sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Romário e Ronaldo anunciam ingressos para deficientes na Copa


O Comitê Organizador Local da Copa-2014 (COL) anunciou nesta sexta-feira que as pessoas com deficiência física terão 500 ingressos gratuitos por jogo do principal campeonato de futebol do planeta. Os critérios de distribuição ainda não foram definidos, mas serão privilegiados os deficientes que tenham baixa renda.

O anúncio foi feito em cerimônia, no Rio, pelo deputado federal Romário (PSB-RJ) e pelo ex-jogador Ronaldo, que é membro do conselho do comitê organizador.

Ao todo, serão 32 mil ingressos, que serão garantidos dentro da cota que cabe à CBF e ao COL.

A garantia de ingressos para os deficientes acontece uma semana depois de Romário ter feito o pedido, em reunião com o presidente da CBF e do COL, Ricardo Teixeira, e Ronaldo.

Romário, que se emocionou durante o anúncio, admitiu que ficou surpreso com a rapidez com que seu pleito foi atendido. Ele agradeceu a Ricardo Teixeira e Ronaldo, mas buscou ressaltar que vai continuar fiscalizando as ações relativas à organização da Copa.

"Não mudo de lado, não mudo de bandeira. Vou continuar cobrando e fiscalizando. Ronaldo é meu amigo e sabe que eu tenho meu papel, e ele tem o dele", afirmou.

Ronaldo aproveitou para alfinetar a Lei Geral da Copa, ao lembrar que o projeto que tramita no Congresso não inclui benefícios aos deficientes.

"O deficiente físico é muito importante. Eles foram esquecidos na Lei Geral, mas nós não esquecemos", comentou Ronaldo.

Em tom descontraído, Romário disse que a garantia de ingressos para os deficientes proporcionou-lhe um dos dias mais felizes de sua vida. Ele admitiu que estranhou o início de sua carreira parlamentar, há 11 meses, mas que já se adaptou à função.

"Quando sentei no Congresso, pensei: 'Que porra é essa que estou fazendo aqui?' Mas hoje estou amarradão", observou.

FOLHA

TV por assinatura chega a 41 milhões de brasileiros em novembro


O Brasil fechou novembro com 12,4 milhões de domicílios com serviços de TV por assinatura, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). De cada cem domicílios, 20,7 possuem esses serviços.
Considerando-se o número médio de pessoas por domicílio divulgado pelo IBGE (3,3 pessoas), mais de 41 milhões de brasileiros têm acesso a TV paga.

O crescimento do mercado em novembro representa uma evolução de 2,27% na comparação com a base de assinantes de outubro e de 30,54% em relação ao mesmo mês de 2010.

Em 2011, a TV por assinatura acumula um crescimento de 27,37%, com a adição de 2,6 milhões de novos assinantes.

Com a adição de 229.374 assinantes, a TV por satélite (DTH), cresceu 3,5%. O número de assinantes que recebem os serviços via TV a cabo, com a inserção de 51.964 acessos, cresceu 1,0% em novembro. As prestadoras de MMDS, por sua vez, perderam 5.741 assinantes no mesmo período.

De forma semelhante ao ocorrido nos demais meses de 2011, o crescimento registrado no mês de novembro aponta que os serviços DTH seguem em expansão, com a ampliação da participação dessa tecnologia no mercado de TV por assinatura.

Em dezembro de 2010, os serviços DTH representavam 45,8% do mercado nacional e os serviços prestados via TV a cabo eram 51,0% do setor. Ao fim de novembro de 2011, a participação do DTH atingiu 54,1% da base e os serviços a cabo passaram a responder por 43,9% dos assinantes, tendo assim o serviço DTH obtido 1,2 milhão de assinantes a mais do que o serviço prestado por cabo.

Na distribuição dos assinantes por região, 65% do total de usuários são do Sudeste, sendo que somente o Estado de São Paulo detém 41% de todos os acessos dos serviços de TV por assinatura no país em novembro.

FOLHA

M. Dias Branco compra biscoitos Estrela por R$ 240 milhões


A M. Dias Branco anunciou nesta sexta-feira a aquisição da Pelágio Participações e da J. Brandão Comércio e Indústria, por até R$ 240 milhões, segundo informou por meio de fato relevante. As empresas adquiridas atuam sob o nome fantasia "Estrela" nas regiões Norte e Nordeste.

A aquisição envolve as marcas "Estrela", "Pelággio", "Salsito" e "A Estrela", sendo que a produção anual das marcas é de 87,6 mil toneladas de biscoitos, 51,6 mil toneladas de massas e 7 mil toneladas de snacks e bolos. A Estrela fechou 2010 com receita líquida de R$ 190,6 milhões.

Do total do valor da aquisição, R$ 100 milhões foram pagos à vista nesta data, enquanto outros R$ 100 milhões serão pagos em quatro parcelas trimestrais de R$ 25 milhões.

Os R$ 40 milhões restantes serão pagos ao final de seis anos, "descontado do valor das contingências decorrentes de atos ou fatos ocorridos até a celebração do contrato e que venham a ser exigidas da sociedade adquirida", segundo a empresa.

A M. Dias Branco estima que a aquisição levará a fabricante de alimentos a alcançar a participação de 25,3% do mercado nacional de biscoitos, contra 24,1% anteriormente.

A empresa poderá chegar à participação de 25,2% do mercado nacional de massas alimentícias, contra 24,5%, com base nos dados da AC Nielsen, referentes aos meses de setembro e outubro deste ano.

REUTERS/FOLHA

Estado de saúde de Chico Anysio é grave


O estado de saúde do humorista Chico Anysio, 80, é considerado grave, mas estável, segundo informou a assessoria de imprensa do hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul da cidade.

Anysio recebeu alta dos médicos na tarde da última quarta-feira, e voltou a ser internado ontem no Rio.

Internado desde o último dia 27 de novembro com infecção urinária e problemas cardiorrespiratórios, ele sofreu uma hemorragia digestiva alta que já foi controlada. "Este foi o motivo pelo qual ele teve de voltar a ser internado", informou a assessoria de imprensa do hospital.

O artista está no CTI sem previsão de sair para o quarto. O clínico geral e médico particular do comediante, Luiz Alfredo Lamy, afirma que o quadro de saúde dele inspira cuidados, mas é estável.

Chico Anysio já ficou internado por duas vezes este ano. Neste período, ele permaneceu, pelo menos, 110 dias no hospital.

FOLHA

Roberto Amaral: A vitória da direita pós-política


por Roberto Amaral, em CartaCapital, sugestão de Igor Felippe
O grande projeto da direita, impressa ou partidária, ideológica ou simplesmente financeira, é a destruição das instituições democráticas, mediante a desmoralização da política. O segundo e último momento é o esvaziamento da soberania popular, como já ocorre na Europa. Daí o ataque aos políticos, uniformemente apontados, ora como incompetentes, ora, caso brasileiro, como corruptos.
Todos sabemos como começa esse cantochão, e todos sabemos como termina, aqui e em todo o mundo: na Alemanha, construiu o  nazismo; na Itália, o fascismo; a Grécia dos anos 60 terminou na ditadura dos coronéis (1967-1974). E paro por aqui, para que a listagem não fique enfadonha, com o exemplo brasileiro de 1964, lembrando a campanha da UDN contra a ‘corrupção’ do governo João Goulart, assoalhando o desfile militar. Aliás, sem qualquer originalidade, pois assim fôra construído o golpe de 24 de agosto de 1954, que culminou no suicídio de Vargas.
Como a História não se repete, a estratégia, agora, não é mais operar mediante ditaduras impopulares (a não ser no Oriente), mas exercer o mando direto, pela associação das grandes multinacionais, que já respondem por mais de 50% do PIB mundial, e o sistema financeiro. A banca, que já governa a economia em todo o mundo, resolveu agora ela mesma dirigir os países nos quais seus interesses (leia-se a hiperacumulação financeira especulativa) possam estar ameaçados. O experimento se inicia, de forma descarada, na Grécia e na Itália.
A Europa, diz-nos o insuspeitíssimo Mário Soares, um dos responsáveis pelo desfalecimento da saudosa Revolução dos Cravos, “está entregue aos especuladores”. E, nessa Europa, alguns países (como Alemanha e França) são mais europeus que outros, como Espanha e Portugal, realmente governados pela troika FMI-BCE-Comissão Europeia, da qual a dupla Merkel-Sarkozy é simples pombo-correio.
À Espanha e  Portugal ainda é permitido escolher seus dirigentes, dentre aqueles que se revelem mais competentes e mais dóceis para aplicar as ordens da dupla. Noutros países, os políticos são responsabilizados pelos crimes da banca financeira e para governá-los são chamados os tecnocratas que engendraram a crise: são chamados pela troika e por ela indicados. Sem o menor respeito à soberania popular, e desrespeitando mesmo suas classes dominantes, que sequer foram ouvidas.
As modificações nos governos da Grécia e da Itália — esqueçamos por um momento os personagens medíocres, principalmente o burlesco Berlusconi — configuram um assalto à democracia, à soberania e à política.
O ex-primeiro ministro Papandreou foi ameaçado de crucificação por haver pretendido consultar suas vítimas, o povo grego, sobre a adoção do arrocho exigido pelos tecnocratas para a ‘ajuda’ à Grécia, a qual, por seu turno e pelo mesmo motivo, esteve à beira da expulsão da Comunidade Europeia. Assim ficamos sabendo que Papandreou foi penalizado não pelos erros de sua administração desastrada, mas por haver proposto a realização de um plebiscito, um dos mais festejados institutos da democracia.
Isso irritou os democratas Merkel e Sarkozy, com os olhos voltados para seus respectivos sistemas financeiros. Um dia após receber voto de confiança do parlamento grego, Papandreou renunciou para, ainda por exigência da banca internacional, ser substituído por um tecnocrata, Lucas Papademos, egresso do MIT (EUA), que assume com a missão de compor um gabinete ‘técnico’.
Fora com os políticos! Na Grécia, na Itália e em todo o mundo, o mal da política é a política. A demissão do ridículo e corrupto Berlusconi —  que deveria estar na cadeia, tantos são seus crimes —  não se deu por decisão judicial, ou, como deve ser no parlamentarismo, por consequência de um voto de desconfiança. Mas sim pelas mãos do anônimo presidente da Itália cumprindo ordens, de novo, do casal Merkel-Sarkozy, locutores da vontade da banca. Assim foi nomeado o tecnocrata Mário Monti (egresso da Universidade de Chicago), nada mais nada menos do que ex-presidente do Goldman Sachs, o famoso gigante do mercado, com o compromisso de compor o gabinete com outros tecnocratas. Aliás, a intervenção, desta feita, não se fez ‘intra-muros’. Dias antes, o mesmo Goldman Sachs emitira uma ‘nota à imprensa’, na qual, se lia: “Um governo técnico [na Itália] teria maior credibilidade na comparação com outros executivos”. Assim, sem um voto, instala-se a ‘democracia de mercado’, que, em comum a todas as ditaduras, militares ou tecnocráticas, cultiva o sentimento de desapreço ao chamamento da cidadania.
É a pós-política, ou a democracia sem voto.
É o réquiem da União Europeia, e o fim da discurseira que falava nos valores da sociedade ocidental, dentre eles destacando-se a democracia, em nome da qual foram mortos milhões de europeus, argelinos, sírios, líbios, servos, croatas, paquistaneses, indianos, vietnamitas, africanos, afegãos…
Como todo gato escaldado deve temer água fria, seria aconselhável que nossos analistas começassem a dirigir seus olhares para a cena brasileira e fixar-se na campanha unânime que a grande imprensa, não podendo atacar os fundamentos da política econômica do governo de centro-esquerda da presidente Dilma, desenvolve contra a vida política brasileira, tentando fazer com que a cidadania brasileira se convença de que o mal de nosso país não é a desigualdade social da qual ela é servidora, mas a corrupção, da qual é beneficiária (isso não é dito) a classe dominante. Neste país estranho, os que não pagam impostos (os ricos) é que reclamam do apetite da Receita, enquanto os sindicatos silenciam quando deveriam estar nas ruas exigindo taxação progressiva; os jornalões se arvoram em defensores da liberdade de expressão quando foram associados e beneficiários da última ditadura.
A direita impressa quer fazer crer que todos os políticos brasileiros são iguais, isto é, corruptos, donde não haver saída pela política. Foi assim que a direita brasileira criou, em 1964, as condições subjetivas para o golpe militar, o qual, em seu primeiro momento, teve respaldo na sociedade brasileira, principalmente junto à classe média que naquele momento influía mais do que agora na formação do que se chama opinião pública. É construindo a ideia de que o processo representativo não resolve os problemas do país, que os políticos chegam ao poder apenas para realizar suas ‘revoluções’ pessoais, e de que o mal da democracia são os partidos, que a direita constrói o desalento coletivo, tentando fazer com que as grandes massas deixem de ver na democracia a grande alternativa, e na força do voto o poder de mudanças.
A corrupção em nosso país não é maior nem menor do que em qualquer outro país, e nunca foi combatida como está sendo, e não é nem uma deformação da democracia nem da política, porque ao lado do corrupto passivo há sempre um corruptor, que é sempre empresário.
Não é irrelevante (porque, aliás, é inédito) o fato de que, em seus onze primeiros meses de governo, sete de seus ministros haverem sido demitidos pela imprensa, seis deles sob acusações de corrupção, ora não comprovadas, ora silenciadas quando o objetivo é alcançado. Os jornais que trazem o pedido de demissão do Ministro do Trabalho já anunciam ‘suspeitas’ sobre outro auxiliar imediato da presidente, o honradíssimo Ministro Fernando Pimentel.
No caso mais recente, a Comissão de Ética da Presidência, no meu entender exorbitando de sua competência, pede, publicamente, a demissão de um ministro, esvaziando a Presidente da República do direito exclusivo de nomear e demitir seus auxiliares, um dos mandatos do sistema presidencialista que vivemos.
Para evitar novos transtornos, na tal reforma ministerial que a imprensa noticia diariamente como forma de exigência, terá antes a presidente de consultar as quatro famílias que monopolizam a informação no Brasil? Além disso, deverá consultar Febraban, FIESP e CNI?

Roberto Amaral é cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004
BLOG VIOMUNDO

Satélite militar russo cai na Sibéria por falha no lançamento


O satélite russo de comunicações militares e civis Meridian caiu na Sibéria nesta sexta-feira devido a uma falha no lançamento com um foguete Soyuz, informaram as agências russas.

"Segundo as primeiras informações disponíveis, ocorreu uma avaria no terceiro andar do foguete. Sabendo disso, podemos dizer que o satélite caiu em território siberiano", afirmou uma fonte espacial citada pela agência Interfax.

A agência Ria Novosti, citando uma fonte militar, afirmou que o aparelho caiu na região de Tiumen, na Sibéria ocidental, perto da cidade de Tobolsk. 
Não há nenhuma informação sobre eventuais danos materiais ou vítimas.

A Rússia lançou o satélite nesta sexta-feira a bordo de um foguete Soyuz, do cosmódromo militar de Plesetsk (800 km ao norte de Moscou).

O satélite Meridian seria usado com fins militares e civis, entre outras coisas, para garantir a comunicação entre navios, aviões e infraestruturas terrestres no Ártico.

Com este, são cinco os lançamentos sem sucesso deste ano na Rússia, de um total de 33, segundo a agência Interfax.

O fiasco anterior ocorreu em novembro, quando a sonda Phobos-Grunt, que devia dirigir-se a um satélite de Marte, ficou em órbita ao redor da Terra.

Pior ainda foi o lançamento sem sucesso em agosto de uma nave de abastecimento dirigida à Estação Espacial Internacional, que paralisou durante três meses as partidas à ISS.

Este ano a Rússia lembrou o envio há 50 anos do primeiro homem ao espaço, o soviético Yuri Gagarin.

FRANCE PRESS/FOLHA

Anúncio de planetas marca triunfo e limites de pesquisa espacial


A publicação da descoberta de dois planetas do tamanho aproximado da Terra pelo grupo do satélite Kepler é um grito de independência.



Até então, quase todos os achados feitos com as plataformas espaciais precisavam ser confirmados por uma técnica alternativa.

A razão para isso é que o método de descoberta usado por satélites como o Kepler - a diminuição do brilho da estrela conforme o planeta passa à sua frente - está sujeito a falsos positivos.

Contudo, com uma análise estatística robusta, que reduziu a chance de um engano para menos de um em mil, os cientistas praticamente descartaram isso e defendem que os novos planetas já podem entrar na lista oficial.

Ademais, nem há sensibilidade suficiente para confirmar por outra técnica a existência desses objetos, o que justifica a pressa de validar o achado pela rota estatística.

Por um lado, a aceitação dessas conclusões traz grandes perspectivas para a equipe do Kepler (e de seu equivalente europeu, o Corot). Significa que eles podem começar a trazer seus milhares de "planetas candidatos" para o campo dos confirmados, sem esperar dados adicionais de telescópios em terra.

Por outro lado, há limitações severas sobre o que se pode dizer a respeito desses mundos. Só a combinação das duas técnicas (a praticada no espaço e a usada em solo) pode apresentar medições de raio e massa. E são elas que permitem fazer grandes inferências sobre a composição desses mundos.

Embora os pesquisadores até especulem sobre esses pequenos mundos recém-descobertos, eles admitem que a falta de uma medição da massa atrapalha as tentativas de determinar como eles são.

Para isso, será preciso esperar a próxima geração de espectrógrafos, capazes de detectar a presença desses planetas a partir do solo --e de determinar sua massa - por uma via mais segura.

FOLHA

Casal é preso em São Paulo suspeito de roubar R$ 600 mil em golpes


Um casal foi preso em São Paulo sob suspeita de ter roubado cerca de R$ 600 mil em mais de 30 golpes aplicados, segundo a polícia.

Eduardo Henrique Thiago e Fernanda Soares da Silva foram presos na terça-feira (20) suspeitos de estelionato - eles vendiam terrenos inexistentes. A dupla já possui mais de dez processos por estelionato e era procurada pela Justiça, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública).

De acordo com levantamento da polícia, os dois já deram mais de 30 golpes na cidade de São Paulo, ganhando cerca de R$ 20 mil a R$ 30 mil por terreno falso vendido.

Para prender os suspeitos, os policiais se passaram por compradores. O casal se apresentou com nomes falsos e foi preso, segundo a polícia.

O caso foi registrado como estelionato e uso de documento falso no 69 DP (Teotônio Vilela).

FOLHA

Álcool brasileiro terá livre acesso aos EUA a partir de 2012


A Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar) divulgou nota nesta sexta-feira informando a abertura do mercado norte-americano para o álcool brasileiro a partir do próximo mês.

"A legislação americana vigente, que inclui altos subsídios para a indústria do etanol e uma pesada tarifa contra o produto importado, expira no dia 31 de dezembro. Mas, com o fim das atividades no Congresso americano para 2011 nesta sexta-feira, não haverá mais oportunidade para qualquer medida que impeça a abertura para o etanol brasileiro, a partir do primeiro dia de 2012, do maior mercado consumidor de combustíveis do mundo".

Os subsídios pagos às distribuidoras que fazem a mistura de etanol à gasolina, que custam ao contribuinte americano cerca de US$ 6 bilhões por ano, e a tarifa de US$ 0,54 sobre cada galão importado para o país impediam que o etanol brasileiro chegasse ao mercado dos Estados Unidos com preços competitivos.

O presidente da Unica, Marcos Jank, prevê que agora o caminho está aberto para que as várias matérias primas utilizadas para produzir etanol --como milho, beterraba e cana-- sejam avaliadas exclusivamente com base nas características para produzir biocombustíveis eficientemente.

"O que conta é o baixo uso de energia fóssil para produzir a mais elevada quantidade de energia renovável possível, algo que a cana faz melhor do que qualquer outra matéria prima. E na atual conjuntura global vale muito a redução de emissões de gases que causam o aquecimento global" afirmou.

Jank disse ainda que "hoje a prioridade é atender o mercado doméstico". "Mas, com o fim da tarifa americana, é possível visualizar a consolidação do etanol como commodity internacional, como já acontece com o açúcar" completou.

FOLHA

Salário mínimo será de R$ 622 em janeiro


A presidente Dilma Rousseff assinou nesta sexta-feira (23) o decreto que prevê salário mínimo de R$ 622 a partir de janeiro de 2012. A decisão deve ser publicada no "Diário Oficial da União" no início da próxima semana.

Desde o segundo mandato do presidente Lula, os reajustes anuais do mínimo têm seguido uma fórmula que combina o INPC acumulado desde o aumento anterior e o crescimento da economia do ano retrasado.

Pela legislação em vigor, o arredondamento dos valores deve ser sempre para cima. Por conta disso, havia a expectativa de que o valor pudesse ser de R$ 625.

De acordo com lei publicada no início do ano, que também estabeleceu o piso salarial brasileiro em R$ 545, essa metodologia será seguida pelo menos até 2015.

CONSTITUCIONAL

Em novembro, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 8 votos a 2, que a definição do valor do salário mínimo por decreto é constitucional. Partidos da oposição questionaram na corte a constitucionalidade do ato.

A maioria dos ministros, no entanto, entendeu que apesar de a Constituição Federal afirmar que o valor do mínimo seja estabelecido por lei, a previsão de reajustar o benefício por decreto não dará à Presidência liberdade para determinar o novo valor.

FOLHA

A China é vizinha


Fernando Gabeira, jornalista
O livro de Henry Kissinger Sobre a China (Ed. Objetiva) não é um livro totalmente sobre a China. É mais um relato das relações diplomáticas entre os dois grandes países - EUA e China.
Para tornar o processo inteligível, Kissinger faz um longo apanhado da história da China. Pela observação dos líderes chineses, com quem o autor conviveu, aparecem também, em muitos momentos, os fundamentos da própria cultura chinesa. Kissinger, de certa forma, viu a China evoluir do isolamento relativo à ampla presença no mundo; do medo de ser atacada à discussão sobre o que fazer com sua formidável força. Algumas lições do autor sobre os chineses são simples e diretas. Não adianta, por exemplo, esperar que a China compre mais e venda menos. A exportação é um fator de seu crescimento e estabilidade.
Kissinger não critica os idealistas que querem ver os direitos humanos respeitados na China. Mas também não os anima, ao constatar que, quanto maior a pressão internacional, maior a resistência dos chineses. A relação entre dois países adversários que souberam congelar divergências para avançar juntos em algumas áreas é, sem dúvida, um grande momento diplomático.
Alguns traços dos chineses impressionam bem. Não caio na tentação de transplantar soluções para o Brasil, ignorando as diferenças históricas, culturais e políticas. Isso, no entanto, é válido para qualquer outro país. Em todo o livro, ressalta-se a visão de longo prazo dos chineses. Um diálogo transcrito por Kissinger dá um exemplo. Num momento de crise na relação entre China e EUA, em 1996, Kissinger pergunta a Jiang Zemim se ainda estava valendo a declaração de Mao de que a China poderia esperar 100 anos por Taiwan. "Não - respondeu Jiang -, a promessa foi feita há 23 anos. Agora só restam 77". Essa noção generosa do tempo pode sugerir resignação, uma demora em resolver os problemas. Não é assim na China. A análise do momento histórico e a definição de suas tarefas são realizadas com eficácia. O reconhecimento do atraso do país em ciência, tecnologia e seu esforço gigantesco para superá-lo são prova disso. Hoje, somos parceiros na construção de satélites.
Num país democrático, nem sempre os políticos conseguem transcender aos processos eleitorais. É mais difícil trabalhar com a ideia de longo prazo. O êxito nas relações China-EUA dependeu, e muito, da existência de um objetivo comum: neutralizar a URSS. Isso não limita o estudo do caso apenas às relações internacionais. No campo da política nacional, o reconhecimento das lacunas e a definição de metas que envolvam o país não são impossíveis.
É preciso colocar entre parênteses o desejo de catequizar o outro e congelar grandes problemas momentaneamente insolúveis. A China não tolera oposição. Nesse sistema, foi mais fácil reconhecer lacunas com franqueza. Em contexto eleitoral, é difícil que um governo o faça.
Recentemente, os dados sobre a execução de obras no Brasil em 2010 foram desapontadores no campo da habitação, saneamento básico e no programa Luz para Todos. Os debates na Câmara apontaram mais para a interpretação dos números. Quem os ouvisse achava que a realidade é só mais uma versão. De que lado estava? Era difícil concluir. A existência de grandes objetivos compartilhados no País não dissolve as divergências, não atenua os ressentimentos nem resolve magicamente os problemas. Mas seria uma espécie de quadro mais amplo, dentro do qual o processo democrático seguiria seu rumo. Obama sonhou com um tipo de unidade nacional e fracassou nesse ponto.
O entrechoque com objetivos puramente eleitorais é inevitável, mas limitado. Uma geração de políticos que domina a cena no Brasil, por exemplo, pode desaparecer antes que o País tenha cobertura universal de saneamento. Numa democracia, o Congresso é o espaço para definir objetivos comuns. Mas é prisioneiro das questões imediatas.
O caso da extraordinária ascensão da China é típico. Nossas relações se tornaram importantes sem que despertassem interesse equivalente no Parlamento. Pessoalmente, insisti na questão dos direitos humanos e manifestei simpatia pelo Tibete. Não abordei, com ênfase, o crescimento chinês e a complexidade das relações com o Brasil.
O livro de Kissinger, uma visão parcial, é um estímulo para estudar a China. Assim como o são reportagens que mostram suas experiências vitoriosas. A China ganhou muito quando abriu os olhos para o Ocidente. O Brasil pode ganhar muito ao abrir os olhos para a China. Desde que se compreendam as diferenças e haja um generoso diálogo intercultural. Diferenças são assim. Deng Xiaoping achava que o socialismo iria levar 75 gerações para se realizar. Um líder brasileiro pode, por seu turno, esperar também que, em algumas gerações, os direitos humanos sejam universais.
Soja, terras, minério, muita coisa no Brasil interessa aos chineses no momento. O acidente com o cargueiro Vale Beijing, na Baía de São Marcos, revelou que a Vale do Rio Doce pensa em usar 45 navios com capacidade de 400 mil toneladas cada para abastecer o mercado asiático. Operação de risco.
A indústria brasileira tem perdido fôlego. E, como tantas outras no mundo, precisa discutir com o governo o que fazer para competir com os preços chineses. Antes que o declínio seja irreversível.
O momento para focalizar a China é importante porque há sinais de crise no ar. Alguns números de sua economia são preocupantes e fala-se numa bolha explodindo no setor da construção civil. Se a China espirrar, podemos ficar resfriados no Brasil. É uma constatação conjuntural. A longo prazo, as relações devem se tornar mais importantes ainda.
Em certos setores, a tática talvez nem seja competir, como tentamos no passado, com reserva de mercado para computadores.
Assim como a informática, a indústria de energia solar é um passaporte para o futuro. A China avançou nesse campo e poderia nos levar com ela.
EUA e China caminham juntos pois cada um sabe, precisamente, o que quer. Em relação à China, pode ser que saibamos qual é nosso interesse. Mas falta discussão.
ESTADÃO

O panorama da renda no momento da crise



Washington Novaes, jornalista - O Estado de S. Paulo
O falecido ministro Roberto Campos recomendava cuidado com as estatísticas, porque com elas se pode demonstrar qualquer coisa - embora ele mesmo fosse mestre em usá-las em defesa de suas teses raramente pacíficas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comentados há poucos dias (15/12) pelos jornais poderiam ser um bom exemplo, ao mostrarem que 25% de toda a renda gerada no País se concentra em cinco municípios, apenas (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte). Mas os dados também mostram que essa parcela da renda se concentra em menos de 0,1% dos 5.565 municípios brasileiros e nesses cinco vive 12% da população total.
Outro dado da concentração da renda está em que 51 municípios (menos de 1% do total) detêm 50% do produto interno bruto (PIB), enquanto 1.302 outros municípios (23% do total) geram apenas 1% do PIB. Ou ainda: os 10% de municípios com maior PIB têm 95,4 vezes mais renda que a média dos 60% de municípios com menor renda. E três quartos dos municípios têm renda inferior à média nacional.
Convém ter essas informações presentes no momento em que tanto se apregoa a ascensão da economia brasileira a um seleto clube no mundo, com possibilidade de se transformar numa das maiores em pouco tempo (dependendo do quanto seja ou não atingida pela crise dos países industrializados). Elas podem ser cotejadas também com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Pnud (Agência Estado, 3/11). Consta ali que o Brasil está em 84º lugar entre 187 países avaliados, com IDH de 0,718. A Noruega, primeira colocada, tem 0,93; e o país latino-americano mais bem avaliado, o Chile, em 44º lugar, tem 0,805. O IDH leva em conta, além do PIB per capita, a expectativa de vida (73,5 anos no Brasil) e os anos de escolaridade (7,2 anos médios, aqui) da população.
Avaliações internacionais como essa têm mostrado o Brasil como um dos países de maior concentração da renda no mundo. O próprio governo federal tem informado que o programa Bolsa-Família beneficia hoje quase 13 milhões de lares, onde vivem mais de 40 milhões de pessoas, perto de 20% da população total. E temos 9,7% de analfabetos, ou 18,6 milhões de pessoas. Por outro ângulo, verifica-se (Estado, 28/11) que São Paulo tem nada menos do que 914.926 famílias vivendo em situação de risco, em áreas precárias ou em terras irregulares; 25% da população, perto de 4 milhões de pessoas, mora "em favelas, loteamentos, cortiços e outras áreas irregulares". Só para eliminar essa precariedade seria necessário investir R$ 58 bilhões em 14 anos. E pode ser ainda mais contundente: segundo o Unicef-ONU, em uma década dobrou e chegou a 661 mil o número de lares chefiados por adolescentes (15 a 19 anos) e a 113 mil o número de famílias chefiadas por crianças entre 10 e 14 anos (Estado, 1º/12). Não bastasse, a cada dia são assassinados 11 adolescentes com idade entre 12 e 17 anos.
O economista Fábio Giambiagi, em artigo neste jornal (29/11), fez outras aproximações. Segundo ele, o Brasil em 2011 tem 20% de sua população no patamar da pobreza e 7% na "extrema pobreza". A renda média das pessoas de 10 anos para mais, segundo estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que cita, era de R$ 1.094 em setembro de 2009. Mas a renda média dos 10% mais pobres não passava de R$ 109. Já o Censo de 2010 diz que a média nacional da renda domiciliar per capita era de R$ 668. Mas os 25% mais pobres da população não passavam de R$ 188 (pouco mais de um terço do salário mínimo da época) e 50% não ultrapassam R$ 375 (menos de três quartos do salário mínimo).
Mesmo entre proprietários na área rural a situação pode ser muito inquietante, se se lembrar (Estado, 1º/12) que 70,4% dos 5,2 milhões estão nas classes D e E, ou seja, 3,46 milhões, enquanto nas classes A e B são apenas 300 mil. Outros 796 mil pertencem à classe C e 433 mil têm "valor bruto de produção nulo". A classe D/E contribui com apenas 7,6% do valor bruto de produção, com metade dos seus integrantes gerando um valor anual de até R$ 1.455, apenas. Na classe intermediária (15,4% dos estabelecimentos e 13,6% do valor bruto de produção), a renda líquida mensal fica entre R$ 947 e R$ 4.083. A classe A/B, com 5,8% dos estabelecimentos, detém 78,8% do valor bruto de produção.
Ninguém mais duvida de que o ponto crucial para a transformação desse quadro está na educação. Porque hoje temos 3,1% das crianças brasileiras entre 7 e 14 anos fora da escola (5,5% no Norte; 3,2% no Nordeste; 2,8% no Sudeste e Centro-Oeste; e 2,2% no Sul); 16,7% da faixa entre 15 e 17 anos também está fora da escola (18,7% no Norte; 17,2% no Nordeste; 18,6% no Sul; 16,9% no Centro-Oeste; e 15% no Sudeste). É uma base que precisa de investimentos maciços, juntamente com uma formação profissional muito mais eficiente em todas as faixas - quando nada para eliminar o índice alarmante de "analfabetismo funcional" (há quem fale em mais de 50% das crianças e adolescentes até o oitavo ano de escola).
Sem avanços expressivos nesse campo, será difícil também melhorar o panorama na área do emprego, em que a ocupação de pessoas de 10 anos ou mais pouco passa de 53,3% (60,1% é a maior taxa, no Sul; e 47,1% a menor, no Nordeste). E pouco menos de dois terços (65,2%) têm carteira assinada.
Tendo em vista todo este quadro, a tarefa dos próximos tempos será duplamente difícil entre nós: impedir que o País seja atingido com intensidade pela transferência de custos da crise econômico-financeira do "Primeiro Mundo"; e trabalhar para que os custos da crise aqui, como lá, não sejam bancados por toda a sociedade, que teria de pagar por excessos do setor financeiro. Se na Europa e nos Estados Unidos as consequências disso já são alarmantes, imagine num país com as desigualdades de renda e oportunidades como o Brasil. Seria profundamente injusto.
ESTADÃO

A crise da Justiça se agrava


Tão grave quanto a suspensão do poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de investigar juízes acusados de irregularidades, tomada em caráter liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello, foi a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski proibindo a Corregedoria Nacional de Justiça de quebrar o sigilo fiscal e bancário de juízes. Tomadas no mesmo dia, as duas decisões obrigam o órgão responsável pelo controle externo do Judiciário a interromper as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas em várias cortes - inclusive a maior delas, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), onde 17 desembargadores teriam recebido irregularmente R$ 17 milhões, por conta de antigos passivos salariais.
Tendo pertencido durante anos ao TJSP, Lewandowski foi um dos magistrados beneficiados por esses pagamentos. Deste modo, ao conceder liminar suspendendo a devassa que vinha sendo feita nessa Corte pelo CNJ, ele interferiu em causa na qual está envolvido. Por meio de sua assessoria, o ministro disse que não se considerou impedido de julgar o caso, apesar de ter recebido os pagamentos que a CNJ considera suspeitos, porque não era o relator do processo.
Em nota, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) apoiou Lewandowski, alegando que ele agiu "no cumprimento de seu dever legal e no exercício de suas competências constitucionais". Para o ministro Cezar Peluso, Lewandowski não tinha motivos para se declarar impedido de julgar a liminar solicitada pela Associação de Magistrados Brasileiros, cujo presidente - Nelson Calandra - é desembargador no TJSP. O ministro Peluso, oriundo do TJSP, é um dos beneficiários dos pagamentos considerados suspeitos pela Corregedoria Nacional de Justiça. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, ele teria recebido R$ 700 mil, em 2010.
Para Peluso, os ministros do STF não estão impedidos de julgar ações sobre o tema, uma vez que não se sujeitam ao CNJ. Em resposta, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, alegou que não estava investigando ministros da mais alta Corte do País, mas somente os critérios utilizados pelo TJSP nos pagamentos de passivos trabalhistas. "As folhas de pagamento examinadas foram as de 2009 e 2010, quando os ministros Peluso e Lewandowski já não faziam mais parte da Justiça paulista", disse ela.
Os passivos trabalhistas do TJSP decorrem do efeito cascata causado pela aplicação indiscriminada do princípio da isonomia. O problema começou há duas décadas, quando a magistratura - invocando paridade funcional entre o Legislativo e o Judiciário - passou a reivindicar o auxílio-moradia que era pago somente a deputados e senadores.
A discussão demorou anos, os juízes e desembargadores tiveram a pretensão acolhida pela Justiça e a liberação do pagamento ficou condicionada à disponibilidade orçamentária dos tribunais. Como o número de beneficiados era alto e as sobras orçamentárias eram baixas, as quitações tiveram de ser feitas em várias parcelas de pequeno valor. No caso do TJSP, surgiram suspeitas de que os desembargadores mais antigos - que ocuparam os cargos de direção da Corte e dirigem entidades classistas - teriam recebido de uma só vez a quantia a que tinham direito, em detrimento dos demais colegas. A Corte tem 353 desembargadores e, segundo as inspeções da Corregedoria do CNJ, 17 foram privilegiados - o que fere o princípio da impessoalidade assegurado pela Constituição de 88.
Ao esvaziar o poder do CNJ e ao suspender as investigações que a Corregedoria Nacional de Justiça vinha fazendo nas Justiças estaduais, as liminares concedidas pelos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski agravaram a crise do Poder Judiciário. Para evitar que a crise se aprofunde ainda mais, a Corregedoria Nacional de Justiça - que até agora está se saindo moralmente vencedora nesse embate - tem de enviar os processos disciplinares já abertos contra juízes para as Justiças estaduais, como recomendou o ministro Marco Aurélio, em vez de aguardar o julgamento do recurso que a Advocacia-Geral da União já interpôs contra as liminares concedidas pelo Supremo.
ESTADÃO

Sob máscaras, engraxates de La Paz lutam contra a discriminação


Muitos dos cerca de 3.500 engraxates que trabalham nas ruas da capital da Bolívia, La Paz, usam capuzes espessos e bonés encobrindo seus olhos para esconder os rostos e evitar que sejam reconhecidos.


"Meu filho sempre me pergunta por que eu encubro o meu rosto. Eu digo a ele que é porque não quero que meus vizinhos me vejam, senão eles gritam me chamando de lustrabotas, lustrabotas (engraxate, em espanhol)", afirma Javier Mamani, 31 anos, que engraxa sapatos desde os 14.


Ele é parte do exército de engraxates que, todo dia, corre as ruas de La Paz atrás de sapatos empoeirados, para limpá-los a 30 centavos de dólar (R$ 0,55) o par.


É fim de semana, e um sol reluzente esquenta o rosto descoberto de Mamani enquanto ele fala. Mas ele e a maioria dos lustrabotas dizem que, quando trabalham, usam um capuz ou um boné para se proteger do preconceito.


EXÉRCITO DE FORMIGAS

No entanto, um pequeno grupo de engraxates começou a contra-atacar, editando seu próprio jornal, chamado "El Hormigón Armado". Literalmente, isto significa "concreto armado", mas o nome também é um jogo de palavras.

"Os engraxates são hormigas armadas, um exército de formigas", diz Alexis Camacho, um dos fundadores do jornal.

"A sua arma é este jornal, que é tanto um alicerce da nossa sociedade quanto o concreto armado", afirma.

A sede do jornal fica na Fundação Boliviana de Arte e Cultura, no alto de uma das colinas íngremes de La Paz.

A cada dois meses, 4.000 cópias são impressas e distribuídas aos lustrabotas para vendê-las a 60 centavos de dólar por unidade, dinheiro que eles pegam para si.

A renda ajuda os engraxates a suprir necessidades básicas, como obter comida e encontrar um lugar para dormir.

Alguns deles chegam a usar os fundos extras para assistir a aulas noturnas, para ganhar novos conhecimentos profissionais.

Mas eles recebem os jornais sob uma condição: todo sábado têm de participar de oficinas sobre direitos humanos e educação sexual.

"Nada na vida é de graça. Eu dou isso a eles, mas eles têm de me dar o seu tempo", diz Isabel Oroza, diretora da fundação.

Mas Oroza diz que a luta é constante para convencer os lustrabotas de seus direitos.

"Nós trouxemos até a presidente da Suprema Corte para falar com eles, mas eu ainda acho que não conseguimos mudar a sua maneira de pensar", afirma a diretora.

"Mas nós aproveitamos toda oportunidade para ensiná-los os três 'Rs': responsabilidade, respeito próprio e a noção de que respeito gera respeito".

MAU HÁBITO

Na verdade, os lustrabotas têm um quarto "R" para lidar: reputação.

Os engraxates de La Paz têm uma reputação de ser trombadinhas, alcoólatras e drogados, uma imagem reforçada pelo uso das máscaras.

Em uma manhã de sábado, um engraxate de 13 anos chamado Wilmer chegou à fundação claramente sob o efeito de alguma substância.

O seu comportamento era errático e suas roupas tinham um forte cheiro de cola industrial, que muitos lustrabotas inalam.

Muitas das crianças engraxates são órfãs, enquanto outras só parecem ser isso, por preferir enfrentar as ruas do que seus lares, onde sofrem abusos. Para esquecer, eles cheiram cola.

Isto ocorreu com Luis Sanchez, que perdeu os pais quando tinha 15 anos.
"Eu não sabia onde conseguir dinheiro. Alguns amigos me emprestaram a caixa de engraxate, então eu saí da escola e comecei a cheirar cola", afirma.

"Eu parei pouco a pouco, mas é difícil quando você tem um vício como esse. Quando você está 'viajando', nada mais interessa".

A fundação dá aos engraxates uma rede de apoio, e os integrantes mais antigos fazem o possível para guiar os mais jovens.

"Meu pai era um alcoólatra e batia em minha mãe. Minha vida não tinha sentido na época, e eu cheirei cola também. Mas vir aqui todo sábado me faz me sentir bem comigo mesmo", diz Mamani.

"Eu digo aos meninos que eles podem chegar a algum lugar. Eu quero que todos tenham sucesso, este é o objetivo", afirma.

PREOCUPADO

Além da fundação, os lustrabotas também estão dando passos largos. Eles formaram 12 sindicatos em toda La Paz.

Mamani é o vice-presidente do maior deles, que representa os engraxates da principal avenida comercial da capital, chamada de Prado.

Este ano trouxe outro passo importante quando o prefeito de La Paz, Luis Revilla, formalizou a profissão pela primeira vez.

Ele disse que a profissão era uma das bases da economia da cidade e um trabalho digno, defendendo algo que os lustrabotas como Mamani sempre argumentaram.

Apesar desses avanços, na hora de tirar uma fotografia, Mamani ainda reagiu instintivamente ao buscar a proteção de seu capuz e de seu boné.
"Minha sogra não sabe que sou engraxate', disse.

Os sinais são positivos, mas claramente levará muitos anos antes que os lustrabotas de La Paz sintam-se à vontade para baixar a guarda totalmente.

BBC BRASIL/FOLHA

Foto de libélula vence concurso da 'National Geographic'


A revista "National Geographic" divulgou as imagens vencedoras do Concurso Fotográfico de 2011. As 14 fotos foram escolhidas entre as 20 mil enviadas por participantes de 130 países.

O concurso anual premia as melhores fotos de amadores e de profissionais nas categorias Pessoas, Lugares e Natureza.

As três vencedoras, as menções honrosas de cada categoria e a vencedora do grande prêmio foram selecionadas por critérios de qualidade de criatividade pelos fotógrafos da revista Tim Laman, Amy Toensing e Peter Essick.

Elas trazem cenas como uma libélula fotografada sob a chuva na indonésia, o momento em que um felino pula sobre um antílope na África e uma brincadeira entre crianças no morro Santa Marta, no Rio de Janeiro.

Os vencedores do primeiro prêmio em cada categoria ganham US$ 2,5 mil (R$ 4,5 mil) e terão as fotos publicadas na revista. A foto que recebe o grande prêmio, escolhida entre as três vencedoras, dá ao fotógrafo mais US$ 7,5 mil (13,5 mil).

BBC BRASIL/FOLHA

Carta fechada para Papai Noel é encontrada após cem anos em Dublin


O espírito de Natal chegou com cem anos de atraso para um irlandês da cidade de Bangore, que descobriu uma carta para Papai Noel escrita por sua mãe quando era criança.

A carta, bastante deteriorada, foi fechada em 1911 e permaneceu escondida em uma casa de Dublin por várias décadas.

A mãe de Victor Bartlem, Hannah Howard, escreveu sua carta de Natal com sua lista de desejos quando tinha dez anos de idade. Ela foi descoberta em 1991, quando o atual dono da residência, John Byrne, instalou o sistema de calefação central.

Ele encontrou a carta de Hannah na chaminé e decidiu deixá-la ali como um símbolo de tempos passados. Byrne a publicou esta semana no jornal Irish Times, e foi assim que Bartlem, que vive a mais de 150 km de Dublin, leu sobre ela.

Ele estava tranquilamente em sua casa quando sua mulher leu no jornal sobre a pequena menina de Oaklands Terrace, no subúrbio dublinense de Terenure, que pôs sua carta na chaminé. Foi então que Bartlem se deu conta de que se tratava de sua mãe.

"Simplesmente não podia acreditar, foi impressionante, e é uma carta fofa, típica de uma menina", disse.

Bartlem afirmou que ficou impressionado com a reação das pessoas. "É o espírito natalino em que estamos, é o Natal".

Em sua lista de Natal, Hannah escreveu: "Quero uma boneca bebê, uma capa impermeável com capuz, um par de luvas, uma maçã caramelada, um penny de ouro e um caramelo grande".

Hannah nasceu no dia de Natal em 1900. Bartlem diz que sua mãe se casou com seu pai, Alfred Bartlem, em 1931.

Ela teve dois filhos, Howard e Victor, e morreu em 1978.

BBC BRASIL/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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