quinta-feira, 1 de março de 2012

Cantor italiano Lucio Dalla morre aos 68 anos na Suíça


Lucio Dalla, um dos mais importantes cantores italianos, morreu na manhã desta quinta-feira em Montreux, na Suíça, onde estava para realizar uma série de shows. Nascido em Bolonha, o músico completaria 69 anos no domingo, 4 de março.

De acordo com a imprensa italiana, o ídolo pop passou mal depois do café da manhã e sofreu um ataque cardíaco. Na noite passada, Dalla fez um show na cidade.

Dalla, que também era clarinetista e pianista, compôs para nomes como Luciano Pavarotti, Mario Monicelli, Carlo Verdone e Michele Placido, e lançou "Caruso", seu maior sucesso, em 1986, como faixa do disco "DallAmeriCaruso". Entre seus outros hits estão "L'anno che verrà" e "4 marzo 1943". O primeiro álbum do italiano foi lançado em 1966 e o último, "Questo è Amore", em 2011.

"Não é possível, ele falou comigo ontem à noite, estava muito bem, feliz, tranquio, divertido e em paz consigo mesmo", disse Roberto Serra, fotógrafo e amigo do cantor, à agência Ansa. "Estava contente com a entrevista que eu fiz com ele e pela turnê europeia que tinha acabado de começar. Falou que estava emocionado de reencontrar lugares de 30 anos atrás e de encontrar, apesar da diversidade das situações, a mesma resposta positiva do público".

A última aparição de Dalla na televisão italiana foi quando cantou no último Festival de Sanremo, em fevereiro.

FOLHA

Heraldo, a cor e a alma


A retratação, obtida por meio dos tribunais, circula na imprensa e na internet. Nela o blogueiro Paulo Henrique Amorim retira cada uma das infâmias que assacou contra o jornalista Heraldo Pereira, apresentador do Jornal Nacional e comentarista político do Jornal da Globo. No seu blog, entre outras injúrias, Amorim classificou Heraldo como "negro de alma branca" e escreveu que o jornalista "não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde".
Confrontar o poder, dizendo verdades inconvenientes às autoridades - na síntese precisa do intelectual britânico Tony Judt, é essa a responsabilidade dos indivíduos com acesso aos meios de comunicação. Amorim sempre fez o avesso exato disso. A adulação, reservada às autoridades, e a injúria, dirigida aos oposicionistas, são suas ferramentas de trabalho. Não lhe falta coerência: ao longo das oscilações da maré da política, do governo João Figueiredo ao governo Dilma Rousseff, sem exceção, ele invariavelmente derrama elogios aos ocupantes do Palácio do Planalto e ataca os que estão fora do poder. Às vésperas da disputa presidencial de 1998, no comando do jornal da TV Bandeirantes, engajou-se numa estridente campanha de calúnias contra Lula, que retrucou com um processo judicial e obteve desculpas da emissora. Há nove anos, desde que Lula recebeu a faixa de Fernando Henrique Cardoso, o blogueiro consagra seu tempo a cantar-lhe as glórias, a ofender opositores e a clamar contra o jornalismo independente. Funciona: a estatal Correios ajuda a financiar o blog infame.
Amorim não tem importância, a não ser como sintoma de uma época, mas a natureza de sua injúria racial tem. "Negro de alma branca", uma expressão antiga, funciona como marca de ferro em brasa na testa do "traidor da raça". No passado serviu para traçar um círculo de desonra em torno dos negros que ofereceram seus préstimos interessados ao proprietário de escravos ou ao representante dos regimes de segregação racial. Hoje, no contexto das doutrinas racialistas, adquiriu novos significados e finalidades, que se esgueiram em ruelas sombrias, atrás da avenida iluminada da resistência contra a opressão. Brincando com a Justiça, Amorim republica no seu blog um artigo do ativista de movimentos negros Marcos Rezende que, na prática, repete a injúria dirigida contra Heraldo. Custa pouco girar os holofotes e escancarar o cenário que a infâmia almeja conservar oculto.
O líder africânder Daniel Malan, vitorioso nas eleições de 1948, instituiu o apartheid na África do Sul. Amorim e Rezende certamente não o classificariam como "branco de alma negra", pois uma "alma negra" não seria capaz de fazer o mal e, mais obviamente, porque Malan não traiu a sua "raça". Sob a lógica pervertida do pensamento racial, eles o designariam como "branco de alma branca", embutindo numa única expressão sentimentos contraditórios de ódio e admiração. Como fez o mal, o africânder confirmaria que a cor de sua alma é branca. Entretanto, como promoveu os interesses de sua própria "raça", ele figuraria na esfera dos homens respeitáveis. William Du Bois (1868-1963), "pai fundador" do movimento negro americano, congratulou Adolf Hitler, um "branco de alma branca", pela promoção do "orgulho racial" dos arianos.
Confiando numa suposta imunidade propiciada pela cor da pele ou pelo seu cargo de conselheiro do Ministério da Justiça, Rezende converteu-se na voz substituta de Amorim. No artigo inquisitorial de retomada da campanha injuriosa, ele não condena Heraldo por algo que tenha feito, mas por um dever que não teria cumprido: o jornalista é qualificado como "um negro da Casa Grande da Rede Globo", que "não dignifica a sua ancestralidade e origem" pois "nunca fez um comentário quando a emissora se posiciona contra as cotas". No fim, os dois linchadores associados estão dizendo que Heraldo carrega um fardo intelectual derivado da cor de sua pele. Ele estaria obrigado, sob o tacão da injúria, a subscrever a opinião política de Rezende, que é a (atual) opinião de Amorim.
O epíteto lançado contra Heraldo é uma ferramenta destinada a policiar o pensamento, ajustando-o ao dogma da raça e eliminando simbolicamente os indivíduos "desviantes". O economista Thomas Sowell produziu uma obra devastadora sobre as políticas contemporâneas de raça. Ward Connerly, então reitor da Universidade da Califórnia, deflagrou em 1993 uma campanha contra as preferências raciais nas universidades americanas. José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista, assinou uma carta pública contra os projetos de leis de cotas raciais no Brasil. Sowell é um conservador; Connerly, um libertário; Miranda, um marxista - mas todos rejeitam a ideia de inscrever a raça na lei. Como tantos outros intelectuais e ativistas, eles já foram tachados de "negros de alma branca" pela Santa Inquisição dos novos arautos da raça.
A liberdade humana é a verdadeira vítima dos inquisidores do racialismo. Mas, e aí se encontra o dado crucial, essa forma de negação da liberdade opera sob o critério discriminatório da raça, não segundo a regra do universalismo. Se tivesse a pele branca, Heraldo conservaria o direito de se pronunciar a favor ou contra as políticas de preferências raciais - e também o de não opinar sobre o tema. Como, entretanto, tem a pele negra, Heraldo é detentor de uma gama muito menor de direitos - efetivamente, entre as três opções, só está autorizado a abraçar uma delas.
Sob o ponto de vista do racialismo, as pessoas da "raça branca" são indivíduos livres para pensar, falar e divergir, mas as pessoas da "raça negra" dispõem apenas da curiosa liberdade de se inclinar, obedientemente, diante de seus "líderes raciais", os guardiões da "ancestralidade e origem". Hoje, como nos tempos da segregação oficial americana ou do apartheid sul-africano, o dogma da raça prejudica principalmente os negros.
*SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP.
ESTADÃO

Dívida externa de bancos dobra em 2 anos


O robusto volume de recursos que o Brasil atraiu do exterior em anos recentes começa a ser visto como risco para o crescimento do país caso mudanças no contexto internacional levem a uma freada brusca desses fluxos, informa reportagem de Érica Fraga publicada na Folha desta quinta-feira.

Uma preocupação que vem sendo citada por analistas de fora é o salto nas dívidas contraídas pelo setor bancário no mercado internacional.

O passivo (dívida) em moeda estrangeira dos bancos dobrou entre o fim de 2009 e setembro de 2011, saltando para o equivalente a R$ 313 bilhões. Parte desses recursos captados a taxas de juros baixas no exterior tem sido usada para atender a demanda por crédito de consumidores e empresas brasileiras.

"A emissão de dívidas fora tem sido uma fonte de recursos usada pelos bancos para ajudar a sustentar a expansão de crédito no Brasil", diz Richard Hamilton, chefe de análise da América Latina da consultoria BMI (Business Monitor International).

Em relatório recente, o banco Morgan Stanley incluiu o Brasil em um grupo de sete países emergentes mais vulneráveis a uma mudança no contexto externo.

FOLHA

Dilma diz que vai impedir 'canibalização dos mercados emergentes'


A presidente Dilma Rousseff acusou nesta quinta-feira os países desenvolvidos de promoverem o canibalismo nos mercados emergentes.
Ela afirmou que está disposta a defender a indústria nacional, que enfrenta condições adversas de competitividade por conta da guerra cambial.

"Eu quero dizer para vocês que nós vamos continuar desenvolvendo esse país, defendendo sua indústria, impedindo que os métodos de saída da crise desses países desenvolvidos implique na canibalização dos mercados dos países emergentes e ao mesmo tempo assegurando que o nosso mercado interno, o nosso mercado de massa cresça qualitativamente", disse a presidente.


Dilma afirmou ainda que está preocupada com o "tsunami no mercado monetário de países desenvolvidos, que não usam políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para sair da crise em que estão metidos". A presidente classificou a política monetária desses países de "inconsequente".

Ela participou hoje do lançamento do Compromisso Nacional da Indústria da Construção. Diante de uma plateia de empresários e sindicalistas, ela voltou a criticar a guerra cambial ao defender a produção brasileira.

"Nós sabemos que hoje as condições de concorrência são adversas. Não porque a indústria brasileira não seja produtiva, não porque o trabalhador brasileiro não seja produtivo, mas porque teria uma guerra cambial, baseada numa política monetária expansionista e que cria condições inflacionárias desiguais".

A presidente também afirmou que é preciso combater a política perversa desses países.

"Uma política perversa para o resto dos países, principalmente aqueles em crescimento, que são os países emergentes e que mostra que eles compensam essa rigidez fiscal com uma política monetária absolutamente inconsequente do ponto de vista do que ela produz sobre os mercados internos. É por isso que nós nos preocupamos. Nós vamos ter de perceber que isso não é trivial, simples, que não basta dizer que tem isso".

Dilma disse que o Brasil enfrenta "um período de estabilidade política, de estabilidade institucional, um período de crescimento econômico, de distribuição de renda e inclusão social sem precedentes na história do Brasil".

A presidente lançou mão de uma série de números, como geração de emprego, evolução social, para falar que seu governo tem uma preocupação com desenvolvimento sustentável e base social.

No evento, a presidente passou por dois constrangimentos ao ver um sindicalista apontar presença de "bandidos no Ministério do Trabalho" e o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), cobrar o fim do fator previdenciário, que foi vetado pelo ex-presidente Lula.

FOLHA

Desemprego na Eurozona bate recorde em janeiro


O desemprego na zona do euro aumentou para uma nova máxima da era da unificação monetária, enquanto a inflação ficou basicamente estável no início de 2012, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira, deixando o BCE (Banco Central Europeu) com a missão de equilibrar as demandas de uma desaceleração da economia e uma pressão apenas moderada nos preços.

Uma queda abrupta das temperaturas na Europa e a elevação dos preços do petróleo provavelmente estiveram por trás da ligeira alta nos preços ao consumidor em fevereiro, que levou a inflação da zona do euro para 2,7%, comparada a 2,6% em janeiro, mostraram dados da agência de estatísticas da União Europeia (Eurostat). O dado deste mês é preliminar: a cifra definitiva deve ser divulgada no próximo dia 14.

A crise econômica da zona do euro ajudou a trazer para baixo os preços de bens, alimentos e combustíveis em relação ao pico de 3% do ano passado, mas os preços do petróleo atingiram máximas recordes em euros neste mês e minaram a tendência de queda da inflação.

Isso sugere que o BCE deve deixar de lado qualquer decisão rápida para levar as taxas de juros para abaixo de 1% pela primeira vez e os economistas veem o banco em "compasso de espera".

O banco quer manter a inflação baixa, mas próxima de 2% no médio prazo. Excluindo os preços voláteis da energia e dos alimentos, a inflação de janeiro foi de 1,9% em uma base anual, disse a Eurostat nesta quinta-feira.

RECESSÃO

A queda dos preços pode ajudar as famílias europeias, mas a zona do euro caminha para sua segunda recessão em três anos e o desemprego é um dos maiores desafios para os líderes da União Europeia que se reúnem em um encontro de cúpula nesta quinta e sexta-feira.

O número de pessoas desempregadas na zona do euro aumentou para 10,7% em janeiro, acima do número de dezembro, revisado para cima, de 10,6%.

A taxa é bem mais alta do que os 8% de quando o euro começou a circular, em 2000, e esconde a divisão norte-sul na situação vivida pela zona do euro.

O desemprego na Espanha subiu para 23,3% em janeiro, o nível mais alto entre os 17 países do bloco monetário, mas ficou em apenas 4% na Áustria.

Ao todo, mais 185 mil pessoas estavam sem trabalho na zona do euro em janeiro na comparação com dezembro, disse a Eurostat.

O desemprego ficou acima dos 10,4% previstos por economistas em uma pesquisa da Reuters.

REUTERS/FOLHA

Preso falso policial suspeito de extorquir dinheiro de cantor em São Paulo


Um homem de 36 anos foi preso na madrugada desta quinta-feira sob suspeita de se passar por policial civil e tentar extorquir dinheiro de um cantor sertanejo, segundo o "Bom Dia São Paulo", da TV Globo. Outros dois homens que estavam com ele trocaram tiros com a polícia e conseguiram fugir.

O cantor, que não teve o nome divulgado, foi procurado pelos criminosos na última sexta-feira (24), na cidade de São José do Rio Preto (438 km de SP), onde mora. Eles afirmaram ser policiais do Deic e pediram R$ 1 milhão para não revelar um suposto esquema de desmanche envolvendo uma empresa do cantor.

O músico então procurou a polícia, em São Paulo. Foi constatado então que os homens usavam nomes de policiais da corporação. Orientado pela polícia, o homem concordou em pagar o valor pedido, que foi baixado para R$ 60 mil.

No local indicado para o pagamento, um posto de gasolina na marginal Tietê, a polícia prendeu um dos criminosos, que estava com um distintivo falso da polícia. Outros dois homens estavam com ele, mas conseguiram fugir após trocarem tiros com a polícia. O caso foi registrado no 69º DP (Teotônio Vilela).

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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