terça-feira, 8 de novembro de 2011

Rússia diz que relatório da ONU sobre Irã virou "fonte de tensões"

A Rússia considerou nesta terça-feira que a publicação nas últimas semanas de conclusões do relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) sobre o programa nuclear iraniano alimentou "tensões" entre as grandes potências e Teerã, em um comunicado no Ministério de Relações Exteriores.


"Moscou está muito decepcionada porque o relatório da AIEA sobre o Irã está se transformando em uma fonte que soma tensões aos problemas relacionados ao programa nuclear iraniano", afirmou o Ministério de Relações Exteriores em comunicado.

A Rússia, que afirmou em seu comunicado não ter "recebido o texto completo do relatório", se questiona sobre "a capacidade" da agência de "garantir a confidencialidade" de seus documentos.

Há várias semanas, diplomatas ocidentais afirmaram na imprensa que o relatório faz eco às suspeitas sobre as ambições militares do programa nuclear iraniano, o que Teerã sempre desmentiu.

O presidente israelense, Shimon Peres, havia advertido no domingo que "a possibilidade de um ataque militar contra o Irã" - adversário de Israel - estava mais próxima que uma opção diplomática.

Nesta terça-feira, em um relatório confidencial ao qual a AFP teve acesso, a AIEA expressa "sérias preocupações sobre uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano", baseando-se em informações "confiáveis".

A Rússia afirmou que a publicação das conclusões desse documento leva dificuldades aos esforços diplomáticos.

"Temos nossas dúvidas sobre a justificativa das medidas vinculadas à ampla publicação do conteúdo do relatório", descatou o Ministério de Relações Exteriores, considerando que o princípio sobre o tema iraniano devia ser "não causar prejuízos".

Washington e seus aliados ocidentais não ocultaram sua intenção de utilizar o relatório da AIEA para endurecer suas sanções individuais contra o Irã e tentar convencer Moscou e Pequim, até agora reticentes, a reforçar as adotadas pela ONU desde 2007.

FRANCE PRESS/FOLHA

Organizações protestam contra cena de sexo gay em "Glee"

Duas organizações não acharam nenhuma graça no anúncio de que um episódio do seriado americano "Glee" vai ter uma cena de sexo entre dois adolescentes gays.
Os personagens Kurt (Chris Colfer) e Blaine (Darren Criss), que são namorados na trama, vão ter uma relação sexual pela primeira vez no episódio que vai ao ar nesta terça-feira (8) nos Estados Unidos.
O mesmo episódio também deve mostrar a primeira vez de Rachel (Lea Michele) e Finn (Cory Monteith).
O Culture and Media Institute diz que o seriado promove uma "propaganda homossexual" e que está "ultrapassando os limites do que é aceitável na TV aberta".
Já o Conselho de Pais para a Televisão (PTC, na sigla em inglês) disse que o problema não é o gênero dos personagens, mas a idade deles.
"O fato de 'Glee' exibir e celebrar crianças fazendo sexo é repreensível", diz o presidente da organização, Tim Winter, que chama ainda o criador da séria, Ryan Murphy, de "depravado".
A Fox não se pronunciou sobre o assunto.
No Brasil, a terceira temporada da série estreia no dia 23 na Fox.
FOLHA

Vestido que Amy Winehouse usou em capa de álbum é leiloado

O vestido de chiffon que Amy Winehouse usou na capa de seu álbum "Back to Black" será leiloado no dia 29 de novembro em Londres, com o objetivo de arrecadar fundos para a fundação que leva seu nome.

A casa de leilões Kerry Taylor indicou que o modelo, assinado pela estilista Disaya, tem um preço estimado de entre 10 mil e 20 mil libras (entre US$ 16 mil e US$ 32 mil).

O modelo é um vestido curto de cor crua estampado com linhas vermelhas. Na capa de "Back to Black", álbum que saiu em 2006 e vendeu mais de 3,2 milhões de cópias, Amy também usava um cinto vermelho.

De acordo com a empresa responsável pelo leilão, que acontecerá na Galeria de Londres, foi a própria estilista que ofereceu o modelo para ser leiloado.

Quando Amy preparava a capa de seu segundo disco ainda não era tão conhecida, e outros estilistas famosos rejeitaram emprestar seus modelos para a fotografia do álbum, que inclui sucessos como "Rehab".

Após a sessão de fotos na casa do fotógrafo Mischa Richter, a equipe de Winehouse devolveu o vestido a sua criadora, que agora decidiu tirá-lo de seu acervo para ser leiloado.

O dinheiro arrecadado irá para a fundação Amy Winehouse de ajuda a projetos juvenis, iniciada pelos pais da cantora, Mitch e Janis, após a morte de sua filha em Londres.

EFE/FOLHA

Berlusconi confirma que renunciará ao cargo de premiê da Itália

Cedendo a crescentes pressões políticas, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, confirmou nesta terça-feira que renunciará ao cargo após a aplicação das medidas de austeridade para reduzir o deficit público do país exigidas pela União Europeia.

"Depois da aprovação da Lei de Estabilidade, apresentarei minha demissão, de modo que o chefe de Estado possa abrir as consultas e decidir sobre o futuro", disse, acrescentando que essa decisão "não me diz respeito".

"Eu vejo só a possibilidade de novas eleições. O Parlamento está paralisado", acrescentou.

A pressão política pela saída de Berlusconi aumentou com a votação da revisão das contas fiscais de 2010. O projeto passou, mas sem maioria parlamentar. Isso porque a oposição do país, em vez de votar contra, não votou para não atrapalhar a já combalida situação econômica do país.

Do total de 630 parlamentares, 308 votaram a favor do projeto fiscal, um se absteve e 321 não votaram. Assim, o projeto foi aprovado mas o premiê ficou sem a maioria de 316.

A votação desta terça-feira era considerada um voto de confiança informal no atual governo. Sem a maioria, já era previsto que o primeiro-ministro sairia.

O anúncio chega após uma reunião do premiê com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, no palácio do Quirinale, sede da Presidência da Itália, junto a lideranças do partido direitista Liga Norte, da base do governo.

Segundo o comunicado da Presidência, Berlusconi teria dito que tem consciência das implicações da votação de hoje e expressou preocupação com a necessidade de dar respostas aos parceiros europeus.

Logo após a votação, o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, afirmou que, independente do resultado, os números teriam que ser levados para o chefe de Estado do país.

ALIADOS RETIRAM APOIO

Além das crescentes pressões das lideranças da zona do euro e da oposição, nesta terça-feira o premiê recebeu um pedido de renúncia de sua própria base governista.

"Pedimos que ele se afastasse", afirmou o chefe da Liga Norte, Humberto Bossi, aliado de Berlusconi na coalizão de centro-direita no poder.

Bossi também afirmou que seu partido irá apoiar Angelino Alfano, considerado "herdeiro político" de Berlusconi, para a chefia de um novo governo.

Alfano, ex-ministro da Justiça do governo de Silvio Berlusconi, é atualmente secretário-geral do PDL (Povo da Liberdade - partido de Berlusconi), e seu nome poderia receber um apoio relativamente grande para liderar um governo de transição no qual entraria a oposição centrista.

"SITUAÇÃO PREOCUPANTE"

Mais cedo, o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, disse após o fim de uma reunião de ministros de Finanças da União Europeia que a situação na Itália é "muito preocupante".

"A Itália tem registrado vários movimentos e não sabemos quais serão seus desfechos", disse ainda Rehn. Segundo ele, a Europa está "acompanhando a situação atentamente".

Também nesta terça-feira, autoridades da Finlândia e da Áustria alertaram que a Itália é um país excessivamente grande para ser resgatado em um pacote de ajuda, a exemplo do que está sendo feito com a Grécia.

O primeiro-ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, disse que a Itália é um país grande demais para ser resgatado por um programa de ajuda. "É difícil ver que nós na Europa teríamos os recursos para colocar um país do tamanho da Itália em um programa de resgate", afirmou em discurso no Parlamento.


Ecoando a visão do finlandês, a ministra austríaca da Economia, Maria Fekter, afirmou que, devido ao tamanho da Itália, Roma deve adotar medidas de ajuste fiscal para não precisar de um resgate europeu, a exemplo dos gregos.

"A Itália sabe que, por seu tamanho, não pode receber ajuda externa", afirmou Fekter aos jornalistas antes de uma reunião de ministros da União Europeia em Bruxelas. "Por isto a Itália deve fazer sacrifícios".

INCERTEZAS

Com as dúvidas latentes sobre a possibilidade do governo do premiê Silvio Berlusconi cumprir as metas de redução do deficit público, os investidores fugiam nesta sessão do mercado da dívida italiana, o que levou as taxas de juros dos títulos a dez anos a um novo recorde desde a instauração da zona do euro.

O rendimento dos títulos italianos alcançava 6,73%, um nível insustentável para a enorme dívida do país. Além disso, a nota de risco da Itália alcançou um novo pico histórico, com 495 pontos básicos, chegando a níveis inacessíveis para o financiamento da economia nacional com normalidade.

FOLHA

Idosa é encontrada morta dentro de casa na Grande São Paulo

Uma idosa foi encontrada morta com sinais de estrangulamento na manhã desta terça-feira em Salesópolis (Grande São Paulo). Segundo a polícia, a casa, localizada no bairro Fartura, foi arrombada.

Por volta das 9h, os policiais chegaram ao local e encontraram o corpo de Benedita Almeida da Silva, 74, caído no chão do quarto. Além das marcas no pescoço, ela tinha perfurações pelo corpo.

A polícia foi acionada a partir de uma denuncia anônima.

O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Mogi das Cruzes (Grande SP). O caso será investigado pela Delegacia de Salesópolis.

FOLHA

'Entrevista perdida' de Steve Jobs será exibida em cinemas

Fãs de Steve Jobs terão a chance de ver imagens inéditas de uma entrevista do cofundador da Apple quando "Steve Jobs: The Lost Interview" (Steve Jobs: a entrevista perdida) chegar a salas de cinema dos EUA, ainda neste mês.

A entrevista de 70 minutos foi gravada nos anos 90, antes de Jobs retornar à Apple. Ele fundou a empresa em 1976, com Steve Wozniak, e saiu dela em 1985. Voltou à Apple em 1997 e é tido como o responsável pelo resgate financeiro da empresa.

Dez minutos da entrevista apareceram na minissérie da PBS "Triumph of the Nerds" (Triunfo dos Nerds), de 1995. As fitas master desapareceram, mas uma cópia não editada da entrevista foi recentemente encontrada.

A entrevista será exibida nos cinemas Landmark em 19 cidades dos EUA a partir 16 de novembro.

Jobs morreu em 5 de outubro, após uma longa batalha contra o câncer de pâncreas. Ele tinha 56 anos.

ASSOCIATED PRESS/FOLHA

Neonazistas alemães usam o futebol para divulgar sua ideologia

Extremistas de direita se misturam aos torcedores ou fazem trabalhos voluntários em clubes amadores de futebol. O objetivo é sempre o mesmo: divulgar sua ideologia.


O futebol é a modalidade esportiva mais popular da Alemanha, e também os políticos gostam de "tirar uma casquinha" da popularidade do esporte. Até mesmo a chanceler federal alemã, Angela Merkel, apareceu na mídia, durante a Copa do Mundo de 2006, ao lado de jogadores ou acompanhando jogos nos estádios.
Mas não só os políticos fazem uso da popularidade do esporte das massas. "Por saber disso, grupos neonazistas fazem o mesmo", afirma o jornalista Ronny Blaschke, autor do livro Angriff von Rechtsaussen – wie Neonazis den Fussball missbrauchen (Ataque da extrema direita – como neonazis se aproveitam do futebol).
Ele não se concentrou nas ligas profissionais, pois nelas a exposição de símbolos da extrema direita, como a suástica, por torcedores de tendência neonazista é sabidamente mais difícil, mas privilegiou o esporte amador. Ainda assim, o resultado da apuração feita por Blaschke em diversos clubes alemães e no seu entorno é assustador: o futebol alemão tem um problema, tanto no Leste como no Oeste. É só uma questão de observar com cuidado.
Neonazistas não são facilmente reconhecíveis
Jaquetas de couro, cabeça raspada e coturno: esse estilo já está ultrapassado, segundo Blaschke. "Não se pode mais reconhecer tão facilmente os neonazistas. E no futebol isso fica claro". Nesse meio, os radicais de direita expressam sua ideologia através de códigos ou símbolos específicos.
Eles priorizam, por exemplo, certas grifes de roupa. Também os escudos dos clubes são complementados com a águia imperial alemã. Ou, em jogos das ligas amadoras, um grupo uniformizado de torcedores neonazistas se dispõe nas arquibancadas de maneira a formar uma "suástica humana".
Números estampados nas camisetas dos clubes também podem trazer uma mensagem. Por exemplo, o 88. "Isso poderia ser a idade da avó ou o ano de nascimento do filho. Mas pode também ser a saudação 'Heil Hitler': o H é a oitava letra do alfabeto". O mesmo vale para a combinação de 1 e 8, que equivaleriam à primeira e à oitava letra do alfabeto: A e H, iniciais de Adolf Hitler.
Futebol: plataforma perfeita
Além de tudo isso, a estrutura das torcidas organizadas extremistas, como os ultras, fornece pontos de contato para os grupos de extrema direita. Assim como os grupos neonazistas, as torcidas organizadas são compostas principalmente por homens jovens, que se organizam de forma hierárquica e para os quais o clube significa muito mais do que uma simples ocupação das horas vagas.
"Frequentemente ouvi de torcedores o mesmo vocabulário dos integrantes do NPD [partido alemão de extrema direita]", relata Blaschke. "Honra, coesão, pátria, lealdade. É, portanto, muito fácil combinar uma coisa com a outra", afirma o jornalista.
O assistente social Andreas Schmidt observa fenômeno semelhante. Ele trabalha no projeto voltado aos torcedores do Colônia. Ele lembra que no futebol trata-se também de criar rivalidade e excluir os adversários. "Xingamentos são comuns no futebol. A questão é somente como alguém será xingado", diz Schmidt.
Quem já esteve numa arquibancada e já prestou atenção aos cantos das torcidas sabe exatamente do que Schmidt está falando. Antigos ídolos que trocaram de camisa e agora jogam para o arquirrival são chamados de "ciganos", por exemplo. Também homofobia e outros tipos de insultos são comuns. Quando se faz parte de uma massa anônima, preconceitos e difamações vêm com mais facilidade à tona.
Clubes amadores
Principalmente no esporte amador, Blaschke observou reiteradamente como neonazistas se infiltram nas torcidas ou até mesmo atuam como trabalhadores sociais voluntários nos clubes, como treinadores de divisões de base ou até mesmo como árbitros de partidas.
O futebol é o espaço perfeito para isso, se comparado a outros esportes. "Isso existe também no basquete e no handebol, mas não é tão desenvolvido e reforçado pela tradição e pela cultura", explica. No esporte amador, um neonazista ou um integrante do NPD também poderia ser treinador de natação, por exemplo. "No hóquei no gelo, eu já ouvi falar de coisas assim, mas não é uma prática comum".
Blaschke enumera uma série de exemplos que mostram que hoje os neonazistas divulgam sua mensagem de forma muito mais sutil, e que não é possível separar futebol e política, mesmo que muitos torcedores não queiram admitir isso.
Ele cita, por exemplo, o caso de um líder de torcida organizada "ultra", candidato a representante municipal pelo NPD, que usa as cores do seu clube de futebol nos seus cartazes de propaganda.
O que fazer?
O projeto voltado aos torcedores do Colônia se engaja em diferentes campanhas de esclarecimento e também organiza excursões para centros de memória sobre as consequências do extremismo de direita. Existem também diversas iniciativas isoladas, que tem a juventude como público-alvo.
O Arquivo de Imprensa Antifascista de Berlim, por exemplo, apoia muitas dessas iniciativas e presta esclarecimentos sobre diferentes emblemas e códigos usados pelos neonazistas.
A questão não é nova, mas pouco é feito para enfrentá-la. Também por definição o problema não é tão simples. O que é exatamente "extrema direita" e quem pode ser classificado como tal? Blaschke alerta que é preciso ter muito cuidado para julgar, quando se trata, por exemplo, de hooligansskinheads ou ultras. "É tudo muito difícil de decodificar. É preciso se esforçar e analisar separadamente".
Autora: Olivia Fritz (mp)

Revisão: Alexandre Schossler


DEUTSCHE WELLE

Outro feudo, outro escândalo

Se o ministro Gilberto Carvalho, titular da Secretaria-Geral da Presidência, se diz cansado das crises provocadas por denúncias de corrupção no governo, que dirá a sociedade que afinal é quem paga a conta dos malfeitos, como costuma dizer a presidente Dilma Rousseff? O desabafo do ministro se seguiu a outra revelação do gênero - a da existência de um esquema de extorsão de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com o Ministério do Trabalho, apropriado pelo chefão do PDT, Carlos Lupi. Segundo a revista Veja, dirigentes de uma ONG do Rio Grande do Norte, o Instituto Êpa, e de outra, denominada Oxigênio, sediada no Rio de Janeiro informaram que as entidades, contratadas para ministrar cursos de capacitação profissional, foram alvo do clássico golpe da criação de dificuldades para a venda de facilidades.
A certa altura da execução dos convênios, as ONGs eram avisadas de que, por supostas irregularidades que teriam cometido, não receberiam novos repasses - a menos que molhassem as mãos de seus interlocutores da cúpula do Trabalho com 5% e 15% do valor dos contratos. Os achacadores seriam um então assessor de Lupi, o deputado federal maranhense Weverton Rocha, e o coordenador-geral de Qualificação da pasta, Anderson Alexandre dos Santos. A dupla respondia ao chefe de gabinete do ministro, Marcelo Panella, não por acaso tesoureiro do PDT, para onde se destinaria, no todo ou em parte, o cala-boca extraído dos ongueiros. Não se sabe com que grau de detalhamento, mas o fato é que o Planalto tinha ciência dos podres do feudo de Lupi, outro dos ministros que a presidente foi obrigada a herdar de seu patrono Lula.
Tanto assim que, em agosto último, Dilma mandou demitir Panella. No sábado, Lupi teve de afastar Santos pelo tempo que durar a sindicância por ele anunciada, enquanto recitava a mesma lengalenga a que recorreram os cinco colegas que acabariam varridos do Gabinete: não compactua com desvios de recursos públicos, mas as denúncias devem respeitar o princípio do amplo direito de defesa. Ao blá-blá-blá de sempre, o bravateiro Lupi acrescentou uma provocação: "Tem muita gente graúda incomodada com a minha presença no Ministério, mas vão ter que me engolir". Ele sabe que já estava marcado para cair na reforma ministerial prevista para o começo do ano. O seu medo maior é o desmonte da usina de beneficiamento do PDT a que o Trabalho foi reduzido, na operação lulista de cooptação da Força Sindical liderada por outro notório personagem, o deputado Paulo Pereira da Silva.
A julgar pelo retrospecto recente, no entanto, ele não precisa se preocupar. Quando se tornou insustentável a permanência do ministro Orlando Silva, do PC do B, no Esporte, a única dúvida no Planalto era sobre o nome do camarada que iria lhe suceder. O partido impôs o deputado Aldo Rebelo. O antecessor, como se sabe, foi levado a se imolar por causa das maracutaias nos convênios da pasta com ONGs, algumas delas criadas para repartir com o PC do B o dinheiro recebido. Por bem ou por mal, como se vê agora no escândalo envolvendo o PDT, a cobrança de pedágio das entidades do Terceiro Setor interessadas em contratos com a administração federal é uma forma rotineira de irrigar finanças partidárias. Mas o problema não se resolve com a "tradicional" retirada do sofá da sala.
Restringir os convênios apenas a entes públicos, como pretende Rebelo, é um retrocesso na gestão dos programas de promoção social em qualquer nível de governo. É ainda abrir mão do dever - e do poder - de fiscalizar adequadamente o uso dos recursos arrecadados da sociedade. Trata-se de separar o joio do trigo e instituir normas de habilitação das ONGs que impeçam políticos corruptos de fechar negócio com aquelas que, com avidez ou a contragosto, farão a sua parte no cambalacho. Essa seria a intenção da presidente, depois do pente-fino que mandou passar em todos os convênios do Executivo. A higienização, de toda maneira, é um ponto de partida, não de chegada. Esse é o desmanche da engrenagem que enlaça apoio parlamentar ao Planalto e arrendamento aos partidos, chaves na mão, de setores inteiros do governo. Mas isso não está no horizonte.
ESTADÃO

Sociedade civil e educação na América Latina

Fernando Carrillo-Flórez, representante do BID no Brasil - O Estado de S.Paulo
A incidência de movimentos sociais voltados para a educação na América Latina e no Caribe tem aumentado nos últimos anos. São organizações criadas por líderes civis, sociais e empresariais que compartilham a visão de que a promoção da educação de qualidade para crianças e jovens, sobretudo no que diz respeito ao acesso, é uma das estratégias mais eficazes para tornar a nossa sociedade menos desigual e mais competitiva.
Para tanto é necessário mobilizar a opinião pública em torno desse objetivo, incentivando, apoiando e trabalhando junto aos governos para manter as políticas públicas em dia. Esse trabalho é amplo e complexo. A educação básica na América Latina e no Caribe constitui-se num desafio e numa oportunidade, ao mesmo tempo.
Hoje praticamente todas as crianças da região alcançam a educação básica e o acesso aos níveis fundamental e médio vem aumentando consideravelmente. Isso ocorre porque a maioria dos sistemas educativos da região implementou diversas reformas. De todo modo, os avanços não são suficientes. Ainda há crianças e jovens fora da escola e permanecem padrões intoleráveis de exclusão e iniquidade.
Em nossa região há 23 milhões de crianças e jovens - entre 4 e 17 anos - fora do sistema educativo. Entre os que estão em idade pré-escolar, 30% não vão à escola. E esse índice ultrapassa os 40% em grupos de populações mais vulneráveis - comunidades pobres, rurais, indígenas e afrodescendentes.
Ainda assim, o principal desafio educacional da região, atualmente, é a baixa qualidade de aprendizagem dos estudantes. Estudos nacionais, regionais e internacionais indicam que os graus de aprendizagem são muito baixos em todos os níveis, assim como são desiguais entre grupos socioeconômicos; inferiores aos países desenvolvidos e de renda per capita similar; e inadequados para as novas demandas sociais.
A evidência empírica sugere que os estudantes latino-americanos não estão adquirindo os níveis necessários de habilidades-chave para a construção de sociedades democráticas e igualitárias. Essa situação é explicada pelo baixo investimento por aluno, pelo atraso e concentração da gestão educativa, pela carência de sistemas de monitoramento e avaliação da qualidade, pelos precários e eventuais perversos incentivos ao ensino e pela falta de visão estratégica e continuidade nas políticas públicas.
O conteúdo do ensino não condiz com a realidade dos estudantes, que abandonam prematuramente os estudos; os professores perderam o prestígio e respeito nas comunidades e deixaram de cumprir sua tradicional função de liderança; os pais não sabem o que exigir das escolas; e os grupos sociais atuam sem objetivos comuns.
Diante dessa realidade, os movimentos sociais e organizações da sociedade civil dedicados à educação vêm desempenhando papel fundamental. Essas organizações são o "termômetro" do que acontece na sala de aula e no ambiente escolar. Atuam diretamente nas comunidades e unidades de ensino, com professores, alunos e grupos familiares. Desenvolvem análises, estudos, projetos educacionais complementares e apoiam o desenho e construção de políticas públicas.
No Brasil, o Movimento Todos pela Educação é um exemplo de como a iniciativa privada, a academia e gestores públicos podem reunir esforços numa agenda de desenvolvimento ampla, com ações concentradas e coordenadas. Esse movimento busca o mesmo que as outras organizações da região dedicadas ao tema: garantir o direito de todas as crianças e jovens a uma educação de qualidade.
Nos outros países da América Latina e do Caribe, a universalização do ensino também é perseguida e movimentos bem estruturados começam a apresentar resultados. Nesse contexto, a construção de uma rede com essas organizações, considerando as grandes similaridades entres os países latino-americanos, poderia ser a ponte de compartilhamento de experiências bem-sucedidas e lições aprendidas.
Por considerar todas essas variáveis, a Rede Latino-americana de Movimentos Sociais para a Educação começa a ganhar corpo. Organizações da sociedade civil de Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Guatemala, Honduras, El Salvador, México, Peru, República Dominicana, Panamá e Equador reuniram-se em 16 de setembro, em Brasília, para marcar o compromisso público de contribuir para a universalização da educação de crianças e jovens.
Trata-se de uma rede diversa, tanto no tocante às origens de cada organização quanto ao percurso já transcorrido, o que só enriquece o intercâmbio do conhecimento a ser aplicado. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tem apoiado essa iniciativa, tendo como principal missão aprender com tais organizações e facilitar a sua articulação.
É importante pensar a educação não apenas no contexto nacional, mas buscando níveis educacionais ascendentes para toda a região. E isso requer um compromisso de todos os países, de seus respectivos gestores públicos, da sociedade civil, da academia e do setor privado.
A ideia da rede é criar condições para que as políticas públicas dos países latino-americanos sejam bem-sucedidas, com ações que visam ao acesso ao conhecimento, à transferência, adoção e adaptação de soluções estratégicas e ao aumento do potencial de incidência dos governos, a partir de uma maior visibilidade com novos canais de comunicação.
Ainda no marco da cooperação Sul-Sul, esse tipo de iniciativa evidencia a necessidade de que os países trabalhem cada vez mais integrados diante dos desafios do desenvolvimento de nossa região. Nesse sentido, a educação é fator primordial de uma agenda de reformas sociais em que o Brasil vem demonstrando liderança. Nascem uma nova base de apoio aos gestores públicos da região e uma nova forma de pensar a educação, com o fortalecimento e a participação da sociedade civil.
ESTADÃO

Exportações em risco

O Brasil perderá US$ 10 bilhões de receita comercial no próximo ano, por causa do esfriamento da economia global e da redução dos preços de commodities, segundo o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, citado em reportagem do Estado. O barateamento dos produtos básicos também está nas contas do Banco Central (BC) e essa perspectiva foi invocada para justificar o corte dos juros. As projeções dos especialistas variam, mas coincidem em pelo menos dois pontos. As cotações de produtos básicos e semimanufaturados deverão cair, se o crescimento chinês perder impulso e os mercados desenvolvidos continuarem estagnados. Além disso, serão afetados principalmente os preços dos minérios, porque a oferta de alimentos permanecerá apertada dando sustentação internacional aos preços agrícolas.
Se essas expectativas forem confirmadas, o BC e o governo terão um ponto a favor de sua política de redução de juros, mas o superávit comercial diminuirá e o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos aumentará. As autoridades parecem pouco interessadas, no entanto, em fortalecer as contas externas por meio de um aumento das exportações.
Pelos cálculos de Fábio Silveira, o saldo comercial cairá de US$ 30 bilhões em 2011 para US$ 20 bilhões no próximo ano. Pelas estimativas do setor financeiro e de consultores independentes, coletadas pelo BC, o superávit na conta de mercadorias passará de US$ 27 bilhões para US$ 18,9 bilhões. As variações são muito parecidas. Além disso, o mercado projeta um aumento do déficit em conta corrente de US$ 55 bilhões neste ano para US$ 68,9 bilhões em 2012, portanto, maior do que o investimento estrangeiro direto previsto para o próximo ano, de US$ 53 bilhões.
Projeções são muitas vezes desmentidas pelos fatos, mas esse ponto é secundário neste momento. A mera perspectiva de forte redução dos preços de algumas commodities obriga a uma reflexão sobre a estrutura das exportações brasileiras e sobre as principais parcerias comerciais do País. Por muitos anos, as vendas de manufaturados garantiram a maior parte da receita comercial brasileira. Isso mudou há algum tempo e a dependência em relação às commodities ainda se acentuou em 2011.
De janeiro a outubro os exportadores brasileiros faturaram US$ 212,1 bilhões, 29,3% mais do que um ano antes. Quase metade (48%) desse valor foi proporcionada pelas vendas de produtos básicos. Se forem considerados também os semimanufaturados, como açúcar em bruto, celulose, óleo de soja em bruto e certos produtos metálicos, as commodities terão gerado 62,1% da receita comercial.
Esse resultado, essencial para o superávit na conta de mercadorias, dependeu neste ano, como em 2010, principalmente dos bons preços no mercado internacional. Na média, os preços cresceram bem mais do que os volumes embarcados e isso se deveu em boa parte à demanda chinesa, ainda muito vigorosa, e à de outros emergentes, principalmente asiáticos.
Este é outro dado importante para a avaliação da estratégia nacional: neste ano, até outubro, os mercados da Ásia garantiram 30,2% da receita brasileira de exportações. Nenhuma outra região teve peso tão grande no faturamento comercial brasileiro. A China absorveu 17,5% das exportações brasileiras, medidas em dólares. Nessa parceria, o mercado chinês comprou quase só commodities e vendeu quase só produtos manufaturados.
As cotações de commodities são mais sujeitas a oscilações do que os preços dos manufaturados. Mas o governo brasileiro exibe outras preocupações quando se trata da indústria. Cria barreiras contra a importação, mas pouco faz para apoiar as exportações. Em vez disso, uma das novidades que nos reservou para este ano foi a redução do Proex. O orçamento do Proex-Financiamento, fixado inicialmente em R$ 1,3 bilhão, foi cortado para R$ 800 milhões, segundo informou nesta segunda-feira o jornal Valor. Faz-se o oposto nas potências comerciais, onde o principal objetivo é tornar a produção competitiva para ganhar mercados e gerar empregos. Pior para os brasileiros, melhor para os concorrentes.
ESTADÃO

Rússia lança sonda para explorar a maior das luas de Marte

A Rússia lança nesta terça uma sonda para explorar Fobos - a maior das luas de Marte e também a mais próxima. A expedição representa uma retomada das missões russas ao planeta vermelho, que fora relegada aos ocidentais, após 25 anos.

A missão da sonda Fobos-Grunt, cujo lançamento está previsto para hoje às 18h16, no horário de Brasília (0h16 de quarta-feira na Rússia), a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

O objetivo é colher amostras do satélite de Marte, em órbita a 6.000 km do planeta, e trazê-las à Terra para determinar as características de sua superfície.

A sonda, que será lançada por um foguete Zenit-2SB, também terá por finalidade estudar a origem da maior das duas luas de Marte - a outra é Deimos -, assim como a atmosfera marciana.

A Fobos-Grunt também colocará em órbita, em torno de Marte, um satélite chinês, o Yinghuo-1.

Para a Rússia, este lançamento é de grande importância, já que se trata de sua primeira missão interplanetária depois do fracasso de Marte 96, lançado em novembro de 1996.

Após uma falha da nave Proton, a sonda caiu no oceano Pacífico, acabando com as esperanças da Rússia, que contava em reativar seu programa espacial, em declínio desde a desintegração da União Soviética.

O interesse pelo planeta vermelho cresce: na semana passada, seis voluntários terminaram uma missão que consistia em permanecer fechados durante 520 dias em uma réplica de uma nave espacial para simular uma viagem a Marte. No entanto, nenhuma expedição humana em direção a este planeta está prevista antes de 20 anos.

MISSÃO EM 1996

A última missão interplanetária bem-sucedida de Moscou data de 1986, com o lançamento das sondas soviéticas Vega para explorar Vênus e o cometa Halley.

Pelo contrário, os americanos multiplicaram as missões interplanetárias, como a Mars Global Surveyor, em 1996, ou a Phoenix Mars Lander, em 2007, e o lançamento de veículos em direção a Marte.

Já a ESA (Agência Espacial Europeia) lançou em 2003 com sucesso sua primeira sonda em direção ao planeta no âmbito do programa Marte Expresso.

A agência espacial russa Roskosmos sempre esteve interessada em Fobos. Em 1988 e 1989, a Rússia lançou as sondas Fobos 1 e 2 para sobrevoar o satélite, mas as missões foram um fracasso.

Previsto para 2009, o lançamento de Fobos-Grunt foi adiado até 2011. A cada dois anos, a distância entre Marte e a Terra diminui, o que facilita os lançamentos.

Segundo o Centro Nacional de Estudos Espaciais francês (CNES), associado à Roskosmos nesta missão, o veículo chegará ao destino em 2013 e as amostras estarão na Terra em 2014.

"Há 25 que não há voos interplanetários. Se Fobos-Grunt chegar a Fobos e colocar em órbita o satélite chinês, já será um sucesso. E se conseguir amostras do solo e trazê-las à Terra, isto superará todas as expectativas", declarou à AFP o especialista russo Igor Lisov.

Em julho, a Rússia já conseguiu lançar seu radiotelescópio Spektr-R, marcando sua volta à exploração das zonas afastadas do Cosmos.

EFE/FOLHA

Nasa divulga imagem de asteroide que passará perto da Terra

A primeira imagem do asteroide 2005 YU55 divulgada pela Nasa (agência espacial americana) pode não parecer espetacular, mas representa uma oportunidade rara do ponto de vista da pesquisa espacial.

A foto do asteroide foi tirada ontem quando ele se encontrava a 1,38 milhão km do planeta.

Segundo a Nasa, a interferência gravitacional do asteroide sobre a Terra - ondas e placas tectônicas - não deve ocorrer.

A última vez que um objeto deste tamanho - mede 400 m - passou perto da Terra foi em 1976. E a próxima aproximação só irá ocorrer daqui a 17 anos.

O 2005 YU55, que não representa ameaça, estará no auge da aproximação da Terra por volta das 21h28 desta terça-feira. O asteroide ficará a cerca de 324 mil km, uma distância menor do que aquela que separa a Terra da Lua.

FOLHA

Calçados da China escapam de sobretaxa no Brasil via Paraguai

Sapatos produzidos na China estão entrando no Brasil pelo Paraguai, escapando da sobretaxação ao produto asiático imposta pelo governo brasileiro no ano passado.

A constatação da chamada triangulação é feita pelo próprio setor calçadista do país vizinho.

De acordo com o presidente da Câmara da Indústria Calçadista do Paraguai, Carlos Fleitas, em 2010 o país importou cerca de 18 milhões de pares de sapatos chineses (US$ 42 milhões).

Para Fleitas, essa é a maior evidência de que grande quantidade dos calçados asiáticos acabaram atravessando a fronteira.

Nesse processo, os sapatos chineses entram no Brasil livres da tarifa antidumping de US$ 13,85 por par, cobrada desde 2010.

Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), 4,8 milhões de pares vieram, oficialmente, do Paraguai ao Brasil no ano passado, 43% a mais que em 2009.

O diretor da Abicalçados (indústria calçadista brasileira), Heitor Klein, alerta para que a triangulação diminui também a arrecadação de impostos.

DUMPING

Em outubro, o MDIC instaurou investigação para avaliar a ampliação do antidumping a outros países, como Vietnã e Indonésia. A Abicalçados chegou a pensar na inclusão do Paraguai no processo, mas o governo pediu para tratar do caso por vias diplomáticas. O MDIC diz que não comenta investigações em andamento.

FOLHA

Google+ abre espaço para empresas e amplia disputa com Facebook

Pelo menos quatro empresas que atuam no Brasil começam a divulgar hoje sua entrada no Google+, rede social do Google, que abriu espaço para perfis corporativos, em meio à disputa com o Facebook pela audiência nas redes sociais e na internet.

São elas Guaraná Antarctica, Gol, Unilever e Walmart -que não revelam o valor do investimento realizado.

A permissão para que companhias entrem na rede social, lançada para pessoas físicas há quatro meses, foi dada ontem no fim da tarde.

"Nossa estratégia em mídias sociais no país acontece há três anos. 

Queremos também essa nova rede", diz Roberto Wajnsztok de Oliveira, diretor de marketing e novos negócios do Walmart Brasil.

A companhia pretende postar ofertas de produtos e "falar com o consumidor".


Uma das ferramentas do Google+ que mais interessam às empresas é o "hangout", que possibilita videoconferências ao vivo conectando um interlocutor (no caso, a companhia) a vários outros (os consumidores).

"Não acreditamos em uma rede social que seja definitiva. Agora, o Google nos oferece boa ferramenta para reforçar a identidade do consumidor com a nossa marca", afirma Roberto Martini, presidente e chefe de criação da agência CuboCC, responsável pela estratégia digital de 11 marcas da Unilever.

Neste primeiro momento, apenas a marca Axe (desodorante), voltada ao público mais jovem, terá página na rede. A Axe também está presente no Facebook e no MSN.

Um dos desafios do Google+ é ganhar seguidores. E a quantidade de usuários tem relação com o sucesso das estratégias de comunicação das empresas nas mídias sociais.

NÚMEROS

Até agora, 40 milhões de pessoas físicas utilizam a nova rede no mundo todo - no Facebook, são quase 770 milhões.

"Apostamos no crescimento da rede, afinal, quem está nisso é o Google, nenhuma "startup" [empresa iniciante]", diz Thiago Hackradt, gerente de marketing digital da Guaraná Antarctica.

"Seja como for, é mais um canal para colocarmos a marca em contato com os viajantes", diz Florence Scappini, diretora de marketing, comunicação e inovação da Gol.

O Google afirma que o aumento do número de usuários "vem com o tempo", inclusive no Brasil.

"É importante aprender com o usuário para que ele se sinta estimulado a participar do que a rede tem a oferecer", afirma Bradley Horowitz, vice-presidente de produtos do Google.

FOLHA

Após 6 horas dentro de ônibus, detidos na USP criticam polícia

Os estudantes detidos durante a reintegração de posse da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), na manhã desta terça-feira, reclamam do tratamento que recebem da polícia.

Os 70 jovens - 24 mulheres e 46 homens - serão autuados em flagrante por desobediência a ordem judicial, dano ao patrimônio público e crime ambiental. Após serem presos, eles foram levados em três ônibus da PM ao 91º DP (Ceasa).

Devido à quantidade de pessoas, eles permanecem dentro dos veículos e descem em grupos para prestar depoimento.

Após quase seis horas esperando nos ônibus, eles reclamam do calor, da falta de comida e de banheiro, e dizem que permanecer no ônibus é "tortura".

"A atuação foi brutal, uma presença muito forte e desproporcional. Para que agredir os estudantes, usando algemas? Os policiais quebraram várias portas da reitoria onde a gente nem tinha entrado. Temos consciência de que essa perseguição é política", disse Paulo Fávaro, 26, aluno de artes visuais.

Para a chefe de comunicação social da PM, coronel Maria Yamamoto, a operação foi um sucesso. "Não houve nem policiais nem estudantes feridos", afirmou.

De acordo com o delegado seccional Dejair Rodrigues, os estudantes terão que pagar uma fiança de R$ 1.050, que pode ser recalculada segundo suas condições econômicas. "Se não pagarem a fiança, eles vão ficar na carceragem do 91º DP", disse.


MÃES

Fora da delegacia, mães de alunos detidos também reclamam da polícia.

"Eu sou a favor de todas as reivindicações deles para coibir a ação truculenta da polícia. Meu filho não fuma maconha, não bebe, o único vício dele é tentar mudar o mundo", disse uma advogada, mãe de um estudante de ciências sociais.

Ele disse que o rapaz dormia dentro de um carro com a namorada, em frente à reitoria, quando a polícia chegou e o algemou. Ela diz que o filho foi agredido com um capacete e cortou o rosto.

Outra mãe, que espera notícias da filha estudante de história, diz apoiar o movimento. "Eu entrei dentro do prédio e depois de ouvir tudo que me contaram, eu acho que eles tiveram razão de ocupar a reitoria", afirmou.

OPERAÇÃO

Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo por volta das 5h, quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).

Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram os estudantes, que não resistiram à prisão. O prédio foi entregue pela polícia a um oficial de Justiça, já que a operação foi motivada por um mandado judicial.


ASSEMBLEIA

Os estudantes haviam decidido, em assembleia realizada na noite de ontem (7), manter a ocupação, apesar do fim do prazo dado pela Justiça para deixarem o local.

Após a votação, alguns estudantes agrediram jornalistas. Um cinegrafista caiu após ser empurrado e um fotógrafo teve a câmera arrancada e machucou as mãos - ele foi levado ao hospital.

O clima ficou tenso e, após os grupos ficarem separados, os alunos arremessaram pedras na direção dos jornalistas. Um cinegrafista foi atingido e ficou levemente ferido.

No momento do tumulto, não havia guardas universitários nem PMs no local. Após a confusão, um representante dos invasores disse que havia ocorrido uma "situação isolada".


RESISTÊNCIA

Na assembleia, vários estudantes disseram estar dispostos a resistir caso a PM fizesse a reintegração de posse.

Mais cedo, às 18h, uma reunião de negociação entre representantes da reitoria e alunos terminou em impasse.

O superintendente de relações institucionais da USP, Wanderley Messias da Costa, chegou a deixar a sala onde ocorria o encontro.

A proposta apresentada à tarde pela universidade previa que os alunos e funcionários não fossem punidos por participar da invasão.

A reitoria também manteve a oferta de criar grupos para discutir o convênio com a PM - principal motivo da invasão - e revisar processos administrativos contra estudantes.

Os alunos, no entanto, consideraram a proposta insuficiente, já que havia chance de novos processos caso ficasse provado que houve vandalismo no prédio invadido.

Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia - depois eles foram liberados.

Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.

A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria, onde hoje há cerca de 50 manifestantes - a USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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