segunda-feira, 26 de março de 2012

Gays se submetem a provas 'humilhantes' nas Forças Armadas turcas


O serviço militar é obrigatório para os homens na Turquia, e eles são dispensados se forem doentes, portarem deficiências ou se forem homossexuais. Mas provar a orientação sexual pode ser humilhante.

"Me perguntaram quando tive relações sexuais anais, sexo oral e com quais tipos de brinquedos eu brincava quando criança", disse Ahmet, um jovem na casa dos 20 anos de idade.

Ele disse aos comandantes militares, na primeira oportunidade após ser convocado, que era gay. Ele e outros foram então submetidos a testes de sanidade.

"Eles me perguntaram se eu gostava de futebol, usava roupas femininas e perfume. Eu não havia cortado a barba havia uns dias e me disseram que eu não parecia como um gay normal", disse Ahmet.

Pediram que mostrasse uma foto dele vestido de mulher.

"Recusei o pedido e fiz outra oferta. Uma foto minha beijando outro homem", afirmou.

Ahmet espera conseguir com isso o "certificado rosa", que o declarará homossexual e o livrará do serviço militar.

PROVAS

A presença de gays vem sendo cada vez mais notada nas grandes cidades turcas nos últimos anos. Cafés e clubes com uma clientela abertamente gay existem em Istambul e uma grande parada gay ocorre no verão, a única em um país predominantemente muçulmano.

Mas enquanto não há leis específicas contra homossexuais na Turquia, homens abertamente gays não são aceitos nas Forças Armadas.
Gokhan, que teve que se submeter à "prova" de orientação sexual ao final da década de 1990, disse ter percebido rapidamente que não havia sido feito para o Exército.

"Tinha medo de armas", diz ele. Gokhan fala que tinha medo de ser maltratado e, após uma semana, teve coragem de declarar sua orientação sexual ao comandante.

"Me perguntaram se eu tinha alguma foto. E eu tinha", afirma.
Ele havia se preparado com fotos explícitas de si mesmo fazendo sexo com outro homem, tendo ouvido que seria impossível de outra forma escapar do serviço militar.

"O rosto deve ser visível. E as fotos precisam te mostrar como o parceiro passivo".

As fotos foram o suficiente para convencer os médicos militares e Gokhan recebeu seu "certificado rosa" e a isenção do serviço militar. Mas diz que foi uma experiência terrível.

"E ainda é terrível. Porque alguém tem essas fotografias. Elas podem ser mostradas na minha vila, aos meus pais e parentes", diz ele.

Homens gays dizem que as provas que são pedidas a eles dependem do humor dos médicos militares ou dos comandantes. Por vezes, em vez de fotos, eles são submetidos a "testes de personalidade".

ÉTICA

O Exército turco não respondeu ao pedido de entrevista da BBC, mas um general aposentado, Armagan Kuloglu, aceitou comentar o caso.

Homens abertamente gays no Exército causariam "problemas disciplinares" e seria pouco prático mantê-los, com a necessidade de construção de "instalações separadas, como dormitórios, banheiros e áreas de treinamento".

Ele diz que se um homem gay mantém em sigilo sua orientação sexual, um eco do procedimento há pouco abandonado nos EUA, ele pode servir.

"Mas quando alguém chega dizendo ser gay, o Exército precisa se certificar de que ele é mesmo o que diz ser e não alguém tentando se livrar do serviço militar", afirma.

Mas a situação causa mal-estar entre os médicos.

"Médicos sofrem grande pressão de seus comandantes militares para diagnosticar homossexualidade e eles obedecem, apesar de não existirem mecanismos para detetar a orientação sexual", diz um psiquiatra que trabalhou no passado em um hospital militar.

"É clinicamente impossível e nada ético", afirma.

O "certificado rosa" de Gokhan afirma que ele tem "desordem psicossexual" e, ao lado, em parênteses, "homossexualidade".

O serviço militar é obrigatório na Turquia para todos os homens com mais de 20 anos de idade, dura 15 meses para quem não é formado e 12 para que é.

Os hospitais militares turcos ainda definem a homossexualidade como uma doença, adotando uma versão de 1968 da Associação Psiquiátrica Americana como guia.

Alguns na Turquia dizem com ressentimento que os gays têm, na realidade, sorte por ter pelo menos uma rota de escape do serviço militar e não correm o risco de serem enviados para lutar contra militantes curdos.

Mas para homens abertamente gays, a vida pode ser difícil.

Mas não é incomum para os empregadores turcos verificarem o histórico militar dos potenciais candidatos e um "certificado rosa" pode significar rejeição.

Um dos empregadores de Gokhan descobriu o documento ao entrar em contato diretamente com o Exército.

Ele passou então a sofrer intimidações. Seus colegas faziam comentários jocosos e outros se recusavam a conversar com ele.

"Mas não tenho vergonha. A vergonha não é minha", diz ele.

Ahmet ainda espera pela resolução de seu caso. O Exército adiou a decisão sobre o certificado rosa por mais um ano.

O jovem diz que é porque ele se recusou a vestir roupas de mulher. E não sabe o que esperar quando aparecer novamente no local.

Ele diz que não poderia simplesmente cumprir suas obrigações militares em sigilo.

"Sou contra todo o sistema. Tenho uma obrigação com a nação e eles devem me dar uma alternativa não militar", afirma ele.

BBC BRASIL/FOLHA

Sob investigação, Israel rompe com Conselho de Direitos da ONU


Israel anunciou nesta segunda-feira o rompimento dos seus contatos com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que na semana passada decidiu investigar os assentamentos judaicos da Cisjordânia.

O rompimento, anunciado pela chancelaria de Israel, implica que os investigadores da ONU não poderão realizar seu trabalho pessoalmente no território israelense ou na Cisjordânia, que é um território palestino ocupado por Israel.

"Não estamos mais trabalhando com eles", disse o porta-voz Yigal Palmor. "Estávamos participando de reuniões, discussões, arranjando visitas a Israel. Tudo isso acabou".

A investigação internacional, solicitada pela Autoridade Palestina, foi aprovada na quinta-feira, e o único país do conselho a votar contra foram os Estados Unidos. Líderes israelenses disseram que o conselho age de forma hipócrita e tendenciosa contra Israel.

"Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições", queixou-se Palmor.

Segundo ele, Israel vai continuar cooperando com outros órgãos da ONU.

'ORGANISMO HIPÓCRITA'

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou imediatamente "a hipocrisia" do Conselho de Direitos Humanos e o Ministério das Relações Exteriores chamou a decisão de "surrealista".

O chefe da diplomacia, Avigdor Lieberman, já havia dado a entender que Israel deixaria de cooperar com esta instância das Nações Unidas.

"Este organismo hipócrita não tem nada a ver com os direitos humanos. A tomada de partido e falta de objetividade são evidentes, e não temos nenhuma razão para cooperar com ele", afirmou Lieberman.

"Não seremos atores neste teatro do absurdo, já que 70% das decisões deste Conselho são hostis a Israel. Pretendemos pedir aos países livres, como Estados Unidos, que se retirem", disse.

Israel não integra o Conselho, mas tem o direito de expressão sob algumas condições. Não pode votar nem apresentar moções. A Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas recebeu como uma vitória a decisão do Conselho.

REUTERS/FRANCE PRESS/FOLHA

Illycaffè usa estoques enquanto preços do café caem


Torrefadoras de café, tais como a Illycaffè, não estão sendo capazes de aproveitar os preços em mínimas de 17 meses, pois ainda estão trabalhando com estoques que compraram a níveis muito mais elevados, disse à Reuters o presidente-executivo da Illycaffè.

Importadores norte-americanos disseram nas últimas semanas que o mercado físico tem estado surpreendentemente calmo, sobretudo devido à queda dos preços futuros para abaixo de US$ 2 por libra-peso, pela primeira vez em quase um ano e meio.

Eles atribuem isso às torrefadoras trabalhando fora do estoque do ano passado, mas esta é a primeira vez que um torrefador reconhece à Reuters que eles não estão se beneficiando da queda dos preços.
"Nós estocamos café para um ano inteiro, o que significa que agora estamos no processo de uso do café que compramos no ano passado, quando o café (preço) estava muito maior do que isso", disse Andrea Illy, presidente-executivo da Illycaffè.

"Então, uma vez que compramos o café, entre julho e outubro ou novembro, é isso".

Illy falou em intervalo da conferência da Associação Nacional de Café dos EUA, ao final da semana passada, em Charleston.

A Illycaffè é um torrefadora de alta qualidade baseada em Trieste, na Itália. Seu total de vendas globais anuais é de US$ 450 milhões, tornando-a a décima terceira maior empresa de café, disse Illy.

A torrefadora de terceira geração, no entanto, não estava frustrada e disse que tentar maximizar o benefício por meio da compra de café pelo preço mais baixo possível, se torna simplesmente um exercício especulativo, em que você ganha alguma coisa e perder outras.

"Os torrefadores são cobertos e fixaram os preços em níveis mais elevados, e estão tendo que trabalhar com o café de alto custo até o ponto onde eles podem tirar proveito do mercado", disse um importador, no sábado.

O contrato de referência subiu acima de US$ 3 por libra-peso em maio de 2011, em uma alta de 11 meses estimulada pela preocupação com a oferta limitada e compras especulativas, forçando muitos torrefadores a aumentarem seus preços. A Illycaffè aumentou seus preços duas vezes em 2011 e novamente em cerca de 4% em janeiro.

A alta fez a produtora norte-americana de café embalado, a JM Smucker Co, fabricante do café Folgers, e a Kraft Foods Inc, fabricante do Maxwell House, aumentarem seus preços de varejo em quatro vezes dentro de um ano. Ambas as empresas diminuíram seus preços de lista em agosto passado, com o recuo do mercado de futuros.

A maior rede de lojas de café do mundo, a Starbucks Corp, elevou o custo do seu café embalado por duas vezes nos Estados Unidos, devido ao rali.

REUTERS/FOLHA

Fundo de Abu Dhabi compra parte de holding de Eike Batista por US$ 2 bilhões


Um dos maiores fundos do Oriente Médio, o fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala, comprou por US$ 2 bilhões (R$ 3,64 bilhões) a parcela de 5,63% na holding de Eike Batista, o conglomerado industrial EBX.

"É o maior negócio estratégico na América do Sul", disse Eike à Folha.

"E 63 é meu número de sorte. Era para ter fechado a negociação na sexta-feira [23] e avançou para o fim de semana. Concluimos hoje de madrugada, dia 26 do 3. Olha o 63 de novo", acrescentou.

O fundo investe nas áreas de energia, infraestrutura, imobiliária, aeroespacial, entre outras.

Já o grupo EBX é formado por cinco companhias listadas no novo mercado da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), segmento com os mais elevados padrões de governança corporativa. As empresas são a OGX (petróleo), MPX (energia), LLX (logística), MMX (mineração) e OSX (indústria naval offshore).

A empresa estima que irá investir US$ 15,5 bilhões entre 2011 e 2012 no Brasil. Nos próximos dez anos, o grupo investirá US$ 50 bilhões no país.

A EBX investe, principalmente, nos setores de infraestrutura e recursos naturais. Também tem iniciativas nos setores imobiliário, de tecnologia, entretenimento e esporte. Com sede no Rio e atuação em nove Estados brasileiros, possui escritórios em Nova York (EUA), Colômbia e Chile.

BILIONÁRIO

O bilionário brasileiro de 55 anos avançou um degrau no ranking de fortunas da revista "Forbes" em 2012, sendo agora o sétimo homem mais rico do mundo depois de ocupar a oitava posição em 2010 e 2011.

O patrimônio do empresário, o mais novo entre os dez primeiros, é estimado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 52,6 bilhões), menos da metade do mexicano Carlos Slim, que lidera a lista com uma fortuna de US$ 69 bilhões (R$ 121 bilhões).

Bill Gates, 56, é o segundo da lista com um patrimônio de US$ 61 bilhões (R$ 107,6 bilhões), seguido pelo investidor Warren Buffett, 81, que soma US$ 44 bilhões (R$ 77,22 bilhões).

FOLHA

luishipolito@outlook.com

Carregando...