus voos nacionais e internacionais por causa da greve que seu pessoal realiza.

O ministro do Transporte australiano, Anthony Albanese, disse que recorrerão a arbitragem da Fair Work Australia, o novo organismo criado para resolver as disputas trabalhistas.

"Isto é uma decisão muito difícil (...) não temos nenhuma alternativa", disse o diretor-gerente da Qantas, Alan Joyce, em entrevista coletiva, segundo a rádio "ABC".

A partir da segunda-feira, a companhia fechará a entrada das instalações aos grevistas.

"Fechamos até que os sindicatos retirem suas reivindicações mais extremas e cheguem a um acordo conosco", disse Alan, e culpou as "reivindicações impossíveis" dos três sindicatos pela situação.

A direção da Qantas está acossada pelas greves dos pilotos, o pessoal de terra e os engenheiros que pedem aumentos salariais e melhoras trabalhistas.

EFE/FOLHA

Irlanda oficializa vitória do trabalhista Higgins em eleições

O trabalhista Michael D. Higgins foi proclamado oficialmente neste sábado vencedor das eleições presidenciais irlandesas, depois de dois dias de contagem de votos, confirmando sua surpreendente vitória sobre o candidato favorito, o independente Sean Gallagher.

Segundo os números oficiais, o "sociólogo, político e poeta" como se define, obteve 1.007.104 votos, ultrapassando amplamente os 885.882 necessários para conquistar a maioria (50% + 1) no complexo sistema eleitoral irlandês.

"Estou realmente contente com esta ampla vitória", declarou Michael D. Higgins, o mais velho (70 anos) dos 17 candidatos que se apresentaram à sucessão de Mary McAleese, que permaneceu no cargo durante 14 anos. "Isto me permitirá ser o presidente de todos", afirmou.

A vitória de Higgins já era certa desde sexta-feira, quando seus dois principais adversários, Gallagher e Martin McGuinness (vice-primeiro-ministro norte-irlandês) reconheceram a derrota.

A rádio televisão pública irlandesa RTÉ e o Partido Trabalhista já tinham anunciado no meio do dia que Higgins, favorito das casas de apostas, se encaminhava para uma vitória segura.

"Pouco depois de abertas as urnas, viu-se claramente que Michael D. Higgins estava muito à frente e que não havia dúvidas sobre o desenlace", noticiou a RTÉ, quatro horas depois do início da contagem.

Na mesma hora, o vice-premier irlandês, Eamon Gilmore, publicou um comunicado para "cumprimentar Michael D. por esta conquista". "Estou realmente feliz por ele".

Higgins, ex-ministro de Cultura, ex-deputado e poeta, defendeu ao longo de sua carreira a justiça, a paz e outros temas humanitários em várias partes do mundo, inclusive em países latino-americanos como Chile, Nicarágua, El Salvador e Colômbia, onde, no ano passado, fraturou um joelho durante missão com uma organização humanitária.

Higgins era só o segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas. Na última consulta, publicada na segunda-feira passada, ele tinha apenas 25% das intenções de voto contra 40% para o independente Gallagher.

Mas o então favorito das pesquisas se envolveu nos últimos dias em uma polêmica com McGuinness. O vice-primeiro-ministro norte-irlandês e ex-líder do hoje inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), o acusou de ter recebido 5.000 euros (US$ 7.000) de um empresário condenado por contrabando para financiar o partido de oposição Fianna Fáil, do qual Gallagher afirma ter sido "membro esporádico". O candidato negou a denúncia categoricamente.

O Fianna Fáil foi tirado do poder nas eleições gerais de fevereiro passado, que conduziram a um governo de coalizão entre o Fine Gael, do premier Enda Kenny, e os trabalhistas de Gilmore.

Embora se trate de um cargo essencialmente representativo, o nono presidente irlandês assumirá o posto em um contexto difícil, quase um anos depois de o país ter que aceitar um plano de resgate de 85 bilhões de euros da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional) em troca de medidas drásticas de ajuste.

FRANCE PRESS/FOLHA

Dia violento na Síria termina com 47 soldados e 12 civis mortos

Combates de soldados e forças de segurança contra desertores causaram a morte de 47 militares e um dissidente, além de 12 civis, na região de Homs (centro), anunciou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Vinte soldados morreram em confrontos entre o Exército e homens armados, supostamente desertores, em Homs. Outros 53 soldados ficaram feridos, segundo o OSDH. Em confrontos semelhantes, 17 soldados morreram na madrugada deste sábado, também em Homs.

Outros 10 membros das forças de segurança sírias e um soldado dissidente morreram hoje numa emboscada armada por supostos desertores contra um veículo que transportava agentes de segurança na província de Idleb (noroeste), indicou o OSDH, com sede em Londres.

Doze civis morreram também hoje na região de Homs, em consequência da repressão das forças de segurança a novos protestos contra o regime do presidente Bashar al-Asad.

Está prevista para este domingo, no Qatar, uma reunião entre autoridades sírias e uma delegação ministerial da Liga Árabe, que se ofereceu como mediadora para alcançar uma saída para o conflito sírio.

FRANCE PRESS/FOLHA

Força australiana no Afeganistão fica em alerta máximo após atentado

O contingente da Austrália destacado no Afeganistão se encontra neste domingo em máxima alerta após o atentado do sábado durante um desfile de rotina em Shah Wali Kot, em Kandahar, no qual morreram três soldados australianos e o tradutor e outros sete militares ficaram feridos.

O chefe das Forças Armadas da Austrália, David Hurley, informou que o agressor morreu após o atentado e assegurou que os fatos serão investigados, segundo a imprensa australiana.

Um general do Exército afegão Abdul Hameed disse que o agressor era um soldado afegão com três anos de experiência, de acordo com a agência de notícias australiana AAP.

O ministro de Defesa australiano, Stephen Smith, lamentou este domingo as mortes dos soldados que elevam para 32 o número de militares australianos que perderam a vida desde o início da guerra no Afeganistão, em 2001.

EFE/FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...