quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

EUA celebram acordo da União Europeia para banir petróleo do Irã


Os Estados Unidos consideraram nesta quarta-feira como uma "notícia muito boa" o acordo preliminar alcançado pelos governos da União Europeia (UE) para proibir as importações de petróleo do Irã.

"É uma notícia muito boa e o resultado de muitas consultas entre Estados Unidos e os países da UE", disse a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.

A resolução anunciada em Bruxelas por fontes diplomáticas enquanto os países europeus continuam debatendo sobre quando a medida entrará em vigor é "muito bem recebida e supõe um apoio ao objetivo perseguido pelo Congresso (dos Estados Unidos) quando aprovou a nova legislação no fim do ano" passado, acrescentou Nuland.

A porta-voz, que manifestou suas esperanças de que sejam aprovadas medidas ainda mais amplas, fazia referência às sanções aprovadas no último sábado (31) pelo presidente americano, Barack Obama, contra o banco central e o setor financeiro iraniano.

ACORDO

Mais cedo, governos do bloco europeu chegaram a um acordo preliminar para proibir importações de petróleo iraniano, mas ainda devem decidir quando tal embargo entra em vigor, disseram diplomatas.

O acordo, que elevou os preços do petróleo, foi fruto de negociações nos últimos dias de dezembro entre emissários da UE, disseram diplomatas.
Objeções à ideia, particularmente da Grécia, foram retiradas durante as conversações, segundo eles.

"Muito progresso foi feito", disse um diplomata da UE, em condição de anonimato. "O embargo, em princípio, está acordado. Não está mais sendo debatido".

Uma proibição europeia ao petróleo iraniano seria parte das medidas em conjunto do Ocidente para pressionar Teerã a abandonar seu programa nuclear, com o qual muitos governos se preocupam pelo possível desenvolvimento de uma bomba atômica. Teerã diz que seus objetivos são pacíficos.

Os Estados Unidos impuseram novas sanções na véspera do Ano Novo, para reduzir o número de instituições financeiras que trabalham com o banco central do Irã, fora do sistema financeiro norte-americano, bloqueando assim a principal fonte de pagamentos para o petróleo de Teerã.

A Europa começou a preparar um novo impulso contra os setores financeiro e de energia do Irã em dezembro, com o objetivo de ter um acordo de sanções até o final de janeiro.

TECNOLOGIA

Uma proibição das exportações de tecnologia relacionada ao petróleo para o Irã, e outras medidas contra o envio de petróleo também estão em discussão, segundo os diplomatas.

Eles disseram que ainda há um debate entre os governos da Europa sobre executar a proibição imediatamente após ser acordada, ou se deviam esperar alguns meses.

Alguns Estados membros da UE estão preocupados com o impacto econômico de um embargo em um momento em que a Europa luta contra problemas massivos de dívida.

A Grécia, em particular, hesitou, mas fontes do governo grego disseram na terça-feira que Atenas não seria desleal a seus parceiros da UE nesta questão.

ALTA DOS PREÇOS
As tensões entre o Ocidente e o Irã - segundo maior produtor da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) - já elevaram os preços do petróleo.

Nesta quarta-feira, o preço do barril do Brent subiu mais de um dólar ante o fechamento anterior, para o pico da sessão, perto de US$ 114, após as notícias de que os europeus concordavam em banir o petróleo iraniano.


O Irã fornece um total de cerca de 450 mil barris por dia aos Estados-membros da UE, tornando o bloco coletivamente o segundo maior mercado para o petróleo iraniano, após a China.

O Comissário de Energia da UE, Guenther Oettinger, disse que caso houvesse uma proibição às importações iranianas, a oferta poderia ser obtida de qualquer outro lugar, principalmente do líder da Opep, a Arábia Saudita.

FOLHA

Milícias podem criar guerra civil, avisa líder líbio


Depois dos enfrentamentos mortais ocorridos entre combatentes rivais na capital líbia esta semana, o governo de transição do país vem expressando receio crescente de o país mergulhar em uma guerra civil se suas milícias não forem controladas.

O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdul-Jalil, avisou que o governo enfrenta "opções amargas" em seu esforço para controlar milhares de milicianos cujas unidades se formaram ao longo de meses de batalhas contra Muammar Gaddafi e que permanecem na capital, meses após a morte deste.

Desde a queda de Gaddafi a capital, Trípoli, vem sendo palco de trocas de tiros entre grupos rivais vindos de outras partes do país, que entraram na cidade quando ela caiu e em seguida delimitaram seus territórios próprios nela. O governo líbio esperava ter expulsado esses milicianos da cidade até 20 de dezembro.

Com grande número de combatentes ainda na cidade, Jalil descreveu o dilema com que o país se defronta em discurso feito na noite de terça-feira em Benghazi, no leste do país.

"Lidamos com essas violações com dureza e colocamos os líbios em um confronto militar, coisa que não aceitamos", ele teria declarado, segundo a agência Reuters. "Ou então nos dividiremos e haverá uma guerra civil".

Os líderes de transição líbios vêm procurando criar um exército nacional robusto, reunindo os resquícios das forças de Gaddafi com ex-combatentes rebeldes. Eles estão procurando convencer outros combatentes a retornarem à vida civil, criando empregos para aqueles que depõem suas armas.

Mas, segundo Jalil, os esforços não vêm dando resultado. "A resposta até agora tem sido fraca", disse ele. "As pessoas não querem abrir mão de suas armas".

No mês passado uma milícia poderosa da cidade de Zintan, no oeste do país, trocou tiros com soldados do Exército Nacional Líbio num checkpoint comandado pela milícia na estrada que leva ao aeroporto internacional de Trípoli. A milícia vem montando guarda sobre o aeroporto desde agosto.

Na terça-feira, numa das ruas mais movimentadas da capital, um tiroteio de uma hora opôs combatentes baseados em Trípoli a uma milícia fortemente armada de Misrata; dois combatentes morreram. De acordo com agências de notícias, os milicianos de Misrata tentavam libertar prisioneiros de um complexo controlado pelos combatentes locais.
Jalil avisou que enfrentamentos como esses colocam em perigo o progresso político da Líbia.

"Se não houver segurança, não haverá lei, desenvolvimento ou eleições", disse ele. "As pessoas estão fazendo justiça com as próprias mãos".

THE NEW YORK TIMES/FOLHA

Capital italiana inaugura cemitério para fetos


O cemitério Laurentino, de Roma, inaugurou nesta quarta-feira uma ala dedicada somente aos bebês não nascidos, a qual pretende fornecer uma sepultura para os fetos de abortos "espontâneos ou terapêuticos".

No chamado "Jardim de Los Angeles", uma área de 600 metros quadrados, com duas estátuas de anjos em mármore branco e camélias, a assessora para Políticas Socias da prefeitura da capital, Sveva Belviso, explicou que o projeto atende "ao pedido de várias mães".

Pela lei italiana, os fetos não são obrigados a serem enterrados, porém, este cemitério, segundo Sveva, "responde às exigências que cobravam um lugar para sepultar os corpos dos bebês não nascidos que, sem um pedido explícito, são eliminados do mesmo modo que se faz com os resíduos hospitalares".

Sveva também esclareceu que este projeto "não interfere na lei do aborto". Na Itália, a interrupção da gravidez antes dos anos 90 dias de gestação é permitida. Quando a gravidez gera perigo de vida para mãe ou quando detectam más-formações no feto, o aborto é permitido também entre o quarto e quinto mês.

"A ideia do 'Jardim de Los Angeles' é dar uma resposta aos pedidos daqueles que com a sepultura de seu filho tentam restituir o valor desse feto, o qual, de outra maneira, seria considerado um resíduo hospitalar", afirmou Sveva.

Segundo a assessora para Políticas Socias da prefeitura de Roma, as lápides dos fetos serão todas brancas e "não será necessário ter o nome da mãe explicito". Aliás, as mães poderão usar nomes fantasias, embora as lápides deverão ter todas um código de identificação.

O cemitério poderá ser usado por todos aqueles que fizerem um pedido à Prefeitura. Na Itália, já existe um cemitério similar na cidade de Milão.

FOLHA

Chile elimina expressão 'ditadura militar' de livros escolares


O governo do Chile eliminou a expressão "ditadura militar" dos textos escolares para se referir à gestão de Augusto Pinochet (1973-1990), substituindo o termo por "regime militar", como confirmou o novo ministro de Educação, Harald Beyer.

"Geralmente é mais usada a expressão regime militar", justificou Beyer, assegurando que o novo conceito está de acordo com o resto do mundo onde "as expressões são mais gerais".

A mudança, adotada em uma sessão extraordinária do Conselho Nacional de Educação, estipula que as crianças do primeiro ao sexto ano aprendam que no Chile houve um "regime militar" entre 1973 e 1990.

PROCEDIMENTO

O ministro assegurou que, pessoalmente, ele reconhece "que foi um regime ditatorial" mas que existe "um procedimento e que muitos educadores participaram" da decisão.

De acordo com o jornal digital chileno "El Dínamo", a proposta prevê a comparação de "diferentes visões sobre a quebra da democracia no Chile, o regime militar e o processo de recuperação da democracia no final do século XX, considerando os distintos atores, experiências e pontos de vista", além do "consenso atual a respeito do valor da democracia".

ANSA/FOLHA

Pentágono mostrará projeto de corte nas Forças Armadas dos EUA


O secretário da Defesa norte-americano, Leon Panetta, deve revelar nesta semana sua estratégia para a redução de centenas de bilhões de dólares no orçamento do Pentágono, e com ela a visão do governo Obama quanto às Forças Armadas de que os Estados Unidos necessitarão para enfrentar as ameaças do século 21, de acordo com importantes funcionários do governo.

Em uma mudança de doutrina ditada pelas realidades fiscais e pelo acordo do ano passado para impedir que o governo federal norte-americano deixasse de pagar suas dívidas, Panetta deve delinear planos para uma redução cuidadosa nas Forças Armadas -e, ao fazê-lo, deixará claro o que o Departamento da Defesa já não terá capacidade para travar simultaneamente duas guerras terrestres prolongadas.

Em lugar disso, ele informará que as Forças Armadas terão tamanho suficiente para lutar e vencer um conflito grande e ao mesmo tempo "bloquear" as ambições de um segundo adversário em outra parte do mundo e conduzir operações menores, tais como assistência em caso de desastres naturais e vigilância de zonas de exclusão de voo.

Enquanto isso, os funcionários do Pentágono estão conduzindo as deliberações finais sobre potenciais cortes em virtualmente todas as áreas importantes de gastos do Pentágono: o arsenal nuclear, belonaves, aviões de combate, soldos e benefícios de saúde e pensões. Com o fim da guerra no Iraque e o conflito no Afeganistão também em seus estágios finais, Panetta está avaliando em que proporção as Forças Armadas norte-americanas deverão ser reduzidas.

Existe amplo acordo, por parte da esquerda, direita e centro, em que os US$ 450 bilhões de cortes nos gastos militares em prazo de uma década -a quantia que constava do acordo do ano passado entre a Casa Branca e o Congresso- são aceitáveis.

Isso representa o equivalente a cerca de 8% do orçamento básico do Pentágono. Mas também há debate intenso sobre US$ 500 milhões adicionais em cortes que podem ter de ser realizados caso o Congresso decida impor reduções ainda mais profundas no orçamento federal.
Panetta e a linha dura da defesa dizem que uma redução de US$ 1 trilhão, cerca de 17% do orçamento básico do Pentágono, seria ruinosa para a segurança nacional. Os democratas e alguns poucos republicanos afirmam que um corte dessas dimensões seria doloroso mas administrável, acrescentando que cortes ainda mais profundos foram realizados depois do final da guerra fria e das guerras da Coreia e Vietnã.

"Mesmo que o corte seja de US$ 1 trilhão, será mais raso do que alguns dos vistos anteriormente", disse Gordon Adams, responsável pelo orçamento militar da Casa Branca no governo de Bill Clinton e hoje pesquisador do Stimson Center, um centro de pesquisa sem fins lucrativos, em Washington.

"Continuaríamos a ter as Forças Armadas mais dominantes do mundo. Estaríamos em uma corrida armamentista contra nós mesmos".
Muitas das pessoas que se preocupam com os cortes, entre as quais Panetta, reconhecem que os custos de pessoal do Pentágono são insustentáveis e que os generosos benefícios de aposentadoria dos militares podem ter de ser reduzidos a fim de preservar programas cruciais de armamentos.

"Se permitirmos que a tendência anual continue", disse Arnold Punaro, consultor de um grupo de assessoria ao Pentágono, o Defense Business Board, que vem pressionando por mudanças no sistema de pensões militares, "vamos transformar o Departamento da Defesa em um fundo de aposentadoria que ocasionalmente mata um ou outro terrorista".

Panetta delineará a estratégia que orienta seus planos de gastos em uma conferência coletiva esta semana, e os cortes específicos -por enquanto, o departamento preparou um plano para US$ 260 bilhões em cortes em prazo de cinco anos- serão apresentados na proposta anual de orçamento que a Casa Branca submete ao Congresso, que a debaterá e quase certamente imporá emendas antes da aprovação. Ainda que a proposta planeje cortes de custos ao longo de uma década, futuros presidentes poderão propor planos alternativos de gastos ao Congresso.
Os cortes pendentes inevitavelmente forçarão decisões sobre o escopo e o futuro das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Se, digamos, o Pentágono decidir economizar US$ 7 bilhões em uma década ao reduzir de 11 para 10 o número de porta-aviões, será que haveria forças suficientes no Pacífico para conter a China, cada vez mais ousada?

Se o Pentágono decidir economizar US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos ao reduzir o exército, digamos, de 570 mil para 483 mil soldados, os Estados Unidos estariam preparados para uma longa guerra terrestre na Ásia?

E quanto a uma potencial economia de mais de US$ 100 bilhões com cortes nos benefícios de saúde dos soldados reformados ainda em idade de trabalho? Será que isso representaria violar promessas feitas àqueles que arriscaram suas vidas pelo país?

Os cálculos excluem os custos das guerras no Iraque e Afeganistão, que se reduzirão nos próximos 10 anos. Mesmo depois do encerramento dos conflitos e com o potencial corte de US$ 1 trilhão na próxima década, o orçamento anual do Pentágono, hoje de US$ 530 bilhões, recuaria a US$ 472 bilhões em 2013, ou seja, a dimensão que tinha em 2007.

Também é importante ter em mente que Panetta, antigo diretor de orçamento da Casa Branca, compreende a política orçamentária bem melhor que outros titulares da Defesa. Quando enviou uma carta pessimista ao Congresso no ano passado em função do possível corte em alguns dos programas de armas mais caros ao departamento, os analistas a definiram como uma forma clássica de conquistar o apoio do Legislativo.

Mencionaram que Panetta não havia citado os US$ 100 bilhões que seu predecessor, Robert Gates, havia prometido em corte de custos por meio de eliminação de fornecedores, demissão de pessoal, consolidação de tecnologias e limitação de gastos nas seções executivas do departamento.
"Mencionar práticas de negócios não faz com que os alarmes soem", disse Travis Sharp, especialista em orçamentos de defesa no Center for a New American Security, uma instituição de pesquisa de política da Defesa.
Eis algumas outras áreas que podem sofrer reduções: soldos e pensões militares, ainda que difíceis de cortar por motivos políticos, ocupam a primeira posição nas listas de muitos analistas dos orçamentos de defesa. Reduzir os sistemas de saúde e aposentadoria mantidos pelo Pentágono e conter os aumentos resultaria em centenas de bilhões de dólares em economia ao longo dos 10 próximos anos.

No momento, o Pentágono gasta 181 bilhões de dólares anuais, quase um terço de seu orçamento básico, com pessoal: US$ 107 bilhões em salários e despesas, US$ 50 bilhões em saúde e US$ 24 bilhões em pensões.
Um analista independente, Todd Harrison, do Center for Strategic and Budgetary Assessments, uma organização apartidária de pesquisa em Washington, calculou que, se os custos de pessoal das Forças Armadas continuarem a subir como fizeram nos 10 últimos anos, e o orçamento geral do Pentágono não aumentar, em 2039 todo o orçamento das Forças Armadas seria consumido pelos custos de pessoal.

A maioria das "listas de cortes" de Washington recomenda que os beneficiários do plano de saúde do Pentágono, o Tricare, paguem mais pelo serviço. Mas esses aumentos afetariam apenas os soldados reformados e ainda em idade de trabalho e não o pessoal militar da ativa, que não paga planos de saúde.

Outras propostas propõem limitar os gastos com os soldos, que vêm crescendo em dois dígitos anuais desde os ataques de 11 de setembro de 2001, muitas vezes por o Pentágono ter concedido aos soldados aumentos superiores aos requeridos pelo Pentágono.

O maior alvo para cortes entre os programas de armas é o caça F-35, um dos programas armamentistas mais dispendiosos da História. O Pentágono planeja gastar quase US$ 400 bilhões para comprar 2,5 mil dos aviões de ataque invisíveis ao radar, até 2035, mas reduções no número adquirido são antecipadas.

O debate gira em torno da necessidade do novo modelo, e se as missões planejadas para ele não poderiam ser executadas pelo F-16, muito menos dispendioso. A principal vantagem do F-35 está em sua capacidade de escapar a sistemas de radar, o que torna difícil abatê-lo -atributo que só é importante caso os Estados Unidos antecipem um conflito com Forças Armadas avançadas.

"Isso importaria um pouco em um conflito com o Irã e muito se o adversário fosse a China", disse Michael O'Hanlon, analista de defesa na Brookings Institution e estudioso dos efeitos da austeridade sobre as Forças Armadas.

Um dos aspectos mais desafiadores do esforço para equilibrar orçamento e estratégia está em decidir qual é a dimensão das forças terrestres de que os Estados Unidos precisam. O general Ray Odierno, chefe de Estado-Maior do exército e ex-comandante no Iraque, aponta que o exército contava com 480 mil soldados antes do 11 de setembro, e que esse efetivo deveria supostamente ser capaz de travar duas guerras ao mesmo tempo.

Mas o exército se provou insuficiente para sustentar guerras continuadas no Iraque e Afeganistão e teve de ser ampliado para o atual efetivo de 570 mil soldados. Agora, a força deve se reduzir a 520 mil soldados, a partir de 2015, ainda que pouca gente acredite que os cortes parem ali. A realidade é que os Estados Unidos talvez já não sejam capazes de travar duas guerras ao mesmo tempo.

"Isso posto, existem certos riscos em abandonar a capacidade de travar duas guerras simultaneamente", disse Andrew Krepinevich Jr., especialista em assuntos militares do Strategic and Budgetary Assessments.

"Correremos o risco de perder a confiança de alguns aliados, e podemos encorajar nossos adversários. Mas em última análise uma estratégia de blefe, de afirmar uma capacidade que não existe, talvez seja a pior postura".

Estudos realizados pelo Center for a New American Security, Sustainable Defense Task Force e Cato Institute, que representam ampla gama de posturas quanto aos gastos com a defesa, estimam que a economia propiciada pelo corte das forças terrestres atuais pode variar de US$ 41 bilhões, se o efetivo do exército cair a 482 mil homens e o dos Fuzileiros Navais se reduzir de 202 mil a 175 mil integrantes, a US$ 387 bilhões caso o exército caia a 360 mil homens e os Fuzileiros Navais a 145 mil.

Os números finais deixarão claro que os Estados Unidos já não poderão conduzir esforços prolongados de estabilização e criação de instituições, como os empreendidos no Iraque e Afeganistão, sem mobilização em larga escala da reserva e guarda nacional.

A dimensão das Forças Armadas é determinada não apenas com o intuito de vencer guerras mas de dissuadir adversários de iniciarem hostilidades. Esse é o arrazoado que justifica manter forças de combate norte-americanas em bases no exterior e conduzir patrulhas aéreas e navais regulares em todo o mundo.

Mas dada a austeridade que se avizinha, isso também pode sofrer cortes.
O senador Tom Coburn, republicano do Oklahoma, advoga economizar US$ 69,5 bilhões em 10 anos ao reduzir em um terço o pessoal norte-americano estacionado na Europa e Ásia.

"Isso deixaria ampla capacidade militar disponível, por preservar as bases aéreas estratégicas e os portos militares necessários como elos logísticos", afirmou o senador em um relatório sobre suas propostas orçamentárias. Muitos especialistas em orçamento do Congresso também veem formas de economizar custos com a consolidação de bases, escolas e instalações do Pentágono.

Uma das maiores despesas que o Pentágono enfrenta é a substituição de suas envelhecidas forças nucleares estratégicas. Embora manter as ogivas nucleares norte-americanas não seja caro em termos cotidianos, as três partes da tríade nuclear -mísseis de base terrestre, submarinos e bombardeiros- estão chegando ao final de sua vida útil mais ou menos ao mesmo tempo.

"O mundo mudou", disse Stephen Young, analista da Union of Concerned Scientists, uma organização que monitora questões nucleares. "Os Estados Unidos continuariam muito seguros com arsenal muito menor do que temos atualmente".

THE NEW YORK TIMES/FOLHA

Telescópio no Chile capta imagem de nebulosa Ômega


O poder de alcance do Very Large Telescope é atestado pela imagem divulgada nesta quarta-feira pelo ESO (Observatório Europeu do Sul), que fica em solo chileno, no deserto de Atacama.

A foto mostra a nebulosa Ômega, também conhecida como Messier 17, onde proliferam poeira estelar que circunda estrelas em formação.
O gás colorido e a poeira escura da nebulosa servem de matéria-prima na criação da próxima geração de estrelas.

Nesta região particular, as estrelas mais jovens - brilhando de forma ofuscante em tons branco-azulados - iluminam todo o conjunto.
As zonas de poeira da nebulosa, semelhantes a brumas, contrastam visivelmente com o gás brilhante.

As cores vermelhas dominantes têm origem no hidrogênio, que brilha sob a influência da intensa radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes jovens.

A Ômega tem muitos nomes, dependentes de quem a observou, quando e do que julgou ter visto.

Entre eles, incluem-se: nebulosa do Cisne, Cabeça de Cavalo e ainda Lagosta. O objeto foi também catalogado como Messier 17 (M17) e NGC 6618.

A nebulosa situa-se entre 5000 e 6000 anos-luz de distância na direção da constelação de Sagitário.

Um alvo bastante popular entre os astrônomos, este campo de poeira e gás brilhante é uma das mais jovens e mais ativas maternidades estelares na Via Láctea, onde nascem estrelas de grande massa.

FOLHA

Huawei desmente acusações dos EUA sobre relação com Irã


A Huawei Technologies afirmou nesta quarta-feira (4) que as acusações de seis legisladores norte-americanos de que a fabricante chinesa violou leis e forneceu tecnologia sensível ao Irã se basearam em notícias equivocadas.

"Infelizmente, alguns membros do Congresso continuam a citar notícias equivocadas, que têm acusações infundadas", declarou em comunicado a segunda maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo.

A Huawei, fundada pelo presidente-executivo Ren Zhengfei, vem tentando se expandir no setor de telecomunicações nos Estados Unidos, mas enfrenta oposição política por causa de preocupações com a segurança nacional.

A ligação de Zhengfei com as Forças Armadas chinesas é vista como um obstáculo ao crescimento da companhia na América do Norte, embora a Huawei tenha repetidamente negado a relação militar.

Em carta do Departamento de Relações Exteriores dos EUA, seis legisladores do país pediram que o governo investigasse se a Huawei e outras companhias de telecomunicações violaram uma lei de sanção ao Irã aprovada pelo Congresso em 2010 ao fornecerem tecnologia sensível ao país asiático.

O pedido foi redigido em 22 de dezembro, mas só veio a público esta semana. O documento se refere a uma notícia do "Wall Street Journal", em outubro, de que o governo iraniano usou tecnologia da Huawei e outras tecnologias para "restringir a voz da população iraniana e a livre circulação de informação independente no Irã".

REUTERS/FOLHA

FMI adverte sobre contágio bancário da Europa na América Latina


O agravamento da crise financeira da zona do euro poderá contaminar bancos com filiais na América Latina, advertiu nesta quarta-feira o responsável para a região do FMI (Fundo Monetário Internacional), Nicolás Eyzaguirre.

"Se a crise financeira na Europa se agravar, o impacto sobre a estabilidade financeira dos bancos filiais da zona do euro na América Latina pode ser muito maior", disse o funcionário em um blog para avaliar as perspectivas econômicas da América Latina.

A região já demonstrou um bom manejo dos efeitos da crise mundial desde 2008, mas a persistente morosidade econômica nos países desenvolvidos não lhe permitirá aumentar sua taxa de crescimento em 2012, prevista em 4%.

O Fundo atualizará essas previsões em 24 de janeiro, mas a princípio, a América Latina não terá revisada para cima suas perspectivas, disse Eyzaguirre.

"Na medida em que a crise europeia permanece contida, o mais provável é que o crescimento na América Latina continue sendo positivo, ainda que menor que o de 2010-11", disse.

Segundo Eyzaguirre, algumas filiais de bancos da zona do euro mantêm uma quarta parte dos ativos bancários dos países latino-americanos, e muitos desses bancos estão adotando políticas de crédito mais conservadoras para reforçar seus balanços.

O Banco Espanhol, que sofre crescentes problemas de financiamento nos mercados, possui 25% do mercado no México, Chile e Peru.

"Apesar de estes bancos terem tido a precaução de financiar a maior parte de suas atividades na América Latina com depósitos de residentes e em moeda local, é possível que gerem uma grande demanda por fundos em dólares, seja por uma menor oferta de suas casas matrizes ou por um corte das linhas de crédito externa", disse Eyzaguirre.

FRANCE PRESS/FOLHA

China Telecom entra no mercado britânico de telefonia móvel


A China Telecom planeja lançar um serviço móvel no Reino Unido de olho no público chinês naquele país, de residentes e visitantes até o segmento corporativo, tornando-se a primeira operadora chinesa a lançar um serviço desse tipo fora da China, informou a companhia nesta quarta-feira.

O serviço vai utilizar capacidade de rede da Everything Everywhere, joint venture da France Telecom com a Deutsche Telekom, que é a maior operadora móvel britânica.

A China Telecom, a menor das três operadoras chinesas, também considera entrar no mercado norte-americano com um modelo semelhante de "operadora virtual", como é chamado o serviço que utiliza a rede de outra operadora.

A companhia atualmente oferece serviços de telecomunicações ao mercado corporativo em todo o mundo, assim como a consumidores e empresas na China.

Em 2010, 271 mil chineses viviam no Reino Unido, segundo dados oficiais, cerca de 0,4% da população do país.

REUTERS/FOLHA


Brasil registra 2º maior ingresso de dólares da história em 2011


A entrada de dólares no Brasil superou a saída e o resultado do fluxo cambial brasileiro foi positivo em US$ 65,27 bilhões em 2011, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (4). Na comparação com 2010, que registrou a entrada de dólares de US$ 24,35 bilhões, houve um incremento de 168,3%.

Este é o segundo maior superavit registrado no país, ficando atrás apenas do resultado de 2007, quando houve ingresso de US$ 87,45 bilhões.

No ano, as contas financeira e comercial fecharam positivas em US$ 21,32 bilhões e US$ 43,95 bilhões, respectivamente.

O fluxo de dólares (entrada e saída da moeda) para o país em dezembro foi negativo em US$ 1,94 bilhão, informou o Banco Central.

O resultado mensal se deve à saída de US$ 3,62 bilhões da conta financeira e a entrada de US$ 1,68 bilhão nas operações comerciais.

Em novembro, o deficit no fluxo cambial foi de US$ 942 milhões.

As operações comerciais são aquelas onde contratos são celebrados para exportação e importação. Já as operações financeiras incluem as atividades restantes, como IED (Investimento Estrangeiro Direto), aplicações financeiras, remessas de lucros e dividendos ao exterior.

REUTERS/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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