terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Primeira mãe de todos os cavalos viveu há 140 mil anos


A "Eva égua", a primeira mãe de todos os cavalos de hoje, viveu há cerca de 140 mil anos. Mas não se trata de um relato bíblico agora descoberto, mas sim de pesquisa com material genético que indicou que essa é a data provável da raiz do que os pesquisadores chamaram de mitogenoma ancestral de égua - a "Eva equina".

O motivo é simples. O material genético, hereditário, dos seres vivos é uma mistura de parte de pai, parte de mãe. Esse material genético na forma de DNA fica no núcleo das células do corpo.

Mas, além do DNA nuclear, existe um que é transmitido na maior parte das espécies apenas pela mãe. Ele fica em um pequeno órgão celular chamado mitocôndria, uma "fabriqueta" de energia.

O genoma mitocondrial, por não apresentar a "recombinação" de genes de pais e mães, permite ter uma visão mais precisa do relacionamento evolutivo dos seres vivos e mesmo daquele dentro de uma mesma espécie.

Uma equipe internacional de 22 pesquisadores liderada por Antonio Torroni, da Universidade de Pavia, e Alessandro Achilli, da Universidade de Perugia, Itália, incluindo pesquisadores de Portugal, EUA, Síria, Irã e Alemanha, publicou os resultados na edição de hoje da "PNAS", a revista científica da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

A edição do texto costuma ser feita por um membro da academia e, desta vez, isso foi feito pelo brasileiro Francisco Mauro Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Salzano não é especialista em genética de equinos, mas trabalha com evolução humana e domesticação de animais. Para o pesquisador, o estudo foi rigoroso, o mais detalhado até hoje. Foram estudados 83 genomas mitocondriais de cavalos atuais vivendo na Ásia, Europa, Oriente Médio e Américas.

Não se trata de mera curiosidade científica. Como lembraram os autores na "PNAS", "a agricultura e a domesticação animal foram passos fundamentais no desenvolvimento humano, contribuindo para o surgimento de povoações maiores, sociedades mais estratificadas e grandes civilizações".

Qual o papel do cavalo nessa história? "O cavalo serviu como um meio de prover comida, facilitar o transporte, e (desde a Era do Bronze) aperfeiçoar as capacidades de fazer guerra", dizem Torroni, Achilli e colegas.

A importância dos cavalos talvez tenha se refletido na rapidez com que foram domesticados e na provável ocorrência do fenômeno em locais bem distantes. O estudo revelou 18 grupos genéticos diferentes com as mesmas mutações e compartilhando ancestrais.

Os rebanhos atuais de bois e ovelhas derivam de alguns poucos animais domesticados em poucos lugares entre 10 mil e 8.000 anos atrás. Já a domesticação do cavalo, feita entre 7.000 e 6.000 anos atrás, deve ter ocorrido em vários pontos da Eurásia Central. Segundo os pesquisadores, os dados, no futuro, podem ser usados, por exemplo, para ajudar a determinar a pureza das raças.

FOLHA

PF prende 54 suspeitos de importar cocaína em carros de luxo


A Polícia Federal prendeu 54 pessoas durante uma operação de combate à entrada de drogas no Brasil pelas fronteiras com o Paraguai e Bolívia. 

Foram 24 prisões em flagrante e 30 em cumprimento a mandados judiciais.

De acordo com a delegacia da PF em Foz do Iguaçu (PR), a chamada operação Brasiguai durou cerca de nove meses e resultou na desarticulação de uma quadrilha especializada em importar cocaína em carros de luxo.

Segundo a PF, os líderes da quadrilha contratavam motoristas "bem apessoados", registravam os veículos em seus nomes - para não levantar suspeitas--, e camuflavam carregamentos de cocaína na lataria. Foram apreendidos 26 veículos nos nove meses.

Após entrar no país, a droga era distribuída para as principais cidades das regiões Sul e Sudeste. As apreensões realizadas durante a operação somaram cerca de 600 kg de cocaína e 3.000 kg de maconha.

Alguns dos acusados, diz a PF, continuavam comandando o esquema de tráfico mesmo presos.

FOLHA

Os recordes da Receita


Comprovando mais uma vez o descompasso entre a economia real e as finanças públicas, no ano passado, quando a atividade econômica registrou notável desaceleração em relação a 2010, a arrecadação federal alcançou seu maior crescimento real dos últimos quatro anos. O total de impostos e contribuições recolhidos aos cofres federais em 2011 foi de R$ 969,9 bilhões, 10,1% mais do que o valor arrecadado em 2010, já descontada a inflação.
Até alguns meses atrás, a Receita Federal estimava que a arrecadação em 2011 poderia ser de 11% a 11,5% maior do que a do ano anterior. O resultado foi menor do que o previsto, mas, mesmo assim, "a arrecadação não frustrou", disse o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. Esse aumento equivale a mais do triplo das estimativas mais recentes para o crescimento do PIB em 2011, de no máximo 3%. Isso significa que, como vem ocorrendo há muito tempo, a carga tributária federal voltou a crescer.
Em razão de distorções da estrutura tributária brasileira, nos últimos anos o desempenho da arrecadação de tributos federais tem sido, invariavelmente, melhor do que o da economia. Quando a atividade econômica vai bem, a arrecadação vai ainda melhor. Quando a produção cresce em ritmo mais lento, a desaceleração da receita é menos acentuada. E, quando o PIB diminui, como ocorreu em 2009, a arrecadação também diminui, mas menos do que a produção.
No ano passado, porém, esse paralelismo foi interrompido - em favor do governo, é claro. Comparado com o desempenho da economia brasileira em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, o de 2011 foi bem modesto (os dados oficiais do PIB no ano passado só serão conhecidos em março). Mas a arrecadação, que em 2010 aumentara 9,8% em relação a 2009 (um ano ruim para a economia real e para as receitas públicas), cresceu ainda mais no ano passado.
Não surpreende, por isso, que o governo federal tenha cumprido a meta de superávit primário definida para 2011. O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) teve superávit primário (economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública) de R$ 93,52 bilhões no ano passado, o equivalente a 2,26% do PIB (a meta era um superávit de R$ 91,8 bilhões).
Do lado da receita, além do excelente desempenho da arrecadação tributária, o governo contou também com o pagamento de dividendos das empresas das quais é acionista majoritário. No ano passado, os dividendos totalizaram R$ 19,9 bilhões.
O fato de o governo federal ter cumprido sua parte para o cumprimento das metas - os resultados finais de todo o setor público, incluindo o desempenho das empresas estatais, dos Estados e dos municípios, serão divulgados hoje pelo Banco Central - não significa melhora da qualidade de sua gestão fiscal e financeira. Embora venha gastando cada vez mais, à medida que crescem suas receitas, o governo não vem melhorando os serviços públicos essenciais na mesma velocidade em que crescem suas despesas.
No ano passado, as despesas com pessoal aumentaram 7,7% enquanto o pagamento de benefícios cresceu 10,4%. Como não reduziu mais a expansão desses e outros gastos de custeio, para cumprir a meta fiscal o governo teve de conter outras despesas, sobretudo os investimentos. Apesar das declarações da presidente Dilma Rousseff de que o ajuste fiscal não seria feito à custa dos investimentos indispensáveis para melhorar a infraestrutura e afastar o risco de gargalos em áreas essenciais para o crescimento da economia, em 2011 os investimentos somaram R$ 47,5 bilhões, apenas 0,8% mais do que os de 2010.
Receitas não usuais, como as decorrentes de sentenças judiciais ou as resultantes de programas especiais como o Refis da Crise, ajudaram a melhorar a arrecadação federal em 2011. Se não houver receitas desse tipo em igual volume em 2012, a arrecadação federal não repetirá o ótimo resultado de 2011. Isso exigirá do governo Dilma uma gestão fiscal mais eficiente, se quiser preservar os investimentos, como tem prometido.
ESTADÃO

Diplomacia alternativa


O governo brasileiro continua fazendo diplomacia alternativa, como se isso fizesse grande diferença para o mundo ou - mais importante - produzisse algum benefício para o País. Sábado passado, representantes do Brasil, da Índia e da África do Sul emitiram um comunicado para manifestar sua preocupação diante da crise global e para cobrar a conclusão, no menor prazo possível, da Rodada Doha de negociações comerciais - como se esse projeto tivesse algum sentido prático neste momento. O fantástico documento foi o resultado de uma conferência entre o chanceler Antônio Patriota, e os ministros indiano e sul-africano do Comércio, Anand Sharma e Rob Davies. O texto foi pomposamente apresentado como Declaração final do Encontro Ministerial Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) à margem do Fórum Econômico Mundial.
A criação do Ibas foi uma das muitas manifestações do terceiro-mundismo erigido como orientação da política externa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Político astuto e indiscutivelmente hábil no plano interno, o presidente Lula se comportou, no cenário internacional, como se nunca houvesse deixado o palanque de Vila Euclides. Sua concepção de diplomacia reflete uma visão muito simples do mundo, temperada pelo esquerdismo provinciano de assessores de sua confiança. Um deles chegou a qualificar a Rússia como um país "geograficamente do Norte e geopoliticamente do Sul". Essa percepção do jogo internacional explica as parcerias "estratégicas" concebidas a partir de 2003. Não por acaso o documento do Ibas termina com uma reafirmação da "fé na cooperação Sul-Sul, uma parceria entre iguais".
Os ganhos políticos e econômicos obtidos com essa parceria são conhecidos. Os africanos votaram no francês Pascal Lamy, quando o Brasil apresentou um candidato a diretor-geral da OMC. O apoio foi mínimo, na vizinhança, quando um brasileiro disputou a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, conquistada por um colombiano. O governo chinês jamais apoiou a pretensão brasileira a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Latino-americanos também têm recusado esse apoio. É longa a lista de exemplos semelhantes. Mas a reunião do Ibas no sábado passado fornece elementos suficientes para uma avaliação da diplomacia alternativa.
Em primeiro lugar, as divergências entre Índia e Brasil contribuíram para o impasse final da Rodada Doha. Houve outros fatores, mas as diferenças entre os interesses comerciais do Brasil e de outros emergentes tiveram peso considerável. Só com muita ingenuidade e desinformação se poderia atribuir o fracasso da rodada a divergências entre Norte e Sul. Insistir na ideia de comunidade de interesses dos membros do Ibas é brigar com os fatos.
Em segundo lugar, insistir na retomada urgente da rodada é uma pueril demonstração de irrealismo. No mesmo dia, o Fórum Econômico Mundial realizou um painel intitulado "Depois de Doha: o Futuro do Comércio Internacional". Uma das personalidades mais interessadas na continuação das negociações, o diretor da OMC, Pascal Lamy, negou qualquer possibilidade de um empreendimento dessa envergadura no futuro previsível. Falta, segundo ele, a energia política necessária para isso. Mas é possível, ressalvou, tocar negociações multilaterais menos ambiciosas.
Em terceiro lugar, foi simplesmente grotesca a ideia de realizar em Davos, "à margem da reunião do Fórum Econômico Mundial", um encontro para manifestar preocupação diante da crise. Foi esse o tema dominante da reunião, durante a semana toda, e dezenas de chefes de governo, ministros, acadêmicos, financistas, empresários e sindicalistas discutiram o quadro internacional, principalmente o europeu, debateram soluções e participaram de um intenso e às vezes áspero jogo de pressões. O Brasil, orgulhosamente apontado como a sexta maior economia do mundo, ficou fora desse jogo, envolvido na obscuridade e na irrelevância da diplomacia alternativa. País importante pratica diplomacia de adulto. O Brasil já fez isso em outros tempos.
ESTADÃO

Os sem-propostas, lá e cá


O Brasil fez a festa em Davos - literalmente. Uma cintilante amostra da elite empresarial, dirigente e acadêmica do globo varou a madrugada de domingo sambando no Centro de Congressos do resort alpino, a convite da Apex, uma agência brasileira de promoção comercial, no encerramento do 42º Fórum Econômico Mundial. Enquanto um telão reproduzia os melhores momentos da seleção na Copa de 1970, a do tri, bailarinos do renomado Grupo Corpo se revezavam com um grupo de bossa-nova para entreter o distinto público, energizado pelos quitutes da nova cozinha nacional, entre um sorvo e outro de caipirinha. Quando a cachaça acabou, reinou a vodca russa.
A noitada brasileira foi imaginada para exibir o alto-astral da economia brasileira, em contraste com o soturno panorama das ainda chamadas economias centrais. Se os executivos e autoridades que as representavam conhecessem a expressão, o pessimismo poderia tentar um ou outro a comparar a festança, no que lhes dissesse respeito, ao Baile da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1889, pelas bodas de prata da princesa Isabel e do conde d'Eu. O termo se tornou sinônimo de fim de um tempo porque seis dias depois a monarquia caiu no Brasil. Não que o Homem de Davos, como se designam os condutores e pensadores do capitalismo global, esteja à beira da extinção.
Mas nunca antes nos seus encontros anuais há de se ter visto tanta perplexidade - no caso, diante da persistência, se não o ressurgimento agravado da crise surgida com a quebra financeira de 2008. "Ninguém está imune", advertiu numa sessão a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em um paradoxo que não escapou a ninguém, a número um da agência que resgatava países em apuros, deles exigindo em contrapartida férrea disciplina fiscal, ergueu a sua bolsa, enquanto enunciava uma versão mais elegante do brasileiríssimo "Me dá um dinheiro aí". Nesse clima, Davos terminou com uma certeza e uma interrogação - as mesmas que dominam o debate público na Europa inteira.
A certeza é de que o capitalismo, tal qual ele se constituiu nos últimos 30 anos, sob a hegemonia do sistema financeiro globalizado, precisa de conserto - para ontem. A interrogação é como fazê-lo. As formidáveis mudanças dessas últimas décadas na esfera econômica, sendo a aceleração do seu tempo histórico a não menos crucial entre elas, desencadearam choques estruturais que parecem refratários às ousadas reformas que salvaram o capitalismo da Grande Depressão dos anos 1930. Elas promoveram, já sobre os escombros sem paralelo da Segunda Guerra Mundial, uma era também inédita de prosperidade e redução das diferenças sociais. A questão, no entanto, é como reproduzir hoje aquelas bem-sucedidas políticas keynesianas, que pressupõem e demandam o fortalecimento do Estado para estimular a economia.
De um lado, os próprios Estados nacionais do Primeiro Mundo, em situação falimentar, perderam muito dos meios de bancar a retomada do crescimento. De outro, a internacionalização do processo produtivo e a instantaneidade dos movimentos desabridos do capital privam os governos do poder efetivo de intervir de que dispunham decênios atrás. À falta de melhor, a maioria deles se inclina a cortar gastos, na expectativa de recuperar a capacidade perdida de atuação. Isso atinge o Estado do Bem-Estar Social, agravando as desigualdades já decorrentes da versão contemporânea da economia de mercado. Um marciano diria que estão dadas as condições objetivas para pôr em xeque o sistema de propriedade privada dos meios de produção.
Uma rápida visita ao 11º Fórum Social Mundial de Porto Alegre, terminado domingo, o faria mudar imediatamente de ideia. O evento antítese de Davos teve em comum com aquele a penúria de propostas exequíveis para religar os motores do progresso e da desconcentração da riqueza.
O risco é que os fatos deem razão ao historiador marxista Eric Hobsbawn, de 94 anos. A certa altura de uma recente entrevista à BBC de Londres, quando o repórter se referiu a ele como portador de uma utopia, retrucou de bate-pronto: "Eu não! Sou absolutamente pessimista sobre o que vai acontecer nas próximas décadas".
ESTADÃO

Governo libera 18 montadoras de aumento no IPI


O governo divulgou nesta terça-feira a lista das montadoras que ficarão livres do aumento de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

A lista publicada no "Diário Oficial da União" traz 18 nomes. Essas empresas se enquadram nos requisitos para a exceção da nova alíquota do imposto anunciada no ano passado.

O principal critério para que as marcas não sejam afetadas pelo aumento de 30 pontos percentuais no IPI é alcançar um mínimo de 65% de peças nacionais nos veículos.

Segundo a portaria, entretanto, as companhias habilitadas estão sujeitas à verificação do cumprimento dos requisitos.

O aumento do imposto foi publicado pelo governo em 15 de setembro, com efeito imediato. Porém, depois de 45 dias, o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou o prazo inconstitucional e garantiu prazo de 90 dias para adaptação das montadoras.

A nova alíquota para para os carros importados passou a valer em dezembro, mas como a maior parte das montadoras tinha estoques, os preços mais altos aos consumidores foram postergados para o início deste ano.

VEJA AS MONTADORAS BENEFICIADAS

Agrale
Hyundai
Fiat
Ford
GM
Honda
Iveco
MAN
MMC
Mercedes-Benz
Nissan
Peugeot Citroën
Renault
Scania
Toyota
Volkswagen
Volvo
International Indústria Automotiva da América do Sul


FOLHA

Foxconn terá mais 5 fábricas no Brasil, diz secretário


A taiwanesa Foxconn, que fabrica os iPads da Apple, deverá montar mais cinco fábricas no Brasil, além da já anunciada planta para a produção de telas de cristal líquido.

A informação foi dada hoje pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Julio Semeghini.


Segundo Semeghini, estarão envolvidas fábricas de gabinetes para notebooks e PCs, componentes eletrônicos, conectores, baterias, e de elementos de mecânica de precisão.

A negociação agora é pela localização dessas fábricas. São Paulo quer o investimento, assim como possivelmente os Estados vizinhos.

"Estamos aguardando os executivos voltarem das comemorações do Ano Novo chinês para retormarmos as negociações", disse Semeghini.

Cada uma das plantas deverá ter cerca de mil funcionários, segundo o secretário. Os investimentos não estão definidos, mas devem ser de "centenas de milhares de dólares", segundo o secretário.

As partes produzidas por aqui ajudarão também na montagem dos produtos da Apple, segundo o secretário. Por enquanto, a empresa começa a importar os kits para montagem de iPads e iPhone no Brasil.

BENEFÍCIOS

A empresa já recebeu do governo federal os benefícios fiscais para produzir tablets no Brasil.

Segundo portaria publicada no dia 25 no "Diário Oficial da União", a empresa terá direito aos benefícios previstos no decreto 5.906 de setembro de 2006.

A determinação prevê isenção ou redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS e Cofins para empresas que invistam em atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos de tecnologia.

Segundo a portaria, a regra valerá para tablets com telas sensíveis ao toque, sem teclado e com peso inferior a 750 gramas.

Também estão incluídos na medida os acessórios, cabos, fontes de alimentação e manuais de operação que são relativos aos tablets.

A expectativa é que a Foxconn comece a produzir os aparelhos - principalmente os iPads, da Apple - na fábrica em Jundiaí, interior paulista.

Entre 2010 e 2011, a Foxconn investiu R$ 300 milhões para a construção de sua terceira fábrica no município, destinada aos aparelhos da Apple, em uma planta prevista para 1.400 funcionários.

VALOR/FOLHA

Receita regulamenta transporte de sacoleiro do Paraguai


A Receita Federal publicou nesta terça-feira um complemento à regulamentação do controle aduaneiro do RTU (Regime de Tributação Unificada), aplicado na importação de mercadorias do Paraguai, via terrestre.

Criada por medida provisória de 2007, a chamada lei dos sacoleiros ainda dependia de regras para a habilitação do transporte da microempresa que pode fazer esse tipo de importação no Paraguai.

A instrução normativa publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União resolve a questão. Aprovada pelo Congresso Nacional em 2009, a lei 11.898 permite que empresas do SuperSimples paguem alíquota única de 25% sobre o preço de mercadorias procedentes do Paraguai, mediante a apresentação de fatura comercial.

Compras pelo RTU estão limitadas a R$ 110 mil por ano. Mas as microimportadoras não podem incluir armas, bebidas, cigarros, veículos, embarcações, remédios e pneus, entre outros.

Antes da lei, os sacoleiros se submetiam ao limite estabelecido para turistas, de US$ 300 (cerca de R$ 510). O valor excedente não declarado era tributado em 50%.

Para buscar a formalização o sacoleiro deve abrir uma empresa, optar pelo regime de tributação do Simples Nacional e se cadastrar no RTU em uma delegacia da Receita. Ele também deve credenciar o motorista e o veículo que farão o transporte -motos são proibidas.

VALOR/FOLHA

Proibição de megacargueiros na China deve afetar a Vale


O governo chinês não permitirá mais que navios gigantes que superem a capacidade máxima aprovada de 300 mil toneladas atraquem em seus portos, informou o Ministério do Transporte do país nesta terça-feira.

A decisão deve afetar os planos da mineradora Vale de utilizar seus megacargueiros para suprir seu principal mercado de minério de ferro.

Os navios que excediam a capacidade aprovada antes eram avaliados caso a caso, mas o ministério informou em comunicado em seu website nesta terça que navios cargueiros e petroleiros gigantes estão proibidos. A medida entra em vigor imediatamente.

O comunicado surge apenas um mês depois de a Vale tentar descarregar o navio Berge Everest, carregado com 388 mil toneladas de minério de ferro, no porto de Dalian - rapidamente gerando protestos da influente associação de armadores chinesa (China Shipowners Association). A entidade tem ativamente pedido que Pequim barre os navios gigantes da Vale.

Nenhum porto chinês tem, atualmente, aprovação para receber navios com mais de 300 mil toneladas e os navios da Vale podem carregar até 400 mil toneladas.

Fontes da indústria disseram que a entrada do Berge Everest no porto de Dalian provavelmente ocorreu por uma falha burocrática, uma vez que essas permissões podiam ser emitidas por autoridades das províncias.

DECLÍNIO SETORIAL

O Ministério do Transporte chinês admitiu que sua decisão de proibir navios gigantes também decorre em parte da crise que assola a indústria de navegação chinesa, assim como assuntos de segurança marítima.

Com a desaceleração econômica em importantes regiões no mundo, como a Europa, a demanda por embarcações, muitas delas construídas e operadas por companhias chinesas, caiu, levando também os valores do frete marítimo para baixo.

A frota dos megacargueiros da Vale, mais competitivos que outras embarcações, pelos ganhos de escala, está ampliando sua atuação no mercado justamente neste momento ruim do setor, alimentando o lobby contrário chinês.

A China Shipowners Association e as siderúrgicas disseram que a frota de meganavios da Vale pode ser um "Cavalo de Troia", que permitiria à mineradora monopolizar os mercados de minério de ferro às custas da China.

O vice-presidente executivo da associação de armadores, Zhang Shouguo, é ex-vice-diretor da divisão de transporte marítimo do Ministério do Transporte.

ALTERNATIVA

Com Pequim mantendo seus portos fechados aos Valemax, a mineradora terá de depender do transporte mais caro feito por embarcações que fazem o transbordo da carga em outros países na região para abastecer o maior consumidor de minério de ferro.

Até o momento, a Vale mantinha a posição de que a dificuldade de entrada de seus meganavios na China ocorria principalmente pela falta de adaptação dos portos do país, evitando reconhecer uma motivação política relacionada à crise dos armadores chineses.

Consultada nesta terça-feira sobre a decisão do governo chinês, a área de comunicação da Vale informou que não comentaria imediatamente o tema.

Uma fonte na companhia familiarizada com a situação disse à Reuters que a Vale ainda buscava uma confirmação diretamente com o governo chinês da proibição dos meganavios.

Afirmou também que caso a proibição se mantenha, a alternativa será utilizar países como Filipinas e a Malásia para atracar as embarcações, e repassar o minério a navios menores, que seguiriam para a China.

O projeto da Malásia, chamado de Taluk Rubiah, ainda está em desenvolvimento e tem previsão para operar em 2014. É um centro de distribuição com capacidade de movimentar 60 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. Ele foi concebido para atender Japão e Austrália, inicialmente, mas segundo a fonte da empresa, "poderia perfeitamente atender à China".

REUTERS/FOLHA

Bradesco vira alvo em novo ataque de hackers a bancos


Hackers brasileiros do grupo Anonymous disseram que realizaram um novo ataque a instituições bancárias nesta terça-feira. O site do banco Bradesco foi o alvo da ação de protesto feita pelo grupo. Ontem, a página do Itaú ficou fora do ar por alguns minutos.


Por volta de 10h da manhã de hoje, o site do Bradesco ficou indisponível por mais de dez minutos e apresentou instabilidade e lentidão durante os cerca de 30 minutos em que a Folha realizou tentativas de acesso.

Por nota, a assessoria de imprensa do Bradesco informou que o site recebeu um volume de acessos superior a média e que chegou apresentar intermitência, mas que não chegou a ficar fora do ar.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que os ataques a sites dos bancos, se bem sucedidos, "atingiriam e prejudicariam a população que utiliza os serviços eletrônicos para obter informações e realizar transações bancárias".

Ainda segundo a entidade, as instituições financeiras têm "mecanismos e contingências capazes de inibir eventuais ataques como os supostamente seriam tentados contra os bancos" e ainda ressaltou que a instituição "vem postulando com empenho a aprovação de lei especifica que criminalize ataques e fraudes eletrônicas".

#OPWEEKSPAYMENT

O grupo Anonymous diz, por meio de suas contas no Twitter, que a ação é um protesto contra a corrupção e será feita ao longo da semana com o intuito de deixar a cada dia um serviço de internet banking fora do ar por pelo menos 12 horas.

O grupo tem utilizado de uma técnica de ataques de negação distribuída de serviço, o DDOS (um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service), que consiste em bombardear um servidor com pedidos de acesso para um site até que ele atinja o limite de sua capacidade e fique indisponível.

Segundo especialistas em segurança da informação ouvidos pela Folha, este tipo de ataque não oferece grandes riscos a segurança de dados armazenados, mas deve ser acompanhado com atenção para evitar que este ataque seja um disfarce para que os hackers tentem outras formas de ataques e invasões ao servidor alvo.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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