domingo, 13 de novembro de 2011

Concorrência se acirra contra montadoras japonesas no Brasil

Concorrentes asiáticas, principalmente da China e da Coreia do Sul, ameaçam a participação das duas maiores montadoras japonesas -Honda e Toyota- no mercado brasileiro.

A falta de novos modelos compactos, populares e de preços mais acessíveis é o motivo para isso, de acordo com especialistas.

Esse cenário foi acentuado pelos problemas de produção no Japão desde o terremoto e o tsunami no primeiro semestre do ano.

Honda e Toyota têm apenas compactos e sedãs, médios e grandes, e SUVs (Sport Utility Vehicles, carros maiores). Neste mês, inundações na Tailândia interromperam o fornecimento de peças, prejudicando também a montagem no Brasil.

No ranking de vendas da Fenabrave, a federação dos distribuidores de veículos, a Toyota perdeu duas posições desde o ano passado. A situação também não favorece a Honda.

"Tudo isso [os eventos relacionados a fenômenos naturais] afetou o desempenho das montadoras japonesas e favoreceu a agressividade das outras empresas, tanto as locais como as coreanas e as chinesas", afirma o professor e consultor da MSX International, Arnaldo Brazil.

De acordo com o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, "não (se) pode deixar um carro dez anos com o mesmo modelo", diz. "A obrigação da indústria é se atualizar".

As duas montadoras têm planos para evitar perder uma participação maior de mercado.

Para Brazil, porém, além de inovação, as empresas precisam mudar a própria "ideologia empresarial".

"Acredito que a Toyota possa se recuperar ao lançar o novo produto previsto para 2012. Mas a Honda deve perder mercado se não entrar na guerra do preço praticado atualmente pelos concorrentes", disse.

RANKING

No ranking anual de vendas da Fenabrave, a sexta colocação, mantida pela Honda, é perseguida por três montadoras: as francesas Peugeot e Citroën, e a sul-coreana Hyundai.

A disputa ficou ainda mais acirrada no mês passado. Todas as três marcas venderam mais que a japonesa.

A Toyota, que até o ano passado mantinha a nona posição no ranking brasileiro, perdeu espaço para duas coreanas -Hyundai e Kia- e é seguida de perto por outra montadora japonesa que vem se expandindo no Brasil mais recentemente, a Nissan.

Em entrevista à Folha no mês passado, o presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, demonstrou preocupação com o avanço das montadoras coreanas e chinesas no mercado.

De acordo com ele, a produção coreana "lembra" a japonesa, ao se basear na tecnologia e na qualidade dos automóveis.

De olho no consumo em ascensão, a Nissan lançou neste ano no Brasil o compacto popular March a partir de R$ 27,7 mil. "Competir hoje é mais difícil com o carro coreano. Amanhã, será o chinês, que hoje está em desenvolvimento", disse o executivo.

FOLHA

Em cúpula, moeda chinesa causa troca de farpas entre EUA e China

O presidente americano, Barack Obama, manifestou "impaciência e frustração" e trocou farpas neste domingo com seu colega chinês, Hu Jintao, em uma tensa conversa sobre política econômica durante a cúpula Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), no Havaí.

Os EUA vem cobrando da China uma revisão de sua política monetária, argumentando que Pequim mantém o yuan artificialmente desvalorizado para impulsionar suas exportações.

"Ele deixou claro que as pessoas e a comunidade empresarial americanas estão cada vez mais impacientes e frustrados com o estado das mudanças na política econômica na China e a evolução da relação econômica entre Estados Unidos e China", afirmou Michael Froman, assessor adjunto de Segurança Nacional, depois de uma reunião dos dois dirigentes no Havaí.

Pouco antes de sua reunião com Hu, Obama advertiu à China que deve "respeitar as regras" de concorrência em termos de comércio internacional e proteção da propriedade intelectual.

A China também elevou o tom das críticas e disse que prefere manter as relações comerciais com os EUA dentro da arquitetura atual do comércio internacional, e que não será subjugada aos esforços americanos de aumentar sua penetração nos mercados da Ásia e do Pacífico.

Hu insistiu ainda que o status chinês de potência global emergente indica que o país precisa de mais poder nas estruturas internacionais.

Para Obama, a melhor vantagem dos Estados Unidos no mercado global é a inovação e a proteção dos direitos de propriedade intelectual, segundo declarou em um evento à margem da cúpula Apec no Havaí, aludindo às falsificações de produtos no gigante asiático e ao não respeito às patentes neste mercado.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, principal incentivador do Acordo de Livre Comércio Transpacífico (TPP), não rejeitou explicitamente a participação da China neste acordo, mas advertiu que a mesma deve ser acompanhada de altos níveis de transparência e liberdade, áreas nas quais Pequim é criticado com frequência.

Obama disse neste sábado que o TPP deve ser concluído em 2012, pouco depois de anunciar que seus nove países negociadores alcançaram um acordo "em linhas gerais".

FOLHA

Bolívia é o maior abastecedor de cocaína na América do Sul, diz ONU

A Bolívia é o maior abastecedor do mercado sul-americano de cocaína, segundo o peruano César Guedes, representante das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (ONUDC), entrevistado no domingo por um jornal local. De acordo com a entidade, o negócio da cocaína move anualmente, só nos países andinos da região (Bolívia, Colômbia e Peru), cerca de US$ 85 bilhões.
"Sobre a droga boliviana, sabe-se que apenas 1% que sai do país chega ao mercado americano. A Bolívia é o maior abastecedor do mercado sul-americano, a outra parte vai para a Europa", disse ao jornal "Página Siete".

"A Bolívia é um país de passagem. Ela serve de ponte para a droga da Colômbia e do Peru para o mercado sul-americano emergente", apontou.

Segundo o funcionário "a maior parte da droga colombiana vai para os Estados Unidos, 20% para a Europa e outros locais. Do Peru, a metade vai para o mercado americano e a outra metade para Europa e América do Sul".

Guedes parabenizou o recente acordo para normalizar as relações entre Bolívia e Estados Unidos e afirmou que "seria bom que fossem analisadas as novas propostas da DEA [agência americana contra o narcotráfico] para trabalhar com a nova Bolívia". Recentemente a população interna do país recusou a retomada das ações da DEA.

Segundo ele, o Brasil, que trabalha com a Bolívia em um acordo de cooperação na luta antidroga, "não tem todas as capacidades técnicas da DEA, mas tem muitas outras que podem servir para paliar o problema entre os dois países" em uma fronteira comum de 3.100 km permeada pelo narcotráfico e o crime.

A Bolívia é o terceiro produtor mundial de cocaína, depois da Colômbia e Peru.

FRANCE PRESS/FOLHA

"Vai ser uma pacificação 'entre aspas'", diz morador da Rocinha

Morador da Rocinha há mais de 30 anos, P.J. conversou com a BBC Brasil pelo telefone para falar sobre a ocupação da comunidade por forças policiais, que devem instalar no local uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

P.J, que pediu anonimato, concordou em fazer um diário para a BBC Brasil, contando o que se passa no local antes, durante e depois da ocupação. Leia abaixo seu depoimento:

"A ocupação foi tranquila. Estávamos apreensivos, sem saber o que ia ocorrer. No sábado, as pessoas estavam fazendo filas nos mercados, comprando mantimentos para ficar em casa hoje, num clima quase de guerra.

Mas foi tranquilo, não teve tiro, não teve barulho de tiro. Eles entraram na hora programada. Às 4h os blindados subiram.

Helicópteros sobrevoaram a comunidade jogando panfletos, pedindo para a população ajudar a polícia, para dizer onde tem depósito de armas, ajudar a polícia no que for preciso.

Não houve resistência, mas em alguns lugares da favela teve óleo derramado na pista por remanescentes do tráfico, algum fogueteiro, para tentar dificultar a subida dos blindados da polícia.

A TV clandestina acabou, ficou muita gente sem TV, então as pessoas estão se informando mesmo é pela internet, por e-mail, pelo Facebook.

Eu vi várias fotos de ruas da Rocinha, postadas por amigos para mostrar como estava a situação, se o local está com luz ou não, se tem abuso da polícia ou não, ajudando a divulgar o telefone da corregedoria caso houvesse algum abuso. A comunidade está unida. Acho que a grande maioria está a favor (da ocupação).

Eu acredito que ainda exista gente do tráfico dentro na favela. Agora ou eles vão sair ou a polícia vai achar essas pessoas aos poucos.

É aquele lance que eu falo: só acredito na pacificação mesmo quando não tiver mais essa gente aqui dentro. Enquanto elas estiverem aqui dentro, vamos ficar ansiosos, porque ninguém sai do tráfico de uma hora para outra. Então a gente fica meio com receio.

Ainda tem algumas dessas pessoas que ainda continuam, mas a gente vai ver com o tempo se elas vão sair ou não. Por isso que a polícia está pedindo ajuda da população, para que essas pessoas sejam denunciadas e possam ser presas.

Vai ser uma pacificação entre aspas. Sabemos que o tráfico de drogas nunca vai acabar. 

Enquanto houver usuários, não vai acabar. Vamos esperar para ver. O que a gente não quer mais ver é bandido armado, impondo alguma coisa.

Mas com a polícia dentro da favela, o poder público vai poder ajudar, vai haver mais ajuda do governo, escolas, os professores vão querer dar aula lá, não vão mais ficar com medo do tráfico, de tiroteio.

Tomara que isso aconteça e que não seja jogada de político, porque no ano que vem tem eleição. A gente que não é bobo aqui dentro sabe o que está acontecendo".

BBC BRASIL/FOLHA

Após ocupação da Rocinha, moradores dizem temer a polícia

"Cadê o enxame que é a Rocinha?", pergunta uma moradora em frente a rua vazia, cortada vez por outra por mototáxis e carros carregados com agentes do Bope. Acostumada a ver a estrada da Gávea "mais cheia do que um formigueiro", ela estranha o silêncio.

A madrugada na comunidade, ocupada pela polícia no domingo, foi tranquila, povoada apenas pelo som constante dos blindados da Marinha e dos helicópteros que sobrevoaram a comunidade durante todo o dia.

Nem um tiro disparado, orgulha-se a polícia. No entanto, o que preocupa os moradores são as próximas noites. "Quando vocês [imprensa] forem embora é que o bicho vai pegar", diz X., que prefere não se identificar.

Ela diz que não vai abrir a casa para a polícia. "Eles têm mandado? Se tiverem eu abro. Até onde eu sei até a polícia precisa seguir a Constituição".

X. afirma ter medo de deixar a casa sozinha quando tiver que trabalhar durante a semana e relata abusos, como uma moradora que levou um tapa na cara por não responder o chamado de um policial na quinta-feira (10).

Para ela as coisas "antes" estavam muito bem. "O Nem pagava o aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso".

X. conta que toda a quinta-feira chegava um caminhão com caixas fechadas de legumes e frutas vindos direto do Ceasa. Eles eram devidamente empacotados e distribuídos pela associação de moradores, a mando de Nem, para aqueles que se apresentavam como moradores carentes.

Cássia Cristina Silva, 25, e quatro filhos filmaram a casa inteira com o celular por precaução. "Podem entrar, mas tem que deixar tudo no lugar".

Ela dormiu com os filhos no quarto e acordou com o som dos helicópteros. "Eu estava com muito medo, mas não aconteceu nada, graças a Deus. Só as crianças, que estranharam dormir comigo e ficavam o tempo todo perguntando se a polícia ia entrar, se ia bater neles".

Y. também não está muito convencida dos benefícios da ocupação. "O tráfico vai voltar assim que a poeira baixar. O Nem era só um representante, quem manda ainda está aí", afirma. "Você acha que a polícia vai aguentar ganhar R$ 1.000 por mês? Mais um tempo e estão todos corrompidos".

"Ninguém vai falar nada, denunciar ninguém, por medo dos caras voltarem", afirma, referindo-se aos planfletos lançados de helicóptero pela polícia na manhã da ocupação com informações para os moradores denunciarem criminosos e esconderijos de armas e drogas.

Já Z., 45, encara a nova fase com otimismo. "É a primeira vez em 45 anos que vejo essa rua assim, tranquila. Eu descia ela inteira de carrinho de rolimã, jogava bola aí. Tomava banho em uma cachoeira aqui do lado. Hoje meus filhos não têm isso".

Ele conta que prefere levar o filho de 12 anos para passear na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste, por medo. "Quem sabe agora a gente consiga voltar a fazer o lanche em família por aqui. Antes não dava, eles ficavam sentados em cima no balcão dos bares com fuzil na mão".

No entanto, ele também teme a ocupação. A sua casa foi revistada ainda no começo da madrugada de domingo. Os policiais não quebraram nada, mas tentaram levar o seu contracheque, que estava em cima de uma mesa.

"Mostrei o recibo, disse que era o meu salário inteiro. Um outro policial que estava junto que convenceu ele a não levar".

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...