terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Em Nova York, acusado de queimar mulher viva em elevador é detido


Jerome Isaac entrou no tribunal algemado, usando macacão branco e ostentando o que pareciam ser os efeitos de um crime horrendo. Manchas vermelhas e brilhantes cobriam seu rosto e pescoço; seus lábios e olho esquerdo estavam fortemente inchados.

O promotor Kenneth M. Taub disse na segunda-feira que os ferimentos eram evidências do papel exercido por Isaac em um dos assassinatos mais brutais da história recente de Nova York: a imolação proposital de Deloris Gillespie, 73 anos, no elevador do edifício em que ela vivia, no Brooklyn.

Na audiência de acusação na Corte Criminal do Brooklyn, Isaac recebeu ordem de ficar detido sem direito a liberdade sob fiança. Ele ficou calado durante o procedimento, e seu advogado, indicado pelo tribunal, disse pouco mais.

Taub disse que, embora Isaac nunca antes tivesse sido acusado de um crime, "a depravação desse ato único é algo que supera minha capacidade de descrição".

Na tarde de sábado, duas câmeras de vigilância captaram um homem, que as autoridades acreditam ser Isaac, encurralando Gillespie quando ela estava prestes a sair do elevador no quinto andar do prédio.

Vestido como exterminador de pragas, usando máscara protetora e luvas brancas e carregando um tanque de combustível, o homem encharcou Gillespie de gasolina e ateou fogo a ela com um coquetel Molotov, segundo a polícia. Ela foi pronunciada morta no local.

Taub disse que as provas da culpa de Isaac, boa parte delas contidas no vídeo de vigilância, são "avassaladoras". A identidade de Isaac "é completamente óbvia", disse ele.

Amigos e familiares de Gillespie disseram que Isaac, 47 anos, que era visto com frequência no bairro recolhendo latas e garrafas, tinha trabalhado para Gillespie, ajudando a retirar entulho de seu apartamento.

De acordo com parentes de Gillespie, que era funcionária dos Correios e prestava assistência a sem-tetos do bairro, ela começou a desconfiar que Isaac estivesse roubando dela, por isso o demitiu. Isaac então começou a assediá-la, pedindo pagamento.

Isaac se entregou às autoridades na manhã do domingo. Disse à polícia acreditar que tinha sofrido queimaduras fazendo uma fogueira em seu próprio prédio, nas proximidades do de Gillespie.

Ele está sendo acusado de homicídio doloso e homicídio doloso com agravantes, além de incêndio criminoso com agravantes.

Em entrevista coletiva dada após a audiência, a vereadora Letitia James, que representa o distrito em que Gillespie residia, disse que a família da mulher assassinada pediu que os promotores não oferecessem nenhum acordo judicial nesse caso. "A família está pedindo que Isaac seja julgado e sentenciado à pena máxima prevista em lei", disse a vereadora. "Isso inclui uma sentença de prisão perpétua".

James disse ainda que os familiares de Gillespie pretendem revistar o apartamento dela, em busca de cartas que descrevam como ela foi assediada e ameaçada por Isaac.

A vereadora não conhecia os detalhes dessas cartas, mas disse que Gillespie as havia enviado às autoridades. Gillespie não teria conseguido obter uma ordem de proteção contra Isaac porque só o conhecia por apelidos.

THE NEW YORK TIMES/FOLHA

Moody´s alerta para desafios 'crescentes' do Reino Unido


A agência de avaliação de risco Moody´s manteve a qualificação máxima para a dívida soberana do Reino Unido (AAA), mas alertou que problemas como a crise da eurozona reduzem a margem de manobra do país.

A Moody´s afirmou nesta terça-feira em seu informe anual a respeito da situação do crédito da economia britânica, em que não necessariamente promove mudanças no "rating" (nota de risco de crédito) do país.

Apesar de manter a melhor nota possível para a dívida do Reino Unido, a agência avisou que a nação enfrenta "desafios enormes e crescentes".

Entre eles citou o aumento do seu déficit (despesas maiores que receitas) e dívida públicos desde 2008, as perspectivas mais débeis de crescimento econômico e os riscos derivados dos demais países da zona do euro.

Tudo somado, segundo a Moody´s, indica que o Reino Unido tem uma "capacidade reduzida de absorver futuros choques macroeconômicos e fiscais sem que haja consequências" para sua qualificação.

A dívida pública do Reino Unido ronda 80% do PIB, e o deficit supera os 10%, o terceiro pior registro entre todos os 27 países que fazem parte da União Europeia, logo abaixo da Irlanda e da Grécia.

ASSOCIATED PRESS/FOLHA

BC americano endurece regras para grandes bancos


O Federal Reserve (banco central dos EUA) comunicou nesta terça-feira que os maiores bancos americanos e demais instituições financeiras terão que elevar seu capital em reserva, de modo a aumentar a proteção contra eventuais choques financeiros.

A proposta deve afetar os bancos com ativos acima de US$ 50 bilhões. 

Haverá regras ainda rígidas para companhias com ativos superiores a US$ 500 bilhões, a exemplo do JP Morgan Chase, o Goldman Sachs e o Citigroup.

Autoridades do Fed não informaram imediatamente quando as novas regras devem ser implementadas, mas que a versão final da nova regulamentação será publicada somente depois que os responsáveis incorporarem as críticas do público externo.

O BC americano estabeleceu um prazo de 90 dias para o debate.

Os bancos se manifestaram contra as regras mais duras, sob o argumento de que exigências de reservas maiores devem afetar a capacidade de fazer empréstimos das instituições.

As regras mais duras são parte da nova legislação proposta pela lei Dodd-Frank, aprovada no ano passado. Mas reguladores internacionais do setor bancário sediados em Basileia (Suíça) também se manifestaram nesse sentido, tendo em vista principalmente instituições financeiras de âmbito global.

ASSOCIATED PRESS/FOLHA

Petrobras prevê alta nas importações de gasolina em 2012


A Petrobras prevê em 2012 a necessidade de importações maiores de gasolina para atender ao consumo crescente do produto no país, segundo Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da companhia.

Para Costa, o aumento da frota de veículos, o cenário de restrição da oferta de álcool - e a consequente manutenção dos preços elevados do combustível - e a previsão de crescimento mais acelerado da economia no próximo ano vão impulsionar as vendas.

Sem a entrada de novas refinarias em 2012 para ampliar a produção interna, diz, a saída será aumentar as importações. O executivo não quis traçar uma projeção, mas disse que "muito possivelmente" elas vão superar a marca de 2011.

De janeiro a novembro, a estatal importou, em média, 45 mil barris diários de gasolina - 400% a mais do que a média diária de 2010. Até aquele ano, a estatal era exportadora de gasolina, mas com a alta dos preços do álcool e o crescimento do consumo, o país passou a depender de importações.

Costa avalia ainda que é provável que o deficit comercial da estatal também aumente em 2012. Até setembro, o saldo negativo ficou em US$ 3,4 bilhões, contra um superávit de US$ 102 milhões no mesmo período de 2010.

O crescimento da economia mais forte em 2012 também vai ampliar o consumo e a importação de diesel, prevê Costa. É nesse produto que a Petrobras tem maior dependência externa. Até novembro, a necessidade de importações de diesel cresceu 19% - para 176 mil barris/dia.

Segundo Costa, desde 2010, o consumo de combustíveis "descolou do PIB" e cresce a taxas maiores do que a economia.

Neste ano, as vendas de gasolina avançaram 23,2% até novembro - em 2010, a alta havia sido de 18%. Já as de diesel, saltaram 9,3% de janeiro a novembro de 2011 - pouco abaixo dos 11% de 2010.

Para 2011, a expectativa é que a economia brasileira cresça cerca de 3%. As estimativas para 2012 apontam uma expansão em torno de 4% a 4,5%.

FOLHA

Governo poderá utilizar livremente 20% de suas receitas até 2015


O Senado concluiu nesta terça-feira a votação, em segundo turno, da emenda constitucional que prorroga a DRU (Desvinculação das Receitas da União) e, com isso, o governo poderá utilizar livremente 20% de suas receitas até 2015. O mecanismo venceria no próximo dia 31.

A emenda será promulgada amanhã pelo Congresso. A proposta recebeu 55 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção.

O governo voltou a atuar forte para garantir a aprovação do texto. As negociações para garantir o apoio dos aliados envolveram indicações para cargos, principalmente de segundo escalão, liberação de emendas e pendências estaduais.

A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) chegou a anunciar em sua agenda oficial de hoje que estaria "em atendimento" na liderança do governo no Senado horas antes do início da votação.

O Planalto considera a extensão do prazo essencial, pois desbloqueará cerca de R$ 62,4 bilhões. O dinheiro, segundo o governo, deve contribuir para a meta do superavit primário de 2012, prevista em R$ 71,4 bilhões. 

Outro argumento é que o mecanismo é necessário para enfrentar o cenário de crise econômica internacional.

Criada em 1994 com o Plano Real, a DRU permite que se contorne o direcionamento obrigatório de parte dos recursos do Orçamento.

Antes da votação, os líderes governistas tiveram que disparar telefonemas cobrando a presença da base para garantir a análise do texto. Eram necessários 49 votos. Alguns parlamentares já estavam nos Estados.

DEM, PSDB e PSOL recomendaram a derrubada do texto. "Sabemos que é em vão que a aprovação vai ser maciça mas mostramos nossa oposição contra a DRU", afirmou o líder do PSDB, Alvaro Dias (PR).

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que a oposição até concordaria em prorrogar o mecanismo por dois anos, mas o governo não aceitou fechar um acordo.

"Estamos dando cheque em branco para um governo que demitiu seis ministros por corrupção. A prudência recomendava que se convertesse a DRU por dois anos e se observasse o comportamento do governo, como o governo não concordou, nosso voto é não", disse.

FOLHA

Produção de frangos no Brasil atinge recorde em 2011


A produção brasileira de frangos deve atingir um recorde de 13,084 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef). O número representa crescimento de 7% em relação a 2010.

Quase 70% do volume total tem como destino o mercado interno, o que representa 9,14 milhões de toneladas, 8,3% superior ao registrado no ano anterior.

O mercado externo representa 30% do volume produzido, ou aproximadamente 3,9 milhões de toneladas, 2,7% acima de 2010.

"Nesse cenário, o frango se firmou como protagonista, seja pelos valores acessíveis, no caso de produtos in natura, ou pela praticidade, no caso dos processados", disse em comunicado o presidente-executivo da Ubabef, Francisco Turra.

Segundo a Ubabef, porém, a alta carga tributária - com média de 9% - e o aumento dos custos de produção têm reduzido as margens de lucro do setor.

ESPECULAÇÃO

"Para o próximo ano, precisamos de ações mais incisivas por parte do governo para conter abusos que oneram não apenas o produtor, mas também o consumidor, já que todos acabam pagando com a especulação", disse Turra.

A oscilação da taxa de câmbio também chegou a afetar as margens de lucro no que se refere a exportação, avalia a entidade.

"Alguns mercados como Rússia, Egito e Turquia registraram fortes quedas, o que impossibilitou um desempenho ainda melhor para as exportações", disse Turra. Segundo ele, o volume recorde das exportações em 2011 foi puxado por mercados como China, Japão e Arábia Saudita.

O presidente-executivo da Ubabef prevê ainda um período difícil em 2012.
"Ouvido o setor, percebe-se que os investimentos, mais uma vez, serão postergados e o crescimento será contido nos próximos anos", afirmou ele em comunicado.

FOLHA

China alcança 963,68 milhões de celulares em novembro


A China, o maior mercado de telefonia móvel do mundo, teve um crescimento mensal de 1,27% no número total de usuários, para 963,68 milhões em novembro, de acordo com dados fornecidos pelas três operadoras de telecomunicações do país.

A China Mobile, maior operadora móvel do país, disse que seus usuários em novembro aumentaram para 644,32 milhões, incluindo 48,01 milhões de assinantes de serviços de terceira geração (3G).

A China Unicom, a segunda maior operadora do país, afirmou que os usuários aumentaram para 195,97 milhões, incluindo 36,53 milhões de clientes 3G.

Os clientes da China Telecom, a menor das três operadoras chinesas, chegaram a 123,39 milhões, incluindo 33,35 milhões de usuários de 3G.

BRASIL

No Brasil, a telefonia móvel cresceu 19,5% no mês, para 236,08 milhões de acessos. São 120,81 celulares a cada cem brasileiros.

Do total de acessos em operação, 81,65% são pré-pagos e 18,35%, pós-pagos. A Vivo continua líder, com 29,6% do mercado. A Tim tem 26% de participação, e a Claro, 25,1%. A Oi é a quarta colocada, com 18,9%.

FOLHA

5 varejistas faturam 45% dos ganhos das 100 maiores do setor


O faturamento das cinco maiores redes varejistas do país representa 45% do total dos ganhos das cem maiores empresas do setor, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo).

Foram considerados os resultados das companhias em 2010.

De acordo com o estudo, as cinco maiores são Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart, Lojas Americanas e Makro. No ano anterior, o ranking foi o mesmo, com exceção da última colocada, que era a Máquina de Vendas (que engloba Ricardo Eletro e Insinuante).

Juntas, elas faturaram R$ 101,3 bilhões - crescimento de 7,2% ante os R$ 94,5 bilhões registrados em 2009. Já as cem maiores faturaram R$ 225 bilhões. O levantamento considera as empresas do varejo exceto dos setores de carros e combustíveis.

Se forem consideradas as dez maiores, o percentual de faturamento sobre o das cem sobe para 55%. As outras cinco maiores são Magazine Luiza, Máquina de Vendas, G. Barbosa, Casas Pernambucanas e Drogasil/Drogaraia.

Veja as 20 maiores varejistas por faturamento: 

Pão de Açúcar
Carrefour
Walmart
Lojas Americanas
Makro
Magazine Luiza
Máquina de Vendas
G. Barbosa
Casas Pernambucanas
Drogasil/Drogaraia
Drogaria São Paulo/Pacheco
Lojas Renner
Lojas Riachuelo
Fastshop
Mc Donald's
Lojas Marisa
CIA Záffari & Bourbon
Grupo Prezunic
Farmácias Pague Menos
Lojas Cem


FOLHA

Policiais paulistas são suspeitos de sumir com 300 kg de cocaína


Transformar 300 kg de cocaína pura numa montanha de um pó branco sem um só grama do entorpecente. Essa é a suspeita da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo contra uma equipe do Denarc (narcóticos), considerado um dos setores de elite da Polícia Civil paulista.

A investigação da Corregedoria aponta que a equipe - o número de policiais não foi divulgado - monitorava uma negociação de cocaína entre traficantes brasileiros e produtores da droga na Bolívia.

Ao descobrir que a cocaína havia entrado no Brasil, escondida em um caminhão que trafegou pelo Mato Grosso e pelo Mato Grosso do Sul, os policiais civis interceptaram o veículo nos limites de São Paulo.

Ao seu chefe imediato, o delegado Eymard Bertho Ferreira Junior, a equipe disse ter apreendido 300 kg de cocaína pura. A informação foi repassada do delegado para a chefia do Denarc.

Mas as suspeitas começaram quando os policiais levaram o pó branco para a perícia, que constatou não haver um só grama da droga naquela pequena montanha de pó.

Por conta da suspeita de os 300 kg de cocaína terem sidos trocados, Ferreira Junior e seus subordinados foram afastados. A reportagem não localizou na noite de ontem o delegado.

Após a perícia contradizer os investigadores do Denarc, os policiais mudaram a versão para a apreensão dos 300 kg de cocaína e passaram a sustentar que a localização daquele pó branco "era estratégia dos traficantes para desviar a atenção" do Denarc.

Em 1999, policiais civis que atuavam em Campinas (93 km de SP) foram investigados sob a suspeita de participação no furto de 340 kg de cocaína armazenados no IML (Instituto Médico Legal).

FOLHA

Irmãs de 5 e 10 anos morrem atropeladas na frente de casa em São Paulo


Duas irmãs - de cinco e de dez anos - morreram na noite de ontem (19) após serem atropeladas por um carro na frente da casa em que moravam, na cidade de Aparecida (180 km de São Paulo). Segundo a polícia, o motorista estava embriagado e foi preso.

O acidente aconteceu por volta das 17h50, no bairro de Itaguaçu. De acordo com a Polícia Militar, as duas crianças estavam com o pai na frente da casa, quando um Gol branco perdeu o controle e atingiu as meninas.

A criança mais velha morreu no local, segundo a PM. A mais nova foi socorrida por vizinhos e levada ao pronto-socorro, mas não resistiu aos ferimentos e também morreu.

Revoltados, moradores da região colocaram fogo no carro que atropelou as duas meninas.

Os dois homens que estavam no veículo foram localizados nas proximidades e encaminhados para a Delegacia Seccional de Guaratinguetá (187 km de SP), por segurança.

A PM afirmou que os dois passaram por exames no IML (Instituto Médico Legal), onde foi comprovado que um deles estava embriagado.

Ainda de acordo com a corporação, ele foi identificado como o motorista do veículo, embora tenha negado que estava ao volante. Ele foi preso e encaminhado para a cadeia pública de Guaratinguetá.

FOLHA

O comércio e a lei da selva


Mais que um fiasco, a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), no último fim de semana, foi um novo e estridente sinal de alerta. A atividade comercial foi o principal motor do crescimento econômico nas últimas quatro décadas e a expansão das trocas dependeu em grande parte da liberalização dos mercados. Mas a fase da abertura comercial e dos grandes acordos está encerrada e o vírus do protecionismo tende a se espalhar por todo o globo. As condições de concorrência se tornarão menos civilizadas e o atual sistema de regras será submetido a severos testes de resistência, se o salve-se quem puder superar todas as outras considerações. Dez anos depois de lançada a mais ampla negociação comercial de todos os tempos, a Rodada Doha, ninguém mais tenta disfarçar o fracasso dessa iniciativa. Foi a primeira concebida para ser uma Rodada do Desenvolvimento - seu outro nome - e deu em nada.
A grande negociação já estava emperrada em 2007, antes do agravamento da crise, mas ainda houve esforços para levá-la à conclusão. As dificuldades aumentaram nos anos seguintes, quando a recessão travou o comércio e os governos ficaram menos propensos a novas concessões. Além disso, a maior economia do mundo, a americana, passou a ser governada por um partido fortemente vinculado a interesses protecionistas. Alguns esforços ainda foram feitos para salvar compromissos alcançados na fase mais otimista da rodada, mas sem resultado.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, passou da coordenação das negociações a uma tarefa de pregação, alertando o mundo para as consequências de uma fragmentação do sistema global de comércio. A primeira ameaça ocorreu quando os governos, diante dos impasses da Rodada Doha, começaram a dar prioridade a acordos bilaterais e regionais, transformando as normas de comércio numa colcha de retalhos. O pior veio depois, quando a crise e o desemprego tornaram muito mais tentador o recurso às barreiras comerciais e aos incentivos causadores de distorções no funcionamento dos mercados.
A pregação de Lamy tem sido um esforço para mostrar o enorme perigo das políticas de restrição comercial adotadas nos últimos anos. Os sinais de isolacionismo lembram o cenário da década de 1930, alertou o diretor-geral da OMC. O seu discurso, assim como o da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, vem ganhando tons mais dramáticos enquanto se agrava a crise no mundo rico e aumenta o risco de uma recessão mais funda e mais duradoura que a de 2008-2009.
Economistas têm usado com menos parcimônia a palavra "depressão", reservada para a descrição de crises como a dos anos 30. Uma das marcas desse período foi a competição sem regras, com muito protecionismo e muito recurso a desvalorizações cambiais. Com cerca de 14 milhões de desempregados nos Estados Unidos e 23 milhões na União Europeia, a tentação de entrar na espiral das políticas de restrição ao comércio é muito forte. A perspectiva de uma crise prolongada realimenta essa tendência, perigosa para todos.
Incentivos à exportação e barreiras à importação, legais ou ilegais, com ou sem disfarce, multiplicam-se em todas as partes do mundo. A instabilidade cambial dificulta o planejamento das empresas. Países com câmbio subvalorizado, como a China, tendem a preservar essa vantagem competitiva, apesar das promessas de correção dos desvios.
Nesse ambiente, os conflitos tendem a multiplicar-se, impondo uma sobrecarga ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Mas a violação consciente e quase sem disfarce das normas de comércio, como já se vê em vários países, põe em xeque o próprio sistema e tende a minar sua relevância. Mais grave que o abandono definitivo da Rodada Doha e a tendência ao protecionismo será a desmoralização aberta do regime de regras comerciais.
Talvez seja excesso de pessimismo imaginar uma OMC irrelevante. Mas a preocupação não é descabida. No limite, o salve-se quem puder desemboca na lei da selva. Neste momento, é essa a tendência predominante.
ESTADÃO

Filipinas declara calamidade após enchente que deixou mil mortos


O presidente das Filipinas, Benigno Aquino, declarou nesta terça-feira estado de calamidade nacional por conta das enchentes que causaram cerca de mil mortes e deixaram um rastro de destruição no sul do país.

Esta declaração, dada em Cagayan de Oro, uma das cidades mais prejudicadas, permite ao governo aumentar a ajuda financeira às áreas com mais danos e criar um fundo especial de US$ 26,6 milhões destinado à assistência dos 338.415 afetados.

Ao menos 957 pessoas morreram nas inundações, mas as autoridades não descartam que esse número possa aumentar ao longo dos resgates em rios e sob escombros.

"A prioridade máxima é realocar os sobreviventes em áreas que não apresentem riscos e o governo vai ajudá-los", garantiu Aquino, que criticou as autoridades locais ao constatar que centenas de desabrigados construíram suas casas em áreas de risco.

Nas duas cidades mais afetadas, Iligan e Cagayan de Oro, centenas de corpos ainda não foram identificados, embora as prefeituras dos dois locais tenham adiado os planos de enterrá-los em valas comuns por desavenças legais com o governo central.

"Antes de sepultá-los temos que identificar todos os corpos e pegar amostras de seu DNA para cumprir com os procedimentos legais", disse o prefeito de Cagayan de Oro, Vicente Emano.

No cemitério local de Bolonsori, dez operários munidos de pás e picaretas cavavam uma fossa de 15 metros de comprimento e quatro de largura onde serão depositados os cerca de 200 corpos que não foram identificados.

"Estamos dividindo em quatro buracos, colocaremos 50 em cada um", explicou Arnaldo Cagoco, um funcionários envolvidos na operação.

À espera deste enterro coletivo, centenas de corpos se decompõem no lixão municipal ao qual foram levados e que vem recebendo a visita de pessoas que têm a esperança de encontrar familiares que desapareceram.

"Acabo de reconhecer minha sobrinha por um sinal que tem no braço e pelo formato das unhas. Foi impossível identificá-la pelo rosto. Agora procuro seu marido e minha irmã", relata com surpreendente equilíbrio Lolita Sierras, de 56 anos.

CORPOS E ODOR

No local, o odor dos corpos é tão insuportável que muitas pessoas desistem de procurar mesmo usando máscaras.

Brian Molo, um técnico industrial de 27 anos, espera a chegada de parentes para que o ajudem a procurar uma tia desaparecida. "É a única familiar que perdemos, mas minha irmã quase morreu com um ferimento na cabeça", disse.

A enchente destruiu sua casa, porém Brian sobreviveu graças a um pedaço de bambu ao qual se agarrou e com o qual foi arrastado por dez quilômetros pela enchente até ser resgatado.

Desde sábado ele dorme com vários parentes no hospital em que sua irmã está internada, devido a falta de espaço nos centros humanitários montados pelas autoridades.

De acordo com o Centro Nacional de Prevenção e Resposta de Desastres, 42.733 vítimas foram amparadas em 62 abrigos localizados em diversas localidades da ilha de Mindanao.

No centro poliesportivo do bairro de Macasandig, em Cagayan de Oro, 500 famílias estão amontoadas e fazem fila para comer um punhado de arroz e um ovo cozido, receber remédio, e talvez, se tiverem sorte, um cobertor e peças de roupa para as crianças.

Nesse abrigo, a falta de água, que atinge vários bairros da cidade, começa a causar infecções pela falta de higiene adequada.

"Temos só quatro banheiros químicos para as 500 famílias do acampamento e para as que passam o dia ao redor do abrigo buscando doações. As crianças fazem suas necessidades em qualquer lugar", explica Aaron Neri, responsável deste bairro.

Entre a tarde de sexta-feira (16) e a madrugada de sábado (17), a tempestade tropical Washi despejou sobre Mindanao uma quantidade de água superior ao esperado para todo o mês de dezembro.

Os especialistas das agências internacionais apontam a favelização e o desmatamento como os principais fatores do grande número de mortos causados pelos desastres naturais no país.

EFE/FOLHA

PlayStation Vita tem 321 mil unidades vendidas em 2 dias no Japão


A Sony vendeu 321.400 unidades do PlayStation Vita, seu novo videogame portátil, em seus dois primeiros dias de vendas no Japão, afirmou a empresa de pesquisas Enterbrain nesta terça-feira (20).

O resultado ficou aquém do da rival Nintendo, cujo 3DS vendeu 371 mil unidades em seus dois primeiros dias, disse a Enterbrain. No entanto, as vendas do 3DS despencaram semanas após o lançamento, forçando a Nintendo a reduzir o preço do aparelho e castigando sua previsão de lucro com produtos no ano.

A Sony quer evitar um destino semelhante oferecendo um leque de 24 jogos para o Vita no lançamento. Mas executivos admitem que o real desafio será manter as vendas nos próximos anos.

Fãs fizeram fila no Japão para estar entre os primeiros a receber o portátil, lançado no sábado. As vendas do Vita terão início nos Estados Unidos e na Europa em fevereiro.

O portátil anterior da Sony, o PSP, vendeu 166 mil unidades no primeiro dia de vendas em 2004. Até o momento, 73 milhões de unidades do console foram comercializadas.

FOLHA

Finlândia já prevê recessão para 2012


A Finlândia pode cair numa recessão no início do próximo ano, disse nesta terça-feira o Ministério das Finanças, que revisou suas previsões de crescimento de 1,8% para 0,4% em 2012.

Pela definição técnica de recessão, bastam dois trimestres consecutivos de contração do PIB (soma das riquezas produzidas no país).

O Ministério projetou um crescimento de 2,6% neste ano, podendo subir para 1,7% em 2013, após um ano de baixa demanda e investimentos deprimidos.

O relatório oficial adverte ainda que a Finlândia pode ser atingida no início de 2012 salvo se as relações comerciais com seus parceiros mais importantes - Rússia, Suécia e Alemanha - melhorarem.

"O crescimento em 2012 vai depender quase totalmente da demanda doméstica, já que as exportações devem permanecer fracas no ano que vem", adverte o Ministério no relatório publicado nesta semana.

O governo diz ainda que a taxa de desemprego, que atingiu 6,2% em novembro (o menor número em três anos), deve gradualmente crescer para 8% no ano que vem. Já a inflação pode cair moderadamente, para 2,7% no ano que vem.

ASSOCIATED PRESS/FOLHA

Empresa do grupo argentino Clarín é invadida por militares


Policiais argentinos ocuparam nesta terça-feira a sede da emissora Cablevisión no bairro de Barracas, em Buenos Aires, em uma ação praticamente sem precedentes. A empresa de televisão a cabo pertence ao grupo Clarín.

A ação ocorreu após uma ordem de busca e apreensão emitida pela Justiça argentina com base em uma denúncia apresentada pela empresa concorrente Supercanal, do grupo Vila-Manzano, alinhado com o governo de Cristina Kirchner.

Na manhã de hoje, mais de 50 policiais chegaram à sede da Cablevisión e da Fibertel em companhia de funcionários da Justiça e câmeras do programa pró-governo "6, 7, 8", do canal de TV estatal.

A operação durou cerca de três horas. Membros do Judiciário e policiais se retiraram do local depois que os advogados da empresa reclamaram que eles não tinham jurisdição para tal ação, embora não esteja claro quem ordenou a retirada da polícia, órgão dependente do Ministério da Segurança.

A equipe de policiais requisitava a apresentação de documentos aos executivos da companhia e revistavam bolsas e mochilas de todos os funcionários que chegavam à sede. A ordem de busca foi emitida pelo juiz Walter Bento, da região de Mendoza, com base em uma denúncia do Supercanal.

O juiz também designou um interventor e coadministrador para a emissora.

De acordo com o "Clarín", o grupo de multimídia Vila-Manzano, a que pertence o Supercanal, é um aliado fundamental do governo argentino. 

Não foram divulgados detalhes sobre os motivos da denúncia.

A ocupação desta terça-feira é mais um capítulo da longa batalha que o governo de Cristina Kirchner trava com a imprensa independente da Argentina.

PAPEL-JORNAL

Na última quinta-feira (15), a Câmara dos Deputados argentina aprovou o projeto do governo federal que declara de "interesse público" o papel-jornal, cuja única fábrica tem a participação do Estado mas é controlada pelos jornais La Nación e Clarín, em conflito com a presidente Cristina Kirchner.

A iniciativa, que ainda seguirá para votação no Senado, recebeu 134 votos a favor, 92 contra e 13 abstenções.

O projeto busca "assegurar para a indústria nacional a fabricação, comercialização e distribuição regular e confiável da pasta de celulose para o papel de jornal", tanto a pessoas físicas como jurídicas com domicílio no país.


O texto estabelece critérios de preços, comercialização e produção para atender à demanda interna dos jornais, através de um aparato regulatório a cargo do ministério da Economia.

Atualmente, a empresa Papel Prensa, controlada pelo Clarín (49%), La Nación (22%) e pelo Estado (27,46%) é a única fornecedora do país de papel para jornal, com uma produção anual de 170 mil toneladas.

Durante o debate, a oposição denunciou que a lei faz parte de "uma longa série de ações dirigidas a controlar os meios de comunicação".

O projeto acendeu o sinal vermelho na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), cujo presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Gustavo Mohme, o qualificou de "manobra do governo para controlar os jornais".

A decisão é mais um capítulo no confronto entre o governo e os jornais Clarín e La Nación, que no ano passado foram acusados de crimes contra a humanidade por supostas manobras para assumir o controle da Papel Prensa durante a última ditadura militar na Argentina, entre os anos de 1976 e 1983.

SAIBA MAIS

A intenção do governo argentino de legislar sobre a fabricação e a distribuição do papel para jornais e o estabelecimento da Lei de Serviços Audiovisuais, que determina a abertura do setor, são algumas das questões de disputa entre Cristina Kirchner e os donos dos principais jornais do país.

A fábrica Papel Prensa foi fundada em 1972 e adquirida pelos principais jornais argentinos, "Clarín" e "La Nación", durante a ditadura, fato que está sendo investigado pela Justiça por conta das denúncias de que foram cometidas violações aos direitos humanos neste processo.

Para a Adepa (Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas), os últimos dois anos foram os mais difíceis para os meios de comunicação argentinos desde a retomada da democracia em 1983.

A entidade alega que jornalistas e diretores de meios de comunicação vêm sofrendo "danos pessoais e injúria" por parte de funcionários ou setores ligados ao governo.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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