quinta-feira, 8 de março de 2012

Cristãos são quase metade dos emigrantes do mundo, diz pesquisa Pew


Os cristãos superam amplamente os muçulmanos em termos numéricos entre as pessoas que migram de país no mundo inteiro - inclusive na União Europeia, onde os debates sobre a migração geralmente focam na chegada de muçulmanos -, segundo um estudo divulgado na quinta-feira.

Dos 214 milhões de pessoas que vivem fora do seu país natal, cerca de 106 milhões (49%) são cristãs, e cerca de 60 milhões (27%) são muçulmanas, segundo pesquisa do Fórum Pew para Religião e Vida Pública.

Apenas 3,6 milhões de judeus saíram dos seus países natais, segundo o estudo, mas isso representa 25 % da população judaica mundial, disparadamente a maior proporção entre todos os grupos.

"Muitos especialistas acham que, em termos gerais, as oportunidades econômicas - melhores empregos e salários - são o maior motor individual da migração internacional", disse o estudo. "Ao mesmo tempo, a religião continua sendo um fator na decisão de algumas pessoas em saírem dos seus países natais e nas suas escolhas sobre aonde ir".

O estudo definiu como migrantes pessoas que em 2010 estavam havia mais de um ano vivendo em outro país. As cifras incluem estimativas sobre imigrantes ilegais e refugiados permanentes, como os palestinos e seus descendentes.

"Talvez contrariamente à percepção popular (...), os imigrantes cristãos superam os imigrantes muçulmanos na União Europeia como um todo", disse o relatório, referindo-se indiretamente a partidos ultradireitistas que se queixam de uma "invasão" muçulmana.

Dos 47 milhões de migrantes na UE, 26 milhões são cristãos, e 13 milhões são muçulmanos. A diferença cai quando se leva em conta apenas os imigrantes de países fora da UE - 13 milhões de cristãos, e 12 milhões de muçulmanos.

Os EUA são o principal destino dos migrantes cristãos, que representam 74% dos 43 milhões de estrangeiros radicados no país. Dois terços deles são latino-americanos.

Além disso, os EUA são o principal destino para budistas (muitos do Vietnã), e só 5 % dos estrangeiros no país são muçulmanos.

O país que mais atrai muçulmanos é a Arábia Saudita - especialmente trabalhadores braçais de outros países árabes, do subcontinente indiano e das Filipinas.

A ONU estima que 3 % da população mundial viva fora do seu país de origem. Isso representa 214 milhões de pessoas, um contingente maior que a população do Brasil, quinto país mais populoso do planeta.

REUTERS/FOLHA

Análise de DNA reforça elo entre humanos e gorilas


Gorilas e humanos são mais parecidos do que se pensava, pelo menos geneticamente. O primeiro sequenciamento completo do DNA desses macacos revelou que alguns genes são mais parecidos entre humanos e gorilas do que entre nós e os chimpanzés, considerados nossos "parentes" mais próximos.

Para chegar a esse resultado, um força-tarefa de 71 pesquisadores de várias partes do mundo esmiuçou o genoma de Kamilah, uma gorila-comum-ocidental (Gorilla gorilla gorilla) de 31 anos, e comparou os resultados com os genes dos outros três grandes primatas: humanos, chimpanzés e orangotangos.

Foi a primeira vez que um levantamento tão abrangente foi feito e, segundo os cientistas, ele tem grande importância para ajudar a elucidar a evolução dos primatas e as nossas próprias origens.

A primeira surpresa veio na similaridade dos genes. Embora o DNA de humanos e chimpanzés seja, de uma maneira geral, bem mais parecido, 15% do genoma dos humanos é mais similar ao dos gorilas do que ao dos chimpanzés.

Nesse conjunto, destacam-se genes ligados ao desenvolvimento do cérebro e da audição, por exemplo.

De fato, é na audição que está uma das maiores similaridades externas entre humanos e gorilas. Nossas orelhas pequenas são bem mais parecidas com as deles do que com as dos chimpanzés.

Entre os genes ligados à audição, uma descoberta tem potencial para influenciar o estudo da fala.

Comumente apontado como um dos genes associados ao desenvolvimento da fala em humanos, o LOXHD1 se mostrou igualmente desenvolvido entre gorilas.

Para descobrir por que, ainda assim, humanos desenvolveram a fala e os gorilas, não, ainda há um longo caminho. Mas o trabalho já começa a dar pistas.

Em um artigo crítico que acompanha a pesquisa, publicado na revista "Nature", Richard Gibbs e Jeffrey Rogers, do Centro de Sequenciamento do Genoma Humano da Faculdade de Medicina de Baylor, em Houston, destacam os resultados.

"Esses novos dados sobre os gorilas sugerem que uma grande porção do genoma humano estava sob pressão da seleção positiva [sendo favorecida pela seleção natural] durante o período de isolamento inicial dos nossos parentes próximos", avaliam.

Segundo eles, os dados podem ajudar a reconstruir as pressões ambientais que moldaram a evolução humana.

SEPARAÇÃO

O trabalho também usou as informações genéticas para estimar em que período aconteceu a separação de cada uma das espécies de seu ancestral comum.

A separação dos orangotangos foi a primeira, há cerca de 14 milhões de anos. A dos gorilas teve lugar em torno de 10 milhões de anos atrás. Já a divisão entre humanos e chimpanzés foi mais recente, há aproximadamente 6 milhões de anos.

O trabalho analisou ainda a divisão entre as subespécies de gorilas. O grupo comparou o genoma de Kamilah com os genes de outros animais de sua subespécie e também de um gorila-oriental (Gorilla beringei graueri).

Embora haja evidências de que a separação tenha ocorrido 1,75 milhão de anos atrás, existem indícios de que houve troca de material genético mais recentemente.

Embora os gorilas estejam trazendo pistas sobre a nossa evolução, os humanos não estão colaborando com a deles. Diversas populações, sobretudo a dos gorilas-das-montanhas, estão em risco elevado de extinção devido à atividade humana.

FOLHA

Grupo de hackers Anonymous derruba site do Vaticano


O ramo italiano do grupo de hackers Anonymous derrubou o site do Vaticano na quarta-feira, dizendo que isso era um ataque contra os escândalos e a doutrina conservadora da Igreja Católica Romana.

O site do Vaticano (www.vatican.va) ficou inacessível. Um porta-voz afirmou que não podia confirmar que o problema tinha sido provocado pelo grupo de hackers, mas disse que técnicos trabalhavam para colocá-lo no ar de novo.

Uma declaração no site italiano do grupo de cyber-ativistas acusou a Igreja de ser responsável por uma longa lista de delitos ao longo da história, incluindo a venda de indulgências no século 16 e a queima de hereges durante a Inquisição.

"Hoje, o Anonymous decidiu colocar o seu site sob cerco em resposta à sua doutrina, liturgia e às regras absurdas e anacrônicas que sua organização lucrativa dissemina ao redor do mundo", disse o site.

O texto também acusou o Vaticano de ser "retrógrado" em sua interferência "diária" nos assuntos internos da Itália.

Ao lado do grupo LulzSec, o Anonymous tem sido responsabilidade por uma série de ações de hackers contra empresas e instituições, incluindo a CIA.

REUTERS/FOLHA

Mundo superou computador pessoal, diz ex-executivo da Microsoft


Ray Ozzie, o homem que sucedeu Bill Gates como visionário tecnológico da Microsoft, acredita que o mundo tenha superado o computador pessoal, o que pode ter deixado para trás a maior produtora mundial de software.

O computador pessoal, que serviu de fundação ao poderio da Microsoft e ainda determina seu desempenho financeiro, foi deixado para trás por poderosos celulares e tablets acionados por softwares do Google e da Apple, disse o antigo executivo da Microsoft.

"As pessoas discutem se estamos ou não em um mundo pós-PC. Não existe o que discutir: é claro que estamos em um mundo pós-PC", disse Ozzie em uma conferência sobre tecnologia promovida pelo blog tecnológico GeekWire, em Seattle, na quarta-feira.

"Isso não significa que o computador pessoal vai morrer, mas apenas que, nos cenários em que o usamos, deixamos de nos referir aos aparelhos como computadores e os designamos por outros nomes", acrescentou.

Ozzie estava fazendo seus primeiros comentários públicos sobre a Microsoft desde que saiu abruptamente da gigante da tecnologia, em 2010. Ele falou horas depois que Tim Cook, presidente-executivo da Apple, a maior rival da Microsoft, enfatizou a emergência do "mundo pós-PC", criado pelo iPad.

As vendas de celulares inteligentes já superaram as de computadores, e as de tablets estão se aproximando delas rapidamente.

Ozzie, 56 anos, um programador lendário que desenvolveu o aplicativo de e-mail Lotus Notes nos anos 1980 e 1990, foi selecionado diretamente por Gates para o posto de vice-presidente de arquitetura de software da Microsoft em 2006, para fazer de sua capacitação em colaboração via Web a peça central do pensamento da empresa.

Ozzie teve papel central no projeto Azure, da Microsoft - o principal esforço da companhia no campo da computação em nuvem -, mas se demitiu quatro anos depois com a Microsoft ainda atrás da Amazon.com e Google em desenvolvimento para soluções na web.

"Meu trabalho lá era administrar mudanças. Bill (Gates) e Steve (Ballmer, o presidente-executivo) me pediram para estudar a companhia, descobrir o que não funcionava e tentar o melhor para consertar os defeitos", disse Ozzie.

"Estou feliz com algumas das mudanças que promovemos. A companhia mudou muito, avançou muito, e estou feliz sobre algumas coisas, mas impaciente quanto a outras", acrescentou.

Ozzie disse que o destino do Windows 8 determinará o futuro da Microsoft. A mais recente versão do sistema operacional funcionará em tablets com chips da ARM, e a Microsoft espera poder competir com o iPad, da Apple, e colocar a companhia de volta no topo da cadeia de consumo tecnológico.

REUTERS/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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