quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Último filme de Harry Potter impulsiona lucro da Time Warner

O lucro trimestral da Time Warner avançou 57%, em um resultado melhor que o esperado, impulsionado pelo blockbuster "Harry Potter e as Relíquias da Morte", bem como pelas vendas mais fortes de publicidade televisiva e por taxas do serviço de TV a cabo.

A Time Warner, controladora da CNN, da HBO, da revista Time e dos estúdios Warner Bros, registrou lucro de US$ 822 milhões, ou US$ 0,78 por ação, no terceiro trimestre, acima dos US$ 522 milhões, ou US$ 0,46 por ação, no mesmo período um ano atrás.

O lucro líquido ajustado subiu 27%, para US$ 0,79 por ação, disse a empresa nesta quarta-feira.

Em grande parte graças à última edição da série Harry Potter, a receita trimestral da Time Warner subiu 11%, para US$ 7,1 bilhões. O estúdio de televisão Warner Brothers também ajudou, lucrando com sucessos como "The Big Bang Theory" e "Two and a Half Men".

O presidente-executivo Jeff Bewkes, que tentou cortar custos e focar a empresa na criação de conteúdo para TV, filmes e revistas, disse que a Time Warner deve ser capaz de superar suas metas para 2011.

A publicidade televisiva está se mantendo melhor do que o esperado, uma vez que as empresas tendem a reduzir campanhas de marketing em condições econômicas difíceis. Mas os comerciais na TV continuam a ser uma commodity valorizada.

REUTERS/FOLHA

Aviso prévio maior deve elevar rotatividade nas MPEs

Ao mesmo tempo em que beneficia os trabalhadores com maior tempo de serviço, a extensão do aviso prévio para até 90 dias encarece as demissões e pode prejudicar o setor que mais emprega no país: as micro e pequenas empresas (MPE). Segundo especialistas e representantes do setor, a medida deve provocar o aumento na rotatividade de postos de trabalho e onerar a folha de pagamento.

Para o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva, a regulamentação do aviso prévio é justa, mas deveria vir acompanhada de medidas de desoneração para as MPE, que, proporcionalmente, serão mais prejudicadas do que as maiores empresas.

"A conquista dos direitos dos trabalhadores é justa, afinal o tema levou mais de 20 anos para ser regulamentado. Mas um mecanismo que aumenta encargos trabalhistas complica o emprego formal", diz Silva.

Para ele, a medida praticamente anula os efeitos da ampliação do limite de enquadramento no Simples Nacional, aprovado este mês pelo Senado e que beneficiará até 30 mil empresas que poderiam ser excluídas do regime simplificado de tributação.

Na avaliação de Silva, a ampliação do aviso prévio deve aumentar a rotatividade nas MPEs porque os empregadores devem demitir trabalhadores que estejam próximos de completar dez anos no emprego para não ter de pagar indenizações maiores. "A medida pune justamente o setor que mais emprega trabalhadores formais", ressalta.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o setor empregava, em 2010, 13 milhões dos 24,9 milhões dos trabalhadores formais do país, o que representa 52,3% dos empregados com carteira assinada. No comércio, as MPEs respondiam no ano passado por 73,7% dos postos de trabalho.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Especialista em relações trabalhistas do escritório de advocacia Sevilha, Andrade e Arruda, a advogada Elisa Tavares defende uma reforma tributária voltada para as MPE para compensar a ampliação do aviso prévio.

"A desoneração da folha de pagamento [em vigor para os setores de tecnologia da informação, móveis, tecidos e calçados] deveria ser estendida às micro e pequenas empresas", comenta.

A advogada também reivindica a criação de alíquotas menores para os encargos trabalhistas, o que permitiria às MPE pagar menos que as grandes empresas. "Uma alíquota de 20% sobre a folha de pagamento pesa mais para um pequeno empresário do que para um grande industrial", ressalta.

Instituído pela Constituição de 1988, o aviso prévio representa uma forma de compensação da quebra de contratos trabalhistas. Quando o trabalhador é dispensado sem justa causa, o aviso prévio se traduz em um período de carência, em que o empregado permanece no posto por um período até conseguir arranjar um novo trabalho, com reforço nas indenizações trabalhistas.

A Constituição de 1988 estabeleceu o aviso prévio mínimo de 30 dias, mas previa que esse direito deveria ser proporcional ao tempo de permanência do empregado na empresa.

Com a nova lei, o aviso prévio será ampliado em três dias a cada ano trabalhado a partir do décimo primeiro ano. A extensão vai até o prazo máximo de 90 dias, no caso de um funcionário com 20 anos de emprego que, demitido, terá 60 dias somados ao prazo de 30 dias de aviso prévio.

FOLHA

Em greve, estudantes da Federal de Rondônia pedem saída do reitor

Estudantes da Unir (Universidade Federal de Rondônia) entraram em greve e estão acampados há quase um mês na reitoria, em Porto Velho.

Eles se queixam da falta de estrutura e pedem a saída do atual reitor, José Januário de Oliveira Amaral, responsabilizando-o por irregularidades detectadas pela CGU (Controladoria-Geral da União) na universidade.

A greve na Unir começou em 14 de setembro e teve a adesão tanto dos estudantes como dos professores. Há 28 dias, um grupo de cerca de 300 estudantes invadiu o prédio da reitoria e mantém acampamento no local.

"No curso de engenharia elétrica, por exemplo, eram previstos 17 laboratórios. Não existe nenhum", diz o estudante Vinícius Nogueira, que cursa o sexto ano de medicina.

A pauta de reivindicações, que começou com reclamações quanto à falta de laboratórios e até mesmo de papel higiênico nos banheiros, em pouco tempo adquiriu caráter mais político.

"No decorrer da greve, a gente percebeu por que não tínhamos essas coisas. Houve improbidade administrativa", afirma o professor Adilson Siqueira, integrante do comando de greve.

Um relatório foi enviado ao MEC (Ministério da Educação), que designou uma comissão de sindicância para apurar as supostas irregularidades e deve divulgar os resultados até o final deste mês.

O comando de greve se baseia em auditoria da CGU sobre as contas de 2010 da Fundação Universidade Federal de Rondônia, entidade ligada à Unir.

No documento, a CGU aponta contratos não registrados no sistema de prestação de contas, irregularidades em licitações, falta de fiscalização da aplicação de recursos, má conservação de diversos campi e pagamento de gratificações indevidas a servidores.

Um dos problemas nas licitações foi a recusa de propostas de empresas que apresentaram valores menores que os efetivamente contratados pela universidade. A CGU diz no relatório que não foram adotados critérios objetivos para a recusa das propostas.

O clima é tenso na universidade e um professor chegou a ser preso na semana passada pela Polícia Federal durante um dos atos da greve, acusado de ser responsável pela explosão de uma bomba nas proximidades.

Por enquanto, não há perspectivas de solução. "Nossa exigência para acabar com a greve é que a vice-reitora assuma, ao menos enquanto durarem as investigações", diz Siqueira.

OUTRO LADO

Em entrevista coletiva concedida na semana passada, porém, o reitor Januário afirmou que não pretende renunciar por ter sido eleito "de forma democrática" para o cargo.

A Folha tentou contato durante todo o dia de ontem com a assessoria de comunicação da Unir para saber sobre o caso, mas não obteve retorno.

A universidade divulgou nota afirmando que as contas de 2010 foram aprovadas, ainda que com ressalvas, pela CGU e pelo MEC.

José Januário cumpre seu segundo mandato de reitor. Ele assumiu a reitoria em 2007 e foi reeleito para o cargo em 2010. A universidade foi criada em 1982.

FOLHA

Ministro viaja nesta quinta para recorrer contra anulação do Enem

A AGU (Advocacia-Geral da União), em nome do Ministério da Educação, recorrerá nesta quinta-feira (3) da decisão da Justiça Federal no Ceará, que anulou 13 questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2011. A ação deve ser entregue pessoalmente pelo ministro Fernando Haddad, que viajará nesta quinta-feira (3) para Recife.


Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Haddad irá viajar porque o recurso será apresentado no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife.

Apesar do feriado, técnicos do MEC e membros da AGU (Advocacia-Geral da União) começaram a preparar o recurso nesta quarta-feira.

O ministro vai argumentar que o ideal é que o exame seja aplicado aos 639 alunos da escola cearense que tiveram acesso às questões, e não adotar a anulação total do Enem. Para o governo, a anulação das 13 questões de um total de 180 contidas no Enem prejudicará a grande maioria dos estudantes que fizeram a prova.

A AGU justifica que vai entrar com o recurso contra a decisão para "evitar que os mais de 4 milhões de estudantes que fizeram a prova e aguardam os resultados - inclusive para participarem de processos seletivos que utilizam a nota do Enem - sejam prejudicados".

O pedido de cancelamento dos itens foi feito pelo Ministério Público Federal do Ceará depois da constatação de que alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, tiveram acesso antecipado a 13 questões do exame. A ação se refere às questões aplicadas nos dias 22 e 23 de outubro. O Enem vale 1.000 pontos, mas se as questões forem anuladas, o valor de cada item terá de ser reavaliado, segundo especialistas.

Ontem (1º), o Ministério da Educação e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) reforçaram a intenção de recorrer da decisão da Justiça Federal por avaliar que a sentença definindo a anulação total do exame foi desproporcional.

Os itens a que os alunos tiveram acesso estavam em apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do Enem e vazaram da fase de pré-testes do exame, da qual a escola participou em outubro de 2010.

O pré-teste é feito pelo Inep, vinculado ao MEC, para avaliar se as questões em análise são válidas e qual é o grau de dificuldade de cada uma. Os cadernos de questões do pré-teste deveriam ter sido devolvidos após a aplicação e incinerados pelo Inep.

O MEC confirmou que 13 questões que estavam na apostila distribuída pelo colégio cearense foram copiadas de dois dos 32 cadernos de pré-teste do Enem aplicado no ano passado a 91 alunos da escola.

Investigação da Polícia Federal aponta que o colégio copiou integralmente pelo menos um caderno com 48 questões que foram aplicadas aos alunos da instituição durante um pré-teste do Ministério da Educação. A pasta desconfia que um segundo caderno de 48 questões também foi copiado.

FOLHA

Site divulga ranking dos 25 blogs mais valiosos dos EUA

Se você tem dúvidas de que os blogs são um negócio extremamente rentável, basta dar uma olhada no valor da compra do Huffington Post feita pela AOL no início deste ano: US$ 300 milhões.

O site 24/7 Wall St. fez um ranking dos 25 blogs mais valiosos dos EUA. Os valores foram baseados em diversos fatores.

O primeiro é a combinação de receita e lucros. São considerados audiência (medida pela empresa Quantcast), as receitas de publicidade, venda de assinaturas, e as conferências da empresa - que são às vezes as operações mais lucrativas de alguns blogs.

Outro fator considerado é o quanto é difícil para a mídia tradicional concorrer com o blog em questão. O "risco fundador" também é outro ponto analisado. Ou seja, o quão danificada ficaria a imagem do blog se ele perdesse seu fundador.

Apenas blogs independentes, aqueles que não pertencem a grandes conglomerados de mídia, foram considerados.

Veja abaixo os dez primeiros da lista:

  • 1. Gawker : US$ 318 milhões
  • 2. Drudge : US$ 93 milhões
  • 10. GigaOm : US$ 32 milhões

A lista completa você vê no 24/7 Wall St.

FOLHA

Apple perde batalha judicial contra pequena empresa de tablets

Uma pequena fabricante de tablets espanhola venceu uma batalha de violação de patente contra a Apple. É uma rara derrota da empresa americana em suas ações para proteger sua posição no mercado de tablets e smartphones.

Em novembro do ano passado, a Apple apresentou uma denúncia de violação de propriedade intelectual contra a Nuevas Tecnologías y Energías Catalá S.L., que usa a marca NT-K.

Com isso, a alfândega espanhola reteve uma encomenda da NT-K de tablets que vinham da China. A empresa diz que ainda recebeu uma carta da Apple intimando-a a destruir seus tablets.

O juiz que analisou o caso decidiu pela suspensão provisória da queixa apresentada pela Apple, disse a Europa Press.

"Achamos que, como isso ocorreu durante o lançamento do iPad, ela [Apple] estava tentando impedir o maior número possível de tablets de entrar no mercado", disse Pedro David Pelaez, sócio-fundador da NT-K.

"Não somos nada, vamos ser realistas. Não acho que eles estavam olhando só para nós, mas a soma de nós todos significava alguma coisa", disse Pelaez, referindo-se a outras fabricantes de produtos similares.

Agora, a NT-K exige uma indenização da Apple por perdas que tiveram devido à proibição de seu produto e está processando a gigante norte-americana por práticas anticompetitivas.

A NT-K previa, antes dos problemas jurídicos, vender 15 mil tablets em 2011, disse Pelaez.

FOLHA

Aos dez anos, Windows XP deixa de ser o sistema mais popular

Em outubro, mesmo mês em que completou dez anos, o Windows XP finalmente foi destronado do posto de sistema operacional mais popular do mundo, cedendo o lugar para o Windows 7.

Em outubro, o XP caiu para 38,6%, ante 40,2% do Windows 7, segundo a empresa de estatísticas StatCounter.

O Windows 7 havia superado o XP no Brasil em setembro, com 46,7% ante 46,1%. No mês seguinte, chegou a 48,3%, contra 44% do XP.

A longevidade do XP se explica em parte pelo fracasso de seu sucessor, o Vista, pesado e problemático demais.

Diante da ameaça do gratuito Linux na então emergente categoria de netbooks, a Microsoft estendeu a vida útil do XP e passou a cobrar apenas US$ 15 dos fabricantes por ele. Foi só com o lançamento do Windows 7, em 2009, e com a chegada do iPad, no ano seguinte, que o XP começou a declinar.

A Microsoft abandonou o sistema de 2001 gradativamente --a versão mais recente do Internet Explorer, por exemplo, não funciona nele.

Se você ainda usa o Windows XP, deve considerar a migração. "Num período curto de tempo, o XP ficará completamente abandonado, e falhas enormes descobertas por desenvolvedores de malware nunca serão consertadas", diz Eric Z. Goodnight, do site How-To Geek.

FOLHA

Seis multinacionais chegam ao país atraídas por megaprojetos

Atraídas pelos megaprojetos de infraestrutura, seis multinacionais anunciaram nos últimos meses investimentos em fábricas de máquinas pesadas para construção civil no Brasil.

As asiáticas Sany, XCMG, Doosan e Hyundai e as americanas Caterpillar e John Deere deverão investir US$ 1 bilhão até 2013.

A aposta no Brasil está correta, diz a consultoria alemã Roland Berger. Estudo publicado neste mês aponta o país como o mercado mais atraente do mundo para o setor, com nota de 4,4 pontos numa escala até 5. Em segundo lugar está a China, com 4,1.

Os investimentos federais e privados em infraestrutura corroboram a avaliação.

A Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base) estima que serão R$ 922 bilhões até 2015, o que deve manter a demanda em alta.

O Brasil tem sido visto como a porta de entrada para o mercado latino-americano, cujas taxas de crescimento atraem multinacionais.

Para a Roland Berger, a região está entre os mercados "muito atraentes".

A proximidade com o restante da América Latina, além de estratégica, elimina custos com transporte e logística, que costumam ser onerosos devido à falta de infraestrutura na região.

"Só o Brasil já é um país de dimensões continentais. O custo com transporte é muito significativo", afirma o vice-presidente-executivo da Abdib, Ralph Lima Terra.

IMPORTAÇÃO

De acordo com a consultoria alemã, que entrevistou 50 executivos em vários países do mundo, a principal dificuldade do mercado brasileiro para o setor são as barreiras tarifárias e financeiras para importação.

Medidas do governo que estabelecem um percentual mínimo de conteúdo nacional em máquinas a serem financiadas pelo BNDES têm estimulado as empresas estrangeiras a se instalar no país, sob pena de não conseguirem fechar contratos com empresas brasileiras.

As barreiras não impediram as crescentes importações de maquinário chinês.

O Brasil, ao lado da Rússia, já é o principal mercado de equipamentos de movimentação de terra, de acordo com o relatório da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit).

FOLHA

Caiapó que criticava Belo Monte é demitido da Funai

O coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) no município de Colíder (norte de Mato Grosso), Megaron Txucarramãe, foi exonerado do cargo na última segunda-feira (31). Ele ocupava o posto desde 1995.

Megaron, que é uma liderança dos índios caiapó e sobrinho do cacique Raoni, diz que foi demitido por causa de sua oposição às hidrelétricas planejadas pelo governo federal, dentre as quais está Belo Monte.

O presidente da Funai, Márcio Meira, disse que não comentaria a demissão. 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão negou que o episódio tivesse vínculo com a usina - disse apenas que o caiapó "não estava mais cumprindo" sua função.

A demissão causou revolta entre os caiapós, que enviaram ontem uma carta ao Ministério da Justiça pedindo esclarecimentos sobre o caso e planejam realizar protestos em Colíder (a 634 km de Cuiabá).

O Movimento Xingu Vivo, que também é contrário a Belo Monte, divulgou ontem à noite a demissão e classificou-a de "vingança mesquinha".

Na semana passada, os caiapós participaram de uma invasão ao canteiro de obras de Belo Monte em Vitória do Xingu (no oeste do Pará, a 945 km de Belém).

"Fui convidado a participar da manifestação, meus parentes me chamaram, só que não pude ir. Mas o pessoal da Funai sabe que eu sou contra [as hidrelétricas]. Vou continuar a luta dos meus parentes para defender o rio Xingu sem barragem", afirmou Megaron.

Ele se queixa de não ter sido informado diretamente pela Funai de sua demissão. Megaron ficou sabendo por meio de um telefonema de uma amiga.

"A Funai não está lá para ajudar o índio. Temos tantos problemas a serem resolvidos e eles não resolvem", criticou.

Megaron foi um dos negociadores no protesto de índios caiabi que, há duas semanas, fizeram reféns funcionários da Funai para manifestar-se contra a instalação de uma hidrelétrica no rio Teles Pires (na divisa entre Pará e Mato Grosso).

CAIAPÓS

Os caiapós, nome dado a uma série de tribos de língua jê que vivem na bacia do Xingu, são os principais adversários de Belo Monte desde que a usina foi projetada, durante o regime militar.

Em 1989, a líder caiapó Tuíra ameaçou com um facão o então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz (hoje presidente da Eletrobras) num encontro para discutir o projeto.

Na mesma época, Raoni Txucarramãe atraiu celebridades como o cantor Sting para protestarem contra a usina. A oposição dos caiapós foi um dos fatores responsáveis pelo engavetamento do projeto.

Em 2009, depois que o governo Lula decidiu retomar a obra, Tuíra voltou à carga e feriu um engenheiro da Eletronorte com seu facão.

Apesar de a aldeia de Raoni e Megaron ficar a mais de 800 km da barragem, os índios afirmam que Belo Monte é apenas a primeira de uma série de hidrelétricas na região.

FOLHA

Dilma cai seis posições e aparece em 22º no ranking da 'Forbes'

A presidente Dilma Rousseff foi listada como a 22ª pessoa mais poderosa do mundo pela revista "Forbes". No ano passado, quando já havia sido eleita presidente, Dilma apareceu em 16º lugar no ranking feito pela publicação americana.

Como motivo para a escolha de Dilma neste ano, a revista cita a "faxina" no governo com a demissão de ministros suspeitos de corrupção.

A publicação ainda fala da expectativa para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, que estão com as obras atrasadas e orçamento acima do previsto.

Dilma é a única brasileira na lista deste ano.

Em agosto, a "Forbes" havia colocado a presidente como a terceira mulher mais poderosa do mundo, atrás apenas da chanceler alemã, Angela Merkel, e da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

No ranking das mulheres, outra brasileira era a modelo Gisele Bündchen, que ficou com a 60ª posição.

Outra mudança na lista divulgada hoje está a volta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao primeiro lugar no ranking. No ano passado, ele ficou atrás do presidente chinês, Hu Jintao, que neste ano ficou em terceiro lugar.

Em 2010, o empresário brasileiro, Eike Batista ficou na 58ª posição.

No ano anterior, o então presidente Lula estava na 33ª posição. O outro brasileiro na lista de 2009 era Blairo Maggi, então governador do Mato Grosso.

Veja quem são os mais poderosos, segundo a Forbes:

1 - Barack Obama, presidente dos EUA
2 - Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia
3 - Hu Jintao, presidente da China
4 - Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha
5 - Bill Gates, fundador da Microsoft
6 - Abdullah bin Abdul Aziz al Saud, rei da Arábia Saudita
7 - Bento 16, papa
8 - Ben Bernanke, presidente do banco central americano
9 - Mark Zuckerberg, CEO do Facebook
10 - David Cameron, primeiro-ministro da Inglaterra
11 - Sonia Gandhi, líder do Partido do Congresso Indiano
12 - Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu
13 - Nicolas Sarkozy, presidente da França
14 - Wen Jiabao, primeiro-ministro da China
15 - Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Central da China
16 - Hillary Clinton, secretária do Estado dos EUA
17 - Michael Bloomberg, prefeito de Nova York
18 - Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos
19 - Manmohan Singh, primeiro-ministro da Índia
20 - Warren Buffet, investidor americano
21 - Silvio Berlusconi, primeiro ministro da Itália
22 - Dilma Rousseff, presidente do Brasil
23 - Carlos Slim, empresário mexicano
24 - Rupert Murdoch, magnata da imprensa
25 - Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
26 - Ali Hoseini-Khamenei, líder supremo do Irã
27 - Michael Duke, CEO do Wal-Mart
28 - Jeffrey Immelt, CEO da General Electric
29 - Zhou Yongkang, principal autoridade da China encarregada da segurança
30 - Sergey Brin, cofundador do Google
30 - Larry Page, cofundador do Google
31 - Ali Al-Naimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita
32 - Rostam Ghasemi, presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)
33 - Lou Jiwei, presidente do China Investment Corporation
34 - Ashfaq Parvez Kayani, chefe do Exército do Paquistão
35 - Mukesh Ambani, presidente da Reliance Industries
36 - Masaaki Shirakawa, chefe do Banco do Japão
37 - Kim Jong-il, ditador da Coreia do Norte
38 - Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas
39 - Christine Lagarde, diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional)
40 - Jeff Bezos, CEO do Amazon
41 - Jamie Dimon, CEO da JPMorgan Chace
42 - Robin Li, CEO da Baidu
43 - Lloyd Blankfein, CEO da Goldman Sachs
44 - Li Ka-shing, presidente da Hutchison Whampoa Limited
45 - Charles Koch, CEO da Koch Industries
45 - David Koch, vice-presidente da Koch Industries 71
46 - Rex Tillerson, CEO da ExxonMobil
47 - Lakshmi Mittal, presidente da ArcelorMittal
48 - Recep Erdogan, primeiro-ministro da Turquia
49 - Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial
50 - Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos
51 - Dalai Lama
52 - Larry Fink, CEO da BlackRock
53 - Khalifa bin Zayed Al-Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos
54 - Bill Gross, cofundador da PIMCO
55 - Joaquin Guzman Loera, traficante mexicano
56 - Ahmed Shuja Pasha, diretor-geral do Serviço de Inteligência do Paquistão
57 - Dawood Ibrahim Kaskar, líder da D-Company
58 - Tim Cook, CEO da Apple
59 - Dmitry Medvedev, presidente da Rússia
60 - Masayoshi Son, CEO da SoftBank
61 - Azim Premji, presidente da Wipro Limited
62 - Yoshihiko Noda, primeiro-ministro do Japão
63 - Joseph Blatter, presidente da Fifa (Federação Internacional do Futebol)
64 - Jill Abramson, editora-executiva de "The New York Times"
65 - Bernard Arnault, presidente da Louis Vuitton Moet Hennessy
66 - Sebastian Pinera, presidente do Chile
67 - John Boehner, presidente da Câmara de Represetantes dos EUA
68 - Jacques Rogge, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional)
69 - Xi Jinping, vice-presidente da China
70 - Alisher Usmanov, oligarca

FOLHA

Brasil fica em 84ª posição em ranking de desenvolvimento humano

O Brasil ocupa a 84ª posição no ranking do IDH 2011 (Índice de Desenvolvimento Humano), em uma lista que traz 187 países. O Brasil avançou uma posição em relação ao ano passado e tem desenvolvimento humano considerado alto, segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

O IDH considera basicamente três aspectos: saúde, educação e renda. Para o Brasil, foram levados em conta os seguintes dados: 7,2 anos médios de estudo, 13,8 anos esperados de escolaridade, além de expectativa de vida de 73,5 anos. Em relação ao rendimento, foi registrada uma Renda Nacional Bruta per capita de US$ 10.162 (ajustados pelo poder de compra).

O IDH varia de 0 a 1 - quanto mais próximo a 1, melhor a posição do país no índice. 

Considerando a evolução do Brasil ao longo do tempo, o valor passou de 0,549 (em 1980) para 0,665 (em 2000), chegando neste ano ao patamar de 0,718.


Embora se enquadre na categoria de país com desenvolvimento humano elevado, o Brasil fica atrás de dez países da América Latina. Na região, apenas Chile e Argentina têm desenvolvimento humano considerado muito elevado.

TOPO DO RANKING

No ranking deste ano, a Noruega voltou a ocupar a 1ª posição da lista, seguida por Austrália e Holanda. Os Estados Unidos ficaram em 4º lugar. 

Todos esses países têm desenvolvimento humano considerado muito elevado, de acordo com o relatório apresentado pelo Pnud.

Na Noruega, por exemplo, a média de escolaridade é de 12,6 anos, enquanto no Brasil essa taxa fica em 7,2 anos.

Todos os dez últimos colocados no ranking estão na África. A República Democrática do Congo ocupa a última posição (187ª), com o menor índice de desenvolvimento humano, seguida por Niger e Burundi.

Nos últimos anos, cerca de 3 milhões de pessoas morreram vítimas da guerra na República Democrática do Congo, onde a esperança de vida ao nascer é de apenas 48,4 anos, segundo o relatório do Pnud.

AJUSTE

Desde o ano passado, o Pnud divulga também o IDH-D (o IDH ajustado à desigualdade). Esse índice contabiliza a desigualdade na distribuição de renda, educação e saúde. Alguns países têm pontos "descontados", como é o caso do Brasil. O IDH do Brasil neste ano é 0,718, enquanto o índice ajustado à desigualdade fica em 0,519.

Outro índice divulgado pelo relatório é o IDG (Índice de Desigualdade de Gênero), que se baseia em três pilares (saúde reprodutiva, autonomia e atividade econômica). No cálculo, são considerados dados como a mortalidade materna e a taxa de participação no mercado de trabalho.

Numa lista de 146 países, o Brasil ficou com a 80ª posição do IDG. Um dos aspectos que pesou foi o fato de o Brasil, segundo o relatório, ter apenas 9,6% dos assentos parlamentares ocupados por mulheres.

FOLHA

Ignacio Cano: Freixo sair do País é derrota para sociedade

O professor e pesquisador na área de segurança pública, Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, considera o caso do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), obrigado a deixar temporariamente o País após ameaças de morte, uma "derrota da sociedade". Freixo, que está no segundo mandato, presidiu a CPI das milícias em 2008, na qual foram indiciadas 220 pessoas. A investigação a fundo desses grupos paramilitares tornou o parlamentar potencial alvo dos milicianos. Desde então, o deputado passou a contar com escolta 24 horas.
- Os que combatem o crime têm que se esconder e se proteger, e os criminosos, quando são presos, saem pela porta da frente do batalhão prisional de Benfica (Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar). Acho que o caso reflete a gravidade do quadro. Se todos os deputados fizessem o que tinham que fazer, se todos os juízes fizessem o seu dever, então, os deputados individuais que fazem isso (combatem os grupos criminosos) não correriam risco. Como, infelizmente, são poucos os que fazem, esses poucos correm um risco pessoal muito grande. Então, é uma obrigação da sociedade proteger essas pessoas que, no fundo, estão servindo a sociedade, arriscando sua integridade pelo bem comum - diz Cano.
Em entrevista a Terra Magazine no dia 13 de abril deste ano, Marcelo Freixo destacou a proliferação dos grupos milicianos no Rio de Janeiro, mesmo após a CPI, e apontou, como um dos principais motivos, o fato de o poder público "não cortar os braços econômicos" da rede criminosa. "Se não cortar deles o domínio do gás, da van, do 'gatonet', vão continuar crescendo, mesmo com seus líderes presos", disse Freixo, na ocasião.
Ignacio Cano, que em 2008 coordenou a pesquisa "Seis por Meia Dúzia?", trabalho desenvolvido junto a moradores de áreas dominadas por milícias na capital e na Baixada Fluminense, concorda.
- O que movimenta esse fenômeno todo é o lucro. Portanto, o lucro é o nó da questão. Acho que é preciso ter uma presença ostensiva do Estado, ou seja, policiamento para evitar esse domínio territorial. A curto prazo, só é possível acabar com isso com a presença ostensiva do Estado - afirma o pesquisador, acrescentando:
- Seria necessário ainda uma investigação criminal, que está acontecendo em alguma medida, mas teria que ser expandida. O terceiro elemento é a regulação das atividades irregulares. Transporte alternativo, por exemplo, que tem que ser regulado ao invés de ignorado ou perseguido - enfatiza Cano, responsável por outra pesquisa sobre milícias, cuja conclusão está prevista para o começo do ano que vem.
Na avaliação do sociólogo, o governo do Rio de Janeiro não está lidando adequadamente com o problema, apontado como uma das mais graves questões de segurança pública do Estado.
- É um problema grave e não é fácil de lidar, mas o que o Estado tem feito obviamente não é suficente. Senão, o deputado Marcelo Freixo não estaria sendo ameaçado e saindo do país.
TERRA MAGAZINE

A queda da produção na indústria e a importação

A queda da atividade industrial de setembro, de 2% em relação a agosto, foi maior do que se previa.
Na verdade, a produção ficou 1,6% abaixo do mesmo mês de 2010 - e a queda foi generalizada. Com exceção dos bens intermediários, todas as categorias de uso tiveram resultados negativos. Em 14 dos 27 ramos e em 43 dos 76 subsetores, a produção caiu em 53% dos 755 itens analisados. Dificilmente se encontra nas pesquisas do IBGE um quadro tão negro.
Como explicar o que parece refletir uma perspectiva altamente negativa para a demanda nas festas natalinas? Há tempos vimos sinalizando essa tendência das empresas industriais brasileiras que se curvaram facilmente diante do processo de importação porque isso permite que elas reduzam seus estoques, cuja manutenção tem custo elevado num quadro de taxa de juros alta e de carga tributária excessiva.
Num país como o nosso, prefere-se transferir parte dessa carga para quem exporta para o Brasil. A ligeira melhora da taxa cambial, que favoreceria a exportação, não teve a continuidade esperada, enquanto a crise na União Europeia frustrava a esperança de um pequeno progresso nas vendas para o exterior.
Malgrado uma elevação do custo dos produtos importados, não se renunciou a aumentar as importações, que nos três últimos meses se aproximaram de uma média de US$ 1 bilhão por dia útil.
A produção de bens de capital, que grosso modo permite avaliar o grau de confiança das empresas industriais, apresentou em setembro um recuo de 5,5%, o mais forte desde fevereiro de 2009. Essa redução atingiu, em particular, os equipamentos de transporte e as máquinas para fins industriais, o que reflete bem a falta de confiança da indústria numa possível retomada da atividade.
O recuo da produção de veículos, de 11%, puxou incontestavelmente o do conjunto da indústria. A existência de estoques superiores ao normal levou as montadoras a reduzir a atividade.
O setor de mineração recebeu o impacto da queda da demanda internacional, acompanhado de uma modificação na fixação dos preços do minério de ferro.
Entre as atividades em que houve aumento da produção, registram-se a da indústria alimentícia (3,3%), que não depende tanto da importação; a dos produtos químicos (4,2%); e a dos equipamentos de informática (9,6%).
Em outubro, porém, houve uma forte redução dos estoques, que deve levar a indústria a se preparar, com atraso, para a demanda das festas do fim do ano.
ESTADÃO

Crise mundial do emprego

JUAN SOMAVIA, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - O Estado de S.Paulo
O panorama mundial de emprego é terrível. O desemprego afeta mais de 200 milhões de pessoas e continua aumentando. A taxa atual de crescimento do emprego - de 1%, ou menos, anual - não permitirá que se restabeleçam os 30 milhões de postos de trabalho perdidos desde que começou a crise, em 2008.
Os números do desemprego, no entanto, são apenas parte da história. Eles ocultam o fato de que milhões de pessoas têm trabalho somente em tempo parcial porque carecem de uma alternativa melhor, adiam sua entrada no mercado de trabalho ou abandonaram a busca de trabalho. Ainda antes da crise, metade do emprego fora da agricultura estava na economia informal e dois de cada cinco trabalhadores no mundo viviam abaixo da linha de pobreza, de US$ 2 por dia por pessoa.
Os jovens estão sendo particularmente afetados: o desemprego juvenil atinge 80 milhões de pessoas, uma taxa duas ou três vezes superior à dos adultos.
O desemprego e a desigualdade de renda são denominadores comuns de protestos que se multiplicam em diferentes partes do mundo. Além disso, milhões de pessoas têm trabalho, mas carecem de elementos básicos: direitos, proteção social e voz. Em 25 países foram realizados protestos relacionados com o emprego.
A situação pode piorar. Com a desaceleração da economia desde meados de 2011, estamos à beira de uma recessão mundial do emprego, que poderá durar uma década. E se ignorarmos a aspiração comum de uma oportunidade justa de acesso a um trabalho decente, as consequências sociais e políticas poderão ser catastróficas.
Quando os líderes do Grupo dos 20 (G-20) estiverem reunidos, esta semana, em Cannes (França), seu maior desafio será manter-se em contato com seus cidadãos e responder ao crescente descontentamento mundial. Eles se esforçarão para acalmar os mercados financeiros e assegurar que, primeiro, a zona do euro, em seguida, os Estados Unidos e, finalmente, o Japão resolverão sua crise de dívida soberana. É urgente apagar os incêndios financeiros com medidas e normas de emergência.
Para conservar a legitimidade política, no entanto, o G-20 deverá enfrentar com o mesmo vigor a tragédia dos milhões de desempregados e de trabalhadores precários, que estão pagando o preço de uma crise pela qual não são responsáveis. Como propuseram os ministros do Trabalho e Emprego do G-20 em sua reunião de Madri (Espanha), são indispensáveis medidas dirigidas a estimular diretamente o aumento do emprego. É provável que as cúpulas de Negócios e de Trabalho do G-20 manifestem o seu apoio a essa posição.
Os líderes do G-20 podem dirigir os seus esforços de recuperação econômica mundial para o caminho do trabalho decente, baseando-se em sólidas associações público-privadas. Isso se traduz em quatro medidas concretas que já demonstraram a sua eficácia:
Em primeiro lugar, aumentar os investimentos em infraestrutura geradores de empregos, do nível atual de 5% a 6% do produto interno bruto (PIB) para 8% a 10%, nos próximos cinco anos. A China e a Indonésia demonstraram que esse tipo de investimento é crucial para manter o emprego durante uma desaceleração da economia.
Em segundo lugar, garantir que pequenas e médias empresas - a principal fonte de criação de empregos - tenham acesso ao financiamento bancário e a sistemas de apoio à gestão, e que os créditos aumentem. Isso foi feito no Brasil e no México.
Em terceiro lugar, concentrar-se no emprego para os jovens, por meio de estágios, serviços de orientação e formação empresarial, a fim de facilitar a transição da escola para o trabalho. Os países que seguiram essa rota, como Alemanha, Austrália e Cingapura, têm taxas de desemprego juvenil mais baixas.
Finalmente, estabelecer pisos de proteção social nos países com baixa cobertura. Isso pode ser realizado com um custo entre 1% e 2% do PIB, dependendo do país. Os esquemas de proteção social financiados com recursos públicos na Argentina, no Brasil, na Índia, no México e na África do Sul estão ajudando milhões de pessoas a sair da pobreza.
Se os países se concentrarem nessas prioridades, ao mesmo tempo que elaboram planos sérios e socialmente responsáveis para financiar a dívida soberana e consolidar as finanças públicas, a recuperação será mais sólida. A meta é impulsionar a taxa mundial de crescimento do emprego a 1,3%, permitindo que em 2015 seja recuperada a taxa de emprego da população em idade de trabalhar que existia antes da crise.
O respeito aos direitos fundamentais no trabalho e a consideração das reivindicações das pessoas, por meio do diálogo social, permitirão a construção de um consenso em torno de políticas que respondam às exigências de renda, justiça e dignidade.
O mundo enfrenta um desafio de igualdade. A percepção de que alguns bancos são demasiado grandes para fracassar e algumas pessoas são demasiado pequenas para serem levadas em conta e, ainda, a de que os interesses financeiros predominam sobre a coesão social minam a confiança das pessoas.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apela aos líderes do G-20, em Cannes, para que a economia real seja posta no comando da economia mundial; para que o setor financeiro seja orientado para investimentos produtivos em longo prazo em empresas sustentáveis; para que sejam ratificadas e aplicadas as oito normas fundamentais do trabalho; e para que promovam o emprego, a proteção social e os direitos básicos no trabalho com a mesma diligência aplicada para controlar a inflação e equilibrar as finanças públicas.
Essas medidas permitirão assentar as bases de uma nova era de justiça social.
ESTADÃO

luishipolito@outlook.com

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