quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Bezerra está sendo 'vítima pelo fato de ser nordestino', diz líder


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta quinta-feira (12) que o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) está sendo "vítima pelo fato de ser nordestino".

O ministro presta esclarecimento à comissão representativa do Congresso Nacional sobre as suspeitas de que teria privilegiado Pernambuco, seu reduto político, na distribuição de recursos da pasta, além de acusações de nepotismo.


Segundo Costa, se São Paulo tivesse concentrado a verba, não haveria polêmica.

"Vossa Excelência está sendo vítima pelo fato de ser nordestino. Acho difícil que se tivesse havido liberação até maior para Estados como São Paulo tivesse essa celeuma. Isso só acontece quando se trata do Nordeste".

Para o petista, Pernambuco recebeu o maior volume de recursos por ser "mais ágil".

A fala do ministro já dura duas horas e meia. Ele ainda não passou por constrangimentos e só foi questionado mais duramente pela oposição.

O Palácio do Planalto orientou a base a blindar o ministro, temendo desgaste com o PSB, um dos principais aliados.

O ministro reforçou os argumentos de defesa sustentando que os repasses para Pernambuco seguiram critérios técnicos e que na divisão global, envolvendo verba de outros ministérios, o sudeste é quem mais recebeu dinheiro.

FOLHA

Mais de 3 milhões de inscrições já foram feitas para o Sisu


Terminam nesta quinta-feira às 23h59 as inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), de ingresso a instituições públicas de ensino superior.
O último balanço divulgado pelo Ministério da Educação mostra que o número de inscrições já aumentou 56% em relação ao processo do primeiro semestre de 2011.

Até o meio-dia, foram recebidas 3.163.452 inscrições. O total de candidatos está atualmente em 2.020.733. Os dois números diferem, pois cada aluno pode escolher até duas opções de curso para fazer a inscrição.

O Rio de Janeiro continua sendo o Estado com maior número de inscrições, um total de 359.658. Uma das explicações é que as principais universidades públicas locais aderiram ao sistema: UFRJ, UniRio e Uerj.

Na sequência dos Estados com maior número de inscrições estão Minas Gerais (337.328), São Paulo (267.225), Ceará (227.119), Rio Grande do Sul (214.684) e Bahia (201.065).

O Sisu é um sistema de seleção que usa como critério o desempenho no último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). As inscrições começaram no último sábado e seguem até o fim da noite de hoje.

Nesse processo, estão sendo oferecidas 108,5 mil vagas em 95 instituições públicas de ensino superior.

O resultado da primeira chamada será divulgado no domingo (15). As matrículas serão entre os 19 e 20 deste mês.

FOLHA

Nome de novo álbum de Madonna gera polêmica na internet


Faltando poucas semanas para o lançamento de "Gimme All Your Luvin", o primeiro single de seu novo disco, Madonna revelou o título de seu 20º álbum de estúdio: "MDNA".

Um dos principais pontos de repercussão nas redes sociais é que o título escolhido seria uma espécie de trocadilho. De cara, o título parece se referir ao nome artístico da cantora. Mas, além disso, o nome escolhido também é muito semelhante à sigla "MDMA", uma droga similar ao ecstasy.

Madonna anunciou o título de seu novo álbum na noite da última quarta-feira, quando falava sobre o filme "W.E." e sua estreia como diretora, em entrevista à "BBC". Apesar de adiantar o nome do novo álbum, a cantora não confirmou a data de lançamento do esperado "MDNA".

Desde que a cantora anunciou que entraria no estúdio para gravar novas músicas, inúmeras notícias já foram divulgadas, incluindo o vazamento de uma canção inacabada.

No entanto, as emissoras e as rádios deverão esperar até o final de janeiro para começar a tocar o definitivo "Gimme All Your Luvin", uma música que Madonna apresentará ao vivo durante sua atuação no intervalo da final Super Bowl, que será realizada no próximo dia 5 de fevereiro.

Pelo que foi escutado na versão vazada na internet, a qual ainda não contava com as participações das cantoras MIA e Nicki Minaj, sabe-se que sua nova música da Madonna recorre aos típicos cânticos das animadoras de torcida americanas.

"MDNA" é o primeiro trabalho que Madonna lançará pelas mãos da Interscope Records, filial da Universal Music, dos três discos que estão previstos. Segundo o jornal "The New York Post", a cantora cobrará um milhão de dólares por cada um deles.

Após o pequeno fiasco de "Hard Candy" (2008), seu último disco de estúdio, a artista voltará a repetir uma das parcerias mais proveitosas de sua carreira: com o produtor William Orbit, que colaborou com o aclamado "Ray Of Light" (1998). Outros produtores e DJs de êxito, como o francês Martin Solveig, também estarão presentes.

EFE/FOLHA

Twitter critica mudanças em buscas do Google


O Twitter criticou as mudanças que o Google anunciou em seu serviço de buscas na terça-feira, descrevendo-as como ruins para os consumidores e as empresas de conteúdo da web.

O Twitter afirmou que as mudanças do Google tornarão mais difícil para internautas localizarem as notícias urgentes que os usuários do site de microblogs muitas vezes utilizam para divulgar.

"Como vimos repetidas vezes, as notícias urgentes surgem primeiro no Twitter. Como resultado, contas do Twitter e tuítes são muitas vezes os resultados de busca mais relevantes", afirmou a companhia em comunicado.

"Estamos preocupados com a possibilidade de que, como resultado das mudanças no Google, encontrar essas informações fique mais difícil para todos. Cremos que as mudanças são ruins para as pessoas, editores, organizações noticiosas e usuários do Twitter", o afirma o comunicado.

As críticas do Twitter, surgidas apenas horas depois que o Google anunciou novos recursos cujo objetivo é personalizar mais os resultados de busca, sublinharam a crescente concorrência entre as duas companhias. E surgem em um momento no qual o Google vem enfrentando uma investigação antitruste pela suspeita de que favorece os seus serviços nos resultados de busca apresentados.

Um porta-voz do Twitter não quis comentar se a empresa estava pensando em recorrer às autoridades antitruste para reclamar das mudanças no Google.

"Estamos um pouco surpresos com os comentários do Twitter sobre o Search plus Your World, porque eles optaram por não renovar seu acordo conosco, no ano passado", afirmou o Google em um uma mensagem pública.

Um acordo assinado em 2009, que permitia que o Google oferecesse retornos em tempo real sobre mensagens do Twitter como parte de seus resultados de busca, expirou em julho.

O Google também informou estar respeitando as instruções de código incorporadas a certas mensagens do Twitter, sob as quais serviços de busca não devem incluir aquele conteúdo em seus resultados de busca.

FOLHA

Irã está 'a um ano' de ter material para bomba, diz ex-inspetor


Ao transferir a produção de urânio altamente enriquecido para uma nova instalação subterrânea, o Irã está agora a apenas um ano de ter material suficiente para uma bomba nuclear. A informação é de um ex-chefe das inspeções nucleares da ONU (Organização das Nações Unidas), em artigo publicado nesta quinta-feira.

O finlandês Olli Heinonen escreveu que ter um estoque de cerca de 250 quilos de urânio enriquecido a 20% - uma forma que em poucas semanas pode ser purificada para o grau de armas, de 90% - não significava, no entanto, que o Irã possa fabricar uma bomba sem mais trabalho de engenharia.

Heinonen foi vice-diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) até 2010 e agora está na Universidade de Harvard. Ele fez a previsão dias depois de o Irã ter confirmado o início do enriquecimento de urânio a 20% dentro da montanha Fordo, alimentando os temores do Ocidente de que Teerã está buscando armas atômicas.

Estimativas sobre quando o Irã poderá desenvolver tais armas são importantes, já que podem determinar o prazo que as potências terão para resolver o impasse nuclear de forma pacífica. Teerã diz que seu programa nuclear é pacífico.

USO MÉDICO

O país islâmico diz que precisa refinar urânio ao nível de 20% de pureza físsil, comparado com os 3,5% normalmente usados para abastecer as usinas de energia nuclear, para um reator de pesquisas médicas em Teerã que produz isótopos para doentes com câncer.

Mas diplomatas ocidentais e especialistas questionam a credibilidade dessa justificativa e observam que adquirir a capacidade de produzir urânio a 20% é um passo mais perto dos 90% necessários para fazer material para armas.

"Se o Irã decidir produzir urânio no grau das armas, a partir do urânio enriquecido a 20%, já terá realizado 90% do esforço de enriquecimento necessário", escreveu Heinonen em um artigo para a revista Foreign Policy.

"O que resta fazer é abastecer o urânio a 20% através de cascatas existentes e adicionais para chegar ao enriquecimento no grau de armas... esse passo é mais rápido do que os anteriores".

Até agora o Irã produziu urânio a 20% em outra instalação na superfície, mas anunciou no ano passado que iria transferir essa atividade de alto grau para um local subterrâneo em Fordo, oferecendo melhor proteção contra ataques aéreos inimigos.

FOLHA

Mãe de Reynaldo Gianecchini chega a centro de transplante


A mãe do ator Reynaldo Gianecchini chegou no início desta tarde ao centro de transplante de medula do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Heloisa Helena Gianecchini, 68, está acompanhada da atriz Claudia Raia, amiga do ator.

Gianecchini, 39, voltou a ser internado na semana passada para dar sequência ao tratamento do linfoma não Hodgkin - um tumor que atinge os gânglios linfáticos -, diagnosticado em agosto do ano passado.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, a internação teria como objetivo preparar o ator para o transplante de células-tronco. Em novembro, sua mãe confirmou à Folha que o filho se preparava para realizar o procedimento.

O transplante de células-tronco é uma forma de "reinicializar" a medula óssea e o organismo após um ciclo agressivo de quimioterapia. No procedimento, são colhidas células-tronco do próprio paciente, que as recebe depois por meio de uma transfusão de sangue para que regenerem a medula.

Procuradas nesta manhã, as assessorias de imprensa do hospital e do ator não confirmaram se a cirurgia será realizada hoje.

FOLHA

Desaceleração contínua


Anualmente, ao apresentar o balanço da economia da região, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à ONU, divulga também suas projeções para o ano seguinte. Essas projeções mostram uma contínua desaceleração da atividade econômica na região. Para 2010, a projeção era de 5,9%; para 2011, de 4,3%; e, para 2012, de 3,7%, de acordo com relatório divulgado há dias.
Como a América Latina tem sido menos atingida pela crise do que outras regiões, o crescimento previsto pela Cepal para 2012 é maior do que a média da expansão projetada para outras regiões. São muitos, porém, os fatores externos que afetarão a atividade econômica nos países da América Latina e são tantas as incertezas sobre o comportamento da economia mundial que, por enquanto, a desaceleração é o único ponto comum das projeções para o desempenho da economia regional divulgadas por diferentes instituições. Não é possível prever a intensidade da desaceleração.
Se a situação dos países que enfrentam problemas para financiar as dívidas de seus governos e para estimular suas economias não piorar, a desaceleração da economia latino-americana será moderada em 2012. A Cepal reconhece, no entanto, que o cenário pode piorar bruscamente.
Em relatório divulgado no fim de outubro, a OCDE, que reúne os países ricos, advertiu que um aprofundamento da crise na zona do euro afetaria duramente a América Latina.
A intensificação da crise na Europa reduziria ainda mais a demanda de produtos exportados pela região (alimentos, minérios, petróleo e bens industrializados ou semi-industrializados, entre outros), afetaria o preço desses itens, limitaria os investimentos externos europeus, reduziria o fluxo de turismo, por exemplo. O mercado financeiro se tornaria ainda mais volátil, a insegurança poderia provocar a fuga de capitais da região e o acesso ao crédito internacional ficaria mais difícil. Se, além disso, a economia da China desacelerar, as exportações dos países latino-americanos, especialmente o Brasil, seriam ainda mais afetadas, gerando novas dificuldades para a região.
A OCDE reconheceu que há um contraste entre o alto nível de endividamento público na União Europeia e a situação fiscal relativamente tranquila dos países latino-americanos. Segundo a organização, entre 2000 e 2007, a dívida pública da América Latina diminuiu cerca de 15% e os resultados fiscais passaram de um déficit de 2,4% para um superávit de 0,4% do PIB nesse período. Graças a esse esforço fiscal, os países da região estavam mais preparados para a crise mundial iniciada em 2008 do que em crises anteriores. A esses fatores positivos, a Cepal acrescenta o alto nível de reservas internacionais da maioria dos países da região.
Mas o quadro não é homogêneo. A vulnerabilidade e a capacidade de resposta aos problemas externos variam de país para país. Alguns estão mais expostos do que outros, por causa de seu nível de reservas externas, de sua dívida pública, do déficit fiscal ou de sua dependência de exportações de poucos produtos.
Em média, como reconheceu a Cepal, os países da região reagiram bem à crise de 2008 e 2009, alcançaram bom ritmo de crescimento em 2010, mas já utilizaram boa parte dos recursos de que dispunham para aparar o impacto dos problemas externos. "O espaço para (a utilização de) alguns dos instrumentos contracíclicos é menor do que o de antes da crise de 2008-2009 e hoje estão mais frágeis certos fatores externos que na época permitiram uma rápida recuperação da economia global, especialmente a aplicação coordenada de medidas fiscais e monetárias dos países desenvolvidos", diz o relatório.
O aumento dos investimentos públicos é recomendado pela Cepal para contrabalançar o efeito negativo dos fatores externos. A Cepal argumenta que, com melhorias nos sistemas de coleta de impostos, alguns governos podem obter recursos para investir mais. Mas outros, como o brasileiro, já extraem do contribuinte tudo o que podem.
ESTADÃO

A nova vanguarda do atraso


José Serra, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo - O Estado de S.Paulo
O desempenho da economia brasileira em 2011 foi modesto: o PIB cresceu menos de 3%, a segunda pior performance desde 2004. O freio da economia foi a indústria de transformação, que permaneceu estagnada.
A produção de bens de consumo durável declinou quase 2%. Pior foi o caso dos não duráveis: no ramo têxtil, a produção caiu 15%; em calçados e artigos de couro, -10%; no vestuário, -3,3%. De fato, o setor industrial anda de lado, ou, dependendo de onde, para trás. Até hoje não retomou o nível de produção anterior à crise de 2008-2009.
O leitor pode perguntar-se: como é possível isso, se o consumo nos últimos anos aumentou tão rapidamente? Desde 2007 as vendas a varejo cresceram perto de 40% reais; em 2011, 5%.
A resposta é simples: crescem vertiginosamente as importações de produtos manufaturados. O déficit da balança comercial da indústria de transformação em 2011 (janeiro/novembro) cresceu 37% em relação a 2010, chegando a US$ 44 bilhões! Em 2006 a balança era superavitária em US$ 30 bilhões. Assim, boa parte dos empregos gerados pela febre de consumo dos últimos anos foi para o exterior.
Há uma desindustrialização em marcha no Brasil. Além do encolhimento do setor em relação ao PIB (faz mais de uma década), há uma desintegração crescente de cadeias produtivas, tornando algumas atividades industriais parecidas com as "maquiadoras" mexicanas.
Mas atenção! Os produtos manufaturados que importamos não são mais baratos e os que exportamos, mais caros porque a indústria brasileira seja mais ineficiente que a chinesa ou a coreana, embora, pouco a pouco, num círculo vicioso, isso possa ocorrer. A explicação principal é o elevado custo sistêmico da economia brasileira.
Primeiro, a carga elevada e distorcida de impostos sobre a indústria. Um exemplo simples: de cada R$ 1 do custo do kw de energia elétrica, R$ 0,52 vão para tributos e encargos setoriais!
Segundo, a péssima infraestrutura. O governo federal destina pouco para investir e investe pouco daquilo que destina, em razão de falta de planejamento, prioridades e capacidade executiva. O País realiza um dos menores investimentos públicos do mundo como fração do PIB. Mais ainda, por causa desses fatores, acrescidos de populismo e preconceitos, os governos do PT não conseguiram fazer parcerias amplas com o setor privado na infraestrutura.
Há uma terceira condição decisiva para a desindustrialização: a persistente sobrevalorização da moeda brasileira ante as moedas estrangeiras - cerca de 70% desde 2002, segundo estimativa de Armando Castelar. Isso aumenta fortemente os custos brasileiros de produção em dólares, dos salários à energia elétrica.
Isoladamente, a sobrevalorização é o fator mais importante que barateia nossas importações e encarece as exportações de manufaturados. Levá-la em conta ajuda a compreender por que temos o Big Mac mais caro do mundo e os nossos turistas em Nova York, embora em menor número que os alemães e os ingleses, gastam mais do que estes dois somados.
Economistas e jornalistas de fora do governo falam contra a ideia de existir uma política específica para a indústria. Opõem-se à teoria e à prática de uma política industrial, que, segundo eles, geraria distorções e injustiças. Já o pessoal do governo e seus economistas falam enfaticamente a favor da necessidade e da prática de política industrial. Nessa discussão se gastam papel, tempo de TV a cabo e horas de palestras.
É uma polêmica interessante, mas surrealista, pois não existe de fato uma política econômica abrangente e coerente, de médio e de longo prazos, que enfrente as causas da perda de competitividade da indústria. O programa Brasil Maior? Faltam envergadura e capacidade de implantação, sobram distorções. E a anarquia da política de compras de máquinas e equipamentos para a área do petróleo ou a confusão dos critérios de crédito subsidiado do BNDES, têm alguma racionalidade em termos uma política industrial? Nenhuma!
Alguém poderia questionar: "E daí? Qual é o problema de o Brasil se desindustrializar? Temos agricultura pujante, comércio próspero e outros serviços se expandindo. Tudo isso gera empregos e renda. Devemos seguir comprando mais e mais produtos industriais lá fora, pois dispomos dos dólares para tanto: vendemos minérios e alimentos e recebemos muitos investimentos externos".
Desde logo, nada contra sermos grandes exportadores de produtos agrominerais. Os EUA fizeram isso no século 19 e em boa parte do século 20 e ainda viraram a maior potência industrial do planeta, expandindo ao máximo a exportação de manufaturas. A riqueza em commodities não é a causa necessária de retrocesso industrial. Pode, sim, ser fator de avanço. O retrocesso só existe porque os frutos dessa riqueza não estão sendo utilizados com sensatez e descortino.
Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia.
O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77ª renda per capita e o 84º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities.
A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso.
ESTADÃO

A escolha difícil de Dilma neste início do novo ano


O ano de 2012 começa para Dilma Rousseff sob o signo de novas dificuldades. Se no ano passado ela precisou fixar, logo no início, um contingenciamento de R$ 50 bilhões no Orçamento, neste ano pode ser necessário elevar o corte para R$ 70 bilhões. É que não haverá, neste início de ano, receitas infladas de Imposto de Renda relativas ao bom desempenho do ano anterior, de empresas e pessoas físicas, mas haverá despesas infladas, com o novo salário mínimo pesando sobre o pagamento do funcionalismo público e sobre os gastos do INSS.
Em março a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, menor do que se esperava, oferecerá uma nova frustração à presidente, ciente de que a opinião pública não deixará de comparar esse resultado ao do último ano de governo de Lula.
Neste início de ano, há um aviso importante na divulgação dos primeiros índices de preços: os preços dos produtos agropecuários voltaram a ter grande peso na formação do índice geral, e são eles os que mais sobrecarregam o orçamento das famílias de menor renda.
A presidente conta com um único aliado possível neste quadro: o Banco Central, que por meio da sua nova política monetária poderá continuar reduzindo a taxa básica de juros, como fez nos últimos meses, para conter uma nova onda inflacionária.
Não foi dada suficiente atenção aos comentários surgidos em torno de um estudo divulgado no último Relatório de Inflação, em que se procurava demonstrar que um corte das despesas orçamentárias é mais eficiente do que uma elevação da taxa Selic para conter a inflação.
Dilma Rousseff deu certamente grande atenção a esse estudo e, para evitar que o Banco Central tenha de voltar a elevar a Selic, fará todos os esforços para reduzir os gastos do governo.
O risco é de que para isso resolva voltar a sacrificar os investimentos, em lugar de reduzir os gastos de custeio, como fez no ano passado, o que contribuiu para um forte recuo do PIB, com destaque para o setor manufatureiro.
É preciso lembrar que os investimentos em infraestrutura têm duas vantagens: elevam as encomendas à indústria, que está numa fase de atividade declinante, e, melhorando a infraestrutura, aumentam a capacidade de concorrência da indústria brasileira, o que permite que esta ofereça melhores preços no mercado internacional, garantindo assim um novo impulso ao setor.
Cabe a Dilma Rousseff se compenetrar nessas vantagens, mesmo sabendo das dificuldades de cortar gastos de custeio.
ESTADÃO

Vendas mundiais de computadores têm queda de 1,4% no 4º trimestre


As vendas mundiais de computadores apresentaram queda no quarto trimestre de 2011, após dois trimestres de resultados positivos, informou a consultoria Gartner em relatório divulgado hoje.

As vendas de PCs somaram 92,2 milhões de unidades no período, 1,4% menos do que o verificado no mesmo período do ano anterior. O desempenho ficou em linha com a estimativa da consultoria, que previa queda de 1% para o período.

O menor interesse dos consumidores por PCs em detrimento de outros produtos, como os tablets, e as incertezas sobre a economia europeia e americana provocaram uma redução da demanda nessas regiões.

O aumento da demanda por PCs no mercado empresarial dos países emergentes cresceu, mas não o suficiente para compensar a queda de vendas na Europa e nos Estados Unidos, apontou o Gartner.

De acordo com o relatório da Gartner, a Hewlett-Packard (HP) liderou as vendas de computadores no quarto trimestre, com 14,7 milhões de unidades embarcadas. O volume, no entanto, ficou 16,2% abaixo do verificado no mesmo intervalo do ano anterior.

A Lenovo ocupou a segunda posição, com incremento de 23% nas vendas globais, totalizando 12,9 milhões de PCs. O forte avanço nas vendas da companhia foram associados a uma política agressiva de preços adotada em 2011 para ganhar mercado.

A Dell ocupou a terceira posição, com vendas de 11,6 milhões de computadores, volume 7,8% superior ao do terceiro trimestre de 2010, favorecida pelo aumento da demanda no segmento empresarial em países da região Ásia-Pacífico.

A quarta maior exportadora foi a Acer, com 9,8 milhões de unidades vendidas (queda de 18,4% no período), seguida pela Asus, com 6,2 milhões de unidades (alta de 20,5%).

VALOR/FOLHA

Planeta como o de 'Guerra nas Estrelas' pode ser comum, diz estudo


Quando George Lucas instalou Luke Skywalker - protagonista do seu "Guerra nas Estrelas"  - em um planeta que orbitava dois sóis, esse tipo de mundo parecia confinado à ficção. Mais de 30 anos depois, cientistas já provaram que planetas assim são reais e, agora, propõem que eles sejam até comuns.

O telescópio espacial Kepler, da Nasa (agência espacial dos EUA), descobriu dois novos planetas que, como o ficcional Tatooine, orbitam duas estrelas. E eles nem ficam em uma galáxia muito distante.

Batizados de Kepler-34b e Kepler-35b, ambos estão bem aqui, na nossa Via Láctea, na constelação de Cisne.

Os dois são gigantes gasosos (mais ou menos do tamanho de Saturno).

O Kepler-34b orbita suas duas estrelas a cada 289 dias. As estrelas, por sua vez, orbitam uma a outra a cada 28 dias. Já o Kepler-35b orbita uma dupla de estrelas um pouco menor que o nosso Sol a cada 131 dias, elas orbitam uma a outra a cada 21 dias.

Em setembro de 2011, também usando o Kepler, astrônomos descobriram o primeiro planeta do tipo, batizado de Kepler-16b.

Embora o número total de planetas desse tipo conhecidos seja de apenas três, os cientistas já propõem que, dada as características de seus sistemas, eles podem ser muito comuns no Universo. Com milhares de outros existindo por aí.

Alguns, inclusive, na chamada zona habitável - região onde a temperatura permite a existência de água líquida. Os dois novos planetas, porém, são provavelmente quentes demais para isso.

Planetas que orbitam duas estrelas têm uma grande variação na quantidade de energia recebida, o que pode levar a grandes mudanças climáticas na superfície.

"Seria como circular por todas as quatro estações várias vezes por ano, o que provoca variações enormes de temperatura", explicou nesta quarta-feira William Welsh, da Universidade Estadual de San Diego, na apresentação da descoberta na reunião da Sociedade Astronômica Americana, no Texas.

FOLHA

Seca provoca prejuízo de R$ 440 milhões em Santa Catarina


O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, afirmou que o prejuízo causado pela estiagem aos produtores do Estado é estimado em R$ 440 milhões.

Ele se reuniu na manhã desta quinta-feira (12) com os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) para pedir ajuda do governo federal ao Estado.

Colombo pediu recurso para a construção de açudes, poços artesianos, construção de cisternas e distribuição de água para propriedades rurais. O governo estadual já vem utilizando caminhões-pipa para dar água aos animais, mas pediu ajuda de R$ 20 milhões para aumentar a distribuição.

"Santa Catarina é o maior produtor de suínos do Brasil e o maior exportador. É o maior produtor de aves, e o maior exportador. E nossa bacia leiteira cresceu muito. (...) Uma vaca leiteira que produzia 40 litros está produzindo 10. E a recuperação não é imediata, leva tempo", afirmou o governador.

Ao todo, 73 municípios de Santa Catarina estão em estado de emergência devido à seca prolongada na região.

O governador afirmou que 90% dos agricultores têm seguro. "O que nós estamos agilizando agora é fazer os laudos de perdas para que o seguro cubra a proteção aos produtores".

FOLHA

Jovem da periferia comanda agência que atinge 80% dos internautas


Marco Gomes, 25, saiu do Gama, umas das mais violentas cidades-satélite de Brasília, para entrar na UnB e chefiar uma equipe de 15 pessoas em uma agência de publicidade. Abandonou tudo para abrir a própria empresa - aos 20 anos. Hoje, a boo-box atinge 80% dos internautas brasileiros e, no ano passado, expandiu suas operações para o restante da América Latina.

Leia o depoimento de Gomes à Folha:

"Eu sabia que estava num lugar perigoso, e coisas ruins aconteciam. Era ruim meu pai usar cocaína, era ruim meu primo ser apedrejado. Mas, quando você é criança, cara, é mais fácil ser feliz.

Nunca senti que precisava superar o Gama. Em 2003, entrei na UnB aos 17 anos para fazer computação. No fim do primeiro ano, fui contratado por uma agência de publicidade. Virei muitas noites, até que em dois anos já era líder de uma equipe de 15 programadores. Só saí da agência para abrir minha empresa.

Eu percebi que a minha geração estava em ambientes até então inexplorados pela publicidade, voltada aos portais de notícia. Minha geração não acessava os portais. A gente entrava nos blogs de amigos para ver vídeos, nos fóruns para conversar sobre jogos. Acessava as redes sociais, o Orkut e o Twitter.

Em 2006, criei um modelo de publicidade contextual que considera o conteúdo publicado na internet para exibir publicidade específica para a audiência dele.

Na época, era um mercado dominado pelo Google, faturando US$ 1 bilhão sozinho. Passei quatro madrugadas dormindo uma, duas horas, porque tinha que acordar às 8h para trabalhar. O projeto chamou a atenção do maior site de tecnologia do mundo, o TechCrunch.

Eles são difíceis de agradar. Dificilmente falam de ideias de fora do Vale do Silício. Publicaram uma reportagem em janeiro de 2007. É um carimbo do mercado dizendo que o negócio é interessante.

Recebi contato de muito investidor querendo ser parceiro de negócio. 

Quem mais me agradou foi o pessoal da Monashees. Quando fechei com eles, tinha 20 anos, não sabia contratar, nem emitir nota fiscal. Sabia apenas programar.

Eu era um programador querendo fazer algo que achava interessante, mas não tinha noção de que ia virar uma empresa, que atingiria 65 milhões de pessoas com 3 bilhões de anúncios por mês.

Como eu não tinha visão de negócio, eles me apresentaram a Marcos Tanaka, hoje presidente-executivo da empresa. Ele fazia consultoria estratégica para marcas como Itaú e Coca-Cola.

Larguei a universidade e o emprego e fui para São Paulo. Morei na casa de uma amiga durante três meses. Fiquei num albergue por um ano. Lá dividi um quarto por seis meses com quatro pessoas; depois aluguei um só para mim. Morando em um albergue, quarto mofado, a cama horrível, comendo Miojo quatro vezes por semana, era isso que eu queria mudar. 

Coisa que eu nunca pensei quando estava no Gama. Só em 2011 fui morar sozinho. Sozinho, não, porque acabei de casar.

Inicialmente, achei que a boo-box anunciaria produto, não marcas. Nossa ideia era trabalhar com e-commerce, com venda direta de produtos. Mas as agências de publicidade se mostraram mais interessantes. E favorecia a audiência, por causa do conteúdo que eles produzem.

Achei que fecharíamos os primeiros contratos em três meses e ter receitas sólidas. Mas demoramos 18 meses.

Crescemos a ponto de nos tornarmos lucrativos em 2010. Tanto que a Intel Capital nos escolheu para fazer investimento. Foram US$ 77 milhões divididos entre 18 empresas; a boo-box foi a única brasileira. Já não somos uma "startup" [empresa iniciante]. Temos conselho administrativo. 

Acabamos de criar o Grupo 42, com a Popego, para, da Argentina, atuarmos na América Latina inteira.

Ser empreendedor é um estilo de vida. Não tem essa de desligar o computador na sexta e só ligar na segunda.

No nosso caso, toda mídia é concorrente. Mas ninguém com um produto semelhante. Cooperamos muito com quem seria concorrente nosso. O Google ora é nosso concorrente, ora nosso parceiro. Essa concepção antiga de competição não funciona bem na internet".

FOLHA

Argentina exige autorização prévia para importações


O governo argentino adotou mais uma medida protecionista ao determinar que, a partir de 1º de fevereiro, toda importação terá de passar por autorização prévia de órgãos estatais.

Ainda não está claro se será pela Afip (a Receita Federal argentina) ou pelas secretarias de Comércio Exterior ou de Comércio Interior.

De acordo com a nova regra, os importadores terão de pedir permissão antecipada, esperar pela aprovação e somente então ter acesso à sua compra, quando esta chegar à Aduana.

"São medidas que vão além das licenças não automáticas, é como ter licença não automática para tudo", disse à Folha Miguel Ponce, porta-voz da Câmara de Importadores da Argentina.

Esse registro das importações servirá também para que o governo autorize ou não a aquisição de divisas por parte das indústrias que necessitem comprar insumos para fabricar produtos.

Através dessas ações, o governo busca equilibrar a balança comercial e impedir a fuga de capitais. Entre importadoras e indústrias, porém, houve uma reação negativa muito grande.

"É natural que reclamem, mas a ação do governo está de acordo com o que vem acontecendo no mundo hoje", diz Jorge Campbell, ex-secretário de relações econômicas internacionais da Argentina.

Para ele, os custos e a demora na aprovação dos trâmites vão aumentar, mas isso não deve afetar as relações entre Brasil e Argentina.

"Será tudo mais viscoso, mais demorado, é o custo de se ter o Estado intervindo com mais força. Mas não afetará o Brasil, que é nosso maestro e nos marca o caminho", disse Campbell.

CARROS

Por conta da mesma política, a Fiat Argentina teve de suspender a produção de 700 carros diários na sua fábrica de Córdoba devido à falta de insumos, que não conseguiram liberação para entrar.

O problema de abastecimento de peças deve-se também às travas de importação impostas pela Secretaria de Comércio Interior e Exterior.

O órgão, que ganhou poder na nova gestão Cristina Kirchner, está a cargo de Guillermo Moreno e Beatriz Paglieri. No total, há 4.000 trabalhadores parados esperando um desenlace da situação.

CARNE

As restrições do governo fizeram também com que a multinacional brasileira JBS, maior processador global de carne bovina, reduzisse as exportações a partir da Argentina, focando mais no mercado interno. O grupo fechou a fábrica de Venado Tuerto, perto de Rosario.

FOLHA

96% rejeitam criação de novo imposto para saúde, aponta CNI


A maioria da população é contra a criação de novos impostos para melhorar a saúde no Brasil. Segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta quinta-feira (12), 96% dos entrevistados não querem um novo imposto para a área, apesar de 95% afirmarem acreditar que o setor precisa de investimentos.

As informações são da pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública" e mostram ainda que 61% dos entrevistados reprovam o sistema público de saúde brasileiro.

Para 82% dos entrevistados, o governo deve acabar com a corrupção para obter mais recursos para a área. Outra solução, defendida por 53% das pessoas, é a redução de desperdícios. Somente 18% da população diz acreditar que seja necessário transferir recursos de outras áreas para o setor.

De acordo com o estudo, o principal problema do sistema de saúde é a demora no atendimento, apontado por 55% dos entrevistados. Em seguida, está a falta de equipamentos e de unidades de saúde, indicado por 10% das pessoas; e a falta de médicos, indicado por 9% da população.

Segundo a pesquisa, esses problemas estão ligados, pois a demora no atendimento em hospitais e postos de saúde se deve, principalmente, à falta de equipamentos e de médicos. "Para a população, no entanto, é o resultado final - a demora para ser atendido - que aparece como o principal problema", explica o estudo.

Para melhorar a situação, 57% dos entrevistados dizem que é preciso aumentar o número de médicos. Outros 54% afirmam que o governo deve equipar melhor os hospitais públicos e os postos de saúde. A terceira ação, assinalada por 30% dos pesquisados, é o aumento de salário para os médicos.

DESAFIOS

A população diz acreditar ainda que a saúde não apresentou melhora nos últimos três anos, segundo 85%. Para 43% dos entrevistados, houve piora na saúde pública no período.

O estudo da CNI aponta também que, nos últimos 12 meses, dos entrevistados que fizeram algum tratamento de saúde, 79% usaram a rede pública. O serviço público recebeu de seus usuários nota média de 5,7, em uma escala de 0 a 10. Conforme a pesquisa, quanto maior a nota, melhor o serviço.

Na outra ponta, os hospitais particulares receberam nota média de 8,1 de seus usuários.

Os hospitais públicos são os principais fornecedores de serviços de saúde para 68% da população, enquanto a rede privada é usada de forma exclusiva por apenas 10% dos brasileiros.

Segundo o levantamento, a procura por hospitais e clínicas particulares está diretamente relacionada à propriedade de um plano de saúde. Entre os entrevistados que usam somente o serviço privado, 91% têm plano de saúde. Entre os que utilizam apenas a rede pública de saúde, só 1% têm plano de saúde.

O estudo revela ainda que 95% dos entrevistados concordam com a oferta gratuita de serviços de saúde. Mesmo assim, 68% consideram injusto todos pagarem pelo sistema independentemente do uso da rede pública de saúde.

A pesquisa foi feita pela CNI em parceria com o Ibope. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 141 municípios, entre os dias 16 e 20 de setembro de 2011.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, e o grau de confiança é de 95%.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...